Posts Categorized : GASTRONOMIA

Restaurante Nortada

Texto José Silva

As vinhas tradicionais de Colares resistem no seu chão de areia, com os caules retorcidos rente ao solo, para se protegerem do vento forte que sopra normalmente vindo do mar, ali bem perto, e que há-de trazer às suas uvas e aos vinhos que delas hão-de nascer alguma salinidade que esse vento transporta na sua humidade.

Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para as proteger ainda mais, os viticultores montaram as paliçadas de canas que tornaram estes vinhedos tão típicos.
Essa nortada que varre a costa de Colares durante quase todo o ano deu nome a um restaurante que se situa precisamente em cima duma das praias mais emblemáticas da região, a Praia Grande, que dista apenas poucas centenas de metros de algumas destas vinhas.

É uma praia ampla, com algumas falésias e um areal extenso castigado por aquele mar batido, forte, de ondas por vezes perfeitas, que fazem as delícias dos muitos praticantes de desportos radicais de mar. E é também daquele mar que vem o peixe e marisco que é servido no restaurante “Nortada”, da praia Grande.

Cá em cima na falésia, tem uma localização perfeita, com uma vista soberba para a praia e aquele mar imenso.

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A sala é dividida em vários recantos e tem enormes janelas envidraçadas que deixam entrar a luz e apreciar aquela paisagem. No meio, um escaparate exibe peixes e marisco frescos que podemos escolher para a nossa refeição.

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Esplanada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E tem uma esplanada virada a sul, protegida do vento dominante, muito procurada, onde se está muito bem.

As mesas são muito bem postas, com bom gosto e o serviço é profissional, atento e atencioso, bem dirigido.

Ali o marisco e o peixe são reis, vindo à mesa em preparações diversas, desde as mais simples, em que o peixe é simplesmente grelhado, só com sal e o marisco é cozido, dando toda a sua riqueza, a pratos mais elaborados, como crepes de lavagante, empada de robalo, risotto de camarão, spaghetti com amêijoas ou arroz de cherne com camarão.

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Manteiga, Queijo e Azeitoans – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na refeição que apreciamos veio para a mesa pão saboroso, dois tipos de manteiga, azeitonas e queijinho fatiado.

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Robalo à Sete Mares – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E veio o robalo à Sete Mares, em que o robalo de mar, fresquíssimo, é preparado em molho de camarão e manteiga, com camarão grande e uns legumes salteados saborosos, num conjunto bem conseguido, na companhia de arroz de alho e coentros muito bom.

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Arroz de Alho e Coentros – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A refeição ficou completa com um delicioso bolo de bolacha e café.

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Bolo de Bolacha e Café – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Beberam-se alguns vinhos que levamos, onde havia até um ramisco de Colares.
Não fosse termos que continuar o trabalho, certamente ficaríamos por ali durante a tarde, na companhia daquela paisagem fantástica…

Contactos
Restaurante Nortada
Avenida Alfredo Coelho 8 – Praia Grande
Sintra
2705-329 COLARES
Tel: (+351) 21 929 15 16
Email: geral@restauranteNortada.com
Site: www.restaurantenortada.com

Chryseia 2012 – a nova coqueluche da Prats & Symington!

Texto Olga Cardoso

No passado dia 11 de Setembro, a Prats & Symington apresentou o seu Chryseia 2012 no restaurante portuense Pedro Lemos, situado na Foz do Douro, mais precisamente na chamada Foz Velha.

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Vinhos Provados © Prats & Symington, Lda.

O Chef Pedro Lemos, que empresta o nome ao seu próprio restaurante, foi o autor do fantástico menu que acompanhou não só a prova do Chryseia 2012, como também das novas colheitas do Post Scriptum 2012 e do Prazo de Roriz 2011 – as outras duas referências da casa.

Importa referir que o Chryseia nasce de uma parceria entre as famílias Prats & Symington para produzir um dos Vinhos Douro DOC mais reconhecidos em Portugal e no estrangeiro ao longo dos últimos quinze anos, tendo sido o primeiro vinho tranquilo português (a segunda colheita datada de 2001) a configurar no ‘TOP 100’ da conceituada revista Wine Spectator, colocado na 19º posição com 94 pontos. Em Janeiro de 2013, o Chryseia 2011 obteve 97 pontos da referida Revista – Wine Spectator, a segunda nota mais alta de sempre atribuida a um vinho tranquilo Português.

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Bruno Prats & Rupert Symington © Prats & Symington, Lda.

A Prats & Symington nasceu em 1999 de uma parceria estabelecida entre as famílias com os mesmos apelidos. A parceria entre Bruno Prats, produtor de Bordéus, antigo proprietário do Château Cos d’Estournel e a família Symington, uma das maiores proprietárias de vinhas no Douro (cerca de 27 Quintas com aproximadamente 1.000 hectares de vinha e com marcas como a Graham’s, Dow’s, Warre’s, Cockburn’s, Quinta do Vesúvio e Altano no seu portefólio), combina as tradições e o conhecimento de duas das maiores regiões de vinho do mundo, aplicando este conhecimento às castas únicas e ao terroir do vale do Douro.

O evento foi apresentado por Bruno Prats e Rupert Symington, responsáveis da Prats & Symington, e nele participaram alguns dos mais conhecidos elementos da imprensa e do trade português. Ninguém parece ter querido perder a apresentação deste vinho notável!

O almoço iniciou-se então com um prato de pombo com salsifis e ervilhas, devidamente harmonizado com Prazo de Roriz 2011.

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Pombo © Prats & Symington, Lda.

Seguiu-se uma barriga de atum rabilho que combinou na perfeição com o Post Scriptum 2012.

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Barriga de Atum Rabilho © Prats & Symington, Lda.

Para harmonizar com a estrela da companhia – o Chryseia 2012, o Chef Pedro Lemos criou um prato de vitela envelhecida com feijão maduro e toucinho fumado. Fantástica!

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Vitela Envelhecida © Prats & Symington, Lda.

Para acompanhar a sobremesa, foi servido um excelente Porto Vintage 2003 da Quinta de Roriz. O Porto era sem dúvida muito bom…mas o Chryseia 2012 também, pelo que deixar de o ter perto de nós parecia impossível!

