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Quintas de Caiz, nas Encostas do rio Tâmega

Texto João Pedro de Carvalho

Quintas de Caiz é um projecto muito recente no panorama vínico nacional que fica enquadrado na região dos Vinhos Verdes. Fruto da paixão que a família Freitas tem pela terra e da vontade de criar algo distinto que fosse ao mesmo tempo um bom exemplo daquela região, mais propriamente daquelas encostas por onde serpenteia o rio Tâmega. Os três vinhos Encostas de Caiz provados, todos de 2014, daquela que foi a primeira colheita a ser colocada no mercado.

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Vinhas Quintas de Caiz – Foto Cedida por Quintas de Caiz | Todos os Direitos Reservados

Vinhos irrequietos, com os nervos próprios de terem sido engarrafados muito recentemente quando me tinham chegado às mãos. Digo e repito que regra geral os vinhos oriundos desta região beneficiam quase sempre com um a dois anos de estágio em garrafa, aquele tempo mais que suficiente para deixarem os nervos de lado e quando se mostram estarem sem tremideiras ou faltas de memória. Com um arejamento prévio a coisa compôs-se e a prova foi bastante convincente da qualidade destes novos Encostas de Caiz.

O primeiro vinho provado foi o Encostas de Caiz Grande Escolha 2014, lote feito de Alvarinho e Loureiro. De todos o que menos disse, com o Loureiro completamente sequestrado pelo Alvarinho o conjunto precisa de tempo com tudo ainda muito tenso e em fase de afinação. Não obstante mostra-se envolto em frescura, com nervo suficiente para se poder desembrulhar à vontade num par de anos. Melhor o Encostas de Caiz Grande Escolha Alvarinho 2014, se bem que também este a mostrar que precisa de mais algum tempo em garrafa. Muito fresco e bem afiado nos aromas e sabores, conjunto bastante apertado, tenso e pouco ou nada tropical com domínio de frutos de pomar bem maduros embrulhados em frescura com nuances de flores e a austeridade mineral a dominar em pano de fundo.

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Trio Encostas de Caiz – Foto Cedida por Quintas de Caiz | Todos os Direitos Reservados

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Sardinhas – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Para o fim fica aquele que mais gostei, que mais agradou e que mais depressa desapareceu das garrafas, o Encostas de Caiz Grande Escolha Avesso 2014. Conquista no imediato pelo combo entre fruta ligeiramente exótica com toque de pêra e citrinos ao que se junta o aroma floral. Perfumado e convidativo mostra um fundo marcado pela mineralidade, muito boa capacidade de revitalizar o palato com pratos de gastronomia oriental onde o tempero mais forte costuma imperar. Neste caso todos os vinhos serviram para acompanhar umas belíssimas sardinhas assadas no carvão.

Foz Torto: Em busca da elegância

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Em 2000, Abílio Tavares da Silva, um empreendedor IT de Lisboa, começou a procurar por uma vinha. Certo que teria que ser no Douro, mas não foi fácil porque era meticuloso. Demorou cinco anos a encontrar o sítio certo. Nos dias que correm tem uma vista de topo sobre o Douro, em particular sobre as vinhas mais altas da Sandeman, na Quinta do Seixo, que está situada na outra margem do rio Torto, imediatamente oposta ao seu próprio pedaço de Douro, Foz Torto.

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Abilio Tavares da Silva no topo do mundo na Foz Torto – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Os 14 hectares de vinha, em patamares íngremes, da Foz Torto, descem até ao rio Douro. Não é apenas pela paisagem vertiginosa que se verifica desde o topo (320m) até ao rio (72m) que Abílio se sente no topo do mundo. Focando um pouco mais a questão, está a aperceber-se da paixão que o levou a vender o seu negócio, a realocar a sua família no Douro e a estudar enologia (tem um curso de Enologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro).

Porquê este lugar? Porque, diz Abílio, “estava à procura de elegância e equilíbrio e a minha vinha no rio Torto é conhecida, há já 200 anos, pelo seu poder e elegância”. “Maioritariamente em vinho do Porto”, acrescenta. E ainda hoje 80-85% das uvas são vendidas à Taylor’s para a produção de vinho do Porto. Atribui, parcialmente, esta reputação à Rufete, que é muito comum no Torto e “mais conhecida pela elegância do que pela força”.

Dito isto, substituiu cerca de 80% das vinhas originais (ficaram a sobrar 3 hectares de vinhas velhas). Justifica, “o vinhedo estava em mau estado porque pertencia a uma família que esteve envolvida em disputas em tribunal durante 10 anos”. A nova plantação inclui Rufete e Tinta Francisca, que o entusiasta de comida descreve como “condimentos” para a Touriga Nacional e a Alicante Bouschet também ali plantadas.

