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De Guardar Redes a Guardar Jampal: Os Vinhos de André Manz

Texto Sarah Ahmed | Translation Teresa Calisto

É difícil pensar numa pior lesão para um guarda-redes profissional do que uma mão partida. Tendo isto acontecido apenas um ano após André Manz ter começado a jogar num clube Português, poderíamos pensar que ele regressaria à sua terra natal, o Brasil. Mas mesmo nos seus vinte anos, Manz não fez o óbvio.

Em vez disso, o guarda-redes que apresentou a Portugal a aeróbica coreografada, tornou-se num empreendedor de topo do fitness. E agora, no seu mais recente empreendimento homónimo, Manz Wine, ele reapresentou ao Mundo, a quase extinta casta Portuguesa Jampal.

As aventuras de Manz no vinho começaram em 2004, quando ele e a sua família se mudaram para a sonolenta aldeia de Cheleiros, na região de vinho de Lisboa. Com os seus lugares neolíticos, ponte Romana e monumentos medievais, Manz foi atraído pela história de Cheleiros. Não sendo homem de fazer as coisas pela metade, com a ajuda de um jornalista, Manz descobriu que Cheleiros já tinha sido famosa pelos seus vinhos.

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A Vinha Rochosa de Manz com Vista Sobre Cheleiros – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Conta-me que as encostas íngremes e rochosas, de argila e calcário, que rodeiam a aldeia, já estiveram cobertas de vinhas. Há um século atrás, havia nada mais nada menos que 43 adegas na aldeia. O próprio Manz recuperou um hectare de vinha mas, não sabendo nada sobre fazer vinho, inicialmente apenas fez vinho para a sua família e amigos. Mas quando, com a ajuda do Portugal’s Institute of Vines & Wines, ele identificou que o seu terreno com 20 anos incluía a esquecida casta local Jampal, o astuto empresário depressa se apercebeu do potencial de venda desta variedade única.

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A Adega de Tamanho de Bolso de Manz – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Em 2008, a Manz Wine foi fundada e em 2012 ele já tinha transformado a antiga escola da aldeia numa adega pequena, mas perfeitamente formada e tinha também plantado novas vinhas Jampal, com enxertos das vinhas originais. Ele possui agora cerca de nove hectares de vinha em Cheleiros e está ansioso por colocar a aldeia no mapa. Não apenas com Jampal, mas também com projectos de enoturismo. Estes incluem o Lagar Antigo Manz Wine (uma adega antiga convertida em museu com porta de cave) e, no próximo ano, um livro sobre Cheleiros e a sua história vinícola.

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Lagar Antigo no Museu Manz e a Porta da Cave – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Jampal continua a ser o único vinho branco do seu portfólio e, para mim, é a estrela do espectáculo. Aqui fica a minha escolha da gama (que também inclui vinhos tintos do Douro e da Península de Setúbal, feitos a partir de fruta comprada). Os vinhos são feitos por Ricardo Noronha e Rita Marques (na foto a seguir, com o Rosé)

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Manz Cheleiros Dona Fátima Jampal 2013 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Manz Cheleiros Dona Fátima Jampal 2013 (VR Lisboa)
Um nariz tenso e muito focado e palato de grande limpidez, revelam aromas e sabores minerais, florais, cítricos e de carambola crocante. O carvalho fumado poderia depreciar a sua limpidez, mas na realidade complementa habilmente a mineralidade deste vinho. Uma característica que também é reforçada pelo seu final salgado, longo e persistente. Verdadeiramente único. Um vinho excitante. 13%

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Manz Rosé 2013 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Manz Rosé 2013 (VR Lisboa)
Feito 100% de uvas Castelão, que são dedicadas à produção do rosé, este é um vinho bem conseguido, um rosé frutado mas seco, com fruta cremosa e madura de bagas vermelhas, e uma acidez mineral, muito atraente, bem integrada, fresca e persistente. 12.5%

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Manz Cheleiros Penedo do Lexim 2013 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Manz Cheleiros Penedo do Lexim 2013 (VR Lisboa)
Este blend 50/50 Touriga Nacional e Aragonês, de tom e palato brilhante, é um excelente exemplo de um tinto relaxado mas refinado, sem carvalho. Eu adoraria que mais produtores de Lisboa adoptassem este caminho amigo do ambiente e focassem mais na fruta e na frescura. A acidez fresca e mineral parece ser um marco de Cheleiros que vale a pena estimar. Quanto à fruta, a floralidade e o toque de chocolate e fruta de sobremesa de verão da Touriga, juntamente com a estrutura calcária e refinada dos taninos do Aragonês e leve especiaria, fazem um agradável equilíbrio. 14%

Contactos
ManzWine
Lagar Antigo | Largo da Praça, n.º 8 – A | 2640-160 Cheleiros | Portugal
Tel: (+ 351) 21 927 94 68
Telemóvel: (+ 351) 93 426 97 21
Fax: (+ 351) 21 426 97 19
Email: info@manzwine.com
Site: www.manzwine.com

Quinta do Rol – no coração de Lourignac

Texto João Pedro de Carvalho

A centenária Quinta do Rol desde sempre ligada às tradições e à terra, localizada no coração da região da Lourinhã, vai na terceira geração da família de Carlos Melo Ribeiro, o actual proprietário que a herdou de seu pai.

O nome da Quinta do Rol surge durante o século 19 pelo seu proprietário, um jogador ferrenho que, aquando da falta de dinheiro para pagar as suas dívidas, teria um Rol/lista de Quintas para tal efeito. Desde sempre ligada à produção de Pêra Rocha, também a produção de aguardente na destilaria própria remonta ao século 18, altura em que se produzia em grande quantidade para fornecer os produtores de vinho do Porto.

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Rita Melo Ribeiro at Quinta do Rol © Blend All About Wine, Lda.

Quando Carlos Melo Ribeiro chegou ao comando dos destinos da Quinta do Rol, cedo deu conta da especificidade climática da região; a proximidade com mar, os solos e o relevo, é detentora de um micro clima que a torna uma das três regiões em todo o mundo (à semelhança de Cognac e Armagnac) reconhecida como específica para a produção de aguardentes vínicas de qualidade superior, com denominação de origem. Para tal replantou as vinhas com as castas Ugni Blanc, Malvasia Fina e Alicante Branco para produção da Aguardente e outras castas onde despontam a Sauvignon Blanc, Pinot Gris, Pinot Noir, Chardonnay… com vista à produção de vinho de mesa e espumante de qualidade.

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Quinta do Rol Aguardente Velha XO © Blend All About Wine, Lda.