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Sobremesa © Blend All About Wine, Lda

Prazo de Roriz tinto 2011
Boa presença aromática, com notas de fruta preta como ameixas e cerejas negras a surgir de imediato. O seu lado balsâmico também se mostra evidente, com notas de menta e eucalipto a complementar a fruta. O corpo é de médio volume e todo o vinho se mostra pronto e harmonioso. Os taninos bem presentes vaticinam-lhe alguma capacidade de envelhecimento. Portugal: €8,90 em Portugal – Reino Unido: £12.

Post Scriptum tinto 2012O seu nariz é charmosamente floral, com vincadas notas de esteva amparadas pela fruta vermelha madura de muito boa qualidade. Na boca apresenta-se fresco, com uma acidez muito correcta e um corpo elegante bem proporcionado. O seu final é longo e a sua capacidade de perdurar no tempo é um dado adquirido. Portugal: €13,50 – Reino Unido: £18.

Chryseia tinto 2012
Foi produzido a partir de uma selecção criteriosa de uvas (72% Touriga Nacional e 28% Touriga Franca),  provenientes das vinhas localizadas nas Quintas de Roriz e da Perdiz, e estagiou durante 15 meses em barricas de carvalho francês de 400 L. A Quinta da Vila Velha, propriedade de um membro da família Symington e vizinha de Roriz, também deu o seu contributo. Combina poder e elegância em absoluta perfeição. Complexo no aroma, com notas de frutos silvestres, sensações especiadas e um fundo muito mineral. A boca revela a utilização de uma madeira de luxo e irrepreensivelmente bem integrada. Equilíbrio, harmonia e sintonia são as palavras que melhor descrevem este vinho. Um tinto colossal! Portugal: €45,00 – Reino Unido: £48,00.

Contactos
Prats & Symington, Lda
Quinta de Roriz
São João da Pesqueira
5130-113 Ervedosa Do Douro
Portugal
Email: info@chryseia.com
Site: www.chryseia.com

Quinta de Santiago encontra o Lagostim

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Nós, os Finlandeses somos conhecidos por termos tradições esquisitas. Inventamos e recebemos anualmente o campeonato mundial de Transporte da Esposa e matança do mosquito. Temos competições de lançamento de botas de borracha e telefones Nokia. Celebramos o Verão desaparecendo para o campo e bebendo entre nós. No 1º de Maio bebemos imenso hidromel caseiro sem álcool. Claro que fomos nós que inventámos a sauna, que usamos semanalmente. Até tivemos Campeonatos Mundiais de Sauna para ver quem consegue estar mais tempo sentado numa sauna cada vez mais quente, mas depois houve pessoas que morreram e tivemos que parar. Também inventámos o Pai Natal. Quer dizer, não inventamos nada, ele é real. Acabei de o ver há uns meses atrás.

No Inverno vamos nadar no lago ou no mar, fazendo um grande buraco no gelo. Nós, os Finlandeses, bebemos a maior quantidade de café do Mundo e somos muito bons no hóquei no gelo. Ainda não somos grandes bebedores de vinho, mas de cerveja gostamos. A Finlândia é chamada a terra dos mil lagos mas na realidade temos perto de 200 000 lagos. No final de Agosto, muitas pessoas fazem jantares festivos de lagostim, onde simplesmente se comem lagostim e apanham bebedeiras. Esta é a história de uma dessas noites.

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Ilkka Sirén em bebé (1986) – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Como pode ver pela foto acima, eu compareci à minha primeira festa do lagostim quando tinha apenas três semanas. A tradição dos jantares festivos de lagostim está profundamente enraizada na minoria Sueca da Finlândia, mas hoje em dia é celebrada por todos. A época de pesca do lagostim começa na Finlândia todos os anos, no dia 21 de Julho ao meio dia, mas normalmente, as pessoas começam a comê-los no final de Agosto quando as noites escurecem. Habitualmente, a noite começa como qualquer outra noite na Finlândia, com o aquecimento da sauna. Eu estava encarregue disso e, enquanto a sauna aquecia, preparamos os lagostins na cozinha. Os lagostins são como mini lagostas de água doce, bombardeadas com endro. Normalmente comem-se apenas com pão branco. Mas o verdadeiro truque é aprender a comê-los correctamente sem cortar os pulsos com a faca especial de lagostins. Acredite em mim, torna-se um bocadinho difícil depois de uns shots de akvavit.

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Prato de Lagostins – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Portanto, depois de umas horas de relaxamento na sauna e de nadar no lago, estava na altura de começar a jantar. Começamos por servir akvavit a toda a gente, uma bebida picante da Noruega. Depois começa a cantoria. Cantamos a canção Sueca bem conhecida chamada Helan går. Quer dizer “tudo ao mesmo tempo” e diz, literalmente que se não beber o shot de golada, não vai ter nem mais meio copo. Portanto nós cantamos, nós bebemos e nós servimos mais um copo. Depois começamos a comer. A minha mulher traz a sua deliciosamente cremosa sopa de cogumelo e eu pego numa garrafa de Quinta de Santiago Alvarinho Reserva “Segredo da Avó” 2013 de Monção e Melgaço. Normalmente não começo logo com o reserva, mas achei que a sopa rica e cremosa precisava de algo um pouco mais robusto. O vinho teve algum contacto com a pele e um toque de estágio em carvalho. Combinou lindamente com a sopa de cogumelos. A acidez fresca equilibrou muito bem a textura encorpada da sopa, trazendo também aromas cítricos agradáveis e especiarias suaves à mistura. Sozinho parecia um pouco estranho e jovem, que era, mas com a comida floresceu.

