Blend All About Wine

Wine Magazine
Madeira, uma Paixão

Texto João Pedro de Carvalho

No constante fervilhar de novidades, eis que a Madeira se começa a destacar com os seus vinhos de mesa, onde brilham essencialmente os Verdelho, carregados de frescura e mineralidade com um atrevido toque salino.

Neste caso o destaque vai para a Paixão do Vinho gerida por Filipe Santos cujos vinhos Primeira Paixão se têm destacado nos últimos anos pela qualidade e diferença, sendo o Verdelho o mais conhecido. Foi durante a última passagem pela ilha da Madeira que Filipe Santos deu a conhecer os seus mais recentes vinhos já disponíveis no mercado, o Primeira Paixão Rosé 2013 e o tinto Primeira Paixão Merlot 2012.

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Primeira Paixão Rosé 2013 © Blend All About Wine, Lda.

Primeira Paixão Rosé 2013
Feito à base de Touriga Nacional, Merlot, Syrah, Tinta Roriz e Complexa, com uvas provenientes da zona do Seixal. Enologia a cargo de João Pedro Machado na Adega de São Vicente. Aroma de boa intensidade com destaque para frutos vermelhos bem maduros, leve vegetal a marcar com fundo a lembrar pederneira. Boca cheia de fruta bem viva e sumarenta, estrutura bem composta com boa frescura num conjunto bastante apetecível.

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Primeira Paixão Merlot 2012 © Blend All About Wine, Lda.

Primeira Paixão Merlot 2012
Uvas provenientes de uma encosta perto do mar na zona do Caniçal, Merlot com um toque de Touriga Nacional, enologia de Francisco Albuquerque. Passou cerca de seis meses em barricas, num conjunto marcado pelo vegetal fresco num ligeiro balsâmico com a fruta madura (ameixa, framboesa) de segundo plano, frescura de conjunto, tabaco, pimenta. Perfil fresco com vida pela frente em final longo e persistente.

Contactos
Paixão do Vinho
Via Rápida Cota 200 posto Repsol Norte Jardim Botanico
9060-056 Santa Maria Maior – Funchal
Tel: (+351) 291 010 110
Site: www.paixaodovinho.com

Eu e a minha sombra: Na estrada com Luís Sottomayor, vindima do Douro 2014

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

A cada vindima no Douro, Luís Sottomayor acumula em dois meses, cerca de 10 a 15 mil quilómetros em viagens até às várias vinhas e adegas para avaliar as uvas e fazer vinho. Trabalho duro! Mas, para o Enólogo Director da Sogrape, é, de longe, a sua época favorita do ano. No final de Setembro passei três dias a acompanhar Sottomayor para saber mais sobre a vida no dia-a-dia de um Enólogo Director numa vindima.

Então o que é que eu descobri na nossa viagem da vindima de 2014? Bem, para começar, deixem-me dizer que não foi surpresa nenhuma quando Sottomayor me confidenciou que teria seguido uma carreira no exército se não tivesse seguido a tradição da família e entrado no negócio do vinho. O homem tem nervos de aço. Supervisionar uma tão vasta vindima é quase equivalente a uma expedição militar, mesmo sendo a sua 26ª vindima.

Por um lado é necessário um delineamento estratégico, especialmente no pleaneamento antecipado. O primeiro passo consiste em averiguar as exigências de produção de cada um dos tipos de vinho, DOC Douro e Porto, bem como de cada uma das marcas (includindo Ferreira, Sandeman, Offley e Casa Ferreirinha). Depois é necessário saber qual a melhor maneira de responder a essas exigências, com recurso aos 500 hectares de vinhas da Sogrape e aos fornecedores (de uvas e vinho). Um plano  evidencia as uvas que serão escolhidas, quando e como.

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Na Quinta do Sairrão em S. João Pesqueira, preparados para a vindima, faça chuva ou faça sol – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Por outro lado uma “expedição” como uma vindima requer reacções rápidas. Onde não se considera as oscilações climatéricas da mãe natureza, compensa ser flexível. A vindima de 2014 é um exemplo perfeito. Embora Sottomayor e a sua equipa revejam semanalmente o plano delineado em Agosto, a chuva intensa obrigou a contínuas alterações do calendário das vindimas (talvez com um desvio de 20% em relação ao plano original, diz o prório Sottomayor). Além do mais, com a produção em baixa, foi necessário encontrar novas fontes de fornecimento de uva.

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Luís Sottomayor, ou o Sr. Tesouras de Poda como também é conhecido na Quinta do Caêdo – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

É necessário um “exército” – entre 200 a 300 pessoas – durante o período das vindimas, o que significa que é essencial uma soberba capacidade de liderança. E Sottomayor, ou o Sr. Tesouras de Poda como também é conhecido, está perfeitamente preparado para dar o exemplo. O reconhecidamente exigente enólogo é fotografado na Quinta do Caêdo a retirar os cachos apodrecidos pela chuva. Naquele momento até me perguntei se ele iria assumir o papel de instrutor, subir as calças, entrar nos lagares e supervisionar a pisa da uva!

Mas estou a divagar. Vamos começar pelo princípio, na Quinta do Porto em Sabrosa, perto do Pinhão, onde passamos uma manhã húmida e nublada com o proprietário e viticulutor Vitorino a provar o Tinta Roriz. O objectivo? Avaliar o tamanho das bagas (que terá impacto na produção), quando deverão as uvas ser colhidas e qual o seu destino – no vinho do Porto ou do Douro e a que nível de qualidade. Para Sottomayor, apesar da utilização das imagens de satélite para ajudar na avaliação do nível de maturidade das uvas, não existe substituto a uma visita às vinhas para provar as uvas.

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Luís Sottomayor com Vitorino na Quinta do Porto – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Lição número um, evitar as uvas das vinhas que circundam o vinhedo. O solo é mais rico e mais produtivo e portanto não representativas. Então emaranhamo-nos no vinhedo onde provamos a Tinta Roriz de duas parcelas diferentes. Sottomayor reconhece então que a primeira terá como destino vinhos básicos ou Portos enquanto que a segunda, que já mostra uma melhor estrutura e perfume está destinada a voos maiores. A primeira será fermentada em cubas e depois extraída gentilmente. Quanto à de melhor qualidade “Vamos extrair tudo” diz Sottomayor, que devido às suas condições amenas vai caracterizar o ano 2014 para a Tinta Roriz, uma casta que só se dá bem a cada dez anos. Será pisada nos lagares.

Também demos uma primeira vista de olhos às vinhas Touriga Franca. Embora ele descreva a casta como “normalmente o melhor amigo do enólogo”, a chuva não tem ajudado. Como Sottomayor tinha antecipado, tem os primeiros sinais de apodrecimento (a Touriga Franca tem cachos relativamente compactos e assim, quando chove muito as uvas incham, exercendo força umas sobre as outras, podendo acontecer rompimento o que abre portas a uma possívle infecção). Um cheiro a vinagre (sumo de uva oxidado) evidencia os cachos mais afectados, mas claro que Sottomayor olha além das mais superficiais e puxa os cachos para averiguar se há rompimento ou apodrecimento. A decisão é que a vindima deve ser executada rapidamente, num prazo máximo de dois dias.

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Vindima em Sousão na Quinta do Caêdo – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Rapidamente atravessamos o rio e nos pusemos a caminho das Quintas do Vau e do Caêdo em Ervedosa do Douro onde está uma equipa a arduamente vindimar as vermelhas Sousão (daí as caixas floridas com manchas roxas). Enquanto caminhamos pelo vinhedo, Sottomayor descarta à volta de doze cachos em rápida sucessão, ao mesmo tempo que explica que é necessário retirá-los porque durante o transporte as uvas apodrecidas iriam destruir [e manchar] os restantes 25Kg da caixa.

Como Sottomayor tinha previsto e apesar de um início de dia pouco auspicioso, ao meio-dia o sol aparece e vamos para a frente com o nosso almoço-piquenique entre as vinhas. A seguir é a Quinta do Seixo (Valença do Douro) para provar amostras de fermentação e uvas fermentadas que foram colhidas antes das chuvas intensas. Estas escuras, ricas mas equilibradas componentes de mistura confirmam que se não fosse a chuva, este poderia ter sido um ano clássico de Porto Vintage.

