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Cozinha dos Lóios

Texto José Silva

A cidade do Porto continua a sua epopeia de evolução turística, com cada vez mais visitantes de todo o mundo a rumarem a esta cidade invicta, que os acolhe sempre de braços abertos. A cidade tem vindo a evoluir, modernizando-se, apetrechando-se com infra-estruturas de qualidade, a rede de transportes tem muito boa , nos autocarros de nova geração, muitos deles movidos a gás e já com alguns ensaios eléctricos. Mas é a sua moderníssima rede de metro que é uma referência, com o desenvolvimento de alguns sistemas inovadores da engenharia portuguesa, e que os turistas utilizam com enorme facilidade, ajudando a transformar a cidade do Porto numa cidade verdadeiramente europeia.

Mas sabendo preservar e manter as suas muitas tradições, algumas delas mesmo seculares. Como é a zona histórica da cidade, já há muitos anos património da humanidade, como é o caso da tradição do vinho do Porto, que tem na Feitoria dos Ingleses, no Instituto do Vinho do Douro e Porto e na Confraria do Vinho do Porto as suas instituições de grande peso e como é o caso desse prato que faz parte da cidade, as tripas à moda do Porto, que comemoram este ano 600 anos de existência e tradição, e que são apreciadas hoje como então.

E é a gastronomia que também no Porto tem enorme peso, pois as gentes da cidade apreciam a boa mesa e gostam de a partilhar com quem as visita. E por isso, acompanhando a evolução e modernização da cidade, cada vez mais restaurantes vão abrindo as portas, com oferta muito variada, entre tradição e evolução. Isto acontece com mais força nas zonas antigas da cidade, que têm vindo a ser recuperadas e onde se vive a cidade, o seu granito, a sua luz, os seus aromas.

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Cozinha dos Lóios – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Uma dessas casas de comeres que abriu recentemente chama-se “Cozinha dos Lóios”, numa referência ao Largo dos Lóios, ali mesmo ao lado. A iniciativa deste lugar é dum homem que veio duma área completamente diferente, a engenharia, mas que sempre foi apaixonado pela cozinha, que foi aprendendo como autodidata e da qual se foi apaixonando cada vez mais. Até que achou que tinha chegado a hora de se lhe dedicar a tempo inteiro.

Se bem o pensou, melhor o fez e vai de procurar o espaço que lhe agradasse. Não foi difícil decidir-se por este espaço que já existia, ali na confluência das ruas dos Caldeireiros e das Flores.

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Upper Room – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Fez-lhe algumas alterações e resultou um restaurante com dois espaços distintos: uma sala ao nível da rua, em que o granito prevalece com naturalidade nas paredes, grossas traves de madeira no tecto e soalho em ripas finas também de madeira; uma outra sala no piso inferior, na cave, e lá está o granito tripeiro, nas paredes mas também no chão, com uma simpática garrafeira ao fundo, que deixa ver o bom gosto que ali se tem pelos vinhos de qualidade.

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Tall Tables – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Em cima há mesas altas com bancos muito confortáveis e muita luz na sala, em baixo há mesas normais com cadeiras também confortáveis e uma iluminação mais suave, a dar um ar mais intimista e romântico. As mesas em ambos os casos estão postas com simplicidade mas o que está em cima tem imensa qualidade, a começar pelos copos. O serviço está a cargo de gente jovem mas bem formada, a fazer um óptimo acompanhamento, atento e atencioso, sem falhas. O proprietário, que também é o cozinheiro, vai fazendo a viagem cozinha-sala-cozinha, inteirando-se dos pedidos dos clientes, dando uma explicação, obtendo uma opinião, vê-se que tem prazer naquilo que faz, que é servir bem utilizando os melhores produtos.

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Champagne Mailly Grand Cru – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Na refeição que fiz comecei com umas tostinhas muito fininhas, crocantes, manteiga com ervas aromáticas e um copo de champanhe Mailly Grand Cru, que estava soberbo, na temperatura certa, cremoso, com excelente acidez, notas secas de palha e pão torrado, cheio de frescura.

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Lóios Toasts – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Seguiu-se uma degustação de tostas dos Lóios, para picar, tostinhas com vários petiscos em cima, que vão variando.

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Mushrooms carpaccio – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Depois foi um curioso e saborosíssimo carpaccio de mão de porco, muito bem temperado, logo seguido dum carpaccio de cogumelos selvagens, uns boletos enormes, bem laminados, umas trompetas da morte no meio, azeite e raspas de lima, num preparado para além de muito bonito, delicioso.

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Almonds – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Apareceram também umas amêndoas salteadas e uma elegante e cremosa salada de vieiras com coentros.

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Salmon – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Para terminar os petiscos apreciou-se salmão com lentilhas em tostas aromatizadas.

Gilt-Head Bream – Photo by José Silva | All Rights Reserved

O prato de peixe foi um filete de dourada de mar corado com legumes assados, suave, saboroso, muito bom.

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Meat Dish – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Na carne veio o entrecôte com puré de batata, simples, carne tenra e saborosa, o puré fofo e apaladado.

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Dessert – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Sempre com a explicação do chefe Miguel, foram provadas duas sobremesas, ambas deliciosas embora completamente diferentes: uma original infusão de frutos vermelhos com gelado de baunilha, a acidez belíssima dos frutos vermelhos a contrastar com a doçura e cremosidade do gelado, e um flan de turron mesmo muito bom, bem ligado, doce mas sem exagero, untuoso, excelente. Com as sobremesas apreciou-se o Moscatel de Setúbal Alambre de 20 anos, soberbo, notas de frutos secos intensas, seco, grande acidez na boca, persistente mas muito elegante, belo vinho.

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Quinta dos Poços Grande Reserva 2011 – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Durante a refeição, a seguir ao champanhe, bebeu-se o Quinta dos Poços Grande Reserva 2011, um vinho de grande classe, muito elegante no nariz, algo floral, fresco e com notas de frutos vermelhos bem maduros. Na boca apresentou-se seguro, intenso, com muito boa acidez, volumoso mas ao mesmo tempo elegante, com notas de framboesas, alguma baunilha e tabaco, final longo e persistente.

Um belo vinho, uma refeição saborosa.

