Blend All About Wine

Wine Magazine
Quinta dos Abibes, a Bairrada em modo Sublime

Texto João Pedro de Carvalho

Abandonada durante mais de uma década a Quinta dos Abibes (Anadia) vai buscar o seu nome a uma ave migratória de seu nome Abibe (Vanellus vanellus). A propriedade conta com 10 hectares dos quais 7 hectares são de vinha e foi adquirida em 2003 pelo Prof. Doutor Francisco Batel Marques. A enologia ficou a cargo do reconhecido enólogo Osvaldo Amado e a primeira colheita da Quinta dos Abibes iria nascer apenas em 2007. As castas escolhidas foram as tintas Baga, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, enquanto que nas brancas a Arinto, Bical e Sauvignon Blanc.

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Prof. Dr. Francisco Batel Marques to the left and winemaker Osvaldo Amado to the right – Photo Provided by Quinta dos Abibes | All Rights Reserved

Na Quinta dos Abibes destaca-se a aposta na diferença e acima de tudo na qualidade dos seus produtos, onde por exemplo a Baga apenas é utilizada na vinificação de espumantes. No caso do Espumante Quinta dos Abibes Sublime Brut Nature 2009 a produção limitou-se a 3200 garrafas, num espumante de qualidade onde se destacam as notas de biscoito que combinam alegremente com aromas de citrinos, bem fresco com algum tostado em fundo mineral. Boca a condizer e de grande harmonia entre fruta e notas tostadas, ligeira cremosidade sentida num espumante de muito bom nível.

Entrando nos vinhos tranquilos com o Quinta dos Abibes Sublime branco 2010 feito a partir da casta Arinto no melhor registo a que o enólogo Osvaldo Amado nos tem vindo a acostumar. Um branco que se mostra com notas de fruta madura onde o destaque vai para os citrinos e alguma maçã em conjunto com a madeira por onde passou que marca o conjunto, um pouco demais para o meu gosto, contribuindo com aromas de tosta e algum fruto seco. Saboroso com boa passagem que alia frescura e untuosidade, elegância com final de boa persistência.

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Quinta dos Abibes white 2010, Sublime 2010 & Sparkling wine Sublime Brut Nature 2009 – Photo Provided by Quinta dos Abibes | All Rights Reserved

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Vanellus Classic Edition Cabernet Sauvignon 2011 – Photo Provided by Quinta dos Abibes | All Rights Reserved

Mudamos a tonalidade e entramos no campo dos tintos com o Quinta dos Abibes Sublime 2010 onde brilha a solo a casta Touriga Nacional. Vinho de perfil concentrado e pujante, muita energia e frescura a mostrarem fruta preta madura com toques fumados, especiarias, algum terroso de fundo. Boca a mostrar boa envergadura, fruta com mais detalhe que no nariz, muito saborosa, frescura a percorrer todo o palato, final longo e persistent e com taninos ainda presentes a mostrarem a sua presença no final de boca.

Termino com o Vanellus Classic Edition Cabernet Sauvignon 2011, um Beira Atlântico com ares de Bordéus, aromas de grafite, notas terrosas e com carga vegetal ligeira. Fruta madura e bem fresca, muito mirtilo, muitas bagas silvestres a explodir de sabor, perfumado num conjunto fresco e coeso. Corpo médio, com rusticidade a pedir tempo em garrafa, frescura a embalar a fruta madura e saborosa num final de boa persistência.

Contactos
Quinta dos Abibes Vitivinicultura, Lda
Aguim – Anadia
3780 Anadia
Bairrada – Portugal
Tel: (+351) 917 206 861
E-Mail: quintadosabibes@gmail.com

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Chili com vinho (Esporão)

Texto Ilkka Sirén

“O que é que se come na Finlândia?”, é uma pergunta que ouço com bastante frequência. As pessoas esperam todo o tipo de respostas estranhas, como por exemplo, que como carne de urso crua e que tenho o meu próprio alce no qual vou todos os dias para o trabalho. Não é bem assim. Temos bastantes pratos tradicionais na Finlândia, mas a maior parte só comemos uma vez por ano. Não temos nada do género do bacalhau, como em Portugal, que se come quase diariamente ou pelo menos uma vez por semana. Os finlandeses em geral não utilizam muitas espécies na alimentação e, para ser honesto, a comida aqui é por vezes bastante insípida. Por outro lado, aqui, apreciam-se os sabores naturais dos bons ingredientes. Vegetais, raízes, bagas e cogumelos são algumas das coisas mais preciosas aqui no Norte gelado. Mas, sendo eu um fã de, por exemplo, cozinha tailandesa e vietnamita, aprecio comidas com sabores fortes e picantes.

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Swirl – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Tortilha – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Agora, a caminho de mais um difícil Inverno, sentamo-nos e esperamos que as folhas caiam e cubram tudo com cores bonitas. Neste momento já as noites estão a ficar mais frias e, quem sabe, se não começará já a nevar no próximo mês. De facto, neste momento, o Verão já só é uma longínqua miragem. Isto tem imapacto directo na cozinha das pessoas, especialmente na minha. E não é só isso, começo a cozinhar pratos mais calorosos e faço pickles de, literalmente, tudo. O Outono também se reflecte na minha escolha de vinhos mas vamos voltar a esse ponto mais tarde.