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A abrir um lagostim utilizando uma faca – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois servimos mais uma rodada de akvavit e a cantoria continuou. Esta pode não ser a melhor maneira de garantir que se detectam todas as nuances no vinho, mas é tão divertido. De seguida veio o prato principal, la écrevisse, o lagostim. A minha sogra traz dois grandes pratos cheios destes sujeitinhos, o que me inspira a cantar outra canção. E sim, mais um shot de akvavit. Cambaleio até à cozinha, pego numa garrafa de Quinta de Santiago Alvarinho 2012 (o irmão mais novo do vinho anterior) e volto para a mesa. Entretanto, o meu sogro serviu mais uma rodada de shots e bota abaixo. Por esta altura, as cascas de lagostim voam por todo o lado, sorveres ruidosos ecoam na sala, risos ruidosos e mais cantoria. A atmosfera é desordeira mas toda a gente está feliz. Eu sirvo o Alvarinho enquanto tento não ser esfaqueado pela faca do lagostim. O reserva foi uma combinação sólida com a comida, muito bom. Mas este Alvarinho jovem com os pequenos diabos vermelhos, foi algo de soberbo. Os lagostins estão cheios de água de endro salgada que combinou espantosamente bem com o carácter fresco, aveludado do Alvarinho e o toque salgado no final. Não conhecia bem este produtor, mas este vinho interessou-me definitivamente e estou ansioso por provar mais dos seus vinhos no futuro.

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Quinta de Santiago – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois de devorarmos os lagostins era hora da sobremesa. Lembro-me de haver vinho do porto e talvez uma ou duas canções. Quando tudo acabou já passava da meia-noite, estava na altura para o segundo round na sauna. Nada como uma sessão de sauna fumegante a 90°C como digestivo. As risadas, cantoria, bebidas e todo o tipo de conduta desordeira continuaram até ao raiar da madrugada. Foi um característico bacanal Finlandês. Felizmente só o fazemos uma vez por ano.

Contactos
Quinta de Santiago
Rua D. Fernando nº 128
Cortes, Monção
4950-276 Mazedo
Telemóvel: 917557883
email: wines@quintadesantiago.pt

L´And Vineyards, um hotel dedicado ao culto do vinho…

Texto José Silva

Está situado muito perto de Montemor-o-Novo, em pleno Alentejo, este hotel que é muito mais que isso. Banhado pela paisagem alentejana característica, beneficiando daquela quietude, daquele sossego, é uma unidade hoteleira muito moderna e que desenvolve, há cerca de três anos, um novo conceito, em que a produção de vinho faz parte integrante de todo o complexo.

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L’And Vineyards Resort – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No edifício central estão os serviços que o L’And oferece: restaurante, salas de estar e um spa que inclui uma piscina, havendo ainda uma simpática piscina exterior. E, por baixo deste edifício está, imagine-se, a adega. Mas uma adega de pequenas dimensões, com cubas de aço inox muito pequenas, uma versão liliputiana das adegas alentejanas, sendo o responsável pela produção dos vinhos o engº. Paulo Laureano, um enólogo com enorme experiência, que aceitou este desafio.

Cá fora, em frente ao edifício, estão as vinhas, mas também há vinhas mesmo ao lado da piscina, entre esta e as primeiras suites do hotel. São construções apenas de dois pisos, como aliás são todas as outras, numa integração ambiental que também foi desde o começo uma das grandes preocupações dos proprietários. Um lago artificial serve apenas para reter a água necessária para regar os imensos relvados e, a seu tempo, as vinhas.

Embora os automóveis possam aparcar junto aos apartamentos, o pessoal do hotel desloca-se em veículos eléctricos por todo o complexo. Não há ali os tradicionais quartos de hotel, mas sim suites de pelo menos dois quartos, com salas de estar enormes, cheias de luz e muito bem equipadas, com mini-bar, máquina de café Nexpresso, televisão com todos os canais possíveis, vídeo e suporte para Ipod e Iphone, ar condicionado e um pátio interior absolutamente privado.

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Vinhas L’And Vineyards – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Não faltam uns confortáveis chapéus de palha, que se podem revelar muito úteis, diria mesmo fundamentais, para enfrentar o vigor do sol alentejano. Cá fora, em cada suite, há uma lareira que pode ser acesa para se estar cá fora, à noite. Há também algumas vivendas que foram vendidas a privados, mas que fazem parte de todo o complexo, beneficiando mesmo de alguns dos seus serviços. É um local para descansar e fazer belas caminhadas a pé, mas que não deixa de estar bem perto de Montemor-o-Novo, com todas as necessidades mesmo à mão. No spa, bem como em todas as suites, usam-se os produtos de beleza da Caudalie, preparados à base de uvas e de vinho, sendo propostas no spa várias aplicações, massagens e tratamentos de vinoterapia, de belo efeito.

Mas como o corpo também tem que ser bem tratado interiormente, há um excelente restaurante, onde todos os dias é servido um completíssimo pequeno almoço. Embora esteja encerrado à segunda e terça-feiras, o restaurante tem um serviço impecável, com amesendação de grande qualidade e profissionais que não descuram o mais pequeno pormenor, e que inclui o serviço dum escanção, a propor-nos viagens apelativas pelo nosso mundo vínico. E que servem de suporte a uma ementa preparada diariamente pela equipa de profissionais dirigida pelo chefe Miguel Laffan que, com a sua experiência e bom gosto, lhe valeu em 2013 a atribuição duma estrela do prestigiado guia Michelin, aliás inteiramente merecida.

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Restaurante L’And Vineyards – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É a busca de paladares e texturas suaves e requintadas em que a utilização exaustiva de produtos genuinamente portugueses é uma constante, com resultados brilhantes, que ali têm levado imensos visitantes, com uma percentagem enorme de portugueses, que cada vez mais dão valor aos nossos produtos, aos nossos vinhos e aos nossos profissionais.

O menu degustação que se provou é uma boa solução, para apreciar entradas, peixe, carne e sobremesa, a que se podem juntar vários vinhos servidos a copo.

Começamos por petiscar umas amêndoas caramelizadas com caril, até que veio uma deliciosa sopa de peixe da costa vicentina, lagostim assado e croquete cremoso de ostra, seguido de tataki de atum em mil folhas, compota de cebola roxa e chutney de manga com salada de rábano, coentros, bergamota e wasabe. Também um delicioso salmonete em caldo de caldeirada com salada crocante.

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Tataki de Atum em Mil Folhas – Foto de José Silva | Todos os direitos Reservados

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Salmonete em Caldo – Foto de José Silva | Todos os direitos Reservados

Veio depois a carne com o lombinho de porco de raça alentejana assado lentamente, gratin de couve-flor texturizado com salteado de espargos, ervilha e morcela regional, uma festa para o paladar.

