Blend All About Wine

Wine Magazine
Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2005

Texto João Barbosa

O peso do vidro chateia-me. Existe alguma probabilidade de ser o primeiro a começar uma crónica vinícola desta maneira. Tem alguma coisa a ver? Tem! Não empatando: pegada de carbono e/ou respeito pela natureza. Há uns anos era sabido que, para se ter sucesso, bastava rotular uns números grandes (com um gatafunho indicador da moeda) e pôr o vinho numa garrafa com tara de 1,7 quilogramas (verídico).

O vidro é nobre, mas não se bebe. Tive de escrever isto porque o que apresento tem muito «do mundo». É um bom vinho (!), está numa boa garrafa e não pesa uma tonelada. Vidro de qualidade é fundamental para guardar um néctar pelo qual se tem a garantia que vale a pena esperar. Só isso e nem mais um grama.

A outra «metade» do «mundo» é a natureza que se encontra nos vinhos da Quinta de Foz de Arouce. Se há vinhos que merecem ser «acusados» de demonstrar terroir, este é um deles. Quanto a mim, essas sete letras são um acrónimo poético de solo, subsolo, enquadramento geofísico, agricultura e/ou vegetação próxima, casta, fauna, clima, sabedoria agrícola e de adega e… já escrevo a última componente. Não há vinho sem o homem, por isso tem de estar na equação.

Blend-All-About-Wine-Quinta de Foz de Arouce

Quinta de Foz de Arouce – Foto Cedida por Quinta de Foz de Arouce | Todos os Direitos Reservados

Podem fazer-se maus vinhos tendo tudo para serem bons, mas o inverso é impossível. É também verdade que há territórios mágicos, onde nascem obras-primas, mas que o pintor compõe a «Gioconda», de Da Vinci, em vez do «Nascimento de Vénus», de Sandro Botticelli. Aí entra a última componente: o produtor – tem de exigir o seu retrato, a sua imagem e linhagem.

A Quinta de Foz de Arouce fica num não-lugar! Não fica na Bairrada, nem no Dão nem noutro sítio. Esta propriedade é única, pois se não fosse haveria, por ali, muitos vinhos desta dimensão.

Se ficasse na Borgonha, Foz de Arouce seria um «Grand Cru», um «Monopole». Aprendi na escola que se situa na Beira (Alta, Baixa e Litoral) – o não-lugar situa-se a 23 quilómetros de Coimbra.

Terei exagerado quando escrevi «Grand Cru»? Este é um vinho que não conheço irmão. Tem uma capacidade de envelhecimento notável. Estamos em 2015 e abri a de 2005. Em plena forma física, elegante, longo, fundo, complexo. Valerá a pena despejar descritores? Todo ele (o vinho) vai e vem, junta e afasta, como numa dança, com o passar do tempo no copo. Tem 14% de álcool e ninguém o diz até o ler no contrarrótulo.

A casa condal tem documentos, datados do século XVII, que referem a qualidade do vinho. Levaria tempo a contar, mas um Senhor de Foz de Arouce pregou uma partida a Filipe III de Portugal (Felipe IV de Espanha), tendo apostado barricas do seu já afamado néctar.

Este – o Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2005 – é um monumento, e duma casta que ganhou má fama. Hoje já se começam a cantar laudes à baga. Tenha origem no Dão ou na Bairrada, não é um gatinho mimado. Tem garras afiadas e prontas a espetar.

Blend-All-About-Wine-Quinta de Foz de Arouce-Vinhas Velhas-JPR Sta Maria 2005

Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2005 – Foto Cedida por Quinta de Foz de Arouce | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Quinta de Foz de Arouce-Vinhas Velhas-JPR-João Perry

João Perry à esquerda e João Portugal Ramos à direita – Foto Cedida por Quinta de Foz de Arouce | Todos os Direitos Reservados

Em termos humanos, João Portugal Ramos – genro do actual conde de Foz de Arouce – é reconhecido como um dos melhores enólogos portugueses. Ali, naquela quinta coimbrã conta com João Perry Vidal, que trata aquelas videiras por tu e conhece o nome de todas as abelhas e joaninhas.

Originalmente só havia vinhas de casta baga. Há uns anos foram cultivadas vides de touriga nacional, criando uma diferenciação entre o Foz de Arouce «normal» e o «vinhas velhas». Nasceu também um vinho branco, da casta cerceal.

Todos bons, mas há o «único».

Contactos
Quinta de Foz de Arouce
3200-030 Foz de Arouce
Lousã, Portugal
Tel: (+351) 268 339 910
Fax: (+351) 268 339 918 / 268 339 916
Email: condefozarouce@jportugalramos.pt
Website: www.fozdearouce.com

Uma aliança entre o vinho e a arte, no coração da Bairrada

Texto José Silva

Já há uns anos pertencente ao grupo Bacalhôa, a Aliança tem sabido manter e mesmo refinar uma entidade muito própria e, apesar de produzir vinhos noutras regiões vinícolas, é com a Bairrada que se identifica profundamente e é ali que continua sediada.

Blend-All-About-Wine-Aliança-Adega

Aliança Vinhos de Portugal – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Se são os seus espumantes que lhe dão prestígio e reconhecimento no mercado, os seus vinhos bairradinos têm vindo a crescer paulatinamente, afirmando-se hoje como vinhos de excelência numa região que se libertou de algumas amarras e viaja hoje à vontade, a toda a bolina, sempre rumo à qualidade. As suas aguardentes lá continuam em repouso nas profundezas das caves, sem pressas, mantendo a extraordinária qualidade a que nos habituaram.

Blend-All-About-Wine-Aliança-Museum

Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Aliança-Museum-2

Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Em recente visita, fizemos um agradável passeio pelas caves e o seu revolucionário museu a que chamaram “Aliança Underground Museum”, onde estão alojadas centenas de peças fantásticas da vastíssima colecção do proprietário da empresa, que vale bem a pena conhecer. Essa viagem cultural é partilhada por muitos dos vinhos que ali se produzem e estão guardados nas caves.

Blend-All-About-Wine-Aliança-Museum-5

Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

E onde, obviamente, os espumantes são reis incontestados, até pela quantidade de garrafas em estágio. São corredores escuros e baixos, cheios de bolores que atestam a humidade constante que, aliada às temperaturas baixas com pouquíssima amplitude térmica, proporcionam condições ideais para o desenvolvimento destes vinhos com gás natural.

Blend-All-About-Wine-Aliança-Museum-4

Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

As aguardentes ocupam a parte mais profunda das caves, com uma quantidade incrível de cascos de madeira muito velhos, que as acariciam naquele ambiente surreal.