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Amostras tintadas na Quinta do Seixo – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

É divertido provar os Portos na sua crua juventude e contrastar com a mistura de vinhas de uma única casta, a Tinta Francisca (floral e elegante). É a primeira vez que provo esta casta a “solo” e, transpira, a primeira vez que Sottomayor a faz. Esta relativamente rara casta foi apenas plantada em 2008 e por isso quer tirar-lhe as medidas. Normalmente para melhor entrosamento e equilíbrio prefere co-fermentar, juntamente com castas diferentes (e com exemplares de diferentes vinhas) do que misturar antes da fermentação. A vindima é planeada de acordo com isso.

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Luís Sottomayor com Eduardo Gomes a provar Touriga Nacional – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Depois da degustação vamos visitar as vinhas nas quais Sottomayor e o Eduardo Gomes me proporcionam uma masterclass na identificação das uvas da Touriga Nacional que estão prontas a ser colhidas. Primeiro, quando se retira uma uva, esta deve sair facilmente do cacho. Depois, quando a apertamos, devagar, com o polegar e o indicador, se estiver madura e pronta a ser colhida retem as marcas dos dedos. As peles maduras não devem ser amargas nem vegetais, mas a melhor pista para a qualidade dos taninos são as grainhas. Devem desfazer-se na boca. A polpa deve reter uma boa acidez e perfume.

Embora Sottomayor reconheça que mais uma semana de permanência em vinha permitiria à Touriga Nacional do primeiro local (solos mais pobres) atingir a maturação perfeita, há que ser pragmático. Está prevista muito mais chuva para o dia 7 de Outubro e portanto a decisão é de as colher no dia seguinte. Nisto diz o Eduardo Gomes “Temos dois chapéus, o de viticultor e o de enólogo, hoje ganha o viticultor.”. Mesmo assim, Sottomayor acha que a Touriga Nacional vai alcançar o patamar DOC Douro/Porto Vintage. Quanto à parcela de vinhas que visitamos com solos mais ricos, perto do curso de água, é outra história. Não está tão madura e precisa de mais uma semana antes de ser colhida.

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Luís Sottomayor em degustação com um fornecedor – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

No segundo dia passamos por um fornecedor independente para avaliar a qualidade de alguns novos e básicos Portos, isto a caminho do mais alto vinhedo da Sogrape, os consideráveis 120 hectares da Quinta do Sairrão em S. João da Pesqueira. Elevando-se (desde so 120m) até 700 acima do nível médio das águas do mar e os seus pontos mais altos fazem com que seja um dos mais incrivéis e ultimamente mais escolhidos vinhedos. Desde 2006 que tem sido um contributo para a altíssima Casa Ferreirinha Barca Velha e é também responsável pelo aparecimento de um novo vinho branco, o Casa Ferreirinha Antónia Adelaide Ferreira 2012.

Excepcionalmente, porque a chuva foi pior no cimo do vinhedo, as vinhas mais altas estão a ser colhidas primeiro. Como é esperado, uma das coisas boas que a elevação traz é boa exposição ao vento. Isso ajuda a secar a fruta. Para tirar o máximo partido disso, na semana anterior Sottomayor deu instruções para se desfolhar as vinhas da Touriga Nacional e da Touriga Franca de modo a expor as vinhas ao sol. No entanto, de preferência ambas ainda precisam de uma quinzena para desenvolvimento do sabor e maturação ideal dos taninos. Embora reconhecendo que é um risco, é um risco pesado com base no facto de ainda poderem atingir a qualidade de Reserva. É um risco que está preparado a correr, adicionando, “Se chover, vimos a correr!”. Num tom mais feliz, a Tinta Roriz das vinhas mais altas está com óptimo aspecto e será colhida neste dia.

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Vinhas desfolhadas na Quinta do Sairrão em S. João Pesqueira – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

A seguir provamos alguns vinhos brancos directamente do lagar e das barricas, todos colhidos antes da chuva. Sottomayor está extremamente satisfeito com a qualidade apresentada dizendo mesmo “Melhor do que em 2013, mais ácido e muito limpo” (Este sentimento foi reforçado pela degustação final na Quinta do Cavernelho em Vila Real no caminho de volta ao Porto).

Enquanto provamos Rosés, Tintos e Portos da Quinta, produzidos a partir de uvas colhidas antes e depois das chuvas, Sottomayor realça as vantagens de ter tantos componentes para lotear, bem como de sítios diferentes, à sua disposição (e dentro desses sítios, os diferentes aspectos e diferentes elevações). E por falar nisso, o nosso dia termina com a visita a mais alguns produtores de vinho e à Adega Cooperativa de Freixo de Numão, onde das 4 amostras concordamos quais as duas que melhor encaixavam no Ruby e no Tawny.

Harvest at Leda Credit Sarah Ahmed

Vindima na Quinta da Leda, Almendra – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

No terceiro dia estamos no coração do Douro Superior e de visita à jóia da coroa da Sogrape no que toca a vinhos tintos DOC Douro, Quinta da Leda em Almendra, a principal fonte de Barca Velha. Para acelerar o processo, o enólogo residente António Braga tem aqui hoje, 50 pessoas a vindimar. Diz que foi um ano pouco ortodoxo com 90mm de chuva durante a vindima, número esse que, em 2005, representou a precipitação de todo o ano!

Embora tenha resultado em alguma diluição e apodrecimento, Braga diz que o tempo quente que se seguiu ajudou à recuperação das vinhas. Acredita que “No entanto é um ano muito, muito bom para as uvas colhidas após a chuva. E um ano fantástico para uvas colhidas antes da chuva” (e ficou patente nas amostras que provamos). Além do mais, mesmo sendo as uvas Touriga Franca sempre mais pequenas na Leda, a divisão dos cachos não é tão problemática como nos outros sítios.

Ainda assim, mesmo as uvas sendo mais diluídas do que o habitual, Sottomayor decide que elas precisam de mais 7 a 10 dias para se concentrar – será a última casta escolhida, o que é arriscado, por isso os dois concordam em colher algumas parcelas mais cedo de modo a mitigar o risco . Pelo menos há menor probabilidade de ser comido pelos javalis que se alimentam das vinhas. Aparentemente, eles preferem (castas mais doces) a Touriga Nacional e a Tinta Barroca.

Luis Sottomayor & Antonio Braga tasting at Leda Credit Sarah Ahmed

Luís Sottomayor em degustação com António Braga na Quinta da Leda, Almendra – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Como no que toca ao consumidor final, o que interessa é a qualidade dos vinhos quando acabados. Não vamos falar de batalhas, será que Sottomayor ganhou a guerra em 2014? Apesar de ter dito que a qualidade dos tintos só ficaria mais latente em Novembro, depois dos vinhos terem concluído a fermentção maloláctica, quando o encontrei em Londres, uns quinze dias depois numa antevisão do Sandeman Cask 33 Very Old Tawny Port, disse-me que apesar da vindima ainda estar a decorrer (e estava a chover naquele dia na Quinta do Sairrão), estava “muito feliz” com a qualidade do vinho, incluíndo Touriga Franca que tinha sido colhida uma semana antes.. “belos aromas, mas ainda está a fermentar, veremos..”. Não é apenas um homem de precisão militar, é também um político!

Cinco dias depois recebi o relatório da vindima da Sogrape. Aqui está o que diz em relação ao Douro:

“Na Quinta do Seixo, a vindima começou dia 4 de Setembro, com uvas da Quinta e uvas da Quinta do Caêdo, das vinhas mais próximas ao Douro e com exposição a Oeste e a Sudoeste. No dia 15 de Setembro já tinham sido colhidas 600 toneladas e o entusiasmo entre os trabalhadores das adegas era perceptível devido à qualidade das uvas que iam chegando e aos resultados alcançados durante a fermentação.

Eduardo Gomes, o responsável pela vinificação nesta adega, atribuiu o resultado ao nível de consistência apresentado durante o período de maturação, devido ao clima ameno. Não houve calor excessivo, as plantas não passaram por nenhuma falta de água, e isto resultou em uvas de qualidade e muito saudáveis.

Da mesma forma, na Quinta da Leda no Alto Douro, as expectativas também foram elevadas no início da vindima, pelas mesmas razões. António Braga, o enólogo residente neste adega, realça uma maturação lenta, durante o qual a videira funcionou bem, o que significa que as uvas que entraram adega estavam em boa condição fisiológica.

Agora, a vindima está praticamente a acabar, e o Enólogo Chefe da Sogrape Vinhos na região do Douro, Luís Sottomayor, diz que os vinhos 2014 são de muito boa qualidade, e está, justificadamente, muito satisfeito. Apesar de a vindima ter decorrido praticamente durante duas semanas de chuva, isto adicionou frescura, um bom sabor frutado e um amplo volume dos vinhos na boca.

