Blend All About Wine

Wine Magazine
Blend-All-About-Wine-Surf-n-Turf-Slider
Terra e Mar

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Mendes

Não é segredo que a maior parte das regiões vitivinícolas portuguesas ainda são desconhecidas para a maior parte das pessoas. Até para pessoas do meio. Portugal ganhou alguma fama nos últimos anos como um país de vinhos de vinhos de boa qualidade que não destrói a carteira. Com isto dito, Portugal tem todas as oportunidades de produzir vinhos dessa estatura que provavelmente iriam destruir a nossa carteira. Isso é tudo que sabemos. Ainda assim, como romântico incurável, estou um pouco assustado com a hipótese de o país vínico pelo qual me apaixonei um dia se tornar cada vez mais e mais mainstream. É o fardo de de um genuíno hipster vínico, acho.

Blend-All-About-Wine-Surf n Turf-Wine-Glass-Terra e Mar

Copo de Vinho – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Surf n Turf-Chorizo-Terra e Mar

Chouriço – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Mas não me preciso de preocupar. Portugal, com as suas inúmeras castas irá manter afastadas do dia a dia do cidadão comum castas com nomes confusos como a Touriga Nacional e a Tinta Pinheira, para mencionar apenas algumas. Muitos dos meus amigos que viajaram para Portugal desconhecendo completamente os vinhos portugueses mas vieram embora como grandes fãs. Tal como eu.

Pessoalmente gosto de utilizar vinho quando cozinho. Não necessariamente na comida mas como fonte de inspiração. Quando comecei a fatiar o chouriço para a massa que estava a fazer fiquei, repentinamente, mas não surpreendentemente, com sede. Uma das mais valias de Portugal é definitivamente a boa relação qualidade/preço dos vinhos, o que por vezes pode ser tanto uma bênção como uma maldição. Vinhos fáceis de beber e acessíveis, de diferentes estilos, passam pelos copos com relativa facilidade.

Blend-All-About-Wine-Surf n Turf Pasta-Terra e Mar

Massa “Terra e Mar” – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Enquanto preparava uma massa picante de camarão e chouriço “Terra e Mar” a minha mente voou até à Bairrada. Um pequeno e atrevido blend da Bagalândia era tudo o que precisava. Deitei mãos a um Torre de Coimbra 2012. Um blend de Baga, Touriga Nacional e Tinta Pinheira produzido pela LusoVini. De certeza, um vinho de exportação, porque, em todas as minhas viagens a Portugal nunca vi um vinho com uma rolha de rosca. De certeza que há alguns mas, não é comum num país que tem os sobreiros quase como sagrados. Nós, aqui no norte frio, não distinguiríamos um sobreiro de uma palmeira e é por isso que as rolhas de rosca são a escolha mais comum.

Blend-All-About-Wine-Surf n Turf-Torre de Coimbra 2012-Terra e Mar

Torre de Coimbra 2012 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O vinho em si apresentou-se.. humm.. qual é o termo científico…”razoável”. Bem, considerando que custou menos de €10 na loja de monopólio daqui, foi bem bom. Um vinho simples, frutado e com um toque de madeira. Podem achar uma surpresa mas, encontrar uma garrafa de vinho razoável na Finlândia por menos de €10, é mais fácil de dizer do que de fazer. Temos aqui bastantes vinhos trabalhados e tecnológicos, que são tudo menos interessantes. Este vinho da Bairrada aproxima-se de um vinho em condições portanto é um vinho em condições. Não é um vinho que me tire o sono mas é definitivamente um vinho que me vejo a beber novamente. Nem que seja para inspiração culinária.

Contactos
Lusovini Distribuição, SA
Avenida da Liberdade nº 15, Areal
3520-061 Nelas, Portugal
Tel: +351 232 942 153
Fax: +351 232 945 243
Email: info@lusovini.com
Website: www.lusovini.com

Dois magnatas

Texto João Barbosa

Abel Pereira da Fonseca foi um próspero negociante de vinhos. Em 1906 abriu um entreposto no Poço do Bispo – fica fora dos percursos turísticos, mas o edifício é interessante de ver para quem tenha mais tempo. A avenida não existia e os barcos acostavam para descarregar o vinho vindo da margem Sul do Tejo.

À época, as tabernas costumavam ter associado o negócio do carvão. Este empresário criou a rede Val do Rio, onde se podia beber um bom vinho e em ambiente asseado. Em 1928 eram cerca de 50 estabelecimentos e em 1937 já chegavam à centena. A classe média lisboeta podia beber o seu vinho sem ter de se juntar à malta suja e pobre.

Blend-All-About-Wine-Two Magnates-Abel-Pereira-da-Fonseca

Abel Pereira da Fonseca, Lda no Poço do Bispo – Foto Cedida por Companhia Agrícola do Sanguinhal | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Two Magnates-Abel-Pereira-da-Fonseca-2

Abel Pereira da Fonseca – Foto Cedida por Companhia Agrícola do Sanguinhal | Todos os Direitos Reservados

Fernando Pessoa, um génio mundial da poesia, era uma pessoa estranha, a quem poucos conheciam amigos. A meio da tarde, levantava-se da cadeira do escritório, onde se aborrecia com a realidade, e dizia:

– Vou ter com o meu amigo Abel.

O amigo Abel era o copo na taberna Val do Rio, da firma Abel Pereira da Fonseca. Uma vez fotografado, assinou o retrato: «Apanhado em flagrante delitro».