Blend-All-About-Wine-Aliança-Winemaker-Francisco Antunes

Francisco Antunes – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

E foram vinhos e espumantes da casa que provamos, numa interessantíssima prova dirigida pelo Francisco Antunes, ditector de enologia da casa, grande conhecedor da região, muitos anos a produzir vinhos tranquilos e espumantes, viciado na caça e duma boa disposição contagiante.

Blend-All-About-Wine-Aliança-branco-Reserva-2014

Aliança Branco Reserva 2014 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Aliança-tinto-Reserva-2012

Aliança Tinto Reserva 2012 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Começamos pelo Aliança Branco Reserva 2014, feito com Maria-Gomes, Bical e Arinto. Um vinho de combate. Amarelo citrino, cristalino, muita fruta branca no nariz, algo floral, muito elegante. Na boca é seco, muito fresco, citrino com volume médio, um vinho moderno. A €2,15 a garrafa é um excelente opção. Passamos ao Aliança Tinto Reserva 2012, feito com Baga, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Muita fruta, muita frescura e juventude. Na boca é intenso, persistente, mantém bastantes notas de fruta madura, taninos já domados mas bem presentes, um vinho a pedir comida.

Blend-All-About-Wine-Aliança-tinto-Baga-2009

Aliança Tinto Baga 2009 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Aliança-Rose-Bruto

Aliança Rosé Baga-Bairrada Bruto – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

O Aliança Tinto Baga 2009 revelou toda a excelência aromática da casta Baga. Intenso, muita fruta, notas de compota. Redondo, bom volume de boca, frutos vermelhos muito maduros, taninos poderosos, bem vincados, excelente acidez e final longo. Belo vinho que já se bebe muito bem, mas que vai envelhecer muito bem por muitos anos. Passamos então aos vinhos com bolhinhas, começando pelo Aliança Rosé Baga-Bairrada Bruto, uma novidade no mercado. Duma cor salmão muito suave, com bolha muito fina, apresentou-se muito elegante no nariz, ligeiramente floral, com notas de frutos vermelhos. Na boca é seco, com óptima acidez, bela estrutura e muita elegância, um espumante moderno.

Blend-All-About-Wine-Aliança-Baga-Bairrada-Reserva-Sparkling-Bruto-2013

Aliança Baga-Bairrada Bruto 2013 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Aliança-Vintage-Sparkling-Bruto-2010

Aliança Bruto Vintage 2010 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se o Aliança Baga-Bairrada Bruto 2013, citrino, cristalino com bolha fina muito elegante. No nariz tem notas de maçã verde, alguns frutos secos, tosta. Na boca impressiona pela frescura e acidez vibrante, seco, intenso, notas ligeiramente tostadas e final longo e saboroso. Um óptimo bairradino. Terminamos a prova com um clássico, o Aliança Bruto Vintage 2010. Amarelo ligeiramente torrado, bolha finíssima e cordão persistente. Nariz exótico, com notas de frutos secos, nozes, tosta, noz moscada. Na boca é poderoso, seco, muita complexidade, acidez intensa, volumoso, cheio, cremoso, com final imenso, um espumante de excelência.

Blend-All-About-Wine-Aliança-sardines

Petingas e carapauzinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Aliança-rissoles

Bolinhos de bacalhau e rissóis de leitão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Passamos então à mesa, onde provamos alguns destes vinhos, para fazer companhia a um conjunto de petiscos – petingas e carapauzinhos, bolinhos de bacalhau e rissóis de leitão.

Blend-All-About-Wine-Main-Course

Galo assado no forno com arroz de ervilhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Aliança-Dessert

Queijo, marmelada e pão-de-ló – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois foi um galo assado no forno com arroz de ervilhas, para terminar queijo, marmelada e pão-de-ló. Os vinhos da Aliança continuavam a escorrer pelos copos.

Blend-All-About-Wine-Aliança-wines

Vinhos da Aliança – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

Blend-All-About-Wine-Aliança-statue-2

Até à próxima – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

Já cá fora, foi a despedida, até à próxima…

Contactos
Aliança – Vinhos de Portugal SA
Rua do Comércio, 444
Apartado 6
3781-908 Sangalhos
Portugal
Tel: (+351) 234 732 000
Fax: (+351) 234 732 005
E-mail: alianca@alianca.pt
Website: www.alianca.pt

Casa da Passarella, um dia nas vindimas

Texto João Pedro de Carvalho

Fomos visitar a histórica Casa da Passarella, no Dão, com a Serra da Estrela em pano de fundo e literalmente metemos as mãos nas vinhas mais velhas deste produtor. Em plena altura das vindimas o convite foi aceite para ir conhecer as fantásticas vinhas velhas que dão origem aos melhores vinhos desta Casa, num trabalho de campo com muita aprendizagem e um almoço bem descontraido onde brilharam dois novos lançamentos. No final ainda tivemos uma vertical do tinto Vinhas Velhas ao lado de duas novidades que em breve vão chegar ao mercado.

Blend-All-About-Wine-Casa da Passarella-Harvesting-day-House

Casa da Passarella – Foto Cedida por Casa da Passarella | Todos os Direitos Reservados

Foi chegar, pegar na tesoura e descer as ruas do pitoresco vilarejo da Passarela até chegar às vinhas. Um cenário fantástico com três pequenas parcelas de vinha cuja idade supera já os cem anos, dispersas em três pequenos patamares, assente em solo predominantemente granítico onde cepas de uvas brancas convivem lado a lado com cepas de uvas tintas. Castas com nomes que de tão estranhos correm o risco de ficar esquecidos no tempo e por mais que se queira apenas se consegue entender toda a magia e especificidade de uma vinha como esta estando no local e reparar na enorme variedade de castas que ali moram. Pena que durante largos anos as vinhas do Dão estiveram em decadência e com isso a qualidade dos vinhos a que davam origem. Foi preciso um forte investimento por parte dos produtores em plantar nova vinha, o que de certa maneira ajudou a um afastamento ou até mesmo o arranque do vinhedo mais velho.

Blend-All-About-Wine-Casa da Passarella-Harvesting-day-Centenary-Grapes

Uvas das vinhas centenárias – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Casa da Passarella-Harvesting-day-Enxertia-Jaen-2012

Enxertia Jaén 2012 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

O blend resultante destas vinhas velhas carrega a alma da região, o Dão tem nas suas vinhas mais velhas a sua maior riqueza e temos de agradecer a todos aqueles que com esforço e bastante dedicação, lutam para as preservar e conseguir vinhos que quando educados de forma correcta na adega, atingem patamares muito altos de qualidade. Portanto não é de estranhar a forma apaixonada como o enólogo Paulo Nunes fala destas suas “meninas” com quem, segundo palavras dele, tem aprendido muito. E com o que estas vinhas velhas lhe ensinam ele na sua parte de mestre criador tem conseguido interpretar de maneira tal que os resultados falam por si. Fora de modas, sabe criar e educar grandes vinhos, nota-se que à medida que as colheitas vão passando o seu estilo “Dão da Serra” afina num misto de tradição/modernidade com vinhos de fina exuberância, muita definição da fruta que combina raça, carácter, corpo e um natural aveludado que teima em dar sinais logo desde cedo.

