Blend All About Wine

Wine Magazine
Quinta do Sanguinhal – uma verdadeira viagem ao passado!

Texto Olga Cardoso

A visita à Quinta do Sanguinhal foi para mim uma verdadeira surpresa. Um encontro com o passado do vinho, da região, com relatos de vidas de outrora e, neste caso concreto, com uma impressionante vida dedicada ao empreendedorismo.

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Quinta do Sanguinhal © Blend All About Wine, Lda.

Falo de Abel Pereira da Fonseca, que fundou a Companhia Agrícola do Sanguinhal para administrar as propriedades que possuía na região do Bombarral.

Nessa época, a também sua Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca detinha e explorava a maior rede de estabelecimentos de venda ao público no país, com cerca de 100 lojas em Lisboa. Fernando Pessoa foi várias vezes “apanhado” nessas lojas em “flagrante delitro”, segundo o próprio costumava dizer.

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Quinta do Sanguinhal © Blend All About Wine, Lda.

A empresa dedicou-se desde sempre à produção e comércio de vinhos. Para o efeito, vinificava separadamente os vinhos das Quintas das Cerejeiras, do Sanguinhal e de São Francisco nas respectivas adegas, possuindo no conjunto uma capacidade em toneis e balseiros de madeira de carvalho e mogno da ordem dos dois milhões de litros, utilizados para a fermentação, armazenagem e envelhecimento de vinhos de mesa, vinhos licorosos e aguardentes.

A Companhia Agrícola do Sanguinhal dedica-se à exploração de 3 Quintas na Designação de Origem de Óbidos que perfazem, em conjunto, 95 ha de vinha: Quinta do Sanguinhal, Quinta das Cerejeiras e Quinta de S. Francisco. Os nomes destas Quintas representam os vinhos DOC mais prestigiados desta empresa familiar.

Mais recentemente, a empresa decidiu igualmente investir nas áreas do turismo e dos eventos, de forma a aproveitar as enormes potencialidades de todos os seus espaços. Assim, recuperou adegas, lagares e a destilaria, tornando-os em espaços de enorme interesse para qualquer enoturista.

Quinta do Sanguinhal © Blend All About Wine, Lda.

Na Quinta do Sanguinhal é a própria família Pereira da Fonseca que recebe os visitantes. Fomos recebidos por Ana Pereira da Fonseca Reis, a responsável pela área de enoturismo e com vastos conhecimentos sobre os vinhos que ali se produzem, que nos proporcionou uma visita muito agradável e profissional.

As visitas e provas de vinhos, que por decisão familiar, não são conduzidas por metodologias convencionais, pretendem dar a conhecer uma história de 100 anos na área vitivinícola portuguesa e proporcionar aos clientes uma alternativa aos circuitos habituais.

Para além de provar diferentes estilos de vinho, o visitante poderá ainda passear nos jardins do séc. XIX, assim como pelas belíssimas vinhas da Quinta. Visitar uma antiga destilaria totalmente recuperada, onde antigamente se produziam aguardentes vínicas e aguardentes bagaceiras. Visitar um antigo lagar com prensas de vara, datadas de 1871, e ainda uma cave de envelhecimento com 36 tonéis. Uma experiência que aconselho vivamente!

O portefólio da Companhia Agrícola do Sanguinhal é bastante vasto e diversificado. Impossível falar de todos os vinhos aqui e agora. Por essa razão, da prova realizada destaco os vinhos que se seguem:

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Quinta de S. Francisco Branco 2013

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Quinta das Cerejeiras Branco Reserva 2012 © Blend All About Wine, Lda.

 

 

 

 

 

 

Quinta de São Francisco Branco 2013
Proveniente de solo argiloso e feito a partir das castas Vital, Fernão Pires e Arinto, apresenta-se elegante no aroma, com notas cítricas em destaque. Na boca mostra-se fresco, harmonioso e equilibrado. Possui um final delicado e de média intensidade.

Quinta das Cerejeiras Branco Reserva 2012
Elaborado através das castas Chardonnay, Arinto e Vital, apresenta uma cor de um amarelo já levemente dourado. No aroma é austero e revela alguma complexidade. Boca com boa estrutura e fruta de pomar em destaque. Maças maduras e algum pêssego. A madeira está bem integrada mas mostrou trabalho, ao proporcionar-lhe ligeiras sensações de baunilha. Final elegante e intenso.

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Casabel Rosé 2013

Casabel Rosé 2013
Proveniente das castas Aragonês, Castelão e Syrah, este rosé mostra um nariz exuberante, com predominância de frutos vermelhos como morangos e framboesas. Na boca mostra-se seco, fresco e com um final delicado. Funciona bem como aperitivo, mas também demonstrou possuir boa aptidão gastronómica.

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Quinta do Sanguinhal Tinto 2009 © Blend All About Wine, Lda.

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Quinta das Cerejeiras Reserva Tinto 2008 © Blend All About Wine, Lda.

 

 

 

 

 

 

Quinta do Sanguinhal Tinto 2009
No nariz revela aromas a frutos do bosque e alguma fruta preta madura, como amoras e ameixa. Alguma baunilha e toques especiados são também evidentes. Na boca apresenta uma boa estrutura, com taninos presentes mas macios, boa acidez e final elegante.

Quinta das Cerejeiras Reserva Tinto 2008
Este vinho exibe o rótulo mais antigo de Portugal. Mantém inalterado desde 1926. É uma das joias da coroa. Proveniente das castas Castelão, Aragonês e Touriga Nacional, apresenta um nariz contido mas complexo. Frutos pretos e compotados mostram-se de imediato. Alguma caruma, suaves fumados e notas especiadas, complementam a sua palete olfactiva. A boca volumosa e densa, mas também macia e aveludada. Equilibrado e harmonioso, possui um final elegante e persistente.

