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Restaurante Mendi – 18 anos a servir bem

Texto José Silva

É já uma instituição da cidade do Porto. Há 18 anos a funcionar no mesmo local, naquela ruela pedonal que ladeia o hotel Crown Plaza (antes Tiara). Por três vezes sofreu obras de renovação, embora mantendo sempre um ambiente onde impera a tranquilidade, com muita luz a entrar pelas enormes vidraças. Um pequeno balcão à entrada e uns bonitos cadeirões, onde se pode aguardar por mesa.

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Decorado em Tons Carmim – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Peças Orientais – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados


Sala ampla, muito bem decorada em tons carmim, com alguns apontamentos de peças orientais, que incluem duas bonitas colunas, logo à entrada.

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Forno Tradicional – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservadosts Reserved

Em frente, a entrada para a cozinha, de que faz parte o forno tradicional (tandoori), por onde passam algumas das iguarias que vêm depois à mesa.

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Mani Ram – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Tej Ram – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Tudo trabalhado por mãos experientes a cargo de dois cozinheiros eles próprios indianos, já há muitos anos no Mendi: Tej Ram e Mani Ram. Depois é o cuidado apurado na compra de produtos de qualidade, uma boa parte mesmo com origem na terra mãe deste tipo de cozinha.

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Especiarias e Temperos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na sala pairam aromas suaves de incenso a que se vão juntando aqueles outros que vêm da cozinha, das várias especiarias e tempêros que fazem da comida indiana uma das mais olorosas de todas.

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Kamal Rajani – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

À frente de tudo isto, a força e a vontade dum homem que sempre acreditou (e acredita) naquilo que faz, que deu corpo e continua a dar o espírito a este Mendi: Kamal Rajani. Nasceu na antiga Lourenço Marques, Moçambique, viveu em Inglaterra, depois foi até aos Estados Unidos e finalmente, em 1981, veio para Portugal para casar. Até que, em 1997, fundou o Mendi, onde está até hoje. Agora também ajudado pela sua filha Mafalda, a dar um toque feminino a este espaço tão agradável.

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Mesas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As mesas estão muito bem postas, sóbrias, e um serviço personalizado, que quase não se nota, tal a sua delicadeza, mas que também nos pode ajudar a percorrer uma ementa bastante completa, entre as muitas entradas e os pratos mais elaborados.

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Papadom – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A refeição começa impreterivelmente com os papadom, aquelas folhas fininhas, crocantes, com especiarias, ligeiramente picantes, e que nos dão o primeiro contacto com estes paladares exóticos. Sim, porque a comida indiana (e oriental em geral) é tradicionalmente picante. Embora, numa adaptação aos paladares europeus, no Mendi se possa apreciar tudo sem picante, se assim o entendermos. O que, confesso, descaracterizará um pouco esta cozinha tão nobre. Mas podemos, isso sim, controlar o nível de picante, basta pedir ajuda: pouco, médio, forte ou muito forte. Eu gosto de começar no médio e terminar no muito forte, já com umas gotas de suor nos sobrolhos e a escorrer pela nuca.

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Malaguetas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Gosto mesmo de ter ao meu lado um pratinho com as malaguetas frescas fatiadas e ir juntando ao que vou comendo, é um imenso prazer…É um picante forte, quente, de qualidade, muito saboroso.

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Nan – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sahi Nan – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O nan, que é o pão típico indiano, confeccionado no tal forno (tandoori), vai acompanhar toda a refeição: fofo, baixinho, bem temperado, com muito alho, ou numa versão (sahi nan), com queijo e vegetais e, lá pelo meio, umas laminazinhas atrevidas de malagueta, uma delícia.

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Entradas Mistas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sheek Kabab – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O cortejo da refeição começou por uma entrada mista: samosa vegetal, hara bara kabab, onion bhaji e pakora. Que se vão enriquecendo com vários molhos, entre eles um requintado molho de menta.

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Goane & Prawn – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Murgh Makhani – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados


Depois veio o sheek kabab, que é uma espetada de borrego, também um delicioso goane e prawn, que é um saborosíssimo caril de camarão com leite de coco e finalmente um murgh makhani, caril de frango com natas, que pedi mais picante e que estava soberbo.

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Arroz Soltinho (Pulao) – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A acompanhar todos estes pratos, arroz, pois claro, um pulao soltinho, requintado e elegante, a fazer o contra ponto com as especiarias dos vários pratos.

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Kulpi – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Barfi – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados


Para finalizar, a sobremesa: um kulpi e um barfi, muito diferentes, sofisticados e suaves. Enquanto terminávamos a conversa, foram-se trincando umas sementes de especiarias, algumas mesmo ligeiramente adocicadas, que ajudam a fazer boa digestão.
Outras terras, outros costumes…
Parabéns ao Mendi pelos dezoito anos a servir bem!

Contactos
Av. da Boavista 1430, 4100 Porto
Tel: (+351) 226 091 200
Facebook: Mendi Restaurant

Escangalharam a cara da Uma Thurman – O Factor Fruta

Texto João Barbosa

Neste Fevereiro brotou, com brutalidade, um retrato da actriz norte-americana que lhe rouba toda a sensualidade intensa e felina. Meu Deus! Quem foi o carniceiro que se tomou por cirurgião plástico?

A abominável figura resultou de efeitos especiais, um misto de luz, pouca sombra e uma maquilhagem de deplorável gosto. Uma Thurman, nascida nesse belíssimo ano de 1970 (!), com metro e 81, serve-me de muleta para o tema do vinho.

Ouvi a um enólogo espanhol que na sua profissão há os fruteiros e os carpinteiros. Ou seja, os que privilegiam a fruta e os preferem o trabalho com madeiras. Provavelmente, haverá mais famílias, mas estas duas categorias servem-me.

Tenho notado haver – entre enófilos, críticos e escritores de gastronomia – uma grande valorização da fruta. Em parte, parece-me bem, uma vez que o vinho não se faz doutra coisa que não de fruta.

Vários procedimentos podem esbater, maquilhar, mascarar ou esconder uma verdade. Estragar é sempre mais fácil do que consertar, sendo que os remendos nunca serão exactidão. Há desastres nas adegas – que esfrangalham o vinho como a maquilhagem da Uma Thurman – e há bóias salva-vidas; se tiver um vinho mau e tiver de o vender, possivelmente o enólogo terá de recorrer a base e rímel para criarem efeito especial. Enganará principiantes e tolos, mas não gente com currículo e sabedoria.

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Fruit in cutcaster.com

É fácil gostar-se de fruta – o que não é bom nem mau – e às vezes só não chega. Entram artifícios para que se realcem notas de produtos industriais de fácil gosto. Não digo que seja bom ou mau, depende de como se apresente e onde se apresente – se é para fruição pueril, em fato de banho ou menos do que isso num jacuzzi, tudo bem. Se é para valsar, calça de ganga não é vestimenta que se queira.