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O jardim de vegetais da Foz Torto – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Abílio é tão apaixonado pelos vegetais que plantou na Foz Torto quanto é pelas suas vinhas. Enquanto me dizia, “Acredito mesmo que as vinhas devem ser desfrutadas e visitadas como um jardim, e não apenas para produzir vinho.”, mostrou-me morangos, cebolas, feijões, batatas, árvores de fruto e oliveiras. Tal é zelo messiânico que tem pela intensidade de sabor da rúcula que me deu a provar que se esqueceu que (e eu também) estávamos prestes a provar os vinhos. A rúcula mais picante (tanto como o rabanete) que já provei e que, lamentavelmente, descalibrou o meu palato. Felizmente, Abílio foi amável e enviou-me amostras frescas para provar em Londres.

Os vinhos, o primeiros lançamentos, de 2010, são feitos com Sandra Tavares da Silva (não são parentes) que aperfeiçoou as suas habilidades de vinificação de Douro no Vale do Torto na Quinta do Vale Dona Maria antes de estabelecer a Wine & Soul com o seu marido, e também enólogo, Jorge Serôdio Borges. Abílio diz que Sandra é a “instrutora” para o “estagiário” que há em si. E, evidentemente, tal como eu, é um grande fã do requintado branco do Douro da Wine & Soul, Guru, já que adquiriu uma segunda vinha de vinhos brancos perto do local de onde provêm as uvas utilizadas na produção daquele vinho, em Porrais, Murça, a 600 metros de altitude. Devo dizer que gosto mais do Foz Torto branco, com grande personalidade, do que do tinto que, apesar de muito bem feito, não é tão elegante o quanto estava à espera dada a localização e o ano da colheita. Mas ainda são os primeiros tempos e Abílio gosta de estudar (para ele “o prazer é a viagem”). Estou mesmo interessada em acompanhar a evolução desta gama. De facto, com os conselhos da sua “instrutora”, que irão contribuir para que os seus vinhos sejam “mais elegantes e distintos”, já começou a instalar lagares para uma vinificação em quantidades menores na velha adega que está a restaurar no Pinhão. Como qualquer bom informático sabe que, “temos de prestar atenção a todos os pequenos detalhes”.

Aqui estão as notas relativamente aos seus últimos lançamentos:

Foz Torto Vinhas Velhas Branco 2013 (Douro) – produzido a partir de um pequeno (menos de um hectare) field blend maioritariamente composto por Códega do Larinho e Rabigato. Abílio disse-me que a vinha cheira a pólvora e, tal como o Guru, este vinho tem um perfil de cordite com, já no segundo dia, um toque feno-grego picante. Apesar de de não ser tão encorpado, poderoso ou longo quanto o Guru, gosto da sua mineralidade e do seu toque incisivo a toranja com limão mais maduro. Notas complementares e complexas de baunilha e óleo de limão, que se mostram graças ao envelhecimento em carvalho francês durante cinco meses. Tem muito do interesse e intensidade das vinhas velhas. 12.5%

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Um trio da Foz Torto – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Foz Torto Tinto 2012 (Douro) – Um blend com 40% Touriga Nacional, 30% Touriga Franca, 10% Tinta Francisca, 5% Tinta Roriz, 5% Alicante Bouschet, 5% Sousão e 5% Tinta Barroca de vinhas com 7-8 anos; foi fermentado durante 8 dias em tanque de inox e envelhecido durante 16 meses em barris de carvalho francês de 2º e 3º ano. Tem amora e ameixa maduras com chocolate preto, tanto no nariz como no palato, com ameixa, tabaco, couro, traços de whisky berber (chá de menta) e taninos de baixa granularidade. O tabaco está mais marcado no segundo dia. Um toque quente (álcool) atravessa a prova; beneficiaria com um pouco mais de definição e frescura. 14.5%

Foz Torto Vinhas Velhas 2012 (Douro) – um field blend de vinhas velhas com mais de 30 castas; foi fermentado durante 8 dias em tanque de inox e depois envelhecido durante 18 meses em barris de carvalho francês (30% novos, 70% 2º ano). Como seria de esperar, é mais concentrado, mineral e picante do que o cuvée mais novo, com cassis rico, mais maduro, ameixa preta mais suculenta e sumarenta e framboesa mais doce. O carvalho novo confere baunilha e notas mais pronunciadas de torrada e mocha. Um pouco maduro demais e quente para o meu gosto, apesar de beneficiar de taninos esbeltos e notas úteis de eucalipto no final. 14.5%

Homenagem ao Cante – Adega Cooperativa da Vidigueira homenageia Património da Humanidade

Texto João Barbosa

A palavra cooperativa arrepia muita gente. Em parte com razão, mas não totalmente. Quando, há poucas décadas, começaram a surgir em Portugal as cooperativas vitivinícolas o resultado foi claramente positivo e a vários níveis.

Os agricultores ganharam força comercial, pela união, obtiveram melhores preços do que se vendessem a empresas privadas, conseguiram certeza no escoamento da produção. Em termos técnicos, as cooperativas conseguiram apetrechar-se com o melhor que havia nesse momento. Ou seja, o vinho melhorou de qualidade.

Depois «descansaram», mas mudou o mundo e o país. Na década de oitenta, as cooperativas alentejanas tomaram a dianteira e auxiliando-se de técnicos competentes e «actualizados», como o caso de João Portugal Ramos, contribuiram, e em muito, para a afirmação do Alentejo como terra vitivinícola de sucesso.