Acerca da aguardente, a região demarcada da Lourinhã data de 1992 e é a terceira a nível mundial, depois das conhecidas regiões demarcadas de Cognac e Armargnac, ambas em França. A Quinta do Rol conta com uma produção anual de 10 mil litros e esteve mais de dez anos a produzir para não vender, à espera que chegasse o momento certo de colocar no mercado um dos produtos mais exclusivos produzidos em Portugal, a Quinta do Rol Aguardente Velha XO.

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Quinta do Rol Espumante Blanc de Blancs 2008 © Blend All About Wine, Lda.

Quinta do Rol Espumante Blanc de Blancs 2008
Feito de Chardonnay, alia frescura a uma ligeira sensação de mousse, envolve e apetece num misto de fruta tropical e massapão. A fruta em tons citrinos mostra presença na boca, com frescura, saboroso e bem estruturado.

Quinta do Rol Selecção branco 2012
O único vinho de lote (Arinto, Alvarinho e Chardonnay) da Quinta do Rol, a mostrar frescura com conjunto algo fechado, toque mais verde e citrino, alguma untuosidade conferida pela batonnage a que teve direito. Boca com frescura, boa presença, marcado pela boa definição de sabores, pêra verde num conjunto que se sente tenso.

Quinta do Rol Pinot Gris 2011
Apresenta um leve fumado a lembrar pederneira, fruta gordinha envolta em boa frescura, delicado e tenso. Fresco na boca, mineralidade com secura no final.

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Quinta do Rol Sauvignon Blanc 2011 © Blend All About Wine, Lda.

Quinta do Rol Sauvignon Blanc 2011
Gostei da abordagem deste Sauvignon Blanc com descritores da casta pouco ou nada tropical mas muito mais herbáceo, pimento, salgado, fruta de segundo plano com toque fumado. Frescura e boa presença na boca num Sauvignon que apetece beber.

Quinta do Rol Pinot Noir Reserva 2009
Afirma-se durante a prova como um Pinot Noir com músculo, pouco definido, nariz fresco com frutos vermelhos e leve vegetal (musgo), embora se perca na falta de definição por estar ainda demasiado compacto. Boca com fruta madura de bom porte, frescura, boa amplitude, ligeira secura vegetal em final de boca, longo e persistente.

Contactos
Quinta Rol
Ribeira, Palheiros
2530-442 Miragaia
Tel: (+351) 261 437 484
Email: info@quintadorol.com
Site: www.quintadorol.com

Chryseia 2012 – a nova coqueluche da Prats & Symington!

Texto Olga Cardoso

No passado dia 11 de Setembro, a Prats & Symington apresentou o seu Chryseia 2012 no restaurante portuense Pedro Lemos, situado na Foz do Douro, mais precisamente na chamada Foz Velha.

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Vinhos Provados © Prats & Symington, Lda.

O Chef Pedro Lemos, que empresta o nome ao seu próprio restaurante, foi o autor do fantástico menu que acompanhou não só a prova do Chryseia 2012, como também das novas colheitas do Post Scriptum 2012 e do Prazo de Roriz 2011 – as outras duas referências da casa.

Importa referir que o Chryseia nasce de uma parceria entre as famílias Prats & Symington para produzir um dos Vinhos Douro DOC mais reconhecidos em Portugal e no estrangeiro ao longo dos últimos quinze anos, tendo sido o primeiro vinho tranquilo português (a segunda colheita datada de 2001) a configurar no ‘TOP 100’ da conceituada revista Wine Spectator, colocado na 19º posição com 94 pontos. Em Janeiro de 2013, o Chryseia 2011 obteve 97 pontos da referida Revista – Wine Spectator, a segunda nota mais alta de sempre atribuida a um vinho tranquilo Português.

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Bruno Prats & Rupert Symington © Prats & Symington, Lda.

A Prats & Symington nasceu em 1999 de uma parceria estabelecida entre as famílias com os mesmos apelidos. A parceria entre Bruno Prats, produtor de Bordéus, antigo proprietário do Château Cos d’Estournel e a família Symington, uma das maiores proprietárias de vinhas no Douro (cerca de 27 Quintas com aproximadamente 1.000 hectares de vinha e com marcas como a Graham’s, Dow’s, Warre’s, Cockburn’s, Quinta do Vesúvio e Altano no seu portefólio), combina as tradições e o conhecimento de duas das maiores regiões de vinho do mundo, aplicando este conhecimento às castas únicas e ao terroir do vale do Douro.

O evento foi apresentado por Bruno Prats e Rupert Symington, responsáveis da Prats & Symington, e nele participaram alguns dos mais conhecidos elementos da imprensa e do trade português. Ninguém parece ter querido perder a apresentação deste vinho notável!

O almoço iniciou-se então com um prato de pombo com salsifis e ervilhas, devidamente harmonizado com Prazo de Roriz 2011.

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Pombo © Prats & Symington, Lda.

Seguiu-se uma barriga de atum rabilho que combinou na perfeição com o Post Scriptum 2012.

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Barriga de Atum Rabilho © Prats & Symington, Lda.

Para harmonizar com a estrela da companhia – o Chryseia 2012, o Chef Pedro Lemos criou um prato de vitela envelhecida com feijão maduro e toucinho fumado. Fantástica!

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Vitela Envelhecida © Prats & Symington, Lda.

Para acompanhar a sobremesa, foi servido um excelente Porto Vintage 2003 da Quinta de Roriz. O Porto era sem dúvida muito bom…mas o Chryseia 2012 também, pelo que deixar de o ter perto de nós parecia impossível!

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Sobremesa © Blend All About Wine, Lda

Prazo de Roriz tinto 2011
Boa presença aromática, com notas de fruta preta como ameixas e cerejas negras a surgir de imediato. O seu lado balsâmico também se mostra evidente, com notas de menta e eucalipto a complementar a fruta. O corpo é de médio volume e todo o vinho se mostra pronto e harmonioso. Os taninos bem presentes vaticinam-lhe alguma capacidade de envelhecimento. Portugal: €8,90 em Portugal – Reino Unido: £12.

Post Scriptum tinto 2012O seu nariz é charmosamente floral, com vincadas notas de esteva amparadas pela fruta vermelha madura de muito boa qualidade. Na boca apresenta-se fresco, com uma acidez muito correcta e um corpo elegante bem proporcionado. O seu final é longo e a sua capacidade de perdurar no tempo é um dado adquirido. Portugal: €13,50 – Reino Unido: £18.

Chryseia tinto 2012
Foi produzido a partir de uma selecção criteriosa de uvas (72% Touriga Nacional e 28% Touriga Franca),  provenientes das vinhas localizadas nas Quintas de Roriz e da Perdiz, e estagiou durante 15 meses em barricas de carvalho francês de 400 L. A Quinta da Vila Velha, propriedade de um membro da família Symington e vizinha de Roriz, também deu o seu contributo. Combina poder e elegância em absoluta perfeição. Complexo no aroma, com notas de frutos silvestres, sensações especiadas e um fundo muito mineral. A boca revela a utilização de uma madeira de luxo e irrepreensivelmente bem integrada. Equilíbrio, harmonia e sintonia são as palavras que melhor descrevem este vinho. Um tinto colossal! Portugal: €45,00 – Reino Unido: £48,00.