Foi já à mesa servido por um tradicional prato de Rancho que me fiz acompanhar da mais recente novidade, o Enxertia Jaén 2012. Um vinho perigosamente apetecível que desapareceu do copo num ápice, a combinação entre estrutura/frescura/fruta sumarenta resulta num combo perfeito à mesa. Em momento de desfrute e amena cavaqueira, foi rei e senhor este Jaén que soube pela vida e marcou mais um belíssimo momento de convívio.

Blend-All-About-Wine-Casa da Passarella-Harvesting-day-Paulo-Nunes

Paulo Nunes, vertical de Vinhas Velhas – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Mas foi ainda com as vinhas velhas na memória que se realizou a vertical desde o primeiro exemplar Vinhas Velhas 2008 até ao mais recente 2012. Notou-se a evolução do perfil, com o 2008 a mostrar uma maior presença de baunilha e tosta ao lado de fruta muito gorda e sumarenta. O que mostrou menor prestação e mesmo mais deslocado de toda a prova foi o 2010 cujos apontamentos mais adocicados destoam por completo dos restantes. O mais calado de momento é o 2011 que se encontra na fase de arrumação e ainda pouco quer mostrar embora esteja um belíssimo vinho em perspectiva. Vencedores da prova se é que se podem considerar assim, tanto o 2009, arriscando a ser o melhor até à data com o 2012. Vinhos compactos e sedutores, bom equilíbrio com corpo médio e um pouco de maior arredondamento dado pela barrica, tudo isto sempre com uma acidez/frescura habitual dos vinhos da região.

Blend-All-About-Wine-Casa da Passarella-Harvesting-day-Fugitivo

Os novos “O Fugitivo” – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Por último ficou a apresentação oficial dos novos vinhos que já tinham sido dados a conhecer ainda que de forma envergonhada e agora sim foram dados a provar com a roupagem definitiva. Inseridos na gama O Fugitivo, surgem o Garrafeira branco 2013 e o tinto Vinhas Centenárias 2012. A produção de qualquer um deles não supera as 2000 garrafas, são dois grandes vinhos que espelham a terra que os viu nascer. Enquanto o tinto vai buscar como foi dito lá atrás a raça, carácter e corpo com uma acidez e travo de ligeiro vegetal que lhe confere uma bonita energia no palato. Complexo, profundo e ao mesmo tempo ainda muito novo, muito no perfil do Vinhas Velhas 2012 embora todo ele com um pouco mais de tudo. Já o Garrafeira branco é um vinho de estrondo, nada fácil e fora de modas, cheira a Dão de outros tempos, cheio de garra com taninos a marcarem o final cheio de secura, o vinho grita por descanso em garrafa. Eléctrico, nervoso, tudo ainda muito novo tanto no nariz como na boca, do melhor que a região me colocou no copo nos últimos anos.

Contactos
Rua Santo Amaro, 3, Passarela
6290-093 Lagarinhos
Telefone: (+351) 238 486 312
Fax: (+351) 238 486 218
Email: info@casadapassarella.pt
Website: www.casadapassarella.pt

Ferreira 10 anos Porto Branco

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Vivo numa cidade. Cresci no campo mas não me vejo a viver noutro sítio que não no meio do betão da minha cidade. Helsínquia tem o tamanho perfeito; não é nem muito grande, nem muito pequena. É a capital do país e apenas vive aqui meio milhão de pessoas. Bastante sossegada mas com movimento suficiente para a manter interessante. Ainda assim, sinto por vezes falta, em especial depois de uma semana de muito trabalho, da pacatez clássica do campo.

Blend-All-About-Wine-Ferreira 10-year-old White Port

Campo de Trigo – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Nada à nossa volta a não ser campos de trigo, florestas e lagos. A apenas uma hora de carro do norte de Helsínquia podemos encontrar todo o espaço e sossego que quisermos. Aquilo que costumo fazer é, pegar numa mão cheia de vinhos, boa comida e ir até lá para cozinhar e relaxar. Não estão a mentir quando dizem que cozinhar é bastante terapêutico. Não interessa se somos bons cozinheiros ou não, o facto de fazermos algo produtivo com as nossas próprias mãos é, em si, uma recompensa fantástica que nos faz ver as coisas de maneira diferente.

Há sempre espaço para os amigos e a família. Se quisesse passar tempo sozinho mudava-me para a Sibéria e tornava-me um monge. Encontro conforto em ter a família e os amigos ao pé de mim, a fazerem aquilo que fazem. Quando a mesa está posta, a comida começa a chegar e os vinhos alinham-se. Mesmo sendo a Finlândia um país difícil de alcançar geograficamente, temos aqui bastantes vinhos. Mas há um tipo de vinho que esteve ausente durante demasiado tempo, vinho do Porto branco. Na Finlândia é frustrante ser um apreciador de vinhos fortificados quando a escolha é muito limitada. Mas agora chegou cá um “novo” vinho.

Blend-All-About-Wine-Ferreira-Ferreira 10-year-old White Port-Table

A mesa está posta – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Ferreira 10-year-old White Port-Porto branco Tasting

Ferreira 10 anos Porto branco – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

É bem capaz de ser a melhor novidade do ano na Finlândia. O Ferreira 10 anos Porto branco é o recém-chegado de que toda a gente está a falar. Não consigo entender porque é que o vinho do Porto branco tem uma ligeira má reputação. Em todo o caso, para os que acham digo “ACORDEM!”. Vinhos do Porto brancos envelhecidos são, na minha opinião, alguns dos vinhos mais deliciosos e gastronomicamente harmoniosos. Este Porto sedutor é um excelente exemplo de um vinho do Porto branco de qualidade. A fruta madura, juntamente com os equilibrados aromas de envelhecimento em barril, cria uma excelente combinação de sabores. É abelha-rainha numa tábua de queijos, bom com queijo azul ou Gouda por exemplo, ou então como digestivo depois de jantar. É só deixar a cor dourada cintilar à luz da vela. É um cliché mas funciona, acreditem. Estou muito feliz por agora poder encontrar, aqui na Finlândia, um Porto branco que faça jus ao nome. Devagar, mas certamente, as pessoas estão a começar a descobrir o fantástico mundo dos vinhos do Porto brancos.