Contactos
Restaurante Cozinha dos Loios
Rua dos Caldeireiros 28-30
4050 137 PORTO
Mobile: (+351) 935 198 717
Facebook: cozinhadosloios.pt

Restaurante “Cozinha do Manel”, vinte e cinco anos a servir boa comida

Texto José Silva

É um dos restaurantes clássicos da cidade do Porto, que celebrou recentemente vinte e cinco anos de vida. Fica na parte superior da cidade, na freguesia de Campanhã, não muito longe da estação de caminho de ferro com o mesmo nome. E continua a pertencer à mesma família, liderada pelo sr. Manuel, cujo diminutivo deu nome a esta casa de bem comer, muito conhecida na cidade, mas também um pouco por todo o país, onde foi criando clientes dedicados mas também muitos amigos. Aliás muitos desses amigos, que são ao mesmo tempo personalidades públicas bem conhecidas, estão registados em fotografias que ocupam a enorme parede da entrada, entre músicos, actores, jornalistas, jogadores de futebol e políticos.

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Parede da Entrada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas que nesta “Cozinha do Manel” são tratados como qualquer outro cliente, ou seja, são sempre muito bem tratados.

O sr. Manuel partilha a gestão da casa com o seu genro, enquanto mulher e filha partilham a cozinha e preparam os manjares que deliciam a clientela.

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O balcão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A casa tem à entrada um enorme balcão, onde outrora também se comia, e que é bordejado e ocupado por utensílios e artefactos antigos, numa decoração que tem também a companhia de imensas garrafas de vinhos e licorosos, muitos deles com uma respeitosa idade.

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Azeitonas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

Ao fundo do balcão, uma montra espelha a qualidade dos produtos, tendo sempre em exposição polvo, enormes postas de bacalhau, enchidos diversos conservados em azeite, azeitonas e vários tipos de legumes frescos, tudo à vista, sem truques. Logo a seguir é a cozinha, com um balcão de serventia onde são pousados tachos e travessas fumegantes que o pessoal de sala transporta para a mesa de seguida.

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Sala de Refeições – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Alguns degraus acima é a sala de refeições, sobre o comprido, com enorme janela ao fundo, decorada com sobriedade, azulejos até meio das paredes, grossas traves de madeira no tecto, soalho em tijoleira escura, de belo efeito. E uns curiosos quadros, que mais não são do que guardanapos de algodão do restaurante, em que alguns clientes fizeram desenhos, geralmente sobre a cidade do Porto, e que foram encaixilhados.

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Mesas bem-postas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As mesas são muito bem-postas, com atoalhados brancos imaculados e todos os pertencentes em cima, e o serviço é profissional e atencioso, bem liderado. A ementa do restaurante é relativamente curta, mas baseada em produtos de muita qualidade e uma confecção tradicional, genuína, apaladada. Há muito poucos grelhados, alguns cozidos, mas sobretudo comida de tacho, arrozes diversos e a grande tradição dos assados nos fornos de lenha, que são acesos todos os dias.

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Os fornos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Situados nas traseiras do piso inferior, com enormes portas de ferro, é quase um ritual acender os fornos pela manhã, com tempo, e novamente ao começo da tarde, para poder servir os assados ao jantar.

Por ali passam o bacalhau, o cabrito – este por encomenda – mas também diariamente a vitelinha saborosa, com as batatinhas tostadas por companhia.

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Vitelinha Saborosa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A acompanhar estes pitéus os grelos salteados ou um belíssimo esparregado, e um arroz que também vai àquele forno de lenha, simplesmente divinal.

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Salpicão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A refeição começa com pão e broa de milho, azeitonas, presunto, salpicão, bacalhau desfiado com cebola e azeite, bolinhos e pataniscas de bacalhau, petingas e alguns outros petiscos dependendo da época, que é sempre respeitada. Há sempre sopa de legumes, mas também pode aparecer uma canja ou umas papas de sarrabulho.

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Filetes fofinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A pescada fresca pode ser cozida com todos ou nuns filetes fofinhos, assim como o polvo, em filetes, na companhia de arroz do mesmo.

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Bacalhau – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O bacalhau é uma tradição da cidade e aqui neste espaço é venerado: assado na brasa ou no forno, posta enormes, no ponto, sempre com muita cebola e batata cozida ou assada no forno. Em alguns dias há prato do dia – terça-feira é “obrigatório” o arroz de pato – por vezes, durante o inverno, um soberbo cozido à portuguesa e duas vezes por semana as mais que tradicionais tripas à moda do Porto.

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Arroz com salpicão, morcela e toucinho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Aqui na Cozinha do Manel preparadas com rigor, excelentes, com a curiosidade de, junto com o arroz, serem servidas rodelas de salpicão e de morcela e pedaços de toucinho, irresistível.

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Cabrito assado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O cabrito assado nos fornos de lenha, por encomenda, é delicioso, bichinhos pequenos, bem temperados, assados lentamente, tostadinhos por fora e suculentos por dentro, excelentes.

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Bolinhos de gerimu – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na sobremesa o leite-creme, mousse de chocolate, bolinho de gerimu e rabanadas fazem as delícias dos mais gulosos.

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Canecas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Uma garrafeira muito completa e uma grande divulgação dos vinhos verdes tintos, servidos com rigor, em canecas de loiça, de belo efeito.

Se tinha que apanhar um comboio, ali adiante na estação de Campanha, o mais certo é já o ter perdido…

Contactos
Restaurante A Cozinha do Manel
Rua do Heroísmo 215 4300-259
Porto, Portugal
Tel: (+351 )225 363 388

 

Restaurante Caxena

Texto José Silva

É num local improvável que descobrimos um restaurante que ficaria bem em qualquer cidade do litoral ou do interior.

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Situado no cimo da Serra do Suajo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas está situado no cimo da serra do Suajo, pertencendo ao concelho de Arcos de Valdevez, num local de grande beleza, com uma paisagem soberba, aqueles montes agrestes, com vegetação rasteira e algum arvoredo aqui e ali. A fauna, muito característica, é sobretudo composta pelo gado bovino da raça autóctone cachena, um boi de monte que se alimenta nos pastos abundantes, e dos garranos, cavalos selvagens que vivem em liberdade por aquelas serranias. Também aparecem javalis e alguns veados, e os lobos são por ali bastante abundantes. Pelos céus limpos esvoaçam milhafres e águias, a par das outras aves mais vulgares. Foi este sossego, esta tranquilidade, toda esta beleza, que entusiasmaram o proprietário, um empresário de Barcelos, que resolveu comprar uma ruína – um pouco atrás do local onde se situa o restaurante – que recuperou para ali passar fins-de- semana e férias com a família. Mas, quando resolveu abrir o espaço ao turismo rural, nunca mais lá conseguiu ir com a família, tal foi o sucesso.