A defesa da fruta parece-me bem em parte, porque resumir vinho a fruta é uma chatice. O aborrecimento decorre abundantemente da vontade e necessidade do produtor fazer negócio. Nada a opor.

O que me custa é quando essa naturalidade da fruta, ou das flores, se transforma numa caricatura. A demanda torna-se insana (!) repetidamente. Reparei que vários produtores do Dão estão a apostar na touriga nacional e evidenciando-lhe os aromas de violeta.

Um caso concreto: tenho bebido caricaturas de vinho do Dão. Caricaturas de touriga nacional. Os vinhos não têm nada de errado, estão bem-feitos e honestos. Mas a ânsia de alcançar um Graal e o trabalho para realçar as características do que a natureza dá criam coisinhas muitíssimo feias.

É como o maquilhador de Uma Thurman: o técnico não estragou nada, está lá tudo e não acrescentou nada que não se pudesse retirar. Porém, a actriz ficou horrorosa!

Sinceramente, a fruta – a frutinha – cansa-me. Ouvir elogios à fruta é para mim tão emocionante como o resultado dum jogo de futebol-americano – que, na verdade, deveria chamar-se andebol-americano.

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Oak barrels in en.wikipedia.org

Fruta significa fruta e muitas vezes é tão aborrecida como um barrote de carvalho dentro dum copo. Não sou caruncho, não me alimento de madeira. Todavia, a madeira faz-me falta nos tintos. Só entendo os «unoaked» como princípio «filosófico» ou «ético» – exagerando – pois o prazer é fraco.

Apesar de tudo, branco e tinto não são a mesma coisa. Como resumiu uma amiga:

– Se é para cheirar e saber a maracujá, prefiro um sumo de maracujá.

Se eu produzisse vinho, contrataria um enólogo carpinteiro… mas dava-lhe pouco dinheiro para não poder comprar muitas barricas.

O Pequeno Mundo das Uvas

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

A diversidade varietal é sem dúvida um dos pontos fortes de Portugal. É como uma grande arca de tesouros com infindáveis possibilidades. Embora algumas sejam quase impossíveis de pronunciar, são o que torna o cenário vínico português tão único.

E, mesmo com todas estas excelentes castas, também há possibilidades ilimitadas para plantação de castas internacionais. Eu sei que este é um assunto discutido por muitas pessoas do mundo do vinho; devemos plantar castas internacionais ou cingir-nos às nativas? As nativas parecem estar na moda neste momento, e também acho que isso é algo que todos os enólogos devem apreciar. “Quem é que precisa de outra Cabernet?”. Bem, eu preciso. Se for boa. Por certo que existem muitos factores que levam alguns enólogos a utilizar certas e determinadas castas, mas, feitas as contas, o que interessa é fazer bom vinho. Se não obtivermos sucesso com a primeira casta tentamos outra. Já sei, é mais fácil falar do que fazer.

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Desarrolhado – Foto de Ilkka Síren | Todos os Direitos Reservados

Porém, não há volta a dar. O mundo em que vivemos é muito mais pequeno do que era dantes. A informação é difundida rápidamente, mas tudo o resto também. Ainda no outro dia encomendei um presunto ibérico inteiro, de Barcelona, e, num par de dias estava à porta de minha casa, aqui em Helsínquia. Quer dizer, dantes precisava de dois dias só para me ligar à internet, com aqueles modems antigos que faziam aquele barulho terrível de discagem. Lembram-se? Bem, aparentemente as castas também gostam de viajar, porque hoje em dia podemos encontrar coisas bem curiosas em sítios inesperados. Coisa que eu acho muito porreira.

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Quinta de Sant’Ana Riesling 2013 – Foto de Ilkka Síren | Todos os Direitos Reservados

É o caso deste vinho, Quinta de Sant’Ana Riesling. Riesling de Lisboa… Ahhh?? Devo dizer que sou um pouco louco por riesling. Nada que se compare a esses jihadistas rieslingistas que às vezes se encontra, mas definitivamente um fã. Este vinho vem de Mafra, mesmo a norte de Lisboa. Um lugar invulgar para encontrar a riesling, mas no entanto, eu tinha uma garrafa de Vinho Regional Lisboa Riesling na mão. Neste momento, qualquer fundamentalista do rieslingismo teria atirado a garrafa para longe com horror, lavado as mãos e sacrificado uma cabra aos Deuses Riesling. Eu não. Eu estava ansioso por o provar.

No nariz apresentou-se um pouco floral e tinha mais notas de fruta madura do que o típico riesling. Mas ainda assim agradavelmente aromático com pêssego e notas de ervas. No palato estava surpreendentemente fresco e fino, não tão maduro quanto o nariz sugeria. Algo invulgar mas, no geral, uma saborosa interpretação da Riesling. Lisboa nunca será Mosel, e isso é uma coisa boa. Potencia possibilidades de criar algo único.

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Quinta de Sant’Ana Sauvignon Blanc 2013 – Foto de Ilkka Síren | Todos os Direitos Reservados

O branco que se seguiu também era de uma casta estrangeira, Sauvignon Blanc. Uma casta com a qual normalmente me debato. Quando no seu melhor pode ser saborosa e gastronomicamente harmoniosa como mais nenhuma. Mas a maior parte dos Sauvignon Blanc são razoáveizinhos e normalmente desinteressantes. Cheirar este vinho foi como ficar preso dentro de uma máquina de lavar roupa. Voltas e mais voltas. Por um lado tinha este elemento relvado de clima fresco de Sauvignon Blanc. Mas por outro lado,  tinha muito néctar e pêra madura, o que mais me fazia lembrar Chenin Blanc. Deu-me vontade de comer caranguejo grelhado. Não é um vinho arrebatador mas, se a sua onda é Sauvignon Blanc então provavelmente irá encontar uma nova face desta contundente casta.

Contactos
Quinta de Sant’Ana
2665-113 Gradil
Rua Direita 3, Mafra, Portugal.
Tel: (+351) 261 963 550
E-mail: geral@quintadesantana.com
Site: www.quintadesantana.com

Manual Técnico de Vinhos – Bom e útil, por isso feliz

Texto João Barbosa

Diz-se que o português é pessimista, fatalista… o fado e a saudade. Sabemos também que somos os melhores do mundo e que na festarola só não ganhámos aos espanhóis – escrevo isto sussurrando, não vá um «vecino» ouvir estas letras e começar a tirar proveito em risota.

Ouvi há uns tempos que somos um povo bipolar. Penso que há muita verdade nisso, pois oscilamos entre esse oito e oitenta. Porém, ao longo da história, o português tem demonstrado saber adaptar-se à realidade e ao mundo.

