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Ferreira 10 anos Porto Branco

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Vivo numa cidade. Cresci no campo mas não me vejo a viver noutro sítio que não no meio do betão da minha cidade. Helsínquia tem o tamanho perfeito; não é nem muito grande, nem muito pequena. É a capital do país e apenas vive aqui meio milhão de pessoas. Bastante sossegada mas com movimento suficiente para a manter interessante. Ainda assim, sinto por vezes falta, em especial depois de uma semana de muito trabalho, da pacatez clássica do campo.

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Campo de Trigo – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Nada à nossa volta a não ser campos de trigo, florestas e lagos. A apenas uma hora de carro do norte de Helsínquia podemos encontrar todo o espaço e sossego que quisermos. Aquilo que costumo fazer é, pegar numa mão cheia de vinhos, boa comida e ir até lá para cozinhar e relaxar. Não estão a mentir quando dizem que cozinhar é bastante terapêutico. Não interessa se somos bons cozinheiros ou não, o facto de fazermos algo produtivo com as nossas próprias mãos é, em si, uma recompensa fantástica que nos faz ver as coisas de maneira diferente.

Há sempre espaço para os amigos e a família. Se quisesse passar tempo sozinho mudava-me para a Sibéria e tornava-me um monge. Encontro conforto em ter a família e os amigos ao pé de mim, a fazerem aquilo que fazem. Quando a mesa está posta, a comida começa a chegar e os vinhos alinham-se. Mesmo sendo a Finlândia um país difícil de alcançar geograficamente, temos aqui bastantes vinhos. Mas há um tipo de vinho que esteve ausente durante demasiado tempo, vinho do Porto branco. Na Finlândia é frustrante ser um apreciador de vinhos fortificados quando a escolha é muito limitada. Mas agora chegou cá um “novo” vinho.

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A mesa está posta – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Ferreira 10 anos Porto branco – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

É bem capaz de ser a melhor novidade do ano na Finlândia. O Ferreira 10 anos Porto branco é o recém-chegado de que toda a gente está a falar. Não consigo entender porque é que o vinho do Porto branco tem uma ligeira má reputação. Em todo o caso, para os que acham digo “ACORDEM!”. Vinhos do Porto brancos envelhecidos são, na minha opinião, alguns dos vinhos mais deliciosos e gastronomicamente harmoniosos. Este Porto sedutor é um excelente exemplo de um vinho do Porto branco de qualidade. A fruta madura, juntamente com os equilibrados aromas de envelhecimento em barril, cria uma excelente combinação de sabores. É abelha-rainha numa tábua de queijos, bom com queijo azul ou Gouda por exemplo, ou então como digestivo depois de jantar. É só deixar a cor dourada cintilar à luz da vela. É um cliché mas funciona, acreditem. Estou muito feliz por agora poder encontrar, aqui na Finlândia, um Porto branco que faça jus ao nome. Devagar, mas certamente, as pessoas estão a começar a descobrir o fantástico mundo dos vinhos do Porto brancos.

Três frescos Fiuza, cada qual com sua cor

Texto João Barbosa

Sou tradicionalista, mas não um talibã do passado. Há alterações que vêm por bem, e muitas resultam – o que, mesmo desgostando-me, me fazem engolir a prosápia. Esta coisa das tradições tem uma fragilidade: houve um dia em que se inventou e por muito tempo não foi essa herança.

Sentença sábia e desarmante coube ao meu enorme amigo Sérgio Carneiro: «As tradições são para serem quebradas». Acrescento: há obrigações para serem transgredidas – essa é outra «cumbersa».

A mudança das designações Estremadura e Ribatejo para Lisboa e Tejo são felizes e por várias razões que não vou enumerar, para não me desviar. Centro-me no Ribatejo, região que sofreu de má fama, devido à falta de qualidade de muitos dos seus vinhos.

A designação do maior rio da Península Ibérica facilita a leitura por parte dos estrangeiros e lava o antigo termo. Há talvez duas décadas que existem produtores de vinho de qualidade na região (ou reconhecidos), mas o número tem vindo a crescer. Dizer e escrever Tejo confere justiça a esses vitivinicultores.

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Fiuza Logo – Foto Cedida por Fiuza & Bright | Todos os Direitos Reservados

Uma casa antiga – sujeito deste texto – é a Fiuza & Bright, que possui cinco propriedades na região. São 25 referências, anichadas em sete famílias: Oceanus (branco, rosé e tinto), Campo dos Frades (branco, rosé e tinto); Native (branco, rosé e tinto); Três Castas (branco, tinto e espumante branco); Monocastas (e bivarietais – alvarinho, chardonnay, chardonnay e arinto, sauvignon blanc, cabernet sauvignon, merlot, merlot e touriga nacional, touriga nacional e rosé de cabernet sauvignon e touriga nacional); Premium (branco e tinto); e Ikon (branco e tinto).

Não bebi muitas vezes os Ikon, mas fiquei com boa impressão dos píncaros da Fiuza & Bright. Sou assíduo consumidor dos vinhos Fiuza em restaurantes, pois garantem qualidade, há variedade e preços «amigos», factor importante porque os comerciantes de restauração carregam nos preços. Esta opção acontece com outros vinhos da região, como os da Quinta da Lagoalva de Cima, que será tema um dia destes.

Quem me conhece, nem que seja pela escrita, sabe que me recuso a indicar vinhos com boa relação de qualidade e preço – depende da bolsa, da importância dada, do conhecimento enófilo e do momento – porém aqui arrisco. Contudo, como sei que existe uma barreira psicológica nos cinco euros, não posso deixar de referir que se trata de vinhos acima desse patamar, em preço de venda ao público.