Tortilhas, tacos, burritos e carnitas estão longe de ser comidas tradicionais finlandesas mas devo confessar que sou um fã. A tortilha em si, aquele pão fino, é apenas um veículo para todas as coisas deliciosas; neste caso um habanero picante e um chili naga jolokia de carne. Apesar do chili naga jolokia ser cerca de 400 vezes mais picante que o molho de tabasco, a ideia aqui não é destruir o palato. Gosto de criar molhos poderosos e equilibrados mas ao mesmo tempo saborosos. Nem sempre consigo.

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Esporão Reserva 2011 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A pergunta é: com que servir este tipo de prato? O meu impulso natural seria “cerveja ou nada”. Sim, cerveja seria sem dúvida a harmonização mais fácil, mas tinha que existir outra coisa. Muitos teriam optado por um branco semi-seco, talvez um Riesling. A doçura a equilibrar o picante do chili, etc. De certeza que funcionaria mas, neste caso em particular, seria demasiado elegante. As tortilhas são tudo menos elegantes. São desengonçadas, desconcertadas e deliciosas. Queria algo com cojones apropriados para a situação. Entre então o Esporão Reserva 2011. Um blend robusto de Alicante Bouschet, Aragonês, Cabarnet Sauvignon e Trincadeira. Negro e denso como a árvore do rótulo, o Esporão Reserva 2011 é uma dádiva de Deus para as nossas noites frias e escuras. É definitivamente um vinho que devemos deixar perdido na garrafeira durante 1-12 anos mas que, com o chili de carne picante, deu lugar a uma harmonização brilhante. A princípio achei que seria um assalto aos sentidos. E devo dizer que houve bastante acção quando este amplo alentejano colidiu com o chili. Mas pouco depois, quando a poeira baixou, houve um saboroso e ligeiramente surpreendente casamento de sabores. Caso não estejam habituados ao chili a combinação poderá ser um pouco forte demais mas, se adorarem chili como eu, podem descobrir aqui algo muito especial.

Maritávora Grande Reserva Branco Vinhas Velhas, príncipe do Douro

Texto João Barbosa

Começo este texto exactamente como vou começar o próximo. Escrever acerca dum dos meus três vinhos portugueses favoritos é difícil pela preocupação do bom senso, prazer, memórias e qualidade intrínseca.

Gosto de certezas, incluindo a certeza da incerteza. Gosto que uma Coca-Cola seja uma Coca-Cola, sempre igual. Gosto da certeza da incerteza dos grandes vinhos. Assim acontece com esta firma da região do Douro.

Maritávora é um nome mágico se pensarmos no drama da família Távora, exterminada pelo primeiro marquês de Pombal. Nem sei como alguém conseguiu manter o apelido. O actual proprietário da Quinta de Maritávora – em Freixo de Espada-à-Cinta – não tem parentesco com essa família aristocrática.

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A família Junqueiro em Maritávora – Foto Cedida por Maritávora | Todos os Direitos Reservados

A propriedade foi comprada, em 1870, pelo pai do poeta Guerra Junqueiro, tio bisavô de Manuel Gomes Mota. Conheci-o quando fazia um programa de agricultura para a RTP. Queria criar um enoturismo diferente, levando gente constante mente àquele ermo para fazer um vinho exclusivo. Porquê? Porque a vila vive das excursões para ver as amendoeiras em flor, porque ninguém sabe que quem desenhou o Mosteiros dos Jerónimos também ali esteve, porque tem uma estranha torre de sete lados.

Eu e o repórter de imagem chegámos no momento de jantar. Não há restaurantes sofisticados, come-se o que é da terra – princípio das filosofias do quilómetro zero, da slowfood e da sabedoria de Alexandre Dumas (pai).

No restaurante de província, Manuel Gomes Mota abriu uma garrafa:

– Uau!

Um vinhaço e «esquisito». O que era aquilo? Disse muita coisa e quase sempre ao lado, excluindo o evidente.

– Amanhã, quando visitares a quinta, vais perceber.

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Manuel Gomes Mota – Foto Cedida por Maritávora | Todos os Direitos Reservados

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Jorge Serôdio Borges – Foto Cedida por Maritávora | Todos os Direitos Reservados

Verdade! O chão xistoso (tão xistoso) e as videiras centenárias. Vinho de mineralidade grandiosa e «confusão» das castas baralhadas nas vinhas, coisa antiga.

O que é terroir? É uma «coisa» que não há vitivinicultor que não reivindique. O que é um terroir? É uma «coisa» complexa e rara. Maritávora tem! Bons chãos (não só xisto em calhau), climatologia própria, boa vinha (cultivo está em modo biológico)e enologia de Jorge Serôdio Borges, um dos enólogos que melhor conhecem o Douro.

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Vinhas – Foto Cedida por Maritavora | Todos os Direitos Reservados

A Maritávora comercializa um leque de opções, é impossível escrever acerca de todas. Tudo começou com um branco e um tinto. Aptos para receberem a designação Grande Reserva, só mais tarde foi adoptada.