Porém, os apoios da União Europeia e a estabilização política (no caso do Alentejo ainda se colocou a questão da Reforma Agrária, de índole marxista) levaram a que os agricultores quisessem avançar com os seus próprios negócios.

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Rolhas da Adega Cooperativa da Vidigueira – Foto Cedida por Adega Cooperativa da Vidigueira | Todos os Direitos Reservados

Houve cooperativas que morreram, definharam, sobreviveram e tiveram sucesso. O mundo gira e hoje não há razão para se tomar por desajeitado o que se produz nas cooperativas. A Adega Cooperativa da Vidigueira conheceu dias complicados e agora reergue-se. Felizmente, há várias a recuperar.

A Vidigueira era famosa pelos seus brancos, onde brilhava a casta antão vaz… a tal que não gosto. Se a variedade faz sucesso no mercado e se cultiva em toda a região, por maioria de razão, ali tem de se dar muito bem.

Fazer bem feito e ter resultados dá para o orgulho. Acaba por ser curioso que quase toda a informação prestada pela Adega Cooperativa da Vidigueira seja de carácter economico-financeiro e muito centrada nos investimentos. Não há nada de errado, e traduz muito.

Um retrato frio: mais de 300 associados, 1.500 hectares de vinha, mais de 2,2 milhões de vinho tinto vendidos no ano passado e acima de 2,1 milhões de branco. Sete marcas de vinho, com diversas variedades,  e uma aguardente bagaceira. Por isso, centro-me num néctar icónico, para a empresa, associados e região.

Há quem diga que quando se juntam dois brasileiros se começa logo o samba. Há quem diga que quando se juntam dois alentejanos se começa logo a cantar. O cante (designação que só recentemente ouvi falar, conhecia como «canto» ou «cantar») é polifónico e originalmente participavam apenas homens. São canções dolentes, por vezes arrepiantes… As mulheres costumavam cantar nos trabalhos no campo, mas hoje há grupos corais que as aceitam.

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Homenagem ao Cante branco – Foto Cedida por Adega Cooperativa da Vidigueira | Todos os Direitos Reservados

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Homenagem ao Cante tinto – Foto Cedida por Adega Cooperativa da Vidigueira | Todos os Direitos Reservados

O cante tornou-se Património Imaterial da Humanidade em 2014. Daí nasceu a vontade de criar dois néctares comemorativos, branco e tinto da vindima passada. Não comento vinhos de homenagem, não tenho esse direito. Essas obras nasceram para o brinde, na alegria ou na tristeza. Digo só: bem alentejanos!

Contactos
Bairro Indústrial
7960-305 Vidigueira
Tel: (+351) 284 437 240
Fax: (+351) 284 437 249
E-mail: geral@adegavidigueira.pt
Website: www.adegavidigueira.com.pt

Areia Restaurant Bar, uma refeição fantástica à beira mar

Texto José Silva

Nasceu em Caminha esta minhota de gema que um dia resolveu dedicar-se à culinária, uma paixão que se foi apoderando dela e que hoje é a sua vida. A pesca é, a par da agricultura, uma das principais fontes de rendimento da região e foi um pouco á volta de tudo isto que Margarida Rego foi pesquisando, estudando, provando e tentando conhecer os produtos de excelência. E foi criando pratos, fazendo adaptações e mesmo algumas provocações, mas não dispensa a tradição das coisas boas da sua terra, e gosta de conhecer os seus fornecedores, alguns dos quais são mesmo seus amigos.

Foi com tudo isso que avançou para a exploração dum espaço que pouco mais era que um apoio de praia, o Areia Restaurant Bar, na beleza da praia do Carreço, um pouco a norte de Viana do Castelo.

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O Restaurante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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O Restaurante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Margarida mantém o apoio de praia, servindo snacks, mas adaptou o espaço – o interior e a esplanada – ao serviço duma cozinha muito sua, que vai evoluindo ao sabor daquilo que se arranja, sobretudo o que vem do mar: aqueles ouriços, as percebes de bico vermelho, as navalheiras da pedra, a excelência do sargo e quando ele é mais saboroso, o polvo, o peixe galo, o robalo, o camarão na sua época e uma verdadeira paixão pelas algas, mesmo ali daquele mar, que usa duma forma magistral. Mas também a carne, seja de porco, seja de vaca barrosão ou cachena, dependendo da oferta.

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A esplanada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois temos o espaço, moderno e arejado na sua simplicidade, mesmo em cima da areia, completamente invadido por aquela paisagem fantástica, com o mar todo poderoso ao fundo. O serviço é impecável, com profissionais à altura, que nos vão acompanhando com simpatia e eficiência ao longo da refeição, incluindo um competente serviço de vinhos.

Apesar dum pouco de vento, a escolha recaiu na esplanada, o que se veio a revelar acertado. Foram-se abrindo as garrafas que entretanto já refrescavam e que foram mantidas num frapé, enquanto se foram bebendo.

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Pão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Percebes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Vieram para a mesa vários tipos e pão e azeite com vários condimentos e, de rompante, apareceram as percebas (como se diz aqui no norte), absolutamente divinais!