Blend-All-About-Wine-Two-Magnates-Fernando-Pessoa

Fernando Pessoa “em flagrante delitro.” – Foto Cedida por Companhia Agrícola do Sanguinhal | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Two-Magnates-Fernando-Pessoa-signature

A assinatura de Fernando Pessoa “em flagrante delitro” – Foto Cedida por Companhia Agrícola do Sanguinhal | Todos os Direitos Reservados

Nesse ano de 1937, Abel Pereira da Fonseca deixou o negócio – a marca ficou com outros, coisa de negócios que não vêm ao caso – e fixou-se na Quinta das Cerejeiras, no Concelho de Bombarral. Aí criou uma marca emblemática que resiste.

O Quinta das Cerejeiras tornou-se numa referência de qualidade, expostas nas cartas de vinhos dos melhores restaurantes. O gosto e o padrão de consumo mudou. Os dez anos de estágio em garrafa foram muito reduzidos. Ainda assim, os Quinta das Cerejeiras Reserva são uma referência da região de Lisboa e obrigatória para quem se interessar pelos néctares nacionais.

Outro magnata de renome foi João Camillo Alves, barbeiro na vila suburbana de Bucelas, que se pôs como intermediário entre os produtores da vila e os burgueses lisboetas que ali iam veranear. Daí a vender na capital fui num instantinho.

A empresa Caves Camillo Alves faz hoje parte do grupo Enoport, que agrupa outras grandes firmas de outrora, como as Caves Velhas ou as Caves Dom Teodósio – Teodósio Barbosa, outro magnata do vinho de há cem anos.

Blend-All-About-Wine-Two Magnates-ROmeira

Romeira Vinho Tinto – Foto Cedida por Enoport | Todos os Direitos Reservados

Obviamente que esta firma detém marcas que cruzam gerações. A mais emblemática talvez seja a Romeira. Trata-se de vinho tinto nascido numa região onde apenas as uvas brancas são elegíveis para vinho com denominação de origem.

A constituição da Quinta da Romeira, em Bucelas, remonta ao século XVII, e desde então tem conhecido diferentes proprietários, tendo há cerca de um ano voltado a ser transaccionada. A marca Romeira, pertencente às Caves Velhas, foi criada em 1912. Na década de 70, do século XX, o enólogo Manuel Viera fazia um lote com uvas da Península de Setúbal. Posteriormente passou a ser todo ele produzido em Palmela e hoje faz-se no Alentejo.

Quando se fala em vinho de Bucelas tem de se referir o Bucellas, criado pelas Caves Velhas em 1939. O consumidor tem sempre razão, conforme dita o aforismo? Não! E infelizmente, negócio é negócio e as empresas não são para dar prejuízo. Os vinhos de Bucelas viviam longos anos, excelentes. Os Bucellas Garrafeira eram «o» Bucelas. O último foi o de 1998 e bebi-o este ano. Colossal!

Blend-All-About-Wine-Two Magnates-Abel-Pereira-da-Fonseca-Serradyres-2

Serradayres Colheita 1986 – Foto Cedida por Enoport | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Two Magnatas-Abel-Pereira-da-Fonseca-Serradyres

Serradayres Reserva 2013 – Foto Cedida por Enoport | Todos os Direitos Reservados

Muito antigo é o tinto Serradayres (Enoport), comercializado pela primeira vez em 1896, pelo Conde de Castro Guimarães, no Ribatejo – hoje região do Tejo. Já agora, a residência condal situa-se em Cascais e é um espaço museológico a ver.

Ainda dentro da mesma casa, o Lagosta (Enoport) é uma referência antiga, datada de 1902. Vinho leve e descomplexado, mas sem o peso histórico de outras marcas.

E eu que pensava que arrumava o assunto em poucas linhas… esperem, que já sirvo mais uma rodada.

Vinhos portugueses apoiam obra social no Brasil

Texto José Silva

Cada vez mais os vinhos portugueses reforçam a sua presença no mercado brasileiro, não só pelo excelente trabalho que muitos produtores, de várias dimensões, têm feito, com o apoio fundamental da Viniportugal, mas também pelo trabalho por vezes apaixonado de muitos profissionais brasileiros, com destaque para os escanções.

Blend-All-Blend-Wine-Portuguese wines support a social do in Brazil-Adri Wiest

Adriane Wiest – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Adriane Wiest é uma dessas profissionais, que se dedicou ao trabalho de vinhos, seja como escanção em restaurantes, seja a organizar eventos vínicos ou a dar formação. E que há muito se apaixonou pelos vinhos portugueses, de que tem um grande conhecimento, deslocando-se a Portugal sempre que pode, contactando produtores e participando em festivais e concursos, muitas vezes como júri. Adri fez a sua formação no Centro Europeu de Estudos em chef de cuisine e sommelier e criou a sua própria empresa, “Adri Wiest Wine Education Consulting”. Vive em Joinville, a maior cidade do estado de Santa Catarina, no sul do Brasil.

Blend-All-Blend-Wine-Portuguese wines support a social do in Brazil-Flyer

Vinho Solidário – Degustação de Vinhos Portugueses com a sommelier Adriane Wiest – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Recentemente organizou um evento solidário a que chamou: “Vinho Solidário – Degustação de Vinhos Portugueses”, a favor dos doentes renais da associação Pró-Rim.

Blend-All-Blend-Wine-Portuguese wines support a social do in Brazil-Adri Wiest-audience

Vinho Solidário – Degustação de Vinhos Portugueses com a sommelier Adriane Wiest – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-Blend-Wine-Portuguese wines support a social do in Brazil-Rose-Vidigal

Rosé Vidigal – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Numa sala com óptimas condições e com todos os apetrechos necessários, Adri conduziu cerca de 80 pessoas através dos aromas e sabores dos vinhos portugueses, num jantar muito agradável em que foi servida gastronomia típica de Santa Catarina e que fizeram óptimas harmonizações.

