Posts Categorized : GASTRONOMIA

O Antigo Carteiro, em Lordelo do Ouro, na invicta cidade…

Texto José Silva

Hélder Sousa é de Santo Tirso, mas veio estudar teatro para o Porto e formou-se como produtor de teatro, trabalhando nessa área durante algum tempo.

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Hélder Sousa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Até que, de repente, como também gostava de beber e comer, decidiu mudar de vida. Num acesso de ingenuidade resolveu avançar com um restaurante e tomou conta do Carteiro, que já existia.

E rebaptizou-o como o Antigo Carteiro. Foi até viver para o mesmo largo onde se situa o restaurante, que era um antigo posto dos correios. No largo conhece as pessoas e os vários locais, frequenta o café e as pessoas conhecem-no e respeitam o seu trabalho. O restaurante era de comida tradicional, familiar, e situa-se na rua Senhor da boa Morte, acima do Largo do Ouro, mesmo em frente ao rio Douro, com a aldeia da Afurada do outro lado, já em Gaia.

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Letreiro Original que Indica um Posto de Correios. – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No rés-do-chão funciona a cozinha e no primeiro piso há uma interessante e apelativa esplanada, onde se mantém o letreiro que indica um posto de correios.

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Há duas Salas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Lá dentro há duas salas, uma para a frente, com várias janelas e bordejada por espelho ao comprido, de belo efeito. A de trás mais pequena, mas ambas muito confortáveis, bem decoradas, em tons claros, muito airosas.

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As mesas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As mesas são bem-postas, muito completas e o serviço é familiar, personalizado, muito simpático, com o Hélder sempre presente, servindo, explicando como são preparados os pratos, que ingredientes levam, quais os produtos de que são feitos, nota-se bem a sua paixão, o bom gosto por este projecto de vida que abraçou com carinho, mas também com perseverança. O Hélder desenvolveu o seu próprio conceito e passou a oferecer um restaurante de toalha branca, com mais conforto e a servir a comida que ele gosta. Os vinhos fazem parte deste projecto, tentando servir vinhos diferentes e menos conhecidos, que façam boas harmonizações com a sua cozinha. Entende que a cozinha deve usar produtos muito bons, para que os resultados sejam os desejados. E tenta recuperar algumas coisas que caíram no esquecimento ou que são muito pouco usadas, como a língua afiambrada e os escabeches, de que é grande fã. Da sua ementa fazem também parte o bacalhau e o polvo, a língua de vaca e a perna de cordeiro, a bochecha de vitela, o joelho de porco e o arroz de enchidos, enfim, como ele próprio costuma dizer, uma comida dos pés à cabeça.

Recentemente juntou alguns amigos e dois produtores de vinho que, na tranquilidade duma tarde de domingo, embarcaram numa viagem saborosa e envolvente.

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Tostas com Tomate e outras com Salmão Curado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E começamos por umas tostas com tomate e umas outras com salmão curado, muito bem apresentadas e muito saborosas.

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Cavala Marinada com Tomate Seco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se uma deliciosa cavala marinada com tomate seco, um peixe que dá cozinhados fantásticos, esta cheia de requinte e muito bem temperada. O crocante do tomate seco fazia o complemento muito bem.

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Petingas de Escabeche – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As petingas de escabeche tradicionais comiam-se na totalidade, cabeça e tudo!

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Língua Afiambrada com Pimenta rosa e Rúcula – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A língua afiambrada com pimenta rosa e rúcula esteve também cheia de elegância, muito apaladada.

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Risotto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se um risotto feito com arroz carolino, cogumelos shitake frescos, cogumelos porcinos secos e espargos verdes, um belo conjunto.

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Perdiz de Escabeche – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A perdiz de escabeche é uma tradição, aqui servida fria com tostinhas, deliciosa.

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Bochechas de Vitela – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois vieram as bochechas de vitela que foram marinadas durante várias horas, com puré de abóbora e grelos salteados, de grande nível.

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Sobremesa em Recipiente Triplo- Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Fechou-se uma refeição muito completa com a sobremesa, servida num simpático recipiente triplo, também constituída por três sabores diferentes: mousse de chocolate, crumble de maçã com vinho do Porto e um suculento doce de ovos com amêndoa queimada e pimenta rosa. Este repasto completo foi acompanhado por dois vinhos brancos muito diferentes mas excelentes:

o Solar dos Lobos já de 2014, jovem, irreverente, cheio de frescura, com uma óptima acidez, consistente, a ligar muito bem com os escabeches.

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Solar dos Lobos 2014 branco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Casal de Santa Maria 2010 branco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E um Casal de Santa Maria da colheita de 2010, com toque precioso de madeira, aromas complexos deliciosos, de espargos e algum tropical suave, bela estrutura e uma acidez cheia de elegância, a aguentar muito bem pratos como a língua afiambrada, o risotto de cogumelos e espargos e a bochecha de vitela.

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Vieira de Sousa Tawny – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para a sobremesa a escolha recaiu sobre um tawny da casa Vieira de Sousa, muito elegante, aromas de frutos secos intensos, redondo e profundo, com óptima acidez, crocante, levemente tostado, a proporcionar um grande final, já a tarde ia longa…

Contactos
O Antigo Carteiro
Rua Senhor da Boa Morte, 55
4150-686 Porto
Mobile: (+351) 937 317 523
E-mail: oantigocarteiro@gmail.com
Facebook: www.facebook.com/oantigocarteiro

A Santa Aliança dos Cheesburgers e Vinho do Porto

Texto Ilkka Síren | Tradução Bruno Ferreira

Antes que começem já com “Não, ele não pode ter feito isso”, pensem nisto por um bocadinho. Não é suposto a harmonização de vinho e comida ser uma coisa impossível. E, se pensarmos demasiado na questão corremos o risco de ficarmos entediados pela nossa própria curiosidade. O que vos quero dizer é: fiquem-se pelo simples. Descobrir uma boa harmonização de comida e vinho é, para mim, algo excitante e as regras são, não há regras! Sim, por vezes é preciso arriscar e experimentar algo que normalmente não associamos a certos vinhos. Neste caso foi um cheeseburger com vinho do Porto.