As condições climatéricas que se verificaram durante a maturação e durante a vindima afectou as principais castas de uvas de forma diferente. Em particular favoreceu a Tinta Roriz. De acordo com Luís Sottomayor, 2014 foi o ano para esta casta, uma vez que beneficiou de um ciclo de crescimento fresco, sem picos de calor, o que levou as condições ideais para a maturação. A formação da uva foi uniforme e a pele desta casta resistiu aos efeitos da chuva e deu origem excelentes vinhos. Por outro lado, a variedade Touriga Franca, que prefere altas temperaturas e tempo seco, não estava no seu melhor nesta época de chuva. No entanto, os vinhos feitos no início da vindima de 2014, quando não havia chuva, são de boa qualidade.

2014 também foi um bom ano para os vinhos brancos, porque, na opinião de Luís Sottomayor, foi um ano que promoveu boa acidez e expressão aromática, o que resultou nalguns vinhos elegantes. No entanto, a quantidade foi um pouco menos do que no ano anterior, em especial nas áreas mais altas. ”

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Dona Maria, entre o clássico e o moderno

Texto João Pedro de Carvalho

Na Quinta de Dona Maria em Estremoz mora um misto de classicismo e modernidade que se soube transportar de forma elegante para os vinhos ali produzidos.

A enologia de Sandra Gonçalves é precisa e refinada, resultando em vinhos com alma e cheios de detalhe, sérios com elegância e frescura num misto que se reflete numa muito boa longevidade.

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Quinta Dona Maria – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Nos exemplares mais clássicos assentes no carácter dos solos argilo-calcários da região surge a gama Dona Maria (tinto, branco e rosé) com o apogeu a ser atingido no Dona Maria Reserva, complementam a oferta os varietais de inspiração mais moderna, como por exemplo o Viognier 2013 e o Touriga Nacional/Petit Verdot 2011 aqui colocados em destaque.

Lado a lado constatamos que tanto o Dona Maria tinto e branco são vinhos de traçado clássico, naquele Alentejo que se torna tão especial dentro daqueles portões, vinhos ainda muito novos com apetite voraz para a mesa mais composta, mostrando pelo preço a rondar os 8€ uma enorme relação preço/satisfação.

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Dona Maria Viognier 2103 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Dona Maria branco 2013
Feito com base nas castas Arinto, Antão Vaz e Viosinho, boa frescura de conjunto com fruta de polpa branca, vegetal, fruta tropical e citrinos. Conjunto equilibrado, fruta presente no palato, elegante com final persistente.

Dona Maria Viognier 2103
Cheio de flores, com pêra e pêssego maduro, ligeira calda envolta em frescura num conjunto sério, sem ser muito expansivo e que se mostra com algum peso no palato. Frescura a envolver tudo, numa prova refinada e de encontro à casta.

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Dona Maria tinto 2011 | Dona Maria Touriga Nacional/Petit Verdot 2011 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Dona Maria tinto 2011
Passou 6 meses em barrica, bom conjunto com frescura e muita fruta vermelha bem sumarenta com notas fumadas, ligeira especiaria em fundo numa boa complexidade. Firme, boa frescura na boca assente numa estrutura firme que lhe assegura longevidade.

Dona Maria Touriga Nacional/Petit Verdot 2011
As duas castas que em anteriores colheitas moravam sozinhas decidiram juntar-se, surge a versão dueto em 2011. Aroma intenso a combinar o melhor de cada casta, flores e fruto silvestre com algum vegetal/balsâmico num conjunto que combina ligeira austeridade de fundo com uma gulodice da fruta tanto no aroma como na entrada do palato. Amplo, saboroso, equilibrado com a frescura a marcar pontos num final persistente e longo.

Contactos
Quinta do Carmo 7100-055 Estremoz
Tel: (+351) 268 339 150
Fax: (+351) 268 339 155
Email: donamaria@donamaria.pt
Site: donamaria.pt

Quinta de S. José

Texto José Silva

Pertencente à família Brito e Cunha, ainda descendente de D. Antónia Adelaide Ferreira, a Quinta de S. José situa-se num dos trechos mais bonitos e emblemáticos do Douro, na freguesia de Ervedosa, uma sub-região onde estão algumas das mais importantes quintas do Douro.

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Trecho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Quintas mais importantes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E que se estendem desde a beira rio até lá ao alto, a mais de 600 metros de altitude. São 10 hectares de vinhas próprias, de uvas tintas, sendo as uvas brancas compradas fora, sobretudo em Murça e na Meda.

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10 Hectares de Vinha – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No total produzem cerca de 46.000 garrafas, das quais 2.000 são de Porto Vintage. Os terrenos são muito xistosos, característicos, e as vinhas velhas ainda abundam, hoje muito disputadas pelos produtores, que querem cada vez mais fazer vinhos com classe, com elegância, únicos.

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Vinhas da Quinta de S. José – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A Quinta de S. José tem vinhas próprias que ocupam este tipo de terrenos e vão por ali acima também, e recentemente inaugurou uma nova adega, muito moderna, mesmo no cimo da propriedade, com aplicação de tecnologias de ponta e com espaço para poder aumentar a produção.

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Novas Tecnologias – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Espaço para aumentar produção – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Cá em baixo, junto ao rio, há uma moderna loja de vinhos, onde também se conta a história da quinta e um pouco da região, onde se provam os vinhos, que também se podem comprar.

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Moderna Loja de Vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Todos os anos há novas colheitas e novos lançamentos de vinhos, entre brancos e tintos, duma produção que vai sendo distribuída um pouco por todo o pais mas que ainda tem capacidade para ser exportada para vários locais do mundo, sendo o Brasil um dos melhores mercados.

Em visita recente provaram-se as novas colheitas que estão no mercado, começando-se pelo Quinta de S. José Branco 2013, que se apresentou cheio de frescura, com muitas notas tropicais, excitante, com uma acidez equilibrada, cheio de força, um vinho jovem, com muita vida.

Seguiu-se o Branco Reserva também de 2013, muito  elegante, com notas de fruta branca madura, muito fresco, cremoso, bem frutado, com bom volume de boca, cheio, persistente e seguro.

Passamos então aos tintos com o Quinta de S. José 2012, granada médio, muito limpo, notas de frutos vermelhos no nariz, intenso, jovem e fresco. Bela estrutura, na boca os frutos vermelhos muito maduros, taninos seguros e elegantes, boa acidez a equilibrar o conjunto, com final longo.

O tinto seguinte foi o Reserva 2012, granada escuro, muito limpo, frutos pretos muito maduros e alguma frescura no nariz. Na boca revelou-se com belo volume, intenso, ameixas pretas e amoras, bela acidez, taninos já bem domados, muito elegante mas potente, com grande final.

Veio então o Grande Reserva 2011, granada escuro, muito limpo, cremoso, cheio de elegância, frutos vermelhos intensos, notas suaves de baunilha, algum floral, um perfume. Sedoso, aveludado, frutos pretos muito maduros, acidez muito equilibrada, fragrâncias de ervas do monte, esteva, urze, muito complexo e com grande final, um grande vinho.

Para terminar em beleza, o Porto Vintage 2009, rubi escuro, carregado, nariz delicioso, notas de chocolate preto, amoras passadas e algum floral. Acidez vibrante, notas incríveis de frutos pretos, chocolate preto, passas e figos, ligeiro balsâmico, cheio de complexidade, exótico e com final muito longo, um belo vintage.

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Petiscos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Petiscos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os vinhos tiveram a companhia de muitos petiscos delicioso.

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João & Sofia – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Casa Principal – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Este casal, que se dedicou com paixão e bom gosto a este projecto de vida, explora também um simpático turismo rural, constituído pela casa principal, onde vivem, e várias pequenas casas que resultaram da recuperação de ruínas ali existentes, agora com todo o conforto.

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Casa Recuperada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

Estão envolvidas pela vinha e com o rio ali mesmo ao pé, num ambiente delicioso, de grande beleza, em que a natureza proporciona não só toda aquela beleza mas também um sossego contagiante.

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Piscina – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Um local ideal para passar uns dias tranquilos, com o Douro por companhia.