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Duo de cenoura, terra de pistacho com espuma de açafrão e gengibre e gelado de mel – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Nas sobremesas provou-se o tiramisu de pistacho com chocolate branco e cerejas confitadas, gelado de café e crocante de chocolate tainori, para terminarmos com um duo de cenoura sobre terra de pistacho com espuma de açafrão e gengibre e gelado de mel.

Os vinhos propostos foram espumante bruto da Herdade do Esporão, muito elegante, suave mas com bolha persistente e cordão cremoso, o branco duas castas do mesmo produtor, com Roupeiro e Arinto, de 2012, fresco, muito elegante, com óptima acidez e alguma evolução, excelente vinho.

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L´And Vineyards Reserva 2010 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Grandjó de 2008 Late Harvest – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois veio o tinto L’And Vineyards Reserva 2010, cheio de estrutura, redondo, de aromas muito elegantes, aveludado mas com a força dos frutos vermelhos e taninos bem casados, um vinho a reter.

Para as sobremesas o escanção propôs um vinho do Porto Rozès White Reserva e um Grandjó de 2008 Late Harvest, e propôs muito bem.

Servidos na temperatura correcta em copos adequados, foram o epílogo de excelência para uma refeição magnífica neste L’And Vineyards.

Contactos
L’And Vineyards
Estrada Nacional 4
Herdade das Valadas
Apartado 122
7050-031 Montemor-o-Novo
Évora
Tel: (+351) 266 242 400
Fax: (+351) 266 242 401
E-mail: reservas@l-and.com or info@l-and.com
Site: l-andvineyards.com

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Na ilha do Faial, Açores, surge um novo restaurante…

Texto José Silva

O arquipélago dos Açores tem vindo a ser reconhecido em todo o mundo como um destino fantástico, quer por causa das suas paisagens, quer pela defesa ambiental e ecológica. São nove ilhas no meio do oceano Atlântico norte, onde o verde predomina, com um mar protegido onde abundam espécies de peixe fora do vulgar.

É uma das maiores reservas de atum do mundo, a par de outras espécies, como o cherne e o goraz. Mas também ali abundam dois mamíferos que proporcionam espectáculos deliciosos e divertidos: os golfinhos e as baleias.

É mesmo o único local no mundo onde se podem ver todas as espécies de baleias conhecidas. Mais recentemente, entre as ilhas do Pico e de S. Jorge, a moda é mergulhar com os tubarões, que também são abundantes.

As vinhas tradicionais da ilha do Pico são património da humanidade.

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E há óptimos produtos em todas as ilhas, sobretudo peixe, algum marisco, uma excelente carne de vaca e muita variedade de queijos, além de frutos deliciosos, sendo o ananás de S. Miguel o mais famoso.

Os Açores são o único local na Europa onde se planta chá, na ilha de S. Miguel. A restauração das ilhas tem vindo a evoluir muito, beneficiando da qualidade destes produtos, sobretudo do peixe e da sua enorme variedade, e os vinhos tranquilos começam a ser presença constante nos restaurantes das ilhas.

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Sr. Genuíno – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A ilha do Faial, bem conhecida por ter tido o último vulcão em actividade, em 1957, o vulcão dos Capelinhos, e o célebre Café Peter´s, tem também um cidadão que deu duas vezes a volta ao mundo no seu barco “Hemingway”, sozinho. É o sr. Genuíno, homem do mar e do peixe, dizem que um dos melhores conhecedores de peixe nos Açores, que trouxe dessas epopeias milhares de recordações e que acabou por casar no Brasil.

Agora mais calmo, resolveu abrir o seu próprio restaurante, na sua ilha natal, o Faial. Escolheu um local fantástico, a pequena baía da praia de Porto Pim. Um arquitecto amigo desenhou o projecto e surgiu, de raiz, um local onde se pretende divulgar o marisco e peixe dos Açores, através de algumas receitas tradicionais, mas também com alguma inovação, descobrir novas ligações, fazer novas propostas.

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Restaurante Genuíno – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

São duas salas, uma em baixo e outra no primeiro piso, decoradas com simplicidade, em tons muito claros, mesas bem postas, ambiente descontraído com janelas enormes a deixar ver uma paisagem muito bonita, da praia de Porto Pim. A tranquilidade está por todo o lado. Neste “Genuíno” só se  serve peixe fresco e algum marisco, numa ementa apelativa e moderna.

Pão saboroso, queijo, requeijão e pimenta da terra para começar. Há duas sopas possíveis, Hemingway e creme de legumes. Como entradas um saboroso camarão à Genuíno, salada de atum fresco, salada de polvo muito bem temperada e palitos de peixe-espada à Cabo Horn.

Pegando em peixes das ilhas propõem-se nomes de locais que o sr. Genuíno visitou nas suas viagens, alguns deles mesmo incluindo preparação e temperos dessa regiões longínquas: filetes de peixe-espada com arroz do mesmo, atum no forno à Rapa Nui, escabeche quente de peixe à Polinésia, genuinamente arroz de peixe, arroz de polvo da costa (ao jantar).

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Ilha do Faial – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na grelha do Pico passam cherne do Guernica, peixe-espada com banana da ilha, atum timorense, goraz a meio canal e pargo à Vanuatu.

Há menu infantil e menu vegetariano e também fazem take away. Para terminar, sobremesa do “Genuíno”, pudim de chá da Gorreana, salada de fruta, pudim de inhame, ananás e prato de queijo. Os vinhos açoreanos, sobretudo do Pico e de S. Miguel estão bem presentes, assim como o Lajido e o Ksar, ambos do Pico e muito especiais.

O restaurante está sempre aberto, podendo comer-se a qualquer hora do dia, todos os dias.

Ali em frente, aquele mar fantástico contínua tranquilo…

 

Contactos
Restaurant Genuíno
Areinha Velha, 9 Horta
9900-067 Ilha do Faial, Açores
Tel: (+351) 292 701 542
Email: genuino@genuinomadruga.com

Restaurante G, da Pousada de S. Bartolomeu, Bragança

Texto José Silva

Um dos motivos mais interessantes para quem anda nesta actividade da gastronomia e dos vinhos, é, de vez em quando, descobrir coisas que nos surpreendem e nos deixam felizes. É também uma das razões porque mantemos a vontade e o gosto de continuar a desenvolver este trabalho. Foi o que aconteceu numa recente visita a Bragança, lá bem no interior transmontano, quando mão amiga nos levou até à Pousada de S. Bartolomeu para almoçar.