Quanto a mim, os Maritávora Grande Reserva Tinto sofrem do padecimento dos filhos segundos. As tarefas de responsabilidade adjudicadas ao mais velho quando tem dez anos são negadas ao mais jovem, ainda que tenha 12 anos.

Os topos da gama tintos «ficam» na sombra. Não por demérito, mas porque os claros são especiais. O Maritávora Grande Reserva Vinhas Velhas Tinto 2011 é complexo e denso, terá uma longa vida. Feito com uvas das castas touriga nacional, touriga franca, tinta roriz e «outras». O estágio foi de 18 meses em barricas novas de carvalho francês.

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Maritávora Grande Reserva Vinhas Velhas 2011 tinto – Foto Cedida por Maritávora | Todos os Direitos Reservados

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Grande Reserva Vinhas Velhas 2011 branco – Foto Cedida por Maritávora | Todos os Direitos Reservados

A minha paixão são os Grande Reserva Vinhas Velhas Branco. O de 2011 tem o carisma e a personalidade cativante dos irmãos que o antecederam, com benefício do factor ano. As castas são côdega do larinho, rabigato, viosinho e «outras». Conviveu três meses em barricas novas de carvalho francês, com battonnage. Tudo igual ao de 2012… de 2010…

Iguais?! Claro! Mineralidade fulgurante e uma «coisa estranha» que é frescura com calor – tem a climatologia, as exigências das uvas, as do solo e as da madeira nobre. Longo, fundo e variado no tempo em que é bebido.

Iguais?! Não! Felizmente, não. É tão boa a incerteza dos grandes vinhos!

Contactos
Quinta de Maritávora, EN221, Km88
5180-181 Freixo de Espada-à-Cinta
Portugal
Tel: (+351) 214 709 210
Fax: (+351) 214 709 211
E-mail: mgm@maritavora.com
Website: www.maritavora.com

The Yeatman Hotel Sunset Wine Party

Texto José Silva

Foi no passado dia 27 de Agosto que teve lugar mais um Sunset Wine Party no The Yeatman Hotel, curiosamente quando esta unidade hoteleira acabara de receber mais um prémio nos World Travel Awards, como o melhor hotel Boutique de Portugal. Para juntar às dezenas de prémios que o The Yeatman Hotel vem coleccionando desde o primeiro ano de funcionamento.

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The Yeatman Hotel – Foto Cedida por The Yeatman Hotel | Todos os Direitos Reservados

Foi mais um fim de tarde e noite em que nada foi deixado ao acaso e em que o glamour e a qualidade dos produtos andaram de mãos dadas. Superiormente liderado pelo chefe Ricardo Costa na cozinha e pela directora de vinhos Beatriz Machado nas salas, este Sunset foi uma montra de bom gosto, requinte e qualidade, a que o The Yeatman Hotel já nos habituou.

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The Yeatman Hotel Sunset Party – Foto Cedida por The Yeatman Hotel | Todos os Direitos Reservados

Recebidos por pessoal competente e de extrema simpatia, os visitantes eram encaminhados para a recolha da pulseira de controle e para a entrega do copo, personalizado na ocasião, que os havia de acompanhar em todo o evento. Logo a seguir havia duas bancas com vários espumantes bem refrescados e um escaparate de ostras frescas e rodelinhas de limão, num começo auspicioso. Ao lado, numa sala ampla, ofereciam-se saladas muito variadas e bochechas muito bem cozinhadas, com uma banca de outros vinhos à disposição dos clientes.

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Quejos de várias regiões – Foto Cedida por The Yeatman Hotel | Todos os Direitos Reservados

Na direcção contrária uma outra sala exibia, de um lado uma imensa profusão de queijos de várias regiões, ao centro grande variedade de pão e do outro lado presunto a ser fatiado no momento e vários tipos de enchidos. Lá estava também uma banca com vinhos muito variados. Passados à sala maior, a surpresa de duas bancas enormes, de cada lado da sala, com alguns petiscos de origem indiana, de que o caril era o mais reconhecido e, ao centro, duas enormes mesas repletas de sushi e sashimi, sempre a rodar. De cada lado uma banca de vinhos, uma de brancos e rosés e outra de tintos.

Os vinhos eram servidos à temperatura recomendada, mais uma vez por pessoal muito simpático que explicava os vinhos que estavam a ser servidos, denotando cuidado e rigor. Dava gosto!! A Beatriz Machado andava numa roda viva, espalhando simpatia e bom gosto e procurando que toda a gente estivesse a ser servida como deve ser, e o chefe Ricardo Costa apareceu na sala várias vezes, para dar indicações de rigor ao pessoal que estava a servir, aproveitando para falar com muitos dos participantes, procurando saber se a comida variada estava a agradar. E estava mesmo a agradar.

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The Yeatman Hotel Sunset Party – Foto Cedida por The Yeatman Hotel | Todos os Direitos Reservados

A única comida que era preparada no exterior eram plumas e secretos de porco preto, grelhados e servidos no pão. Também ali não faltavam vários tipos de vinho. Os visitantes iam-se espalhando pelas muitas mesas que havia quer nas salas, quer no enorme terraço, conforme eram mais ou menos friorentos, embora estivesse uma noite calma e com uma temperatura muito agradável, depois de terem caído alguns pequenos chuviscos. Cá fora havia um balcão em que se serviam alguns Portos e cocktails.