Então comprou, mais à frente, várias casas duma minúscula aldeia, que recuperou e equipou, para o mesmo fim, com sucesso semelhante. E foi com naturalidade que, seguindo também os pedidos dos muitos e muitos hóspedes, acabou por recuperar outra ruína e construir o restaurante “Caxena”, a poucos metros das casas de turismo.

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Ar rústico, em granito – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com um ar rústico, em granito, que ali é abundante e também molda a paisagem, é completado com muita madeira, quer no exterior quer no interior.

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Simpático bar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Lá dentro, no rés do chão, um simpático bar, com balcão e sofás, e um expositor com alguns  produtos da região para venda, e que funciona também como wine bar, até às 23 horas.

Peças do um lagar antigo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Num recanto, algumas peças antigas do que teria sido um lagar, e depois, no interior, outra surpresa, a garrafeira do restaurante, muito bem decorada e recheada com muitas referências de bons vinhos de várias regiões.

Garrafeira e Carta de vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Este espaço é também a carta de vinhos, pois os clientes são convidados a vir ali e escolher o vinho ou vinhos que vão apreciar à refeição, estando todos eles com o respectivo preço indicado, e refira-se que são preços extraordinariamente acessíveis.

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Primeiro Piso – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Uma escadaria de madeira leva-nos ao primeiro piso, onde a sala se abre para a paisagem em enormes vidraças, com muita luz a entrar por ali dentro. Mais uma vez decoração muito atraente, aqui com os tectos totalmente em madeira, assim como o soalho, em madeira corrida.

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As paredes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Algumas paredes em granito e outras em tijoleira, numa das quais está encastrado um bonito e útil recuperador de calor, a dar conforto ao espaço, neste tempo de frio intenso.

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As mesas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mesas de boa madeira muito bem-postas, com utensílios de qualidade. O serviço está a cargo de pessoas competentes, com formação, de bom gosto, atentos, com muita simpatia, impecável. A ementa é reduzida, e utiliza produtos endógenos, da região, fazendo assumidamente a sua correcta divulgação, o que é de aplaudir, para além dos petiscos que se podem apreciar durante o dia, no wine bar, para fazer companhia aos vários tipos de vinho. Na nossa refeição começamos pelo pão regional e a broa dos Arcos de Valdevez, comprada a um fornecedor que respeita a tradição, preparada com farinha de milho e cozida em forno de lenha.

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Preseunto & Queijo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E que acompanharam muito bem presunto delicioso, queijo seco e um requeijão fantástico, também de produção local.

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Feijão Tarrestre – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Numa mesinha de apoio está exposto o feijão também produzido por ali, o feijão tarrestre, nos seus tons castanho, beije, branco, vermelho e até preto, que seria utilizado no arroz, e que pode ser comprado ali mesmo.

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Entradas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Veio seguidamente um misto de entradas composto por pimentos padrón, cogumelos salteados e duas confecções tendo por base a carne de vaca cachena: uma espetada grelhada no ponto, com cubos de carne, chouriço, bacon, tomate e pimento verde, e um picadinho ou estufadinho, pedacitos de carne de vaca estufados, com cebola e cenoura, molho apuradinho, muito bom.

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Belouros – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

Mas também se experimentaram os belouros brancos, feitos de farinha de milho amassada com um pouco de banha, tendida de forma a formar um rolo, de que se cortam rodelas grossas que são fritas em banha e, já no prato, são polvilhadas com cominhos. Um primor de simplicidade e paladar!

E chega a hora do prato principal, em que há duas ou três opções. Optou-se pela posta de carne de vitela cachena, grelhada na brasa só com sal, e que foi acompanhada com o tal arrozinho malandrinho de feijão tarrestre.

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Carne Saborosa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Carne muito saborosa, tenra, suculenta e um arroz fantástico, bem temperado, de chorar por mais.

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Arroz Malandrinho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Fechou-se um belo repasto com dois produtos também locais: a laranja, doce e muito sumarenta, e os charutos dos Arcos, massa fininha recheada com doce de ovos.

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Cerqueiral 2014 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Acompanhou-se esta refeição deliciosa com um vinho verde tinto da região, o Cerqueiral já de 2014, servido nas malguinhas características, encorpado, espesso, suave no nariz mas concentrado na boca, fresco e com acidez intensa, a ligar muito bem com a comida.

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Malguinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois da refeição, um passeio a pé por um dos muitos trilhos que por ali existem recomenda-se vivamente…

Contactos
Lugar de Oucias,
Carralcova
4970-105 Arcos de Valdevez
Telemóvel: (+351) 969 804 619
Telemóvel: (+351) 962 632 488
Herdade do Mouchão

Texto José Silva

A família Reynolds, que tinha um próspero negócio de vinho do Porto, dedicou-se, no início do século dezanove, ao negócio da cortiça na região de Portalegre. E, no final desse século, adquiriu uma propriedade com cerca de 900 hectares, a Herdade do Mouchão, no lugar da Casa Branca, entre Sousel e Mora, continuando com a produção de cortiça.

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Vinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas esta empreendedora família acabou por também ali plantar vinhas e acrescentar a produção de vinho à da cortiça.

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Adega – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Em 1901 construíram uma adega com as tradicionais paredes em adobe e lagares de pedra, onde a pisa era feita a pé.

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Alambique – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mais tarde, em 1929, foi a instalação dum alambique, para produzir outra das tradições da região, a aguardente bagaceira, aproveitando o engaço dos cachos de uvas.

A produção de vinho, então apenas tinto, tornou-se famosa, de tal forma que na década de cinquenta a família investiu no aperfeiçoamento das técnicas de viticultura e vinificação, mantendo sempre a tradição da vindima manual e da pisa a pé, o que, aliás, acontece até hoje.

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Aperfeiçoar as práticas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E são ainda hoje utilizadas as velhas prensas manuais de madeira, para extração final, num trabalho árduo mas compensador, com os resultados conhecidos por todos.

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Velhas Prensas Manuais de Madeira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A partir de uvas muito boas, de vinhas velhas, hoje algumas delas mesmo muito velhas, a família passou também a engarrafar o vinho na década de cinquenta, iniciando a história de um dos melhores e mais conceituados vinhos alentejanos e mesmo nacionais.