A pousada tem muita tradição, que conheço bem, pois ali pernoitei muitas vezes, em várias visitas a Bragança, mas a surpresa foi a recente entrada para a gestão do grupo Geadas, que tem o restaurante do mesmo nome em Bragança. Há várias décadas que é a casa de bem comer mais conhecida e conceituada da cidade, gerida por dois irmãos, a servir comida tradicional de Trás-os-Montes. Mas que nos últimos anos desenvolveu uma ementa alternativa de autor, baseada em produtos transmontanos. Agora, com esta aquisição, os dois irmãos resolveram transferir esse conceito de autor para o restaurante da pousada, que baptizaram de “G”, simplesmente.

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Photo by José Silva | All Rights Reserved

O espaço foi remodelado, ficou mais confortável e acolhedor, com uma oferta requintada, baseada em produtos da região, que se saúda. Sala cheia de luz, com vista sobre a cidade, lá do alto, precedida duma simpática sala de estar, onde se expõem alguns produtos, entre azeite, enchidos e doçaria. Amesendação impecável, com tudo o que é bom na mesa, serviço irrepreensível, incluindo o trabalho de vinhos, a cargo de profissionais com enorme experiência.

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Photo by José Silva | All Rights Reserved

 

Na refeição que partilhei com alguns amigos, começaram por nos servir pão regional transmontano de Bragança e uma bola de carne deliciosa, com enchidos da região, muito apaladada. O que pediu o primeiro copo de vinho, neste caso também transmontano, o tinto “Quinta das Corriças Reserva de 2011”, cheio de corpo mas ao mesmo tempo muito elegante, com acidez bem presente a dar-lhe equilíbrio, notas suaves de frutos vermelhos e algum fumo, apenas uma fragrância.

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Photo by José Silva | All Rights Reserved

Há vários menus de degustação propostos, cujo preço varia consoante a quantidade de pratos e de vinhos para cada um. Na nossa refeição começamos por apreciar um pão com salpicão de Vinhais, servido numa pedra redonda e que ainda vinha morno, e manteiga de ervas finas que se derretia facilmente ao entranhar-se na massa. Belo começo!

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Photo by José Silva | All Rights Reserved

Numa outra pedra, esta mais baixa e comprida, veio uma lata, daquelas das conservas, que servia de recipiente para um à Braz de alheira de Vinhais com rodela de salpicão, a batata frita bem ligada com a pasta da alheira e o contraste com o salpicão a dar um toque de requinte.

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Photo by José Silva | All Rights Reserved

 Então veio novamente uma pedra redonda com um escabeche de perdiz a duas temperaturas, a carne da perdiz bem esfiada, tudo bem compactado e o escabeche por cima numa realização simples mas muito elegante. Nos pratos quentes provamos um caldo de aves (faisão e perdiz), com nabo e abóbora, suculento e muito apaladado, o caldo bem quente, numa bela composição cromática, com a cor alaranjada da abóbora a dominar, vários paladares bem integrados, um caldo exótico delicioso.

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Photo by José Silva | All Rights Reserved

O prato principal proposto foi um soberbo lombo de porco bísaro maturado, tenro, macio, muito bem cozinhado, no ponto, com uma ligeira capa da sua própria gordura, uma carne de excelência. Na companhia dumas couves do pote, tradicionais da matança, mas aqui estilizadas, servindo de recheio a um crocante mil folhas de sementes, delicioso. E ainda, como apontamento, um figo caramelizado recheado com alguns miúdos do porco. Quase uma obra de arte! Fechou-se o repasto com uma tradicional torta de laranja em boa companhia.

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Photo by José Silva | All Rights Reserved

Por esta altura já a segunda garrafa de vinho estava no fim…

Contactos

Pousada de São Bartolomeu
Rua Estrada do Turismo, 5300-271 Bragança
Tel: (+351) 273 331 493 Fax: (+351) 273 323 453
guest@pousadas.pt
Pousada-De-Bragança

Almoço no Chalet Vicente

Texto José Silva

Num dia temperado e cheio de sol no Funchal, a Olga e eu sentámo-nos a uma mesa da esplanada dum dos restaurantes mais acolhedores da cidade Madeirense para uma refeição tranquila. Chalet Vicente, uma casa solarenga com vários espaços e recantos, entre as salas interiores e a enorme esplanada.

E, logo à entrada da sala principal, pontifica um enorme grelhador, por onde passam peixes e carnes diversos. Mas a ementa é muito variada, entre petiscos e pratos principais, havendo mesmo ao almoço um interessante serviço de buffet.

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Tudo aquilo é dirigido por um grande senhor da gastronomia madeirense, um homem com enorme experiência e muito bom gosto, o Nélio Ferreira, que não só nos recebeu, como nos orientou por uma refeição deliciosa, uma viagem por petiscos muito bem preparados, um desfile dos sabores da Madeira na nossa mesa, que souberam tão bem.

O bolo de caco, aquele pão fofinho delicioso, torrado e barrado com manteiga e alho, esteve sempre presente, ao longo da refeição, que começou com umas pouco vulgares mas soberbas ovas de peixe-espada preto, muito bem temperadas, suculentas e crocantes, uma boa surpresa.

Chalet Vicente Filetes de peixe-espada preto e bolo de caco

Filetes de peixe-espada preto e bolo de caco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Logo seguidas dum polvo estufado com batata doce, molho espesso e envolvente, o polvo tenríssimo, excelente. Então o amigo Nélio já tinha aberto uma garrafa dum vinho branco de mesa madeirense, dum pequeno produtor, o “Vai de Cabeça”, da casta Verdelho. À temperatura certa, esteve muito bem, seguro, fresco, com óptima acidez e aquele toque mineral intenso que dá belíssimas ligações. Como foi o caso dos bifinhos de fígado de vitela, com cebola e muito louro, delicados e extremamente saborosos. Vieram depois uns deliciosos filetes de peixe-espada preto, fofinhos e apetitosos, cobertos por um molho de banana e maracujá, uma maravilha

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Vai de Cabeça branco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Durante a refeição, chegou ao restaurante um atum pequeno, fresquíssimo, de que nos vieram mostrar à mesa algumas partes, já limpas e preparadas. E não resistimos à proposta do amigo Nélio, e apreciamos os bifinhos de atum com molho de vilão, na companhia dumas batatas doces tostadinhas, com mel de cana, algo muito especial, a carne do lombo de atum a desfazer-se em lascas generosa, o molho espesso e bem temperado, a batata doce com paladar exótico, mesmo muito bom.