Fazendo o percurso ao contrário, novamente perto da entrada, havia duas outras salas, uma a seguir á outra, onde se podia apreciar uma óptima picanha, com feijão preto, farofa e couve salteada. Na continuação, aparecia a sala das sobremesas, com uma banca enorme de fruta muito variada e uma outra de doçaria, para quem ainda aguentasse. Havia mesmo um carrinho com gelados, deliciosos – o de limão e o de morango eram divinais! Ali, a banca de vinhos era de…vinhos do Porto.

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The Yeatman Hotel Sunset Party – Foto Cedida por The Yeatman Hotel | Todos os Direitos Reservados

Comia-se e bebia-se à vontade, sem limite, mas a regra geral era a apreciação das muitas ofertas que preencheram o fim de tarde e a noite, na companhia de vinhos extraordinários que faziam óptimas harmonizações. Está uma vez mais de parabéns o The Yeatman Hotel e toda a sua equipa de profissionais.

Do outro lado do rio Douro, continuava a beleza da cidade do Porto…

Contactos
The Yeatman Hotel
Rua do Choupelo, (Santa Marinha)
Vila Nova de Gaia
Porto 4400-088
Portugal
Tel: (+351) 220 133 100
Fax: (+351) 220 133 199
Website: www.the-yeatman-hotel.com

Madeira: The Islands and their Wines by Richard Mayson

Texto João Pedro de Carvalho

O autor é Richard Mayson, conceituado escritor e crítico de vinhos bem conhecido por obras como Portugal’s Wine and Winemakers, The Wines and Vineyards of Portugal ou o best-seller Port and the Douro. É um profundo conhecedor dos vinhos de Portugal e um especialista em fortificados. Fruto de décadas de provas e de inúmeras viagens à Madeira, com muita visita e conversa com produtores, foi possível o lançamento do seu novo livro de nome Madeira: the islands and their wines.

Madeira: The Islands and their Wines in infideas.com

Madeira: The Islands and their Wines in infideas.com

 

Richard Mayson desmistifica como poucos o Vinho da Madeira, num registo de fácil entendimento e que torna o livro de tal forma delicioso que neste momento já o estou a ler pela segunda vez. O autor começa por fazer uma introdução histórica sobre a Madeira com um espaço dedicado aos nomes daqueles, que segundo ele, ajudaram a moldar a Madeira naquilo que é hoje enquanto região produtora de vinho. Conta ainda com uma breve introdução acerca das ilhas, aborda o factor social, governo, clima, terminando na agricultura. A lição continua com a abordagem às castas e os seus vinhedos, numa visão daquilo que já foram e a sua perspectiva de como poderá vir a ser no futuro. Sem perder o interesse somos conduzidos de forma simples por todo o processo de vinificação onde são explicadas as várias categorias de Vinho da Madeira.

E é a partir deste ponto que quanto a mim este livro faz toda a diferença e se torna ainda mais indispensável a todos os apreciadores de Vinho da Madeira. Não só pela detalhada abordagem feita aos vários produtores, mas pela exaustiva e surpreendente vasta lista de vinhos apresentados. Diga-se de passagem que o autor num registo impressionante aborda desde as mais recentes novidades numa viagem pelo tempo até aos vinhos do séc. XVIII. A complementar as notas de prova encontra-se no final do livro uma muito interessante descrição dos aromas que caracterizam o Vinho da Madeira, tal como um pequeno guia de viagem pela ilha e uma pequena secção onde se aborda a ligação do Vinho da Madeira/Gastronomia. Um livro sem dúvida alguma imprescindível.

Traga o livro e venha conhecer a Madeira e os seus fantásticos vinhos num tour privado criado para si pela Blend – All About Wine.

Quintas de Caiz, nas Encostas do rio Tâmega

Texto João Pedro de Carvalho

Quintas de Caiz é um projecto muito recente no panorama vínico nacional que fica enquadrado na região dos Vinhos Verdes. Fruto da paixão que a família Freitas tem pela terra e da vontade de criar algo distinto que fosse ao mesmo tempo um bom exemplo daquela região, mais propriamente daquelas encostas por onde serpenteia o rio Tâmega. Os três vinhos Encostas de Caiz provados, todos de 2014, daquela que foi a primeira colheita a ser colocada no mercado.

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Vinhas Quintas de Caiz – Foto Cedida por Quintas de Caiz | Todos os Direitos Reservados

Vinhos irrequietos, com os nervos próprios de terem sido engarrafados muito recentemente quando me tinham chegado às mãos. Digo e repito que regra geral os vinhos oriundos desta região beneficiam quase sempre com um a dois anos de estágio em garrafa, aquele tempo mais que suficiente para deixarem os nervos de lado e quando se mostram estarem sem tremideiras ou faltas de memória. Com um arejamento prévio a coisa compôs-se e a prova foi bastante convincente da qualidade destes novos Encostas de Caiz.