Como diz o povo: Tristezas não pagam dívidas! Nestes anos difíceis – que começaram ainda antes de 2011 e da Troika – o português mostra a sua fibra. A crise e a austeridade causaram e causam mossas, mas entre falências e desilusões, a verdade é que não quebrámos.

Coisas simples fazem maravilhas. Quando se está na mó de baixo, se atentarmos podemos encontrar ferramentas para consertar dificuldades. Coisas simples dão trabalho.

Há dias, foi publicado um livro de enorme utilidade para os empresários da restauração, da hotelaria e enófilos. De que vale haver conhecimento se não for transmitido? Ninguém nasce ensinado e temos a vida toda para aprender.

O Turismo de Portugal publicou o «Manual Técnico de Vinhos», com a finalidade de manual. É pena serem apenas 2.500 exemplares… espero que o sucesso seja grande, para que venham muitas edições e com muitos mais livros. E que sucedam novas obras, com mais ideias.

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Manual Técnico de Vinhos in turismodeportugal.pt | Todos os Direitos Reservados

O custo? É caro? É barato? Não sei das algibeiras dos outros, mas penso que uma ferramenta de trabalho não tem propriamente um custo. São dez euros para a comunidade escolar – suponho que de hotelaria – e 15 euros para o público em geral.

Posso argumentar com o preço que se paga por um combinado económico… uma simples refeição – sopa, meia dose, bebida e café – custa metade disso num desinteressante snack bar, que vende vinho – a preço acima do valor do conhecimento. Bom, deixo em paz as algibeiras e não tenho ordenados para pagar.

Como disse, é simples – o simples dá trabalho. A obra foi feita a cinco mão, quatro (oito) ligadas a escolas de hotelaria e turismo: João Covêlo (Porto), Luciano Rosa (Algarve), Luís Lima (Estoril) e Paulo Pechorro (Coimbra). Juntaram-se as do enólogo Carlos Freire Correia.

O simples dá trabalho. Este tem ainda o mérito de ter vários níveis de leitura. Penso que auxilia quem começa, relembra alguns pontos apagados, faz pensar a quem anda mais traquejado. Como os livros do Tintim: dos 7 aos 77 anos.

Ninguém pensará que existe uma árvore das garrafas e que algumas cultivares dão sumo de limão e outras vinho. Porém, quantos conhecem o processo desde a génese ao desarrolhar ou os diferentes procedimentos?

Logo as primeiras informações do «Manual Técnico de Vinhos» arejam algumas certezas, contextualizando a situação portuguesa no mundo. Depois, nele cabe desde a videira à percepção dos aromas e sabores. Termina com um útil glossário.

É coisa pouca? Não é. É simples? Só de ler. Além de meritória iniciativa, é um trabalho bem feito, em que «as coisas não são assim porque são assim», mas antes «são assim, porque…». Defeitos? Terá. Li-o célere e só notei que faltou um acento agudo em Francónia – região da Alemanha integrada no Estado Federado da Baviera.

O chefe Marco Gomes, do “Foz Velha”, agora também com a “Casa do Marco”

Texto José Silva

Nasceu em Alfândega da Fé, em Trás-os-Montes, e tirou o curso em Bragança, tendo-se formado bastante cedo, iniciando um trajecto fulgurante que o levou a unidades hoteleiras e restaurantes um pouco por todo o país: Algarve, Lisboa, Viseu, Alfândega da Fé, Chaves e Amarante, onde foi então reabrir o restaurante da estalagem “Casa da Calçada”.

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Chefe Marco Gomes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Dali foi o salto para o Porto, para abrir o restaurante “Foz Velha”, na zona antiga da Foz, em frente ao mar e muito perto da foz do rio Douro, já lá vão doze anos.

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“Foz Velha” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ao longo dos quais o transformou num dos mais conhecidos e apreciados da cidade, onde pratica uma cozinha de autor, mas baseada quase sempre nos produtos portugueses e nos nossos aromas e paladares, mantendo sempre uma forte ligação a Trás-os-Montes, a sua terra mãe. Começou então uma carreira que lhe viria a dar um reconhecimento nacional e mesmo internacional, pois tem sido convidado para cozinhar em vários pontos do mundo: Espanha, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Suécia, Dinamarca, Suíça, Escócia, Alemanha, Hong-Kong e Macau. Neste último participou até no arranque dum novo projecto. Actualmente está ligado a um projecto na ilha de S. Miguel, o restaurante “Forneria Sta. Clara”, nos Açores.

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Chefe Marco Gomes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Participou também na elaboração de vários livros, um do quais bem curioso, que partilha com outros colegas e onde cada um tem a cozinhar consigo o próprio filho! Filho de peixe…

Fazer serviços de pequena, média e grande envergadura passou a ser uma constante, um pouco por todo o país. Dá formação em várias escolas, ajudando muitas vezes os alunos a fazer os seus estágios e até a encontrar colocação.
Com naturalidade, foi convidado a participar num programa televisivo, a “Praça da Alegria”, onde partilhou o espaço com outros colegas, e onde esteve até este programa ser “deslocalizado” para Lisboa. Hoje tem um espaço no programa da manhã do “Porto Canal”, um vez por semana, com bastante sucesso.

Mas como a vida é feita de evolução, recentemente decidiu efectuar uma enorme transformação no seu “velho” Foz Velha e meteu mão à obra. Tendo há alguns anos recuperado duas salas do piso térreo e criado a “Academia Marco Gomes”, um espaço polivalente onde se faz “show cooking”, formações diversas e refeições para pequenos grupos, manteve este espaço e criou um novo conceito, com imagem renovada, novos logotipos e decoração totalmente nova: a “Casa do Marco”.

Nova decoração – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Lareira acolhedora – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foram feitas obras de renovação das infra-estruturas, melhorando o conforto, e no primeiro piso, onde funcionava o “Foz Velha”, passaram a funcionar dois espaços e conceitos: o “Foz Velha” mantém-se num espaço mais recatado, usufruindo da lareira acolhedora, e ali servem-se apenas menus de degustação, mantendo a qualidade e o nível de serviço a que já nos habituamos.

Um espaço mais recatado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

“Casa do Marco” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A parte maior da sala é agora a “Casa do Marco”, um espaço mais jovem, informal, mas com o traço comum na decoração, nas mesas e mesmo no serviço, mas agora com uma oferta de petiscos que se dividem em: Para Picar, Os Caldos, Dá Cá Um Bacalhau, Carne, Inovações, Por Encomenda, Que Lateirices, As Frigideiras, O Tacho, Acompanhantes e O Que É Doce, Doce É!! E está tudo dito…

Menu – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O que se pretende é que, debaixo do mesmo ambiente e serviço, se possam fazer refeições ligeiras ou completas, escolhendo livremente desta ementa divertida mas com uma grande variedade de oferta onde se pode mesmo só “picar”, ou ir até mais longe com pratos mais substanciais.