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Vinhas muito Velhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foi no Mouchão que se fizeram as primeiras experiências com uma casta francesa mal amada no seu país de origem – o Alicante Bouschet – mas que no Mouchão e mais tarde um pouco por todo o Alentejo, se adaptou muito bem, sendo hoje uma das castas mais prestigiadas e utilizadas na região. Já lá vão mais de sessenta anos…

Alguns dos trabalhadores da herdade tinham e têm uma dedicação a esta propriedade, que passou por várias gerações, como é o caso dos adegueiros. Hoje é o João Alabaça que está à frente dos trabalhos da adega e quem provavelmente melhor conhece todos os cantos à casa, além de ser um óptimo provador e ter aquela jovialidade contagiante das gentes alentejanas. Conheci e provei muitas com o seu pai, o ti João para os amigos, e a sua mãe, ainda de boa saúde, muitas vezes me fez as contas das muitas caixas de vinho que enchiam a mala do meu carro, quando por ali passava. Que incluíam sempre a aguardente bagaceira, a mesma mas envelhecida em cascos de madeira e o soberbo licoroso, um produto simples mas fantástico. Também por ali almocei de vez em quando, as coisas simples da terra, na companhia do pão, do azeite e das azeitonas.

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Mouchão 1974 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Dessas visitas ainda mantenho na minha garrafeira o Mouchão1974, e um interessantíssimo Dom Rafael de 1996.

Sempre que abro uma garrafa de qualquer deles, estão muito bons, mesmo excelentes, e vem-me à memória o ar bonacheirão do ti João, risonho e maroto, a levantar o copo à minha saúde.

Em recente visita ao Mouchão, fomos recebidos pelo David Ferreira, a fazer um trabalho comercial de excelência, com paixão, cá em casa mas também por esse mundo fora, e pelo João Alabaça, grande como era o pai e com o mesmo sorriso de amizade.

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Volta pela adega – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Demos uma volta pela adega, relembrando os recantos, os lagares agora em sossego, tranquilos, a beleza imponente do alambique e a profusão dos tonéis, alguns deles já com uns bons anos em cima.

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Tonéis – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ali usam-se estes tonéis, a maior parte de 5.000 litros de capacidade, embora haja também barricas normais.

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Tonéis 3 & 4 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E lá fomos ver os célebres tonéis 3 e 4, que dão aquele néctar chamado Mouchão Tonel 3-4. E o que lhe dá maior exuberância, sabe-se hoje, é que os tampos destes dois tonéis, em vez de serem de carvalho francês e português como todos os outros, são em madeira brasileira de macacaúba. Estava explicado o mistério, e eles lá continuam a amaciar o vinho como sempre.

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Vinhas nuas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Lá fora, num inverno gelado, também no Alentejo, revimos as várias vinhas, agora nuas e já podadas, e a sua envolvente bucólica, com o riacho a atravessar a propriedade, e uma importante envolvente de pinheiros e imponentes eucaliptos.

Envolvente – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O sossego do Alentejo sentia-se por todo o lado.

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O sossego – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Como o frio apertava, fomos até ao laboratório da adega, provar alguns dos vinhos da actualidade do Mouchão, sempre um enorme prazer.

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Dom Rafael 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Começamos pelo D. Rafael Branco 2013, cheio de frescura aromática, algo floral, muito equilibrado.

Na boca tem boa acidez aliada à frescura, notas de fruta branca madura, atraente, sedoso mas seguro.

Depois foi o Dom Rafael Tinto 2011, um ano excelente, a dar-nos um vinho vivo, persistente, com notas de frutos vermelhos intensas e algum fumo. Na boca está ainda jovem mas já apetece bebê-lo, taninos redondos e sedosos, a dar-lhe intensidade, frutos vermelhos bem maduros, ligeiro floral e algumas especiarias, num vinho moderno. Seguiu-se o Ponte das Canas 2010, ainda um ano muito bom. Nariz já com alguma elegância, frutos vermelhos maduros, ligeiras notas balsâmicas, muito fresco. Frescura também na boca, intenso, persistente, óptima acidez, notas de tabaco, frutos vermelhos e ligeiras notas de baunilha, tudo muito bem integrado, num vinho sólido e compacto.

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Dom Rafael 2011 tinto, Ponte das Canas 2010 & Mouchão 2009 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalmente veio o Mouchão 2009, um ano excelente, a dar este vinho intenso mas sedoso no nariz, frutos pretos e notas de pimentos verdes, muito fresco. Na boca tem uma deliciosa complexidade, com aromas de frutos pretos, cheio de elegância, notas vegetais de pimentos verdes, ligeiramente balsâmico, acidez muito equilibrada, algumas especiarias, fumo, um vinho ao mesmo tempo robusto e aveludado, com um final imenso. Está ali para durar ainda muitos anos.

E, quando pensávamos que já tinha acabado, o João Labaça exibiu, triunfante, três garrafinhas mais pequenas: o licoroso, a aguardente bagaceira e a aguardente velha. E foi peremptório: “Não abalam daqui sem os provarem”! Naquele momento, pareceu-me estar perante o seu pai, o ti João. E toca a provar. O licoroso continua excelente, doce mas com uma grande acidez, frutos pretos, chocolate, belo vinho.

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Licoroso, Aguardente Bagaçeira e Aguardente Velha – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A aguardente, desde sempre uma das minhas preferidas, tem uma enorme complexidade, notas verdes intensas, poderosa na boca, cheia de frescura e acidez, mas bastante suave, apetece sempre repetir. A bagaceira velha tem a diferença de ter estagiado em cascos velhos de madeira, a dar-lhe aquele toque de fumo, abaunilhado, perdendo as notas verdes, mais redondo, para beber pelas noites frias em frente à lareira.

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Despedida – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com sempre, deixei o Mouchão com relutância, contando, mal possa, ali voltar novamente…

Contactos
Vinhos da Cavaca Dourada, SA /
Sociedade Agro-Pecuária do Mouchão e Cavaca Dourada, SA
Herdade do Mouchão
7470-153 Casa Branca – Portugal
Tel: (+351) 268 539 228
Fax: (+351) 268 539 293
E-mail: mouchao@mouchao.pt
Site: mouchao.pt

Toupeirinho 2

Texto José Silva

Matosinhos é terra de pescadores e de peixe abundante e tem mesmo uma das maiores lotas do país, sendo famosa sobretudo pela qualidade da sardinha, na sua época. É ainda desta lota que são abastecidas as várias fábricas de conservas ainda a funcionar em Matosinhos e em Leça da Palmeira, sobretudo de sardinha mas também de cavala e outros peixes. Aliás as conservas portuguesas estão na moda e a qualidade tem vindo sempre a subir, sendo um dos produtos de mar mais procurados na Europa e um pouco por todo o mundo. Mas para além da lota de Matosinhos, há outras pequenas lotas a funcionar no concelho, com destaque para a de Angeiras, a norte da cidade e que foi angariando ao longo dos anos muitos clientes dedicados, entre particulares e restaurantes. Peixe fresco todos os dias, algum do qual chega ainda a mexer ao mercado local, assim como algum marisco, com destaque para as percebas (ou percebes), o camarão da costa, os santiaguinhos (ou bruxas), a excelência do linguado da pedra, do polvo, do robalo, da raia e tantos outros, que variam apenas em função da época e do estado do mar.