O primeiro vinho provado foi o Encostas de Caiz Grande Escolha 2014, lote feito de Alvarinho e Loureiro. De todos o que menos disse, com o Loureiro completamente sequestrado pelo Alvarinho o conjunto precisa de tempo com tudo ainda muito tenso e em fase de afinação. Não obstante mostra-se envolto em frescura, com nervo suficiente para se poder desembrulhar à vontade num par de anos. Melhor o Encostas de Caiz Grande Escolha Alvarinho 2014, se bem que também este a mostrar que precisa de mais algum tempo em garrafa. Muito fresco e bem afiado nos aromas e sabores, conjunto bastante apertado, tenso e pouco ou nada tropical com domínio de frutos de pomar bem maduros embrulhados em frescura com nuances de flores e a austeridade mineral a dominar em pano de fundo.

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Trio Encostas de Caiz – Foto Cedida por Quintas de Caiz | Todos os Direitos Reservados

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Sardinhas – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Para o fim fica aquele que mais gostei, que mais agradou e que mais depressa desapareceu das garrafas, o Encostas de Caiz Grande Escolha Avesso 2014. Conquista no imediato pelo combo entre fruta ligeiramente exótica com toque de pêra e citrinos ao que se junta o aroma floral. Perfumado e convidativo mostra um fundo marcado pela mineralidade, muito boa capacidade de revitalizar o palato com pratos de gastronomia oriental onde o tempero mais forte costuma imperar. Neste caso todos os vinhos serviram para acompanhar umas belíssimas sardinhas assadas no carvão.

Foz Torto: Em busca da elegância

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Em 2000, Abílio Tavares da Silva, um empreendedor IT de Lisboa, começou a procurar por uma vinha. Certo que teria que ser no Douro, mas não foi fácil porque era meticuloso. Demorou cinco anos a encontrar o sítio certo. Nos dias que correm tem uma vista de topo sobre o Douro, em particular sobre as vinhas mais altas da Sandeman, na Quinta do Seixo, que está situada na outra margem do rio Torto, imediatamente oposta ao seu próprio pedaço de Douro, Foz Torto.

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Abilio Tavares da Silva no topo do mundo na Foz Torto – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Os 14 hectares de vinha, em patamares íngremes, da Foz Torto, descem até ao rio Douro. Não é apenas pela paisagem vertiginosa que se verifica desde o topo (320m) até ao rio (72m) que Abílio se sente no topo do mundo. Focando um pouco mais a questão, está a aperceber-se da paixão que o levou a vender o seu negócio, a realocar a sua família no Douro e a estudar enologia (tem um curso de Enologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro).

Porquê este lugar? Porque, diz Abílio, “estava à procura de elegância e equilíbrio e a minha vinha no rio Torto é conhecida, há já 200 anos, pelo seu poder e elegância”. “Maioritariamente em vinho do Porto”, acrescenta. E ainda hoje 80-85% das uvas são vendidas à Taylor’s para a produção de vinho do Porto. Atribui, parcialmente, esta reputação à Rufete, que é muito comum no Torto e “mais conhecida pela elegância do que pela força”.

Dito isto, substituiu cerca de 80% das vinhas originais (ficaram a sobrar 3 hectares de vinhas velhas). Justifica, “o vinhedo estava em mau estado porque pertencia a uma família que esteve envolvida em disputas em tribunal durante 10 anos”. A nova plantação inclui Rufete e Tinta Francisca, que o entusiasta de comida descreve como “condimentos” para a Touriga Nacional e a Alicante Bouschet também ali plantadas.

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O jardim de vegetais da Foz Torto – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Abílio é tão apaixonado pelos vegetais que plantou na Foz Torto quanto é pelas suas vinhas. Enquanto me dizia, “Acredito mesmo que as vinhas devem ser desfrutadas e visitadas como um jardim, e não apenas para produzir vinho.”, mostrou-me morangos, cebolas, feijões, batatas, árvores de fruto e oliveiras. Tal é zelo messiânico que tem pela intensidade de sabor da rúcula que me deu a provar que se esqueceu que (e eu também) estávamos prestes a provar os vinhos. A rúcula mais picante (tanto como o rabanete) que já provei e que, lamentavelmente, descalibrou o meu palato. Felizmente, Abílio foi amável e enviou-me amostras frescas para provar em Londres.

Os vinhos, o primeiros lançamentos, de 2010, são feitos com Sandra Tavares da Silva (não são parentes) que aperfeiçoou as suas habilidades de vinificação de Douro no Vale do Torto na Quinta do Vale Dona Maria antes de estabelecer a Wine & Soul com o seu marido, e também enólogo, Jorge Serôdio Borges. Abílio diz que Sandra é a “instrutora” para o “estagiário” que há em si. E, evidentemente, tal como eu, é um grande fã do requintado branco do Douro da Wine & Soul, Guru, já que adquiriu uma segunda vinha de vinhos brancos perto do local de onde provêm as uvas utilizadas na produção daquele vinho, em Porrais, Murça, a 600 metros de altitude. Devo dizer que gosto mais do Foz Torto branco, com grande personalidade, do que do tinto que, apesar de muito bem feito, não é tão elegante o quanto estava à espera dada a localização e o ano da colheita. Mas ainda são os primeiros tempos e Abílio gosta de estudar (para ele “o prazer é a viagem”). Estou mesmo interessada em acompanhar a evolução desta gama. De facto, com os conselhos da sua “instrutora”, que irão contribuir para que os seus vinhos sejam “mais elegantes e distintos”, já começou a instalar lagares para uma vinificação em quantidades menores na velha adega que está a restaurar no Pinhão. Como qualquer bom informático sabe que, “temos de prestar atenção a todos os pequenos detalhes”.