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Navalheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Logo seguidas dumas navalheiras da pedra já abertas, cheias de ovas, a saber a mar.

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Camarões descascados e salteados – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Também sabiam a mar os camarões descascados e salteados, sobre uma cama de algas deliciosas, cujas antenas foram bem fritinhas e, crocantes, comeram-se todas.

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O prato com o conteúdo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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O prato regado com o caldo de navalheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Veio então a primeira provocação, uma sopa de navalheira, primeiro o prato com o conteúdo, logo de seguida regado com o caldo de navalheira, excelente.

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Polvo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O polvo estava tenríssimo, com batata a murro, couve salteada e uma espuma muito fofa de pimento vermelho, muito bom.

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Lombo de peixe galo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se a segunda provocação da Margarida, um lombo de peixe galo excelente, sobre uma cama de feijão verde e vários tipos de algas – simbolizando a terra e o mar, que se podem ver dum lado e do outro – e ainda um puré de aipo e alho.

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Ouriço do mar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para limpar o palato e passar para a carne, a surpresa dum ouriço do mar, fresquíssimo, com pedacinhos de morango.

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Carne Barrosã – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foi então a vez da carne, neste caso barrosã, cozinhada no ponto, muito saborosa, acompanhada por um delicioso risotto de cogumelos e uma salada verde onde se destacavam a rúcula e as beldroegas.

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Mousse de chocolate – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Fechou-se o repasto com uma soberba mousse de chocolate, polvilhada com pitadas de…flor de sal, e o efeito foi incrível.

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Os vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ao longo da refeição fomos passeando pelos brancos António Futuro, um verde moderno, jovem, apelativo, pelo Vale de Ambrães, ainda um verde, já adulto, bem estruturado, consistente, depois a elegância do Alvarinho da Quinta de Santiago, mineral, salino, muito fresco. O espumante Ortigão trouxe para a mesa uma Bairrada moderna, jovem e cheia de força, para passar para um alentejano como deve ser, complexo, muito elegante, bem casado com a madeira, o Esporão Reserva. Na recta final apareceu à cena um delicioso Quinta da Manoella, o Douro em toda a sua pujança, para terminar num Porto cheio de tradição, o Quinta Seara d´Ordens LBV de 2010, que ficou a pairar na boca por muito tempo.

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O mar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O mar, esse continuava ali mesmo à nossa frente…

Contactos
Areia Restaurante Bar
Praia de Carreço
4900-278 Carreço
Viana do Castelo – Portugal
Tel: (+351) 258 821 892
E-mail: geral@areia-restaurantebar.com
Website: www.areia-restaurantebar.com

Convento do Paraíso, a reconquista do Algarve

Texto João Pedro de Carvalho

O Algarve enquanto região produtora passou praticamente de inexistente para uma tímida e crescente vontade de se fazer ouvir. Os investimentos que têm sido feitos na última década têm sabido mostrar os seus frutos e hoje em dia o Algarve enquanto região produtora de vinho de qualidade é uma realidade. A região vive ainda órfã de uma identidade própria que consiga distinguir os vinhos ali produzidos das restantes regiões, algo que acontece por culpa própria e que depende dela própria para saber encontrar o melhor caminho. Têm esse dever os produtores que ali têm sabido fazer vingar com sucesso os seus projectos, como disto é exemplo o Convento do Paraíso (Silves).

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Vinhas Convento do Paraíso – Foto Cedida por Convento do Paraíso | Todos os Direitos Reservados

Tudo acontece na Quinta de Mata Mouros, propriedade do empresário Vasco Pereira Coutinho, localizada ao lado do rio Arade paredes meias com a cidade de Silves. O Convento de Nossa Senhora do Paraíso foi edificado no séc XII após conquista de Silves, de vinha são 12 hectares plantada de raiz no ano de 2000, onde despontam Cabernet Sauvignon e Sousão nas tintas e Alvarinho e Arinto nas brancas, sendo esta apenas a quarta vindima desta joint venture que começou em 2012 e que junta a família Pereira Coutinho com a família Soares (Herdade da Malhadinha Nova e Garrafeira Soares). Na adega juntam-se para o mesmo fim a vertente mais tradicional com os lagares e a faceta mais moderna com a tecnologia de ponta.

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Imprevisto 2014 – Foto Cedida por Convento do Paraíso | Todos os Direitos Reservados

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Euphoria tinto – Foto Cedida por Convento do Paraíso | Todos os Direitos Reservados