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“Pica-Pau” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com a inclusão de muito do receituário tradicional português e mesmo tripeiro (lá está o pica pau, as tripas à moda do Porto e mesmo a francesinha!!), o cliente tem a possibilidade de escolher não só o que mais lhe agrada, mas também as quantidades à medida do seu apetite. O que também se traduz no preço final, que pode ser uma boa surpresa. Muitos dos vinhos da carta variada são servidos a copo, a preços bastante sensatos.

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Chefe Marco Gomes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O próprio chefe Marco Gomes vem muitas vezes à mesa, inteirando-se da satisfação dos clientes e recolhendo opiniões que pode mesmo utilizar na melhoria da prestação desta “casa” que é dele, mas que quer partilhar com os clientes.

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Aros de Lula – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Já lá comemos o pica-pau, a alheira e a chouriça grelhadas, um belo presunto de porco bísaro, uma óptima seleção de queijos, rodas de lulas douradas, ovos rotos e um salmão curado soberbo.

Caldo de Tomate – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Caldo de Cebola – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os caldos de tomate e de cebola são deliciosos, servidos muito quentes. O bacalhau à Braz estava no ponto, assim como o arroz de costelinhas em vinha d´alho.

Ovos Rotos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Açorda de Camarão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os ovos rotos e a francesinha tradicional são mesmo muito bons, assim como a açorda de camarão, o lombinho de porco em vinha d´alho, a posta de vitela grelhada e o costeletão de vitela, enorme, grelhado no ponto, excelente.

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Grão de bico com mão de vaca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O arroz de estrugido é irresistível e as tripas à moda do Porto e o grão de bico com mão de vaca são coisas muito sérias. Nas sobremesas o destaque para a tarte folhada de maçã com gelado de maçã verde e a mousse caseira de chocolate com avelã.

Fica então o convite do chefe Marco Gomes para fazermos uma visita à sua “Casa do Marco”.

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Convite – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Vai valer a pena…

Contactos
Casa do Marco
Esplanada do Castelo 141  •  Porto 4150-196 PORTO
Tel: (+351) 226 154 178
Telemóvel: (+351) 918 818 147
E-mail: mail@fozvelha.com
Site: www.marcogomes.ptwww.fozvelha.pt

Escola velha, vinho novo…Ripanço Private Selection 2013

Texto João Pedro de Carvalho

Voltamos à afamada Casa Agrícola José de Sousa (Reguengos de Monsaraz), propriedade da José Maria da Fonseca, de onde nos chega este novo lançamento chamado Ripanço Private Selection 2013. Este vinho é o resultado da união entre a tradição e história com a moderna tecnologia, o resultado é uma mistura entre o antigo e o moderno onde o que faz toda a diferença neste caso é a ter-se utilizado uma técnica (ripanço) que remonta à era dos Romanos. Assim, a chamada técnica do ripanço consiste no desengaçamento das uvas à mão com auxílio de uma mesa de ripanço, que é constituída por várias ripas de madeira. O movimento das mãos dos trabalhadores pressionando ligeiramente os cachos faz com que os bagos de soltem e fiquem separados do engaço, como se pode constatar no vídeo aqui colocado. Esta terá sido a primeira maneira de desengaçar a uva, evitando assim a presença dos taninos duros do engaço que podem originar um excessivo e indesejado amargor no vinho.

Vídeo cedido por José Maria da Fonseca

O vinho foi elaborado a partir do blend das castas Syrah (48%), Aragonês (32%) e Alicante Bouschet (20%) que tiveram direito a estagiar durante 6 meses em barricas de madeira nova de carvalho francês e americano. O que se destaca no imediato é o seu aroma com muita fruta madura, muitas notas de groselha preta e ameixa, com algum tempo no copo evolui e ganha alguma complexidade com ervas de cheiro, café expresso num fundo onde a baunilha derivada da barrica aparece bem instalada. O conjunto é fresco e solto, com ligeiro nervo que lhe dá alguma garra para conseguir acompanhar pratos mais temperados, como por exemplo uma Lasagne Bolognese. De resto nada complicado neste tinto com boa presença de boca, sempre cheio de frescura, fruta que explode de sabor e se prolonga até ao final, onde a compota e a especiaria se despendem de nós.

Contactos
QUINTA DA BASSAQUEIRA – ESTRADA NACIONAL 10,
2925-542 VILA NOGUEIRA DE AZEITÃO, SETUBAL, PORTUGAL
Tel: (+351) 212 197 500
E-mail: INFO@JMF.PT
Site: www.jmf.pt

Bruno Prats na Fruta Mágica do Douro e Uma Vertical de Chryseia

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Ultimamente, o negócio tem sido rápido a atrair talentos bordaleses para o Douro. Poças Júnior anunciou recentemente que Hubert de Boüard e Philipe Nunes da Château Angélus têm estado a trabalhar com eles desde a vindima de 2014. No ano anterior, Lima & Smith causou uma agitação quando contratou Jean-Claude Berrouet, ex-enólogo na Château Pétrus, para ser consultor na Quinta da Boavista.

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Bruno Prats com uma Vertical of Chryseia – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Enquanto os resultados destas recentes colaborações ainda estão para ser vistos, outra parceria Bordéus/Douro faz as manchetes, Prats & Symington com o décimo lançamento “Grand Vin”, Prats & Symington Chryseia 2011. Este que é até à presente data a minha colheita favorita do Prats & Symington Chryseia, figurou no Top 100 de vinhos do ano 2014 cobiçados pela Wine Spectator.

No início deste mês participei numa prova vertical de Chryseia, apresentado pela metade bordalesa deste casamento franco-português, Bruno Prats, antigo dono do Château Cos d’Estournel. A família Symington foi representada pela quinta geração, Charlotte Symington, a primeira mulher desta bem conhecida família de Porto a figurar na folha de pagamento (é embaixadora da marca Porto na importadora britânica Fells, que é também propriedade da Symington).

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Quinta de Roriz – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Prats ainda há pouco tempo tinha vendido Cos d’Estournel e já se aventurava na parceria 50/50 com os Symingtons. Diz-me que o projecto arrancou mais rápido que estava à espera. Depois de apenas de um ano de experiências, foi feito o primeiro Chryseia, colheita de 2000. Desde então, a selecção das uvas mudou dramaticamente, primeiro a parceria adquiriu a Quinta de Perdiz em 2004, seguindo-se em 2009 a compra da Quinta Roriz, a qual tem uma adega apenas para a Prats & Symington. (Aliás, outra mudança dramática desde 2000 é o preço dos melhores Bordeaux, o que, diz Prats sorrindo, significa que os melhores tintos do Douro se comparam muito favoravelmente aos Bourdeax da mesma gama de preços).

