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Vinhos portugueses apoiam obra social no Brasil

Texto José Silva

Cada vez mais os vinhos portugueses reforçam a sua presença no mercado brasileiro, não só pelo excelente trabalho que muitos produtores, de várias dimensões, têm feito, com o apoio fundamental da Viniportugal, mas também pelo trabalho por vezes apaixonado de muitos profissionais brasileiros, com destaque para os escanções.

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Adriane Wiest – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Adriane Wiest é uma dessas profissionais, que se dedicou ao trabalho de vinhos, seja como escanção em restaurantes, seja a organizar eventos vínicos ou a dar formação. E que há muito se apaixonou pelos vinhos portugueses, de que tem um grande conhecimento, deslocando-se a Portugal sempre que pode, contactando produtores e participando em festivais e concursos, muitas vezes como júri. Adri fez a sua formação no Centro Europeu de Estudos em chef de cuisine e sommelier e criou a sua própria empresa, “Adri Wiest Wine Education Consulting”. Vive em Joinville, a maior cidade do estado de Santa Catarina, no sul do Brasil.

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Vinho Solidário – Degustação de Vinhos Portugueses com a sommelier Adriane Wiest – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Recentemente organizou um evento solidário a que chamou: “Vinho Solidário – Degustação de Vinhos Portugueses”, a favor dos doentes renais da associação Pró-Rim.

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Vinho Solidário – Degustação de Vinhos Portugueses com a sommelier Adriane Wiest – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

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Rosé Vidigal – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Numa sala com óptimas condições e com todos os apetrechos necessários, Adri conduziu cerca de 80 pessoas através dos aromas e sabores dos vinhos portugueses, num jantar muito agradável em que foi servida gastronomia típica de Santa Catarina e que fizeram óptimas harmonizações.

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Os vinhos – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Os vinhos portugueses foram oferecidos pelos produtores e seus importadores no Brasil, com o apoio da Viniportugal, a cargo da Sónia Vieira e do Nuno Vale. Para ajudar no evento, Adri convidou o seu colega escanção Eduardo Silva, do restaurante Ostradamus, de Florianópolis, que também conhece bem os nossos vinhos. O lucro obtido com a venda das entradas para o evento foi integralmente oferecido para a compra de cestas básicas para os pacientes renais em situação de carência social, através da associação Pró-Rim.

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Vinho Solidário – Degustação de Vinhos Portugueses com a sommelier Adriane Wiest – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Eram cerca de 70 os pacientes nesta situação. E para que os participantes no evento que estivessem interessados pudessem comprar os vinhos em prova, foi obtido o apoio da melhor garrafeira da cidade de Joinville, a Rubicon Wine & Emporium, que além de comprar os vinhos para serem vendidos no local do evento e na enoteca, também ofereceu o lucro de cada 2 garrafas vendidas, para a compra das cestas básicas para os pacientes renais. Mesmo nestas acçõs de solidariedade, Adri dá prioridade aos vinhos portugueses, que tão bem conhece.

Os vinhos apresentados foram os seguintes:

-Covela Avesso Edição Nacional; Casa de Mouraz Dão Branco; Quinta Nova Pomares Douro Branco; Ilógico, de António Saramago; Rosé, Vidigal Wines; Porta 6, Vidigal Wines; Quinta do Convento Syrah, Vidigal Wines; Moscatel Roxo de Setúbal, de José Maria da Fonseca;

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Adriane Wiest e os vinhos – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

Adri e o seu colega Eduardo conduziram a prova dos oito vinhos, explicando a sua origem, quem os produz, as suas características, como devem ser apreciados e a que temperaturas. E como ligavam bem com a rica cozinha Catarinense.

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O brinde – Foto Cedida por Adriane Wiest | Todos os Direitos Reservados

O evento teve enorme sucesso, os participantes brindaram efusivamente e compraram vinhos duma forma também solidária e pediram para a Adri organizar novo evento.

Parabéns à Adri Wiest e fazemos votos para que continue com este seu trabalho de qualidade e rigor.

Os vinhos portugueses agradecem e serão sempre solidários…

Quando (quase) não havia marcas de vinho em Portugal

Texto João Barbosa

Estou velho! É verdade! Por mais que diga que fulano é um chavalo, a verdade é que estou como o meu pai, que faleceu aos 90 anos, que se referia aos amigos como: «um rapaz da minha idade».

Esta afirmação de estar velho nem tem a ver com a idade, mas com um país que era outro. Não por ser adolescente, mas porque era outro. Em Portugal era raríssimo, até 1986, vestir roupa de marca… sapatilhas Adidas? Dizíamos: «Devem ser… Adidas da farmácia». Os discos desalinhados com o main stream vinham da Grã-Bretanha, por encomenda ou pedido a alguém que lá fosse. As estrelas da pop apareciam na Bravo, uma revista em alemão que quase ninguém sabia ler. Quem era a Nena?! Dois ou três anos depois soubemos, quando cá chegou o hit «ninety nine red ballons».

Ia-se a Espanha comprar sapatilhas, caramelos, torrão de Alicante. Lá, cheirava aos terríveis cigarros Ducados e o café era imbebível. Eles vinham cá na Páscoa, comer bacalhau, marisco ao Alentejo, mesmo que fosse de 150 quilómetros da costa do Atlântico, e comprar toalhas e colchas.

Nesse país a preto e branco, da década de 70, ou de cores esbatidas do decénio seguinte, o vinho não tinha marca. Em Lisboa ainda havia tabernas, com pipas imundas de sarros… vinho lá da «terrinha», «purinho do produtor»… Marcas? Uma ou duas; exceptuando as de Vinho do Porto e Vinho da Madeira.

Em 2014, havia 2.067 viticultores e 4.212 vitivinicultores. Portugal, como nos restantes países da União Europeia, urbanizou-se e o sector primário perdeu peso na economia. Há 30 anos haveria muitos mais produtores, mas muitíssimo menos vitivinicultores. As cooperativas tinham um peso importante no negócio.

Foi com duas ou três marcas que resolvi escrever este texto. Porém, reparei que essas «duas ou três» eram bastante mais. Ainda assim… O número acaba por ser irrelevante. O negócio e consumo de vinho de há 30 anos, ou 25 ou até 20 anos, para cá mudou muito. Fico-me com os resistentes e com os renascidos. Pensava que caberiam nas minhas duas mãos… precisei de mais três pessoas, se calhar ainda falho o algarismo certo.