Poderiam optar por fazer vinhos previsíveis, felizmente não o fazem digo eu e serve isto de mote para o tinto Imprevisto 2014 num lote de Touriga Nacional/Aragonez. Desponta juventude com muita fruta carnuda e bem suculenta, muito vigor com balanço entre a doçura da fruta e a acidez, floral com toque aconchegante de alguma compota, bastante direto e apetecível desde o primeiro copo. Segue-se a gama Euphoria que nos invoca a sensação de bem-estar, satisfação e alegria, com versão rosado, branco e tinto. Três vinhos que seguem o mesmo diapasão, fruta bem limpa e madura com aromas muito presentes num conjunto a mostrar-se com energia e muito bem-disposto. O branco 2014 centrado no duo Alvarinho/Arinto brilha pela sua frescura, alguma calda tropical a envolver os citrinos de bom-tom, floral num todo convidativo e muito atraente. Enquanto o rosado 2014 com Touriga Nacional/Aragonez mostra os seus frutos vermelhos bem torneados envoltos num delicado perfume. Boa frescura no palato com passagem saborosa e ligeiramente seco no final de boa persistência. Por fim o tinto 2013 que teve ainda direito a 6 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Mostra-se num plano mais sério onde a fruta negra e vermelha muito centrada nas bagas e frutos silvestres se mistura com um toque vegetal muito presente. Ao conjunto juntam-se ainda notas terrosas e de alguma especiaria, em fundo a barrica aconchega todo o conjunto que ainda com sinais de juventude dá bastante prazer à mesa.

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Convento do Paraíso 2012 – Foto Cedida por Convento do Paraíso | Todos os Direitos Reservados

Finalmente o que se assume como topo de gama, o Convento do Paraíso 2012 que resulta do inusual lote de Cabernet Sauvignon e Sousão. Diferente, desafiante e ao mesmo tempo cativante quer a nível de aromas como de sabores. Da fruta muito sólida e fresca combina tons de vegetal maduro, alguma compota e especiaria com bonita envolvência da madeira.  Vinhos de um projecto recente que merecem ser conhecidos e cujo cunho de qualidade conferido pela equipa da Herdade da Malhadinha promete muitas alegrias no futuro próximo.

Vinhos dos Açores, Encontros Inesperados

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Gosto de viajar. Quem é que não gosta?! Mas não gosto de andar de avião e acho que perder tempo em aeroportos é desumano, porém, algo pelo qual todos passamos. Agora, chegar ao nosso destino, isso é mágico! Descobrir novas coisas é como combustível para mim. É o que torna interessante esta nossa estranha vida.

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À espera do meu voo no Aeroporto de Frankfurt – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Vinhas em Wagram, Áustria – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Viajei recentemente para a Áustria e descobri alguns dos melhores vinhos brancos do mundo; Riesling e Grüner Veltliner. O que não sabia é que também ia descobrir algo completamente diferente. Para minha surpresa, um amigo meu também estava na Áustria durante a minha estadia. O plano era visitar algumas regiões vitivinícolas austríacas, como Wagram que é conhecida pelos seus vinhos Grüner e Roter Veltiner mas também pelos seus solos de loess profundos.

Depois do primeiro dia encontramo-nos no hotel para desfrutar de alguns copos de vinho com o grupo. Foi aí que as coisas começaram a ficar interessantes. Apesar de uma, aliás, duas pizzas terríveis que pareciam feitas de urânio terem passado pela mesa, houve um vinho que transformou completamente a noite.

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Verdelho O Original by: António Maçanita 2014 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O meu amigo desencantou uma garrafa de vinho dos Açores, Verdelho O Original by: António Maçanita 2014. Denominado “Original” porque, aparentemente, as pessoas têm tendência a confundir Verdelho, Verdejo e Gouveio. E o Verdelho dos Açores é o original. O vinho? Muito fácil de beber. Acho que demorei 10s a terminar o primeiro copo. O Segundo copo foi ainda mais rápido. O vinho apresentava um estado de maturação particular mas com uma boa acidez a apoiar. Ligeiramente viscoso com toque salgado. Suspeito que tenha existido algum contacto com peles. De qualquer maneira tinha ombros. Fez-me ficar ainda mais interessado pelos Açores.

Este arquipélago está localizado a mais de 1000km a Oeste de Portugal Continental e, literalmente, no meio do nada. Um local tão isolado e ainda por descobrir pela maior parte das pessoas, que até o capitão Ahab diria “obrigado, obrigado mas não”. A verdade é que nem sequer sei a verdade. Infelizmente nunca fui aos Açores mas o rumor é que as ilhas deste arquipélago são fenomenais. Um paraíso raro. Não é <ainda> conhecido pelos seus vinhos ou qualquer palavra associada mas parece-me que se está ali a produzir algo que colocará os Açores no mapa vínico com um grande estrondo! Fico mesmo à espera e preciso de fazer da minha visita aos Açores, uma prioridade.

Herdade Paço do Conde, do Alentejo mais alentejano

Texto João Barbosa

Julgo que se chega a velho, não é a idoso, quando as memórias aparecem com frequência. Ai! Dizem-me as costas, o coração e os pulmões que já não tenho lugar no banco de suplentes duma equipa de futebol de escalão amador.

É a vida! Digo isto porque o produtor que apresento foi-me dado a conhecer num momento especial da minha vida. Isso não faz dum vinho, ou outra coisa, nem bom nem mau. No caso bom, mesmo. E porquê?

Porque os vinhos que mais me atraem têm um caracter diferenciador, que pode versar várias características. Como todos, com excepção quando a análise tem mesmo de ser às cegas e salas imaculadas, a afectividade ou a história pesa-me nas preferências. O que tem este?