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Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Contactos
Quinta de S. José
5130-123 Ervedosa do Douro
Tel: (+351) 254 422 017
Telemóvel: (+351) 93 4041413 | (+351) 93 6500180
Email: Vinhos: joaobritoecunha@quintasjose.com | Turismo: sofiaprazeres@quintasjose.com
Site: www.quintasjose.com

Os Bio-adoráveis vinhos da Quinta da Serradinha

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Carácter acima de tudo. Vinhos exclusivos com muita personalidade, certo? Não é suficiente fazer vinhos tecnicamente sólidos, é preciso algo que os distinga. E não estou apenas a falar do terroir. Quer dizer, pode ter o melhor terroir do mundo, como o fantástico Romanée-Conti, mas se isso não passar para os seus vinhos mais vale plantar as vinhas em cima de uma grande pilha de lixo tóxico. Basicamente ninguém quer saber se o resultado final é um vinho com botox e demasiado polido, mesmo que seja “razoável”.

Os bons vinhos são aborrecidos e os grandes vinhos nunca são perfeitos. Pelo menos não para mim. O que faz um grande vinho verdadeiramente grande é o factor-x, aquela ligeira singularidade que te vai fazer uivar como um lobo para a lua cheia. Grandes vinhos não são necessariamente fáceis ou sequer muito saborosos ao início. Na verdade, eles podem ser verdadeiramente desagradáveis. Porém, quando chegam àquele momento perfeito e libertam todo o seu potencial, é mágico.

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Vinhas Solarengas na Quinta da Serradinha – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Situada no coração da Mãe Natureza, a cerca de uma hora do norte de Lisboa, na D.O. Encostas d’Aire e perto da cidade de Leiria encontra-se a Quinta da Serradinha. Desde cedo que a quinta abraçou a agricultura biológica. O actual enólogo e capo António Marques da Cruz, disse que as pessoas estavam um pouco cépticas no dia em que o seu pai começou a tornar a propriedade biológica. Mas agora que o orgânico, biológico ou o que lhe quiserem chamar está na moda, podemos afirmar com segurança que a Quinta da Serradinha não era um bando de hippies a correr com flores no cabelo, mas sim os pioneiros de um movimento que, desde então se tornou amplamente praticado.

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Uvas quase prontas para colheita – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Provei pela primeira vez os vinhos da Quinta da Serradinha num evento de vinho no Porto. Embora os vinhos fossem bastante interessantes não me diziam muita coisa neste tipo de degustação. Senti que fui apressado e não tive o tempo necessário para me envolver com os vinhos. Porém, ficaram na minha cabeça e estava curioso para os provar novamente, mas viver na Finlândia faz com que provar vinhos portugueses seja difícil. Felizmente tive a oportunidade de finalmente visitar a propriedade.

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A Adega – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

No caminho para a adega vi algo curioso e não conseguia acreditar no que os meus olhos estavam a ver. Algo bastante primitivo, mas sofisticado. Atrás de uma grande cerca de arame farpado havia um vinhedo. Um vinhedo dentro de uma prisão! Estava pasmado. Isso nunca aconteceria na Finlândia, e não apenas porque é climaticamente desafiante. Aparentemente, em Portugal levam muito a sério o cultivo de uvas. Quase me fez querer roubar um banco.

De qualquer forma, ao chegar à Quinta da Serradinha passamos por muitas vinhas bonitas e espessas. A adega em si parece bastante, hmm, “com-os-pés-no-chão”. Não há piscinas intermináveis ou fontes elegantes na entrada. Apenas o essencial, rústico. A adega é a própria simplicidade, sem aqueles disparates todos e engenhocas inúteis. Poucos tonéis, barris, um par de ânforas e acho que vi também uma bomba num canto qualquer. Podemos rapidamente sentir de que esta é definitivamente uma quinta de intervenção mínima, uma adega pragmática. As vinhas falam por si.

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Amostra de barril – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Sentamo-nos na adega e degustação dos vinhos começou. Amostras de barril, brancos feitos de variedades como Arinto, Fernão Pires e Encruzado, vinhos rosé feitos em ânforas, algo que não se vê muitas vezes. Os vinhos apresentavam toneladas de personalidade. Alguns um pouco “funky”, alguns muito puros e elegantes, mas nenhum deles aborrecido. Houve uma consistência de exclusividade nos vinhos que achei muito atraente. Um certo charme que me fez querer provar e aprender mais sobre estes vinhos. No entanto, como sempre houve um par de vinhos que realmente se destacou.

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Normalmente garrafa vazia significa um bom vinho – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quinta da Serradinha “poupa” 1999
O pássaro no rótulo não é apenas um pombo de vinha qualquer, é um pássaro de poupa também conhecido como poupa em Portugal. Este companheiro especial é fantástico porque protege as vinhas ao comer alguns dos insetos indesejáveis e assim diminuindo a pressão na utilização de pesticidas. Lindo passarinho.

Consistindo principalmente por Baga (75%), este vinho não mostra qualquer tipo de crise de meia-idade. Aromas desenvolvidos, mas ainda com algumas agradáveis frutas vibrantes de fundo. Muitas especiarias e alguns tons de terra com notas de aneto. É surpreendentemente delicado, mas com um taninos firmes sugerindo certamente encontraria o seu lugar ao lado de uma boa refeição. Atrevo-me a dizer que este deve ser um dos melhores vinhos Baga fora da Bairrada. Muito bom.

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António a decantar uma garrafa – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quinta da Serradinha Vinho Tinto 1989
Estamos sempre um bocadinho alerta quando degustamos tintos portugueses pré-90. Embora alguns possam envelhecer durante décadas, alguns tendem a ter um curto período de vida. Não significa necessariamente que sejam maus vinhos, apenas significa que atingem o pico mais cedo tornando-os mais “amigo” do consumidor.

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Joaninha, o mascote da Quinta da Serradinha – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Tenho que dizer porém, que este vinho me surpreendeu. Mesmo estando bem amadurecido tem alguns belos aromas perfumados de mirtilos e ervas. Adorável textura ainda com alguma frescura da Serra d’Aire. Alguns podem dizer que este vinho já passou o seu tempo, mas é uma questão de gosto. Eu acho que estes vinhos ainda são bons de beber mas estão a chegar ao ponto de “ou se bebe agora, ou nunca”.

Contactos
Quinta da Serradinha
Barreira Apart. 4040
2411-901 Leiria
PORTUGAL
Tel.: (+351) 244 831 683
Telemóvel: (+351) 919 338 097
E-mail: amc@quintadaserradinha.com
Site: www.quintadaserradinha.com

Herdade das Servas Reserva Alicante Bouschet 2011

Texto João Pedro de Carvalho

A família Serrano Mira está ligada à produção de vinho há inúmeras gerações. Nas suas propriedades foram conservadas talhas de barro, datadas de 1667, que serviam de recipientes para a produção de vinho.

Os irmãos Mira (Carlos e Luís) acompanharam desde muito cedo as actividades familiares no sector do vinho, até que decidiram tornar o sonho realidade com a criação em 1999 da Herdade das Servas (Estremoz). Hoje com cerca de 220 hectares de vinhas, com idades compreendidas entre os 20 e os 60 anos, dispõe de uma moderna e atraente unidade de enoturismo onde se destaca o Restaurante da Herdade das Servas recentemente inaugurado.

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Herdade das Servas Reserva Alicante Bouschet 2011in Restaurante da Herdade das Servas – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Quanto a vinhos a mais recente novidade, com enologia de Tiago Garcia, é o Herdade das Servas Reserva Alicante Bouschet 2011. Passou 14 meses em madeira mais 14 meses em garrafa, um vinho cheio e encorpado, marcado pela excelência da fruta madura, opulento e cheio de energia, balsâmico, chocolate preto e especiarias, toque de madeira, denso compensado pela boa frescura presente num conjunto com muita vida pela frente. Na boca ainda muito novo, muita fruta sumarenta, grande estrutura, saboroso e a pedir tempo para afinar a elegância que já mostra ter. Muito sabor num conjunto fresco e de muito boa qualidade. Final longo e persistente neste belíssimo exemplar de Alicante Bouschet.

Contactos
Serrano Mira S.A – Herdade das Servas
Apt. 286 – 7100-909 Estremoz
Tel: (+351) 268 322 949
E-mail: info@herdadedasservas.com
Site: www.herdadedasservas.com

Narcissus Fernandesii, simplicidade e requinte de mãos dadas

Texto José Silva

É um hotel de cinco estrelas ainda muito recente, situado em Vila Viçosa, bem no interior alentejano, numa região de grande produção de mármore. E este produto nobre está por todo o lado nas belas instalações do hotel, em combinações tradicionais e outras mais modernas e mesmo muito arrojadas. Neste hotel, como não podia deixar de ser, funciona um restaurante, mas que apresenta algumas soluções decorativas muito particulares, de extremo bom gosto, como a iluminação.