Três frescos Fiuza, cada qual com sua cor

Texto João Barbosa

Sou tradicionalista, mas não um talibã do passado. Há alterações que vêm por bem, e muitas resultam – o que, mesmo desgostando-me, me fazem engolir a prosápia. Esta coisa das tradições tem uma fragilidade: houve um dia em que se inventou e por muito tempo não foi essa herança.

Sentença sábia e desarmante coube ao meu enorme amigo Sérgio Carneiro: «As tradições são para serem quebradas». Acrescento: há obrigações para serem transgredidas – essa é outra «cumbersa».

A mudança das designações Estremadura e Ribatejo para Lisboa e Tejo são felizes e por várias razões que não vou enumerar, para não me desviar. Centro-me no Ribatejo, região que sofreu de má fama, devido à falta de qualidade de muitos dos seus vinhos.

A designação do maior rio da Península Ibérica facilita a leitura por parte dos estrangeiros e lava o antigo termo. Há talvez duas décadas que existem produtores de vinho de qualidade na região (ou reconhecidos), mas o número tem vindo a crescer. Dizer e escrever Tejo confere justiça a esses vitivinicultores.

Blend-All-About-Wine-Three-fresh-Fiuza & Bright-winesone-in-each-colour-Logo

Fiuza Logo – Foto Cedida por Fiuza & Bright | Todos os Direitos Reservados

Uma casa antiga – sujeito deste texto – é a Fiuza & Bright, que possui cinco propriedades na região. São 25 referências, anichadas em sete famílias: Oceanus (branco, rosé e tinto), Campo dos Frades (branco, rosé e tinto); Native (branco, rosé e tinto); Três Castas (branco, tinto e espumante branco); Monocastas (e bivarietais – alvarinho, chardonnay, chardonnay e arinto, sauvignon blanc, cabernet sauvignon, merlot, merlot e touriga nacional, touriga nacional e rosé de cabernet sauvignon e touriga nacional); Premium (branco e tinto); e Ikon (branco e tinto).

Não bebi muitas vezes os Ikon, mas fiquei com boa impressão dos píncaros da Fiuza & Bright. Sou assíduo consumidor dos vinhos Fiuza em restaurantes, pois garantem qualidade, há variedade e preços «amigos», factor importante porque os comerciantes de restauração carregam nos preços. Esta opção acontece com outros vinhos da região, como os da Quinta da Lagoalva de Cima, que será tema um dia destes.

Quem me conhece, nem que seja pela escrita, sabe que me recuso a indicar vinhos com boa relação de qualidade e preço – depende da bolsa, da importância dada, do conhecimento enófilo e do momento – porém aqui arrisco. Contudo, como sei que existe uma barreira psicológica nos cinco euros, não posso deixar de referir que se trata de vinhos acima desse patamar, em preço de venda ao público.

Blend-All-About-Wine-Three-fresh-Fiuza-winesone-in-each-colour-Fiuza-Sauvignon-Blanc

Fiuza Sauvignon Blanc – Foto Cedida por Fiuza & Bright | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Three-fresh-Fiuza-winesone-in-each-colour-Fiuza-Touriga-Nacional

Fiuza Touriga Nacional – Foto Cedida por Fiuza & Bright | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Three-fresh-Fiuza-winesone-in-each-colour-Fiuza-Rose

Fiuza Cabernet Sauvignon and Touriga Nacional Rosé – Foto Cedida por Fiuza & Bright | Todos os Direitos Reservados

Em apreciação estiveram três vinhos: Fiuza Sauvignon Blanc 2014, Fiuza Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional Rosé 2014 e Fiuza Touriga Nacional 2013. Três vinhos «modernos» – comparando com os tradicionais e de perfil fácil de agradar em toda a parte – com as castas bem expressas e muito fáceis de prazer.

O Fiuza Sauvignon Blanc 2014 tem a virtude do maracujá, toranja e alguma pêra rocha não muito madura. É refrescante e tem um tempo final com nota. Só acontece – mais uma vez demonstro o meu mau feitio – não sou apreciador de vinhos tropicais, especialmente de maracujá. É uma questão pessoal, não é defeito do vinho; até antes pelo contrário, mostra a variedade de uva.

Fiuza Touriga Nacional 2013 exibe a plasticidade da casta, que vai das violetas do Dão; às cerejas, amoras, framboesas, morango e suas geleias e compotas no Douro; aos morangos, salada de frutos do bosque e suas geleias e compotas no Alentejo; à «escuridão» das ameixas quase em passa, um toque de figo, «salada» de frutos do bosque neste vinho, que foi amenizado com estágio de seis meses em barricas de carvalhos americano e francês, conferindo um toque de noz-moscada, baunilha e uma finura distante de caramelo (aguentar no copo).

O favorito, o «engraçado» Fiuza Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2014. Duas grandes castas que não bulham, mas dançam. Fresco, com verdura de trincar, a evocação de pimento da casta francesa, violetas – é o que dá apanharem as uvas propositadamente para os rosados e ainda com o benefício de baixo teor alcoólico – amoras e morangos.

Contactos
Fiuza & Bright, Lda.
Travessa do Vareta, nº11
2080 – 184 ALMEIRIM
Portugal
Tel: (+351) 243 597 491
Fax: (+351) 243 579 247
Email: info@fiuzabright.pt
Website: www.fiuzabright.pt

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-Slider
O novo Chryseia 2013…

Texto José Silva

Desta vez a associação Prats & Symington, entre a família Symington e o enólogo francês Bruno Prats, escolheu o restaurante Belcanto, do chefe José Avillez, em Lisboa, para apresentar os seus novos vinhos: Prazo de Roriz Douro Doc 2012, Post Scriptum Douro Doc 2013 e a jóia da coroa, o Chryseia Douro Doc 2013.

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-José-Avillez-1

José Avillez – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Pela família Symington estava Rupert Symington, acompanhado por Bruno Prats, que em tempos foi proprietário do Château Cos d’ Estournel, em Bordéus, antes de se apaixonar pelo Douro. Lembremo-nos que o Chryseia de 2011 foi considerado em 2014, pela revista norte americana Wine Spectator o terceito melhor vinho do mundo! O que fez com que esgotasse rápidamente, logo seguido da colheita de 2012, estando o mercado sem Chryseia desde então. Por isso também a curiosidade e ânsia de todos os presentes para provar a nova colheita, Chryseia 2013.

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-Rupert-Symington

Rupert Symington – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-Bruno Prats

Bruno Prats – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Recebidos com a qualidade e simpatia a que este espaço já nos habituou, começamos, como é tradição nos eventos da família Symington, por apreciar o champagne Paul Roger, neste caso o Brut Rosé Vintage 2006, que estava soberbo, à temperatura certa, ainda por cima num dia de calor. Conversa puxa conversa e foram passando pela sala diversos petiscos deliciosos, para fazer companhia ao champagne, ou vice-versa, servidos com o requinte que se espera num restaurante detentor de duas estrelas do guia Michelin: tremoço esférico com kaffir e piripiri, azeitona XL-LX e gaspacho de cereja. Estava lançado o mote.