A proveniência, até há pouco anos impensável. Baleizão fica no coração do Baixo Alentejo, que é quente, seco e ondulado. Pouco se sabe acerca desta aldeia e pouco se sabia… terra com vincado teor político, nomeadamente ao Partido Comunista. O resto da história não vem ao caso.

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As vinhas onduladas da Herdade Paço do Conde – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

O que vem aqui é a planura. O Alentejo levemente ondulado, verde na Primavera e loiro do trigo maduro e da palha deixada depois da ceifa. É o Alentejo onde o calor é mais calor. Vinho? Bem, a viticultura, até à crise da filoxera, no século XIX, era cultivada em «todo» o lado, muito embora fosse residual em vários locais. Veio o pulgão e as vides não regressaram.

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Herdade Paço do Conde – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

A Herdade Paço do Conde fica nesse campo quente. Pensar em calor é normal, mas deduzir que o vinho sai dali em forma de sopa ou de compota não é verdade. A sabedoria técnica e o empenho permitem belos resultados em locais «surpreendentes».

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O olival perto do Guadiana – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

Esta propriedade tem a vantagem da proximidade do Rio Guadiana, que lhe dá água e fornece frescura. Porém não se pode exigir que não transmitam a envolvência, o que até seria mau sinal, por contrariar a dádiva da natureza.

São 2.900 hectares, dos quais 150 têm vinha plantada. O olival ocupa 1.100 hectares, com as tradicionais cultivares da região e outras exóticas: arbequina, azeiteira, cobrançosa, frantoio, galega (é a Rainha em quase todo o país, com um carácter suave e doce) e picual.

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Equipa – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

À frente do trabalho enológico está Rui Reguinga, técnico que conhece muito bem o Alentejo e que tem capacidade imaginativa para fazer diferente de fórmulas. Ora, essas características fazem com que não sejam vinhos de enólogo, mas onde o «alquimista» assina ao deixar que o produtor e o seu vinho brilhem e falem por si.

Bebi vários vinhos deste produtor na apresentação que fez no restaurante Eleven, em Lisboa. Cartada certa! Ligação à comida para melhor se perceber o que está no copo. Para começar veio o Herdade Paço do Conde Branco 2014, acompanhado por carpaccio de polvo e vinagrete de laranja. Visto não comer pescados, não sei da ligação além do que me disseram. Se «resistiu» a uma vinagreta é porque tem fibra fresca. Como tenho uma «avaria» quando me põem antão vaz no copo, a opinião sai fora da norma. Não amei, mas a culpa é da minha antipatia. As restantes castas que fazem o lote são a arinto e a verdelho.

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Herdade Paço do Conde branco 2014 – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

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Herdade Paço do Conde Reserva tinto – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

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Herdade Paço do Conde Winemakers Selection tinto 2011 – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

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Azeite da Herdade Paço do Conde – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

O Herdade Paço do Conde Reserva 2014 é um «tintão», excelente para escoltar a comida mais forte e temperada do Alentejo.

O chefe do Eleven, Joachim Koerper, resolveu saltar barreiras com as sapatilhas atadas. E conseguiu! Leitão confitado com chutney de tomate e maracujá juntou o óbvio ao exótico. Dois vinhos e dois casamentos de memorizar: Herdade Paço do Conde Reserva Tinto 2011 e Herdade Paço do Conde Winemakers Selection 2011 (tinto). Ácidos, doces e gordura… tão diferentes quanto recomendáveis, as ligações.

A sobremesa foi uma variação de «floresta negra», em que provou que um tinto pode bem chegar para os finais dos repastos. No caso, Herdade Paço do Conde Colheita Seleccionada 2013.

Contactos
Monte Paço do Conde,
Apartado 25, 7801-901 Baleizão – Beja – Portugal
Tel: (+351) 284 924 416
Fax: (+351) 284 924 417
Email: geral@encostadoguadiana.com
Website: www.pacodoconde.com

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Restaurante Narcissus Fernandesii

Texto José Silva

Um hotel de cinco estrelas em Vila Viçosa foi novidade há cerca de dois anos e tem-se revelado um sucesso. Pertencente a uma família com negócios no mármore, é com naturalidade que esta é a matéria prima nobre mais utilizada na sua decoração. Tudo ali tem um toque de mármore, de várias cores e várias origens, a dar a todo o espaço um glamour muito próprio. Quartos e suites requintados e plenos de conforto proporcionam estadia reconfortante e tranquila. A tranquilidade da beleza de Vila Viçosa chama para uma visita a pé, sem pressas, visitando o velho castelo e o Palácio dos Duques de Bragança, um museu fantástico que nos conta um pouco da história de Portugal. Depois, sempre que se regressa ao hotel, temos todo o conforto e os apoios para recuperar do passeio: piscinas exterior e interior e um spa extremamente bem equipado. Pessoal profissional, competente e simpático, acompanha-nos sempre que necessitemos. De manhã num fantástico pequeno almoço, à tarde ou ao começo da noite no bar e, claro, no restaurante, uma das atracções deste hotel, com o curioso nome de “Narcissus Fernandesii”. Espaço amplo, com duas salas distintas e uma esplanada com vista para a piscina.