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Fantástica Iluminação de Sala – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E que tem na sala principal uma mesa que é uma obra de arte: uma enorme mesa de mármore com um tampo de vidro, que é feita dum único bloco de mármore branco, uma beleza!

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Mesa de Mármore com um Tampo de Vidro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Serve como mesa principal para o buffet de pequeno-almoço, muito completo, e para refeições para grupos, a dar um toque exótico a uma bela refeição.

O restaurante tem à frente da equipa de cozinha um jovem chefe de português que desenvolve um trabalho notável, a formar os seus ainda mais jovens colegas, dando-lhes os conhecimentos necessários para que nada falhe ou falte, quer no dia-a-dia dos pequenos-almoços, nos almoços executivos e de trabalho, quer nos jantares mais sofisticados, com mais tempo.

O chefe Pedro Mendes pode assim desenvolver o seu trabalho, apoiado em produtos de excelência, a maior parte deles portugueses e alguns mesmo menos vulgares, como a utilização de algas do mar e de bolota alimentar, entre outros exemplos.

Chama-se “Narcissus Fernandessi” e tem já clientela dedicada, com muitos estrangeiros, que ali vão em busca da qualidade das ementas requintadas e variadas, de alguma surpresa que o chefe e a sua equipa, muitas vezes preparam, e de belas harmonizações com muitos dos melhores vinhos alentejanos.

A equipa de sala, liderada por um profissional experiente e atento, reúne todas as condições para nos servir com simpatia e competência, ajudando a proporcionar-nos uma experiência gastronómica que não vamos esquecer.

Na última visita, com alguns amigos, tivemos um jantar delicioso, cheio de equilíbrio, com apontamentos de enorme bom gosto.

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Pão Regional – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Não podia faltar o pão regional e o óptimo azeite do Alentejo, para amaciar o palato.

Começou então um desfile de pratos saborosos, apresentados com requinte e explicados pelo pessoal de sala duma forma simples mas eficiente.

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Creme de Moganga e Nata Trufada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Veio primeiro um creme de moganga e nata trufada, servido numa simpática chávena, muito saboroso e delicado, a nata bem ligada, muito bom. Seguiu-se uma soberba sopa de gila com pão de bolota – um dos produtos que o chefe Pedro Mendes trabalha com paixão – pó de presunto e ovo de codorniz.

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Sopa de Gila com Pão de Bolota sem o Caldo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sopa de Gila com Pão de Bolota – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Primeiro veio o prato com os conteúdos e de seguida foi acrescentado o caldo, bem quente, de belo efeito. Estava delicioso! Veio então o carabineiro do Algarve, carnudo e apaladado, com creme de couve flor e coentros, endívia e emulsão de limão. Díficil de descrever, tanta simplicidade e tanto requinte, tanta elegância, com todos os elementos a fazerem uma harmonização perfeita.

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Carabineiro do Algarve – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas ainda fomos surpreendidos com um “foie-gras” confeccionado no ponto, a rondar a perfeição, com uma emulsão de diospiro a fazer uma ligação fantástica e meio bom-bom de “foie”, na companhia dum crocante pão de bolota a completar o requinte, excelente.

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Foie-Gras – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Crocante Pão de Bolota – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O prato de carne que foi apresentado era exótico, complexo, mas muito, muito bom: carne de veado fumada em azinho e alecrim, com redução de vinho Madeira, favinhas com coentros, creme de marmelo e uns pedacitos de couve flor panada, que belo prato!

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Carne de Veado Fumada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Passamos então às sobremesas. Primeiro o mogango e o almeice, num belo casamento de produtos menos vulgares, depois torta de mel, esponja de bolota, gelado de diospiro e creme de limão, contrastes soberbos e resultado voluptuoso, num grande final.

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Mogango e Almeice – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Esponja de Bolota – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os vinhos que acompanharam esta festa dos sentidos foram um Herdade do Pombal branco de 2011, um alentejano de Estremoz, já com alguma evolução, e por isso mesmo cheio de elegância, com notas secas e fumadas, belo volume, gordo, envolvente, a provar que os vinhos brancos evoluem muito bem com a idade.

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Herdade do Pombal white 2011 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Lima Mayer red 2008 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O outro foi um tinto de excelência, o Lima Mayer de 2008, ali da zona de Monforte, cheio de frescura e acidez, muito complexo e por isso mesmo fascinante, a aguentar muito bem as harmonizações propostas nesta bela refeição.
O Alentejo no seu melhor…

Jen Pfeiffer: Sou uma rapariga de Fortificados!

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Jen Pfeiffer, da Pfeiffer Wines, a principal enóloga australiana de vinhos fortificados, reconhece que provou vinho do Porto pela primeira vez antes de completar 10 anos. Referindo-se à sua infância afortunada, diz: “Cresci a pensar que era normal ter jantares com Porto Vintage todas as semanas! “. Este ano, na Quinta dos Murças, Pfeiffer cumpriu o sonho de fazer o seu próprio vinho do Porto. Encontrei-me com ela no Douro para saber mais sobre o seu mais recente projecto e fascínio por tudo o que é vinho fortificado.

Quando veio pela primeira vez ao Douro?

Visitei pela primeira vez o Douro com os meus pais quando tinha 10 anos. Lembro-me de me divertir com os balonges (cubas de fermentação em forma de cúpula) e com a viagem de comboio até ao Pinhão. Jantamos lá com o David Baverstock na Quinta do Bomfim da Dow’s, o que é engraçado, porque o David agora lidera a vinificação da Quinta dos Murças!

Esta é a segunda vez que está a fazer vinho no Douro. O que a atrai para o Douro e para Portugal?

Tendo em conta a minha paixão pelo Porto Vintage, ter a oportunidade de trabalhar no Douro foi o meu Santo Graal da vinificação, e só esperava que fosse um ano Vintage. Tive sorte suficiente para o fazer [na sua primeira visita, em 2007, Pfeiffer trabalhou para The Fladgate Partnership na Quinta da Roeda].

Fui embora com um enorme sentimento de conexão com a região e sempre haverá uma parte de mim que pertence aqui. Adoro a tradição e cultura de vinificação que aqui existem há séculos, a bondade das pessoas, o sal da terra, o senso de comunidade nas diferentes aldeias e o intenso esforço humano que durante séculos foi empregue a produzir as vinhas e o vinho. Para mim, o Douro é um lugar mágico.

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Jen Pfeiffer nos Lagares da Quinta dos Murças – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

A minha segunda visita não só confirmou a intensidade da relação que tenho com esta região, como também me concedeu uma nova oportunidade com a qual apenas sonhava. Não estou apenas a fazer o meu próprio Porto, estou também a trabalhar num lugar muito diferente, o que tem sido maravilhoso e muito educativo, especialmente porque a Quinta dos Murças faz bons vinhos de mesa, tão bem como os Portos.

Aprendi muito sobre a estrutura de vinhos de mesa do Douro – a extensão e finesse dos taninos e, dependendo da mistura, a elegância e o perfume ou a densidade e a riqueza da fruta. Não me tinha apercebido que os vinhos tintos fossem tão trabalhados nos lagares – não muito diferente do Porto.

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Chris & Jen Pfeiffer na adega dos barris da Pfeiffer Wines’, em Rutherglen – Foto Cedida por Pfeiffer Wines | Todos os Direitos Reservados

Produz uma vasta gama de vinhos fortificados (o famoso fortificado Muscats e Topaques de Rutherglen e outros feitos utilizando as técnicas do Sherry e do Vinho do Porto) e também tintos, brancos, doces e espumantes. Qual é o que lhe dá mais prazer a fazer?

Os fortificados, sou uma uma rapariga de fortificados! Para mim são os vinhos mais desafiantes. Misturar colheitas, variedades e lotes de modo a manter um vinho fantástico durante 50 anos significa que posso estar no meu estado mais criativo e adoro isso. Vindo de Rutherglen, a qualidade, intensidade e aromas do Muscats e Topaques pode ser excitante, tal como trabalhar com os muito delicados vinhos Apera [estilo Sherry] debaixo da flor com quase nenhum enxofre – é preciso um conjunto de diferentes competências. No final de contas, todos são os meus bebês – Não consigo destacar um fortificado como favorito!