Aqui estão as notas relativamente aos seus últimos lançamentos:

Foz Torto Vinhas Velhas Branco 2013 (Douro) – produzido a partir de um pequeno (menos de um hectare) field blend maioritariamente composto por Códega do Larinho e Rabigato. Abílio disse-me que a vinha cheira a pólvora e, tal como o Guru, este vinho tem um perfil de cordite com, já no segundo dia, um toque feno-grego picante. Apesar de de não ser tão encorpado, poderoso ou longo quanto o Guru, gosto da sua mineralidade e do seu toque incisivo a toranja com limão mais maduro. Notas complementares e complexas de baunilha e óleo de limão, que se mostram graças ao envelhecimento em carvalho francês durante cinco meses. Tem muito do interesse e intensidade das vinhas velhas. 12.5%

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Um trio da Foz Torto – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Foz Torto Tinto 2012 (Douro) – Um blend com 40% Touriga Nacional, 30% Touriga Franca, 10% Tinta Francisca, 5% Tinta Roriz, 5% Alicante Bouschet, 5% Sousão e 5% Tinta Barroca de vinhas com 7-8 anos; foi fermentado durante 8 dias em tanque de inox e envelhecido durante 16 meses em barris de carvalho francês de 2º e 3º ano. Tem amora e ameixa maduras com chocolate preto, tanto no nariz como no palato, com ameixa, tabaco, couro, traços de whisky berber (chá de menta) e taninos de baixa granularidade. O tabaco está mais marcado no segundo dia. Um toque quente (álcool) atravessa a prova; beneficiaria com um pouco mais de definição e frescura. 14.5%

Foz Torto Vinhas Velhas 2012 (Douro) – um field blend de vinhas velhas com mais de 30 castas; foi fermentado durante 8 dias em tanque de inox e depois envelhecido durante 18 meses em barris de carvalho francês (30% novos, 70% 2º ano). Como seria de esperar, é mais concentrado, mineral e picante do que o cuvée mais novo, com cassis rico, mais maduro, ameixa preta mais suculenta e sumarenta e framboesa mais doce. O carvalho novo confere baunilha e notas mais pronunciadas de torrada e mocha. Um pouco maduro demais e quente para o meu gosto, apesar de beneficiar de taninos esbeltos e notas úteis de eucalipto no final. 14.5%

Homenagem ao Cante – Adega Cooperativa da Vidigueira homenageia Património da Humanidade

Texto João Barbosa

A palavra cooperativa arrepia muita gente. Em parte com razão, mas não totalmente. Quando, há poucas décadas, começaram a surgir em Portugal as cooperativas vitivinícolas o resultado foi claramente positivo e a vários níveis.

Os agricultores ganharam força comercial, pela união, obtiveram melhores preços do que se vendessem a empresas privadas, conseguiram certeza no escoamento da produção. Em termos técnicos, as cooperativas conseguiram apetrechar-se com o melhor que havia nesse momento. Ou seja, o vinho melhorou de qualidade.

Depois «descansaram», mas mudou o mundo e o país. Na década de oitenta, as cooperativas alentejanas tomaram a dianteira e auxiliando-se de técnicos competentes e «actualizados», como o caso de João Portugal Ramos, contribuiram, e em muito, para a afirmação do Alentejo como terra vitivinícola de sucesso.

Porém, os apoios da União Europeia e a estabilização política (no caso do Alentejo ainda se colocou a questão da Reforma Agrária, de índole marxista) levaram a que os agricultores quisessem avançar com os seus próprios negócios.

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Rolhas da Adega Cooperativa da Vidigueira – Foto Cedida por Adega Cooperativa da Vidigueira | Todos os Direitos Reservados

Houve cooperativas que morreram, definharam, sobreviveram e tiveram sucesso. O mundo gira e hoje não há razão para se tomar por desajeitado o que se produz nas cooperativas. A Adega Cooperativa da Vidigueira conheceu dias complicados e agora reergue-se. Felizmente, há várias a recuperar.

A Vidigueira era famosa pelos seus brancos, onde brilhava a casta antão vaz… a tal que não gosto. Se a variedade faz sucesso no mercado e se cultiva em toda a região, por maioria de razão, ali tem de se dar muito bem.

Fazer bem feito e ter resultados dá para o orgulho. Acaba por ser curioso que quase toda a informação prestada pela Adega Cooperativa da Vidigueira seja de carácter economico-financeiro e muito centrada nos investimentos. Não há nada de errado, e traduz muito.

Um retrato frio: mais de 300 associados, 1.500 hectares de vinha, mais de 2,2 milhões de vinho tinto vendidos no ano passado e acima de 2,1 milhões de branco. Sete marcas de vinho, com diversas variedades,  e uma aguardente bagaceira. Por isso, centro-me num néctar icónico, para a empresa, associados e região.