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Publicidade do Periquita em autocarro – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

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Publicidade Vintage Periquita – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

O Alentejo era conhecido pelas searas de trigo e pelas florestas de sobreiros e azinheiras. No Douro fazia-se Vinho do Porto, ponto! Dão e Bairrada tinham um peso considerável. Porém, Portugal tem marcas antigas, que em alguns casos se podem comparar às reputadas de França.

O caso mais óbvio é o do Periquita, produzido na região da Península de Setúbal. A receita tem vindo a mudar, mas basicamente era feito com uvas da casta castelão – sucesso tão grande que se alastrou a toda a volta, tornando a marca em sinónimo de variedade de fruta. Hoje, é marca registada, após batalha legal vencida pela firma José Maria da Fonseca.

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Publicidade Periquita em 2000 para o 150º aniversário – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

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Publicidade Periquita em 2000 para o 150º aniversário – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

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Publicidade Periquita em 2000 para o 150º aniversário – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Quando se diz Periquita está a falar-se de 1880, embora se saiba que tenha sido transacionada uma garrafa da década anterior e indicações de 1850. Em 1886 ganhou um prémio internacional.

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Periquita 1880 – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

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Garrafa antiga de Periquita – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Lilliput! Milhares, milhões de portugueses a fazerem o seu vinho. Poucas marcas. Duas casas se destacaram a de João Camillo Alves e de Abel Pereira da Fonseca. Colossos, à época. A diferença era tal que surgiu uma anedota, de gosto duvidoso: «No seu leito de morte, o senhor Fonseca terá dito aos seus descendentes que até de uvas se fazia vinho».

É piada (parva), porque Abel Pereira da Fonseca era homem honrado e já fora dos grandes negócios, como a firma José Maria da Fonseca, além de séria, só o fundador teve esse apelido. Seja como for, a anedota traduz a realidade.

Uma realidade que fica para a próxima crónica.

Contactos
Quinta da Bassaqueira – Estrada Nacional 10,
2925-542 Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, Portugal
Tel: (+351) 212 197 500
Email: info@jmf.pt
Website: www.jmf.pt

Uma aliança entre o vinho e a arte, no coração da Bairrada

Texto José Silva

Já há uns anos pertencente ao grupo Bacalhôa, a Aliança tem sabido manter e mesmo refinar uma entidade muito própria e, apesar de produzir vinhos noutras regiões vinícolas, é com a Bairrada que se identifica profundamente e é ali que continua sediada.

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Aliança Vinhos de Portugal – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Se são os seus espumantes que lhe dão prestígio e reconhecimento no mercado, os seus vinhos bairradinos têm vindo a crescer paulatinamente, afirmando-se hoje como vinhos de excelência numa região que se libertou de algumas amarras e viaja hoje à vontade, a toda a bolina, sempre rumo à qualidade. As suas aguardentes lá continuam em repouso nas profundezas das caves, sem pressas, mantendo a extraordinária qualidade a que nos habituaram.

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Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

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Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Em recente visita, fizemos um agradável passeio pelas caves e o seu revolucionário museu a que chamaram “Aliança Underground Museum”, onde estão alojadas centenas de peças fantásticas da vastíssima colecção do proprietário da empresa, que vale bem a pena conhecer. Essa viagem cultural é partilhada por muitos dos vinhos que ali se produzem e estão guardados nas caves.

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Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

E onde, obviamente, os espumantes são reis incontestados, até pela quantidade de garrafas em estágio. São corredores escuros e baixos, cheios de bolores que atestam a humidade constante que, aliada às temperaturas baixas com pouquíssima amplitude térmica, proporcionam condições ideais para o desenvolvimento destes vinhos com gás natural.

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Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

As aguardentes ocupam a parte mais profunda das caves, com uma quantidade incrível de cascos de madeira muito velhos, que as acariciam naquele ambiente surreal.

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Francisco Antunes – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

E foram vinhos e espumantes da casa que provamos, numa interessantíssima prova dirigida pelo Francisco Antunes, ditector de enologia da casa, grande conhecedor da região, muitos anos a produzir vinhos tranquilos e espumantes, viciado na caça e duma boa disposição contagiante.

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Aliança Branco Reserva 2014 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

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Aliança Tinto Reserva 2012 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Começamos pelo Aliança Branco Reserva 2014, feito com Maria-Gomes, Bical e Arinto. Um vinho de combate. Amarelo citrino, cristalino, muita fruta branca no nariz, algo floral, muito elegante. Na boca é seco, muito fresco, citrino com volume médio, um vinho moderno. A €2,15 a garrafa é um excelente opção. Passamos ao Aliança Tinto Reserva 2012, feito com Baga, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Muita fruta, muita frescura e juventude. Na boca é intenso, persistente, mantém bastantes notas de fruta madura, taninos já domados mas bem presentes, um vinho a pedir comida.

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Aliança Tinto Baga 2009 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

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Aliança Rosé Baga-Bairrada Bruto – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

O Aliança Tinto Baga 2009 revelou toda a excelência aromática da casta Baga. Intenso, muita fruta, notas de compota. Redondo, bom volume de boca, frutos vermelhos muito maduros, taninos poderosos, bem vincados, excelente acidez e final longo. Belo vinho que já se bebe muito bem, mas que vai envelhecer muito bem por muitos anos. Passamos então aos vinhos com bolhinhas, começando pelo Aliança Rosé Baga-Bairrada Bruto, uma novidade no mercado. Duma cor salmão muito suave, com bolha muito fina, apresentou-se muito elegante no nariz, ligeiramente floral, com notas de frutos vermelhos. Na boca é seco, com óptima acidez, bela estrutura e muita elegância, um espumante moderno.

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Aliança Baga-Bairrada Bruto 2013 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

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Aliança Bruto Vintage 2010 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se o Aliança Baga-Bairrada Bruto 2013, citrino, cristalino com bolha fina muito elegante. No nariz tem notas de maçã verde, alguns frutos secos, tosta. Na boca impressiona pela frescura e acidez vibrante, seco, intenso, notas ligeiramente tostadas e final longo e saboroso. Um óptimo bairradino. Terminamos a prova com um clássico, o Aliança Bruto Vintage 2010. Amarelo ligeiramente torrado, bolha finíssima e cordão persistente. Nariz exótico, com notas de frutos secos, nozes, tosta, noz moscada. Na boca é poderoso, seco, muita complexidade, acidez intensa, volumoso, cheio, cremoso, com final imenso, um espumante de excelência.