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A sala principal – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Mesa de mármore – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na sala principal, ampla e requintada, sobressai uma enorme mesa cujo pé descomunal é uma pedra de mármore única, com enorme tampo de vidro. Ali estão expostos os artigos do pequeno almoço e podem ser servidas refeições para grupos. Refeições mais ligeiras ao almoço e um menu à carta para refeições mais completas à noite.

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Pão Regional – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Preparações de manteig – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Há sempre pão regional excelente e azeite alentejano, mas também algumas preparações de manteiga muito saborosas.

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Lascas de Bacalhau – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Bolinhos de farinheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para começar há alguns petiscos, sempre muito bem apresentados, como lascas de bacalhau numa açorda de poejos, bolinhos de farinheira, compota de cebola roxa e salada de rebentos ou empada de perdiz com frutos do bosque e salteado de cogumelos de época.

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Empada de perdiz – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Creme de Mogango – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Não faltam as sopas com tradição, como o creme de mogango com ovo escalfado e crocantes de pão alentejano, sopa de abóbora com creme trufado servida numa chávena e uma deliciosa sopinha de beldroegas.

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Sopa de abóbora – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sopa de beldroegas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ou um foie gras com emulsão de dióspiro, bombom de foie e tosta de bolota, incrível.

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Foie gras – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Carabineiro do Algarve – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O bacalhau está sempre presente, como o bacalhau  com crosta de azeitona galega sobre brás de batata e esparregado de algas e mesmo algum peixe e marisco frescos, como o carabineiro do Algarve com puré de couve-flor e coentros, endivia e emulsão de limão.

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Tornedó de novilho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Veado fumado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E a riqueza do tornedó de novilho com foie gras, salteado de legumes, batata assada e creme de espinafres, ou veado fumado em madeira de carvalho e rosmaninho, com redução de vinho da Madeira, favinhas e rebentos de coentros, creme de marmelo, couve flor panada e crocante de presunto de vaca.

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Variações de laranja de Vila Viçosa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As sobremesas são fantásticas mas as variações de laranja de Vila Viçosa estavam soberbas.

Vila Viçosa continuava à nossa espera, na sua pacatez…

Contactos
Largo Gago Coutinho Nº11
7160-214 Vila Viçosa
Portugal
Tel: (+351)268 887 010
Email: reservas@alentejomarmoris.com
Website: www.alentejomarmoris.com

Da praia ao campo com um copo de vinho na mão

Texto João Pedro de Carvalho

Em pleno Agosto o momento é de pura descontracção, na realidade nesta altura e tal como na comida não gosto de complicar muito, procuro vinhos polivalentes e que toda a gente vai gostar. E com a chegada do Verão é tempo de fazer uma pequena selecção. Certo é que entre praia ou campo o destino quase sempre leva ao encontro das grelhas com marisco, peixe ou carne. Altura em que as comidas mais frescas e leves têm por direito lugar reservado à mesa e da mesma forma os vinhos também se querem frescos e com pouca ou nenhuma passagem por madeira.

De norte a sul de Portugal tive oportunidade de escolher alguns dos brancos que ao longo do ano mostraram a capacidade de me proporcionar momentos marcantes de boa disposição e amizade ao lado de familiares e amigos. Alguns desses exemplos são oriundos da região dos Vinhos Verdes onde se encontram os melhores exemplares de Alvarinho e Loureiro, marcas como Soalheiro ou Quinta do Ameal são sinónimo de satisfação garantida e certamente que mesmo que me esqueça de alguma garrafa há a garantia de se aguentarem por largos anos. As ligações que estes vinhos proporcionam com as mais diversas saladas ou pratos de cariz mais oriental justificam em pleno a sua escolha.

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Praia – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Um pouco mais abaixo por terras da Bairrada sem esquecer os brancos ali produzidos a minha aposta recaiu nos espumantes, com exemplares da Adega de Cantanhede e Caves São Domingos. Estes como outros espumantes são quase sempre os pontos de partida da refeição, os espumantes dão o ar festivo a uma refeição, animam os copos e a ligação com as mais diversas entradas é quase sempre muito bem conseguida.

Continuando perto do mar e já na região de Lisboa, procurei vinhos de grande frescura e com corpo suficientemente capaz de acompanhar desde os mariscos servidos ao natural até às cataplanas ou mesmo os mais variados pratos de arroz. Vinhos com menos aromas de cariz tropical, neste caso mais tensos com aquele pendor mineral e uma acidez que revigore ao mesmo tempo que limpa o palato. O leque de escolhas é amplo e diversificado, desde a versatilidade da casta Arinto que varia entre os ChocapalhaVale da Capucha ou até Bucelas com os Quinta da Murta. Ampliando o leque para a Malvazia de Colares com o Arenae da Adega de Colares ou o Malvazia do Casal de Santa Maria. Para finalizar o passeio por Lisboa fui buscar o Vale da Mata branco, um vinho que ano após ano consegue uma muito boa prestação à mesa ao lado de pratos com mais tempero como um peixe no forno.