Contactos
Prats & Symington, Lda
Quinta de Roriz
São João da Pesqueira
5130-113 Ervedosa Do Douro
Portugal
Email: info@chryseia.com
Site: www.chryseia.com

Cume aqui!

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Posso dizer desde já que não sou grande cozinheiro. Quer dizer, eu gosto de cozinhar, mas não o faço muito bem. Em casa cozinho todos os dias. Mas nem sempre foi o caso. Não há muitos anos atrás, mal sabia aquecer água. Foi só depois de ter o meu primeiro filho, que realmente comecei a fazer comidas diferentes, para além das pipocas.

No início não gostava muito. Era preguiçoso. Mas pouco a pouco, peguei-lhe o jeito e hoje em dia adoro cozinhar. Na realidade, sou capaz de gostar mais de fazer comida do que de a comer. Bom, digamos que está nos 50/50. Para mim, cozinhar é bastante terapêutico. Gosto de levar o meu tempo a preparar a comida, ouvir algumas músicas e, claro, beber vinho. Tenho reparado que é quase impossível fazer comida sem vinho. Tenho tentado e falhado várias vezes.

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Vai uma coxa de frango? – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Desta vez decidi fazer o estufado de galinha “pollo alla cacciatora”. Fui buscar a ideia ao Jamie Oliver, nem mais nem menos. Sempre que vou a Portugal, ouço as pessoas a dizer que me pareço com o Sr. Oliver. Pessoalmente, não vejo a semelhança, mas se sou parecido com ele, mais vale que cozinhe como ele, certo? A receita indicava que deixasse a galinha nadar em meia garrafa de vinho tinto. Eu tenho uma regra pessoal: se a galinha tem direito a vinho, eu também tenho. Portanto, meia garrafa para a Signora Pollo e meia garrafa para o Chef. Adicione um bocadinho de sal, pimenta preta, folhas de louro, alho, tomates cherry esmagados, umas anchovas para dar ao molho aquele travo salgado, azeitonas, uns raminhos de alecrim e, abracadabra, para dentro do forno.

Enquanto a galinha estufava, era altura de marinar o Chef. Tarefa para um vinho do Douro. Tinha umas garrafas de Quinta do Cume que queria provar. Os vinhos vêm de uma pequena vila chamada Provezende, localizada na margem norte do rio Douro e a cerca de 600 metros de altitude. Um sítiozinho lindo, com uma padaria que faz pão de se ficar de queixo caído. Os vinhos do Cume eram no entanto, completamente novos para mim e estava ansioso por os experimentar.

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Quinta do Cume Reserva Branco 2011 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quinta do Cume Reserva Branco 2011
Este vinho é composto sobretudo de Malvasia Fina, mas provavelmente terá também um toque de Rabigato e Viosinho. 30% do vinho esteve em barris de carvalho Francês durante apenas 3 meses. Consegue detectar-se algum picante do carvalho, mas no geral acho que estava bem integrado com o vinho. É tão fácil acabar por ficar com vinhos com excesso de carvalho, que fico muito satisfeito que o enólogo Jean-Hugues Gros tenha sido bastante subtil. Para além disso, o vinho tem fruta deliciosa, aquele toque clássico e tropical da manga, com alguma mineralidade sexy, que encontro com frequência nos brancos do Douro. Ligeiramente viscoso e com boa acidez para o apoiar. Impressionante.

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Quinta do Cume Reserva Tinto 2010 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quinta do Cume Reserva Tinto 2010
Quando o estufado de galinha ficou pronto, estava na altura do tinto. Um blend de Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz combinariam bem com uma comida substancial. Cheirar o vinho foi como se tivesse sido atingido com um soco, mas em vez de um verdadeiro punho, a mão seria feita inteiramente de bagas. BOOOM, olhos negros de mirtilos. Um cheiro intenso com alguns aromas de carvalho torrado a aparecer. Boa textura, taninos duradouros e alguns aromas formidáveis de amoras. Precisa decididamente de ser acompanhado por comida, a não ser que goste de levar uma tareia de uma garrafa de 75cl de sumo de uvas fermentadas. Bom.

Contactos
Quinta do Cume
5060-261 Provezende
Portugal
Tel: (+351) 91 445 7550
Email: quintadocume@netcabo.pt
Site: www.quintadocume.pt

Graham’s – Ne Oublie … Um Porto Tawny muito velho

Texto Olga Cardoso

A família Symington lançou um vinho de 1882 para celebrar a chegada do pioneiro da família a Portugal. O nome não poderia ser mais exemplificativo. Ne Oublie – que significa inesquecível ou em inglês, Not Forget ou Unforgerable! Ne Oublie é mais do que um vinho extraordinário, é uma jóia de família, uma relíquia histórica e cultural.

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Estas expressões em francês têm origem muitos séculos atrás. Como exemplo podermos referir o Honi soit qui mal y pense que é uma expressão francesa que significa – Envergonhe-se quem nisto vê malícia, muito usada em meios cultos. Também é o lema da Ordem da Jarreteira, comenda britânica criada pelo rei Eduardo III de Inglaterra, no tempo das Cruzadas. É um dos lemas do Reino Unido, estando estampado na sua própria bandeira.

Diz a lenda que, em 1347, durante um baile, a Condessa de Salisbury, amante do mesmo Eduardo III, perdeu a sua liga, azul. O Rei depressa a recolocou, sob o olhar e sorrisos (cúmplices) dos nobres da corte e terá gritado (em francês, que era a língua oficial da corte inglesa) “Messieurs, honni soit qui mal y pense! Ceux qui rient en ce moment seront un jour très honorés d’en porter une semblable, car ce ruban sera mis en tel honneur que les railleurs eux-mêmes le rechercheront avec empressement.” No dia seguinte terá criado a ordem da Jarreteira, tendo como símbolo uma liga azul sobre fundo dourado, que ainda hoje é a mais prestigiosa ordem do Reino Unido, tendo somente 25 membros e cujo único Grão Mestre é o monarca da Inglaterra.

Não poderia ter provado este vinho em melhor companhia…tão britânica! Até o tempo se colocou à feição! Em solo português, Quinta do Bomfim, Pinhão, Douro, sob um enorme temporal de chuva e trovoada e com dois britânicos. Paul Symington, actual administrador da Symington Family Estates e Sarah Ahmed, a escritora inglesa actualmente mais focada em vinhos portugueses. Aos dois agradeço esta experiência!