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Cheeseburger e rolha da garrafa acabadinha de abrir – Foto de Ilkka Síren | Todos os Direitos Reservados

Quero desde já deixar uma coisa perfeitamente clara. Eu amo vinho do Porto. Estou sempre a provar todo o tipo de vinhos, cervejas, cidras e bebidas espirituosas e tudo o que tenha o seu quê de <oomph>. Mas nada chega aos calcanhares de um bom vinho do Porto. É simplesmente um incrível e delicioso líquido. Existem muitas comidas boas para acompanhar com vinho do Porto. E, apesar de ser maioritariamente associado a sobremesas, acho que é muito mais gastronomicamente versátil do que isso. Confesso que esta harmonização Hamburger-Porto começou por ser apenas uma semi-intencional tentativa de provocação. Já ouvi pessoas a falar de harmonizações como por exemplo, vinho do Porto e bife suculento com pimentos. Então pensei, porque não fazê-lo com algo ainda mais comum, tipo um hambúrguer. Uma voz dentro da minha cabeça dizia-me que não iria funcionar, mas já aprendi a suprimir esse instinto.

Não quis estar a elaborar muito, sabia que para isto funcionar teria que ser com um cheeseburger, ou melhor, um DOUBLE-cheeseburger. Acompanhar queijo com vinho do Porto é bastante comum e algo de que eu gosto muito. Sempre gostei mais da combinação de sabores doces com salgados do que de doce com doce. Fazer hamburgers não é, normalmente, tarefa complicada, mas a escolha dos ingredientes é a chave para que esta harmonização funcione. Um bom bife com uma pitada de pimenta preta, queijo cheddar – nada dessas porcarias pré-cortadas – e ainda fiz a minha própria maionese de chipotle para conferir um bom sabor picante ao conjunto. Cebola vermelha em conserva para a acidez conferir algo especial e essencial ao hamburger. Nunca esquecendo a verdadeira definição de um bom hamburger: tem de ser possível comê-lo com as mãos.

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Ferreira LBV 2009 – Foto de Ilkka Síren | Todos os Direitos Reservados

Quanto ao Porto, escolhi um LBV Ferreira 2009. Queria algo acessível mas com uma boa estrutura. Este vinho é incrivelmente saboroso. Adoro a sensação na boca, a textura e a fruta inicial com um final picante. Para que esta harmonização funcione, o vinho não pode ser um vinho tímido, tem que ter presença. Este vinho não só tem isso como tem uma excelente relação qualidade/preço e é um exemplo de um bom Porto.

Agora querem saber, certo? Se estava bom? Sim, estava. Pode não ser a combinação mais elegante mas garanto que foi uma das melhores que tive o prazer de saborear nos últimos tempos. Se gostar de cheeseburgers (quem não gosta, certo?) e de vinho do Porto (duh!) então vai gostar desta combinação. Esqueçam por um bocado o snobismo vínico e desfrutem de uma coisa simples mas com comida muito saborosa. A ideia é baixar a fasquia no que toca à experimentação com comidas diferentes. Dito isto, a fasquia da qualidade deve ser sempre elevada. Experimente, e se não gostar experimente uma coisa diferente. Afinal o importante é divertirmo-nos.

Restaurante Mendi – 18 anos a servir bem

Texto José Silva

É já uma instituição da cidade do Porto. Há 18 anos a funcionar no mesmo local, naquela ruela pedonal que ladeia o hotel Crown Plaza (antes Tiara). Por três vezes sofreu obras de renovação, embora mantendo sempre um ambiente onde impera a tranquilidade, com muita luz a entrar pelas enormes vidraças. Um pequeno balcão à entrada e uns bonitos cadeirões, onde se pode aguardar por mesa.

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Decorado em Tons Carmim – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Peças Orientais – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados


Sala ampla, muito bem decorada em tons carmim, com alguns apontamentos de peças orientais, que incluem duas bonitas colunas, logo à entrada.

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Forno Tradicional – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservadosts Reserved

Em frente, a entrada para a cozinha, de que faz parte o forno tradicional (tandoori), por onde passam algumas das iguarias que vêm depois à mesa.

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Mani Ram – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Tej Ram – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Tudo trabalhado por mãos experientes a cargo de dois cozinheiros eles próprios indianos, já há muitos anos no Mendi: Tej Ram e Mani Ram. Depois é o cuidado apurado na compra de produtos de qualidade, uma boa parte mesmo com origem na terra mãe deste tipo de cozinha.

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Especiarias e Temperos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na sala pairam aromas suaves de incenso a que se vão juntando aqueles outros que vêm da cozinha, das várias especiarias e tempêros que fazem da comida indiana uma das mais olorosas de todas.

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Kamal Rajani – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

À frente de tudo isto, a força e a vontade dum homem que sempre acreditou (e acredita) naquilo que faz, que deu corpo e continua a dar o espírito a este Mendi: Kamal Rajani. Nasceu na antiga Lourenço Marques, Moçambique, viveu em Inglaterra, depois foi até aos Estados Unidos e finalmente, em 1981, veio para Portugal para casar. Até que, em 1997, fundou o Mendi, onde está até hoje. Agora também ajudado pela sua filha Mafalda, a dar um toque feminino a este espaço tão agradável.

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Mesas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As mesas estão muito bem postas, sóbrias, e um serviço personalizado, que quase não se nota, tal a sua delicadeza, mas que também nos pode ajudar a percorrer uma ementa bastante completa, entre as muitas entradas e os pratos mais elaborados.

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Papadom – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A refeição começa impreterivelmente com os papadom, aquelas folhas fininhas, crocantes, com especiarias, ligeiramente picantes, e que nos dão o primeiro contacto com estes paladares exóticos. Sim, porque a comida indiana (e oriental em geral) é tradicionalmente picante. Embora, numa adaptação aos paladares europeus, no Mendi se possa apreciar tudo sem picante, se assim o entendermos. O que, confesso, descaracterizará um pouco esta cozinha tão nobre. Mas podemos, isso sim, controlar o nível de picante, basta pedir ajuda: pouco, médio, forte ou muito forte. Eu gosto de começar no médio e terminar no muito forte, já com umas gotas de suor nos sobrolhos e a escorrer pela nuca.