Prats pode até denominar o Chryseia de “Grand Vin”, mas disse-nos “o nosso objectivo sempre foi produzir vinhos elegantes, gastronómicos e equilibrados, focados no requinte e não na potência”. Os seus comentários relembraram-me uma conversa de há dez anos com o bordelense Baron Eric de Rothschild. Em resposta à minha observação de que os vinhos de Domaine Baron de Rothschild (Lafite) da Argentina, Chile, Portugal, Estados Unidos e Sul de França partilhavam uma incomum restrição, disparou “podem tirar um homem de Bordéus, mas não podem tirar Bordéus de um homem”.

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Luis Coelho, Enólogo Assistente da Prats & Symington com vinhas Touriga Nacional na Quinta De Roriz -Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Ainda assim, tenho a certeza que é apenas coincidência o facto de Prats apenas se ter focado em duas castas do Douro. Enquanto Bordéus tem a sua dicotomia Cabarnet Sauvignon/Merlot, Prats afirma que apenas acha “interessantes” as castas Touriga Nacional e Touriga Franca. Este foco varietal draconiano é uma das razões pelas quais ele dá primazia às parcelas (de casta única) de vinha recentemente plantadas em vez das tradicionais parcelas de multiplicidade varietal do Douro. Como é que sabemos quando colher as vinhas velhas, pergunta retoricamente, para mais tarde afirmar “Estou convencido que devemos trabalhar com parcelas de plantação em que teremos a certeza de estar a colhê-las na altura certa”. O que parece estranho, já que a maior parte dos melhores produtores da região lidam bem com isso, e utilizam até parcelas de vinhas velhas multivarietais de maneira fabulosa – Niepoort e Quinta do Crasto vêm-me à mente. Além do mais, o foco da Niepoort na elegância e digestibilidade confirma que estas duas qualidades não são exclusivas de vinhas monovarietais (ainda menos de duas castas).

Dito isto, penso que Prats tem razão quando diz “é fácil obter potência no Douro, e é por isso que é importante concentrarmo-nos na elegância”. Embora tenhamos de discordar que as parcelas de plantação e as duas castas (reconhecidamente de classe mundial) sejam a chave para a elegância, há poucas dúvidas em relação ao impacto positivo de longas mas gentis macerações e de um relativamente curto período em carvalho quando comparado com outros topos-de-gama do Douro (e até de Bordéus). Como seria de esperar de um reconhecido enólogo bordalês, a gestão de taninos na Prats & Symington tem sido sempre exemplar.

Segundo Prats, ao contrário da Cabarnet Sauvignon, nem a Touriga Nacional nem a Touriga Franca “podem receber um nível elevado de carvalho”. Também explica o porquê da preferência de barris de 400 litros ao invés das barricas de 225 litros de Bordéus. Para Prats “o que é mágico no vinho do Douro é a fruta; temos de preservar a fruta”.

Sou completamente a favor da fruta, especialmente quando exprimida tão brilhantemente quanto no 2011 e 2012, mas o que mais me cativa nestas colheitas do Chryseia é a sua mineralidade patente. A qualidade, posso adiantar que está presente em ambos, embora Prats descreva um (o 2011) como “um estilo mais duriense” e o outro (2012) como “um estilo mais bordalês”.

A mim parece-me que esta mineralidade é um cunho da Quinta de Roriz (e da sua vizinha, a Quinta da Gricha de Churchill). Prats faz uma observação, o xisto na Roriz é particularmente mineralmente rico (muito friável em comparação com o xisto mais duro e espesso da Perdiz). Aparentemente, existia, há quarenta anos, uma mina de estanho na propriedade, mas quanto à razão pela qual isso se transmite no copo, Prats diz “estou contente por isso ainda ser um mistério” – podemos dizer que é mais da magia do Douro.

Abaixo irão encontrar as minhas notas sobre os últimos lançamentos bem como da prova vertical do Chryseia. O Chryseia tem sido produzido todos os anos salvo 2002 e 2010. Desde 2002, e adoptando um discurso bordalês, um “segundo vinho”, o Post Scriptum, tem sido produzido anualmente. É feito dos barris que não atingem a qualidade “Grand Vin”. (Pode ler mais sobre a história e evolução da Prats & Symington na minha reportagem duma visita à Quinta de Roriz.)

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Uma Vertical de Chryseia, colheitas mais jovens – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Prats & Symington Prazo de Roriz 2011 (Douro)

Provenientes da Quinta de Roriz (70%)  e da Perdiz (30%), Prats diz que as uvas de classe A vão para o Post Scriptum e para o Chryseia. O equilíbrio deste vinho que incorpora uma gama muito mais ampla de castas do Douro. Como era de esperar neste colheita de topo, o Prazo de Roriz 2011 tem uma boa concentração de ameixas e suculentas cerejas pretas/frutos silvestres. A Tinta Barroca, a casta com mais peso (39%) é facilmente identificável com o seu palato mais suave e doce. Porém, e em linha com a filosofia de elegância, partilha do final fresco e limpo e dos taninos finos do Post Scriptum e do Chryseia 2011. É um tinto iniciático conseguido. 14.3%

Prats & Symington Post Scriptum 2011 (Douro)

Um lote com 56% de Touriga Nacional, 30% de Touriga Franca, 7% Tinta Barroca, 7% Tinta Roriz que estagiou durante 13 meses em barris de 400 litros de carvalho francês com um ano. Tonalidade profunda e muito mais estruturado que o Prazo de Roriz, com amoras e cerejas mais reluzentes e mais bem definidas. Taninos finos, minerais, enfumaçados e de tacto gentil. O final é preciso e muito persistente. Muito bom. 13.9%

Prats & Symington Post Scriptum 2012 (Douro)

Este lote com 53% de Touriga Franca, 45% Touriga Nacional e 2% de outras variedades estagiou por 13 meses em barris de 400 litros de carvalho francês com um ano. Um Verão mais ameno (com baixa produção, devido à seca) produziu um vinho mais delicado, com fruta vermelha em vez de negra, taninos furtivos e acidez fresca e persistente. Uma palato marcadamente de meio-peso revela ameixa e ameixa-de-damasco doce e abaunilhada, grafite e especiaria de fruta (não de carvalho). Embora não tão carismático como o 2011, 0 2012 tem um elegante e já visível charme. 13.3%

Prats & Symington Chryseia 2012 (Douro)

Colheita: O aspecto mais notável do ano vinícola de 2011/2012 foi a falta de água. Um Inverno frio incomum, o mais frio da última década, foi seguido por Primavera errática, que com condições meteorológicas imprevisíveis levou a um fraco conjunto de fruta, e uma colheita muito mais pequena. Temperaturas mais baixas do que o normal durante o Verão mitigaram os efeitos da seca, e porque haviam menos cachos nas videiras, o processo de amadurecimento das uvas decorreu de maneira muito satisfatória, permitindo-nos produzir alguns bons vinhos. As uvas para o Chryseia foram colhidas na Quinta de Roriz entre 12 de Setembro e 8 de Outubro e na Quinta da Perdiz entre 27 de Setembro e 9 de Outubro.