Contactos
Quinta das Cerejeiras
Apartado 5
2544-909 Bombarral
Tel: (+351) 262 609 190
Fax: (+351) 262 609 191
Email: info@vinhos-sanguinhal.pt
Site: www.vinhos-sanguinhal.pt

Restaurante Nortada

Texto José Silva

As vinhas tradicionais de Colares resistem no seu chão de areia, com os caules retorcidos rente ao solo, para se protegerem do vento forte que sopra normalmente vindo do mar, ali bem perto, e que há-de trazer às suas uvas e aos vinhos que delas hão-de nascer alguma salinidade que esse vento transporta na sua humidade.

Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para as proteger ainda mais, os viticultores montaram as paliçadas de canas que tornaram estes vinhedos tão típicos.
Essa nortada que varre a costa de Colares durante quase todo o ano deu nome a um restaurante que se situa precisamente em cima duma das praias mais emblemáticas da região, a Praia Grande, que dista apenas poucas centenas de metros de algumas destas vinhas.

É uma praia ampla, com algumas falésias e um areal extenso castigado por aquele mar batido, forte, de ondas por vezes perfeitas, que fazem as delícias dos muitos praticantes de desportos radicais de mar. E é também daquele mar que vem o peixe e marisco que é servido no restaurante “Nortada”, da praia Grande.

Cá em cima na falésia, tem uma localização perfeita, com uma vista soberba para a praia e aquele mar imenso.

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A sala é dividida em vários recantos e tem enormes janelas envidraçadas que deixam entrar a luz e apreciar aquela paisagem. No meio, um escaparate exibe peixes e marisco frescos que podemos escolher para a nossa refeição.

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Esplanada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E tem uma esplanada virada a sul, protegida do vento dominante, muito procurada, onde se está muito bem.

As mesas são muito bem postas, com bom gosto e o serviço é profissional, atento e atencioso, bem dirigido.

Ali o marisco e o peixe são reis, vindo à mesa em preparações diversas, desde as mais simples, em que o peixe é simplesmente grelhado, só com sal e o marisco é cozido, dando toda a sua riqueza, a pratos mais elaborados, como crepes de lavagante, empada de robalo, risotto de camarão, spaghetti com amêijoas ou arroz de cherne com camarão.

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Manteiga, Queijo e Azeitoans – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na refeição que apreciamos veio para a mesa pão saboroso, dois tipos de manteiga, azeitonas e queijinho fatiado.

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Robalo à Sete Mares – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E veio o robalo à Sete Mares, em que o robalo de mar, fresquíssimo, é preparado em molho de camarão e manteiga, com camarão grande e uns legumes salteados saborosos, num conjunto bem conseguido, na companhia de arroz de alho e coentros muito bom.

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Arroz de Alho e Coentros – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A refeição ficou completa com um delicioso bolo de bolacha e café.

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Bolo de Bolacha e Café – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Beberam-se alguns vinhos que levamos, onde havia até um ramisco de Colares.
Não fosse termos que continuar o trabalho, certamente ficaríamos por ali durante a tarde, na companhia daquela paisagem fantástica…

Contactos
Restaurante Nortada
Avenida Alfredo Coelho 8 – Praia Grande
Sintra
2705-329 COLARES
Tel: (+351) 21 929 15 16
Email: geral@restauranteNortada.com
Site: www.restaurantenortada.com

De Guardar Redes a Guardar Jampal: Os Vinhos de André Manz

Texto Sarah Ahmed | Translation Teresa Calisto

É difícil pensar numa pior lesão para um guarda-redes profissional do que uma mão partida. Tendo isto acontecido apenas um ano após André Manz ter começado a jogar num clube Português, poderíamos pensar que ele regressaria à sua terra natal, o Brasil. Mas mesmo nos seus vinte anos, Manz não fez o óbvio.

Em vez disso, o guarda-redes que apresentou a Portugal a aeróbica coreografada, tornou-se num empreendedor de topo do fitness. E agora, no seu mais recente empreendimento homónimo, Manz Wine, ele reapresentou ao Mundo, a quase extinta casta Portuguesa Jampal.

As aventuras de Manz no vinho começaram em 2004, quando ele e a sua família se mudaram para a sonolenta aldeia de Cheleiros, na região de vinho de Lisboa. Com os seus lugares neolíticos, ponte Romana e monumentos medievais, Manz foi atraído pela história de Cheleiros. Não sendo homem de fazer as coisas pela metade, com a ajuda de um jornalista, Manz descobriu que Cheleiros já tinha sido famosa pelos seus vinhos.

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A Vinha Rochosa de Manz com Vista Sobre Cheleiros – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Conta-me que as encostas íngremes e rochosas, de argila e calcário, que rodeiam a aldeia, já estiveram cobertas de vinhas. Há um século atrás, havia nada mais nada menos que 43 adegas na aldeia. O próprio Manz recuperou um hectare de vinha mas, não sabendo nada sobre fazer vinho, inicialmente apenas fez vinho para a sua família e amigos. Mas quando, com a ajuda do Portugal’s Institute of Vines & Wines, ele identificou que o seu terreno com 20 anos incluía a esquecida casta local Jampal, o astuto empresário depressa se apercebeu do potencial de venda desta variedade única.

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A Adega de Tamanho de Bolso de Manz – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Em 2008, a Manz Wine foi fundada e em 2012 ele já tinha transformado a antiga escola da aldeia numa adega pequena, mas perfeitamente formada e tinha também plantado novas vinhas Jampal, com enxertos das vinhas originais. Ele possui agora cerca de nove hectares de vinha em Cheleiros e está ansioso por colocar a aldeia no mapa. Não apenas com Jampal, mas também com projectos de enoturismo. Estes incluem o Lagar Antigo Manz Wine (uma adega antiga convertida em museu com porta de cave) e, no próximo ano, um livro sobre Cheleiros e a sua história vinícola.