Blend-All-Blend-Wine-Portuguese wines support a social do in Brazil-Wines

Os vinhos – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Os vinhos portugueses foram oferecidos pelos produtores e seus importadores no Brasil, com o apoio da Viniportugal, a cargo da Sónia Vieira e do Nuno Vale. Para ajudar no evento, Adri convidou o seu colega escanção Eduardo Silva, do restaurante Ostradamus, de Florianópolis, que também conhece bem os nossos vinhos. O lucro obtido com a venda das entradas para o evento foi integralmente oferecido para a compra de cestas básicas para os pacientes renais em situação de carência social, através da associação Pró-Rim.

Blend-All-Blend-Wine-Portuguese wines support a social do in Brazil-Adri Wiest-Pro-Rim

Vinho Solidário – Degustação de Vinhos Portugueses com a sommelier Adriane Wiest – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Eram cerca de 70 os pacientes nesta situação. E para que os participantes no evento que estivessem interessados pudessem comprar os vinhos em prova, foi obtido o apoio da melhor garrafeira da cidade de Joinville, a Rubicon Wine & Emporium, que além de comprar os vinhos para serem vendidos no local do evento e na enoteca, também ofereceu o lucro de cada 2 garrafas vendidas, para a compra das cestas básicas para os pacientes renais. Mesmo nestas acçõs de solidariedade, Adri dá prioridade aos vinhos portugueses, que tão bem conhece.

Os vinhos apresentados foram os seguintes:

-Covela Avesso Edição Nacional; Casa de Mouraz Dão Branco; Quinta Nova Pomares Douro Branco; Ilógico, de António Saramago; Rosé, Vidigal Wines; Porta 6, Vidigal Wines; Quinta do Convento Syrah, Vidigal Wines; Moscatel Roxo de Setúbal, de José Maria da Fonseca;

Blend-All-Blend-Wine-Portuguese wines support a social do in Brazil-Adri Wiest-Wines

Adriane Wiest e os vinhos – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Adri e o seu colega Eduardo conduziram a prova dos oito vinhos, explicando a sua origem, quem os produz, as suas características, como devem ser apreciados e a que temperaturas. E como ligavam bem com a rica cozinha Catarinense.

Blend-All-Blend-Wine-Portuguese wines support a social do in Brazil-Toast-vinhos portugueses

O brinde – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

O evento teve enorme sucesso, os participantes brindaram efusivamente e compraram vinhos duma forma também solidária e pediram para a Adri organizar novo evento.

Parabéns à Adri Wiest e fazemos votos para que continue com este seu trabalho de qualidade e rigor.

Os vinhos portugueses agradecem e serão sempre solidários…

Quinta da Leda Vintage 1990, o primeiro Quinta da Leda

Texto João Pedro de Carvalho

Em 1979 a antiga Casa Ferreirinha ou A. A. Ferreira prosseguindo a tradição da família Ferreira adquiriu um terreno inculto denominado Quinta da Leda na freguesia de Almendra. Foram plantados cerca de 25 ha de vinha com o objectivo de testar as qualidades dos vinhos produzidos na sub-região do Douro Superior. O encepamento consistia em Tinta Roriz 34% Touriga Francesa 33% Tinta Barroca 23% Touriga Nacional 8% e Tinto Cão 2%. Ao décimo ano surgiu o primeiro vinho ali produzido e também o primeiro Vintage obtido no Douro Superior pela Casa Ferreirinha, Quinta da Leda Vintage 1990, tendo direito a uma segunda edição apenas em 1999. Hoje em dia a Quinta da Leda conta com 75 hectares e nela se colhem as melhores uvas da empresa, destinadas a vinhos como Barca Velha e o próprio Quinta da Leda cujo primeiro tinto surge como varietal de Touriga Nacional em 1995.

Blend-All-About-Wine-Quinta-da-Leda-1

Quinta da Leda vista panorâmica – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Quinta-da-Leda-bottle

Quinta da Leda Port Vintage 1990 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Confesso uma e outra vez que não sou grande apreciador de Porto Vintage, nem eu mesmo chego a entender por vezes esta minha rejeição ou incapacidade de ficar em êxtase com o estilo Ruby. Tenho assumidamente uma clara preferência pelos Tawny, sempre fui apreciador de vinhos onde a oxidação é palavra de ordem e os vinhos têm de mostrar argumentos para saberem resistir com galhardia à passagem do tempo. É por isso bem possível que não me consiga recordar de muitos Vintages que me tenham marcado de forma categórica. Mas recentemente tive oportunidade de beber este Quinta da Leda, um Vintage com 25 anos de vida e que a meu ver está naquele ponto óptimo de consumo, nem mais para um lado nem para o outro. No instante do primeiro contacto, do primeiro sorvo, dei por mim a pensar em como teria sido este vinho na sua fase mais jovem, não terá sido certamente um portento de força e taninos rugosos a implorarem por cave e pelo contrário deverá ter sido sempre um vinho que em novo teria alguma ponta de austeridade necessária para desenvolver embora desde cedo mostrasse elegância e equilíbrio entre a opulência da fruta bem madura e sumarenta com a frescura. Uma fórmula que podemos aplicar aos vinhos Quinta da Leda desde que foram saindo para o mercado.

E enquanto beberico o que resta da garrafa em acto de pura gulodice acompanhei com uma mousse de chocolate com azeite e pimenta vermelha. Ligação fantástica que catapultou o vinho para outro patamar a nível sensorial, tendo acidez suficiente para limpar o palato a fruta vermelha bem fresca alia-se em plena harmonia com o chocolate 70% cacau. Muita qualidade a mostra-se bem complexo e rico em detalhe, com frutos do bosque a surgirem já macerados, tabaco, especiarias, chocolate negro, ligeiro terroso no fundo. Na boca replica tudo o aqui descrito, enorme frescura logo de inicio que acompanha toda a passagem pelo palato com um apontamento apimentado e seco no final. Certamente ainda vai durar mais alguns anos em garrafa mas para mim foi um Vintage que me deu muito prazer a beber.