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Malaguetas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Gosto mesmo de ter ao meu lado um pratinho com as malaguetas frescas fatiadas e ir juntando ao que vou comendo, é um imenso prazer…É um picante forte, quente, de qualidade, muito saboroso.

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Nan – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sahi Nan – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O nan, que é o pão típico indiano, confeccionado no tal forno (tandoori), vai acompanhar toda a refeição: fofo, baixinho, bem temperado, com muito alho, ou numa versão (sahi nan), com queijo e vegetais e, lá pelo meio, umas laminazinhas atrevidas de malagueta, uma delícia.

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Entradas Mistas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sheek Kabab – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O cortejo da refeição começou por uma entrada mista: samosa vegetal, hara bara kabab, onion bhaji e pakora. Que se vão enriquecendo com vários molhos, entre eles um requintado molho de menta.

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Goane & Prawn – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Murgh Makhani – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados


Depois veio o sheek kabab, que é uma espetada de borrego, também um delicioso goane e prawn, que é um saborosíssimo caril de camarão com leite de coco e finalmente um murgh makhani, caril de frango com natas, que pedi mais picante e que estava soberbo.

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Arroz Soltinho (Pulao) – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A acompanhar todos estes pratos, arroz, pois claro, um pulao soltinho, requintado e elegante, a fazer o contra ponto com as especiarias dos vários pratos.

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Kulpi – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Barfi – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados


Para finalizar, a sobremesa: um kulpi e um barfi, muito diferentes, sofisticados e suaves. Enquanto terminávamos a conversa, foram-se trincando umas sementes de especiarias, algumas mesmo ligeiramente adocicadas, que ajudam a fazer boa digestão.
Outras terras, outros costumes…
Parabéns ao Mendi pelos dezoito anos a servir bem!

Contactos
Av. da Boavista 1430, 4100 Porto
Tel: (+351) 226 091 200
Facebook: Mendi Restaurant

O chefe Marco Gomes, do “Foz Velha”, agora também com a “Casa do Marco”

Texto José Silva

Nasceu em Alfândega da Fé, em Trás-os-Montes, e tirou o curso em Bragança, tendo-se formado bastante cedo, iniciando um trajecto fulgurante que o levou a unidades hoteleiras e restaurantes um pouco por todo o país: Algarve, Lisboa, Viseu, Alfândega da Fé, Chaves e Amarante, onde foi então reabrir o restaurante da estalagem “Casa da Calçada”.

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Chefe Marco Gomes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Dali foi o salto para o Porto, para abrir o restaurante “Foz Velha”, na zona antiga da Foz, em frente ao mar e muito perto da foz do rio Douro, já lá vão doze anos.

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“Foz Velha” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ao longo dos quais o transformou num dos mais conhecidos e apreciados da cidade, onde pratica uma cozinha de autor, mas baseada quase sempre nos produtos portugueses e nos nossos aromas e paladares, mantendo sempre uma forte ligação a Trás-os-Montes, a sua terra mãe. Começou então uma carreira que lhe viria a dar um reconhecimento nacional e mesmo internacional, pois tem sido convidado para cozinhar em vários pontos do mundo: Espanha, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Suécia, Dinamarca, Suíça, Escócia, Alemanha, Hong-Kong e Macau. Neste último participou até no arranque dum novo projecto. Actualmente está ligado a um projecto na ilha de S. Miguel, o restaurante “Forneria Sta. Clara”, nos Açores.

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Chefe Marco Gomes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Participou também na elaboração de vários livros, um do quais bem curioso, que partilha com outros colegas e onde cada um tem a cozinhar consigo o próprio filho! Filho de peixe…

Fazer serviços de pequena, média e grande envergadura passou a ser uma constante, um pouco por todo o país. Dá formação em várias escolas, ajudando muitas vezes os alunos a fazer os seus estágios e até a encontrar colocação.
Com naturalidade, foi convidado a participar num programa televisivo, a “Praça da Alegria”, onde partilhou o espaço com outros colegas, e onde esteve até este programa ser “deslocalizado” para Lisboa. Hoje tem um espaço no programa da manhã do “Porto Canal”, um vez por semana, com bastante sucesso.

Mas como a vida é feita de evolução, recentemente decidiu efectuar uma enorme transformação no seu “velho” Foz Velha e meteu mão à obra. Tendo há alguns anos recuperado duas salas do piso térreo e criado a “Academia Marco Gomes”, um espaço polivalente onde se faz “show cooking”, formações diversas e refeições para pequenos grupos, manteve este espaço e criou um novo conceito, com imagem renovada, novos logotipos e decoração totalmente nova: a “Casa do Marco”.

Nova decoração – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Lareira acolhedora – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foram feitas obras de renovação das infra-estruturas, melhorando o conforto, e no primeiro piso, onde funcionava o “Foz Velha”, passaram a funcionar dois espaços e conceitos: o “Foz Velha” mantém-se num espaço mais recatado, usufruindo da lareira acolhedora, e ali servem-se apenas menus de degustação, mantendo a qualidade e o nível de serviço a que já nos habituamos.

Um espaço mais recatado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

“Casa do Marco” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A parte maior da sala é agora a “Casa do Marco”, um espaço mais jovem, informal, mas com o traço comum na decoração, nas mesas e mesmo no serviço, mas agora com uma oferta de petiscos que se dividem em: Para Picar, Os Caldos, Dá Cá Um Bacalhau, Carne, Inovações, Por Encomenda, Que Lateirices, As Frigideiras, O Tacho, Acompanhantes e O Que É Doce, Doce É!! E está tudo dito…

Menu – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O que se pretende é que, debaixo do mesmo ambiente e serviço, se possam fazer refeições ligeiras ou completas, escolhendo livremente desta ementa divertida mas com uma grande variedade de oferta onde se pode mesmo só “picar”, ou ir até mais longe com pratos mais substanciais.

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“Pica-Pau” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com a inclusão de muito do receituário tradicional português e mesmo tripeiro (lá está o pica pau, as tripas à moda do Porto e mesmo a francesinha!!), o cliente tem a possibilidade de escolher não só o que mais lhe agrada, mas também as quantidades à medida do seu apetite. O que também se traduz no preço final, que pode ser uma boa surpresa. Muitos dos vinhos da carta variada são servidos a copo, a preços bastante sensatos.