Há quem diga que quando se juntam dois brasileiros se começa logo o samba. Há quem diga que quando se juntam dois alentejanos se começa logo a cantar. O cante (designação que só recentemente ouvi falar, conhecia como «canto» ou «cantar») é polifónico e originalmente participavam apenas homens. São canções dolentes, por vezes arrepiantes… As mulheres costumavam cantar nos trabalhos no campo, mas hoje há grupos corais que as aceitam.

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Homenagem ao Cante branco – Foto Cedida por Adega Cooperativa da Vidigueira | Todos os Direitos Reservados

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Homenagem ao Cante tinto – Foto Cedida por Adega Cooperativa da Vidigueira | Todos os Direitos Reservados

O cante tornou-se Património Imaterial da Humanidade em 2014. Daí nasceu a vontade de criar dois néctares comemorativos, branco e tinto da vindima passada. Não comento vinhos de homenagem, não tenho esse direito. Essas obras nasceram para o brinde, na alegria ou na tristeza. Digo só: bem alentejanos!

Contactos
Bairro Indústrial
7960-305 Vidigueira
Tel: (+351) 284 437 240
Fax: (+351) 284 437 249
E-mail: geral@adegavidigueira.pt
Website: www.adegavidigueira.com.pt

Areia Restaurant Bar, uma refeição fantástica à beira mar

Texto José Silva

Nasceu em Caminha esta minhota de gema que um dia resolveu dedicar-se à culinária, uma paixão que se foi apoderando dela e que hoje é a sua vida. A pesca é, a par da agricultura, uma das principais fontes de rendimento da região e foi um pouco á volta de tudo isto que Margarida Rego foi pesquisando, estudando, provando e tentando conhecer os produtos de excelência. E foi criando pratos, fazendo adaptações e mesmo algumas provocações, mas não dispensa a tradição das coisas boas da sua terra, e gosta de conhecer os seus fornecedores, alguns dos quais são mesmo seus amigos.

Foi com tudo isso que avançou para a exploração dum espaço que pouco mais era que um apoio de praia, o Areia Restaurant Bar, na beleza da praia do Carreço, um pouco a norte de Viana do Castelo.

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O Restaurante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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O Restaurante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Margarida mantém o apoio de praia, servindo snacks, mas adaptou o espaço – o interior e a esplanada – ao serviço duma cozinha muito sua, que vai evoluindo ao sabor daquilo que se arranja, sobretudo o que vem do mar: aqueles ouriços, as percebes de bico vermelho, as navalheiras da pedra, a excelência do sargo e quando ele é mais saboroso, o polvo, o peixe galo, o robalo, o camarão na sua época e uma verdadeira paixão pelas algas, mesmo ali daquele mar, que usa duma forma magistral. Mas também a carne, seja de porco, seja de vaca barrosão ou cachena, dependendo da oferta.

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A esplanada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois temos o espaço, moderno e arejado na sua simplicidade, mesmo em cima da areia, completamente invadido por aquela paisagem fantástica, com o mar todo poderoso ao fundo. O serviço é impecável, com profissionais à altura, que nos vão acompanhando com simpatia e eficiência ao longo da refeição, incluindo um competente serviço de vinhos.

Apesar dum pouco de vento, a escolha recaiu na esplanada, o que se veio a revelar acertado. Foram-se abrindo as garrafas que entretanto já refrescavam e que foram mantidas num frapé, enquanto se foram bebendo.

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Pão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Percebes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Vieram para a mesa vários tipos e pão e azeite com vários condimentos e, de rompante, apareceram as percebas (como se diz aqui no norte), absolutamente divinais!

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Navalheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Logo seguidas dumas navalheiras da pedra já abertas, cheias de ovas, a saber a mar.

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Camarões descascados e salteados – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Também sabiam a mar os camarões descascados e salteados, sobre uma cama de algas deliciosas, cujas antenas foram bem fritinhas e, crocantes, comeram-se todas.

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O prato com o conteúdo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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O prato regado com o caldo de navalheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Veio então a primeira provocação, uma sopa de navalheira, primeiro o prato com o conteúdo, logo de seguida regado com o caldo de navalheira, excelente.

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Polvo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O polvo estava tenríssimo, com batata a murro, couve salteada e uma espuma muito fofa de pimento vermelho, muito bom.

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Lombo de peixe galo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se a segunda provocação da Margarida, um lombo de peixe galo excelente, sobre uma cama de feijão verde e vários tipos de algas – simbolizando a terra e o mar, que se podem ver dum lado e do outro – e ainda um puré de aipo e alho.

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Ouriço do mar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para limpar o palato e passar para a carne, a surpresa dum ouriço do mar, fresquíssimo, com pedacinhos de morango.

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Carne Barrosã – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foi então a vez da carne, neste caso barrosã, cozinhada no ponto, muito saborosa, acompanhada por um delicioso risotto de cogumelos e uma salada verde onde se destacavam a rúcula e as beldroegas.

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Mousse de chocolate – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Fechou-se o repasto com uma soberba mousse de chocolate, polvilhada com pitadas de…flor de sal, e o efeito foi incrível.