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Petingas e carapauzinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Bolinhos de bacalhau e rissóis de leitão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Passamos então à mesa, onde provamos alguns destes vinhos, para fazer companhia a um conjunto de petiscos – petingas e carapauzinhos, bolinhos de bacalhau e rissóis de leitão.

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Galo assado no forno com arroz de ervilhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Queijo, marmelada e pão-de-ló – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois foi um galo assado no forno com arroz de ervilhas, para terminar queijo, marmelada e pão-de-ló. Os vinhos da Aliança continuavam a escorrer pelos copos.

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Vinhos da Aliança – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

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Até à próxima – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

Já cá fora, foi a despedida, até à próxima…

Contactos
Aliança – Vinhos de Portugal SA
Rua do Comércio, 444
Apartado 6
3781-908 Sangalhos
Portugal
Tel: (+351) 234 732 000
Fax: (+351) 234 732 005
E-mail: alianca@alianca.pt
Website: www.alianca.pt

Um fim-de-semana de vindimas no Douro…

Texto José Silva

As vindimas começaram em força no Douro, um pouco por todo o lado, com o tempo a ajudar. E foi em ambiente de vindimas que passamos um fim-de-semana com a Real Companhia Velha, confortavelmente hospedados no Palácio de Cidrô.

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Palácio de Cidrô – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A usufruir toda aquela beleza arquitectónica, aqueles jardins belíssimos e o silêncio das noites frescas de céu limpo.

À chegada esperava-nos um jantar volante extremamente agradável, a fazer companhia aos primeiros vinhos desta casa com tanta tradição. Bacalhau desfiado, pataniscas, omeleta baixinha de legumes, arroz de legumes, bolo húmido da casa e fruta variada.

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Vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E provaram-se, para além do espumante de Chardonnay e Pinot Noir que está muitíssimo bom, os brancos tradicionais de CidrôSauvignon-Blanc e Semillion – e os tintos Cabernet Sauvignon com Touriga Nacional e Pinot noir. Mas ainda havia a surpresa dum Quinta do Cidrô Cabernet-Sauvignon…de 1996, ainda cheio de vida. Fechou-se com vinho do Porto, pois claro, um Colheita de 1980, e que bem que escorregou.

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Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No dia seguinte, depois dum pequeno almoço delicioso, foi um pulo até à Quinta das Carvalhas, com toda aquela beleza do Douro por companhia.

Ali esperava-nos uma vinha de Sousão, onde já trabalhava a roga de vindimadores, a que nos juntamos na tarefa dura de arrancar cachos de uvas.

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Vinhas de Sousão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Balde, luvas e tesoura – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

À entrada já nos tinham equipado com balde, luvas e tesoura.

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Pedro Silva Reis – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Acabadas as uvas, lá continuamos a subir, com uma paragem aqui e ali, onde o Pedro Silva Reis nos foi dando informações sobre a constante evolução da empresa.

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A beleza do Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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A beleza do Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A beleza do Douro era cada vez mais arrebatadora.

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Casa Redonda – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Chegados lá acima à Casa Redonda, com aquele espectáculo fantástico do Douro a 360º, as máquinas fotográficas não conseguiam parar de disparar, era a “ditadura” da paisagem! Como diria Miguel Torga: “É um excesso de natureza!”

Esperavam-nos alguns petiscos e uma poderosa feijoada à transmontana, uma das refeições mais típicas das vindimas.

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Petiscos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Quinta das Carvalhas Tinta Francisca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E, claro, os vinhos das Carvalhas, com nova roupagem, brancos cheios de frescura e excelente acidez e tintos encorpados, jovens, com fruta bem madura, entre os quais um surpreendente Tinta Francisca, muito elegante, cheio, requintado. Os vinhos estão mesmo muito bons, modernos e bem apresentados. Juntou-se a nós o Álvaro, que nos deliciou com muitas histórias e informações da sua grande paixão, a viticultura. Mas era tempo de nos dirigirmos à Quinta da Granja, em Alijó, onde funciona a enorme adega, por esta altura em pleno trabalho de vindimas.

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A seleccionar as uvas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Jorge Moreira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ali escolhemos uvas no tabuleiro de escolha, ouvindo explicações do Jorge Moreira, o enólogo principal, que até nos deu algumas amostras de cuba a provar.

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Pisa da uva – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalmente, para os mais corajosos, pisaram-se uvas, de tinto e vinho do Porto, nos lagares de granito. Era a festa de celebração das vindimas. Ainda se petiscou uma bola de carne e uns copos de vinho antes de regressarmos a Cidrô, cansados mas satisfeitos.

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Evel XXI & Quinta de Cidrô Sauvignon-Blanc – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Refrescados e aperaltados, juntamo-nos no salão do primeiro piso do palácio para partilhar uns petiscos e alguns vinhos, entre os quais o Evel XXI, que está muito bom, cheio de vida, a dar requinte à marca, e novamente o Sauvignon-Blanc de Cidrô, absolutamente delicioso. Ao comando, mais uma vez, o bom gosto e a simpatia do Pedro Silva Reis.

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Alheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Lombo assado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Sentados à mesa, apreciamos uma alheira tostadinha com ovo estrelado e grelos, seguindo-se um lombo assado no forno com batatinhas assadas.

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Quinta das Carvalhas 1997 Vintage Port – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Música do Álvaro, ao vivo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Terminamos em beleza com um Vintage de 1997 que nos acariciou o espírito.

Em fundo, a alegria da música do Álvaro, ao vivo, embalava-nos e fazia-nos sorrir…

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“Até à próxima” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

De manhã, depois do pequeno almoço – aqueles ovos mexidos com tomate estavam incríveis!! – era a despedida e o regresso a casa.

Ou melhor era o “Até à próxima”!

Contactos
Real Companhia Velha
Rua Azevedo Magalhães 314
4430-022 Vila Nova de Gaia
Tel: (+351) 22 377 51 00
Fax: (+351) 22 377 51 90
E-mail: graca@realcompanhiavelha.pt
Website: realcompanhiavelha.pt

Quando a Blend conheceu a Sip & Savour e o Fogo encontrou a Água

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Blend é um nome brilhante para uma revista de vinhos portuguesa. Porquê? Porque os portugueses são exímios em blending – seja com diferentes castas ou diferentes colheitas. Ter mais de 250 castas nativas também ajuda. Estes artistas vínicos têm à sua disposição uma rica palete de aromas, sabores e texturas.