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Chefe Marco Gomes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O próprio chefe Marco Gomes vem muitas vezes à mesa, inteirando-se da satisfação dos clientes e recolhendo opiniões que pode mesmo utilizar na melhoria da prestação desta “casa” que é dele, mas que quer partilhar com os clientes.

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Aros de Lula – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Já lá comemos o pica-pau, a alheira e a chouriça grelhadas, um belo presunto de porco bísaro, uma óptima seleção de queijos, rodas de lulas douradas, ovos rotos e um salmão curado soberbo.

Caldo de Tomate – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Caldo de Cebola – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os caldos de tomate e de cebola são deliciosos, servidos muito quentes. O bacalhau à Braz estava no ponto, assim como o arroz de costelinhas em vinha d´alho.

Ovos Rotos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Açorda de Camarão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os ovos rotos e a francesinha tradicional são mesmo muito bons, assim como a açorda de camarão, o lombinho de porco em vinha d´alho, a posta de vitela grelhada e o costeletão de vitela, enorme, grelhado no ponto, excelente.

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Grão de bico com mão de vaca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O arroz de estrugido é irresistível e as tripas à moda do Porto e o grão de bico com mão de vaca são coisas muito sérias. Nas sobremesas o destaque para a tarte folhada de maçã com gelado de maçã verde e a mousse caseira de chocolate com avelã.

Fica então o convite do chefe Marco Gomes para fazermos uma visita à sua “Casa do Marco”.

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Convite – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Vai valer a pena…

Contactos
Casa do Marco
Esplanada do Castelo 141  •  Porto 4150-196 PORTO
Tel: (+351) 226 154 178
Telemóvel: (+351) 918 818 147
E-mail: mail@fozvelha.com
Site: www.marcogomes.ptwww.fozvelha.pt

Restaurante “Cozinha do Manel”, vinte e cinco anos a servir boa comida

Texto José Silva

É um dos restaurantes clássicos da cidade do Porto, que celebrou recentemente vinte e cinco anos de vida. Fica na parte superior da cidade, na freguesia de Campanhã, não muito longe da estação de caminho de ferro com o mesmo nome. E continua a pertencer à mesma família, liderada pelo sr. Manuel, cujo diminutivo deu nome a esta casa de bem comer, muito conhecida na cidade, mas também um pouco por todo o país, onde foi criando clientes dedicados mas também muitos amigos. Aliás muitos desses amigos, que são ao mesmo tempo personalidades públicas bem conhecidas, estão registados em fotografias que ocupam a enorme parede da entrada, entre músicos, actores, jornalistas, jogadores de futebol e políticos.

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Parede da Entrada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas que nesta “Cozinha do Manel” são tratados como qualquer outro cliente, ou seja, são sempre muito bem tratados.

O sr. Manuel partilha a gestão da casa com o seu genro, enquanto mulher e filha partilham a cozinha e preparam os manjares que deliciam a clientela.

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O balcão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A casa tem à entrada um enorme balcão, onde outrora também se comia, e que é bordejado e ocupado por utensílios e artefactos antigos, numa decoração que tem também a companhia de imensas garrafas de vinhos e licorosos, muitos deles com uma respeitosa idade.

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Azeitonas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

Ao fundo do balcão, uma montra espelha a qualidade dos produtos, tendo sempre em exposição polvo, enormes postas de bacalhau, enchidos diversos conservados em azeite, azeitonas e vários tipos de legumes frescos, tudo à vista, sem truques. Logo a seguir é a cozinha, com um balcão de serventia onde são pousados tachos e travessas fumegantes que o pessoal de sala transporta para a mesa de seguida.

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Sala de Refeições – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Alguns degraus acima é a sala de refeições, sobre o comprido, com enorme janela ao fundo, decorada com sobriedade, azulejos até meio das paredes, grossas traves de madeira no tecto, soalho em tijoleira escura, de belo efeito. E uns curiosos quadros, que mais não são do que guardanapos de algodão do restaurante, em que alguns clientes fizeram desenhos, geralmente sobre a cidade do Porto, e que foram encaixilhados.

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Mesas bem-postas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As mesas são muito bem-postas, com atoalhados brancos imaculados e todos os pertencentes em cima, e o serviço é profissional e atencioso, bem liderado. A ementa do restaurante é relativamente curta, mas baseada em produtos de muita qualidade e uma confecção tradicional, genuína, apaladada. Há muito poucos grelhados, alguns cozidos, mas sobretudo comida de tacho, arrozes diversos e a grande tradição dos assados nos fornos de lenha, que são acesos todos os dias.

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Os fornos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Situados nas traseiras do piso inferior, com enormes portas de ferro, é quase um ritual acender os fornos pela manhã, com tempo, e novamente ao começo da tarde, para poder servir os assados ao jantar.

Por ali passam o bacalhau, o cabrito – este por encomenda – mas também diariamente a vitelinha saborosa, com as batatinhas tostadas por companhia.

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Vitelinha Saborosa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A acompanhar estes pitéus os grelos salteados ou um belíssimo esparregado, e um arroz que também vai àquele forno de lenha, simplesmente divinal.

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Salpicão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A refeição começa com pão e broa de milho, azeitonas, presunto, salpicão, bacalhau desfiado com cebola e azeite, bolinhos e pataniscas de bacalhau, petingas e alguns outros petiscos dependendo da época, que é sempre respeitada. Há sempre sopa de legumes, mas também pode aparecer uma canja ou umas papas de sarrabulho.

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Filetes fofinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A pescada fresca pode ser cozida com todos ou nuns filetes fofinhos, assim como o polvo, em filetes, na companhia de arroz do mesmo.

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Bacalhau – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O bacalhau é uma tradição da cidade e aqui neste espaço é venerado: assado na brasa ou no forno, posta enormes, no ponto, sempre com muita cebola e batata cozida ou assada no forno. Em alguns dias há prato do dia – terça-feira é “obrigatório” o arroz de pato – por vezes, durante o inverno, um soberbo cozido à portuguesa e duas vezes por semana as mais que tradicionais tripas à moda do Porto.