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Fiuza Sauvignon Blanc – Foto Cedida por Fiuza & Bright | Todos os Direitos Reservados

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Fiuza Touriga Nacional – Foto Cedida por Fiuza & Bright | Todos os Direitos Reservados

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Fiuza Cabernet Sauvignon and Touriga Nacional Rosé – Foto Cedida por Fiuza & Bright | Todos os Direitos Reservados

Em apreciação estiveram três vinhos: Fiuza Sauvignon Blanc 2014, Fiuza Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional Rosé 2014 e Fiuza Touriga Nacional 2013. Três vinhos «modernos» – comparando com os tradicionais e de perfil fácil de agradar em toda a parte – com as castas bem expressas e muito fáceis de prazer.

O Fiuza Sauvignon Blanc 2014 tem a virtude do maracujá, toranja e alguma pêra rocha não muito madura. É refrescante e tem um tempo final com nota. Só acontece – mais uma vez demonstro o meu mau feitio – não sou apreciador de vinhos tropicais, especialmente de maracujá. É uma questão pessoal, não é defeito do vinho; até antes pelo contrário, mostra a variedade de uva.

Fiuza Touriga Nacional 2013 exibe a plasticidade da casta, que vai das violetas do Dão; às cerejas, amoras, framboesas, morango e suas geleias e compotas no Douro; aos morangos, salada de frutos do bosque e suas geleias e compotas no Alentejo; à «escuridão» das ameixas quase em passa, um toque de figo, «salada» de frutos do bosque neste vinho, que foi amenizado com estágio de seis meses em barricas de carvalhos americano e francês, conferindo um toque de noz-moscada, baunilha e uma finura distante de caramelo (aguentar no copo).

O favorito, o «engraçado» Fiuza Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2014. Duas grandes castas que não bulham, mas dançam. Fresco, com verdura de trincar, a evocação de pimento da casta francesa, violetas – é o que dá apanharem as uvas propositadamente para os rosados e ainda com o benefício de baixo teor alcoólico – amoras e morangos.

Contactos
Fiuza & Bright, Lda.
Travessa do Vareta, nº11
2080 – 184 ALMEIRIM
Portugal
Tel: (+351) 243 597 491
Fax: (+351) 243 579 247
Email: info@fiuzabright.pt
Website: www.fiuzabright.pt

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O novo Chryseia 2013…

Texto José Silva

Desta vez a associação Prats & Symington, entre a família Symington e o enólogo francês Bruno Prats, escolheu o restaurante Belcanto, do chefe José Avillez, em Lisboa, para apresentar os seus novos vinhos: Prazo de Roriz Douro Doc 2012, Post Scriptum Douro Doc 2013 e a jóia da coroa, o Chryseia Douro Doc 2013.

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José Avillez – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Pela família Symington estava Rupert Symington, acompanhado por Bruno Prats, que em tempos foi proprietário do Château Cos d’ Estournel, em Bordéus, antes de se apaixonar pelo Douro. Lembremo-nos que o Chryseia de 2011 foi considerado em 2014, pela revista norte americana Wine Spectator o terceito melhor vinho do mundo! O que fez com que esgotasse rápidamente, logo seguido da colheita de 2012, estando o mercado sem Chryseia desde então. Por isso também a curiosidade e ânsia de todos os presentes para provar a nova colheita, Chryseia 2013.

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Rupert Symington – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

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Bruno Prats – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Recebidos com a qualidade e simpatia a que este espaço já nos habituou, começamos, como é tradição nos eventos da família Symington, por apreciar o champagne Paul Roger, neste caso o Brut Rosé Vintage 2006, que estava soberbo, à temperatura certa, ainda por cima num dia de calor. Conversa puxa conversa e foram passando pela sala diversos petiscos deliciosos, para fazer companhia ao champagne, ou vice-versa, servidos com o requinte que se espera num restaurante detentor de duas estrelas do guia Michelin: tremoço esférico com kaffir e piripiri, azeitona XL-LX e gaspacho de cereja. Estava lançado o mote.

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Prazo de Roriz 2012 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

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“A horta da galinha dos ovos de ouro” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Já sentados à mesa, foi servido o Prazo de Roriz Douro Doc 2012, com aquela típica cor ruby intensa. No nariz apresentou-se com muita fruta bem madura, notas de amora e ameixa e um ligeiro floral. Bem volumoso na boca, cheio, intenso mas elegante, fruta preta gulosa, acidez e frescura em perfeito equilíbrio e um bom final, num vinho que ainda pode evoluir na garrafa durante alguns anos. E que acompanhou muito bem o ferrero rocher, frango assado e a horta da galinha dos ovos de ouro, ovo, pão crocante e cogumelos…a arte da cozinha do chefe Avillez à nossa mesa.

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Post Scriptum 2013 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

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Charcoal-roasted red mullet – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ainda recostados na cadeira a apreciar aqueles paladares fantásticos e já nos era servido o Post Scriptum Douro Doc 2013. Granada intenso, escuro, tem notas frescas de figos, ameixas, amoras, algumas especiarias. Na boca apresenta-se muito jovem, fresco, com óptima acidez, taninos intensos mas já muito bem casados com a fruta, a deixar um final longo e saboroso. Foi muito boa companhia para o salmonete braseado, com molho de fígados e xerém de amêijoas à Bulhão Pato, um prato delicioso, muito elegante e fresco.

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Chryseia 2013 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

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Superb ox-tail – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Chegou então o esperado momento, já corria nos copos o Chryseia Douro Doc 2013. Granada escuro, intenso, opaco. Muito exótico no nariz, aromas de frutos pretos característico, mas também algumas framboesas, ligeiras notas de especiarias, apesar dos taninos intensos um vinho cheio de elegância, redondo, bem estruturado e com enorme final. Está ali para durar muito tempo…se lá chegar! Bateu-se taco a taco com um soberbo rabo de boi com grão, foie gras, tendões de vitela, creme de cebola e queijo da ilha. Difícil de descrever, tal a complexidade de paladares neste prato de grande nível, num casamento perfeito com o Chryseia. Mas ainda faltava a sobremesa e foi servido o Quinta de Roriz Porto Vintage 2000, um clássico duriense, ainda muito escuro no copo, com aromas intensos de fruta preta e já com notas ligeiras de frutos secos e algum chocolate.