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-Prazo de Roriz 2012

Prazo de Roriz 2012 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-Galinha-dos-ovos-de-ouro

“A horta da galinha dos ovos de ouro” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Já sentados à mesa, foi servido o Prazo de Roriz Douro Doc 2012, com aquela típica cor ruby intensa. No nariz apresentou-se com muita fruta bem madura, notas de amora e ameixa e um ligeiro floral. Bem volumoso na boca, cheio, intenso mas elegante, fruta preta gulosa, acidez e frescura em perfeito equilíbrio e um bom final, num vinho que ainda pode evoluir na garrafa durante alguns anos. E que acompanhou muito bem o ferrero rocher, frango assado e a horta da galinha dos ovos de ouro, ovo, pão crocante e cogumelos…a arte da cozinha do chefe Avillez à nossa mesa.

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-Post Scriptum 2013

Post Scriptum 2013 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-charcoal-roasted red mullet

Charcoal-roasted red mullet – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ainda recostados na cadeira a apreciar aqueles paladares fantásticos e já nos era servido o Post Scriptum Douro Doc 2013. Granada intenso, escuro, tem notas frescas de figos, ameixas, amoras, algumas especiarias. Na boca apresenta-se muito jovem, fresco, com óptima acidez, taninos intensos mas já muito bem casados com a fruta, a deixar um final longo e saboroso. Foi muito boa companhia para o salmonete braseado, com molho de fígados e xerém de amêijoas à Bulhão Pato, um prato delicioso, muito elegante e fresco.

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-Chryseia 2013

Chryseia 2013 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-ox-tail

Superb ox-tail – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Chegou então o esperado momento, já corria nos copos o Chryseia Douro Doc 2013. Granada escuro, intenso, opaco. Muito exótico no nariz, aromas de frutos pretos característico, mas também algumas framboesas, ligeiras notas de especiarias, apesar dos taninos intensos um vinho cheio de elegância, redondo, bem estruturado e com enorme final. Está ali para durar muito tempo…se lá chegar! Bateu-se taco a taco com um soberbo rabo de boi com grão, foie gras, tendões de vitela, creme de cebola e queijo da ilha. Difícil de descrever, tal a complexidade de paladares neste prato de grande nível, num casamento perfeito com o Chryseia. Mas ainda faltava a sobremesa e foi servido o Quinta de Roriz Porto Vintage 2000, um clássico duriense, ainda muito escuro no copo, com aromas intensos de fruta preta e já com notas ligeiras de frutos secos e algum chocolate.

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-Dessert

The dessert – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na boca é muito volumosos, cheio de estrutura, muita fruta, notas de especiarias, fumo, plantas silvestres, um vinho que não vai parar de evoluir, com final muito longo, que acompanhou uma sobremesa desconcertante: chocolate, banana e amendoim, a fechar o almoço em beleza…

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-Quinta de Roriz Vintage 2000

Quinta de Roriz Porto Vintage 2000 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Chryseia 2013-Graham’s Tawny 30 Anos

Graham’s 30 Year Old Tawny Port – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Com o café e os petit fours, a tradição dos tawny da família Symington, com o Porto Graham’s Tawny 30 Anos, cheio de frutos secos, tostado, extraordináriamente elegante, um grande vinho do Porto.

Cheers!

Contactos
Quinta de Roriz
São João da Pesqueira
5130-113 ERVEDOSA DO DOURO
Portugal
Tel: +351-22-3776300
Fax: +351-22-3776301
E-mail: info@chryseia.com
Website: www.chryseia.com

Caves da Montanha

Texto João Pedro de Carvalho

Ainda pela Bairrada, o passeio encerra com a visita a um dos maiores produtores da região, as Caves da Montanha (Anadia). A produção anual ronda o milhão e setecentas mil garrafas, tendo actualmente cerca de 2 milhões de garrafas guardadas nas longas caves subterrâneas das quais cerca de vinte mil supera os vinte e quatro meses de estágio em garrafa. Em Portugal o espumante de qualidade nem sempre foi uma realidade, é algo que tem vindo a crescer e a afirmar-se junto dos consumidores na última década. Nunca por cá se bebeu tão bom vinho como nos dias de hoje, é uma realidade, mas a somar a tudo isto também é verdade que a Bairrada se assume cada vez mais como a região onde produzir espumante fará mais sentido.

Fundadas em 1943 por Adriano Henriques, a empresa tem passado de pais para filhos estando actualmente na quarta geração com Alberto Henriques ao comando. Apesar do leque de ofertas se estender um pouco por todas as regiões com os mais diversos produtos é nos espumantes da Bairrada que a meu ver mora a alma deste negócio. A equipa de enologia composta por António Selas e Bruno Seabra, juntamente com Alberto Henriques têm sabido encontrar o rumo certo e juntos têm dado o seu contributo para um renascimento da região da Bairrada.

Blend-All-About-Wine-Caves da Montanha-4

Caves da Montanha Chardonnay-Pinot 2009 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Para este refresh de toda uma região, muito tem contribuído a Comissão Vitivinícola da Bairrada na pessoa do seu dinâmico presidente José Pedro Soares. Mas todo este assunto é merecedor de um artigo próprio, por agora o que interessa destacar são os espumantes que se provaram nas instalações das Caves da Montanha. O primeiro de todos foi um Montanha Grande-Cuvée Baga 2009, nascido num ano considerado de excelência pelo produtor. Um espumante que mostra um perfil mais clássico se assim se pode chamar, combina notas de alguma evolução com a frescura da fruta madura, notas de biscoito e ligeiro fruto seco. Boa presença de boca, com a fruta a marcar presença em quantidade e sabor, muita frescura com elegância e final de boa persistência. Um espumante com energia suficiente para acompanhar pratos de maior temperamento.

Em 2008 surge a primeira referência do Montanha Grande-Cuvée Chardonnay-Baga, todo ele cheio de frescura no nariz, com leve biscoito e notas de pêra, muita fruta associada à casta Chardonnay com leve fermento. Boa exuberância de conjunto, mousse fina e elegante com acidez a limpar o palato num espumante de fácil harmonia à mesa. O Montanha Real Grande Reserva 2009 é o topo de gama, sai quase de dois em dois anos e mostra-se nesta colheita com um blend de Chardonnay, Arinto, Pinot e Baga. Aroma com cocktail de frutas, ligeiras notas de biscoito, alguma geleia, muita frescura e vigor. Boca com envolvência que preenche o palato, frescura com sensação de cremosidade, final seco e prolongado.