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Camarão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Matosinhos é também conhecido pela abundância de restaurantes, com uma concentração per capita das maiores da Europa. Embora já haja restaurantes em Matosinhos a oferecer vários tipos de culinária, é para comer peixe fresco que normalmente se vai a Matosinhos e a Leça da Palmeira. E há verdadeiras referências na restauração local, a servir peixe e marisco de enorme qualidade, respeitando a confecção tradicional. Um desses locais é o restaurante Toupeirinho 2, que nasceu a partir do seu irmão mais velho, o Toupeirinho 1, servindo a mesma comida, com a mesma qualidade.

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Ample Facilities – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

São instalações amplas, com duas salas, uma das quais para fumadores, decoradas com simplicidade, confortáveis e muito acolhedoras. A da frente com vidraças enormes a deixar entrar muita luz e alguns espelhos pelas paredes de belo efeito.

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Mesas bem-postas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As mesas são muito bem postas, cuidadas, e o serviço é profissional, atencioso e conhecedor, incluindo uma boa oferta de vinhos, servidos a preceito.

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Escaparte – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A visita ao mercado de Angeiras é diária, e dali vêm os petiscos que depois são trabalhados e que vêm à mesa, e que podemos apreciar num escaparate, junto ao balcão.

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Ovas de sardinha & tostas crocantes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Há sempre pão óptimo e tostinhas crocantes, e umas tirinhas de broa frita pecaminosas, que podem fazer companhia a umas ovas de sardinha de conserva, excelentes, ou algum marisco só cozido: percebas carnudas, saborosas, camarão da costa, pequeno mas muito saboroso, lavagante da costa descascado e umas deliciosas navalheiras, descascadas e servidas na própria casca, sem trabalho nenhum, é só comer e apreciar.

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Presento pata negra e queijo de meia cura – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ou ainda umas fatias fininhas de presunto pata negra e queijo de meia cura muito apaladado. As postinhas de sável de escabeche são soberbas, bem temperadas, com cebola e vinagre no ponto, grande petisco!

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Sável de Escabeche – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na última visita provaram-se umas postas de peixe-galo fritas no ponto, na companhia duma açorda preparada com as ovas do peixe, cremosa, bem temperada, deliciosa, um conjunto fantástico.

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Açorda de ovas de peixe – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois foi a vez dum arroz de lagosta, feito só com o lombo da lagosta, muito bem preparado, no ponto certo de cozedura, nacos generosos de lagosta num arroz caldoso, a saír pelo prato fora, muito bom.

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Arroz de Lagosta – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para terminar em beleza provou-se uma queijadinha de amêndoa, gulosa, equilibrada, o sabor da amêndoa a contrastar muito bem com a doçura, uma lambarice.

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Douro Ázeo 2012 white – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O vinho escolhido para acompanhar este repasto foi o branco do Douro Ázeo 2012. Aromaticamente intenso, com algum floral e muita mineralidade, seco e persistente. Na boca tem elegância, uma excelente acidez, muita frescura, notas de fruta branca, levemente mineral com notas cítricas, acompanhou muito bem estes produtos do mar.

Contactos
Toupeirinho 2
Av. Serpa Pinto, 491
Matosinhos
Tel: (+351) 229 371 610
Telemóvel: (+351) 964 767 433
E-mail: restaurante@toupeirinho.pt
Site: www.toupeirinho.pt

Hotel Quinta da Serra

Texto José Silva

Mesmo lá no alto do Jardim da Serra, numa zona muito montanhosa, de estradas sinuosas, mas onde a paisagem ganha outra beleza, outra amplitude, é um passeio fascinante, que pode passar pela grandiosidade do Cabo Girão.

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Paisagem a partir do Jardim da Serra – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ali temos uma perspectiva incrível da costa sul da ilha da Madeira, com escarpas a pique sobre o mar, umas centenas de metros lá abaixo, onde as fajãs amenizam a descida até à água.

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Patamares – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas onde, em cada minúsculo patamar, se podem ver plantações diversas, fruto de trabalho manual em condições extremas. E muitas dessas plantações são vinhas muito velhas, onde os viticultores colhem todos os anos pequenas quantidades de uvas, que vão integrar lotes do famoso vinho licoroso da ilha. Lá mais acima, no Jardim da Serra, a mais de 800 metros de altitude, num hotel de cinco estrelas cheio de requinte, implantado num enorme jardim e na floresta adjacente, de grande beleza, funciona um restaurante igualmente requintado, liderado por um chefe francês há muitos anos radicado na ilha. Ocupa um espaço enorme num dos edifícios do complexo hoteleiro, ligeiramente elevado, completamente envidraçado de um dos lados, com vista soberba pela serra abaixo.

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Sala Ampla – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É uma sala ampla, espaçosa mas acolhedora, cheia de luz, decorada com requinte em tons mornos, onde predominam o castanho e o cinzento, com um belíssimo soalho de madeira e uma lareira aconchegante num dos topos. Mesas muito bem-postas, cheias de elegância, com todos os pertences em cima, incluindo óptimo serviço de copos. O serviço, a cargo de pessoal jovem, é muito competente, atencioso e simpático, muito bem dirigido. Uma ementa eclética, onde entram muitos produtos de produção biológica da própria quinta, que estão em fase de certificação, apresenta peixe e carne frescos da própria ilha, confeccionados com requinte e extremamente bem apresentados. Na nossa visita, fomos recebidos pelo próprio chefe que, num português quase fluente, nos deu as boas vindas e explicou um pouco a filosofia da sua cozinha.

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Manteiga, Azeite e flôr de sal – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Passados à mesa, apresentaram-nos vários tipos de pão, para barrar com manteiga simples e outra com ervas, ou molhar no azeite e dar-lhe um toque de flor de sal.

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Vieira Corada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A oferta do chefe foi uma vieira corada, com creme de abóbora e crocante, com toque de pimenta rosa. Simples mas delicioso.