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Lagar Antigo no Museu Manz e a Porta da Cave – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Jampal continua a ser o único vinho branco do seu portfólio e, para mim, é a estrela do espectáculo. Aqui fica a minha escolha da gama (que também inclui vinhos tintos do Douro e da Península de Setúbal, feitos a partir de fruta comprada). Os vinhos são feitos por Ricardo Noronha e Rita Marques (na foto a seguir, com o Rosé)

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Manz Cheleiros Dona Fátima Jampal 2013 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Manz Cheleiros Dona Fátima Jampal 2013 (VR Lisboa)
Um nariz tenso e muito focado e palato de grande limpidez, revelam aromas e sabores minerais, florais, cítricos e de carambola crocante. O carvalho fumado poderia depreciar a sua limpidez, mas na realidade complementa habilmente a mineralidade deste vinho. Uma característica que também é reforçada pelo seu final salgado, longo e persistente. Verdadeiramente único. Um vinho excitante. 13%

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Manz Rosé 2013 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Manz Rosé 2013 (VR Lisboa)
Feito 100% de uvas Castelão, que são dedicadas à produção do rosé, este é um vinho bem conseguido, um rosé frutado mas seco, com fruta cremosa e madura de bagas vermelhas, e uma acidez mineral, muito atraente, bem integrada, fresca e persistente. 12.5%

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Manz Cheleiros Penedo do Lexim 2013 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Manz Cheleiros Penedo do Lexim 2013 (VR Lisboa)
Este blend 50/50 Touriga Nacional e Aragonês, de tom e palato brilhante, é um excelente exemplo de um tinto relaxado mas refinado, sem carvalho. Eu adoraria que mais produtores de Lisboa adoptassem este caminho amigo do ambiente e focassem mais na fruta e na frescura. A acidez fresca e mineral parece ser um marco de Cheleiros que vale a pena estimar. Quanto à fruta, a floralidade e o toque de chocolate e fruta de sobremesa de verão da Touriga, juntamente com a estrutura calcária e refinada dos taninos do Aragonês e leve especiaria, fazem um agradável equilíbrio. 14%

Contactos
ManzWine
Lagar Antigo | Largo da Praça, n.º 8 – A | 2640-160 Cheleiros | Portugal
Tel: (+ 351) 21 927 94 68
Telemóvel: (+ 351) 93 426 97 21
Fax: (+ 351) 21 426 97 19
Email: info@manzwine.com
Site: www.manzwine.com

Quinta do Rol – no coração de Lourignac

Texto João Pedro de Carvalho

A centenária Quinta do Rol desde sempre ligada às tradições e à terra, localizada no coração da região da Lourinhã, vai na terceira geração da família de Carlos Melo Ribeiro, o actual proprietário que a herdou de seu pai.

O nome da Quinta do Rol surge durante o século 19 pelo seu proprietário, um jogador ferrenho que, aquando da falta de dinheiro para pagar as suas dívidas, teria um Rol/lista de Quintas para tal efeito. Desde sempre ligada à produção de Pêra Rocha, também a produção de aguardente na destilaria própria remonta ao século 18, altura em que se produzia em grande quantidade para fornecer os produtores de vinho do Porto.

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Rita Melo Ribeiro at Quinta do Rol © Blend All About Wine, Lda.

Quando Carlos Melo Ribeiro chegou ao comando dos destinos da Quinta do Rol, cedo deu conta da especificidade climática da região; a proximidade com mar, os solos e o relevo, é detentora de um micro clima que a torna uma das três regiões em todo o mundo (à semelhança de Cognac e Armagnac) reconhecida como específica para a produção de aguardentes vínicas de qualidade superior, com denominação de origem. Para tal replantou as vinhas com as castas Ugni Blanc, Malvasia Fina e Alicante Branco para produção da Aguardente e outras castas onde despontam a Sauvignon Blanc, Pinot Gris, Pinot Noir, Chardonnay… com vista à produção de vinho de mesa e espumante de qualidade.

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Quinta do Rol Aguardente Velha XO © Blend All About Wine, Lda.

Acerca da aguardente, a região demarcada da Lourinhã data de 1992 e é a terceira a nível mundial, depois das conhecidas regiões demarcadas de Cognac e Armargnac, ambas em França. A Quinta do Rol conta com uma produção anual de 10 mil litros e esteve mais de dez anos a produzir para não vender, à espera que chegasse o momento certo de colocar no mercado um dos produtos mais exclusivos produzidos em Portugal, a Quinta do Rol Aguardente Velha XO.

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Quinta do Rol Espumante Blanc de Blancs 2008 © Blend All About Wine, Lda.

Quinta do Rol Espumante Blanc de Blancs 2008
Feito de Chardonnay, alia frescura a uma ligeira sensação de mousse, envolve e apetece num misto de fruta tropical e massapão. A fruta em tons citrinos mostra presença na boca, com frescura, saboroso e bem estruturado.

Quinta do Rol Selecção branco 2012
O único vinho de lote (Arinto, Alvarinho e Chardonnay) da Quinta do Rol, a mostrar frescura com conjunto algo fechado, toque mais verde e citrino, alguma untuosidade conferida pela batonnage a que teve direito. Boca com frescura, boa presença, marcado pela boa definição de sabores, pêra verde num conjunto que se sente tenso.

Quinta do Rol Pinot Gris 2011
Apresenta um leve fumado a lembrar pederneira, fruta gordinha envolta em boa frescura, delicado e tenso. Fresco na boca, mineralidade com secura no final.

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Quinta do Rol Sauvignon Blanc 2011 © Blend All About Wine, Lda.

Quinta do Rol Sauvignon Blanc 2011
Gostei da abordagem deste Sauvignon Blanc com descritores da casta pouco ou nada tropical mas muito mais herbáceo, pimento, salgado, fruta de segundo plano com toque fumado. Frescura e boa presença na boca num Sauvignon que apetece beber.

Quinta do Rol Pinot Noir Reserva 2009
Afirma-se durante a prova como um Pinot Noir com músculo, pouco definido, nariz fresco com frutos vermelhos e leve vegetal (musgo), embora se perca na falta de definição por estar ainda demasiado compacto. Boca com fruta madura de bom porte, frescura, boa amplitude, ligeira secura vegetal em final de boca, longo e persistente.