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Muitos consideram o seu preço proibitivo – cerca de € 5.500,00. Mas segundo Paul Symington – estamos a falar não só de uma bebida, mas sim de um produto de luxo, raro e exclusivo. “… se o vinho do Porto não consegue ter um produto ao nível da Hermès, da Cartier ou da Louis Vuitton, significa reconhecer que estamos num segundo nível…”!

E estamos seguramente a falar de um produto de nível superior. Um Porto do final do século XIX apresentado num decanter numerado, feito à mão, em cristal soprado, por mestres vidreiros da fábrica portuguesa Atlantis, com três anéis de prata moldados e gravados pelos ourives escoceses Hayward & Stott e guardado numa caixa de couro especialmente desenhada e produzida à mão pela famosa marca britânica Smythson, da Bond Street.

Os Symington são hoje a principal família do vinho do Porto. Líderes de vendas nas categorias especiais, são detentores das marcas Graham’s, Warre’s, Dow’s, Cockburn’s, Smith Woodhouse, Quinta do Vesúvio, Martinez, Gould Campbell e Quarles Harris e possuem mais de 1000 hectares de vinhas no Douro.

Este império e o elo emocional que a família mantém com o Douro, começaram realmente a ser construídos em 1882, quando o escocês Andrew James Symington, então com 19 anos, chegou a Portugal para trabalhar na Graham’s, outra família escocesa já há muito estabelecida no país e que, na altura, se dedicava à fiação de algodão.

E porque sou uma amante da história e de estórias, corro sempre o risco de me tornar entediante para quem me lê. Para abreviar essa parte…importa agora falar do vinho e da minha prova propriamente dita. [Caso pretenda ler sobre outros tawnies da grahms provados neste site poderão consultar o nosso artigo anterior]
Falamos de um vinho encerrado em apenas três pipas, uma das quais deu origem às 656 garrafas agora no mercado.

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Como vinho, encaixa-se na mais pura tradição duriense, a tradição do Tawny, enquanto vinho “generoso” que é guardado em pipas e vai passando de geração para geração. Está na linha do Scion, o vinho com 155 anos que a Taylor’s lançou em 2010 a 2500 euros a garrafa. Apesar do preço elevado, o vinho foi um sucesso e criou um fenómeno de imitação no sector. Num espaço curto de tempo surgiram no mercado vários vinhos do Porto muito velhos a preços nunca vistos. O último a ser lançado foi o Taylor’s Single Harvest 1963, um dos vinhos que esta empresa herdou com a compra, o ano passado, da Wiese & Krohn, uma pequena casa familiar especializada em Porto Colheitas. Também envolvidas num estojo de luxo, cada uma das 1650 garrafas foram postas à venda ao custo de € 3000,00.

Com o Ne Oublie, os Symington colocaram a fasquia num patamar ainda mais alto. Mas, bem vistas as coisas, € 5500,00 – será mais ou menos o preço de uma garrafa de Porto Vintage Noval Nacional de 1963 (sem embalagem de luxo). E há vinhos bastante mais novos franceses, Champanhe, Bordéus e Borgonha — e que não são tão bons – igualmente tão caros. Ne Oublie está longe, pois, de ser uma excentricidade.

São vinhos como estes, exclusivos e apresentados luxuosamente – que elevam o Vinho do Porto ao mais elevado patamar.

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Graham’s – Ne Oublie … Very Old Tawny Port
Profundo e hermeticamente concentrado, mostrou uma precisão como nenhum outro. Já provei outros Portos velhos, mas nenhum me impressionou tanto com este. Todos bons, sem dúvida, mas alguns revelam talvez demasiada concentração, excessivo melaço, algumas características exacerbadas ou talvez coisas a mais. Este mostra tudo no sítio. Dizer que se sentem aqui os frutos secos, como as nozes e as avelãs, será já um lugar comum…claro que todos estão presentes! Casca de laranja, algumas notas de madeira velha, algum mel e caramelo. Tudo existe neste vinho tão complexo. Para além disso temos o iodo e as notas de farmácia. A boca é notavelmente avassaladora. Bolas…quanta finura…nunca antes experimentada. Acidez al dente, concentração bem medida, profundidade e complexidade…na medida certa. A característica primordial deste vinho é mesmo a precisão. O mais “certeiro” Tawny alguma vez provado…talvez mesmo um dos maiores exemplares da excelência do DOURO!

Contacts
Symington Family Estates
Travessa Barão de Forrester 86
Apartado 26
4431-901 Vila Nova de Gaia
Portugal
Tel: (+351) 223 776 300
Fax: (+351) 223 776 301
E-mail: symington@symington.com
Site: http: www.symington.com

Trinca Bolotas – Nado e criado no Alentejo!

Texto Olga Cardoso

Provei este vinho pela primeira vez num almoço organizado pela Sogrape, no restaurante Largo, em pleno Chiado Lisboeta.

Pela mão do Chef Miguel Castro e Silva, fomos experimentando diferentes pratos bem harmonizados com vinhos da Herdade do Peso (Peso Estate).

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© Blend – All About Wine, Lda.

O mote deste encontro era precisamente a apresentação deste novo vinho alentejano e a mesa não poderia estar melhor decorada. Estava repleta de sobreiros em forma de bonsai, os quais no final do almoço foram simpaticamente oferecidos aos convivas.

À semelhança da mesa, o nome e a imagem do vinho também não poderiam ter sido melhor conseguidos.

A cor laranja remete-nos para a luz e o calor das planícies alentejanas e o nome Trinca Bolotas homenageia o tradicional “porco boloteiro”, o único sobrevivente dos suínos de pastoreio da Europa.

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Cachaço de Porco – © Blend – All About Wine, Lda.

Como não poderia deixar de ser, o prato escolhido pelo Chef Miguel Castro e Silva para harmonizar com o Trinca Bolotas foi um tenro e delicioso Cachaço de Porco. Excelente ligação!

Segundo Luis Cabral de Almeida, o enólogo que assume agora os destinos da Herdade do Peso, depois de 10 anos passados na Finca Flichman, também propriedade da Sogrape e situada em Mendonza, Argentina, dada a sua excepcional relação qualidade/preço (€ 5,99), este vinho é um sério candidato ao lugar de embaixador da viticultura da região.

Trata-se de facto de um vinho elaborado por uvas produzidas em conformidade com as directrizes de produção integrada de agricultura sustentável, ao qual facilmente poderemos vaticinar um grande sucesso comercial.

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Trinca Bolotas – Photo provided by Sogrape Vinhos, SA | All Rights Reserved

TRINCA BOLOTAS TINTO 2013 – DOC ALENTEJO
Na verdade este vinho não poderia ser mais alentejano! Faz inteiramente jus à região. No nome, na imagem, mas também nas suas características intrínsecas. Elaborado a partir das castas Alicante Bouschet (44%), Touriga Nacional (40%) e Aragonêz (16%), estagiou durante 6 meses em barricas novas de carvalho francês e caucasiano.

