Posts Categorized : GASTRONOMIA

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Terra e Mar

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Mendes

Não é segredo que a maior parte das regiões vitivinícolas portuguesas ainda são desconhecidas para a maior parte das pessoas. Até para pessoas do meio. Portugal ganhou alguma fama nos últimos anos como um país de vinhos de vinhos de boa qualidade que não destrói a carteira. Com isto dito, Portugal tem todas as oportunidades de produzir vinhos dessa estatura que provavelmente iriam destruir a nossa carteira. Isso é tudo que sabemos. Ainda assim, como romântico incurável, estou um pouco assustado com a hipótese de o país vínico pelo qual me apaixonei um dia se tornar cada vez mais e mais mainstream. É o fardo de de um genuíno hipster vínico, acho.

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Copo de Vinho – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Chouriço – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Mas não me preciso de preocupar. Portugal, com as suas inúmeras castas irá manter afastadas do dia a dia do cidadão comum castas com nomes confusos como a Touriga Nacional e a Tinta Pinheira, para mencionar apenas algumas. Muitos dos meus amigos que viajaram para Portugal desconhecendo completamente os vinhos portugueses mas vieram embora como grandes fãs. Tal como eu.

Pessoalmente gosto de utilizar vinho quando cozinho. Não necessariamente na comida mas como fonte de inspiração. Quando comecei a fatiar o chouriço para a massa que estava a fazer fiquei, repentinamente, mas não surpreendentemente, com sede. Uma das mais valias de Portugal é definitivamente a boa relação qualidade/preço dos vinhos, o que por vezes pode ser tanto uma bênção como uma maldição. Vinhos fáceis de beber e acessíveis, de diferentes estilos, passam pelos copos com relativa facilidade.

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Massa “Terra e Mar” – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Enquanto preparava uma massa picante de camarão e chouriço “Terra e Mar” a minha mente voou até à Bairrada. Um pequeno e atrevido blend da Bagalândia era tudo o que precisava. Deitei mãos a um Torre de Coimbra 2012. Um blend de Baga, Touriga Nacional e Tinta Pinheira produzido pela LusoVini. De certeza, um vinho de exportação, porque, em todas as minhas viagens a Portugal nunca vi um vinho com uma rolha de rosca. De certeza que há alguns mas, não é comum num país que tem os sobreiros quase como sagrados. Nós, aqui no norte frio, não distinguiríamos um sobreiro de uma palmeira e é por isso que as rolhas de rosca são a escolha mais comum.

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Torre de Coimbra 2012 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O vinho em si apresentou-se.. humm.. qual é o termo científico…”razoável”. Bem, considerando que custou menos de €10 na loja de monopólio daqui, foi bem bom. Um vinho simples, frutado e com um toque de madeira. Podem achar uma surpresa mas, encontrar uma garrafa de vinho razoável na Finlândia por menos de €10, é mais fácil de dizer do que de fazer. Temos aqui bastantes vinhos trabalhados e tecnológicos, que são tudo menos interessantes. Este vinho da Bairrada aproxima-se de um vinho em condições portanto é um vinho em condições. Não é um vinho que me tire o sono mas é definitivamente um vinho que me vejo a beber novamente. Nem que seja para inspiração culinária.

Contactos
Lusovini Distribuição, SA
Avenida da Liberdade nº 15, Areal
3520-061 Nelas, Portugal
Tel: +351 232 942 153
Fax: +351 232 945 243
Email: info@lusovini.com
Website: www.lusovini.com

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O Gaveto, um restaurante e marisqueira de referência

Texto José Silva

Este “O Gaveto” começou por ser uma marisqueira, mais uma, em Matosinhos, quando Manuel Pinheiro a comprou, em 1984.

A partir daí continuou como marisqueira, mas passou a ser também um restaurante confortável, com boa comida tradicional portuguesa. Foi ganhando clientela, sempre com muito trabalho, fruto não só da simpatia e do profissionalismo que o proprietário sempre exigiu no serviço, mas também dos produtos de enorme qualidade utilizados nas variadíssimas confecções. E foi isso que foi transmitindo aos filhos que, apesar de terem feito os estudos que entenderam, desde cedo começaram a ajudar o pai no restaurante e na residencial que possui no Porto, hoje transformada num pequeno hotel de qualidade, agora gerido pela filha Cristina. No Gaveto, em Matosinhos, o filho mais velho, José Manuel, juntou-se ao pai mais cedo, até que, em 1995, foi a vez do outro filho, João Carlos, se lhes juntar.