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Arroz com salpicão, morcela e toucinho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Aqui na Cozinha do Manel preparadas com rigor, excelentes, com a curiosidade de, junto com o arroz, serem servidas rodelas de salpicão e de morcela e pedaços de toucinho, irresistível.

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Cabrito assado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O cabrito assado nos fornos de lenha, por encomenda, é delicioso, bichinhos pequenos, bem temperados, assados lentamente, tostadinhos por fora e suculentos por dentro, excelentes.

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Bolinhos de gerimu – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na sobremesa o leite-creme, mousse de chocolate, bolinho de gerimu e rabanadas fazem as delícias dos mais gulosos.

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Canecas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Uma garrafeira muito completa e uma grande divulgação dos vinhos verdes tintos, servidos com rigor, em canecas de loiça, de belo efeito.

Se tinha que apanhar um comboio, ali adiante na estação de Campanha, o mais certo é já o ter perdido…

Contactos
Restaurante A Cozinha do Manel
Rua do Heroísmo 215 4300-259
Porto, Portugal
Tel: (+351 )225 363 388

 

Restaurante Caxena

Texto José Silva

É num local improvável que descobrimos um restaurante que ficaria bem em qualquer cidade do litoral ou do interior.

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Situado no cimo da Serra do Suajo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas está situado no cimo da serra do Suajo, pertencendo ao concelho de Arcos de Valdevez, num local de grande beleza, com uma paisagem soberba, aqueles montes agrestes, com vegetação rasteira e algum arvoredo aqui e ali. A fauna, muito característica, é sobretudo composta pelo gado bovino da raça autóctone cachena, um boi de monte que se alimenta nos pastos abundantes, e dos garranos, cavalos selvagens que vivem em liberdade por aquelas serranias. Também aparecem javalis e alguns veados, e os lobos são por ali bastante abundantes. Pelos céus limpos esvoaçam milhafres e águias, a par das outras aves mais vulgares. Foi este sossego, esta tranquilidade, toda esta beleza, que entusiasmaram o proprietário, um empresário de Barcelos, que resolveu comprar uma ruína – um pouco atrás do local onde se situa o restaurante – que recuperou para ali passar fins-de- semana e férias com a família. Mas, quando resolveu abrir o espaço ao turismo rural, nunca mais lá conseguiu ir com a família, tal foi o sucesso.

Então comprou, mais à frente, várias casas duma minúscula aldeia, que recuperou e equipou, para o mesmo fim, com sucesso semelhante. E foi com naturalidade que, seguindo também os pedidos dos muitos e muitos hóspedes, acabou por recuperar outra ruína e construir o restaurante “Caxena”, a poucos metros das casas de turismo.

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Ar rústico, em granito – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com um ar rústico, em granito, que ali é abundante e também molda a paisagem, é completado com muita madeira, quer no exterior quer no interior.

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Simpático bar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Lá dentro, no rés do chão, um simpático bar, com balcão e sofás, e um expositor com alguns  produtos da região para venda, e que funciona também como wine bar, até às 23 horas.

Peças do um lagar antigo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Num recanto, algumas peças antigas do que teria sido um lagar, e depois, no interior, outra surpresa, a garrafeira do restaurante, muito bem decorada e recheada com muitas referências de bons vinhos de várias regiões.

Garrafeira e Carta de vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Este espaço é também a carta de vinhos, pois os clientes são convidados a vir ali e escolher o vinho ou vinhos que vão apreciar à refeição, estando todos eles com o respectivo preço indicado, e refira-se que são preços extraordinariamente acessíveis.

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Primeiro Piso – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Uma escadaria de madeira leva-nos ao primeiro piso, onde a sala se abre para a paisagem em enormes vidraças, com muita luz a entrar por ali dentro. Mais uma vez decoração muito atraente, aqui com os tectos totalmente em madeira, assim como o soalho, em madeira corrida.

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As paredes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Algumas paredes em granito e outras em tijoleira, numa das quais está encastrado um bonito e útil recuperador de calor, a dar conforto ao espaço, neste tempo de frio intenso.

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As mesas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mesas de boa madeira muito bem-postas, com utensílios de qualidade. O serviço está a cargo de pessoas competentes, com formação, de bom gosto, atentos, com muita simpatia, impecável. A ementa é reduzida, e utiliza produtos endógenos, da região, fazendo assumidamente a sua correcta divulgação, o que é de aplaudir, para além dos petiscos que se podem apreciar durante o dia, no wine bar, para fazer companhia aos vários tipos de vinho. Na nossa refeição começamos pelo pão regional e a broa dos Arcos de Valdevez, comprada a um fornecedor que respeita a tradição, preparada com farinha de milho e cozida em forno de lenha.

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Preseunto & Queijo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E que acompanharam muito bem presunto delicioso, queijo seco e um requeijão fantástico, também de produção local.

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Feijão Tarrestre – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Numa mesinha de apoio está exposto o feijão também produzido por ali, o feijão tarrestre, nos seus tons castanho, beije, branco, vermelho e até preto, que seria utilizado no arroz, e que pode ser comprado ali mesmo.

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Entradas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Veio seguidamente um misto de entradas composto por pimentos padrón, cogumelos salteados e duas confecções tendo por base a carne de vaca cachena: uma espetada grelhada no ponto, com cubos de carne, chouriço, bacon, tomate e pimento verde, e um picadinho ou estufadinho, pedacitos de carne de vaca estufados, com cebola e cenoura, molho apuradinho, muito bom.

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Belouros – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

Mas também se experimentaram os belouros brancos, feitos de farinha de milho amassada com um pouco de banha, tendida de forma a formar um rolo, de que se cortam rodelas grossas que são fritas em banha e, já no prato, são polvilhadas com cominhos. Um primor de simplicidade e paladar!

E chega a hora do prato principal, em que há duas ou três opções. Optou-se pela posta de carne de vitela cachena, grelhada na brasa só com sal, e que foi acompanhada com o tal arrozinho malandrinho de feijão tarrestre.

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Carne Saborosa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Carne muito saborosa, tenra, suculenta e um arroz fantástico, bem temperado, de chorar por mais.