Qual é o que gosta mais de beber?

Adoro o Riesling, o Shiraz e, claro, os grandes vinhos fortificados do mundo. Como é óbvio, aqui no Douro estou a gostar muito de beber Porto, especialmente depois de jantar o Porto Tawny 20 Anos porque já desenvolveu uma grande complexidade.

É um modelo raro para uma nova geração de enólogos de fortificados. Qual é a importância de manter a chama acesa para os vinhos fortificados?

É incrivelmente importante continuar a divulgar os vinhos fortificados – Nunca vou parar de partilhar pelo mundo fora o meu entusiasmo por estes vinhos e estou envolvida em iniciativas educacionais na Universidade de Adelaide e na Wine & Spirit Education Trust. Dentro da indústria de vinho de Rutherglen, jovens enólogos formaram um grupo chamado Rutherglen Young Bloods (Sangue Jovem de Rutherglen) cujo objetivo é levar o vinho da região para o mercado e mostrar sua relevância.

Um dos objetivos é mostrar às pessoas a versatilidade dos vinhos fortificados (não são apenas um digestivo para depois do jantar). Estes vinhos dão grandes aperitivos e podem formar a base de algumas misturas de bebidas fantásticas. Pfeiffer Seriously Pink Apera foi inspirado no tempo que passei na Quinta do Roeda onde é produzido o Croft Pink Port; os mixologistas estão a utilizar o nosso Aperas em cocktails. É uma óptima maneira de apresentar o vinho fortificado aos jovens.

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Pfeiffer Seriously Pink – Foto Cedida por Pfeiffer Wines | Todos os Direitos Reservados

Também há espaço para melhorar na maneira de servir vinhos fortificados com comida, o que também iria aumentar a sua relevância. Na porta da adega Pfeiffer Wines’ estamos sempre à procura de maneiras de introduzir os vinhos às pessoas, por exemplo, High Tea com Topaques e Muscats. Também apresentamos alguns pratos salgados que deixam as pessoas boquiabertas, como o Rutherglen Classic Muscat com gaspacho, terrines e patés com chutneys de frutas.

E, claro, a coisa mais importante é colocar os vinhos à frente de tantas pessoas quanto possível, porque geralmente quando alguém prova um vinho fortificado de boa qualidade, torna-se “viciado” !!!!

Eu gostei muito ajuizar no “The Fortified Wine Show da Austrália”. As masterclasses são uma maneira inteligente para juízes seniores para compartilharem a sua paixão, conhecimento e experiência com outros juízes. Na minha opinião Portugal deveria organizar uma mostra internacional de vinhos fortificados. O que acha?

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Rutherglen Wine Show – Os Juízes, Setembro de 2013 – Foto Cedida por Rutherglen Wine Show | Todos os Direitos Reservados

Adoraria que Portugal tivesse uma mostra de vinhos fortificados. Viria e ajuizaria !!!! Seria também uma oportunidade fantástica para juntar pessoas relacionadas com os vinhos fortificados para um intercâmbio cultural e de perspectiva global sobre a categoria. Haveria muita energia e paixão na sala!

O Douro e Rutherglen são ambos famosos pelos seus vinhos fortificados. Trabalhou em ambas as regiões. Que semelhanças e diferenças que vê?

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Jen Pfeiffer na Adega da Quinta dos Murças – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Nós partilhamos uma forte e enraizada tradição e cultura de vinificação inter-geracional que é tão importante com os fortificados porque é mesmo preciso amadurecer o stock para os melhores vinhos. Além disso, trabalhar numa empresa familiar de sucesso é trabalhar com alguém que já lá esteve antes, e portanto podemos falar sobre isso – Rutherglen tem grandes parcerias entre pai e filho como Mick e David Morris da Morris Wines e Bill e Stephen Chambers da Rosewood Chambers e, claro, a sinergia entre mim e o meu pai. Todos nós sabemos o quanto é importante compreender o passado dos vinhos para compreender o seu futuro. No Douro, ao trabalhar primeiro com o David Guimaraens, e, agora com o David Baverstock, fui como uma esponja a absorver tanto quanto pude.

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Jen Pfeiffer nas vinhas da Quinta da Murta – Foto Cedida por Pfeiffer Wines | Todos os Direitos Reservados

Caso contrário, o Douro e Rutherglen são claramente partes do mundo muito diferentes, com um terroir diferente. Não apenas nos perfis de solo (o xisto do Douro versus o barro vermelho sobre argila e apartamentos arenosos e fluviais de Rutherglen), mas, por exemplo, o Douro tem elevação e aspectos diferentes, devido à sua localização montanhosa enquanto Rutherglen é plana, com média de apenas 165 m acima do nível do mar . Os níveis de cultivo e de idade videira são também muito diferentes.

Embora Rutherglen tenha algumas das mais antigas plantações australianas de castas portuguesas, apenas têm cerca de 20 anos, o que significa muito tempo a recuperar. Ainda assim, vejo semelhanças varietais, a riqueza no palato, generosidade da fruta e taninos finos e longos do Touriga Nacional, e a maturação e plenitude do Tinta Barroca. Por outro lado, ao contrário do Douro, o Tinta Roriz não é grande em taninos na Austrália – talvez seja um clone diferente? E o nosso Muscat [Moscatel] é tinto e saiu muito mais maduro do que o branco Moscatel Galego do Douro.

Desde 2004, a Pfeiffer tem, por vezes, co-fermentado diferentes variedades de distitnos blocos de vinhas [em vez de misturar vinhos de variedade única] para obter complexidade e plenitude. No entanto, na minha primeira viagem consigo recordar-me de estar realmente surpresa com o facto de esta ser uma necessidade nas vinhas multi-varietais [variedades misturadas] mais velhas do Douro. Embora tenhamos sempre escolhido com base na maturidade das castas individuais, as vinhas multi-varietais são colhidas como um todo no que toca à maturidade do bloco. Agora percebo que é parte da cultura do Douro olhar para o vinho (não para as uvas individualmente ou componentes varietais), ao avaliar um vinho.

Quão bom é estar de volta a fazer vinho no Vale do Douro, depois de sete anos? O que significa para si fazer Vinho do Porto aqui para sua própria marca?…

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O Porto da Jen na Quinta dos Murças – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

É maravilhoso. Assim que avistei a primeira vinha pela janela do comboio senti-me em casa – parte de mim pertence ao Douro e eu sinto que estive longe demasiado tempo. Quando fui embora, em 2007, disse que o meu sonho seria um dia ser dona de uma quinta aqui no Douro e produzir so meus próprios vinhos para vender na Austrália. Embora não tenha feito exactamente isso, ter a oportunidade de trabalhar com uma empresa progressiva como a Quinta dos Murças e fazer meus próprios vinhos aqui para depois vendê-los na Austrália é como um sonho tornado realidade. Estou extremamente entusiasmada por estar realmente a acontecer.

Os meus vinhos são feitos a partir de várias parcelas de Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Amarela e uma pequena quantidade de Touriga Franca, que tenho seguido desde a colheita passando pela fermentação até ao barril. Quando voltar para a Austrália vou degustar regularmente amostras, de modo a monitorizar o progresso dos meus vinhos e, depois de ter completado a vindima em Rutherglen na próxima primavera, vou voltar e provar cada barril e realizar as misturas para engarrafamento.

Conte-nos sobre o projeto Naked Wines e o mercado para os vinhos deste projeto.

O meu projeto surgiu porque a Naked Wines da Austrália – o grupo de crowd-funding para os produtores de vinho – convidou os seus membros (que são conhecidos como “anjos”) para votarem em um de três projetos do “Australian winemakers’ dream-come-true”. Se um produtor tiver 2.000 votos, o projeto avança. No espaço de três dias, os três projetos tiveram 2000 votos! O meu vinho Porto e Douro dos Murças será vendido on-line na Austrália através da Naked Wines. É muito cedo para dizer se o meu vinho vai ser um Porto Vintage, um Late Bottled Porto Vintage ou um Reserve Ruby.

Uma vez que os outros dois projetos estão na Austrália estou muito agradecida pela atitude “Consegues fazer!” do David Baverstock e da sua equipa na Quinta dos Murças que me ajudaram a transpor aquilo que não passava de um sonho para a realidade e, é claro, aos anjos que acreditaram em mim e me quiseram apoiar. Tenho partilhado a minha aventura aqui com os “anjos” e estou ansiosa por lhes mostrar o meu vinho do Douro e Porto.