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O Menu do Evento – Foto de Sip & Savour | Todos os Direitos Reservados

O terroir é, obviamente, outra variável. Um tópico que gostei de analisar em minúcia na prova de vinhos da Sip & Savour, no início deste mês, focada nas regiões Douro e Vinho Verde. Quando pensamos no típico Vinho Verde – fresco, branco, leve e de baixo teor alcoólico – é incrível pensar que a região vizinha, o Douro, produz um dos mais famosos vinhos fortificados do mundo – Portos ricos, tintos e robustos. Como pegar fogo à água do Vinho Verde.

Diverti-me ao contrastar seis exemplares de referência destas regiões nortenhas. Como seria de esperar, os Vinho Verde eram brancos e o duo do Douro tintos (ou assim esperava) – até aqui nenhuma surpresa. Mas também joguei um bocadinho com as percepções, uma vez que não destaquei apenas a frescura, mas também a intensidade dos Verdes de topo e a elegância dos tintos do Douro, ainda que estes últimos fossem originários do Douro Superior, teoricamente a mais quente e seca sub-região. As surpresas continuaram com o vinho escolhido para a sobremesa, um Moscatel do Douro, que provou que o Douro também pode fazer fortificados elegantes.

Voltando à minha analogia fogo e água, a água é uma excelente pista para a grande diferença entre estas duas regiões vizinhas. Situada ao longo do Atlântico e recortada por rios que transportam esta influência até ao interior, a região Vinho Verde é mais húmida e fresca do que a do Douro, rodeada por terra. Saindo do Porto é necessário viajar 100km para se alcançar a região do Douro, que se estende por outros 100km para o interior, em serpenteado, rio Douro acima, até à fronteira com Espanha.

Enquanto que a região vitivinícola Vinho Verde tem um clima maritimamente influenciado (especialmente as partes mais junto à costa), o Douro está abrigado, pela cadeia montanhosa do Marão, do impacto das condições climatéricas do Atlântico. O Marão está situado entre as duas regiões e eleva-se até aos 1415m de altitude (acima do nível médio das águas do mar). A pura verticalidade e massa que apresenta têm um efeito arco-sombra e ajudam o Douro a manter as tempestades atlânticas afastadas.

O facto de o Douro estar localizado no interior também resulta num clima continental, caracterizado por temperaturas extremas. Como um enólogo vivamente apontou, o Douro tem “nove meses de inverno e três meses de inferno”. De volta ao fogo, mas não ao inferno, fogo e perdição! As temperaturas durante o Outono podem chegar acima dos 40ºC (o que é perfeito para vinificação de Porto e tintos), mas as boas notícias são que essas temperaturas não ocorrem por estação mas sim numa constante diária. Durante o Outono, mesmo estando 40ºC durante o dia, a temperatura desce drasticamente à noite.

Além disso, a elevação também tem um papel. Relembro que subimos o Marão até ao Douro – alguns dizem que subimos ao céu e não ao inferno! E, sendo o Douro, ele próprio, montanhoso, as uvas são cultivadas a altitudes, entre 100m-900m, e em todas as direcções – Norte, Sul, Este e Oeste. Uma vez que as temperaturas podem descer até 1ºC por cada 100m que se suba, e, além do facto de que a forma influencia a exposição ao sol e vento, que por sua vez causam impacto no processo de amadurecimento, o Douro pode produzir brancos e tintos elegantes tanto como tintos e Portos robustos. Foi elegância que procurei para esta prova Sip & Savour em pleno Verão.

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Sixtyone Restaurant – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Naturalmente, a escritora gastronómica da Sip & Savour, Amber Dalton, surgiu com uma excelente sugestão, o Sixtyone Restaurant. O Chefe Arnaud Stevens tempera sabores arrojados com o seu toque elegante. Disse-nos que na preparação do menu desta prova estava bem informado para harmonizar com a acidez – frescura – dos vinhos portugueses.

O que me traz ao nosso primeiro exemplar, o aperitivo, refrescante e intensamente mineral Quinta do Ameal Loureiro 2013. Escolhi deliberadamente um Vinho Verde monovarietal e sub-regional para descartar de imediato os estereótipos de que os Vinhos Verdes são demasiados diluídos e acídicos. Localizada em Nogueira, o coração da sub-região Lima, local onde a casta Loureiro prospera, a Quinta do Ameal há muito que produz exemplares de referência.

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Quinta do Ameal – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

O segredo para o sucesso da Quinta do Ameal? Aparte de estar localizada no sítio certo (em Lima, nas encostas viradas a sul), a sua incessante ambição também ajuda. Pedro Araújo, o proprietário, é descendente de Adriano Ramos Pinto, famoso no mundo do vinho do Porto, e trouxe para a Quinta do Ameal o toque mágico do seu bisavô. Por isso, no que toca a matéria prima, Pedro reduziu o rendimento das colheitas de modo a garantir que as suas uvas orgânicas sejam saudáveis e concentradas em aroma e sabor. Para a adega contratou nada mais nada menos que Anselmo Mendes, o guru do Vinho Verde, para garantir a preservação dos aromas e sabores a limão e aipo salgado, bem como da mineralidade fresca, das suas uvas no copo. Bem recebido, foi o tónico perfeito num dia tão quente e húmido em Londres.

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Carpaccio de Polvo – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Para a harmonização com Vinho Verde que apreciamos com um fenomenal carpaccio de polvo, pimentão vermelho, azedinha e sésamo, procurei por ainda mais intensidade e concentração. Assim sendo, fazia sentido apresentar a mais seca e quente sub-região do Vinho Verde, Monção e Melgaço, o epicentro da emblemática casta Alvarinho. E ainda por cima dois dos seus expoentes máximos, Quinta do Soalheiro e Anselmo Mendes.