Contactos
Quinta Rol
Ribeira, Palheiros
2530-442 Miragaia
Tel: (+351) 261 437 484
Email: info@quintadorol.com
Site: www.quintadorol.com

Douro Wine Fest e Tasca da Quinta

Texto José Silva

Foi um fim-de-semana de verão muito chuvoso, entre os dias 18 e 21 de Setembro, aliás como todo este verão de 2014 e as vindimas já tinham começado, lentamente, com muito cuidado.

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O Primeiro “Douro Wine Fest” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Aconteceu então o primeiro “Douro Wine Fest”, numa organização da empresa Offe, apoiada pelo Turismo do Porto e Norte de Portugal e a Câmara municipal da Régua e do Museu do Douro.

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Apoiado pelo Turismo do Porto e Norte – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Uma instalação de grande qualidade foi cuidadosamente montada na marginal da cidade da Régua, mesmo junto à marina, num cenário que não podia ser mais bonito, dominado pelo rio Douro.

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Douro Wine Fest – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Douro Wine Fest – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Apesar do tempo, os produtores aderiram em massa e esgotaram os espaços disponíveis e o público apareceu em força evitando os aguaceiros que caíam de vez em quando.

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

Sábado não choveu e a temperatura era mesmo de verão e foram milhares de visitantes a invadir o recinto.

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Douro Wine Fest – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Onde, para além dos produtores de vinho, havia várias lojas de produtos gastronómicos da região e dois restaurantes da Régua a servir petisco diversos.

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Sala de Prova – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Prova de Vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Numa sala própria decorreram muitas provas de vinhos e de alguns produtos e por ali passaram produtores e enólogos do Douro, a mostrar e partilhar as suas experiências e os seus vinhos. E houve muita música e alguns espectáculos que foram até de madrugada. No final o balanço foi bastante positivo e muito melhor teria sido se não fosse a chuva, o que deu boas indicações para o próximo ano, com mais um Douro Wine Fest.

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Douro Wine Fest – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas a Régua está a mexer, o que se verificou pele quantidade de visitantes do evento, e têm aparecido novos espaços, entre wine bars e restaurantes.

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“Tasca da Quinta”, uma Tasca à moda antiga – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Um dos mais recentes é uma tasca à maneira antiga, resultante da recuperação dum espaço rústico muito bonito, cuja traça se manteve. Como se mantiveram o xisto e a madeira que já existiam, tendo-se recuperado o espaço com a modernidade necessária para poder servir bons petisco num ambiente confortável. Os proprietários chamaram-lhe “Tasca da Quinta”, que também têm uma pequena produção vinícola, do outro lado do rio.

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“Tasca da Quinta” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A sala é ampla, com soalho de xisto, cores vivas, grossas traves de madeira no tecto, um enorme balcão, que deixa ver a cozinha moderna por detrás.

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Staff “Tasca da Quinta” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Onde duas mulheres apaixonadas pelo que fazem, tratam produtos muito bons de maneira tradicional, para nosso consolo. Serve-se pão regional e broa de milho para acompanhar óptimo presunto, sardinhas de escabeche e codorniz de escabeche, e algumas tapas tendo como base o pão e a broa: tapa de bacalhau com pimento vermelho e tapa de moira deliciosas. Também muitíssimo boas as costelinhas de porco em vinha d´alho e as açordas, de que se destaca a açorda de cogumelos, soberba.

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Costelinhas de Porco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Açorda de Cogumelos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

Entre outras possibilidades fecha-se a refeição com uma saborosa e cremosa tarte de maçã.

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Tarte de Maça Cremosa – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Há várias mesas ocupadas por estrangeiros que se deliciam com os petiscos bem portugueses…e com o vinho do Douro. Bebe-se mais um copo e continua-se a conversa sobre o Douro e o seu desenvolvimento. E deseja-se uma vindima com o mínimo de estragos possível, apesar da chuva que não se vai embora…

Contactos
Rua de Santa Luzia, 175
4250-417 Porto
Tel: (+351) 228 329 017
Fax: (+351) 228 329 017
Telemóvel: (+351) 964 137 029
Email: pwf@offe.pt
Site: www.portowinefest.com

Chryseia 2012 – a nova coqueluche da Prats & Symington!

Texto Olga Cardoso

No passado dia 11 de Setembro, a Prats & Symington apresentou o seu Chryseia 2012 no restaurante portuense Pedro Lemos, situado na Foz do Douro, mais precisamente na chamada Foz Velha.

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Vinhos Provados © Prats & Symington, Lda.

O Chef Pedro Lemos, que empresta o nome ao seu próprio restaurante, foi o autor do fantástico menu que acompanhou não só a prova do Chryseia 2012, como também das novas colheitas do Post Scriptum 2012 e do Prazo de Roriz 2011 – as outras duas referências da casa.

Importa referir que o Chryseia nasce de uma parceria entre as famílias Prats & Symington para produzir um dos Vinhos Douro DOC mais reconhecidos em Portugal e no estrangeiro ao longo dos últimos quinze anos, tendo sido o primeiro vinho tranquilo português (a segunda colheita datada de 2001) a configurar no ‘TOP 100’ da conceituada revista Wine Spectator, colocado na 19º posição com 94 pontos. Em Janeiro de 2013, o Chryseia 2011 obteve 97 pontos da referida Revista – Wine Spectator, a segunda nota mais alta de sempre atribuida a um vinho tranquilo Português.

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Bruno Prats & Rupert Symington © Prats & Symington, Lda.

A Prats & Symington nasceu em 1999 de uma parceria estabelecida entre as famílias com os mesmos apelidos. A parceria entre Bruno Prats, produtor de Bordéus, antigo proprietário do Château Cos d’Estournel e a família Symington, uma das maiores proprietárias de vinhas no Douro (cerca de 27 Quintas com aproximadamente 1.000 hectares de vinha e com marcas como a Graham’s, Dow’s, Warre’s, Cockburn’s, Quinta do Vesúvio e Altano no seu portefólio), combina as tradições e o conhecimento de duas das maiores regiões de vinho do mundo, aplicando este conhecimento às castas únicas e ao terroir do vale do Douro.