Os vinhos, os fortificados e castas portugueses são populares na Austrália?

Acho que as castas portuguesas estão a tornar-se cada vez mais populares na Austrália. À volta de Rutherglen tem havido plantações de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Sousão e Tinta Cão há mais de 20 anos, tanto para o Vintage (Porto) como para vinhos de mesa. Noutras regiões da Austrália, também são estas as castas que estão a subir em popularidade, principalmente a Tinta Roriz (ou Tempranillo como estamos obrigados a chamá-la).

Quem também está a subir em popularidade são os vinhos de mesa portugueses, especialmente vinhos tintos do Douro, Dão e Alentejo. O vinho do Porto é vendido na Austrália há muito tempo, com um foco particular no Vintage e no Tawny. Mesmo o mercado na Austrália não sendo muito grande para vinho do Porto quando comparado com o Reino Unido ou os EUA, continua a ser considerado um estilo de referência do mundo.

É uma coisa boa ou má, a Austrália já não poder utilizar o termo Porto ou Sherry?

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Rutherglen tem um Porto! – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Durante a maior parte da minha vida, os termos de vinícolas têm vindo a mudar. Lembro-me em criança, de enólogos australianos utilizarem os termos Champagne, Hermitage e Claret. Esses termos já não existem. É apenas uma parte do processo evolutivo.

Em última análise, acho que é uma coisa boa – Respeito a região e herança dos vinhos do Porto e Sherry. Os enólogos australianos tentaram imitar esses estilos ao longo dos anos, contudo apenas tem servido como complemento aos originais… mas, naturalmente que estes vinhos agora são novamente únicos. Assim como é importante proteger o património da região de Rutherglen com os nossos Muscats e Topaques, é importante proteger o patrimônio das indústrias do Porto e Sherry.

Embora inicialmente tenha havido uma reação negativa nos media australianos sobre as mudanças de nome, a Pfeiffer Wines viu isso como uma oportunidade para revigorar ambas as categorias. Re-embalamos e re-rotulamos os nossos vinhos com uma abordagem moderna para a nossa marca. Agora, temos a geração de consumidores de vinho X e Y a bater à porta da nossa adega a pedir um Apera, quando nunca teriam pedido um Sherry.

Contactos
167 Distillery Road
Wahgunyah, Victoria, 3687
Australia
Tel: (+61) 260 332 805
Fax: (+61) 260 333 158
Email: cellardoor@pfeifferwines.com.au
Site: www.pfeifferwinesrutherglen.com.au

As talhas do senhor José

Texto João Pedro de Carvalho

O fascínio por estes vinhos vem dos meus tempos de criança, relembro as conversas que se tinham à mesa nos jantares de família, um desses nomes era um tal de Tinto Velho que tanto Natal acompanhou. Ora esse mesmo Tinto Velho é proveniente da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes (Reguengos de Monsaraz), onde o prestígio e a história se aliam a tradicionais técnicas de vinificação, desde os lagares, passando pelos tonéis, às tradicionais talhas de barro.

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Detalhe de data em tonel – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

É nas imponentes talhas que reside toda a magia e encanto destes vinhos, é daquelas porosas paredes que se transmitem anos de saber a todos os vinhos que por lá passam. Pelo meio ficou esquecida toda uma arte de fabrico que dificilmente irá voltar, resta pois venerar e contemplar todo o património que reside na Adega dos Potes e saborear os vinhos que ali são criados. Os rótulos contam que por ali já se faz vinho pelo menos desde 1878, os registos são parcos e apenas a glória dos vinhos que perduraram no tempo nos conta a história de tão gloriosa casa, como o épico o Tinto Velho 1961 ou aquele que é um dos mais emblemáticos do historial vínico de Portugal, o Tinto Velho 1940.

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Old Vineyard of Herdade do Monte da Ribeira – Foto cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Tudo começa na Herdade do Monte da Ribeira, onde se encontram os 72 hectares de vinha, em solos de origem granítica, que foi plantada ao longo dos anos tendo o próprio José de Sousa plantado ali vinha no princípio dos anos 50. Castas como Trincadeira, Aragonês, Grand Noir… fazem parte dos encepamentos e são nos dias de hoje a base dos vinhos José de Sousa.

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Adega de Potes – Foto cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Estas últimas referências fazem parte do portfolio do produtor José Maria da Fonseca que em 1980 começou a engarrafar os vinhos da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes e após a aquisição em 1986 concretiza o sonho de poder produzir vinho no Alentejo. Foi nessa altura que viria a ser descoberto debaixo de um monte de sacas de carvão um lote de garrafas do Tinto Velho 1940, um vinho cuja qualidade e longevidade iria servir de meta a alcançar na elaboração dos “novos” José de Sousa.

Assim em 1990 a marca ganhou novo rumo, dividiu-se em duas e por um lado ficou-se com um pequeno José de Sousa, por outro com um pura raça Alentejano de nome José de Sousa Mayor (Garrafeira). O mais pequeno é a continuidade com retoques da nova enologia, mais apelativo e satisfaz plateia alargada, o Mayor é a tentativa de ir ao encontro dos grandes vinhos da antiga Casa Agrícola, mais recente surge o J de José de Sousa o novo topo. Os três têm no coração a bondade da Talha, do barro do Alentejo, da tradição e dos tempos que dificilmente vão voltar.

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José de Sousa – Foto cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

José de Sousa 2011
O “Zé” mudou de camisa, adaptou-se aos tempos modernos e veio morar para a cidade. Este alentejano de gema tem vindo a adaptar-se aos tempos que correm, continua no entanto fiel às origens. Sempre o conheci com um saquinho de figos secos e uma onça de tabaco de enrolar no bolso, botas marcadas pelo barro da Herdade onde nasceu, o “Zé” é um tipo porreiro, sem grandes complexos e sempre bem disposto, grande amigo da petisqueira. Por mais anos que passem por ele, por mais que mude de camisa não perde o sotaque bem vincado, nem vira cara às suas origens (nasceu em Reguengos de Monsaraz). Afinal de contas são estes amigos que gostamos de ter como companheiros de mesa, nunca nos deixam ficar mal vistos e proporcionam bons momentos de convívio. Da última vez que nos encontrámos em 2011, falou-me da Grand Noir, da Trincadeira e da Aragonês, sempre bem disposto a conversa durou toda a refeição. Se o virem por aí não hesitem em dar-lhe uma palavrinha…

José de Sousa Mayor 2011
Continua Mayor o tinto José de Sousa (Reguengos de Monsaraz) de fina estirpe Alentejana e cuja fatiota se tem vindo a adaptar aos tempos modernos. Um tinto mais opulento, cheio de genica e mais pronto a beber, com mais gorduras e sem ser tão tenso ou rijo como me recordo dos tempos da juventude de um 1994 ou 1997. Continua no entanto a ser um belo tinto da planície, onde predomina a casta Grand Noir, num todo que conjuga fruta escura e gulosa com folha de tabaco, café, especiarias (cravinho), barro, tudo embrulhado numa barrica que não chateia. Ainda novo com tudo para se desenvolver, fruta bem presente na prova de boca, alguns taninos em fundo embora todo ele a mostrar elegância, aptidão para guarda prolongada, sendo desde já companheiro de um bom Ensopado de Borrego.

J de José de Sousa 2011
Um dos grandes vinhos do Alentejo, pontifica a Grand Noir com Touriga Nacional e Touriga Francesa. Bastante charmoso e cheio de finesse, a mostrar desde o princípio toda a sua classe num conjunto de alto gabarito. Perfeita a simbiose entre lagares/barro/madeira, que resulta num vinho que mostra o melhor do Alentejo, a frescura da fruta bem carnuda envolta por uma boa estrutura que lhe garante longevidade. Tudo com grande complexidade, chocolate, balsâmico, floral, a fruta muito fresca e bem delineada como todo o conjunto a mostrar muita classe e elegância. Pelo meio o travo terroso e fresco do barro muito subtil, envolve os sentidos com bastante prazer, boca com estrutura firme, amplo e aveludado, profundo num final de boca longo e especiado. Memorável com umas perdizes estufadas.