Apesar de ser expectável que seja um lugar mais fresco do que Lima a sul, a sua localização no interior, onde as terras começam a subir e a topografia ajuda a proteger as vinhas das influências Atlânticas, conferem-lhe um clima mais continental, o que ajuda a explicar o porquê de as uvas atingirem um nível tão bom de maturidade (dias mais quentes) e manterem, no entanto, tão boa acidez (as noites são significativamente mais frias). Dá lugar aos vinhos da região com mais fruta, porém frescos, e com mais longevidade; o meu público ficou impressionado com relativa delicadeza e mineralidade do Loureiro em comparação aos dois Alvarinhos.

Quanto à harmonização que mais gostaram – nos eventos da Sip & Savour perguntamos sempre que vinho é que as pessoas mais gostaram sozinho e qual é que gostaram mais com a comida – neste caso a resposta foi a mesma. O Quinta do Soalheiro Primeiras Vinhas Alvarinho 2013 bateu o Anselmo Mendes Contacto Alvarinho 2014 em ambas as situações. Feito com uvas das vinhas mais velhas da propriedade de cultivo orgânico da família Cerdeira (plantadas em 1974, foram as primeiras de Melgaço) e com uma componente de fermentação em barril (15%), o Quinta do Soalheiro Primeiras Vinhas Alvarinho 2013 mostrou uma maior complexidade. As suas subtis nuances salgadas combinaram excelentemente com o vinagre Sherry, o óleo de sésamo e pinhões presentes no polvo marinado. Mas a diferença foi muito pouca. Também adorei o perfume de madressilva e a abundância de pêssego e damasco do mais arrojado Contacto, proveniente de vinhas mais baixas, perto do rio Minho, em Monção (Curiosamente, o nome deste vinho é derivado do facto de as suas uvas, depois de esmagadas, se manterem em contacto com as peles durante um curto período de tempo antes da fermentação. Porquê? Porque as peles contêm a maior parte dos compostos dos aromas e dos sabores, e também podem conferir um toque de textura extra ao vinho).

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Galinha d’Angola assada – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Para o prato principal, que foi Galinha-d’angola assada com sementes de cacau, tomates, ervilhas, azeitonas pretas e lima, escolhi dois tintos do Douro, o Casa Ferreirinha Vinha Grande Tinto e o Conceito Contraste Vinho Tinto. Ambos da elegante colheita 2012 e feitos por enólogos que colocam grande ênfase na frescura e no equilíbrio.

Na Casa Ferreirinha (que produz o icónico tinto do Douro, Barca Velha), Luís Sottomayor segue uma tradição de selecção de uvas de diferentes altitudes para obter um equilíbrio mais elegante. O facto de a Sogrape (proprietária da Casa Ferreirinha) ter duas propriedades no Douro Superior  – a Quinta da Leda a 150-400m de altitude e a Quinta do Sairrão que chega até aos 600m de altitude – também ajuda. Quanto a Rita Ferreira Marques, alega que a frescura dos seus vinhos Conceito é derivada do vale da Teja, o local mais frio do vale do Douro. Não só pela elevação (as suas vinhas estão situadas a 300-450m de altitude), mas também pela distância que o vale da Teja apresenta em relação ao rio Douro. Uma qualidade (frescura) que pude demonstrar com mais ênfase do que estava à espera quando recebi a informação de que o seu importador tinha enviado o Contraste branco em vez do tinto!

A inesperada harmonização do prato principal com um vinho branco e um tinto trouxe-me à memória as sábias palavras de João Pires sobre guiar-se pela cor do prato. Não é por acaso que é um Master Sommelier! Como muitos vinhos brancos portugueses, o Conceito Contraste Branco não é demasiado frutado e, com as suas notas vegetais, proporcionou uma harmonia com as notas de tomilho, alecrim e tomate, bem como com a proteína; a sua acidez também cortou com o molho cremoso. A maior parte preferiu-o com a Galinha-d’angola. Por outro lado, devido à sua excelente fruta primária, os votos foram para o Casa Ferreirinha Vinha Grande Tinto quando bebido sozinho. A fruta era um pouco intensa para os sabores delicados e texturas cremosas do prato.

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A sobremesa – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Só de olhar para esta sobremesa já dá para ganhar peso! Basta dizer que seria difícil encontrar um vinho que se conseguisse sobrepor a esta torta de chocolate e caramelo salgado com marshmallow de caramelo e gelado de caramelo salgado. O desafio era encontrar um vinho que lhe conseguisse fazer frente e, portanto, um fortificado fazia todo o sentido. Mas para a sobremesa e o vinho de sobremesa serem pronunciados como uma harmonização perfeita (como foram), o vinho tinha de ter suficiente frescura para cortar a riqueza do prato e limpar o palato depois de cada (divinal) colherada. Eis o Moscatel do Douro, o vinho fortificado menos conhecido do Douro, já para não dizer o Moscatel fortificado menos conhecido de Portugal (o Moscatel de Setúbal é o mais conhecido).

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Quinta do Portal – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Os Moscatéis do Douro são feitos com Moscatel Galego, a.k.a. Muscat à Petits Grains, uma variação diferente e mais delicada da Moscatel de Setúbal. O vinho escolhido, Quinta do Portal Moscatel do Douro Reserva 2004, é proveniente de vinhas muito altas (600m), frias e que preservam a acidez, da família Mansilha Branco, em Favaios, no topo norte do vale do Pinhão. Não só teve a frescura necessária para conferir equilíbrio ao conjunto (especialmente quando servido frio) mas, tendo sido envelhecido por vários anos em madeira (nenhuma nova), também teve a profundidade de sabor e complexidade para casar com a tarte de chocolate e todos os seus intrínsecos e texturais acompanhamentos. Tão bom que o restaurante mergulhou num silêncio reverencial durante vários minutos! Um final perfeito.

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Há Qualquer Coisa em Aveiro

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Já perdi a conta a quantas vezes visitei Portugal. Mas, uma vez que a maior parte das minhas viagens são direccionadas ao mundo do vinho tenho uma visão muito diferente do país. Acho que apenas fui uma vez à praia em Portugal, o que é um pouco estranho, especialmente para alguém que vem do frio do norte da Europa. As pessoas falavam-me das fabulosas praias de Portugal e eu apenas podia imaginar. Até ter visitado Aveiro.

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Palmeiras e Casas Bonitas – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Estava de visita à Bairrada, uma região vitivinícola famosa pela casta Baga e pelos seus spas termais. Foquei-me principalmente na primeira. Depois de me empanturrar com um delicioso leitão e de visitar um par de adegas, a enóloga local, Filipa Pato (veja aqui o artigo de Sarah Ahmed sobre Filipa Pato), sugeriu que eu visitasse Aveiro. Nunca tinha ouvido falar desta cidade mas fiquei curioso. Então saímos da Bairrada e fomos em direcção à praia.