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The dessert – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na boca é muito volumosos, cheio de estrutura, muita fruta, notas de especiarias, fumo, plantas silvestres, um vinho que não vai parar de evoluir, com final muito longo, que acompanhou uma sobremesa desconcertante: chocolate, banana e amendoim, a fechar o almoço em beleza…

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Quinta de Roriz Porto Vintage 2000 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

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Graham’s 30 Year Old Tawny Port – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Com o café e os petit fours, a tradição dos tawny da família Symington, com o Porto Graham’s Tawny 30 Anos, cheio de frutos secos, tostado, extraordináriamente elegante, um grande vinho do Porto.

Cheers!

Contactos
Quinta de Roriz
São João da Pesqueira
5130-113 ERVEDOSA DO DOURO
Portugal
Tel: +351-22-3776300
Fax: +351-22-3776301
E-mail: info@chryseia.com
Website: www.chryseia.com

Caves da Montanha

Texto João Pedro de Carvalho

Ainda pela Bairrada, o passeio encerra com a visita a um dos maiores produtores da região, as Caves da Montanha (Anadia). A produção anual ronda o milhão e setecentas mil garrafas, tendo actualmente cerca de 2 milhões de garrafas guardadas nas longas caves subterrâneas das quais cerca de vinte mil supera os vinte e quatro meses de estágio em garrafa. Em Portugal o espumante de qualidade nem sempre foi uma realidade, é algo que tem vindo a crescer e a afirmar-se junto dos consumidores na última década. Nunca por cá se bebeu tão bom vinho como nos dias de hoje, é uma realidade, mas a somar a tudo isto também é verdade que a Bairrada se assume cada vez mais como a região onde produzir espumante fará mais sentido.

Fundadas em 1943 por Adriano Henriques, a empresa tem passado de pais para filhos estando actualmente na quarta geração com Alberto Henriques ao comando. Apesar do leque de ofertas se estender um pouco por todas as regiões com os mais diversos produtos é nos espumantes da Bairrada que a meu ver mora a alma deste negócio. A equipa de enologia composta por António Selas e Bruno Seabra, juntamente com Alberto Henriques têm sabido encontrar o rumo certo e juntos têm dado o seu contributo para um renascimento da região da Bairrada.

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Caves da Montanha Chardonnay-Pinot 2009 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Para este refresh de toda uma região, muito tem contribuído a Comissão Vitivinícola da Bairrada na pessoa do seu dinâmico presidente José Pedro Soares. Mas todo este assunto é merecedor de um artigo próprio, por agora o que interessa destacar são os espumantes que se provaram nas instalações das Caves da Montanha. O primeiro de todos foi um Montanha Grande-Cuvée Baga 2009, nascido num ano considerado de excelência pelo produtor. Um espumante que mostra um perfil mais clássico se assim se pode chamar, combina notas de alguma evolução com a frescura da fruta madura, notas de biscoito e ligeiro fruto seco. Boa presença de boca, com a fruta a marcar presença em quantidade e sabor, muita frescura com elegância e final de boa persistência. Um espumante com energia suficiente para acompanhar pratos de maior temperamento.

Em 2008 surge a primeira referência do Montanha Grande-Cuvée Chardonnay-Baga, todo ele cheio de frescura no nariz, com leve biscoito e notas de pêra, muita fruta associada à casta Chardonnay com leve fermento. Boa exuberância de conjunto, mousse fina e elegante com acidez a limpar o palato num espumante de fácil harmonia à mesa. O Montanha Real Grande Reserva 2009 é o topo de gama, sai quase de dois em dois anos e mostra-se nesta colheita com um blend de Chardonnay, Arinto, Pinot e Baga. Aroma com cocktail de frutas, ligeiras notas de biscoito, alguma geleia, muita frescura e vigor. Boca com envolvência que preenche o palato, frescura com sensação de cremosidade, final seco e prolongado.

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Caves da Montanha Chardonnay-Baga 2008 – Foto Cedida por Caves da Montanha | Todos os Direitos Reservados

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Caves da Montanha A.Henriques Edição Especial 70 Anos 2006 – Foto Cedida por Caves da Montanha | Todos os Direitos Reservados

Para o final ficou o A. Henriques Edição Especial 70 Anos Bruto 2006, um espumante feito à base de Chardonnay, Arinto e alguma Baga, que combina muito boa frescura com notas da passagem do tempo. Envolto numa delicada e muito fina complexidade que combina aromas de polpa branca da Chardonnay , os travos mais citrinos da Arinto, com a Baga a conferir robustez ao conjunto. Em fundo notas de biscoito com tisana, algum pão torrado num conjunto complexo que na prova de boca se mostra bastante elegante combinando ligeira cremosidade com a boa frescura da fruta. Brilhou a acompanhar um leitão assado à Bairrada.

Contactos
Rua Adriano Henriques 12
Apartado 18
3781-907 Anadia
Portugal
Tel: (+351) 231 512 260
Fax: (+351) 231 515 602
Website: www.cavesdamontanha.pt

Engenharia de Precisão: Monte da Ravasqueira Vinha Das Romãs

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Fiquei boquiaberta com os últimos lançamentos do Monte da Ravasqueira, em especial com o Monte da Ravasqueira Premium White 2012, o Premium Rosé 2013 e o Vinha das Romãs 2012. À terceira foi de vez porque, embora invariavelmente bem feitos, os vinhos deste produtor alentejano não foram amor à primeira vista. Escapou-me alguma coisa? Bem, até os melhores provadores de vinhos acordam do lado errado da cama.