Blend-All-About-Wine-Caves da Montanha-1

Caves da Montanha Chardonnay-Baga 2008 – Foto Cedida por Caves da Montanha | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Caves da Montanha-2

Caves da Montanha A.Henriques Edição Especial 70 Anos 2006 – Foto Cedida por Caves da Montanha | Todos os Direitos Reservados

Para o final ficou o A. Henriques Edição Especial 70 Anos Bruto 2006, um espumante feito à base de Chardonnay, Arinto e alguma Baga, que combina muito boa frescura com notas da passagem do tempo. Envolto numa delicada e muito fina complexidade que combina aromas de polpa branca da Chardonnay , os travos mais citrinos da Arinto, com a Baga a conferir robustez ao conjunto. Em fundo notas de biscoito com tisana, algum pão torrado num conjunto complexo que na prova de boca se mostra bastante elegante combinando ligeira cremosidade com a boa frescura da fruta. Brilhou a acompanhar um leitão assado à Bairrada.

Contactos
Rua Adriano Henriques 12
Apartado 18
3781-907 Anadia
Portugal
Tel: (+351) 231 512 260
Fax: (+351) 231 515 602
Website: www.cavesdamontanha.pt

Engenharia de Precisão: Monte da Ravasqueira Vinha Das Romãs

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Fiquei boquiaberta com os últimos lançamentos do Monte da Ravasqueira, em especial com o Monte da Ravasqueira Premium White 2012, o Premium Rosé 2013 e o Vinha das Romãs 2012. À terceira foi de vez porque, embora invariavelmente bem feitos, os vinhos deste produtor alentejano não foram amor à primeira vista. Escapou-me alguma coisa? Bem, até os melhores provadores de vinhos acordam do lado errado da cama.

Uma prova vertical em Junho passado respondeu, de certa forma, à minha pergunta. Provar diferentes colheitas do mesmo vinho é a minha maneira preferida de avaliar, não só pela “mão de Deus” (variação da colheita) mas também pela mão humana – as alterações a nível da viticultura e da abordagem na produção do vinho são também postas a nú. O que é que retirei ao analisar as três colheitas do Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs (2012, 2011, 2010)?

Se estivermos a falar da “mão de Deus”, todas as colheitas fizeram juz à expectativa. O 2012 apresentou-se elegante e com uma boa estrutura. O 2011, mais denso, mostrou uma fruta mais poderosa. Quanto ao 2010, estava relativamente aberto e acessível, com um toque de Alicante Bouschet, um toque rústico – significativamente o que menos melhorou com a idade (mesmo tendo em conta a sua relativa idade). Somando tudo, pareceu-me que o 2012 apresentou um toque extra de aprefeiçoamento – grande requinte. Com uma fruta mais brilhante e mais bem definida, mostrou-se mais equilibrado do que o 2011 que se inclinava mais para fruta demasiado madura. Para dizer a verdade, e contrariamente à informação que tinha em relação a estas colheitas, devo dizer que o 2012 irá superar confortavelmente o 2011 em tempo de vida.

Blend-All-About-Wine-Monte da Ravasqueira-Vinhas-das-Romãs-2012

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2012 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Monte da Ravasqueira-Chief Winemaker Pedro Pereira Gonçalves

Enólogo Chefe Pedro Pereira Gonçalves – Foto Cedida por Monte da Ravasqueira | Todos os Direitos Reservados

Porquê? O blend varietal (70% Syrah, 30% Touriga Franca) é o mesmo, tal como a vinificação. Não penso que a diferença de um ano de vinha importe muito  (como regra geral, os vinhos atingem melhor equilíbrio com os anos). Para mim, a resposta reside na adopção de uma viticultura de precisão, em 2012, por parte da Monte da Ravasqueira (e da entrada do dinâmico Enólogo Chefe que a implementou, Pedro Pereira Gonçalves).

Utilizando uma frase do “The Oxford Companion to Wine” (Jancis Robinson MW), viticultura de precisão significa que “a gestão da vinha é efectuada de uma forma individual e direccionada, em vez de implementada uniformemente em grandes áreas”. Significa utilizar tecnologias como imagens infra-vermelhos, sistemas de posicionamento global (GPS) e sistemas de informação geográfica (SIG), primeiro para avaliar e depois para gerir as variáveis da vinha (como o tipo de solo, profundiade e estrutura) que influenciam a qualidade, quantidade e estilo do vinho.

Blend-All-About-Wine-Monte da Ravasqueira-Aerial

Vista de foto aérea do Monte da Ravasqueira – Foto Cedida por Monte da Ravasqueira | Todos os Direitos Reservados

Para Pedro Gonçalves, a gestão das variáveis de cada um dos 29 blocos de vinha do Monte da Ravasqueira, e até da mesma casta, tem sido a chave para a “verdadeira interpretação do terroir”. Voltando ao puro equilíbrio do 2012, percebe-se que a vinha mostrou todo o seu potencial, tornando fácil agarrar a uma menor densidade antes dos açucares da uva dispararem e a acidez natural estava boa. De qulaquer modo, certamente que explica o porquê de a colheita de 2012 ter um grau e meio a menos de volume de álcool.

Quando posteriormente revelei a Pedro Gonçalves as minhas impressões relativamente ao 2012, reconhecendo que a “mão de Deus” fez o seu papel (“2012 foi um ano fantástico para a Syrah e a Touriga Franca”), concordou com entusiasmo. Agora pegando nas palavras de Jennifer Aniston (!), “aqui vem a parte científica, concentrem-se”. De acordo com o enólogo, “com a informação que obtemos através das técnicas de viticulura de precisão, foi possível identificar os locais da vinha que apresentavam maior equilíbrio e separá-los dos outros. Não quer dizer que os outros tivessem menos qualidade, mas não eram o que estava à procura para o vinho Vinha das Romãs que é um equilíbrio entre álcool, taninos e acidez, qualidade de taninos (níveis elevados de antocianinas e IPT’s (antocianinas+taninos)) e os tipos de sabores de fruta (sabores mais complexos, fruta preta e perfis especiados sem aquela fruta fácil que por vezes encontramos na Syrah)”.

Aqui estão as minhas notas relativamente ao Vinha das Romãs. Curiosamente, Romãs refere-se à anterior encarnação da vinha – foi um pomar de romãs até 2002, altura em que foi substituído por uma parcela de 5 hectares de Syrah e Touriga Franca. A parcela é vinificada e engarrafada em separado porque produz uvas particularmente maduras e concentradas.