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Campo – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Termino as minhas escolhas com alguns rosados de grande nível e que são inegavelmente do melhor que se cria em Portugal. Vinhos como o Dona Maria Rosé (Alentejo) ou o Covela Rosé (Vinhos Verdes), escolhidos para acompanhar o que vai saindo da grelha, servidos frescos são companheiros à altura dos mais atrevidos cortes de carne ou de peixes mais gordos. Como é óbvio as escolhas poderiam ter sido outras, mas este ano quer na praia ou na piscina estes foram os vinhos que escolhi para ter no copo.

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Brasão, um restaurante de sucesso em que se defende a tradição…

Texto José Silva

É perto de Felgueiras e há muitos anos que ali se pratica uma cozinha tradicional, mesmo depois da necessária modernização das instalações. Tudo isto liderado pelo sr. Carvalho, proprietário e chefe de cozinha, que tem uma indisfarçável paixão por aquilo que faz.

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Brasão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O Brasão é um espaço muito agradável, com duas salas separadas mas com o mesmo cuidado nas mesas e no serviço, atento e profissional.

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Dois espaços separado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O nosso anfitrião anda sempre dum lado para o outro, embora seja a cozinha o seu poiso principal, mas nunca descura os clientes e vem cumprimentá-los e saber o que lhes apetece comer. Mais tarde há-de voltar às mesas, para saber da satisfação dos clientes, sempre com um sorriso na boca e com a sabedoria de muitos anos à volta dos produtos e da cozinha. E é precisamente na qualidade dos produtos que começa tudo, pois ali só entra material de primeira qualidade, desde o peixe fresco que vem do litoral, passando pelo bacalhau e terminando nas carnes, sejam de porco, de vaca ou de vitela e os cabritinhos do monte, de que nos prepara pratos incríveis. Mesmo nas sobremesas a busca constante da perfeição não dá descanso a este grande profissional. Outra das suas paixões é o vinho, de que tem garrafeira abastada, onde se encontram preciosidades fantásticas, com algum destaque para uma colecção de aguardentes incrível, de que o sr. Carvalho tem profundo conhecimento. Na última visita veio para a mesa pão e broa de milho, salpicão e presunto fininho, enquanto aguardávamos por um dos ex-libris da casa: a sopa de garoupa!!

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Tostinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sopa de Garoupa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É um verdadeiro hino à qualidade, peixe fresquíssimo em nacos generosos, alho, muita cebola, pimento verde e vermelho, coentros.

Umas tostinhas no prato, uma concha bem cheia por cima, um pouco mais de caldo a fumegar, um aroma inebriante e depois a volúpia, para comer de olhos fechados.

A seguir provou-se um soberbo rabo de boi estufado com grelos, que é muito difícil de descrever, tal a perfeição da confecção, a textura, o paladar, incrível! Veio então outro dos pratos muito apreciados, que normalmente é servido á quarta-feira (ou por encomenda): as costelas de boi assadas.

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Rabo de Boi – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Costelas de Boi Assadas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O vão das costelas é temperado e assado inteiro e é trinchado à nossa frente, depois de lhe ser retirada a capa de gordura.

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O prato – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No prato vêm fatias de carne com aquela gordura saborosa, batata frita às rodelas estaladiça, feijão preto e um arroz de forno pecaminoso, que também acompanhou o rabo de boi. Estamos quase no céu!

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Bolo de Cenoura – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Vem então a sobremesa, um conjunto de toucinho do céu e dum bolo de cenoura absolutamente fantástico, fofinho, polvilhado com açúcar e lâminas de amêndoa torrada, doce de abóbora e umas folhinhas de hortelã…estamos mesmo no céu!

Os vinhos estiveram também à altura: primeiro bebeu-se um branco da zona de Amarante, o Sem Igual, muito floral, com notas de citrinos e fruta branca, uma elegância na boca notável, belo vinho moderno. Para “combater” as carnes nada melhor que um espumante tinto, preparado a partir da casta Vinhão, o Afros Yakkos Grande Reserva 2006. Simplesmente fantástico, bolha muito fina, frutos vermelhos persistentes, notas de chocolate preto, taninos intensos mas ao mesmo tempo elegantes, com um final muito longo. Para acompanhar a sobremesa a opção foi uma aguardente velha – mesmo muito velha – clássica, a Adega Velha, neste caso com mais de quarenta anos, belíssima, ligeiramente refrescada, com aromas tostados, frutos secos, a fazer um belo contraste com o doce.

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Sem Igual, Afros Yakkos Grande Reserva 2006 & Aguardente Velha Adega Velha – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Aguardente Velha Serradayres – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas havia ainda uma surpresa, mesmo ao jeito do sr. Carvalho: uma outra aguardente muito velha, que eu já não via há mais de 10 anos, uma Serradayres também com mais de quarenta anos, duma suavidade incrível, muito elegante, que foi um final perfeito para uma grande refeição.

No Brasão, a tradição ainda é o que era…

Contactos
Cimo de Vila – Refontoura
4610 Felgueiras
Tel: (+351) 255 336 118
E-mail: info@restaurante-brasao.pt
Website: www.restaurante-brasao.pt