Uma prova vertical em Junho passado respondeu, de certa forma, à minha pergunta. Provar diferentes colheitas do mesmo vinho é a minha maneira preferida de avaliar, não só pela “mão de Deus” (variação da colheita) mas também pela mão humana – as alterações a nível da viticultura e da abordagem na produção do vinho são também postas a nú. O que é que retirei ao analisar as três colheitas do Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs (2012, 2011, 2010)?

Se estivermos a falar da “mão de Deus”, todas as colheitas fizeram juz à expectativa. O 2012 apresentou-se elegante e com uma boa estrutura. O 2011, mais denso, mostrou uma fruta mais poderosa. Quanto ao 2010, estava relativamente aberto e acessível, com um toque de Alicante Bouschet, um toque rústico – significativamente o que menos melhorou com a idade (mesmo tendo em conta a sua relativa idade). Somando tudo, pareceu-me que o 2012 apresentou um toque extra de aprefeiçoamento – grande requinte. Com uma fruta mais brilhante e mais bem definida, mostrou-se mais equilibrado do que o 2011 que se inclinava mais para fruta demasiado madura. Para dizer a verdade, e contrariamente à informação que tinha em relação a estas colheitas, devo dizer que o 2012 irá superar confortavelmente o 2011 em tempo de vida.

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Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2012 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

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Enólogo Chefe Pedro Pereira Gonçalves – Foto Cedida por Monte da Ravasqueira | Todos os Direitos Reservados

Porquê? O blend varietal (70% Syrah, 30% Touriga Franca) é o mesmo, tal como a vinificação. Não penso que a diferença de um ano de vinha importe muito  (como regra geral, os vinhos atingem melhor equilíbrio com os anos). Para mim, a resposta reside na adopção de uma viticultura de precisão, em 2012, por parte da Monte da Ravasqueira (e da entrada do dinâmico Enólogo Chefe que a implementou, Pedro Pereira Gonçalves).

Utilizando uma frase do “The Oxford Companion to Wine” (Jancis Robinson MW), viticultura de precisão significa que “a gestão da vinha é efectuada de uma forma individual e direccionada, em vez de implementada uniformemente em grandes áreas”. Significa utilizar tecnologias como imagens infra-vermelhos, sistemas de posicionamento global (GPS) e sistemas de informação geográfica (SIG), primeiro para avaliar e depois para gerir as variáveis da vinha (como o tipo de solo, profundiade e estrutura) que influenciam a qualidade, quantidade e estilo do vinho.

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Vista de foto aérea do Monte da Ravasqueira – Foto Cedida por Monte da Ravasqueira | Todos os Direitos Reservados

Para Pedro Gonçalves, a gestão das variáveis de cada um dos 29 blocos de vinha do Monte da Ravasqueira, e até da mesma casta, tem sido a chave para a “verdadeira interpretação do terroir”. Voltando ao puro equilíbrio do 2012, percebe-se que a vinha mostrou todo o seu potencial, tornando fácil agarrar a uma menor densidade antes dos açucares da uva dispararem e a acidez natural estava boa. De qulaquer modo, certamente que explica o porquê de a colheita de 2012 ter um grau e meio a menos de volume de álcool.

Quando posteriormente revelei a Pedro Gonçalves as minhas impressões relativamente ao 2012, reconhecendo que a “mão de Deus” fez o seu papel (“2012 foi um ano fantástico para a Syrah e a Touriga Franca”), concordou com entusiasmo. Agora pegando nas palavras de Jennifer Aniston (!), “aqui vem a parte científica, concentrem-se”. De acordo com o enólogo, “com a informação que obtemos através das técnicas de viticulura de precisão, foi possível identificar os locais da vinha que apresentavam maior equilíbrio e separá-los dos outros. Não quer dizer que os outros tivessem menos qualidade, mas não eram o que estava à procura para o vinho Vinha das Romãs que é um equilíbrio entre álcool, taninos e acidez, qualidade de taninos (níveis elevados de antocianinas e IPT’s (antocianinas+taninos)) e os tipos de sabores de fruta (sabores mais complexos, fruta preta e perfis especiados sem aquela fruta fácil que por vezes encontramos na Syrah)”.

Aqui estão as minhas notas relativamente ao Vinha das Romãs. Curiosamente, Romãs refere-se à anterior encarnação da vinha – foi um pomar de romãs até 2002, altura em que foi substituído por uma parcela de 5 hectares de Syrah e Touriga Franca. A parcela é vinificada e engarrafada em separado porque produz uvas particularmente maduras e concentradas.

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2010 (Vinho Regional Alentejano) – um blend maioritariamente composto por Syrah e Touriga Nacional, com uma pequena percentagem de Alicante Bouschet e Touriga Franca (apesar do nome, o conceito de single vineyard ainda não estava implementado porque a vinha “Vinha das Romãs” apenas tem plantação de Touriga Franca e Syrah). O 2010 foi envelhecido durante nove meses em barris de carvalho francês – menos de metade do tempo do 2011 e do 2012. Isto, juntamente com a colheita em si, pode explicar o porquê de ser significativamente mais pálido e menos estruturado que as outras colheitas. No nariz e no palato apresenta um mentol distinto, um perfil especiado e notas pronunciadas de iodo, das quais me recordei da primeira prova do 2012 no início deste ano. Os tons de caça do aberto 2010, doce e com ameixa fazem-me lembrar de Rhône Syrah. Os taninos são maduros com um toque rústico. Bebe-se bem agora, não é para guardar. 14.5%

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2011 (Vinho Regional Alentejano) – Este blend especiado de 70% Syrah/30% Touriga Franca foi envelhecido durante 20 meses em barris novos de carvalho francês. É o mais escuro e denso dos três. Amora concentrada e madura, e notas de azeitona preta ainda mais madura (discutivelmente demasiado maduras) estão bem enquadradas com taninos maduros mas presentes. Um impulso firme de acidez agarra na fruta para um final longo. Um vinho vigoroso. 14.5%