O evento foi apresentado por Bruno Prats e Rupert Symington, responsáveis da Prats & Symington, e nele participaram alguns dos mais conhecidos elementos da imprensa e do trade português. Ninguém parece ter querido perder a apresentação deste vinho notável!

O almoço iniciou-se então com um prato de pombo com salsifis e ervilhas, devidamente harmonizado com Prazo de Roriz 2011.

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Pombo © Prats & Symington, Lda.

Seguiu-se uma barriga de atum rabilho que combinou na perfeição com o Post Scriptum 2012.

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Barriga de Atum Rabilho © Prats & Symington, Lda.

Para harmonizar com a estrela da companhia – o Chryseia 2012, o Chef Pedro Lemos criou um prato de vitela envelhecida com feijão maduro e toucinho fumado. Fantástica!

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Vitela Envelhecida © Prats & Symington, Lda.

Para acompanhar a sobremesa, foi servido um excelente Porto Vintage 2003 da Quinta de Roriz. O Porto era sem dúvida muito bom…mas o Chryseia 2012 também, pelo que deixar de o ter perto de nós parecia impossível!

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Sobremesa © Blend All About Wine, Lda

Prazo de Roriz tinto 2011
Boa presença aromática, com notas de fruta preta como ameixas e cerejas negras a surgir de imediato. O seu lado balsâmico também se mostra evidente, com notas de menta e eucalipto a complementar a fruta. O corpo é de médio volume e todo o vinho se mostra pronto e harmonioso. Os taninos bem presentes vaticinam-lhe alguma capacidade de envelhecimento. Portugal: €8,90 em Portugal – Reino Unido: £12.

Post Scriptum tinto 2012O seu nariz é charmosamente floral, com vincadas notas de esteva amparadas pela fruta vermelha madura de muito boa qualidade. Na boca apresenta-se fresco, com uma acidez muito correcta e um corpo elegante bem proporcionado. O seu final é longo e a sua capacidade de perdurar no tempo é um dado adquirido. Portugal: €13,50 – Reino Unido: £18.

Chryseia tinto 2012
Foi produzido a partir de uma selecção criteriosa de uvas (72% Touriga Nacional e 28% Touriga Franca),  provenientes das vinhas localizadas nas Quintas de Roriz e da Perdiz, e estagiou durante 15 meses em barricas de carvalho francês de 400 L. A Quinta da Vila Velha, propriedade de um membro da família Symington e vizinha de Roriz, também deu o seu contributo. Combina poder e elegância em absoluta perfeição. Complexo no aroma, com notas de frutos silvestres, sensações especiadas e um fundo muito mineral. A boca revela a utilização de uma madeira de luxo e irrepreensivelmente bem integrada. Equilíbrio, harmonia e sintonia são as palavras que melhor descrevem este vinho. Um tinto colossal! Portugal: €45,00 – Reino Unido: £48,00.

Contactos
Prats & Symington, Lda
Quinta de Roriz
São João da Pesqueira
5130-113 Ervedosa Do Douro
Portugal
Email: info@chryseia.com
Site: www.chryseia.com

Chocapalha

Texto João Pedro de Carvalho

A Quinta de Chocapalha está situada nas proximidades da Aldeia Galega da Merceana (Alenquer) a 45km de Lisboa. Um local onde a tradição do vinho está bem enraizada e cuja qualidade dos seus vinhos e vinhas remonta ao século XVI, com a história mais recente a colocar a Quinta nas mãos da família Tavares da Silva nos anos 80 do século passado.

Alice e Paulo Tavares da Silva, pais da enóloga Sandra Tavares da Silva, compraram a propriedade e dando continuidade às antigas tradições da casa, enveredaram pela produção de vinho tendo feito um investimento tanto nos 45ha de vinhas como na própria adega.

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Prova na Quinta da Chocapalha © Blend All About Wine, Lda

Os resultados deste investimento apenas iriam ver a luz do dia na colheita de 2000, ano em que se entendeu, e bem, que os vinhos já tinham alcançado um patamar de qualidade acima da média. O sucesso estava mais que garantido, a procura constante da excelência aliada a uma simpatia da parte de quem nos recebe fazem deste projecto algo muito especial, tão especial que a demanda pelos seus vinhos levou a que em 2012 tivesse sido inaugurada uma nova e bonita adega, mais funcional e com a capacidade de resposta para os dias que correm. A tradição continua bem viva na Quinta de Chocapalha e a arte de fazer bom vinho parece perdurar.

Uma prova muito bem conduzida, sempre de sorriso no rosto onde reinou a boa disposição. O dia estava chuvoso e infelizmente não foi possível visitar as vinhas, mas as vinhas vieram até nós numa prova onde foram apresentadas as mais recentes novidades com um pequeno bónus pelo caminho.

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Vinhos ao almoço © Blend All About Wine, Lda

Os vinhos têm um brilho muito próprio, influência da proximidade do mar e da natureza dos solos calcários, permitindo uma frescura acentuada com fruta de grande qualidade onde a definição de aromas e sabores faz toda a diferença. Para todos aqueles que poderiam em algum momento duvidar da capacidade de envelhecimento destes vinhos foi dado a provar o Arinto by Quinta de Chocapalha 2008 que mostrou toda a classe de um vinho adulto com uma bonita complexidade e frescura, sinais de que a casta Arinto quando bem trabalhada precisa de tempo para se mostrar.

A marca Mar de Lisboa surge como uma gama mais acessível, com rótulos bem-dispostos, tanto o branco 2013 como o tinto 2012 se mostraram capazes de bons momentos à mesa, feitos a pensar no consumo diário, bem frescos, boa harmonia com a fruta muito presente, ligeira austeridade no tinto com taninos espigados, caindo a minha escolha no Mar de Lisboa branco 2013.