Contactos
Sogrape Vinhos, S.A.
Rua 5 de Outubro, 4527
4430-852 Avintes
Portugal
Tel: (+351) 227-838 104
Fax: (+351) 227-835 769
E-Mail: info@sograpevinhos.com
Website: www.sograpevinhos.com

Esporão Verdelho 2004, da cave para a mesa

Texto João Pedro de Carvalho

Desde cedo que enquanto enófilo ganhei o gosto de guardar vinhos por longo período na minha cave. O objectivo sempre foi e continuará a ser a curiosidade por ver como evoluem uns e a necessidade expressa dessa mesma guarda por outros tantos vinhos que ali ficam esquecidos durante largos anos. Quem gosta de vinhos e gosta de os apreciar é curioso por natureza, faz parte de condição humana o ser curioso. É essa mesma curiosidade que nos leva a querer saber algo mais sobre a maneira como se vão comportar com a passagem do tempo, até que forma o tempo os consegue educar ou não. Certo e sabido que o risco é quase sempre um factor também a ter em conta, mais ainda quando os vinhos que guardamos não têm qualquer historial que nos garanta o sucesso da nossa operação. A ressalva será sempre feita para todos aqueles que estando demasiado jovens e com os taninos em pontas necessitam de um bom repouso. E depois lá vão ficando algumas dezenas, depois centenas de garrafas acumuladas por tipo e região, garanto que o mais difícil é começar todo este processo. As surpresas até hoje têm sido quase sempre positivas, aprende-se sempre um bocadinho com estas comparações entre o vinho que foi em novo e o vinho adulto que é hoje, outros surgem já cansados e com as rugas da idade mais ou menos vincadas.

Blend-All-About-Wine-Esporão Verdelho 2014-Bottles

Garrafeira – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Esporão Verdelho 2014 Bottle

Esporão Verdelho 2004 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Muito recentemente e por motivo de um jantar de amigos aqui em casa, decidi resgatar um desses vinhos que tenho na cave, um Esporão Verdelho 2004. Um branco com 11 anos de idade, um atrevimento ou até loucura dirão alguns, mas a verdade é que este Verdelho conseguiu a proeza de atingir aquele momento wow destinado apenas aos grandes vinhos. Esse momento é quando a generalidade dos convivas esboça um sorriso após provar o vinho que tem no copo e diz a dita palavrinha… wow. Um vinho que provei vezes sem conta na altura do seu lançamento no mercado, gostava tanto na altura que resolvi guardar umas garrafas. Esta terá sido a última resistente deste Verdelho 2004 que mostrou ainda uma invejável frescura de boca e de nariz, toda a fruta que antes era fresca agora está envolta em calda e ligeiramente adocicada, toques vegetais com tisana, ramalhete de flores, tudo muito bem composto num vinho sério e adulto, com as ideias muito bem delineadas. Na boca frescura, ponta de untuosidade a enrolar a fruta no palato, mostra-se com consistência e muito boa presença, muito prazer a beber e a voltar a beber, sem cansar.

É este um dos motivos que me leva a guardar vinho, acima de tudo a curiosidade mas também a satisfação de posteriormente os poder partilhar com gente que lhes sabe dar o respectivo valor. O único senão é quando a garrafa fica vazia e nos questionamos por que razões na altura não se guardaram mais umas garrafas.

Contactos
Herdade do Esporão
Apartado 31, 7200-999
Reguengos de Monsaraz
Tel: (+351) 266 509280
Fax: (+351) 266 519753
E-mail: reservas@esporao.com
Website: esporao.com

Pormenor: O Diabo está nos detalhes

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Pormenor significa detalhe. Sem dúvida que Pedro Coelho olhou aos detalhes e fez o trabalho de casa – os seus primeiros lançamentos de Pormenor 2013, Douro, já esgotaram. Nada mal para um enólogo de primeira geração que me disse “o meu avó era um produtor de carvalho, o meu pai produtor de cortiça, por isso… era preciso que houvesse alguém na família que produzisse e bebesse vinho… esse alguém sou eu!!!!”

Blend-All-About-Wine-Pedro Coelho

Pedro Coelho – Foto Cedida por Pormenor Vinhos | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Pormenor-corks

Rolhas Pormenor – Foto Cedida por Pormenor Vinhos | Todos os Direitos Reservados

Portanto, além do entusiasmo juvenil de Pedro pelo projecto, qual é a atracção? A embalagem é simples – não exagera – mas tem classe com um toque contemporâneo que chama a atenção na prateleira. E quão contemporâneo é lançar dois Douros brancos e um tinto! O seu consultor enólogo é o ex-Niepoort Luis Seabra, mais um detalhe, a cuja própria gama de vinhos Cru escrevi estas páginas anteriormente este ano.

Blend-All-About-Wine-Pedro Coelho-2

Pedro Coelho – Foto Cedida por Pormenor Vinhos | Todos os Direitos Reservados

Tal como Luis Seabra, o objectivo de Pedro é o mostrar o Douro “no seu estado mais natural… com o mínimo de intervenção, dando prioridade às principais carecterísticas do Vale do Douro: vinhas, uvas, solo e clima”. E tal como a gama Cru de Luis Seabra, estes brancos são vivos e muito texturais. De certa forma, não são muito diferentes dos rótulos – sem exagerar mas a insinuar – encontram a sua própria marca.