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2012 (Vinho Regional Alentejano) – o mesmo blend e evolução do 2011, mas é um vinho mais animado e móvel. Apesar de a amora e a ameixa estarem bem equilibradas e bem definidas, tem uma qualidade espacial que permite as notas de alcaçuz picante, eucalipto e iodo brilhem. Continuo impressionada com o perfil fresco e os taninos firmes, tipo romã, deste intenso mas elegante vinho – qualidades que sugerem que irá envelhecer muito bem – pelo menos durante uma década. 13%

Contactos
Monte da Ravasqueira
7040-121 ARRAIOLOS
Tel: (+351) 266 490 200
Fax: (+351) 266 490 219
E-mail: ravasqueira@ravasqueira.com
Website: www.ravasqueira.com

O Cavalo Maluco e os outros «índios» da Herdade do Portocarro

Texto João Barbosa

Começo este texto exactamente como comecei o anterior. Escrever acerca dum dos meus três vinhos portugueses favoritos é difícil pela preocupação do bom senso, prazer, memórias e qualidade intrínseca.

Gosto de certezas, incluindo a certeza da incerteza. Gosto que uma Coca-Cola seja uma Coca-Cola, sempre igual. Gosto da certeza da incerteza dos grandes vinhos: todas as colheitas são diferentes, porque não há anos de climatologia gémea. Mas que tenham um perfil comum e a qualidade que os torna príncipes. Os anos são o corpo e o perfil é o apelido.

A Herdade do Portocarro situa-se no litoral alentejano – território que está num sítio que burocracia muda de lugar. Bizarria não chamar alentejanos aos vinhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines. Esta propriedade fica no Concelho Alcácer, zona mais conhecida pelos arrozais e pelos pinhais.

Se todos os vinhos da Herdade de Portocarro são merecedores de comentário elogioso, dois destacam-se: o Anima e o Cavalo Maluco. O primeiro por ser uma «desarrumação» que José Mota Capitão, o produtor, causou. O segundo porque… é o tal, um dos meus três tintos portugueses favoritos.

Nesta propriedade da Península de Setúbal, embora lá não esteja, fazem-se cinco tintos, um branco e um rosé. Não comento, por não ter provado os Alfaiate Branco 2013 (esgana-cão, galego-dourado, arinto e antão vaz) e o Autocarro Nº 27 2013 (aragonês, touriga nacional e cabernet sauvignon).

Os vinhos com a marca Herdade do Portocarro são inesperados. Não sei se os entendo. Nunca foram o que esperava. Não lhe vejo parecenças com outros da zona. Será o famoso terroir, personagem fugidia que surge do nada e desaparece e que tanta gente diz ter convívio?

O Herdade de Portocarro 2011 tem mineralidade e frescura de boca. Fez-se com as castas aragonês, touriga nacional e cabernet sauvignon. Encorpado, mas não bruto. É um lavrador na cidade.

Partilho com José Mota Capitão a admiração pela casta touriga franca. Torço o nariz a um possível passeio, em larga escala, da rainha das castas do Douro pelo país. Dos vinhos não durienses, só o Herdade de Portocarro Partage Touriga Franca 2008 me dá um prazer ao nível (dos do) da sua região berço. Confirmo que esta variedade precisa de amigos; a solo não me faz palpitar o coração. Vale, pelo menos, a experiência.

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Herdade de Portocarro – Foto Cedida por Herdade do Portocarro | Todos os Direitos Reservados

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Herdade de Portocarro Partage Touriga Franca – Foto Cedida por Herdade do Portocarro | Todos os Direitos Reservados

José Mota Capitão veio para a ribalta com o primeiro vinho em Portugal feito exclusivamente com a casta sangiovese – julgo que não minto, até talvez tenha sido pioneiro no seu plantio. Ano após anos, a italiana mostra-se sensual, mas não frágil. Sotaque italiano, mas não cidadania. É dali, de São Romão do Sado, Freguesia do Torrão, Concelho de Alcácer do Sal, (Distrito de Setúbal), («Península de Setúbal»), Alentejo Litoral. Aposto – mas não sei a resposta, porque não perguntei – que é a casta que partilha o maior afecto deste vitivinicultor.

Os Anima comprovam o princípio da incerteza. Saem sempre muito bem, têm os traços dos irmãos e o apelido. Não são clones nem gémeos. Comentar um determinado ano só faz tanto se comentar todos os outros. Conselho a quem puder… compre, saboreie e conclua.

O Tears of Anima 2014 é um rosé de sangiovese. Tem a vantagem da casta que outros não ousam, resultando em aromas mais próximos dos vinhos brancos – e dos frescos: citrinos, líchias e ameixas colhidas em momento adiantado. Tem o carácter que deviam ter «todos» os rosados: baixo teor alcoólico. Em Portugal valoriza-se muito a capacidade dos vinhos portugueses serem gastronómicos… é uma vantagem? Bebam este pelo prazer de conversar e descontrair da praia que nos tornou encarnados, pelo esquecimento de nos barrarmos com protector solar factor 20.000!

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Herdade do Portocarro Tears of Anima – Foto Cedida por Herdade do Portocarro | Todos os Direitos Reservados

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Herdade do Portocarro Cavalo Maluco – Foto Cedida por Herdade do Portocarro | Todos os Direitos Reservados

É momento do meu amor: Cavalo Maluco. Nome estranho! Tudo tem uma razão. Em menino, José Mota Capitão brincou – como em várias gerações – aos índios e cowboys. As crianças tendem a gostar dos vencedores … o miúdo que hoje faz vinho queria ser índio… talvez um dia venha o Touro Sentado!