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Arroz Malandrinho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Fechou-se um belo repasto com dois produtos também locais: a laranja, doce e muito sumarenta, e os charutos dos Arcos, massa fininha recheada com doce de ovos.

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Cerqueiral 2014 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Acompanhou-se esta refeição deliciosa com um vinho verde tinto da região, o Cerqueiral já de 2014, servido nas malguinhas características, encorpado, espesso, suave no nariz mas concentrado na boca, fresco e com acidez intensa, a ligar muito bem com a comida.

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Malguinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois da refeição, um passeio a pé por um dos muitos trilhos que por ali existem recomenda-se vivamente…

Contactos
Lugar de Oucias,
Carralcova
4970-105 Arcos de Valdevez
Telemóvel: (+351) 969 804 619
Telemóvel: (+351) 962 632 488
Hotel Quinta da Serra

Texto José Silva

Mesmo lá no alto do Jardim da Serra, numa zona muito montanhosa, de estradas sinuosas, mas onde a paisagem ganha outra beleza, outra amplitude, é um passeio fascinante, que pode passar pela grandiosidade do Cabo Girão.

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Paisagem a partir do Jardim da Serra – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ali temos uma perspectiva incrível da costa sul da ilha da Madeira, com escarpas a pique sobre o mar, umas centenas de metros lá abaixo, onde as fajãs amenizam a descida até à água.

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Patamares – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas onde, em cada minúsculo patamar, se podem ver plantações diversas, fruto de trabalho manual em condições extremas. E muitas dessas plantações são vinhas muito velhas, onde os viticultores colhem todos os anos pequenas quantidades de uvas, que vão integrar lotes do famoso vinho licoroso da ilha. Lá mais acima, no Jardim da Serra, a mais de 800 metros de altitude, num hotel de cinco estrelas cheio de requinte, implantado num enorme jardim e na floresta adjacente, de grande beleza, funciona um restaurante igualmente requintado, liderado por um chefe francês há muitos anos radicado na ilha. Ocupa um espaço enorme num dos edifícios do complexo hoteleiro, ligeiramente elevado, completamente envidraçado de um dos lados, com vista soberba pela serra abaixo.

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Sala Ampla – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É uma sala ampla, espaçosa mas acolhedora, cheia de luz, decorada com requinte em tons mornos, onde predominam o castanho e o cinzento, com um belíssimo soalho de madeira e uma lareira aconchegante num dos topos. Mesas muito bem-postas, cheias de elegância, com todos os pertences em cima, incluindo óptimo serviço de copos. O serviço, a cargo de pessoal jovem, é muito competente, atencioso e simpático, muito bem dirigido. Uma ementa eclética, onde entram muitos produtos de produção biológica da própria quinta, que estão em fase de certificação, apresenta peixe e carne frescos da própria ilha, confeccionados com requinte e extremamente bem apresentados. Na nossa visita, fomos recebidos pelo próprio chefe que, num português quase fluente, nos deu as boas vindas e explicou um pouco a filosofia da sua cozinha.

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Manteiga, Azeite e flôr de sal – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Passados à mesa, apresentaram-nos vários tipos de pão, para barrar com manteiga simples e outra com ervas, ou molhar no azeite e dar-lhe um toque de flor de sal.

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Vieira Corada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A oferta do chefe foi uma vieira corada, com creme de abóbora e crocante, com toque de pimenta rosa. Simples mas delicioso.

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Creme de maçarocas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se um requintadíssimo creme de maçarocas da quinta, atrevido, cremoso, muito apaladado, soube muito bem, bem quente.

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Rosé Primeira Paixão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Por essa altura já apreciávamos o Rosé Primeira Paixão, que ligou muito bem, quer com a vieira, quer com o creme de maçarocas. Veio então o peixe espada fumado preparado em tempura, ligeiramente crocante, saboroso, consistente, e um chutney de frutas de Cornus Kousa da própria propriedade a fazer uma óptima ligação.

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Peixe-Espada fumado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O vinho era já o bairradino Entre II Santos branco, a ligar muito bem, na temperatura certa. Passamos ao prato de carne, que foi um borrego orgânico recheado com acelgas, assado, que foi servido com puré de batata e castanhas. Paladares cruzados que se completaram muito bem, mais uma vez produtos locais mas confeccionados com grande requinte.

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Borrego – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O vinho tinto também da Bairrada, Entre II Santos esteve sempre à altura. A refeição iria terminar com a mesma qualidade com que começara, uma tarte tatin de maçã domingo, gelado de chocolate e erva caninha, simples mas cheia de requinte, sabores suaves que se completaram muito bem.

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Sobremesa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No nosso caso foi jantar, mas quem vá almoçar, é aconselhável dar um passeio pela beleza dos jardins e da floresta e dar uma olhadela à horta biológica, de onde vêm muitas das ervas aromáticas e legumes que depois podemos apreciar à mesa.

Contactos
Quinta da Serra
Estrada do Chote Nº 4/6 – Jardim da Serra
9325 – 140 Camara de Lobos Madeira
Portugal
Tel: (+351) 291 640 120
E-mail: info@hotelquintadaserra.com
Site: www.hotelquintadaserra.com

Narcissus Fernandesii, simplicidade e requinte de mãos dadas

Texto José Silva

É um hotel de cinco estrelas ainda muito recente, situado em Vila Viçosa, bem no interior alentejano, numa região de grande produção de mármore. E este produto nobre está por todo o lado nas belas instalações do hotel, em combinações tradicionais e outras mais modernas e mesmo muito arrojadas. Neste hotel, como não podia deixar de ser, funciona um restaurante, mas que apresenta algumas soluções decorativas muito particulares, de extremo bom gosto, como a iluminação.

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Fantástica Iluminação de Sala – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E que tem na sala principal uma mesa que é uma obra de arte: uma enorme mesa de mármore com um tampo de vidro, que é feita dum único bloco de mármore branco, uma beleza!

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Mesa de Mármore com um Tampo de Vidro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Serve como mesa principal para o buffet de pequeno-almoço, muito completo, e para refeições para grupos, a dar um toque exótico a uma bela refeição.