A marca Quinta de Chocapalha engloba toda a gama média da casa, onde se encontra o branco e o tinto com o mesmo nome e um lote de varietais bastante interessantes com vinhos que se destacam pelo carácter muito próprio, assumidamente frescos e com uma fruta sempre presente mas muito bem balanceada com o restante conjunto.

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Quinta de Chocapalha Arinto 2013 © Blend All About Wine, Lda

Quinta de Chocapalha Sauvignon Blanc 2013
Um Sauvignon Blanc que mostra uma faceta mais vegetal, mineral, seco e com grande frescura, leve fumado de fundo em companhia de fruta de caroço. Mostra garra na boca, frescura e sabor com bom final.

Quinta de Chocapalha Arinto 2013
Ainda muito tenso, nervoso, marcado pelas notas de citrinos com folha de limoeiro tão característica da casta Arinto. Acidez marcante num vinho cheio de garra, austeridade no palato a pedir tempo de garrafa prometendo a riqueza exibida pelo 2008.

Quinta de Chocapalha Cabernet Sauvignon 2012
Um Cabernet Sauvignon bem evidente nas boas e frescas notas vegetais, destaque para ligeiro pimentão que se desvanece com tempo de copo dando lugar a fruta silvestre madura num conjunto fresco e de grande qualidade. Não deixa de dar uma piscadela de olho a Bordéus no perfil que assume, fresco, com bom corpo e taninos a segurarem todo o conjunto.
A marca Chocapalha fica destinada apenas para os topos de gama da Quinta, aqui encontramos o Chocapalha Reserva branco e os tintos Vinha Mãe e CH.

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CH by Chocapalha Touriga Nacional 2011 © Blend All About Wine, Lda

Chocapalha Reserva branco 2013
Em prova ao lado do Reserva 2012, a Chardonnay largou o Viosinho que tinha e aparece agora com 15% de Arinto. Perdeu parte da untuosidade que tinha na anterior versão para se mostrar agora mais perfumado e solto, fresco, envolto numa fragrância muito delicada e feminina, untuosidade da Chardonnay num conjunto fresco, saboroso com muito boa presença no palato, muita classe em final frutado e persistente.

Chocapalha Vinha Mãe 2010
Vinho intenso, fresco e profundo, onde brilham os frutos do bosque maduros, especiarias, coeso e muito cerrado, cheio de vida com uma passagem marcante pelo palato. Envolvente e com uma estrutura firme, fresco e a mostrar ligeira austeridade de taninos no final longo e persistente.

CH by Chocapalha Touriga Nacional 2011
Mostra uma Touriga Nacional fresca e perfumada num conjunto pujante, extraído e com muita intensidade. A fruta preta muito suculenta e fresca mostra-se ao lado de violetas, atraente e ao mesmo tempo a dar sinais que mais algum tempo de garrafa só lhe vai fazer bem. Grande amplitude na boca, marcante com muito sabor a fruta, barrica a aconchegar tudo com ligeira mineralidade em final muito persistente.

Contactos
Email: chocapalha@chocapalha.com
Site: Quinta da Chocapalha

Cume aqui!

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Posso dizer desde já que não sou grande cozinheiro. Quer dizer, eu gosto de cozinhar, mas não o faço muito bem. Em casa cozinho todos os dias. Mas nem sempre foi o caso. Não há muitos anos atrás, mal sabia aquecer água. Foi só depois de ter o meu primeiro filho, que realmente comecei a fazer comidas diferentes, para além das pipocas.

No início não gostava muito. Era preguiçoso. Mas pouco a pouco, peguei-lhe o jeito e hoje em dia adoro cozinhar. Na realidade, sou capaz de gostar mais de fazer comida do que de a comer. Bom, digamos que está nos 50/50. Para mim, cozinhar é bastante terapêutico. Gosto de levar o meu tempo a preparar a comida, ouvir algumas músicas e, claro, beber vinho. Tenho reparado que é quase impossível fazer comida sem vinho. Tenho tentado e falhado várias vezes.

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Vai uma coxa de frango? – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Desta vez decidi fazer o estufado de galinha “pollo alla cacciatora”. Fui buscar a ideia ao Jamie Oliver, nem mais nem menos. Sempre que vou a Portugal, ouço as pessoas a dizer que me pareço com o Sr. Oliver. Pessoalmente, não vejo a semelhança, mas se sou parecido com ele, mais vale que cozinhe como ele, certo? A receita indicava que deixasse a galinha nadar em meia garrafa de vinho tinto. Eu tenho uma regra pessoal: se a galinha tem direito a vinho, eu também tenho. Portanto, meia garrafa para a Signora Pollo e meia garrafa para o Chef. Adicione um bocadinho de sal, pimenta preta, folhas de louro, alho, tomates cherry esmagados, umas anchovas para dar ao molho aquele travo salgado, azeitonas, uns raminhos de alecrim e, abracadabra, para dentro do forno.

Enquanto a galinha estufava, era altura de marinar o Chef. Tarefa para um vinho do Douro. Tinha umas garrafas de Quinta do Cume que queria provar. Os vinhos vêm de uma pequena vila chamada Provezende, localizada na margem norte do rio Douro e a cerca de 600 metros de altitude. Um sítiozinho lindo, com uma padaria que faz pão de se ficar de queixo caído. Os vinhos do Cume eram no entanto, completamente novos para mim e estava ansioso por os experimentar.

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Quinta do Cume Reserva Branco 2011 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quinta do Cume Reserva Branco 2011
Este vinho é composto sobretudo de Malvasia Fina, mas provavelmente terá também um toque de Rabigato e Viosinho. 30% do vinho esteve em barris de carvalho Francês durante apenas 3 meses. Consegue detectar-se algum picante do carvalho, mas no geral acho que estava bem integrado com o vinho. É tão fácil acabar por ficar com vinhos com excesso de carvalho, que fico muito satisfeito que o enólogo Jean-Hugues Gros tenha sido bastante subtil. Para além disso, o vinho tem fruta deliciosa, aquele toque clássico e tropical da manga, com alguma mineralidade sexy, que encontro com frequência nos brancos do Douro. Ligeiramente viscoso e com boa acidez para o apoiar. Impressionante.