Um lote com 72% de Touriga Nacional e 28% de Touriga Franca, provenientes da Quinta de Roriz, Quinta da Perdiz e da Quinta da Vila Velha. Estagiou por 15 meses em barris de 400 litros de carvalho francês 100% novos (Tonnellerie du Sud-Ouest, Boutes, François Frères). Outra vez ênfase nas frutas vermelhas, aqui mais concentradas e com um muito sedutor brilho de carvalho perfumado (chocolate, canela e cedro). Bergamota e notas leves de tabaco de cachimbo conferem uma adicional camada e toque a este vinho com um núcleo doce de framboesa, cereja preta e frutos silvestres. Acidez fresca a proporcionar um final muito equilibrado, persistente e brotar xisto; a sua fluidez é sublinhada pelos seus taninos ultra-finos. Muito elegante. 13.7%

Prats & Symington Chryseia 2011 (Douro)

Colheita:O ano de 2011 foi muito seco, tendo sido de extremo valor, a precipitação caída entre Outubro e Dezembro de 2010. O Douro e os seus solos apresentam uma aptidão enorme para armazenarem água. A videira, pela sua perfeita adaptação a climas agrestes, consegue ir buscar água a vários metros de profundidade, graças ao seu sistema radicular bem adaptado, daí a importância crucial das reservas constituídas pela água da chuva caída na estação fria. O fantástico terroir de Roriz sempre prevalece, este ano com a ajuda acrescida das chuvas de Agosto e início de Setembro. A colheita das uvas para o Chryseia 2011 teve inicio a 16 de Setembro com a Touriga Nacional da Quinta de Roriz, tendo a Touriga Franca dado entrada na adega no dia 30 de Setembro. Toda a vindima decorreu com condições metereológicas perfeitas, o que contribuiu para que 2011 seja, sem qualquer dúvida, uma das melhores colheitas de Chryseia.

Um lote com 65% de Touriga Nacional e 35% de Touriga Franca, estagiou por 15 meses em barris de 400 litros de carvalho francês 100% novos (Tonnellerie du Sud-Ouest, Taransaud, Boutes, François Frères). Este, um dos meus Top 10 Novos Douro de 2011 provados em Dezembro de 2013, tem desfrutado de um sucesso de vendas, um pouco também por ter figurado no Top 100 da Wine Spectator. É uma colheita fabulosa do Chryseia, o primeiro a realmente deixar uma marca em mim. Penso que é porque, como Prats diz, é mais um Douro que um Bordeaux. Porquê? Porque tem bem patente a mineralidade xistosa, salgada e enfumaçada do seu terroir – um cunho da Quinta de Roriz, e também da vizinha Quinta da Gricha de Churchill. E esta mineralidade está muito mais à superfície no 2011 apesar das suas imponentes mas muito equilibradas frutas pretas. Muito vivo, muito longo e focado, o seu enquadramento desmente a concentração e intensidade deste vinho; um exercício excelente em potência e contenção. 14%

Prats & Symington Chryseia 2009 (Douro)

Colheita: A magnífica vinha de Roriz, uma das mais belas quintas do vale do Douro, com uma longa e rica história como produtor independente de grandes vinhos, foi adquirida pela Prats & Symington na Primavera de 2009. O Chryseia de 2009 foi assim o primeiro a ser vinificado na moderna adega de vinhos tranquilos da propriedade. Trabalhar as vinhas de montanha do Douro apresenta muitos e variados desafios, todos os anos quase sem excepção e 2009 não foi diferente. Foi o terceiro ano consecutivamente seco e para agravar a situação de seca, o calor intenso que se fez sentir, particularmente em Agosto e Setembro, aportou uma significativa redução no tamanho da colheita (uma das mais pequenas dos últimos 15 anos no Douro). Apesar das condições adversas, o terroir de Roriz fez-se valer; a exposição norte atenuou a ferocidade do calor e as duas castas que compõem o Chryseia (a Touriga Nacional e a Touriga Franca) são das melhores que resistem ao calor, um facot que jogou a nosso favor. Aliás a Touriga Franca é de maturação tardia, e beneficiou das condições quentes e secas registadas durante o mês de Setembro. Quer a Touriga Nacional, quer a Touriga Franca completaram de modo muito satisfatório os seus ciclos de maturação, assegurando elevada qualidade.

Um lote de 70% de Touriga Nacional e 30% de Touriga Franca, estagiou por 13 meses em barris de 400 litros de carvalho francês 100% novos (Tonnellerie du Sud-Ouest, Taransaud, Boutes, Radoux, François Frères, Saury). Esta foi a primeira colheita proveniente de e vinificada na Quinta de Roriz. Não é a minha colheita favorita do Douro – a seca e o calor deram origem a vinhos bastante corpulentos. Ainda assim, para aqueles que procuram elegância de expressão, este é um vinho bem construído; foi interessante ouvir Prats a especular que provavelmente poderiam ter feito um vinho melhor se conhecessem melhor as vinhas. Musculado e opulento com taninos maduros e aveludados, o Chryseia 2009 tem uma borda púrpura no seu interior rico de framboesa e ameixa. O achocolatado carvalho novo incrementa ainda mais a doçura, portanto, tudo somado, o 2009 carece da contenção e finesse dos vinhos anteriores. O que não quer dizer que não seja bom; se gostar vinhos largos e encorpados, isto será mais a sua praia. 14.4%

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Uma Vertical de Chryseia, colheitas mais velhas – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Prats & Symington Chryseia 2004 (Douro)

Colheita: A um outono chuvoso em 2003, seguiu-se um inverno muito seco, com uma notória ausência de chuva durante uma fase crucial. O tempo ameno e seco em Maio de 2004, encorajou um desenvolvimento rápido e um vingamento ligeiramente abaixo da média. No final de Julho as vinhas estavam em excelentes condições, mas a persistente falta de chuva suscitou alguma preocupação devido à possibilidade de ‘stress’ hídrico. Depois aconteceu o inesperado: fortes chuvadas em Agosto – os 77mm registados entre os dias 9 e 17 foram os valores mais elevados no Douro em 104 anos. Seguiram-se 25 dias ininterruptos de sol em Setembro que conduziram a um amadurecimento perfeito do fruto e propiciaram condições de vindima ideais. A vindima teve início mais tarde do que é habitual, no dia 23 de Setembro e ficou concluída mesmo antes do regresso da chuva em 9 de Outubro. O que poderia ter sido um ano muito difícil, revelou-se afinal um ano muito bom, com uma conjugação favorável de produções baixas, excelente teor de açúcar nas uvas, originando um vinho com uma estrutura possante e cor profunda.