O restaurante tem à frente da equipa de cozinha um jovem chefe de português que desenvolve um trabalho notável, a formar os seus ainda mais jovens colegas, dando-lhes os conhecimentos necessários para que nada falhe ou falte, quer no dia-a-dia dos pequenos-almoços, nos almoços executivos e de trabalho, quer nos jantares mais sofisticados, com mais tempo.

O chefe Pedro Mendes pode assim desenvolver o seu trabalho, apoiado em produtos de excelência, a maior parte deles portugueses e alguns mesmo menos vulgares, como a utilização de algas do mar e de bolota alimentar, entre outros exemplos.

Chama-se “Narcissus Fernandessi” e tem já clientela dedicada, com muitos estrangeiros, que ali vão em busca da qualidade das ementas requintadas e variadas, de alguma surpresa que o chefe e a sua equipa, muitas vezes preparam, e de belas harmonizações com muitos dos melhores vinhos alentejanos.

A equipa de sala, liderada por um profissional experiente e atento, reúne todas as condições para nos servir com simpatia e competência, ajudando a proporcionar-nos uma experiência gastronómica que não vamos esquecer.

Na última visita, com alguns amigos, tivemos um jantar delicioso, cheio de equilíbrio, com apontamentos de enorme bom gosto.

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Pão Regional – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Não podia faltar o pão regional e o óptimo azeite do Alentejo, para amaciar o palato.

Começou então um desfile de pratos saborosos, apresentados com requinte e explicados pelo pessoal de sala duma forma simples mas eficiente.

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Creme de Moganga e Nata Trufada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Veio primeiro um creme de moganga e nata trufada, servido numa simpática chávena, muito saboroso e delicado, a nata bem ligada, muito bom. Seguiu-se uma soberba sopa de gila com pão de bolota – um dos produtos que o chefe Pedro Mendes trabalha com paixão – pó de presunto e ovo de codorniz.

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Sopa de Gila com Pão de Bolota sem o Caldo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sopa de Gila com Pão de Bolota – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Primeiro veio o prato com os conteúdos e de seguida foi acrescentado o caldo, bem quente, de belo efeito. Estava delicioso! Veio então o carabineiro do Algarve, carnudo e apaladado, com creme de couve flor e coentros, endívia e emulsão de limão. Díficil de descrever, tanta simplicidade e tanto requinte, tanta elegância, com todos os elementos a fazerem uma harmonização perfeita.

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Carabineiro do Algarve – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas ainda fomos surpreendidos com um “foie-gras” confeccionado no ponto, a rondar a perfeição, com uma emulsão de diospiro a fazer uma ligação fantástica e meio bom-bom de “foie”, na companhia dum crocante pão de bolota a completar o requinte, excelente.

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Foie-Gras – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Crocante Pão de Bolota – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O prato de carne que foi apresentado era exótico, complexo, mas muito, muito bom: carne de veado fumada em azinho e alecrim, com redução de vinho Madeira, favinhas com coentros, creme de marmelo e uns pedacitos de couve flor panada, que belo prato!

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Carne de Veado Fumada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Passamos então às sobremesas. Primeiro o mogango e o almeice, num belo casamento de produtos menos vulgares, depois torta de mel, esponja de bolota, gelado de diospiro e creme de limão, contrastes soberbos e resultado voluptuoso, num grande final.

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Mogango e Almeice – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Esponja de Bolota – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os vinhos que acompanharam esta festa dos sentidos foram um Herdade do Pombal branco de 2011, um alentejano de Estremoz, já com alguma evolução, e por isso mesmo cheio de elegância, com notas secas e fumadas, belo volume, gordo, envolvente, a provar que os vinhos brancos evoluem muito bem com a idade.

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Herdade do Pombal white 2011 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Lima Mayer red 2008 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O outro foi um tinto de excelência, o Lima Mayer de 2008, ali da zona de Monforte, cheio de frescura e acidez, muito complexo e por isso mesmo fascinante, a aguentar muito bem as harmonizações propostas nesta bela refeição.
O Alentejo no seu melhor…

Restaurante de Castro Flores

Texto José Silva

A cidade de Lisboa continua a evoluir e a chamar cada vez mais turistas de cada vez mais países, e está classificada como um dos destinos mais interessantes do mundo.

Com imensos motivos de interesse para uma visita, desde a beleza arquitectónica, à área cultural e à riqueza do património histórico, Lisboa tem vida muito própria e, sendo uma cidade muito moderna, mantém as tradições que a tornaram famosa, sobretudo o ar castiço dos seus bairros antigos, onde ainda se comem petiscos e se canta o fado.

E uma das grandes tradições de qualidade em Lisboa são os seus restaurantes, muitos deles a servir boa comida há décadas, e muitos outros mais modernos, que foram aparecendo e se foram desenvolvendo, um pouco por toda a cidade. Mas é no centro de Lisboa que têm aparecido ao longo dos últimos anos muitos restaurantes de qualidade, alguns deles a cargo de chefes bem conhecidos, que ali podem dar largas aos seus conhecimentos e à sua arte.

Um desses chefes, que deixou a sua cidade natal, o Porto, para rumar a Lisboa, onde tem desenvolvido vários projectos, é Miguel Castro e Silva, bem conhecido e respeitado, um criador e pesquisador com muito trabalho feito.

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Restaurante de Castro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Recentemente abriu mais um espaço, bem no centro de Lisboa, na beleza da Praça das Flores, a que chamou “De Castro Flores”. Na visita que fizemos fomos recebidos num espaço muito bonito, moderno, bem decorado em tons claros, muito cozy, um restaurante familiar.

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Espaço Interior – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Cá fora, mesmo à noite, a espaçosa esplanada é muito procurada, ali está-se muito bem. A sala é ampla, com vários pequenos recantos, ao meio um simpático balcão, algumas mesas com bancos corridos encostados à parede, mas muito confortáveis. As mesas são bem postas, num misto de simplicidade e requinte, com bons apetrechos e serviço de copos muito bom.

O serviço está a cargo de gente bastante jovem muito bem dirigida, mas duma enorme eficiência, com simpatia e muita atenção, que nos guiam pela refeição com segurança, um exemplo de profissionalismo a ser seguido.