O Cavalo Maluco 2011 é, possivelmente, o mais «doido» de todos. O ano foi grandioso e o chefe Lakota galopou. É filho de uvas de touriga franca, touriga nacional e petit verdot.

É melhor do que o anterior?! E do que o outro antes?! Sei lá, verdadeiramente. Acho que sim. O mesmo conselho a quem puder: compre, saboreie e conclua.

Um fim-de-semana de vindimas no Douro…

Texto José Silva

As vindimas começaram em força no Douro, um pouco por todo o lado, com o tempo a ajudar. E foi em ambiente de vindimas que passamos um fim-de-semana com a Real Companhia Velha, confortavelmente hospedados no Palácio de Cidrô.

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Palácio de Cidrô – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A usufruir toda aquela beleza arquitectónica, aqueles jardins belíssimos e o silêncio das noites frescas de céu limpo.

À chegada esperava-nos um jantar volante extremamente agradável, a fazer companhia aos primeiros vinhos desta casa com tanta tradição. Bacalhau desfiado, pataniscas, omeleta baixinha de legumes, arroz de legumes, bolo húmido da casa e fruta variada.

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Vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E provaram-se, para além do espumante de Chardonnay e Pinot Noir que está muitíssimo bom, os brancos tradicionais de CidrôSauvignon-Blanc e Semillion – e os tintos Cabernet Sauvignon com Touriga Nacional e Pinot noir. Mas ainda havia a surpresa dum Quinta do Cidrô Cabernet-Sauvignon…de 1996, ainda cheio de vida. Fechou-se com vinho do Porto, pois claro, um Colheita de 1980, e que bem que escorregou.

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Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No dia seguinte, depois dum pequeno almoço delicioso, foi um pulo até à Quinta das Carvalhas, com toda aquela beleza do Douro por companhia.

Ali esperava-nos uma vinha de Sousão, onde já trabalhava a roga de vindimadores, a que nos juntamos na tarefa dura de arrancar cachos de uvas.

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Vinhas de Sousão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Balde, luvas e tesoura – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

À entrada já nos tinham equipado com balde, luvas e tesoura.

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Pedro Silva Reis – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Acabadas as uvas, lá continuamos a subir, com uma paragem aqui e ali, onde o Pedro Silva Reis nos foi dando informações sobre a constante evolução da empresa.

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A beleza do Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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A beleza do Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A beleza do Douro era cada vez mais arrebatadora.

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Casa Redonda – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Chegados lá acima à Casa Redonda, com aquele espectáculo fantástico do Douro a 360º, as máquinas fotográficas não conseguiam parar de disparar, era a “ditadura” da paisagem! Como diria Miguel Torga: “É um excesso de natureza!”

Esperavam-nos alguns petiscos e uma poderosa feijoada à transmontana, uma das refeições mais típicas das vindimas.

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Petiscos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Quinta das Carvalhas Tinta Francisca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E, claro, os vinhos das Carvalhas, com nova roupagem, brancos cheios de frescura e excelente acidez e tintos encorpados, jovens, com fruta bem madura, entre os quais um surpreendente Tinta Francisca, muito elegante, cheio, requintado. Os vinhos estão mesmo muito bons, modernos e bem apresentados. Juntou-se a nós o Álvaro, que nos deliciou com muitas histórias e informações da sua grande paixão, a viticultura. Mas era tempo de nos dirigirmos à Quinta da Granja, em Alijó, onde funciona a enorme adega, por esta altura em pleno trabalho de vindimas.

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A seleccionar as uvas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Jorge Moreira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ali escolhemos uvas no tabuleiro de escolha, ouvindo explicações do Jorge Moreira, o enólogo principal, que até nos deu algumas amostras de cuba a provar.

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Pisa da uva – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalmente, para os mais corajosos, pisaram-se uvas, de tinto e vinho do Porto, nos lagares de granito. Era a festa de celebração das vindimas. Ainda se petiscou uma bola de carne e uns copos de vinho antes de regressarmos a Cidrô, cansados mas satisfeitos.

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Evel XXI & Quinta de Cidrô Sauvignon-Blanc – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Refrescados e aperaltados, juntamo-nos no salão do primeiro piso do palácio para partilhar uns petiscos e alguns vinhos, entre os quais o Evel XXI, que está muito bom, cheio de vida, a dar requinte à marca, e novamente o Sauvignon-Blanc de Cidrô, absolutamente delicioso. Ao comando, mais uma vez, o bom gosto e a simpatia do Pedro Silva Reis.

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Alheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Lombo assado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Sentados à mesa, apreciamos uma alheira tostadinha com ovo estrelado e grelos, seguindo-se um lombo assado no forno com batatinhas assadas.

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Quinta das Carvalhas 1997 Vintage Port – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Música do Álvaro, ao vivo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Terminamos em beleza com um Vintage de 1997 que nos acariciou o espírito.

Em fundo, a alegria da música do Álvaro, ao vivo, embalava-nos e fazia-nos sorrir…

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“Até à próxima” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

De manhã, depois do pequeno almoço – aqueles ovos mexidos com tomate estavam incríveis!! – era a despedida e o regresso a casa.

Ou melhor era o “Até à próxima”!

Contactos
Real Companhia Velha
Rua Azevedo Magalhães 314
4430-022 Vila Nova de Gaia
Tel: (+351) 22 377 51 00
Fax: (+351) 22 377 51 90
E-mail: graca@realcompanhiavelha.pt
Website: realcompanhiavelha.pt

Quinta dos Abibes, a Bairrada em modo Sublime

Texto João Pedro de Carvalho

Abandonada durante mais de uma década a Quinta dos Abibes (Anadia) vai buscar o seu nome a uma ave migratória de seu nome Abibe (Vanellus vanellus). A propriedade conta com 10 hectares dos quais 7 hectares são de vinha e foi adquirida em 2003 pelo Prof. Doutor Francisco Batel Marques. A enologia ficou a cargo do reconhecido enólogo Osvaldo Amado e a primeira colheita da Quinta dos Abibes iria nascer apenas em 2007. As castas escolhidas foram as tintas Baga, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, enquanto que nas brancas a Arinto, Bical e Sauvignon Blanc.