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Creme de maçarocas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se um requintadíssimo creme de maçarocas da quinta, atrevido, cremoso, muito apaladado, soube muito bem, bem quente.

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Rosé Primeira Paixão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Por essa altura já apreciávamos o Rosé Primeira Paixão, que ligou muito bem, quer com a vieira, quer com o creme de maçarocas. Veio então o peixe espada fumado preparado em tempura, ligeiramente crocante, saboroso, consistente, e um chutney de frutas de Cornus Kousa da própria propriedade a fazer uma óptima ligação.

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Peixe-Espada fumado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O vinho era já o bairradino Entre II Santos branco, a ligar muito bem, na temperatura certa. Passamos ao prato de carne, que foi um borrego orgânico recheado com acelgas, assado, que foi servido com puré de batata e castanhas. Paladares cruzados que se completaram muito bem, mais uma vez produtos locais mas confeccionados com grande requinte.

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Borrego – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O vinho tinto também da Bairrada, Entre II Santos esteve sempre à altura. A refeição iria terminar com a mesma qualidade com que começara, uma tarte tatin de maçã domingo, gelado de chocolate e erva caninha, simples mas cheia de requinte, sabores suaves que se completaram muito bem.

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Sobremesa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No nosso caso foi jantar, mas quem vá almoçar, é aconselhável dar um passeio pela beleza dos jardins e da floresta e dar uma olhadela à horta biológica, de onde vêm muitas das ervas aromáticas e legumes que depois podemos apreciar à mesa.

Contactos
Quinta da Serra
Estrada do Chote Nº 4/6 – Jardim da Serra
9325 – 140 Camara de Lobos Madeira
Portugal
Tel: (+351) 291 640 120
E-mail: info@hotelquintadaserra.com
Site: www.hotelquintadaserra.com

Chalet Vicente

Texto José Silva

A estrada Monumental faz a ligação do centro do Funchal à zona do Lido, onde se encontram boa parte dos grandes hotéis de cinco estrelas e mesmo alguns “resorts” dos mais procurados, que confinam com o mar, numa marginal rochosa que proporciona belos passeios a pé e de onde se podem ver algumas das piscinas de água do mar locais. E de onde se pode mesmo ter acesso privilegiado ao mar, para uns mergulhos refrescantes, durante quase todo o ano.

É também uma zona moderna com alguns centros comerciais e uma grande variedade de restaurantes, quer os que pertencem aos complexos hoteleiros, quer os que funcionam por si só, a par de muitos bares, a maioria dos quais funcionam sobretudo pela noite dentro. Há grandes profissionais da restauração e de bar na Madeira, muitos deles hoje ligados a esses espaços, que gerem com eficácia e bom gosto.

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Chalet Vicente – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Um desses profissionais montou há alguns anos um espaço que rapidamente se transformou num ícone da gastronomia madeirense, localizado mesmo em plena Estrada Monumental, o “Chalet Vicente”.

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Chalet Vicente – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Resulta da recuperação cuidada dum palacete muito bem adaptado à restauração, em que as várias divisões têm funções bem específicas, algumas delas são mesmo salas de refeições belíssimas. Todo o espaço é muito bem decorado, em tons mornos, com mobiliário tradicional e mesas muito bem-postas, cuidadas, com todos os pertences em cima.

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Esplanada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Há uma enorme esplanada, muito acolhedora, onde também se pode apreciar uma boa refeição. Na parte de serviço, além de muitas centenas de garrafas de vinho bem expostas, há um balcão que deixa apreciar o grelhador com as brasas sempre acesas, por onde passam belas peças de carne de qualidade. Logo em frente, um outro balcão onde funciona diariamente, ao almoço, um simpático buffet. O serviço é impecável, a cargo de bons profissionais, muito bem dirigidos.

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Bolo Caco, Saladinha de polvo e Barbeito Madeira 5 anos Rainwater Reserva – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A ementa é extensa, mas nesta visita da Blend começamos com o tradicional bolo de caco com muita manteiga e alho, ainda bem quente, delicioso, na companhia duma saladinha de polvo tenrinho e apaladado. A que um “Madeira 5 anos Rainwater Reserva” fez uma óptima companhia.

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Uma das saladas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Que continuou com dois tipos de saladas frescas, muito bem conseguidas: uma com bróculo, cenoura, milho e courgete, tudo cozido, a outra com uma base de rúcula e alface, encimada com banana, papaia, manga e ananás, na companhia duma maionese simples.

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Atum – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Um dos peixes mais tradicionais na Madeira é o atum, que nos foi servido nuns nacos generosos, atum fresquíssimo, estufados num molho espesso e saboroso, na companhia de batata doce salteada com mel de cana e cubos de milho frito, um conjunto delicioso.

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Batatas à Murro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois vieram dois pratos de carne que já são tradicionais no “Chalet Vicente”: o coelho estufado e o cabrito estufado, ambos muito tenros, de molho puxado e bem temperado, com batatas a murro deliciosas e a alternativa dum arrozinho branco soltinho.

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Cabrito Estufado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ambos são servidos em tachinhos de ferro que vêm à mesa, mantendo a comida bem quente, uma tradição que se tem vindo a recuperar com grande sucesso.

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Terras do Avô – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Bebeu-se um tinto “Terras do Avô”, muito equilibrado, seguro, com óptima estrutura, esteve muito bem.
Para sobremesa veio uma trilogia de algumas das guloseimas da casa, o chocolate à colhererada, uma deliciosa mousse de maracujá, e requeijão do Santo com abóbora e nozes, para todos os gostos.

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Sobremesa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

De seguida um tradicional e muito bem confeccionado leite-creme, tostadinho por fora. Num restaurante onde a divulgação dos vinhos da Madeira é uma constante, não podíamos terminar esta refeição sem apreciar mais um desses néctares, neste caso um “10 Anos Meio Doce” da casa D´Oliveiras, uma das casas com mais tradição na produção de vinhos da Madeira.

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D´Oliveiras 10 Anos Meio Doce – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Refrescado, servido com rigor, foi um final com grande tradição.