O charme do Alicante Bouschet made in Alentejo, faz-se bem sentir. Na cor, no volume e nos aromas a fruta preta de grande qualidade. A Touriga Nacional confere-lhe todo o seu lado floral e o Aragonês fecha o leque com aromas de fruta vermelha madura.

Na boca mostra-se bem fresco (sim a Vidigueira, por muito que achem que não, é um paraíso de frescura) e revela também boa estrutura, acidez correcta e taninos, que embora presentes, são macios e perfeitamente adequados à harmonização deste vinho com diferentes iguarias, nomeadamente, os tradicionais e deliciosos pratos de carne alentejanos.

Um vinho que faltava no portefólio alentejano da Sogrape Vinhos!


Trinca Bolotas. Da sua mesa vê-se o Alentejo | 2014 – (c) Sogrape Vinhos, SA

E porque o melhor se deixa sempre para o fim (pelo menos eu gosto de o fazer) aqui fica um pequeno vídeo, que nos mostra a vida deste Trinca Bolotas (e do porco propriamente dito!) no seu habitat natural – as planícies alentejanas ou mais propriamente … a Herdade do Peso.

Contactos
Herdade Do Peso E Anexas – Sociedade Agrícola, Lda.
Rua da Misericórdia 46
Site: www.herdadedopeso.pt

Tons de Outono

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Se há uma coisa que sei, uma coisa da qual tenho a certeza absoluta, é que o Inverno na Finlândia é inevitável. Enquanto estação, não é das minhas preferidas. Não por causa da neve, que por vezes pode chegar até à cintura. Nem mesmo do frio, que pode atingir os 40ºC negativos em algumas partes da Finlândia. É a escuridão que me afecta verdadeiramente.

Mas do Outono, gosto. De certa forma, até gosto mais do que do Verão. A natureza na Finlândia é para além de linda quando as cores do Outono começam a aparecer. Há algo de verdadeiramente mágico nesta estação. Dias solarengos e frescos, folhas no chão, longos passeios na floresta… aah, que bom!

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A preparar a sauna – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Os sons crepitantes de uma sauna aquecida a lenha, são possivelmente os sons mais relaxantes deste planeta e é algo que associo às noites escuras de Outono. Há também algo no Outono que faz com que eu sinta uma sede fora do normal de bom vinho. Não que precise de muitas razões para beber vinho, mas a atmosfera lareira-aconchegante-hey-vamo-nos-enroscar do Outono, faz com que realmente se queira beber vinho como se não houvesse amanhã.

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Terras do Demo (A Garrafa e o Cais) – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Uma escapadela rápida para o campo depois de uma viagem de trabalho intensiva, é o que veio mesmo a calhar. Fui buscar um amigo meu ao aeroporto de Helsínquia numa noite, já tarde, e, enquanto conduzíamos pelo denso nevoeiro, a garrafa que eu tinha deixado no chão do carro, começou a chamar a atenção dos viajantes sedentos. O meu amigo estendeu a mão para a garrafa, que se revelou ser um vinho espumante rosé da região Távora-Varosa. Esta peculiar região de vinho montanhosa, partilha fronteira com o Douro a norte e o Dão a sul. É bastante remota e a maioria das vinhas crescem entre 500 a 800 metros acima do nível do mar.

Enfim, a garrafa que estava no chão do carro ficou meio vazia antes de chegarmos ao nosso destino, mas quando finalmente chegámos e nos instalámos, tive oportunidade de a provar antes que desaparecesse.

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Terras do Demo – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Terras do Demo Touriga Nacional Rosé Bruto 2012
Algumas bolhas de rosé são bastante delicadas e frescas, outras são mais substanciais, com mais carne à volta do osso. Este vinho está precisamente no meio desses dois estilos. À primeira vista, pôs-me a pensar “Não é exactamente champanhe, pois não?”. Ignorante, eu sei, mas no ponto. Depois de algum tempo, este revelou-se um vinho espumante muito decente, com um bom benefício para o seu custo. A garrafa promete demasiado, sem dúvida. Quer dizer, é uma garrafa lindíssima: o colar exsuda prestígio e tal, vestida para impressionar. Mas o líquido no interior é mais terra a terra. Uma boca agradável e cremosa, com um saboroso e ácido final de arando. Sentado ao fundo do cais, a ver o pôr-do-sol, este vinho pode ser um delicioso e inesperado prazer, desta curiosa “DOCsinha”.

Contacts
Moimenta da Beira
Sernancelhe
Vila Nova de Paiva
Sátão
Site: www.terrasdodemo.pt

Maçanita – Nascido para se destacar

Texto Sarah Ahmed | Tradução Teresa Calisto

O lema na  Fita Preta é “why spend a lifetime trying to blend in, when you were born to stand out.” (porquê passar uma vida a tentar misturar-se, quando nasceu para se destacar). E assim é com os vinhos.

Veja-se a gama  Sexy range – branding ousado (de mau gosto, alguns poderão dizer) num país que foi descrito como a nação Católica Romana mais socialmente conservadora.

Ou o tema deste post, os excitantes e desafiadores vinhos Signature Series, sobre os quais escrevo de seguida. Maioritariamente monocasta, estes vinhos desafiam directamente a tradição Portuguesa de misturar diferentes castas e, no entanto, noutros aspectos são absolutamente reverentes à tradição.

O homem por detrás da assinatura é António Maçanita, co-fundador da Fita Preta e produtor de vinhos. Perguntei-lhe sobre os desafios de ser diferente, o que aprendeu pelo caminho e o que vem a seguir. Naturalmente, também provei o mais recente lançamento da Fita Preta Signature Series que analiso abaixo.

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António Maçanita at Winery – Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados

A entrevista

Sexy mas não Kiss: o António tem reputação de ser um marketeer astuto, no entanto, com um portfolio de marcas tão diverso – Sexy e os quatro rótulos diferentes Fita Preta – parece que ignorou a mais antiga regra do livro – Keep it simple, stupid (K.I.S.S. – mantém as coisas simples, estúpido)
Como bem sabe, em Portugal é sempre com um ou dois beijos, depende de quem encontrar. E nós não somos diferentes. O nosso K.I.S.S. é só visto de um ângulo diferente, não “o mercado vai gostar daquilo em que acreditamos”, mas do ponto de vista que aquilo que acreditamos ser bonito, estético, divertido, que vale o esforço, desafiador, esperamos que depois o consumidor goste e partilhe do mesmo entusiasmo. Às vezes é como diz “não é simples”, e nós sabemos disso. Mas mais importante, é autêntico e nós só engarrafamos e rotulamos aquilo que podemos apoiar.