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Bifinhos de atum com molho de vilão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas não terminamos sem provar uma das especialidades da casa, as perninhas de rã panadas, bem fritas, com seu molho branco, deliciosas. E já não conseguimos ir à sobremesa… mas conseguimos deliciar-nos com um vinho da Madeira da casa Barbeito, um verdelho 10 anos que esteve muito bem. Intenso no nariz, cheio de frescura e notas de frutos secos, casca de tangerina e caramelo. Na boca é uma explosão de mineralidade, fresco e com acidez vibrante, envolvente, notas tostadas, seco, delicioso.

Perninhas de rã panadas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com o café não resistimos a outro cálice deste néctar madeirense, servido fresco, como deve ser, um final perfeito desta refeição digna dum Chalet!!

Obrigado amigo Nélio.

Contactos
Restaurante Chalet Vicente
Estrada Monumental, 238
9000-100 Funchal
Madeira, Portugal
Portugal
Tel: (+351) 291 765 818
Tel: (+351) 967 793 903
E-mail: chaletvicente@sapo.pt
Website: chaletvicente.com

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Jantar da Rota das Estrelas

Texto José Silva

Foi o primeiro de vários jantares inseridos na “Rota das Estrelas”, que este ano começou na ilha da Madeira, tendo como anfitriões o complexo turístico Cliff Bay, o seu restaurante “Il Gallo d´Oro” e o chefe Benoît Sinthon, detentor duma estrela Michelin. Mas nesta edição foi decidido inovar, o que é sempre muito interessante, sobretudo vindo de quem vem, pois normalmente são coisas com muita qualidade.

E foi assim que foi anunciado o primeiro jantar desta rota para as caves Blandy, servido no seu Lodge. Dia 19 de Março rumamos ao Convento de S. Francisco, o Lodge da Madeira Wine Company, para participar num evento fantástico.

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Foto de Henrique Seruca-PortoBay – Todos os Direitos Reservados

Na beleza das caves, aproveitando todos os recantos e salas, muito bem decoradas e iluminadas, espalhavam-se mesas e banquinhas, com camilhas e atoalhados, ocupadas pelos chefes residentes e convidados e as suas equipas, numa panóplia de cores e imagens de extrema elegância e beleza. O pessoal de sala fazia o acompanhamento, recolhendo pratos e copos e substituindo tudo de imediato. Em cada um dos locais as equipas, lideradas pelos chefes, preparavam ao vivo petiscos deliciosos, muitos deles mesmo servidos quentes, cujos aromas se espalhavam pelo ar, dando um ambiente de grande restaurante àquele local fantástico.

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Foto de Henrique Seruca-PortoBay – Todos os Direitos Reservados

E assim todos podiam passear à vontade, parando em cada banca para apreciar a comida que ia sendo servida, para trocar impressões com os chefes e tirar umas fotografias, num ambiente descontraído e informal, em que o mais importante era a comida. Mas também os vinhos, que neste evento serviram de suporte aos imensos petiscos e que tiveram a presença das “Portugal Wine Ladies”, um conjunto de mulheres ligadas à produção e comercialização de vinhos portugueses, que deram um toque feminino precioso para que as harmonias fossem bem conseguidas. O que foi completamente conseguido, um sucesso, e por isso também elas estão de parabéns. Os seus vinhos fizeram belas ligações com os petiscos de cada chefe e elas puderam explicar os vinhos e espalhar a sua simpatia por todo o lado.

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Foto de Henrique Seruca-PortoBay – Todos os Direitos Reservados

Os chefes presentes, alguns deles bem conhecidos e mesmo detentores das afamadas estrelas do guia Michelin, estiveram no seu melhor, preparando e explicando a quem quis os pratos e as suas confecções. Alguns dos chefes cozinharam mesmo ao vivo, fazendo as delícias dos participantes. O anfitrião Benoît Sinthon, foi acompanhado por Ricardo Costa, do “Yeatman”, Vitor Matos, do “Largo do Paço”, Vincent Farges, da “Fortaleza do Guincho”, Miguel Lafan, do “L´And”, Paulo Morais, do “Umai”, Olivier Barbarin, do “Châteux d’Audrieu”, Sebastien Broda e Pascal Picasse, do “Le Park 45”, Henrique Sá Pessoa, do “Alma”, Joe Barza, chefe consultor no Líbano, Adam Simmonds, do “Danesfield House”, Fernando Agrasar de “As Garzas”, José António Campoviejo, do “El Corral del Indianu” e José António González do “El Nuevo Molino”.

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Foto de Henrique Seruca-PortoBay – Todos os Direitos Reservados

Havia pratos de peixe e marisco confeccionados, ostras frescas com champanhe e caviar, havia sushi e sashimi, havia foie gras, havia carnes de borrego e de vitela, havia petiscos sofisticados de pequenas dimensões e pratos mais elaborados em quantidades maiores. E havia doçaria imensa, da mais tradicional à mais requintada. Havia uma mesa com muitas variedades de pão e havia uma enorme quantidade de queijos deliciosos. Junto aos chocolates estavam os vinhos Madeira, da Madeira Wine Company, que estiveram em muito boa companhia. E houve música tocada ao vivo, dando uma nota quase burlesca ao ambiente daquele espaço fantástico com mais de duzentos anos.

Naquela primeira noite da “Rota das Estrelas”, todos foram estrelas…

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Almoço nas Casas do Côro

Texto José Silva

A visitar vinhas, apreciar a paisagem arrebatadora do rio Douro e a provar vinhos pelo Douro Superior, era chegada a hora de repousar e de nos sentarmos à mesa. Foi o que fizemos na magnífica sala de jantar das Casas do Côro, depois duma interessante visita guiada ao complexo turístico. A sala está muito bem decorada, bom gosto por todo o lado, sóbria, muito acolhedora, até a luz é delicada, um local “cozy”. Mesa muito bem posta, com tudo o que é necessário para uma refeição tranquila e de qualidade.