Na realidade os brancos são o ponto mais forte, achei o tinto um pouco rústico. Algo que é fascinante se considerarmos que os brancos provêm da sub-região Douro Superior, normalmente mais seca e quente , e o tinto da sub-região Cima Corgo. Cima-Corgo, bem no “coração do Douro”, é recorrentemente citada como fonte dos mais elegantes vinhos do Douro e vinhos do Porto, e os Pormenor brancos mantêm essa fasquia – o diabo está nos detalhes, especialmente na especificidade do local. É precisamente este factor que explica porque é que, contrariamente a sabedoria recebida, o Douro Superior é uma das fontes de alguns dos meus vinhos brancos Douro favoritos. Por exemplo, Conceito, Quinta de Maritávora, Ramos Pinto Duas Quintas, Muxagat (apesar de, infelizmente, Mateus Nicolau de Almeida já não estar envolvido no projecto) e Mapa.

Aqui estão as minhas notas relativamente a estes lançamentos de estreia:

Pormenor Branco 2013 (Douro DOC) – este pálido vinho amarelo provém de vinhas muito velhas sobre xisto no Douro Superior, situadas entre 400 a 500 metros de altitude em Carrezeda, Ansiães. As uvas foram apanhas no fim de Agosto a fim de preservar a acidez. Aparentemente a Rabigato e a Códega do Larinho predominam, ambas as castas têm boa fruta, mas a Rabigato é alta em acidez e a Códega do Larinho é mais usave, menor acidez. O vinho foi fermentado e envelhecido em tanques inox. É um amarelo pálido com um palato altamente individual impregenado de abacaxi grelhado com canela, damasco e marmelo mais firme – bastante frutado para o Douro. Uma complexidade de mel de acácia e um nogado cremoso remetem para um palato sedoso e redondo. Uma madura e perfeita, ininterrupta acidez permitem um longo final. Bebe-se já muito bem e sozinho, tem peso e potencial para funcionar bem com pratos condimentados de peixe branco. 12.63%

Blend-All-About-Wine-Pormenor-Reserva-2013-white

Pormenor Reserva Branco 2013 (Douro DOC) – Foto Cedida por Pormenor Vinhos | Todos os Direitos Reservados

Pormenor Reserva Branco 2013 (Douro DOC) – Similarmente, o blend de vinhas velhas (com a Rabigato e a Códega do Larinho a predominarem) foi colhido precocemente de vinhas em Carrezeda, Ansiães. No entanto, a fruta veio de vinhas mais altas, entre 600 a 800m de altitude, portanto, o palato do Reserva (amarelo ligeiramente mais escuro), é, mais firme, mais concentrado, com mais fruta de uva e mineral, assim que ultrapassada a madeira – gostei bastante mais no segundo dia, quando a madeira não foi tão intrusiva e terminou longo, focado e mineral. O Reserva foi naturalmente fermentado e envelhecido durante nove meses em barris de carvalho francês da Borgonha sem controlo de temperatura nem batonnage. Deixa-lo-ia repousar durante mais ou menos um ano de forma a permitir a integração da madeira. 12.5%

Blend-All-About-Wine-Pormenor-Colheita-2013-white

Pormenor Branco Colheita 2013 (Douro DOC) – Foto Cedida por Pormenor Vinhos | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Pormenor-Colheita-2013-red

Pormenor Tinto 2013 (Douro DOC) – Foto Cedida por Pormenor Vinhos | Todos os Direitos Reservados

Pormenor Tinto 2013 (Douro DOC) – este blend de médio corpo de algumas uvas clássicas do Douro (principalmente Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela e Rufete) provém de vinhas velhas com mais de 50 anos, em Soutelo do Douro, Cima Corgo, plantadas entre 500 a 600 metros de altitude. Foi fermentado e macerado em cubas de inox com alguns cachos inteiros (engaço e uvas) durante 25 dias e envelhecido durante 14 meses em barris de carvalho francês. Como o Reserva Branco, este vinho precisava de ar. Desta vez por causa de “ruído branco” terroso no nariz que prejudicou a fruta (e que inicialmente pensei ser causado por deterioração bacteriana, brettanomyces). No entanto, a lucidez do palato (da mesma garrafa) ao terceiro dia, sugere que tenha sido um perfil “engaçado” derivado da fermentação com os cachos. Como estava o Pormenor Tinto ao terceiro dia? Apresentou-se com groselha vermelha fresca, cereja e ameixa, com um toque subtil de “floralidade”. Apesar de os taninos serem terrosos e rústicos, não se meteram no caminho dos aspectos mais agradáveis deste vinho – a fruta e a frescura (de facto permitiram aquele bonito toque floral aparecer). Enquanto que a rusticidade remete para a ideia de Pedro mostrar o Douro “da maneira mais natural”, na melhor das hipóteses, os engaços na fermentação de cacho inteiro podem produzir vinhos com especiarias e estrutra empolgantes. Pedro disse-me que este vinho foi colhido no início de Setembro de forma a “manter o alto nível de acidez” mas, embora saude a frescura do palato, pergunto-me se os engaços não teriam benificiado mais se estivessem um pouco mais maduros? Claro que 2013 foi um ano complicado – a partir de 27 de Setembro houve um período de chuvas intenso que incentivou a colheita precoce. Estou sim, interessada em provar as próximas colheitas deste vinho. 12.5%

Contactos
Tel: (+351) 919 679 393
Email: geral@pormenor-vinhos.com
Website: www.pormenor-vinhos.com

Quando (quase) não havia marcas de vinho em Portugal

Texto João Barbosa

Estou velho! É verdade! Por mais que diga que fulano é um chavalo, a verdade é que estou como o meu pai, que faleceu aos 90 anos, que se referia aos amigos como: «um rapaz da minha idade».