Dito isto, conforme fomos crescendo e lançando novos vinhos, tivemos que tentar organizar a nossa mensagem para o público, o melhor possível. Por exemplo, temos estado a separar a comunicação (website e redes sociais) para a marca Sexy do restante portfolio, porque é uma marca tão forte e um vinho tão vocacionado para festas que precisa do seu próprio mundo.

Finalmente, obrigada pelo elogio “marketeer astuto”. Adorei – para um produtor de vinhos que vem de uma família de professores anti comerciais e que nunca tinha vendido nada na sua vida antes do vinho, nem mesmo as suas velhas pranchas de surf, isso é óptimo.

A importância de um nome: voltando-nos para a marca Signature Series da Fita Preta, não é fácil cortejar o mercado das exportações com castas e regiões de vinho inéditas e impronunciáveis. O que o motivou a criar esta gama e a colocar o seu nome?
A Signature Series by António Maçanita é onde dei mais espaço a mim próprio para o teste e erro, para sonhar mais alto, para ir fora da caixa. Eu questiono os porque sins e porque nãos. É aqui que eu mudo o Mundo, mesmo que apenas um bocadinho, e assumo responsabilidade por isso.

A minha primeira signature foi Branco de Tintas 2008 (um vinho branco a partir de uvas tintas) feito de Trincadeira e Alfrocheiro. Fi-lo durante uma fase em que não havia suficientes uvas brancas no Alentejo para as necessidades do mercado. Então pensei, porquê entrar novamente na loucura de arrancar as tintas e plantar as brancas e porque não fazer brancos com uvas tintas? Fizemo-lo e o vinho foi muito bom. Acabou na lista de melhores vinhos do ano da nossa revista de vinhos local e foi um dos primeiros brancos a partir de tintas em Portugal. Agora há mais de uma mão cheia de produtores que o fazem. Mas o mais engraçado (ou não) é que não foi certificado como vinho Alentejano, porque era um vinho branco feito a partir de uvas de vinho tinto e no entanto, nesse ano, a região permitiu que os produtores usassem 20% de vinho branco de fora da região, sendo, mesmo assim, certificado como Alentejano… veja lá.

A partir daí, fiquei entusiasmado com as “talhas” (ânforas de argila). A ideia surgiu durante uma viagem de avião de regresso, depois de visitar uns amigos na Califórnia que estão a fazer um fantástico Sauvignon Blanc em ovos de cimento.  Disse para mim mesmo, porque não usar as nossas “Talhas” que fazem parte do nosso património – um símbolo do Alentejo? Então quando cheguei, compramos uma “Talha” de 1940 de 1000 litros (a qual pagamos com 300 garrafas de vinho espumante). No entanto, decidimos fazer o processo de vinificação moderno (prensagem de cachos inteiros, fermentação a frio) em vez do tradicional “método Talha” que é com o contacto da pele. O resultado depois da fermentação foi simplesmente impossível de beber – “cera de abelhas” e “químico”. Engarrafamo-lo de qualquer forma dizendo “é o que é” e depois de 6 meses na garrafa, tornou-se incrível. A parte “química” ficou por trás do nariz dando ao vinho camadas do estilo Riesling e a fruta veio para a frente do palato – muito fresco e limpo. Ainda é um dos meus preferidos e um hino à história Alentejana.

A partir daqui o papel da Signature passou a ser o de salvar uma casta quase extinta, “Terrantez do Pico”. Está agora em boa forma, a ser replantada por todos os Açores. Também estou a testar outra uva açoriana “Arinto dos Açores”, fazendo um “Branco de Indígenas” puro (um branco sem fermento inoculado, nem controle de temperatura) e finalmente, trazendo de volta o Castelão.

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António Maçanita com Talha – Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados

A completar um ciclo? Recordar a tradição (seja de castas, do processo vinícola ou do estilo do vinho) é um dos cunhos da Signature Series da Fita Preta. O que aprendeu ao investigar o passado e em que aspectos, se algum, adaptou a tradição aos gostos contemporâneos?
Enquanto país do velho mundo produtor de vinhos, nós introduzimos muitas novas técnicas – aço inoxidável, fermentos seleccionados, castas estrangeiras, vinhas completamente varietais, vinhos direccionados para o consumidor, etc. Isto levou a uma melhoria geral dos nossos vinhos, tanto tintos como brancos, mas também retirou um pouco da “alma” dos nossos vinhos – o que dava aos vinhos um sentido de lugar quando os provamos. O desafio é complexo. Está entre escolher o que trazer de volta, que pode acrescentar complexidade e tipicidade e que novas técnicas aplicar, mantendo sempre em mente que também somos parte da história.

O Potencial do Pico: eu visitei recentemente os Açores e fiquei surpreendida pela qualidade e carácter distintivo, mineral e salgado dos seus brancos secos, e também ao aprender sobre o Arinto  dos Açores e o Terrantez do Pico, quando pensava que o Verdelho (em estilos mais doces/fortificados) era o pilar principal da produção.
O potencial dos Açores é incrível. As castas Verdelho (a verdadeira), Arinto dos Açores ou Terrantez do Pico são de um potencial enológico incrível. São minerais e salgadas e, com boa acidez, têm excelente potencial de envelhecimento. O terroir é único, com rocha vulcânica, proximidade ao oceano e tempo frio a moderado. Esta combinação é explosiva para grandes vinhos brancos. E concordo que este novo lote de 2013 mostra precisamente isso.

Acredito também que os vinhos fortificados sérios, que forjaram a reputação do Pico no passado, verão um renascimento. Como as listas e até os menus de banquetes reais mostram, rivalizou com o melhor Madeira em mercados como Reino Unido, Holanda, Estados Unidos e Rússia. Era conhecido em alguns mercados como Pico-Madeira por causa desta semelhança.

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Vindima do Pico – Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados

E a seguir?
Muita coisa! A nossa marca Sexy tem visto um grande crescimento no vinho espumante de “método tradicional” na França e nos Estados Unidos. Para Fitapreta, Palpite e Preta, um quarto das nossas vinhas estão agora em conversão para a certificação orgânica. Nos Açores, estou a trabalhar de perto com outros produtores e com o departamento agrícola, ao mesmo tempo que desenvolvemos o nosso projecto de produção própria nas ilhas. E depois há os meus projectos de consultoria nas Quinta de Sant’Ana, Cem Reis e Arrepiado Velho entre outros.