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Quinta do Cume Reserva Tinto 2010 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quinta do Cume Reserva Tinto 2010
Quando o estufado de galinha ficou pronto, estava na altura do tinto. Um blend de Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz combinariam bem com uma comida substancial. Cheirar o vinho foi como se tivesse sido atingido com um soco, mas em vez de um verdadeiro punho, a mão seria feita inteiramente de bagas. BOOOM, olhos negros de mirtilos. Um cheiro intenso com alguns aromas de carvalho torrado a aparecer. Boa textura, taninos duradouros e alguns aromas formidáveis de amoras. Precisa decididamente de ser acompanhado por comida, a não ser que goste de levar uma tareia de uma garrafa de 75cl de sumo de uvas fermentadas. Bom.

Contactos
Quinta do Cume
5060-261 Provezende
Portugal
Tel: (+351) 91 445 7550
Email: quintadocume@netcabo.pt
Site: www.quintadocume.pt

Graham’s – Ne Oublie … Um Porto Tawny muito velho

Texto Olga Cardoso

A família Symington lançou um vinho de 1882 para celebrar a chegada do pioneiro da família a Portugal. O nome não poderia ser mais exemplificativo. Ne Oublie – que significa inesquecível ou em inglês, Not Forget ou Unforgerable! Ne Oublie é mais do que um vinho extraordinário, é uma jóia de família, uma relíquia histórica e cultural.

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Estas expressões em francês têm origem muitos séculos atrás. Como exemplo podermos referir o Honi soit qui mal y pense que é uma expressão francesa que significa – Envergonhe-se quem nisto vê malícia, muito usada em meios cultos. Também é o lema da Ordem da Jarreteira, comenda britânica criada pelo rei Eduardo III de Inglaterra, no tempo das Cruzadas. É um dos lemas do Reino Unido, estando estampado na sua própria bandeira.

Diz a lenda que, em 1347, durante um baile, a Condessa de Salisbury, amante do mesmo Eduardo III, perdeu a sua liga, azul. O Rei depressa a recolocou, sob o olhar e sorrisos (cúmplices) dos nobres da corte e terá gritado (em francês, que era a língua oficial da corte inglesa) “Messieurs, honni soit qui mal y pense! Ceux qui rient en ce moment seront un jour très honorés d’en porter une semblable, car ce ruban sera mis en tel honneur que les railleurs eux-mêmes le rechercheront avec empressement.” No dia seguinte terá criado a ordem da Jarreteira, tendo como símbolo uma liga azul sobre fundo dourado, que ainda hoje é a mais prestigiosa ordem do Reino Unido, tendo somente 25 membros e cujo único Grão Mestre é o monarca da Inglaterra.

Não poderia ter provado este vinho em melhor companhia…tão britânica! Até o tempo se colocou à feição! Em solo português, Quinta do Bomfim, Pinhão, Douro, sob um enorme temporal de chuva e trovoada e com dois britânicos. Paul Symington, actual administrador da Symington Family Estates e Sarah Ahmed, a escritora inglesa actualmente mais focada em vinhos portugueses. Aos dois agradeço esta experiência!

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Muitos consideram o seu preço proibitivo – cerca de € 5.500,00. Mas segundo Paul Symington – estamos a falar não só de uma bebida, mas sim de um produto de luxo, raro e exclusivo. “… se o vinho do Porto não consegue ter um produto ao nível da Hermès, da Cartier ou da Louis Vuitton, significa reconhecer que estamos num segundo nível…”!

E estamos seguramente a falar de um produto de nível superior. Um Porto do final do século XIX apresentado num decanter numerado, feito à mão, em cristal soprado, por mestres vidreiros da fábrica portuguesa Atlantis, com três anéis de prata moldados e gravados pelos ourives escoceses Hayward & Stott e guardado numa caixa de couro especialmente desenhada e produzida à mão pela famosa marca britânica Smythson, da Bond Street.

Os Symington são hoje a principal família do vinho do Porto. Líderes de vendas nas categorias especiais, são detentores das marcas Graham’s, Warre’s, Dow’s, Cockburn’s, Smith Woodhouse, Quinta do Vesúvio, Martinez, Gould Campbell e Quarles Harris e possuem mais de 1000 hectares de vinhas no Douro.

Este império e o elo emocional que a família mantém com o Douro, começaram realmente a ser construídos em 1882, quando o escocês Andrew James Symington, então com 19 anos, chegou a Portugal para trabalhar na Graham’s, outra família escocesa já há muito estabelecida no país e que, na altura, se dedicava à fiação de algodão.

E porque sou uma amante da história e de estórias, corro sempre o risco de me tornar entediante para quem me lê. Para abreviar essa parte…importa agora falar do vinho e da minha prova propriamente dita. [Caso pretenda ler sobre outros tawnies da grahms provados neste site poderão consultar o nosso artigo anterior]
Falamos de um vinho encerrado em apenas três pipas, uma das quais deu origem às 656 garrafas agora no mercado.

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Como vinho, encaixa-se na mais pura tradição duriense, a tradição do Tawny, enquanto vinho “generoso” que é guardado em pipas e vai passando de geração para geração. Está na linha do Scion, o vinho com 155 anos que a Taylor’s lançou em 2010 a 2500 euros a garrafa. Apesar do preço elevado, o vinho foi um sucesso e criou um fenómeno de imitação no sector. Num espaço curto de tempo surgiram no mercado vários vinhos do Porto muito velhos a preços nunca vistos. O último a ser lançado foi o Taylor’s Single Harvest 1963, um dos vinhos que esta empresa herdou com a compra, o ano passado, da Wiese & Krohn, uma pequena casa familiar especializada em Porto Colheitas. Também envolvidas num estojo de luxo, cada uma das 1650 garrafas foram postas à venda ao custo de € 3000,00.