Esta afirmação de estar velho nem tem a ver com a idade, mas com um país que era outro. Não por ser adolescente, mas porque era outro. Em Portugal era raríssimo, até 1986, vestir roupa de marca… sapatilhas Adidas? Dizíamos: «Devem ser… Adidas da farmácia». Os discos desalinhados com o main stream vinham da Grã-Bretanha, por encomenda ou pedido a alguém que lá fosse. As estrelas da pop apareciam na Bravo, uma revista em alemão que quase ninguém sabia ler. Quem era a Nena?! Dois ou três anos depois soubemos, quando cá chegou o hit «ninety nine red ballons».

Ia-se a Espanha comprar sapatilhas, caramelos, torrão de Alicante. Lá, cheirava aos terríveis cigarros Ducados e o café era imbebível. Eles vinham cá na Páscoa, comer bacalhau, marisco ao Alentejo, mesmo que fosse de 150 quilómetros da costa do Atlântico, e comprar toalhas e colchas.

Nesse país a preto e branco, da década de 70, ou de cores esbatidas do decénio seguinte, o vinho não tinha marca. Em Lisboa ainda havia tabernas, com pipas imundas de sarros… vinho lá da «terrinha», «purinho do produtor»… Marcas? Uma ou duas; exceptuando as de Vinho do Porto e Vinho da Madeira.

Em 2014, havia 2.067 viticultores e 4.212 vitivinicultores. Portugal, como nos restantes países da União Europeia, urbanizou-se e o sector primário perdeu peso na economia. Há 30 anos haveria muitos mais produtores, mas muitíssimo menos vitivinicultores. As cooperativas tinham um peso importante no negócio.

Foi com duas ou três marcas que resolvi escrever este texto. Porém, reparei que essas «duas ou três» eram bastante mais. Ainda assim… O número acaba por ser irrelevante. O negócio e consumo de vinho de há 30 anos, ou 25 ou até 20 anos, para cá mudou muito. Fico-me com os resistentes e com os renascidos. Pensava que caberiam nas minhas duas mãos… precisei de mais três pessoas, se calhar ainda falho o algarismo certo.

Blend-All-About-Wine-Periquita-bus-pub

Publicidade do Periquita em autocarro – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Periquita-pub

Publicidade Vintage Periquita – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

O Alentejo era conhecido pelas searas de trigo e pelas florestas de sobreiros e azinheiras. No Douro fazia-se Vinho do Porto, ponto! Dão e Bairrada tinham um peso considerável. Porém, Portugal tem marcas antigas, que em alguns casos se podem comparar às reputadas de França.

O caso mais óbvio é o do Periquita, produzido na região da Península de Setúbal. A receita tem vindo a mudar, mas basicamente era feito com uvas da casta castelão – sucesso tão grande que se alastrou a toda a volta, tornando a marca em sinónimo de variedade de fruta. Hoje, é marca registada, após batalha legal vencida pela firma José Maria da Fonseca.

Blend-All-About-Wine-Periquita-150anos pub-3

Publicidade Periquita em 2000 para o 150º aniversário – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Periquita-150anos pub-2

Publicidade Periquita em 2000 para o 150º aniversário – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Periquita-150anos pub-3

Publicidade Periquita em 2000 para o 150º aniversário – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Quando se diz Periquita está a falar-se de 1880, embora se saiba que tenha sido transacionada uma garrafa da década anterior e indicações de 1850. Em 1886 ganhou um prémio internacional.

Blend-All-About-Wine-Periquita-1880

Periquita 1880 – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Periquita-old

Garrafa antiga de Periquita – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Lilliput! Milhares, milhões de portugueses a fazerem o seu vinho. Poucas marcas. Duas casas se destacaram a de João Camillo Alves e de Abel Pereira da Fonseca. Colossos, à época. A diferença era tal que surgiu uma anedota, de gosto duvidoso: «No seu leito de morte, o senhor Fonseca terá dito aos seus descendentes que até de uvas se fazia vinho».

É piada (parva), porque Abel Pereira da Fonseca era homem honrado e já fora dos grandes negócios, como a firma José Maria da Fonseca, além de séria, só o fundador teve esse apelido. Seja como for, a anedota traduz a realidade.

Uma realidade que fica para a próxima crónica.

Contactos
Quinta da Bassaqueira – Estrada Nacional 10,
2925-542 Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, Portugal
Tel: (+351) 212 197 500
Email: info@jmf.pt
Website: www.jmf.pt

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Slider
O Gaveto, um restaurante e marisqueira de referência

Texto José Silva

Este “O Gaveto” começou por ser uma marisqueira, mais uma, em Matosinhos, quando Manuel Pinheiro a comprou, em 1984.

A partir daí continuou como marisqueira, mas passou a ser também um restaurante confortável, com boa comida tradicional portuguesa. Foi ganhando clientela, sempre com muito trabalho, fruto não só da simpatia e do profissionalismo que o proprietário sempre exigiu no serviço, mas também dos produtos de enorme qualidade utilizados nas variadíssimas confecções. E foi isso que foi transmitindo aos filhos que, apesar de terem feito os estudos que entenderam, desde cedo começaram a ajudar o pai no restaurante e na residencial que possui no Porto, hoje transformada num pequeno hotel de qualidade, agora gerido pela filha Cristina. No Gaveto, em Matosinhos, o filho mais velho, José Manuel, juntou-se ao pai mais cedo, até que, em 1995, foi a vez do outro filho, João Carlos, se lhes juntar.

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Room

O Gaveto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Room-2

O Gaveto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Muito trabalho, dedicação, simplicidade e bom relacionamento quer com o pessoal, quer com a clientela, que foi sempre crescendo e em que uma parte significativa é hoje também amiga da casa e dos dois irmãos. O pai Manuel, já reformado, continua a passar por ali diariamente, dando uma ou outra opinião, mas sobretudo gozando o facto de poder ver o seu trabalho de muitos anos muito bem entregue aos seus filhos, com grande sucesso.