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Casas do Côro Reserva © Blend All About Wine, Lda

E como as Casas do Côro também têm os seus próprios vinhos, foram eles que acompanharam toda a refeição. E fomos guiados pelos dois proprietários da casa: a Cármen foi descrevendo os pratos, o Paulo explicou-nos os vinhos. Tudo com um serviço de sala impecável, quer a servir a comida, quer a tratar e servir os vinhos. Vinhos que são elaborados por dois amigos da casa, Dirk Niepoort, que faz os vinhos Douro Rosado e Branco Reserva, e Rui Madeira que trata os vinhos Beira Interior Branco, Tinto e Tinto Reserva e vinhos Douro Tinto Grande Reserva. As Casas do Côro situam-se na linha de separação destas duas regiões.

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Casas do Côro © Blend All About Wine, Lda

E foi com um branco da Beira Interior que começamos, o Casas do Coro Branco, já de 2013, um vinho feito com castas menos conhecidas, ainda assim bem interessantes, sobretudo na frescura que transmitem ao vinho. Dum amarelo citrino muito claro, cristalino, apresenta aromas de flores do monte, muito suave e elegante. Na boca é bastante sedoso, com uma acidez muito equilibrada, alguma fruta branca, pêra, ameixa, notas de citrinos intensas e alguma mineralidade a deixar um belo final.

Entretanto o pão veio para a mesa, da região, saboroso, e apreciou-se uma deliciosa bola de azeitona com azeite virgem e orégãos, muito bem elaborada, crocante mas fofa por dentro, muito boa.

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Casas do Côro © Blend All About Wine, Lda

Do Douro veio um rosé da autoria de Dirk Niepoort, o Casas do Côro Rosado 2013, dum rosa pálido, com notas secas e elegantes no nariz, alguns frutos vermelhos, na boca apresentando uma boa acidez e muita elegância, volumoso, aveludado, envolvente e fresco.

Como entrada veio à mesa um rolo de bacalhau com puré tosco de verduras na cocote, muito quente, uma boa ligação entre o bacalhau e as verduras, um conjunto cremoso, e por cima um crocante delicioso a fazer o contraste, excelente. E não faltou a sopa, um creme de legumes da horta, olorosa e muito saborosa.

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Casas do Côro © Blend All About Wine, Lda

Provou-se ainda um outro vinho branco, este do Douro, o Casas do Côro Branco Reserva 2012, onde Dirk Niepoort deu largas ao seu reconhecido bom gosto, com toque precioso de madeira, muito bem casada, aromas ligeiramente florais e fragrância suave de baunilha, belo volume de boca, muito envolvente, um casamento perfeito entre acidez e frescura, um vinho algo exótico com final longo e sedoso.

O prato principal foi um delicioso cabrito de leite assado no forno, que se apresentou desossado, em lascas pequenas, na companhia de batatas assadas no forno, tostadinhas, e um rolo de verduras muito saboroso.

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Casas do Côro © Blend All About Wine, Lda

Provou-se então o tinto Casas do Côro Beira Interior Reserva 2011, um ano que está a dar grandes vinhos tintos. Boa fruta no nariz, algumas notas de barrica e um delicioso toque mineral a dar-lhe grande elegância. Na boca tem persistência, lembra frutos silvestres, algum chocolate preto, ligeiramente especiado e com notas de fumo a par de alguma frescura, num vinho muito equilibrado.

Enquanto se apreciava este vinho tinto veio à mesa alguma doçaria de confecção própria e o queijo curado com umas tostinhas crocantes a dar o final à refeição.

Depois, já era hora de partir, Douro abaixo…

Contactos
Marialvamed – Turismo Histórico e Lazer, Lda
Largo do Côro
6430-081 Marialva – Portugal
Tel: (+351) 917 552 020
Fax: (+351) 279 850 021
E-mail: info@casasdocoro.pt ou reservas@casasdocoro.pt
Website: www.casasdocoro.pt

Almoço – Restaurante Palco

Texto José Silva

No primeiro encontro do painel de provadores da Blend, fomos recebidos no Restaurante Palco, do Hotel Teatro, num ambiente requintado e tranquilo, para um almoço em que se pretendia provar grandes vinhos portugueses da actualidade, em harmonia com uma culinária moderna baseada em bons produtos portugueses.

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Feitas as apresentações e com a presença de Paulo Costa, Director do Hotel, que nos fez companhia, começou uma refeição que se viria a revelar de enorme qualidade, ajudada também pelo trabalho excelente dos profissionais de mesa do restaurante, quer no serviço e apresentação de cada prato, quer num serviço de vinhos impecável, entre copos, temperaturas e quantidades servidas.

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Os vinhos, provados dois a dois, estiveram à altura da ementa e fizeram como que um bailado entre si e um diálogo sério com a comida, dando-nos imensos momentos de prazer. Começou-se com um espumante da Bairrada, o Encontro Special Cuvée 2010, que apresentou bolha muito fina com mousse persistente, aromas secos e tostados, na boca tem elegância, notas de palha, excelente acidez, seco, com grande final.

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Fizemos então uma viagem deliciosa por um menu de degustação que começou com uma tapenade de tomate seco bem apresentada, bem ligada, com textura suave e elegante, para barrar no pão, e que veio à mesa numa pedra redonda de belo efeito. Seguiu-se um corneto de azeitona com barandade de bacalhau, que vinha espetado num recipiente repleto de sementes tostadas, num contraste visual muito bem conseguido: a massa crocante e o recheio do pequeno corneto muito bem ligados, a desfazer-se na boca, o contraste bacalhau/azeitona a percorrer o palato e deixar boa memória.

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O Rosé Principal Tête de Cuvée 2010 que veio a seguir estava surpreendente, de uma cor salmão pálido muito requintada, aromas exóticos, com notas secas de fumo, suaves fragrâncias de frutos vermelhos e um volume de boca soberbo, com notas de framboesas e mirtilos muito sedosas, acidez muito equilibrada, alguma frescura, final muito longo.

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Ainda ao nível das entradas, surpreenderam o torricado de pão saloio com cavala fumada e creme de cebola tostada, em que o pão, muito bom, tostadinho, serviu de base ao exotismo da cavala fumada, encimada pela cebola tostada e ladeada por duas salicórnias em tempura. Uma explosão de mar e fumo na boca.