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2010 (Vinho Regional Alentejano) – um blend maioritariamente composto por Syrah e Touriga Nacional, com uma pequena percentagem de Alicante Bouschet e Touriga Franca (apesar do nome, o conceito de single vineyard ainda não estava implementado porque a vinha “Vinha das Romãs” apenas tem plantação de Touriga Franca e Syrah). O 2010 foi envelhecido durante nove meses em barris de carvalho francês – menos de metade do tempo do 2011 e do 2012. Isto, juntamente com a colheita em si, pode explicar o porquê de ser significativamente mais pálido e menos estruturado que as outras colheitas. No nariz e no palato apresenta um mentol distinto, um perfil especiado e notas pronunciadas de iodo, das quais me recordei da primeira prova do 2012 no início deste ano. Os tons de caça do aberto 2010, doce e com ameixa fazem-me lembrar de Rhône Syrah. Os taninos são maduros com um toque rústico. Bebe-se bem agora, não é para guardar. 14.5%

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2011 (Vinho Regional Alentejano) – Este blend especiado de 70% Syrah/30% Touriga Franca foi envelhecido durante 20 meses em barris novos de carvalho francês. É o mais escuro e denso dos três. Amora concentrada e madura, e notas de azeitona preta ainda mais madura (discutivelmente demasiado maduras) estão bem enquadradas com taninos maduros mas presentes. Um impulso firme de acidez agarra na fruta para um final longo. Um vinho vigoroso. 14.5%

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2012 (Vinho Regional Alentejano) – o mesmo blend e evolução do 2011, mas é um vinho mais animado e móvel. Apesar de a amora e a ameixa estarem bem equilibradas e bem definidas, tem uma qualidade espacial que permite as notas de alcaçuz picante, eucalipto e iodo brilhem. Continuo impressionada com o perfil fresco e os taninos firmes, tipo romã, deste intenso mas elegante vinho – qualidades que sugerem que irá envelhecer muito bem – pelo menos durante uma década. 13%

Contactos
Monte da Ravasqueira
7040-121 ARRAIOLOS
Tel: (+351) 266 490 200
Fax: (+351) 266 490 219
E-mail: ravasqueira@ravasqueira.com
Website: www.ravasqueira.com

O Cavalo Maluco e os outros «índios» da Herdade do Portocarro

Texto João Barbosa

Começo este texto exactamente como comecei o anterior. Escrever acerca dum dos meus três vinhos portugueses favoritos é difícil pela preocupação do bom senso, prazer, memórias e qualidade intrínseca.

Gosto de certezas, incluindo a certeza da incerteza. Gosto que uma Coca-Cola seja uma Coca-Cola, sempre igual. Gosto da certeza da incerteza dos grandes vinhos: todas as colheitas são diferentes, porque não há anos de climatologia gémea. Mas que tenham um perfil comum e a qualidade que os torna príncipes. Os anos são o corpo e o perfil é o apelido.

A Herdade do Portocarro situa-se no litoral alentejano – território que está num sítio que burocracia muda de lugar. Bizarria não chamar alentejanos aos vinhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines. Esta propriedade fica no Concelho Alcácer, zona mais conhecida pelos arrozais e pelos pinhais.

Se todos os vinhos da Herdade de Portocarro são merecedores de comentário elogioso, dois destacam-se: o Anima e o Cavalo Maluco. O primeiro por ser uma «desarrumação» que José Mota Capitão, o produtor, causou. O segundo porque… é o tal, um dos meus três tintos portugueses favoritos.

Nesta propriedade da Península de Setúbal, embora lá não esteja, fazem-se cinco tintos, um branco e um rosé. Não comento, por não ter provado os Alfaiate Branco 2013 (esgana-cão, galego-dourado, arinto e antão vaz) e o Autocarro Nº 27 2013 (aragonês, touriga nacional e cabernet sauvignon).

Os vinhos com a marca Herdade do Portocarro são inesperados. Não sei se os entendo. Nunca foram o que esperava. Não lhe vejo parecenças com outros da zona. Será o famoso terroir, personagem fugidia que surge do nada e desaparece e que tanta gente diz ter convívio?

O Herdade de Portocarro 2011 tem mineralidade e frescura de boca. Fez-se com as castas aragonês, touriga nacional e cabernet sauvignon. Encorpado, mas não bruto. É um lavrador na cidade.

Partilho com José Mota Capitão a admiração pela casta touriga franca. Torço o nariz a um possível passeio, em larga escala, da rainha das castas do Douro pelo país. Dos vinhos não durienses, só o Herdade de Portocarro Partage Touriga Franca 2008 me dá um prazer ao nível (dos do) da sua região berço. Confirmo que esta variedade precisa de amigos; a solo não me faz palpitar o coração. Vale, pelo menos, a experiência.

Blend-All-About-Wine-Herdade do Portocarro-2011

Herdade de Portocarro – Foto Cedida por Herdade do Portocarro | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Herdade do Portocarro-Partage-Touriga-Franca

Herdade de Portocarro Partage Touriga Franca – Foto Cedida por Herdade do Portocarro | Todos os Direitos Reservados

José Mota Capitão veio para a ribalta com o primeiro vinho em Portugal feito exclusivamente com a casta sangiovese – julgo que não minto, até talvez tenha sido pioneiro no seu plantio. Ano após anos, a italiana mostra-se sensual, mas não frágil. Sotaque italiano, mas não cidadania. É dali, de São Romão do Sado, Freguesia do Torrão, Concelho de Alcácer do Sal, (Distrito de Setúbal), («Península de Setúbal»), Alentejo Litoral. Aposto – mas não sei a resposta, porque não perguntei – que é a casta que partilha o maior afecto deste vitivinicultor.

Os Anima comprovam o princípio da incerteza. Saem sempre muito bem, têm os traços dos irmãos e o apelido. Não são clones nem gémeos. Comentar um determinado ano só faz tanto se comentar todos os outros. Conselho a quem puder… compre, saboreie e conclua.

O Tears of Anima 2014 é um rosé de sangiovese. Tem a vantagem da casta que outros não ousam, resultando em aromas mais próximos dos vinhos brancos – e dos frescos: citrinos, líchias e ameixas colhidas em momento adiantado. Tem o carácter que deviam ter «todos» os rosados: baixo teor alcoólico. Em Portugal valoriza-se muito a capacidade dos vinhos portugueses serem gastronómicos… é uma vantagem? Bebam este pelo prazer de conversar e descontrair da praia que nos tornou encarnados, pelo esquecimento de nos barrarmos com protector solar factor 20.000!