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O Gaveto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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O Gaveto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Muito trabalho, dedicação, simplicidade e bom relacionamento quer com o pessoal, quer com a clientela, que foi sempre crescendo e em que uma parte significativa é hoje também amiga da casa e dos dois irmãos. O pai Manuel, já reformado, continua a passar por ali diariamente, dando uma ou outra opinião, mas sobretudo gozando o facto de poder ver o seu trabalho de muitos anos muito bem entregue aos seus filhos, com grande sucesso.

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Peixe fresco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Marisco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O marisco e o peixe fresco do dia são uma constante, com receituários extremamente simples, deixando brilhar a qualidade dos produtos.

Dois  viveiros enormes de marisco vivo, logo à entrada, são o garante da frescura do que vem do mar.

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Lagosta – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Marisco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A que se junta um enorme escaparate de algum marisco já cozido e dos vários tipos de peixe fresco, à vista de todos. O enorme aquário, normalmente ocupado pelas lagostas, vai albergar, a partir de Janeiro, as muitas lampreias, também elas vivas, que são uma das coroas da casa. Cozinhadas à bordalesa ou em arroz de lampreia, levam ali verdadeiras romarias de apreciadores que, até lá para o final de Abril, nunca saem defraudados. Nessa época, também o sável vai brilhar, cozinhado a preceito. E também o serviço de snack é bem sucedido, sejam os pequenos petiscos, a sopa de marisco saborosa, o churrasquinho no pão e, claro, a tradicional francesinha. Na companhia de cerveja a copo gelada muito bem tirada.

Mas ao longo dos últimos anos o serviço e a oferta de vinhos tem vindo a constituir uma verdadeira paixão, ao ponto de terem hoje uma carta de vinhos onde pontuam as grandes referências nacionais, e mesmo alguns vinhos estrangeiros de grande nível. Muitos produtores nacionais bem conhecidos passaram a ser clientes assíduos, alguns deles mesmo amigos pessoais dos dois irmãos, fazendo ali muitas provas e mesmo apresentações de novidades e algumas raridades. Que casam muito bem com muitos dos pratos que passaram a ser de escolha obrigatória para muitos deles.

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Selecção de vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Arroz de Tamboril – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para além das mariscadas que ligam bem com espumantes e vinhos brancos encorpados e frescos, a escolha vai-se refinando para o arroz de tamboril ou o soberbo arroz de lavagante, das melhores confecções que conheço. Ou mesmo um branco especial para acompanhar um linguado ou uma posta de garoupa grelhados na brasa.

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Arroz de lagosta – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Arroz de marisco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O arroz de marisco tem ali grande tradição, assim como umas carnudas e saborosas amêijoas à Bulhão Pato.

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Ameijoas à Bulhão Pato – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Bacalhau à Narcisa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Não faltam também as bacalhoadas, com o bacalhau à Narcisa a brilhar, posta alta frita no ponto, com cebolada farta e batata frita às rodelas.

Ou mesmo uma tradicional carne de porco à alentejana. Ao sábado, as tripas à moda do Porto têm seguidores dedicados.

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Carne de porco à alentejana – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sopa de marisco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na última visita começamos pela sopa de marisco, saborosa e com toque precioso de picante.

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Peixe galo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Redoma branco 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois foi um simples filete de pescada fresca com salada russa deliciosa, para terminar com o peixe galo, em postas bem fritinhas, acompanhado por uma açorda gulosa com as ovas do peixe!