The wines

Fita Preta Signature Series Branco de Talha by Anónio Maçanita 2012 (Vinho Regional Alentejano)
Talha é uma referência a uma tradição de produção vinícola muito tradicional, que data da presença Romana no Alentejo há muitos anos atrás. Talha significa que o vinho foi fermentado numa ânfora – só uma neste caso – uma ânfora de 1000 litros de 1946. E mantendo a tradição, este vinho fica-se pelas castas brancas clássicas da região – Roupeiro (70%) e Antão Vaz (30%).  Ou pelo menos estas dominam o vinho onde (invulgarmente) a fruta provém de uma mistura de vinhas de 25-30 anos, das castas locais. Fui surpreendida pela palidez do vinho e pelo seu nariz tenso, até que me apercebi que tinha sido transferido para tanques de aço inoxidável depois de 28 dias (as ânforas são mais porosas que um tanque, o que resulta numa maior oxidação). Então a que sabe este vinho invulgar – um blend das técnicas tradicionais e modernas? É sofisticado, com bastante aldeído o que poderia ser um desastre, mas neste caso é positivo, fazendo um vinho vivo e mercúrico, de uma complexidade e frescura semelhantes ao xerez, com noz fresca, verde. Uma textura almofadada acrescenta à sua sensação de leveza, trazendo ao mesmo tempo peso. Um final longo revela as notas a terra que o atravessam. Muito interesse aqui, um vinho de ying e yang, que afasta e puxa. Gosto da sua energia, complexidade e persistência. 1300 garrafas produzidas. 13.5%

Fita Preta Signature Series Branco de Indígenas by Anónio Maçanita 2010 (Vinho Regional Alentejano)
Branco de Indígenas é uma referência ao facto de que este monocasta Arinto, foi fermentado em barrica (carvalho Francês) com fermentos 100% naturais/indígenas. Com a sua acidez limpa e revigorante, o seu palato cítrico focalizado, penso no Arinto como no Riesling de Portugal. Mas a vinificação traz outra dimensão à uva. Ou mais precisamente, traz uma maior dimensão, alargando o palato, tornando-o menos sumo de citrino, mais casca de limão e, como a casca de limão, tem uma qualidade textural – uma qualidade cremosa que associo aos fermentos naturais, talvez também uma função das borras/agitação das borras? O vinho é mais salgado também, com massa azeda e torrefacção de carvalho (gosto a noz). Pessoalmente gosto de ver um pouco mais de fruta e energia, mas para quem gosta de textura, tem um langor atractivo e sedoso. 800 garrafas produzidas. 12.5%

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Branco de Talha, Terrantez do Pico, Dranco de Indígenas – Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados

Fita Preta Signature Series Arinto do Açores 2013 (Vinho Regional Açores)
O Master Sommelier João Pires seleccionou este branco tenso para uma prova no 10 Fest Azores – uma mostra brilhante dos produtos da ilha e do talento dos chefes locais e internacionais. É um exemplo super intenso e revigorante, com um nervosismo fantástico e a textura subtil das borras que associo aos seus vinhos. Firmemente enrolada, a sua fruta “limonada” é disparada com minerais e sal, tão enérgico e picante que correu muito bem com o primeiro prato de cracas polvilhadas com paprika e sapateira com vichyssoise do Head Chef do hotel The Yeatman, Ricardo Costa. Tinha o peso e a intensidade para igualar este prato, apesar da sua pronunciada linearidade. 13.5%

Fita Preta Signature Series Terrantez do Pico by Anónio Maçanita 2013 (Vinho Regional Açores)
Palha pálida com noz doce, ligeiramente “axerezado” (aldeído), nariz salgado, um toque de iodo e casca de toranja também, todas estas notas transportadas num palato texturado, encerado e completamente seco, juntamente com notas de maçã castanha/pisada. A acidez relativamente firme traz enfoque e extensão. Menos consensual que o Arinto dos Açores, mas com qualidades que me lembraram o Loire Chenin, mais especificamente o mais muscular Chenins from Anjou (apesar de não ser tão frutado), não lhe falta estrutura nem carácter. Muito bom. 25% deste vinho foi fermentado em barricas de carvalho (presumo que barricas antigas) durante 9 meses com battonage semanal. Produzidas apenas 646 garrafas numeradas – a minha amostra foi a garrafa número 534. Ainda mais raro quando consideramos que estas 646 garrafas são as únicas garrafas de Terrantez do Pico varietal que existem (exceptuando a colheita anterior de Maçanita). E para explicar isto um pouco mais, menos de 100 vinhas desta casta praticamente extinta, existem fora da colecção dos serviços agrários. 13%

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Tinto de Castelão – Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados

Fita Preta Signature Series Tinto de Castelão by Anónio Maçanita 2010 (Vinho Regional Alentejano)
A casta Castelão pode ter sido colocada no mapa pela marca Periquita de José Maria Fonseca, da Península de Setúbal mas, de acordo com Maçanita, Castelão teve origem no Alentejo, onde permanece a terceira casta mais plantada. Tendo em atenção o antigo ditado que Castelão “precisa de tempo”, Maçanita deu à uva isso mesmo – este vinho foi macerado durante 30 dias após a fermentação, estagiou em barrica durante 24 meses e em garrafa durante 20 meses, antes de ser lançado. É um tom de rubi translúcido, com um nariz doce de cinco especiarias e frutas vermelhas de Verão. Na boca é impressionantemente fresco, com um palato de Pinot Noir de cereja vermelha e groselha crocante e precisa, e taninos firmes de fruta picante (tão mais tensos e secos que o carvalho) e uma baforada de charuto. Um final muito longo e persistente, revela notas atractivas e complexas de campari e chocolate de leite. Com tempo no copo e à medida que vai aquecendo, torna-se rico, mais encorpado, mais achocolatado. Pessoalmente servi-lo-ia um pouco fresco para manter a tónica na fruta vermelha e a frescura que tanto admirei. 2636 garrafas, a minha, a garrafa 28.  14%

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Burmester Colheita 2001

Texto João Pedro de Carvalho

Passear nas ruas do Centro Histórico de Gaia é como dar um salto atrás no tempo, imaginar a rolagem das pipas pelas pedras da calçada, as enormes salas de estágio onde moram autênticos sonhos por engarrafar. Visitar cada uma das caves é entrar num mundo aparte, apesar do fio condutor que as une, ali mora um silêncio que perdura na história, talvez apenas o sussurro dos néctares divinos que vão estagiando seja o único som que mereça ser ouvido, autênticos pavilhões do conhecimento que se pudessem falar teriam tanto para nos contar, tal a história e segredos que encerram.

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Burmester Colheita 2001 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

A Burmester pertence ao grupo Sogevinus e é um especialista no que toca à categoria de Porto Tawny. Neste caso o que cai no copo é o Burmester Colheita 2001, um vinho de perfil muito novo com todas as vicissitudes que tal acarreta uma vez que a sua complexidade não se aproxima dos patamares alcançados pelos vinhos de maior idade, mantendo da mesma forma o fio condutor tão característico dos grandes Porto Colheita desta casa. Se colocado ao lado de um 20 Anos teremos por comparação um vinho muito mais complexo que resulta da mestria do blend das variadas colheitas que dele fazem parte.