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José de Sousa Rosado Fernandes 1940 – Foto cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

José de Sousa Rosado Fernandes 1940
São 74 anos de vida de um verdadeiro ícone da enologia em Portugal, a todos os níveis memorável e a mostrar uma saúde invejável, com bastante frescura que lhe ampara todo o conjunto. Escuro e glicérico, rebordo acastanhado a mostrar que o tempo já passou por ele, muito complexo com terciários luxuosos, notas de ameixa e alguma compota, chocolate de leite, flores, notas de barro. E de repente o tempo para e damos conta que estamos perdidos no meio do copo por entre um mar de aromas. Fantástico.

Contactos
QUINTA DA BASSAQUEIRA – ESTRADA NACIONAL 10,
2925-542 VILA NOGUEIRA DE AZEITÃO, SETUBAL, PORTUGAL
Tel.: (+351) 212 197 500
Email: info@jmf.pt
Site: www.jmf.pt

Colares – A Mais “Ridícula” Região de Vinho do Mundo

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Ou seja, ridiculamente espectacular! Tenho andado curioso sobre esta pequena região de vinho em Lisboa, desde que provei uma garrafa durante a vindima no Douro em 2008. Num jantar recheado de vinho, provei o meu primeiro golo de Colares. Foi fantástico. Não me lembrava qual o produtor, nem o ano exacto. Só me lembro que era velho. Até que encontrei uma foto, há muito perdida, de mim a segurar essa mesma garrafa na mão. Não se assustem essa foto foi tirada há 6 anos e 20 quilos atrás, mas garanto-vos que sou eu na fotografia. Mas já voltaremos a esse vinho.

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Bebendo Colares em 2008 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A região tem uma longa história e é a segunda região demarcada mais antiga de Portugal, datando de 1908. Mas a história da produção de vinho em Colares vem de muito, muito antes, desde os dias do Império Romano. Mas foi o Rei Afonso III de Portugal quem na realidade ordenou que se cultivassem vinhas lá. Consigo imaginá-lo como uma figura do estilo “Game of Thrones”, bêbado, a gritar “MAIS VINHO!” enquanto brandia a sua espada, como o Tyrion Lannister.

Portanto, o vinho tem sido importante para a região de Colares desde há muito tempo. Nos finais do século XIX, o insecto do vinho filoxera destruiu praticamente todas as vinhas na Europa, excepto Colares. As vinhas dessa área estavam cultivadas em dunas de areia, muito perto do mar e a filoxera, esse sacaninha manhoso, não gosta das praias, e as vinhas de Colares sobreviveram a esta catástrofe vinosa.

Enquanto o resto da Europa perdia a cabeça, enxertando e enterrando sapos debaixo das vinhas porque achavam que isso ajudaria a salvar o pouco que tinha sobrado, Colares estava a dar-se bem. Quer dizer, as pessoas andavam a combater estes insectos microscópicos com sepulturas vinícolas de anfíbios! Tempos desesperados pedem medidas desesperadas, acho eu. Mas para Colares, isto foi como ganhar a lotaria. O mundo sofria de uma escassez de vinho extrema e Colares tinha o bilhete dourado. Oferta e procura – BOOOM!! Tenho a certeza que deve ter havido um momento em que Colares estava numa boa trajectória para se tornar numa das maiores regiões de vinho no mundo. Mas isso não lhe estava destinado.

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Dunas de Areia Protegem as Vinhas dos Ventos Fortes – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A região passou de ser quase o centro do mundo do vinho, para estar à beira da extinção, onde se encontra actualmente. Foi apenas quando tive a oportunidade de visitar Colares que compreendi porque é que nunca poderia ter sido uma região de imenso sucesso. Com certeza que a região merece muito mais atenção, mas nunca será um “vinho mainstream”. É demasiado difícil cultivar vinhas ali. É um trabalho muito intensivo.

Eu visitei uma série de vinhas durante estas vindimas que não estavam a mais de 300 metros do oceano Atlântico. Os vinhedos estão rodeados de paredes de palha e as vinhas estão plantadas em trincheiras de areia, que fazem com que pareçam uma cena do filme Dune de David Lynch. As vinhas alastram-se à vontade no chão e quando as uvas se começam a formar, elas serão levantadas com umas canas para prevenir que as uvas apodreçam.

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Canas Seguram as Vinhas Acima do Chão – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quando a vindima finalmente chega, apenas podemos imaginar o quão árduo será apanhar aquelas uvas. Podem esquecer a mecanização, a não ser que arranjem forma de prender uns apanhadores de uvas às traseiras de um buggy das dunas, e os arrastem pelo vinhedo sem os magoar.

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As Uvas de Colares não são as Mais Fáceis de Apanhar – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Porquê complicar as coisas então? Bem, os vinhos feitos para a DOC Colares têm que vir de solos arenosos perto da praia e não podem ser enxertadas. No entanto, se quiserem algum subsídio da UE, as vinhas têm que ser enxertadas. Esta Escolha de Sofia vinícola não torna as coisas mais fáceis.

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A Carregar o Tractor – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois de visitar as vinhas estava na altura de provar estes vinhos. Fui a uma das caves à moda antiga: a Adega Viúva Gomes para beber um ou dois copos. Eles existem desde 1808 e os seus vinhos são procurados pelos fãs de Colares por todo o mundo.

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A Adega Viúva Gomes – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Na linda cave da Viúva Gomes, provamos um conjunto de vinhos de diferentes produtores locais. As garrafas variavam em estilo e idade, mas houve uma que realmente captou a minha atenção.

Viuva Gomes “Collares” Tinto 1934
Deixem-me começar por dizer que este não é um vinho fortificado, repito, este não é um vinho fortificado. O que torna o seu ano ainda mais surpreendente. Este é um vinho tinto, feito de Ramisco, a uva rei de Colares. Uma casta bastante desinteressante fora da região, mas que em Colares produz vinhos com grande personalidade e uma longevidade notável. O ano 1934 foi o ano em que Adolf Hitler começou o seu reinado e foi também o ano em que Bonnie e Clyde foram mortos a tiro, no meio das florestas de pinheiros do Luisiana, só para vos dar um bocadinho de contexto. É velho.

A partir do momento em que pousam os olhos neste vinho, saberão que ele não é propriamente desta década, nem deste século. O tom castanho claro promete algo amadurecido, algo que sobreviveu ao teste do tempo. No nariz tem uns bonitos aromas terrosos, com insinuações de cereja, pedra esmagada e um toque deste caracter volátil mentolado. Este é um vinho a que eu gosto de chamar um “Vinho Houdini”. Está constantemente a evoluir e a mudar no seu copo. Sempre que levar o nariz ao copo, é um pouco diferente. Quando prova o vinho, compreende porque algumas pessoas são verdadeiros fanáticos destes vinhos. Apenas pura estrutura! Acidez potente com camadas sobre camadas sobre camadas de sabor. Há também este lindo efeito salivante. Um pouco daquele chuto como sal marinho, que faz ficar de água na boca. Um vinho verdadeiramente surpreendente, que é uma grande prova do imenso potencial dos vinhos de Colares.

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Garrafa de Viúva Gomes From 1934 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Então, de volta ao vinho que deu início a tudo isto. O vinho de Colares que provei em 2008 quando estive no Douro. Enquanto escrevia este artigo, ressurgiu uma antiga fotografia daquela noite e depois de aumentar e realçar a foto, descobri que o vinho que provei em 2008, era na realidade o mesmo Viúva Gomes Tinto de 1934. O mesmo vinho que despertou o meu interesse pelos vinhos de Colares e que reafirmou a minha crença de que os vinhos Portugueses conseguem envelhecer como os melhores.

Agora, não sei o que irá acontecer a esta regiãozinha peculiar de vinho no futuro. Não pode ficar muito mais pequena do que está sem desaparecer por completo da face da terra, e eu não acho que o fará. Parece haver um recém-descoberto entusiasmo pela produção de vinhos de Colares. Há jovens como Hélder Cunha com os seus vinhos Monte Cascas, que estão a produzir coisas bem saborosas e a trazer sangue novo para a região, por assim dizer. Enquanto houver produtores de vinho talentosos, como ele e todos os outros que estão actualmente a fazer vinho em Colares e a preservar o que só pode ser descrito como uma das mais ridículas e no entanto absolutamente fascinantes regiões de vinho no mundo, ainda há esperança.

Contactos
Largo Comendador Gomes da Silva,
2 e 3, Almoçageme
2705-041 COLARES
Tel.: (+351) 219 290 903
Email: chaodeareialda@gmail.com
Site: www.adegaviuvagomes.com