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Continuando nas entradas, com a viagem cada vez mais intensa, o chefe presenteou-nos com aquilo a que chamou “uma versão diferente de bife tártaro e batata frita com mostarda Savora”, assim mesmo: a tosta muito fina e crocante dobrada a formar um tubo, recheada pelo tártaro preparado com rigor, muito saboroso, a ligar de forma inusitada com o paladar forte da mostarda que recheava duas batatinhas fritas às rodelas.

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Depois veio um vinho branco do Dão, da Quinta da Passarela, o Vila Oliveira branco 2012, Casa da Passarela, um vinho extraordinário, com aromas complexos de fruta e plantas do monte, grande estrutura na boca, alguma mineralidade, com uma óptima acidez e um final longo e sedoso..

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Para fechar o ciclo das entradas, um prato que mais parecia uma paleta de cores, mas que na boca revelou uma enorme frescura e uma ligação muito interessante entre ingredientes tão diversos como as vieiras, cannelloni de abacate com sapateira, puré de raiz de aipo fumada com cítrico e camarinhas, aqueles camarões de rio minúsculos de aroma e sabor intensos, que faziam a ligação de todo o prato, excelente.

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Passamos depois a dois vinhos Alvarinho de Melgaço com perfis muito diferentes entre si, ambos muito bons. Primeiro o Curtimenta 2011 de Anselmo Mendes, que se apresentou muito suave no nariz, muito elegante, notas de frescura e de frutos tropicais bem maduros, na boca é envolvente, tem óptima estrutura e grande mineralidade, acidez intensa mas bem equilibrada, um vinho complexo mas exuberante.

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Nos pratos de peixe, começou-se com robalo com caldo de Bulhão Pato, mexilhão, lingueirão e esférico de batata, muito requintado quer no paladar, quer na textura, caldo aveludado, batata cremosa, textura do peixe de mar correctíssima, o mexilhão e o lingueirão a reforçar o paladar a mar, tudo muito suave na textura.

O segundo prato peixe foi o salmonete no seu caldo, gnochis de batata, o peixe de textura acertada, rijinho, saboroso, o caldo cremoso e muito sedoso, o gnochi de batata apaladado, num conjunto algo exótico, muito bom.

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E veio outro grande Alvarinho, o Soalheiro Reserva 2011, com aromas de madeira, tostado, com alguma mineralidade, na boca é intenso, belo volume, fresco e com óptima acidez, notas ligeiras de baunilha, a deixar grande final.

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Sendo o terceiro peixe o bacalhau de meia cura com caldo de cebola tostado, cebolinhas caramelizadas e cebolete, e cannelloni de lombarda com bochechas de bacalhau. Muito complexo na sua harmonização, revelou-se incrivelmente simples no paladar e na textura, tudo a ligar bem e a tomar conta do nosso palato, óptimo.

Seguiu-se o M.O.B. tinto 2011, que apresentou aromas florais cheios de elegância, alguma frescura, exótico, na boca com bela acidez, taninos muito redondos, bem construído, seguro e elegante, notas de frutos vermelhos maduros, aveludado, um vinho para ir descobrindo. Depois foi o Quinta da Casa Amarela Grande Reserva tinto 2011, concentrado, elegante, aromas intensos de frutos vermelhos, notas de fumo e madeira, na boca tem rusticidade, é especiado e elegante, tem volume, os frutos vermelhos bem maduros, um vinho gastronómico.

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Passando às carnes, começou-se com um produto extraordinário, o rabo de vitela maronesa com cremoso de batata trufado e foie gras. Várias texturas a ligar bem entre si, o foie por cima e o cremoso de batata por baixo da carne a transmitir-lhe um toque do trufado ligeiro, a carne a desfazer-se, de paladar intenso mas delicioso.

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Então apresentaram-se dois grandes vinhos de duas grandes regiões. O tinto do Dão, Vinha do Contador 2008, é um clássico daquela região, cheio de elegância, com aromas sofisticados de flores, de plantas silvestres, com um volume de boca incrível, bem estruturado, boa acidez e alguma frescura, frutos vermelhos maduros, algum fumo e um grande final.

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O Quinta do Crasto – Vinha Maria Teresa tinto 2011 representa a excelência do Douro, muito elegante no nariz, aveludado, notas florais de esteva e de urze. Na boca tem excelente volume, é cremoso, sofisticado, taninos soberbos, bem casados, longo, com um final imenso. Os dois vinhos fizeram companhia a todo o requinte e elegância da carne de veado no seu lombinho, beterraba, maçã reineta e cantarelos, paladares secos da terra e de húmus, a carne aveludada e saborosa, o molho a ligar o conjunto, num patamar culinário já muito alto.

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Antes da sobremesa e para limpar o palato, apreciou-se um Amontillado de Jerez, seco, com acidez incrível e com notas adocicadas a contrastar. A sobremesa dizia-se ser “o limão e as nozes em texturas”. E assim foi, várias texturas, das nozes e do crocante de várias folhas tostadas, o limão entre uma esfera, um creme e uma tosta. Resultado retumbante.

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Para as sobremesas apreciou-se um Porto Barros branco velho que esteve muito elegante, aromas intensos de frutos secos, ligeiras notas fumadas, alguma complexidade na boca, com alguma frescura e muito boa acidez a equilibrar o conjunto. E o Moscatel de Setúbal da Casa Horácio Simões que esteve muito bem, nariz intenso, com notas de citrinos, caramelo, fresco. Na boca é envolvente, aveludado, com óptima acidez, toque de casca de tangerina, notas ligeiras de frutos secos e algumas especiarias.

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Acabou-se com uma proposta com nome cheio de humor, mas ainda assim muito bem conseguida: “o bosque visto da baixa do Porto”. Muito bom.

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Fecharam-se os trabalhos com um espumante muito especial, o Quinta dos Abibes Grande Reserva Brut Nature 2009, pleno de elegância, bolha finíssima e cordão com alguma persistência. Nariz encantador, aromas a passar pela fruta branca, algumas nozes, palha, cheio de frescura e vigor. Na boca tem um volume seguro, acidez vibrante e aromas exuberantes, seco, fumado, cremoso, final longo e sedoso.

Um belo final!

Cheers!