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Uma Praia Perto de Aveiro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Aveiro é conhecida por algumas coisas em particular. As praias estão definitavamente na lista de coisas a conhecer para quem visita este lugar. Aveiro é apelidada de “Veneza de Portugal” por causa dos seus canais e barcos tipo gôndola. Mas digo-vos já, não é Veneza e não são gôndolas. Para começar, os barcos, ou moliceiros, são muito coloridos e muito bonitos. Mas quando olhamos mais de perto e com mais atenção vemos que a decoração é hummm… digamos que bastante particular.

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Moliceiros – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Localizada à beira mar, o peixe e o marisco são espectaculares aqui. A abundância de peixe, caranguejo e todo o tipo de petiscos do mar é incrível. Nunca sei o que pedir e por isso peço sempre um pouco de tudo. Arroz de marisco, camarões, talvez algumas ameijoas e o peixe do dia, seja ele qual for. Não esqueçamos o vinho. Uma vez que estávamos em Aveiro a Bairrada seria uma boa escolha para começar, geograficamente falando.

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I <3 Aveiro – – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Bebi um Quinta das Bageiras Bruto natural Rosé 2011. Um vinho espumante fresco e apetitoso de um dos melhores produtores de vinho da Bairrada. 100% Baga, 100% espectacular. Uma inexplicável boa harmonização com todo o tipo de peixe e marisco. Claro que, estando em Aveiro, para sobremesa se tem que experimentar os Ovos Moles. Um doce local que é feito de gemas de ovos e açúcar. Se gostas de coisas muito doces,então esta é a sobremesa certa para ti.

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Almoço – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

As praias magníficas e a proximidade a algumas das mais entusiasmantes regiões vitivinícolas do mundo, fazem desta cidade um excelente destino para surfistas e apreciadores de comida. Se quiseres apanhar uma onda ou passar um fim de tarde a beber vinhos deliciosos e a comer marisco de classe mundial, então Aveiro é o lugar para ti.

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Pôr do Sol em Aveiro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Vinho Verde Wine Fest…não há outra festa assim!

Texto José Silva

Foi a segunda edição dum festival que veio literalmente para ficar. Relativamente ao primeiro, que se realizou em 2014, foram feitas algumas rectificações e o festival mudou para a ala nascente exterior da Alfandega do Porto, disponibilizando o dobro do espaço e um parque de estacionamento para os expositores. E com uma melhor dispersão das áreas de restauração, cujo número também aumentou, beneficiando duma praça central, com muitas mesas e cadeiras.

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Rio Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com o rio Douro sempre ali bem presente, a marcar uma paisagem única onde até o tempo ajudou, mesmo à noite, com temperaturas muito amenas, a prolongar o prazer da conversa com um copo de vinho verde na mão.

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30 Produtores – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Mais de 200 vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foram quatro dias muito intensos, em que os 30 produtores presentes deram a provar mais de 200 vinhos e onde, no balcão dos cocktails, se preparavam propostas muito interessantes, como por exemplo um cocktail com verde tinto de vinhão, que se revelou sensacional.

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4 dias intensos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Cocktail Bar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O que por vezes fazia com que a fila fosse enorme!! Para completar tudo isto os cinco restaurantes e as quatro tasquinhas presentes, chegaram para todas as solicitações, desde o sushi às sandes de leitão, passando por petiscos tradicionais, comida de autor, pregos, hamburgueres e bifanas, presunto e até pão de ló. Entretanto e logo a seguir à abertura das portas, começavam as provas comentadas, divididas por duas salas, sempre esgotadas, tal o interesse dum público cada vez mais informado, até porque tem ali oportunidade de provar algumas novidades, apresentadas e comentadas pelos próprios enólogos, permitindo um diálogo directo com quem faz os vinhos e tem sempre muito a partilhar.

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Luís Lopes – – Foto Cedida por Vinho Verde | Todos os Direitos Reservados

Também houve provas comentadas por jornalistas do sector, e desta vez tivemos a presença de dois prestigiados jornalistas da Revista de Vinhos: Nuno Garcia e o próprio director desta revista, Luís Lopes. Do outro lado do recinto estava a sala dedicada em exclusivo aos showcookings. E foram 20 showcookings durante os quatro dias! Eu tive o privilégio de os acompanhar a todos, propondo para cada um dois vinhos que pudessem harmonizar com aquilo que os chefes iam propondo.

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Emília Jackson – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Também aqui houve uma novidade, a presença, logo no primeiro dia, de Emilia Jackson, a já célebre chefe que ficou em terceiro lugar no Masterchef australiano, uma simpática australiana a viver em Londres, que teve a ajudá-la uma não menos simpática Joana, também terceira classificada, mas no Masterchef português.

Claro que o público aderiu em massa, colocando alguns problemas à organização para explicar que não havia mais lugares.

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Ambiente de Festa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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RFM – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A dar um excelente ambiente a isto tudo, música muito bem escolhida, que à noite subia de tom e punha os corpos a mexer, num verdadeiro ambiente de festa, pois era mesmo disso que se tratava, da festa do vinho verde.

A RFM, sempre presente, ia fazendo entrevistas e dando informações, muitas delas em directo, fazendo também com que muito mais gente rumasse ao festival.

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Pessoas de todas as idades – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Por ali passaram pessoas de muitas idades, mas foi muito interessante ver gente jovem a apreciar os muitos vinhos verdes, comer um petisco e acima de tudo divertir-se e dar um toque salutar de juventude ao evento.

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Uma equipa vasta e jovem – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Jovem era também a vasta equipa de produção do evento, da empresa Offe, incansáveis e a colocar no terreno toda uma experiência e sabedoria que faz toda a diferença. No sábado, o dia mais longo do festival, passava já das 3:30 da madrugada quando os últimos visitantes abandonaram o recinto…

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O parque de estacionamento foi “invadido” por 120 automóveis antigos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No último dia, domingo, o parque de estacionamento foi “invadido” por 120 automóveis antigos, num ambiente de grande beleza, que também atraiu muita gente. As portas fecharam à 20:00, mas eram já quase 22:00 quando a festa acabou mesmo!!