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Fish

Peixe fresco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Seafood

Marisco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O marisco e o peixe fresco do dia são uma constante, com receituários extremamente simples, deixando brilhar a qualidade dos produtos.

Dois  viveiros enormes de marisco vivo, logo à entrada, são o garante da frescura do que vem do mar.

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Lobster

Lagosta – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Seafood-2

Marisco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A que se junta um enorme escaparate de algum marisco já cozido e dos vários tipos de peixe fresco, à vista de todos. O enorme aquário, normalmente ocupado pelas lagostas, vai albergar, a partir de Janeiro, as muitas lampreias, também elas vivas, que são uma das coroas da casa. Cozinhadas à bordalesa ou em arroz de lampreia, levam ali verdadeiras romarias de apreciadores que, até lá para o final de Abril, nunca saem defraudados. Nessa época, também o sável vai brilhar, cozinhado a preceito. E também o serviço de snack é bem sucedido, sejam os pequenos petiscos, a sopa de marisco saborosa, o churrasquinho no pão e, claro, a tradicional francesinha. Na companhia de cerveja a copo gelada muito bem tirada.

Mas ao longo dos últimos anos o serviço e a oferta de vinhos tem vindo a constituir uma verdadeira paixão, ao ponto de terem hoje uma carta de vinhos onde pontuam as grandes referências nacionais, e mesmo alguns vinhos estrangeiros de grande nível. Muitos produtores nacionais bem conhecidos passaram a ser clientes assíduos, alguns deles mesmo amigos pessoais dos dois irmãos, fazendo ali muitas provas e mesmo apresentações de novidades e algumas raridades. Que casam muito bem com muitos dos pratos que passaram a ser de escolha obrigatória para muitos deles.

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Wines

Selecção de vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-monkfish rice

Arroz de Tamboril – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para além das mariscadas que ligam bem com espumantes e vinhos brancos encorpados e frescos, a escolha vai-se refinando para o arroz de tamboril ou o soberbo arroz de lavagante, das melhores confecções que conheço. Ou mesmo um branco especial para acompanhar um linguado ou uma posta de garoupa grelhados na brasa.

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-lobster rice

Arroz de lagosta – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-seafood rice

Arroz de marisco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O arroz de marisco tem ali grande tradição, assim como umas carnudas e saborosas amêijoas à Bulhão Pato.

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Clams

Ameijoas à Bulhão Pato – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Narcisa-style codfish

Bacalhau à Narcisa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Não faltam também as bacalhoadas, com o bacalhau à Narcisa a brilhar, posta alta frita no ponto, com cebolada farta e batata frita às rodelas.

Ou mesmo uma tradicional carne de porco à alentejana. Ao sábado, as tripas à moda do Porto têm seguidores dedicados.

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Pork with clams

Carne de porco à alentejana – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Seafood Soup

Sopa de marisco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na última visita começamos pela sopa de marisco, saborosa e com toque precioso de picante.

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Fish-2

Peixe galo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Gaveto Restaurant-Redoma

Redoma branco 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois foi um simples filete de pescada fresca com salada russa deliciosa, para terminar com o peixe galo, em postas bem fritinhas, acompanhado por uma açorda gulosa com as ovas do peixe!

O Redoma Branco 2013 esteve sempre à altura…

Contactos
Restaurante O Gaveto
Rua Roberto Ivens, 826
4450-249 Matosinhos – Portugal
Tel: (+351) 229 378 796
Fax: (+351) 229 383 812
E-mail:geral@ogaveto.com
Website: www.ogaveto.com

Barão de Vilar LBV 2010

Texto João Pedro de Carvalho

Estamos já em pleno Outono, altura em que os dias ficam mais curtos e o tempo parece que demora a passar. Um contra senso talvez, uma vez que em pleno Verão os dias são maiores embora com mais tempo para nos distrairmos nem se dá pelo passar das horas. Por esta altura do ano entram em cena as nozes, as abóboras, as romãs ou as maçãs, é altura dos marmelos mas acima de tudo das castanhas. E falar de castanhas é um lembrar no imediato o cheiro das castanhas assadas a percorrer as ruas das nossas terras em dias de frio e neblina.

Foram tantas as vezes que fui comprar meia dúzia enrolada num cartuxo em papel de jornal, quase sempre das antigas páginas amarelas que nos deixava as mãos cheias de tinta, e corria para casa para as comer uma a uma bem ao lado da lareira. Hoje em dia ainda as compro na rua, mesmo a casa já seja em plena cidade onde desapareceu a lareira e por imposição das entidades competentes que acharam que o antigo papel de jornal nos ia deixar todos muito doentes, agora o papel passou a ser outro. Mas o que interessa é que o sabor e as memórias que recordo valem pelo instante, quase sempre acompanhado de um copo de Vinho do Porto. Quase sempre um LBV que costumo ter aberto em casa, calhou desta vez ser um Barão de Vilar LBV de 2010, com enologia de Álvaro van Zeller. É um quase antecipar a tradição de São Martinho, comemora-se a 11 de Novembro e diz que “come-se as castanhas e prova-se o vinho”, ou então que “no dia de São Martinho vai à adega e prova o vinho”.