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Os vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ao longo da refeição fomos passeando pelos brancos António Futuro, um verde moderno, jovem, apelativo, pelo Vale de Ambrães, ainda um verde, já adulto, bem estruturado, consistente, depois a elegância do Alvarinho da Quinta de Santiago, mineral, salino, muito fresco. O espumante Ortigão trouxe para a mesa uma Bairrada moderna, jovem e cheia de força, para passar para um alentejano como deve ser, complexo, muito elegante, bem casado com a madeira, o Esporão Reserva. Na recta final apareceu à cena um delicioso Quinta da Manoella, o Douro em toda a sua pujança, para terminar num Porto cheio de tradição, o Quinta Seara d´Ordens LBV de 2010, que ficou a pairar na boca por muito tempo.

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O mar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O mar, esse continuava ali mesmo à nossa frente…

Contactos
Areia Restaurante Bar
Praia de Carreço
4900-278 Carreço
Viana do Castelo – Portugal
Tel: (+351) 258 821 892
E-mail: geral@areia-restaurantebar.com
Website: www.areia-restaurantebar.com

Convento do Paraíso, a reconquista do Algarve

Texto João Pedro de Carvalho

O Algarve enquanto região produtora passou praticamente de inexistente para uma tímida e crescente vontade de se fazer ouvir. Os investimentos que têm sido feitos na última década têm sabido mostrar os seus frutos e hoje em dia o Algarve enquanto região produtora de vinho de qualidade é uma realidade. A região vive ainda órfã de uma identidade própria que consiga distinguir os vinhos ali produzidos das restantes regiões, algo que acontece por culpa própria e que depende dela própria para saber encontrar o melhor caminho. Têm esse dever os produtores que ali têm sabido fazer vingar com sucesso os seus projectos, como disto é exemplo o Convento do Paraíso (Silves).

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Vinhas Convento do Paraíso – Foto Cedida por Convento do Paraíso | Todos os Direitos Reservados

Tudo acontece na Quinta de Mata Mouros, propriedade do empresário Vasco Pereira Coutinho, localizada ao lado do rio Arade paredes meias com a cidade de Silves. O Convento de Nossa Senhora do Paraíso foi edificado no séc XII após conquista de Silves, de vinha são 12 hectares plantada de raiz no ano de 2000, onde despontam Cabernet Sauvignon e Sousão nas tintas e Alvarinho e Arinto nas brancas, sendo esta apenas a quarta vindima desta joint venture que começou em 2012 e que junta a família Pereira Coutinho com a família Soares (Herdade da Malhadinha Nova e Garrafeira Soares). Na adega juntam-se para o mesmo fim a vertente mais tradicional com os lagares e a faceta mais moderna com a tecnologia de ponta.

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Imprevisto 2014 – Foto Cedida por Convento do Paraíso | Todos os Direitos Reservados

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Euphoria tinto – Foto Cedida por Convento do Paraíso | Todos os Direitos Reservados

Poderiam optar por fazer vinhos previsíveis, felizmente não o fazem digo eu e serve isto de mote para o tinto Imprevisto 2014 num lote de Touriga Nacional/Aragonez. Desponta juventude com muita fruta carnuda e bem suculenta, muito vigor com balanço entre a doçura da fruta e a acidez, floral com toque aconchegante de alguma compota, bastante direto e apetecível desde o primeiro copo. Segue-se a gama Euphoria que nos invoca a sensação de bem-estar, satisfação e alegria, com versão rosado, branco e tinto. Três vinhos que seguem o mesmo diapasão, fruta bem limpa e madura com aromas muito presentes num conjunto a mostrar-se com energia e muito bem-disposto. O branco 2014 centrado no duo Alvarinho/Arinto brilha pela sua frescura, alguma calda tropical a envolver os citrinos de bom-tom, floral num todo convidativo e muito atraente. Enquanto o rosado 2014 com Touriga Nacional/Aragonez mostra os seus frutos vermelhos bem torneados envoltos num delicado perfume. Boa frescura no palato com passagem saborosa e ligeiramente seco no final de boa persistência. Por fim o tinto 2013 que teve ainda direito a 6 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Mostra-se num plano mais sério onde a fruta negra e vermelha muito centrada nas bagas e frutos silvestres se mistura com um toque vegetal muito presente. Ao conjunto juntam-se ainda notas terrosas e de alguma especiaria, em fundo a barrica aconchega todo o conjunto que ainda com sinais de juventude dá bastante prazer à mesa.

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Convento do Paraíso 2012 – Foto Cedida por Convento do Paraíso | Todos os Direitos Reservados

Finalmente o que se assume como topo de gama, o Convento do Paraíso 2012 que resulta do inusual lote de Cabernet Sauvignon e Sousão. Diferente, desafiante e ao mesmo tempo cativante quer a nível de aromas como de sabores. Da fruta muito sólida e fresca combina tons de vegetal maduro, alguma compota e especiaria com bonita envolvência da madeira.  Vinhos de um projecto recente que merecem ser conhecidos e cujo cunho de qualidade conferido pela equipa da Herdade da Malhadinha promete muitas alegrias no futuro próximo.