Está de parabéns a Comissão dos Vinhos Verdes, o seu presidente e toda a sua equipa de profissionais, sempre presentes, acompanhando a par e passo o evento.

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Com a garantia amplamente divulgada de que para o ano há mais – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com a garantia amplamente divulgada de que para o ano há mais.

O Vinho Verde Wine Fest 2015 foi mesmo isso, uma grande festa do vinho verde…

Blend associa-se a Evento com Vinhos Portugueses em Londres

Texto Bruno Mendes

A Blend – All About Wine tem como objectivo primordial e princípio orientador, contribuir para a promoção e divulgação dos vinhos portugueses em todo o mundo.

Foi com esse intuito que se associou à Sip & Savour para, em parceria, levarem a cabo um evento que terá lugar na próxima segunda-feira, 3 Agosto, em Londres.

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A Sip & Savour “realiza eventos de harmonizações enogastronómicas, nos melhores restaurantes de Londres e do Reino Unido, apresentados por jornalistas de vinhos e produtores premiados”.

Sarah Ahmed – The Wine Detective -, uma reconhecida especialista em vinhos portugueses (Presidente do painel de Portugal no Decanter World Wine Awards), vai apresentar, em nome da Blend, seis vinhos por si escolhidos e provenientes de seis dos melhores produtores portugueses das DOC Vinho Verde e Douro, a saber: Quinta do Ameal, Quinta de Soalheiro, Anselmo Mendes, Conceito Vinhos, Sogrape e Quinta do Portal.

Os vinhos escolhidos foram:

Quinta do Ameal Loureiro 2013Alvarinho Contacto 2014Alvarinho Primeiras Vinhas 2013Contraste Tinto 2012Vinha Grande Tinto 2012Quinta do Portal Moscatel do Douro Reserva 2004;

Blend-All-About-Wine-Blend-Teams-Up-London-Quinta-do-Ameal-Loureiro-2 Vinhos Portugueses

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O espaço escolhido para a realização deste evento foi o Sixtyone Restaurant, um restaurante no sul de Maylebone, Londres, que em Setembro de 2014 recebeu três rosetas AA e é dirigido pelo Chefe anglo-francês Arnaud Stevens.

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Sixtyone Restaurant in sixtyonerestaurant.co.uk

Para este almoço Stevens criou um menu especialmente concebido para complementar os vinhos escolhidos por Sarah Ahmed.

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Chef Arnaud Stevens in sixtyonerestaurant.co.uk

Para uma visão mais detalhada e completa não perca o próximo artigo de Sarah Ahmed, aqui, na Blend – The Online Wine Magazine, a 13 de Agosto, que abordará o evento na integra.

Destaques: Verão em Portugal

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Este ano, eu e a minha família decidimos passar as férias de Verão em Portugal. Normalmente é um período que prefiro passar na Finlândia, mas o tempo varia muito e tanto podemos ter sorte como azar. Então fizemos as malas e apanhamos o literalmente o primeiro voo a sair do Aeroporto de Helsínquia, que por acaso é único voo directo para Portugal.

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Voo matinal para Lisboa – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O nosso voo de Lisboa para o Porto foi cancelado, como de costume, e de repente tínhamos 6 horas para matar. Quanto a vocês não sei, mas eu nunca na vida iria passar 6 horas no aeroporto sozinho quanto mais com um miúdo de 3 anos. Em vez disso apanhamos um táxi e fomos até ao Oceanário de Lisboa. Pesquisei no Google Maps, vi que não era muito longe do aeroporto e pensei que seria algo que o meu filho iria gostar. BINGO! Chegamos de manhã, mesmo quando estava a abrir, evitando filas de espera. O meu filho estava tão entusiasmado quanto eu. Em Helsínquia não temos um oceanário em condições, por isso foi uma bela experiência.

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Oceanário de Lisboa – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quando finalmente chegamos ao Porto fizemos uma visita rápida à adega da Ramos Pinto. Nunca tinha visitado a adega deles em Vila Nova de Gaia, e como tal estava na minha lista. São uma casa com uma história interessante, especialmente no que toca a marca/marketing. Além disso os vinhos deles também são espectaculares.

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Adega da Ramos Pinto em Vila Nova de Gaia – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

E depois comida. E logo um prato must try no Porto, “Amêijoas à Bulhão Pato”. Fantásticas amêijoas em molho de alho e azeite. Apetece passar o dia a molhar o pão naquele molho. Junte um copo de Vinho Verde na mão e asseguro-lhe meu amigo, será uma pessoa feliz.

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Amêijoas à Bulhão Pato – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Uma das razões que pelas quais optamos por visitar Portugal em pleno Verão foi o São João no Porto. O festival do São João, particularmente na cidade do Porto, é conhecido em todo o mundo. Nunca o experienciei pessoalmente, mas digamos que tem a sua reputação. Pessoas a grelhar sardinhas em todas as esquinas, cerveja literalmetne a correr pelas ruas e todo o tipo de festas e concertos a acontecerem ao mesmo tempo. Tal como depois expliquei a um amigo finlandês, é como se combinássemos a véspera de passagem de ano, o 1º de Maio e a Finlândia tivesse ganho a medalha de ouro de hóquei no gelo. Sim, é louco. Mas, obviamente, igualmente divertido.

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Costeleta – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois de um dia de excesso de sardinhas, fomos jantar ao restaurante Vinum no Graham’s lodge. Em parte pela comida mas claramente também pela vista. O restaurante tem um vista perfeita sobre a ponte Dom Luís I. Comemos sardinhas, claro, mas aquele bife… Uma costeleta espectacularmente cozinhada. Delicioso! Depois de nos termos empanturrado com boa comida era quase meia noite. Era assim que todos os jantares deviam acabar, com fogo de artifício sobre a ponte Dom Luís I. Depois voltamos para a Ribeira e fomos literalmente martelados. A tradição no S. João é as pessoas terem martelos barulhentos, de plástico, e martelarem na cabeça das outras pessoas que passam. E claro, as flores de alho. O raio das flores de alho. Enquanto nos dirigíamos  para a ponte, para atravessarmos para o Porto, reparamos que a ponte estava fechada. Esperamos à volta de 45min. no meio da multidão, excesso de cerveja e uma manada de “marteladores”, ao mesmo tempo que os nossos narizes eram confrontados com flores de alho. E deixem-me dizer que foram uns longos 45min. Foi um pouco assustador quando a polícia finalmente começou a deixar passar as pessoas. A ponte estava a abanar devido à quantidade de pessoas em cima da ponte. Por momentos pensei que a ponte fosse cair mas, felizmente, não.