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Prof. Dr. Francisco Batel Marques to the left and winemaker Osvaldo Amado to the right – Photo Provided by Quinta dos Abibes | All Rights Reserved

Na Quinta dos Abibes destaca-se a aposta na diferença e acima de tudo na qualidade dos seus produtos, onde por exemplo a Baga apenas é utilizada na vinificação de espumantes. No caso do Espumante Quinta dos Abibes Sublime Brut Nature 2009 a produção limitou-se a 3200 garrafas, num espumante de qualidade onde se destacam as notas de biscoito que combinam alegremente com aromas de citrinos, bem fresco com algum tostado em fundo mineral. Boca a condizer e de grande harmonia entre fruta e notas tostadas, ligeira cremosidade sentida num espumante de muito bom nível.

Entrando nos vinhos tranquilos com o Quinta dos Abibes Sublime branco 2010 feito a partir da casta Arinto no melhor registo a que o enólogo Osvaldo Amado nos tem vindo a acostumar. Um branco que se mostra com notas de fruta madura onde o destaque vai para os citrinos e alguma maçã em conjunto com a madeira por onde passou que marca o conjunto, um pouco demais para o meu gosto, contribuindo com aromas de tosta e algum fruto seco. Saboroso com boa passagem que alia frescura e untuosidade, elegância com final de boa persistência.

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Quinta dos Abibes white 2010, Sublime 2010 & Sparkling wine Sublime Brut Nature 2009 – Photo Provided by Quinta dos Abibes | All Rights Reserved

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Vanellus Classic Edition Cabernet Sauvignon 2011 – Photo Provided by Quinta dos Abibes | All Rights Reserved

Mudamos a tonalidade e entramos no campo dos tintos com o Quinta dos Abibes Sublime 2010 onde brilha a solo a casta Touriga Nacional. Vinho de perfil concentrado e pujante, muita energia e frescura a mostrarem fruta preta madura com toques fumados, especiarias, algum terroso de fundo. Boca a mostrar boa envergadura, fruta com mais detalhe que no nariz, muito saborosa, frescura a percorrer todo o palato, final longo e persistent e com taninos ainda presentes a mostrarem a sua presença no final de boca.

Termino com o Vanellus Classic Edition Cabernet Sauvignon 2011, um Beira Atlântico com ares de Bordéus, aromas de grafite, notas terrosas e com carga vegetal ligeira. Fruta madura e bem fresca, muito mirtilo, muitas bagas silvestres a explodir de sabor, perfumado num conjunto fresco e coeso. Corpo médio, com rusticidade a pedir tempo em garrafa, frescura a embalar a fruta madura e saborosa num final de boa persistência.

Contactos
Quinta dos Abibes Vitivinicultura, Lda
Aguim – Anadia
3780 Anadia
Bairrada – Portugal
Tel: (+351) 917 206 861
E-Mail: quintadosabibes@gmail.com

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Chili com vinho (Esporão)

Texto Ilkka Sirén

“O que é que se come na Finlândia?”, é uma pergunta que ouço com bastante frequência. As pessoas esperam todo o tipo de respostas estranhas, como por exemplo, que como carne de urso crua e que tenho o meu próprio alce no qual vou todos os dias para o trabalho. Não é bem assim. Temos bastantes pratos tradicionais na Finlândia, mas a maior parte só comemos uma vez por ano. Não temos nada do género do bacalhau, como em Portugal, que se come quase diariamente ou pelo menos uma vez por semana. Os finlandeses em geral não utilizam muitas espécies na alimentação e, para ser honesto, a comida aqui é por vezes bastante insípida. Por outro lado, aqui, apreciam-se os sabores naturais dos bons ingredientes. Vegetais, raízes, bagas e cogumelos são algumas das coisas mais preciosas aqui no Norte gelado. Mas, sendo eu um fã de, por exemplo, cozinha tailandesa e vietnamita, aprecio comidas com sabores fortes e picantes.

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Swirl – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Tortilha – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Agora, a caminho de mais um difícil Inverno, sentamo-nos e esperamos que as folhas caiam e cubram tudo com cores bonitas. Neste momento já as noites estão a ficar mais frias e, quem sabe, se não começará já a nevar no próximo mês. De facto, neste momento, o Verão já só é uma longínqua miragem. Isto tem imapacto directo na cozinha das pessoas, especialmente na minha. E não é só isso, começo a cozinhar pratos mais calorosos e faço pickles de, literalmente, tudo. O Outono também se reflecte na minha escolha de vinhos mas vamos voltar a esse ponto mais tarde.

Tortilhas, tacos, burritos e carnitas estão longe de ser comidas tradicionais finlandesas mas devo confessar que sou um fã. A tortilha em si, aquele pão fino, é apenas um veículo para todas as coisas deliciosas; neste caso um habanero picante e um chili naga jolokia de carne. Apesar do chili naga jolokia ser cerca de 400 vezes mais picante que o molho de tabasco, a ideia aqui não é destruir o palato. Gosto de criar molhos poderosos e equilibrados mas ao mesmo tempo saborosos. Nem sempre consigo.