Contactos
Restaurante Chalet Vicente
Estrada Monumental, 238
9000-100 Funchal
Madeira, Portugal
Portugal
Tel: (+351) 291 765 818
Telemóvel: (+351) 967 793 903
E-mail: chaletvicente@sapo.pt

Taberna da Esquina

Texto José Silva

A Madeira em geral e a cidade do Funchal em particular, sempre tiveram fama de boas práticas culinárias, sobretudo com a utilização de legumes, peixe, marisco, carne e frutos locais, muitos deles claramente tropicais. Influência da proximidade da costa africana, este clima quente, ameno e húmido é também fundamental na evolução dos vinhos da Madeira. Por outro lado, os vinhos da Madeira evoluíram de forma extraordinária, quer os tradicionais vinhos fortificados, hoje mais acessíveis, mais elegantes, que se podem beber mais cedo e que começam a ser apreciados por um público mais jovem, quer os vinhos de mesa, sobretudo os brancos, já a ombrear com os seus congéneres do continente, e mesmo alguns tintos que começam a despontar e a dar-nos algum prazer.

Hoje os vinhos madeirenses não são só para turistas, embora estes cada vez mais provem, apreciem e comprem vinhos da Madeira. Mas hoje os vinhos da Madeira já são apreciados pelos madeirenses e pelos continentais, que descobrem cada vez mais este produto de excelência que, apesar da sua enorme tradição e de quanto mais velho melhor, já tem aptidão para ser consumido ainda jovem – um Madeira com 5 anos e mesmo com 3 anos é hoje um vinho licoroso perfeitamente acessível e mesmo bastante agradável, que pode fazer parte de óptimos cocktails, frescos, jovens, saborosos. E modernos.

E, apesar de continuarem a funcionar muitos restaurantes que são referência há muitos anos, têm vindo a abrir muitos novos espaços, alguns modernos, outros mantendo a traça rústica de velhos edifícios, mas em geral apresentando comida de muito boa qualidade.

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Taberna da Esquina – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Numa das ruas com maior concentração de restaurantes do Funchal, na sua zona histórica, bem perto do mercado municipal, visitamos um dos restaurantes mais conhecidos e falados do Funchal, a servir comida de grande qualidade, baseada em produtos regionais muito bem confeccionados.

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Taberna da Esquina – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É um espaço rústico, com várias salas incluindo uma, nas traseiras, que também é esplanada, e uma esplanada na frente do restaurante, na rua.

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Esplanada nas traseiras – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Paredes de Pedra Escura – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As paredes em pedra escura, de belo efeito, muito bem decoradas, a proporcionar um ambiente rústico mas muito acolhedor. Mesas muito bem-postas e serviço impecável e muito atencioso, a cargo de pessoal bem formado e dirigido.

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Escaparte – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

À entrada há um escaparate de peixe e marisco frescos, renovado diariamente, que nos pode ser trazido à mesa, para escolher o que vamos comer. Na visita da Blend foi preparado um menu que incluiu alguns vinhos madeirenses a fazerem boas harmonias.

Bolo Caco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Madeira Sercial 5 Anos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Começou-se com o bolo de caco, o pão tradicional madeirense, com manteiga de alho, quentinho, muito saboroso, sendo servido o “Madeira Sercial 5 Anos”, até vir um misto de escabeche de lapas, carpaccio de polvo em azeite virgem e flor de sal, bacalhau em escabeche e filetes de chicharro também em escabeche, numa variedade de sabores do mar muito bem conseguida.

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Escabeche de lapas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Primeira Paixão Rosé – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O vinho proposto foi o “Primeira Paixão Rosé”, que se portou à altura, cheio de fruta, seco e elegante. Como prato de peixe provou-se uma mini ventresca de atum juntamente com um mini peixe-espada grill com molho “ajada”, qualquer um deles muito bom, muito bem acompanhados pelo vinho branco “Primeiras e Voltas”, fresco, com óptima acidez, cheio de elegância.

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Prato de Peixe – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Palmeira e Voltas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um sorbet de limão serviu para limpar o palato e ligar com o prato de carne, que foi também um dueto: uma mini espetada de vaca em pau de loureiro e uma carne de vinho e alhos bem apaladada.

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Sorbet de Limão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Prato de Carne – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

Estas carnes tiveram a companhia do vinho “Primeira Paixão Tinto”, a provar que também na Madeira já se fazem vinhos tintos de mesa a ter em conta.

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Primeira Paixão Tinto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sobremesa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fechou-se esta bela refeição com a sobremesa, ainda um duo, neste caso a cassata de maracujá e a mousse de pitanga, harmonizados com um “Madeira Boal de 5 Anos”, um final elegante e muito saboroso, que mereceu um brinde à Madeira, aos seus vinhos e à excelência da comida regional.

Contactos
TABERNA DA ESQUINA
Rua de Santa Maria, 119 – 9060-291 – Funchal
Tel: (+351) 291 231 720
E-Mail: info@tabesquina.com
Site: www.tabesquina.com

Tasca do Joel

Texto José Silva

Peniche é uma povoação bem conhecida pela qualidade e quantidade de peixe e marisco que a sua lota movimenta, pelo antigo forte, hoje um museu, que outrora foi utilizado como prisão para presos políticos e pela qualidade das suas praias, sobretudo o Baleal, a norte, e Supertubos, a sul, verdadeiros “santuários” para os praticantes de desportos de mar, acima de tudo surf e bodyboard.

Estes desportistas e aventureiros são presença constante em Peniche, durante todo o ano, e há mesmo vários fabricantes de pranchas que ali se estabeleceram, juntamente com fabricantes de roupa para estes desportos, que são também eles conhecidos um pouco por todo o mundo. Quando ali se realizam campeonatos nacionais, europeus ou mesmo mundiais, então são verdadeiras romarias entre praticantes e espectadores.

E mesmo em frente a Peniche há a beleza das ilhas Berlengas, uma área marítima protegida, riquíssima em marisco e peixe. Peniche é muito procurada também pela gastronomia ligada ao mar e há bons restaurantes a servir o que aquele mar fantástico dá.

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Uma das mesas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Um desses poisos é a “Tasca do Joel”, que foi criando fama pelo país e mesmo um pouco por todo mundo, muito devido à qualidade dos produtos que utiliza, à confecção cuidada dos mesmos e à simpatia e sabedoria do seu proprietário, o sr. Jael, uma força da natureza.

E que é também um apreciador e conhecedor de vinho, sendo habitual por ali encontrar muitos produtores de todo o país, que reconhecem o trabalho deste homem em prol dos nossos vinhos.

The Shop – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

De tal maneira que há alguns anos o sr. Jael criou uma loja à entrada do restaurante, onde nos podemos deliciar com uma escolha imensa entre vinhos e outros produtos, alguns deles “gourmet”, que ali levam também muitos apreciadores. Na mesa, é a simplicidade das coisas boas que nos encanta, a cada visita que fazemos.

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Regional Bread – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Da última vez veio o pão regional para a mesa, para acompanhar coisas simples onde por vezes também se molha o pãozinho.