Os detalhes das percentagens varietais e tempo de estágio não foram disponibilizados, mas a fruta proveio das Quintas Vesuvio, Bomfim, Vila Velha e, pela primeira vez, da então recentemente adquirida Quinta da Perdiz da Symington. Sou uma grande fã da colheita de 2004 e foi interessante voltar a provar esta colheita do stock de Londres da Fells. O vinho pareceu mais reluzente e fresco do que a garrafa que provei no Porto em Dezembro de 2013 quando avaliei alguns tintos Douro 2004. Tal como a garrafa que provei na altura, o Chryseia 2004 é particularmente picante e perfumado com notas de alcaçuz, esteva e caruma, e também um toque de bergamota. Que, juntamente com os seus concentrados e ainda vivos frutos silvestres, conferem a este vinho uma fantástica energia – um perfil mais “selvagem” do Douro (apesar dos seus taninos ultra-requintados). Um final envolvente com uma pitada salgada, e uma mineralidade xistosa a persistir bastante tempo; este é um vinho com muita potência e muito carácter. 14.2%

Prats & Symington Chryseia 2003 (Douro)

Colheita: O Outono foi bastante chuvoso bem como o mês de Janeiro. O mês de Março caracterizou-se por temperaturas acima da média. As condições climatéricas do mês de Maio forma bastante favoráveis para a floração e o vingamento, podendo desde logo adivinhar-se uma colheita abundante. O Verão foi quente e seco mas a qualidade da fruta foi substancialmente melhorada pela chuva dos dias 27 e 28 de Agosto. As uvas foram colhidas manualmente entre 18 de Setembro e 9 de Outubro e chegaram à adega com baumés ideais, tendo-se obtido um mosto com cor formidável.
Um lote de 60% Touriga Franca, 35% Touriga Nacional e 5% Tinta Cão, provenientes das Quintas Vesuvio, Bomfime Vila Velha. Estagiou por 12 meses em barris de 350 e 400 litros de carvalho francês 100% novos (Tonnellerie du Sud-Ouest, Taransaud). Este foi o vinho preferido de Prats de entre as colheitas mais antigas, que, observou, são caracterizadas por notas aportuadas. É um vinho muito polido, escuro, achocolatado com taninos suaves e fruta muito suave and brilhante. Sim, conseguido (menos aportuado do que outros 2003 que já provei) e muito bom de beber, mas, para mim, faltava-lhe algum sentido de lugar – o detalhe, interesse e energia que tanto gostei no 2004. 14%

Prats & Symington Chryseia 2001 (Douro)

Colheita: O Inverno de 2001 foi extremamente chuvoso e de temperaturas bastante amenas. A ocorrência de boas condições climatéricas durante o período da floração, permitiu prever à data um ano de grande produção no Douro. Contudo, um Verão muito quente e seco originou uma redução da produção geral, tornando 2001 num ano médio em termos de quantidade produzida. As uvas foram colhidas manualmente a partir de 13 de Setembro e terminou no dia 27 de Setembro.

Um lote de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Cão das Quintas Vesuvio, Vila Velha e Vale de Malhadas. Prats diz que foi um erro incluir a Tinta Roriz. Estagiou por 10 meses em barris de 350 e 400 litros de carvalho francês 100% novos (Tonnellerie du Sud-Ouest, Taransaud). Evoluiu com notas rústicas, bravas e de Bovril no seu nariz e palato aportuados e acidez desengonçada (volátil?). Desapontante. 13.8%

Contatctos
Prats & Symington
Quinta de Roriz
São João da Pesqueira
5130-113 ERVEDOSA DO DOURO
Portugal
Tel: +351-22-3776300
Fax: +351-22-3776301
E-mail: info@chryseia.com
Site: www.chryseia.com

Quando dei por mim estava a pensar em Oscar Wilde

Texto João Barbosa

Os portugueses desvalorizam o vinho e essa desconsideração é transversal a classes sociais e económicas. Indaguemos professores catedráticos, de ciências várias, acerca da hipótese de o vinho ser arte…

Já coloquei a questão diversas vezes e somei: o vinho pode ser alimento, negócio, produto indutor de alteração de estado de consciência e daí derivando para finalidade de dependência tóxica e doença aditiva, flagelo social e problema de saúde pública… arte, é que não – quase sempre.

Como só faz falta quem cá está e só é sábio quem pensa e se permite pensar, deixo-os na paz das academias. Dedico-me à afirmação de que o vinho é uma peça de teatro!

Todas as representações têm o mesmo texto de base, o elenco, o cenário e… nunca é o mesmo. E se acrescentarmos mais elementos – época, sociedade, companhia dramática – maiores serão as disparidades.

Vou contar uma experiência – extrema – que certamente a maioria dos enófilos já experimentou: abrir garrafas iguais duma colheita antiga. Lembro-me duma em que se desrolharam cinco garrafas «iguais», em que três estavam magníficas e diferenciadas, outra cansada e a quinta estragada. Desde esse ano de 1955 que a sua vida foi igual… todavia… porém… contudo… no entanto… mas…

Gosto muito de Camões e das suas sabedorias!

Os marinheiros que presenciaram um fenómeno eléctrico e meteorológico eram desmentidos por quem nunca sentira a água salgada na pele, agarrados aos calhamaços das certezas. Luís de Camões, na sua descrição da viagem de Vasco da Gama para a Índia, presencia o fogo-de-santelmo, descreve-o e desafia:

“– Vejam agora os sábios de escritura, que fenómenos são estes de natura.”

Envelhecer é uma arte, garante o cantautor Sérgio Godinho. É válido para os homens e para o vinho – uma peça de teatro em que os actores são bio-seres.

Há o encanto da juventude e o charme da experiência – como há também adolescentes alarves e idosos caquécticos e mal-humorados. Outro dia entristeci-me quando vi uma «amiga», com 46 anos, mais «jovem» do que quando tinha 17. A plástica correu-lhe bem, a ideia de a fazer tornou-a patética.

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O retrato de Dorian Gray in wikipedia.pt

O romance homo-erótico «O retrato de Dorian Gray», de Oscar Wilde – editado com censura em 1890 e em versão integral no ano seguinte – ocorre-me frequentemente quando penso em vinho com idade.

A beleza do sempre-jovem Dorian – que fez um pacto para se tornar eternamente jovial – contrastava com o envelhecimento e degradação do quadro, reflectindo a idade, o vício e a corrupção moral.

Quando o desejo me assalta para um vinho com idade, olho para a garrafa e imagino o único romance de Oscar Wilde. Que vinho ali viverá? O rótulo envelheceu na vez do vinho?