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Esporão Reserva 2011 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A pergunta é: com que servir este tipo de prato? O meu impulso natural seria “cerveja ou nada”. Sim, cerveja seria sem dúvida a harmonização mais fácil, mas tinha que existir outra coisa. Muitos teriam optado por um branco semi-seco, talvez um Riesling. A doçura a equilibrar o picante do chili, etc. De certeza que funcionaria mas, neste caso em particular, seria demasiado elegante. As tortilhas são tudo menos elegantes. São desengonçadas, desconcertadas e deliciosas. Queria algo com cojones apropriados para a situação. Entre então o Esporão Reserva 2011. Um blend robusto de Alicante Bouschet, Aragonês, Cabarnet Sauvignon e Trincadeira. Negro e denso como a árvore do rótulo, o Esporão Reserva 2011 é uma dádiva de Deus para as nossas noites frias e escuras. É definitivamente um vinho que devemos deixar perdido na garrafeira durante 1-12 anos mas que, com o chili de carne picante, deu lugar a uma harmonização brilhante. A princípio achei que seria um assalto aos sentidos. E devo dizer que houve bastante acção quando este amplo alentejano colidiu com o chili. Mas pouco depois, quando a poeira baixou, houve um saboroso e ligeiramente surpreendente casamento de sabores. Caso não estejam habituados ao chili a combinação poderá ser um pouco forte demais mas, se adorarem chili como eu, podem descobrir aqui algo muito especial.

Maritávora Grande Reserva Branco Vinhas Velhas, príncipe do Douro

Texto João Barbosa

Começo este texto exactamente como vou começar o próximo. Escrever acerca dum dos meus três vinhos portugueses favoritos é difícil pela preocupação do bom senso, prazer, memórias e qualidade intrínseca.

Gosto de certezas, incluindo a certeza da incerteza. Gosto que uma Coca-Cola seja uma Coca-Cola, sempre igual. Gosto da certeza da incerteza dos grandes vinhos. Assim acontece com esta firma da região do Douro.

Maritávora é um nome mágico se pensarmos no drama da família Távora, exterminada pelo primeiro marquês de Pombal. Nem sei como alguém conseguiu manter o apelido. O actual proprietário da Quinta de Maritávora – em Freixo de Espada-à-Cinta – não tem parentesco com essa família aristocrática.

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A família Junqueiro em Maritávora – Foto Cedida por Maritávora | Todos os Direitos Reservados

A propriedade foi comprada, em 1870, pelo pai do poeta Guerra Junqueiro, tio bisavô de Manuel Gomes Mota. Conheci-o quando fazia um programa de agricultura para a RTP. Queria criar um enoturismo diferente, levando gente constante mente àquele ermo para fazer um vinho exclusivo. Porquê? Porque a vila vive das excursões para ver as amendoeiras em flor, porque ninguém sabe que quem desenhou o Mosteiros dos Jerónimos também ali esteve, porque tem uma estranha torre de sete lados.

Eu e o repórter de imagem chegámos no momento de jantar. Não há restaurantes sofisticados, come-se o que é da terra – princípio das filosofias do quilómetro zero, da slowfood e da sabedoria de Alexandre Dumas (pai).

No restaurante de província, Manuel Gomes Mota abriu uma garrafa:

– Uau!

Um vinhaço e «esquisito». O que era aquilo? Disse muita coisa e quase sempre ao lado, excluindo o evidente.

– Amanhã, quando visitares a quinta, vais perceber.

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Manuel Gomes Mota – Foto Cedida por Maritávora | Todos os Direitos Reservados

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Jorge Serôdio Borges – Foto Cedida por Maritávora | Todos os Direitos Reservados

Verdade! O chão xistoso (tão xistoso) e as videiras centenárias. Vinho de mineralidade grandiosa e «confusão» das castas baralhadas nas vinhas, coisa antiga.

O que é terroir? É uma «coisa» que não há vitivinicultor que não reivindique. O que é um terroir? É uma «coisa» complexa e rara. Maritávora tem! Bons chãos (não só xisto em calhau), climatologia própria, boa vinha (cultivo está em modo biológico)e enologia de Jorge Serôdio Borges, um dos enólogos que melhor conhecem o Douro.

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Vinhas – Foto Cedida por Maritavora | Todos os Direitos Reservados

A Maritávora comercializa um leque de opções, é impossível escrever acerca de todas. Tudo começou com um branco e um tinto. Aptos para receberem a designação Grande Reserva, só mais tarde foi adoptada.

Quanto a mim, os Maritávora Grande Reserva Tinto sofrem do padecimento dos filhos segundos. As tarefas de responsabilidade adjudicadas ao mais velho quando tem dez anos são negadas ao mais jovem, ainda que tenha 12 anos.

Os topos da gama tintos «ficam» na sombra. Não por demérito, mas porque os claros são especiais. O Maritávora Grande Reserva Vinhas Velhas Tinto 2011 é complexo e denso, terá uma longa vida. Feito com uvas das castas touriga nacional, touriga franca, tinta roriz e «outras». O estágio foi de 18 meses em barricas novas de carvalho francês.

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Maritávora Grande Reserva Vinhas Velhas 2011 tinto – Foto Cedida por Maritávora | Todos os Direitos Reservados

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Grande Reserva Vinhas Velhas 2011 branco – Foto Cedida por Maritávora | Todos os Direitos Reservados

A minha paixão são os Grande Reserva Vinhas Velhas Branco. O de 2011 tem o carisma e a personalidade cativante dos irmãos que o antecederam, com benefício do factor ano. As castas são côdega do larinho, rabigato, viosinho e «outras». Conviveu três meses em barricas novas de carvalho francês, com battonnage. Tudo igual ao de 2012… de 2010…

Iguais?! Claro! Mineralidade fulgurante e uma «coisa estranha» que é frescura com calor – tem a climatologia, as exigências das uvas, as do solo e as da madeira nobre. Longo, fundo e variado no tempo em que é bebido.

Iguais?! Não! Felizmente, não. É tão boa a incerteza dos grandes vinhos!

Contactos
Quinta de Maritávora, EN221, Km88
5180-181 Freixo de Espada-à-Cinta
Portugal
Tel: (+351) 214 709 210
Fax: (+351) 214 709 211
E-mail: mgm@maritavora.com
Website: www.maritavora.com