Blend-All-About-Wine-Barão de Vilar LBV 2010-roasted-chestnuts

Castanhas assadas

Bled-All-ABout-WIne-Barao-de-Vilar-LBV-2010

Barão de Vilar LBV 2010 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Neste caso é um estilo de vinho que aprecio bastante nesta altura em que o frio se começa a instalar, a chuva começa a marcar presença e tal como este LBV é um vinho que já está muito pronto a beber, com frescura dos frutos vermelhos, com a ligeira austeridade que o Outono nos mostra e que na mistura de aromas e sabores tão característicos desta estação do ano nos consegue dar aquele momento de prazer que procuramos enquanto nos recostamos no sofá. Muito certinho, sem falhas nem grandes motivos de exaltação e é por isso que gosto dele, eficácia tremenda para aquilo a que se destina e isso nos dias que correm começa a ser raro encontrar vinhos que pela relação satisfação/qualidade/preço nos deixem tão satisfeitos e bem aconchegados.

Contactos
Núcleo de Acolhimento de Empresas de Sta. Comba da Vilariça, Lotes 10/11
5360-170 Santa Comba da Vilariça
Tel: (+351) 22 3773330
Fax: (+351) 22 3753735
Website: www.baraodevilar.com

Blend-All-About-Wine-Camelo Restaurant-Slider
Restaurante Camelo, um clássico do Minho com comida regional a sério

Texto José Silva

Já lá vão mais de 25 anos desde que a família Camelo abriu esta casa de bem comer em Santa Marta de Portuzelo, ali a meia dúzia de quilómetros de Viana do castelo, na estrada N202. Desde então e até hoje a aposta foi sempre, sem qualquer dúvida, na cozinha regional, com base em muitos e bons produtos.

Blend-All-About-Wine-Camelo Restaurant

Restaurante Camelo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O restaurante Camelo foi crescendo, cedo começou a fazer serviços, e hoje tem vários espaços que podem ir até às 1000 pessoas. Nos meses de verão o movimento é estonteante!

Blend-All-About-Wine-Camelo-Restaurante Camelo-Room

Restaurante Camelo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Camelo-Restaurante Camelo Room-2

Restaurante Camelo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas nada disto tirou discernimento à família Camelo, com a velha sala muito confortável, alguma cantaria nas paredes, serviço personalizado, mesas muito bem postas para apreciarmos uma grande refeição. Sobretudo ao fim-de-semana é aconselhável fazer reserva de mesa, pois enche normalmente, durante todo o ano. O sr. Camelo, sempre dum lado para o outro, cumprimenta-nos com a pergunta marota: “Já cumprimentou algum camelo hoje?”

Blend-All-About-Wine-Camelo Restaurant-Bar

O Bar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

À entrada há uma pequena sala de espera, com sofás e o bar mesmo ao lado, se for necessário aguardar por mesa. Até porque para além de vários pratos emblemáticos da casa, há pratos em certas épocas que são muito procurados, vindo gente de muito longe para os apreciar. A época do sável e da lampreia é uma delas, que vai de Janeiro até Abril e as várias confecções de lampreia – à bordalesa, em arroz e assada no forno, entre outras – são extraordinárias, com lampreias ali do rio Lima de grande qualidade. O sável frito em postas fininhas, uma boa salada de alface e açorda com as suas ovas é incontornável. Ao segundo domingo de cada mês, é uma romaria para apreciar um portentoso cozido à portuguesa, que é difícil de descrever.

As entradas são muito variadas – bolinhos de bacalhau, pataniscas de bacalhau, chouriço, salpicão, orelheira, focinho e chouriça de cebola cozidos – e por vezes as curiosas “caralhas”, que são miúdos de novilho escalfados em vinho verde tinto de Perre, uma delícia.

As sopas são óptimas, desde a sopa de legumes da época, caldo verde, canja de galinha até às soberbas papas de sarrabulho, com muitos cominhos por cima!

A proximidade do mar traz algum marisco e peixe muito fresco – robalo, pescada, dourada, rodovalho, linguado – que é tratado com simplicidade na grelha, simplesmente cozido ou em algumas confecções, como a pescada à Camelo. O bacalhau está sempre presente com força, ou não estivéssemos no Minho. Para além das maneiras mais tradicionais, o bacalhau à Camelo é dos mais procurados, sempre de posta alta, demolhada no ponto e muito bem acompanhada. Mas são as carnes que se destacam na ementa deste restaurante tradicional, sejam de porco, de vaca ou de galináceos.

Blend-All-About-Wine-Camelo Restaurant-Minho-style rojões

Rojões à moda do Minho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Camelo Restaurant-arroz de sarrabulho

Arroz de sarrabulho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Uns completos rojões à moda do Minho, que podem ser acompanhados pelo arroz de sarrabulho, a posta de carne barrosã saborosa e macia ou um imponente costeletão de novilho.

O cabritinho da Serra dArga assado no forno faz as delícias dos apreciadores e esse verdadeiro hino à cozinha portuguesa que é o galo com arroz de cabidela, que ali se chama “galo de pé descalço”, com o humor muito próprio dos minhotos. Aos galos criados na casa, juntam-se muitos bichos criados pelos lavradores das redondezas, da confiança pessoal da família Camelo.

Blend-All-About-Wine-Camelo Restaurant-cabidela rice

Arros de Cabidela – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Camelo Restaurant-red vinho verde

Vinho verde tinto da casa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Carne rijinha, saborosa, envolvida pelo arroz carolino cozido no ponto, que acaba de “abrir” no tachinho de ferro que vem à mesa, e o toque precioso de vinagre de vinho a espevitar o conjunto. Grande confecção!

O vinho verde tinto da casa, em malguinha, foi a companhia certa. Acabou o banquete?! Nada disso, faltam as sobremesas, num desfilar que parece não ter fim. O leite creme, o pudim e o arroz doce confirmam a tradição, excelentes.

A despedida é sempre um até á próxima…

Contactos
Rua de Santa Marta 119
Estrada Nacional 202 – Santa Marta de Portuzelo
Viana do Castelo, 4900-252
Portugal
Tel: (+351) 258 839 090
Website: www.camelorestaurantes.com