Nesta pequena fantasia não entram mais personagens, além de Dorian e seu corruptor; nem mesmo Basil Hallward, o artista que lhe apreendeu a beleza e o «entregou» ao hedonista Lorde Henry Wotton, que – como Fausto – o leva a cair… o único modo de nos livrarmos duma tentação é a ela nos entregarmos. O poeta usou o mesmo pensamento noutra vez: «Consigo resistir a tudo, menos a uma tentação».

Assim se traça o destino da garrafa de vinho velho ou de vinho antigo, o Dorian ou o seu retrato. Uns envelhecem e outros ganham charme. Citando novamente Sérgio Godinho: «Pode alguém ser quem não é»?

Piparote na adega

Texto João Barbosa

Podem o Governo e organizações económicas fazer campanhas de promoção e defesa das produções portuguesas que o indígena vai sempre olhar para si e para a algibeira. Somos um povo individualista, muitas vezes invejoso e com grande pontaria para acertar com as balas nos pés.Há dias provei um vinho da Adega Cooperativa de Vila Real que bom prazer daria num dia quente. Um rosado guloso para ser bebido à conversa, demasiado doce para acompanhar o que quer que seja.

Não havia nada de errado com o vinho. A crítica vai para o vedante. É certo que vinhos para serem bebidos jovens se compreende a utilização de carica ou tampa de rosca. Percebe-se, mas fica mal aos portugueses. Pelo menos no que vendem dentro de portas. Há mercados que preferem objectos sintéticos… e aí é negócio, compreendo se enquadrem nessa prateleira de vinhos fáceis e breves.

Uma empresa que escolher, para fechar o seu vinho, um cilindro sintético, escorregadio para saca-rolhas razoáveis, de cor a imitar a da cortiça, devia pagar 85% de IRC. No mínimo! Não só é uma «fraude» imitar cortiça, como é um atentado à economia.

Fake

Rolha sintética

O turismo é responsável por 5,8% da riqueza nacional. Em Maio, talvez Abril, chegam escandinavos da cor de leite, pouco resistentes à força do Sol da Europa meridional. De Junho a Setembro, chegam aos milhares, em voos regulares, em companhias low-cost, em charters, de comboio… todo o ano chegam cruzeiros. Lisboa, Algarve, Porto, Madeira ou Fátima oferecem variedade: praia, negócio, cultura, espiritualidade, etc.

O turista senta-se numa esplanada da Rua Augusta e pede um vinho. O empregado, de humor variável, apresenta-lhe uma garrafa com vedante artificial. Que imagem leva para a sua terra? Que os portugueses desprezam a sua economia.

A Adega Cooperativa de Vila Real não é, infelizmente, caso único. O que torna mais grave é ser uma empresa que lida com muitos agricultores, que lhes paga as uvas e sustenta emprego directo e indirecto. Devia ter mais respeito pelos silvicultores e industriais nacionais.

Ao escolher uma rolha falsa, a Adega Cooperativa de Vila Real deita por terra o incentivo ao consumo do que é nosso. Por que raio hei-de beber vinhos portugueses? O que me levará a oferecer Douro, Alentejo, Bairrada… a um amigo doutro país?

Os cilindros com cor de cortiça – além de parecerem o que não são – são feitos com materiais sintéticos, com impacto negativo no ambiente. Pode argumentar-se que pode ser reciclado. Pois, mas até aí chega a cortiça: além de reciclável é facilmente reutilizável. Acresce, que os montados, para lá do rendimento e do emprego que geram – directa e indirectamente – são positivos para o meio ambiente, fixando carbono e sustentando ecossistemas.

Irá longe o tempo em que beber vinho era dar de comer a um milhão de portugueses. Vai longe, mas a fileira dá emprego a muitos portugueses. Em 2012, o vinho foi responsável por 11% das exportações de bens alimentares. No conjunto das vendas ao exterior, o vinho pesou 1,6% – correspondendo a 725 milhões de euros.

Cork

Rolha cortiça

E o que dizer da cortiça? Pela casca do sobreiro nascem 2% das exportações nacionais – 845,7 milhões de euros, por 189,3 mil toneladas. A fileira da cortiça dá trabalho a mais de 8.700 pessoas.

Não seria melhor que os portugueses se apoiassem mutuamente? Os silvicultores, muitos deles também vitivinicultores ou viticultores, merecem reconhecimento. Não é caso único, repito… mas a uma casa com tantos agricultores fica muito mal trocar a rolha de cortiça por um bocado de «palavrão».

O Grande Alicante Bouschet da Herdade do Rocim

Texto João Pedro de Carvalho

A Herdade do Rocim tem colheita após colheita, vindo a ganhar uma consistência notável nos seus vinhos, o detalhe e o bom gosto tomaram conta daquela Herdade situada bem perto da Vidigueira. Nota-se que em toda a gama de vinhos há um detalhe e um carinho que os envolve, até na maneira como são dados a conhecer, nada é deixado ao acaso, novamente um mundo de pequenos mimos dirigidos por uma mão feminina, a mão da produtora Catarina Vieira. E nesta caminhada vão sendo afinados e retocados colheita após colheita, aprendendo e mostrando que ali é possível serem criados grandes vinhos.

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Grande Rocim Reserva 2011 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

E por falar em grandes vinhos, o topo de gama da Herdade do Rocim dá pelo nome de Grande Rocim Reserva, com a nova colheita de 2011 sobre a qual escrevo e que foi recentemente colocada no mercado. Um vinho que tem na alma a essência da casta Alicante Bouschet, durante um ano e meio serenou em barrica com direito ainda a mais um ano de garrafa até ser colocado à disposição dos consumidores. É acima de tudo um vinho cheio de carácter, que enverga uma pesada armadura que o envolve e o torna majestoso, arrebatador e feito para perdurar no tempo. Apesar do peso que para alguns pode ser considerado de excessivo, alia o seu lado mais vigoroso com uma invejável elegância de movimentos.

Todo o tempo extra que continuar em garrafa só lhe fará bem, de momento está ainda muito novo, embora com grande frescura de nariz, início com fruta vermelha (bagas, amoras) muito sumarenta, toque herbáceo, cacau, conjunto coeso e profundo, lá no fundo uma ligeira nota de licor. Boca de grande impacto com enorme presença a mostrar um vinho poderoso, amplo, fresco, muito boa estrutura com fruta vermelha a explodir de sabor ao lado de algum bálsamo, quase que se mastiga, terminando longo com travo de especiaria. Tudo com grande detalhe, enorme estrutura num conjunto coeso, limpo e fresco com uma enorme vida pela frente, paga-se por tudo isto coisa de 50€ com a garantia que se leva para casa um dos melhores tintos feitos no Alentejo e em Portugal.

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