Por aqui o que se encontra é este bouquet menos rendilhado mas ao mesmo tempo ligeiramente evoluído, profundo e intenso, cheio de vida, com notas de avelã e alperce seco. Já a mostrar aquele toque untuoso no palato acompanhado de grande frescura e elegância, numa passagem que deixa boas recordações. O prazer de beber um Porto Colheita dos mais recentes é algo único, ter lado a lado a magia da oxidação com a força da juventude, capaz de ligações fantásticas como por exemplo uma generosa fatia de Bolo Inglês.

Contactos
Avenida Diogo Leite 344
Vila Nova de Gaia
4400-111
Portugal
Tel: (+351) 22 374 66 60
Fax: (+351) 22 374 66 99
E-mail: comercial@sogevinus.com
Site: www.burmester.pt

Quinta de Santiago encontra o Lagostim

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Nós, os Finlandeses somos conhecidos por termos tradições esquisitas. Inventamos e recebemos anualmente o campeonato mundial de Transporte da Esposa e matança do mosquito. Temos competições de lançamento de botas de borracha e telefones Nokia. Celebramos o Verão desaparecendo para o campo e bebendo entre nós. No 1º de Maio bebemos imenso hidromel caseiro sem álcool. Claro que fomos nós que inventámos a sauna, que usamos semanalmente. Até tivemos Campeonatos Mundiais de Sauna para ver quem consegue estar mais tempo sentado numa sauna cada vez mais quente, mas depois houve pessoas que morreram e tivemos que parar. Também inventámos o Pai Natal. Quer dizer, não inventamos nada, ele é real. Acabei de o ver há uns meses atrás.

No Inverno vamos nadar no lago ou no mar, fazendo um grande buraco no gelo. Nós, os Finlandeses, bebemos a maior quantidade de café do Mundo e somos muito bons no hóquei no gelo. Ainda não somos grandes bebedores de vinho, mas de cerveja gostamos. A Finlândia é chamada a terra dos mil lagos mas na realidade temos perto de 200 000 lagos. No final de Agosto, muitas pessoas fazem jantares festivos de lagostim, onde simplesmente se comem lagostim e apanham bebedeiras. Esta é a história de uma dessas noites.

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Ilkka Sirén em bebé (1986) – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Como pode ver pela foto acima, eu compareci à minha primeira festa do lagostim quando tinha apenas três semanas. A tradição dos jantares festivos de lagostim está profundamente enraizada na minoria Sueca da Finlândia, mas hoje em dia é celebrada por todos. A época de pesca do lagostim começa na Finlândia todos os anos, no dia 21 de Julho ao meio dia, mas normalmente, as pessoas começam a comê-los no final de Agosto quando as noites escurecem. Habitualmente, a noite começa como qualquer outra noite na Finlândia, com o aquecimento da sauna. Eu estava encarregue disso e, enquanto a sauna aquecia, preparamos os lagostins na cozinha. Os lagostins são como mini lagostas de água doce, bombardeadas com endro. Normalmente comem-se apenas com pão branco. Mas o verdadeiro truque é aprender a comê-los correctamente sem cortar os pulsos com a faca especial de lagostins. Acredite em mim, torna-se um bocadinho difícil depois de uns shots de akvavit.

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Prato de Lagostins – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Portanto, depois de umas horas de relaxamento na sauna e de nadar no lago, estava na altura de começar a jantar. Começamos por servir akvavit a toda a gente, uma bebida picante da Noruega. Depois começa a cantoria. Cantamos a canção Sueca bem conhecida chamada Helan går. Quer dizer “tudo ao mesmo tempo” e diz, literalmente que se não beber o shot de golada, não vai ter nem mais meio copo. Portanto nós cantamos, nós bebemos e nós servimos mais um copo. Depois começamos a comer. A minha mulher traz a sua deliciosamente cremosa sopa de cogumelo e eu pego numa garrafa de Quinta de Santiago Alvarinho Reserva “Segredo da Avó” 2013 de Monção e Melgaço. Normalmente não começo logo com o reserva, mas achei que a sopa rica e cremosa precisava de algo um pouco mais robusto. O vinho teve algum contacto com a pele e um toque de estágio em carvalho. Combinou lindamente com a sopa de cogumelos. A acidez fresca equilibrou muito bem a textura encorpada da sopa, trazendo também aromas cítricos agradáveis e especiarias suaves à mistura. Sozinho parecia um pouco estranho e jovem, que era, mas com a comida floresceu.

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A abrir um lagostim utilizando uma faca – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois servimos mais uma rodada de akvavit e a cantoria continuou. Esta pode não ser a melhor maneira de garantir que se detectam todas as nuances no vinho, mas é tão divertido. De seguida veio o prato principal, la écrevisse, o lagostim. A minha sogra traz dois grandes pratos cheios destes sujeitinhos, o que me inspira a cantar outra canção. E sim, mais um shot de akvavit. Cambaleio até à cozinha, pego numa garrafa de Quinta de Santiago Alvarinho 2012 (o irmão mais novo do vinho anterior) e volto para a mesa. Entretanto, o meu sogro serviu mais uma rodada de shots e bota abaixo. Por esta altura, as cascas de lagostim voam por todo o lado, sorveres ruidosos ecoam na sala, risos ruidosos e mais cantoria. A atmosfera é desordeira mas toda a gente está feliz. Eu sirvo o Alvarinho enquanto tento não ser esfaqueado pela faca do lagostim. O reserva foi uma combinação sólida com a comida, muito bom. Mas este Alvarinho jovem com os pequenos diabos vermelhos, foi algo de soberbo. Os lagostins estão cheios de água de endro salgada que combinou espantosamente bem com o carácter fresco, aveludado do Alvarinho e o toque salgado no final. Não conhecia bem este produtor, mas este vinho interessou-me definitivamente e estou ansioso por provar mais dos seus vinhos no futuro.

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Quinta de Santiago – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois de devorarmos os lagostins era hora da sobremesa. Lembro-me de haver vinho do porto e talvez uma ou duas canções. Quando tudo acabou já passava da meia-noite, estava na altura para o segundo round na sauna. Nada como uma sessão de sauna fumegante a 90°C como digestivo. As risadas, cantoria, bebidas e todo o tipo de conduta desordeira continuaram até ao raiar da madrugada. Foi um característico bacanal Finlandês. Felizmente só o fazemos uma vez por ano.

Contactos
Quinta de Santiago
Rua D. Fernando nº 128
Cortes, Monção
4950-276 Mazedo
Telemóvel: 917557883
email: wines@quintadesantiago.pt