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Ervilhas com Enchidos e Ovo Escalfado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A ementa, como já é habitual no trabalho do chefe Miguel Castro e Silva, tem uma enorme componente de petiscos, alguns dos quais vão alterando, mas muitos deles com grande tradição no seu trabalho, como é o caso das ervilhas com enchidos e ovo escalfado, pasteis de massa tenra, morcela da Beira com maçã e cebola ou as deliciosas amêijoas com feijão manteiga.

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Bacalhau Fumado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Peixinhos da Horta – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

Na refeição que fizemos deliciamo-nos com bacalhau fumado com vinagreta de tomate seco e amêndoa, seguido pelos também tradicionais peixinhos da horta com maionese e limão.

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Ovos Rotos com Trompetas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Cachaço de Bacalhau – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois vieram ovos rotos com trompetas, cremosos e muito apaladados, umas curiosas iscas do cachaço de bacalhau, fofinhas e saborosas e umas deliciosas ervilhas com enchidos e ovo escalfado, servidas no tachinho, bem quentes.

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Pernil de Borrego com Ensopado de Grão e Cogumelos do Campo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para prato principal, pois também ali há belos pratos, muito completos, saboreamos um soberbo pernil de borrego com ensopado de grão e cogumelos do campo, um prato para corajosos, equilibrado, carne macia e saborosa, os cogumelos a fazer a ligação perfeita.

Já ninguém conseguiu ir à sobremesa, mas ainda se bebeu mais um copo de alguns vinhos que levamos e de um dos vinhos do Miguel Castro e Silva, o lote branco Ribeiro Santo, do Dão.

A noite em Lisboa só então começava…

Contactos
Restaurante De Castro
Praça das Flores
Rua Marcos Portugal, 1
1200-265 Lisboa
Tel: (+351) 215  903 077
Email: geral@decastroelias.com
Site:  decastro.pt

Restaurante Sea Me

Texto José Silva

O centro da cidade de Lisboa fervilha de vida e os restaurantes e bares não param de abrir ou reabrir, depois de recuperações ou de mudarem de mãos, dando resposta a uma clientela variada e heterogénea, onde o peso dos estrangeiros é cada vez maior.

Portugal está na moda e Lisboa, a capital, lidera a procura de gente que vem de todo o mundo, durante todo o ano, apreciar o que temos de bom e que, felizmente, ainda é muito. E uma das nossas grandes riquezas é a cozinha, com um vasto receituário de norte a sul e uma diversidade fantástica para um país tão pequeno. Temos produtos de grande qualidade, hoje reconhecidos internacionalmente e cada vez mais procurados.

Um desses produtos é o peixe da nossa costa, servido um pouco por todo o país, em restaurantes de várias categorias. E um desses restaurantes, mesmo no centro de Lisboa, serve peixe fresquíssimo, sempre da lota de Peniche, a par de vários tipos de marisco.

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Todo o Tipo de Marisco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É na rua do Loreto, muito perto do Largo de Camões, e era uma das muitas sapatarias que por ali abundavam e que foi inteligentemente transformada num restaurante onde quase só se serve peixe fresco e marisco: o restaurante “Sea Me, Peixaria Moderna”.

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Peixe Fresco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ali há imaginação, bom gosto, produtos de primeira qualidade, confecção moderna a realçar a frescura das matérias-primas e há boa disposição e humor à mistura. Mas comecemos por descrever o espaço, que é sobre o comprido, com uma pequena montra à entrada, por onde vão passando vários produtos, que podem ser uma marca de cerveja ou de vinho ou umas apetecíveis ostras frescas, a convidarem para ser comidas de imediato.

Logo a seguir, do lado esquerdo, um amplo balcão, onde também se pode comer uma refeição mais rápida ou estar por ali a petiscar e bebericar, sem tempo, pela noite dentro. Um pequeno degrau separa este espaço da sala principal, um pouco mais larga, decorada com simplicidade, tendo ao fundo um enorme balcão em ele, que mostra, por detrás, a enorme cozinha, com tudo à vista, tendo mesmo ao fundo, debruçado sobre a sala, um enorme escaparate com marisco e peixe fresco, devidamente identificados, e que podemos escolher, se assim o entendermos.

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Peixe Fresco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Marisco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E com tanto peixe fresquíssimo todos os dias, ali também se pode comer um sushi óptimo.

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Sushi – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas teremos sempre a ajuda de quem sabe e que nos pode guiar para que possamos ter uma excelente refeição. As mesas de madeira são postas dum forma muito simples e o serviço está a cargo de pessoal jovem e competente, simpático e atento e que nos vai explicando devidamente cada prato que vai chegando à mesa. O serviço de vinho é impecável, quer nos copos, quer na temperatura e o restaurante está sempre cheio, quer ao almoço, quer ao jantar.

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O Restaurante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Nesta visita veio pão e uma variedade de petiscos saborosos e alguns menos vulgares.

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Sushi de Sardinha com Pimento Assado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Vieiras Coroadas com Tártaro de Manga – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Vieiras coradas com tártaro de manga e flor de sal, muito saborosas, no ponto, algumas peças de sushi preparado com aquele peixe fresquíssimo, como a de sardinha com pimento assado.

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Salada de Bacalhau com Grão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Chocos Fritos em Tempura Preta – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Salada de bacalhau com grão, choco frito em tempura preta e folha de shisô, uma desconcertante salada japonesa de robalo e algas, molho de citrinos e abacate.

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Salada de Robalo e Algas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalmente uma travessa de peixes mistos grelhados, com lulas enormes e robalo, também com lulas à Bulhão Pato, tudo na companhia de batatas cozidas com pele e legumes variados cozidos, e uma porção generosa de azeite para regar tudo.

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Peixes Mistos Grelhados – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Terminamos com leite creme queimado da maneira tradicional.

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Creme Queimado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Beberam-se alguns vinhos que o grupo levou, entre brancos e tintos que tinham sido colocados nas temperaturas correctas, para nosso prazer…
No centro de Lisboa, o peixe fresco à nossa mesa.

Contactos
Sea Me Restaurant
Rua do Loreto 21
1200-049 Lisboa
Tel.: (+351) 213 461 564/565
Fax: (+351) 213 461 566
E-mail: geral@peixariamoderna.com
Site: www.peixariamoderna.com