Blend-All-About-Wine-Herdade do Portocarro-Tears-of-Anima

Herdade do Portocarro Tears of Anima – Foto Cedida por Herdade do Portocarro | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Herdade do Portocarro-Cavalo-Maluco

Herdade do Portocarro Cavalo Maluco – Foto Cedida por Herdade do Portocarro | Todos os Direitos Reservados

É momento do meu amor: Cavalo Maluco. Nome estranho! Tudo tem uma razão. Em menino, José Mota Capitão brincou – como em várias gerações – aos índios e cowboys. As crianças tendem a gostar dos vencedores … o miúdo que hoje faz vinho queria ser índio… talvez um dia venha o Touro Sentado!

O Cavalo Maluco 2011 é, possivelmente, o mais «doido» de todos. O ano foi grandioso e o chefe Lakota galopou. É filho de uvas de touriga franca, touriga nacional e petit verdot.

É melhor do que o anterior?! E do que o outro antes?! Sei lá, verdadeiramente. Acho que sim. O mesmo conselho a quem puder: compre, saboreie e conclua.

Um fim-de-semana de vindimas no Douro…

Texto José Silva

As vindimas começaram em força no Douro, um pouco por todo o lado, com o tempo a ajudar. E foi em ambiente de vindimas que passamos um fim-de-semana com a Real Companhia Velha, confortavelmente hospedados no Palácio de Cidrô.

Blend-All-About-Wine-Grape-harvesting-House

Palácio de Cidrô – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A usufruir toda aquela beleza arquitectónica, aqueles jardins belíssimos e o silêncio das noites frescas de céu limpo.

À chegada esperava-nos um jantar volante extremamente agradável, a fazer companhia aos primeiros vinhos desta casa com tanta tradição. Bacalhau desfiado, pataniscas, omeleta baixinha de legumes, arroz de legumes, bolo húmido da casa e fruta variada.

Blend-All-About-Wine-Grape-harvesting-Wines

Vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E provaram-se, para além do espumante de Chardonnay e Pinot Noir que está muitíssimo bom, os brancos tradicionais de CidrôSauvignon-Blanc e Semillion – e os tintos Cabernet Sauvignon com Touriga Nacional e Pinot noir. Mas ainda havia a surpresa dum Quinta do Cidrô Cabernet-Sauvignon…de 1996, ainda cheio de vida. Fechou-se com vinho do Porto, pois claro, um Colheita de 1980, e que bem que escorregou.

Blend-All-About-Wine-Grape-harvesting-Douro

Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No dia seguinte, depois dum pequeno almoço delicioso, foi um pulo até à Quinta das Carvalhas, com toda aquela beleza do Douro por companhia.

Ali esperava-nos uma vinha de Sousão, onde já trabalhava a roga de vindimadores, a que nos juntamos na tarefa dura de arrancar cachos de uvas.

Blend-All-About-Wine-Grape-harvesting-Sousão-Vines

Vinhas de Sousão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Grape-harvesting-Bucket

Balde, luvas e tesoura – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

À entrada já nos tinham equipado com balde, luvas e tesoura.

Blend-All-About-Wine-Grape-harvesting-Pedro Silva Reis

Pedro Silva Reis – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Acabadas as uvas, lá continuamos a subir, com uma paragem aqui e ali, onde o Pedro Silva Reis nos foi dando informações sobre a constante evolução da empresa.

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-Douro-2

A beleza do Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Grape-harvesting-Douro-3

A beleza do Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A beleza do Douro era cada vez mais arrebatadora.

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-Casa-Redonda

Casa Redonda – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Chegados lá acima à Casa Redonda, com aquele espectáculo fantástico do Douro a 360º, as máquinas fotográficas não conseguiam parar de disparar, era a “ditadura” da paisagem! Como diria Miguel Torga: “É um excesso de natureza!”

Esperavam-nos alguns petiscos e uma poderosa feijoada à transmontana, uma das refeições mais típicas das vindimas.

Blend-All-About-Wine-Grape-harvesting-Appetizers

Petiscos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Grape-harvesting-Carvalhas

Quinta das Carvalhas Tinta Francisca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E, claro, os vinhos das Carvalhas, com nova roupagem, brancos cheios de frescura e excelente acidez e tintos encorpados, jovens, com fruta bem madura, entre os quais um surpreendente Tinta Francisca, muito elegante, cheio, requintado. Os vinhos estão mesmo muito bons, modernos e bem apresentados. Juntou-se a nós o Álvaro, que nos deliciou com muitas histórias e informações da sua grande paixão, a viticultura. Mas era tempo de nos dirigirmos à Quinta da Granja, em Alijó, onde funciona a enorme adega, por esta altura em pleno trabalho de vindimas.

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-Sourcing-grapes

A seleccionar as uvas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-Jorge Moreira

Jorge Moreira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ali escolhemos uvas no tabuleiro de escolha, ouvindo explicações do Jorge Moreira, o enólogo principal, que até nos deu algumas amostras de cuba a provar.

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-Foot-Treading

Pisa da uva – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalmente, para os mais corajosos, pisaram-se uvas, de tinto e vinho do Porto, nos lagares de granito. Era a festa de celebração das vindimas. Ainda se petiscou uma bola de carne e uns copos de vinho antes de regressarmos a Cidrô, cansados mas satisfeitos.

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-Evel-XXI

Evel XXI & Quinta de Cidrô Sauvignon-Blanc – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Refrescados e aperaltados, juntamo-nos no salão do primeiro piso do palácio para partilhar uns petiscos e alguns vinhos, entre os quais o Evel XXI, que está muito bom, cheio de vida, a dar requinte à marca, e novamente o Sauvignon-Blanc de Cidrô, absolutamente delicioso. Ao comando, mais uma vez, o bom gosto e a simpatia do Pedro Silva Reis.

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-Alheira

Alheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-roast loin

Lombo assado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Sentados à mesa, apreciamos uma alheira tostadinha com ovo estrelado e grelos, seguindo-se um lombo assado no forno com batatinhas assadas.

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-1997-Vintage

Quinta das Carvalhas 1997 Vintage Port – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-1997-Music

Música do Álvaro, ao vivo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Terminamos em beleza com um Vintage de 1997 que nos acariciou o espírito.

Em fundo, a alegria da música do Álvaro, ao vivo, embalava-nos e fazia-nos sorrir…

Blend-All-About-Wine-Quinta de Cidrô-Farwell

“Até à próxima” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

De manhã, depois do pequeno almoço – aqueles ovos mexidos com tomate estavam incríveis!! – era a despedida e o regresso a casa.

Ou melhor era o “Até à próxima”!

Contactos
Real Companhia Velha
Rua Azevedo Magalhães 314
4430-022 Vila Nova de Gaia
Tel: (+351) 22 377 51 00
Fax: (+351) 22 377 51 90
E-mail: graca@realcompanhiavelha.pt
Website: realcompanhiavelha.pt