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Fogo de artifício sobre a ponte Dom Luís I – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

No dia seguinte alugamos um carro e fomos em diecção ao Vinho Verde para algum descanso e recuperação na Quinta de Covela. Dias solarengos a ensinar o meu filho a nadar, passear nas vinhas e a desfrutar de um saboroso Avesso. Perfeito!

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Quinta da Covela – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Já que a minha família lá estava quis mostrar-lhes o Douro. Viajar pelas estradas estreitas foi um pouco assustador para a minha mãe, mas valeu bem a pena. Quem já tenha experienciado a beleza do Douro não se importa de passar um par de horas no carro a agarrar-se ao banco. Paramos para almoçar na Quinta de Nápoles da Nieeport e provamos alguns vinhos.

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Prova na Quinta de Nápoles – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O meu filho gosta especialmente de visitar as salas dos barris. Está realmente interessado nos grandes barris de vinho e chama-lhes gigantes. Deixamos o Douro em direcção ao Porto com um grande sorriso na cara. Estava muito feliz por a minha família ter gostado tanto de Portugal quanto eu gosto. Como poderiam não gostar? Boa comida, bons vinhos, pessoas afáveis e bom tempo. É tudo o que nós finlandeses precisamos.

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Percebes – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Era o último dia da nossa viagem e tivemos que devolver o carro alugado. Mas não antes de fazermos uma paragem em Matosinhos para comermos uns deliciosos percebes. O último sabor de Portugal; o fresco mar salgado e o vinho mantinham-se na minha boca quando o nosso avião levantou. Que grande viagem!

A grandiosidade do Alentejo

Texto João Pedro de Carvalho

Este texto não é mais do que uma opinião muito pessoal sobre a terra e a região que me viu nascer, o Alentejo. É por ali que gosto de andar, que gosto de matar a dita saudade dos cheiros e sabores que me marcaram a memória desde a minha tenra infância. É o chamamento da terra mãe, o chamamento da família que pelas tropelias da vida ficou lá longe e tão distante que não a posso abraçar sempre que quero.

O meu destino foi igual ao de tantas outras gerações nascidas no Alentejo, uma terra pobre que sempre viveu do suor do trabalho das suas gentes. O tal destino de ir para a cidade à procura de uma vida melhor, no meu caso vim estudar para Lisboa que fica a 200km da minha terra natal Vila Viçosa e por aqui fiquei. Como pano de fundo sempre procurei ter o campo, aquele campo que ora verde ora dourado foi e continua a ser chão que dá alimento e condimento a todas as suas gerações.

Foi dessa mesma necessidade que nasceu uma gastronomia rica em aromas que sempre soube captar o melhor que cada uma das influências das várias civilizações que por lá foram passando. Essa mesma gastronomia que de tão rica e única faz as delícias de tantos nos dias de hoje, foi a mesma que nas difíceis horas servia de sustento aos que com poucos recursos faziam muito, aos que sem saber a foram criando, convivendo por vezes lado a lado com a luxuriosa Doçaria Conventual das várias ordens religiosas que se foram instalando nos muitos Conventos da região.

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Alentejo – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Mas será de vinho que interessa falar, de uma cultura que terá vindo com os Romanos, que trouxeram a técnica das talhas de barro que se soube manter até aos nossos tempos. Apesar da técnica de fabrico das mesmas tenha ficado esquecida no tempo, tal não impede que de norte a sul de Portugal a procura hoje em dia por parte dos produtores pelas ditas talhas seja uma realidade. Muito em breve desde os Vinhos Verdes passando pelo Douro até Bairrada e Lisboa vamos ver essa “novidade” que de novo não tem nada aparecer no mercado.

Sobre os tempos mais modernos, o vinho do Alentejo tem sabido subir a pulso a maneira como conseguiu conquistar o mercado nacional no que a vendas diz respeito. Foi apenas preciso uma década se tanto para passar de uma posição na altura desconfortável para não mais largar a liderança de vendas. A qualidade foi sempre algo que acompanhou os vinhos desde muito cedo e basta recuar umas décadas para poder confirmar isso mesmo junto de algumas das referências mais marcantes da enologia da região e porque não dizer até mesmo a nível nacional. Quem aponta o dedo acusando toda uma região de que aos seus vinhos lhes falta frescura/acidez e não têm a capacidade de envelhecer dignamente em garrafa, pura e simplesmente não sabe do que fala. Dos mais recentes artigos sobre produtores situados no Alentejo que foram visitados até aos exemplos mais clássicos de vinhos icónicos que perduram em grande forma até aos dias de hoje. E a lista tem tanto de extensa como os anos de colheita, sem entrar nos anos 90 onde a lista seria muito mais extensa deixo alguns exemplos anteriores como o José de Sousa Tinto Velho 1940 ou mesmo 1961 e 1986, o Mouchão 1954 ou 1963, Quinta do Carmo Garrafeira 1985 ou 1986, Tapada Chaves 1971 ou o 1986, Adega de Portalegre 1986 etc.

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Alentejo – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Depois veio a revolução enológica e deu-se uma rutura com o passado, nos anos que se seguiram parte do vinho do Alentejo ficou refém da experimentação e adaptação daqueles que naquela altura começavam pela primeira vez a criar vinho sem terem ainda garantias suficientes para definir aquilo que seria o novo perfil da região. Essa mesma revolução começa agora a dar os seus frutos, lado a lado com os outros que entretanto se foram afirmando ao longo do tempo como verdadeiros clássicos da região. Este quase renascer de toda uma região em conjunto com uma nova fornada de vinhos, frescos, muitas vezes a contrabalançar entre a elegância e o perfil mais austero garante de uma saudável longevidade mas sempre com o tão carismático toque do Alentejo. Tal como a proliferação de estilos e castas, de aromas e de sabores, também o mesmo se verifica a nível das variadas sub-regiões ou até mesmo dos solos onde a variedade permite encontrar desde os xistos, argilas, areias ou calcários. Somando a tudo isto a Gastronomia e o seu povo, este Alentejo que me apaixona tem tudo para continuar a ser uma das regiões de eleição em Portugal.