Com o Ne Oublie, os Symington colocaram a fasquia num patamar ainda mais alto. Mas, bem vistas as coisas, € 5500,00 – será mais ou menos o preço de uma garrafa de Porto Vintage Noval Nacional de 1963 (sem embalagem de luxo). E há vinhos bastante mais novos franceses, Champanhe, Bordéus e Borgonha — e que não são tão bons – igualmente tão caros. Ne Oublie está longe, pois, de ser uma excentricidade.

São vinhos como estes, exclusivos e apresentados luxuosamente – que elevam o Vinho do Porto ao mais elevado patamar.

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Graham’s – Ne Oublie … Very Old Tawny Port
Profundo e hermeticamente concentrado, mostrou uma precisão como nenhum outro. Já provei outros Portos velhos, mas nenhum me impressionou tanto com este. Todos bons, sem dúvida, mas alguns revelam talvez demasiada concentração, excessivo melaço, algumas características exacerbadas ou talvez coisas a mais. Este mostra tudo no sítio. Dizer que se sentem aqui os frutos secos, como as nozes e as avelãs, será já um lugar comum…claro que todos estão presentes! Casca de laranja, algumas notas de madeira velha, algum mel e caramelo. Tudo existe neste vinho tão complexo. Para além disso temos o iodo e as notas de farmácia. A boca é notavelmente avassaladora. Bolas…quanta finura…nunca antes experimentada. Acidez al dente, concentração bem medida, profundidade e complexidade…na medida certa. A característica primordial deste vinho é mesmo a precisão. O mais “certeiro” Tawny alguma vez provado…talvez mesmo um dos maiores exemplares da excelência do DOURO!

Contacts
Symington Family Estates
Travessa Barão de Forrester 86
Apartado 26
4431-901 Vila Nova de Gaia
Portugal
Tel: (+351) 223 776 300
Fax: (+351) 223 776 301
E-mail: symington@symington.com
Site: http: www.symington.com

Quinta do Monte Xisto 2012

Texto José Silva

Com o bom gosto e o humor que se lhe reconhece, a família Nicolau de Almeida lançou a colheita de 2012 do seu vinho Quinta do Monte Xisto num local inusitado, a estação de caminho de ferro de S. Bento, na cidade do Porto.

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Caixas Quinta Monte Xisto 2012 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sala Estação de São Bento – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma das muitas salas do primeiro piso do velho edifício, foi decorada com algumas mobílias da própria família, um singelo arranjo com xisto e plantas silvestres vindos de Foz Côa e algumas caixas de madeira que embalam o vinho, como elementos identificativos da origem desta sua criação.

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João Nicolau de Almeida – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

With the presence of all of the family elements but young João Nicolau, it was the father’s duty to do the honor of the house and present this new vintage of a wine that is prepared with the opinion of the whole family. As he said: “This wine is a blend of the Nicolau de Almeida family, it is discussed among all and we all learn with each other”.

We moved on to the wine tasting, which showed itself in a very good shape, though still very young, and promising to follow in the footsteps of its almost sold out older brother, from the 2011 vintage, . Vineyards in schist soils, with a sometimes merciless climate, that rudeness of extremes, and a different viticulture from other places in Douro, producing healthy grapes, well matured, chosen with rigor. The wine aged in 600 liters oak barrels, mostly used ones.

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Quinta do Monte Xisto 2012 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Apresentou-se com uma cor vermelha rubi intensa, com bastante corpo, muito fino no nariz, sedoso, com boa presença de frutos vermelhos deliciosos, alguma frescura e um floral intenso e inebriante. Na boca apresentou-se cheio de elegância, com acidez bem balanceada, fresco, jovem, taninos poderosos bem domados, os frutos vermelhos muito aveludados, óptimo volume de boca, com notas ligeiras de especiarias e um delicioso final muito longo.
Nas palavras de João Nicolau de Almeida: “É elegante, fino, potente, sedoso, tem volume, apetece beber mais!”

Um vinho que vai certamente passar a ser um dos clássicos do Douro, com personalidade muito própria e um perfil que revela o estilo de fazer vinhos desta família. Como dizia Mateus Nicolau de Almeida: “A Quinta do Monte Xisto é uma criação nossa, da família, está lá o nosso adn, é um projecto de vida”.

Seguidamente, a convite da família Nicolau de Almeida, foi servido um almoço no restaurante DOP, do chefe Rui Paula, que foi inicialmente acompanhado por dois vinhos do Mateus Nicolau de Almeida, os Muxagat Rosé de 2013 e Branco de 2012, finalizado pelo vinho que estava a ser apresentado, o Monte Xisto 2012.

O Muxagat Rosé 2013, feito a partir de uvas das castas tinta barroca e tinto cão, colhidas na região da Meda, apresentou uma côr salmão fantástica. Algo floral e fresco no nariz, extremamente elegante, na boca é austero, seco, com óptimo volume e final longo, muito gastronómico.

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Mini Pastel de Chaves – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Acompanhou salmão fumado com nata azeda, queijo Brie com compota de três pimentos e um delicioso mini pastel de Chaves.

O Muxagat branco 2012 apresentou uma côr amarela clara cristalina, o nariz com notas adocicadas, muita fruta branca madura, fresco, elegante e delicado.

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Carpaccio de Polvo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na boca esteve possante, autoritário mas com muita frescura, uma acidez incrível, grande estrutura e elegância, muita elegância, e acompanhou um carpaccio de polvo com verduras e telha de queijo mozzarela.

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Cachaço de Porco Bísaro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O prato de carne, um cachaço de porco bízaro com puré de aipo e espargos verdes, foi companhia pefeita para o  novo Quinta do Monte Xisto 2012, e duma deliciosa trilogia de chocolate, a rematar uma óptima refeição.

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Família Nicolau de Almeida – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Despedimo-nos desta família Nicolau de Almeida, pelo menos até para o ano, para mais um vinho com o seu adn.

Contactos
Caminho do Curral Teles Vila Nova de Foz Côa
5150-636 Vila Nova de Foz Côa