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Berlengas’ Limpets – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Búzios Gratinados – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E começamos com umas lapas das Berlengas que estavam deliciosas, a saber a mar, logo seguidas de uns búzios gratinados, fantásticos.

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Lulas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Vieram depois umas lulas soberbas, às rodelas grossas, trabalhadas na brasa, com cebola roxa da região, azeite, azeitonas e coentros, rijinhas, saborosas, muito boas.

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Robalo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O robalo de mar, fresquíssimo, veio em duas confecções: primeiro grelhado em postas generosas, não esquecendo a cabeça, que se chucha à mão, uma maravilha.

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Cataplana – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois foi a vez duma cataplana, com lombos do peixe estufados com massinhas cotovelo, um prato com origem nas caldeiradas dos pescadores. O peixe a desfazer-se, as massinhas no ponto e um molho delicioso em que não paramos de molhar o pão, um abuso!

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Pêra Rocha – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para terminar uma sobremesa simples, com pêra rocha da região, doce de pêra, gelado de baunilha e hortelã, digestivo, muito bom.

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Left Foot & Right Foot – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Entre vários vinhos que se apreciaram, um destaque para um branco e um tinto elaborados por Bento dos Santos da Quinta do Monte d´Oiro especialmente para esta tasca, a que chamaram Left Foot (branco) e Right Foot (tinto), com a representação nas garrafas das havaianas de ambos os pés, numa homenagem que o sr. Jael pretendeu fazer, através do vinho, aos muitos e muitos surfistas que são seus clientes ao longo do ano.

O mar, esse, continua ali em frente, à nossa espera…

Contactos
Tasca do Joel
Rua do Lapadusso, 73
2520-370 Peniche
Tel: (+351) 262 782 945
Fax: (+351) 262 782 235
Email: tascadojoel@gmail.com
Site: www.tascadojoel.pt

Quinta de S. José

Texto José Silva

Pertencente à família Brito e Cunha, ainda descendente de D. Antónia Adelaide Ferreira, a Quinta de S. José situa-se num dos trechos mais bonitos e emblemáticos do Douro, na freguesia de Ervedosa, uma sub-região onde estão algumas das mais importantes quintas do Douro.

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Trecho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Quintas mais importantes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E que se estendem desde a beira rio até lá ao alto, a mais de 600 metros de altitude. São 10 hectares de vinhas próprias, de uvas tintas, sendo as uvas brancas compradas fora, sobretudo em Murça e na Meda.

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10 Hectares de Vinha – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No total produzem cerca de 46.000 garrafas, das quais 2.000 são de Porto Vintage. Os terrenos são muito xistosos, característicos, e as vinhas velhas ainda abundam, hoje muito disputadas pelos produtores, que querem cada vez mais fazer vinhos com classe, com elegância, únicos.

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Vinhas da Quinta de S. José – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A Quinta de S. José tem vinhas próprias que ocupam este tipo de terrenos e vão por ali acima também, e recentemente inaugurou uma nova adega, muito moderna, mesmo no cimo da propriedade, com aplicação de tecnologias de ponta e com espaço para poder aumentar a produção.

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Novas Tecnologias – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Espaço para aumentar produção – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Cá em baixo, junto ao rio, há uma moderna loja de vinhos, onde também se conta a história da quinta e um pouco da região, onde se provam os vinhos, que também se podem comprar.

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Moderna Loja de Vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Todos os anos há novas colheitas e novos lançamentos de vinhos, entre brancos e tintos, duma produção que vai sendo distribuída um pouco por todo o pais mas que ainda tem capacidade para ser exportada para vários locais do mundo, sendo o Brasil um dos melhores mercados.

Em visita recente provaram-se as novas colheitas que estão no mercado, começando-se pelo Quinta de S. José Branco 2013, que se apresentou cheio de frescura, com muitas notas tropicais, excitante, com uma acidez equilibrada, cheio de força, um vinho jovem, com muita vida.

Seguiu-se o Branco Reserva também de 2013, muito  elegante, com notas de fruta branca madura, muito fresco, cremoso, bem frutado, com bom volume de boca, cheio, persistente e seguro.

Passamos então aos tintos com o Quinta de S. José 2012, granada médio, muito limpo, notas de frutos vermelhos no nariz, intenso, jovem e fresco. Bela estrutura, na boca os frutos vermelhos muito maduros, taninos seguros e elegantes, boa acidez a equilibrar o conjunto, com final longo.

O tinto seguinte foi o Reserva 2012, granada escuro, muito limpo, frutos pretos muito maduros e alguma frescura no nariz. Na boca revelou-se com belo volume, intenso, ameixas pretas e amoras, bela acidez, taninos já bem domados, muito elegante mas potente, com grande final.

Veio então o Grande Reserva 2011, granada escuro, muito limpo, cremoso, cheio de elegância, frutos vermelhos intensos, notas suaves de baunilha, algum floral, um perfume. Sedoso, aveludado, frutos pretos muito maduros, acidez muito equilibrada, fragrâncias de ervas do monte, esteva, urze, muito complexo e com grande final, um grande vinho.

Para terminar em beleza, o Porto Vintage 2009, rubi escuro, carregado, nariz delicioso, notas de chocolate preto, amoras passadas e algum floral. Acidez vibrante, notas incríveis de frutos pretos, chocolate preto, passas e figos, ligeiro balsâmico, cheio de complexidade, exótico e com final muito longo, um belo vintage.

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Petiscos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Petiscos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os vinhos tiveram a companhia de muitos petiscos delicioso.

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João & Sofia – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Casa Principal – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Este casal, que se dedicou com paixão e bom gosto a este projecto de vida, explora também um simpático turismo rural, constituído pela casa principal, onde vivem, e várias pequenas casas que resultaram da recuperação de ruínas ali existentes, agora com todo o conforto.

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Casa Recuperada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

Estão envolvidas pela vinha e com o rio ali mesmo ao pé, num ambiente delicioso, de grande beleza, em que a natureza proporciona não só toda aquela beleza mas também um sossego contagiante.

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Piscina – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Um local ideal para passar uns dias tranquilos, com o Douro por companhia.

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Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Contactos
Quinta de S. José
5130-123 Ervedosa do Douro
Tel: (+351) 254 422 017
Telemóvel: (+351) 93 4041413 | (+351) 93 6500180
Email: Vinhos: joaobritoecunha@quintasjose.com | Turismo: sofiaprazeres@quintasjose.com
Site: www.quintasjose.com