O Redoma Branco 2013 esteve sempre à altura…

Contactos
Restaurante O Gaveto
Rua Roberto Ivens, 826
4450-249 Matosinhos – Portugal
Tel: (+351) 229 378 796
Fax: (+351) 229 383 812
E-mail:geral@ogaveto.com
Website: www.ogaveto.com

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Restaurante Camelo, um clássico do Minho com comida regional a sério

Texto José Silva

Já lá vão mais de 25 anos desde que a família Camelo abriu esta casa de bem comer em Santa Marta de Portuzelo, ali a meia dúzia de quilómetros de Viana do castelo, na estrada N202. Desde então e até hoje a aposta foi sempre, sem qualquer dúvida, na cozinha regional, com base em muitos e bons produtos.

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Restaurante Camelo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O restaurante Camelo foi crescendo, cedo começou a fazer serviços, e hoje tem vários espaços que podem ir até às 1000 pessoas. Nos meses de verão o movimento é estonteante!

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Restaurante Camelo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Restaurante Camelo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas nada disto tirou discernimento à família Camelo, com a velha sala muito confortável, alguma cantaria nas paredes, serviço personalizado, mesas muito bem postas para apreciarmos uma grande refeição. Sobretudo ao fim-de-semana é aconselhável fazer reserva de mesa, pois enche normalmente, durante todo o ano. O sr. Camelo, sempre dum lado para o outro, cumprimenta-nos com a pergunta marota: “Já cumprimentou algum camelo hoje?”

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O Bar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

À entrada há uma pequena sala de espera, com sofás e o bar mesmo ao lado, se for necessário aguardar por mesa. Até porque para além de vários pratos emblemáticos da casa, há pratos em certas épocas que são muito procurados, vindo gente de muito longe para os apreciar. A época do sável e da lampreia é uma delas, que vai de Janeiro até Abril e as várias confecções de lampreia – à bordalesa, em arroz e assada no forno, entre outras – são extraordinárias, com lampreias ali do rio Lima de grande qualidade. O sável frito em postas fininhas, uma boa salada de alface e açorda com as suas ovas é incontornável. Ao segundo domingo de cada mês, é uma romaria para apreciar um portentoso cozido à portuguesa, que é difícil de descrever.

As entradas são muito variadas – bolinhos de bacalhau, pataniscas de bacalhau, chouriço, salpicão, orelheira, focinho e chouriça de cebola cozidos – e por vezes as curiosas “caralhas”, que são miúdos de novilho escalfados em vinho verde tinto de Perre, uma delícia.

As sopas são óptimas, desde a sopa de legumes da época, caldo verde, canja de galinha até às soberbas papas de sarrabulho, com muitos cominhos por cima!

A proximidade do mar traz algum marisco e peixe muito fresco – robalo, pescada, dourada, rodovalho, linguado – que é tratado com simplicidade na grelha, simplesmente cozido ou em algumas confecções, como a pescada à Camelo. O bacalhau está sempre presente com força, ou não estivéssemos no Minho. Para além das maneiras mais tradicionais, o bacalhau à Camelo é dos mais procurados, sempre de posta alta, demolhada no ponto e muito bem acompanhada. Mas são as carnes que se destacam na ementa deste restaurante tradicional, sejam de porco, de vaca ou de galináceos.

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Rojões à moda do Minho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Arroz de sarrabulho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Uns completos rojões à moda do Minho, que podem ser acompanhados pelo arroz de sarrabulho, a posta de carne barrosã saborosa e macia ou um imponente costeletão de novilho.

O cabritinho da Serra dArga assado no forno faz as delícias dos apreciadores e esse verdadeiro hino à cozinha portuguesa que é o galo com arroz de cabidela, que ali se chama “galo de pé descalço”, com o humor muito próprio dos minhotos. Aos galos criados na casa, juntam-se muitos bichos criados pelos lavradores das redondezas, da confiança pessoal da família Camelo.

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Arros de Cabidela – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Vinho verde tinto da casa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Carne rijinha, saborosa, envolvida pelo arroz carolino cozido no ponto, que acaba de “abrir” no tachinho de ferro que vem à mesa, e o toque precioso de vinagre de vinho a espevitar o conjunto. Grande confecção!

O vinho verde tinto da casa, em malguinha, foi a companhia certa. Acabou o banquete?! Nada disso, faltam as sobremesas, num desfilar que parece não ter fim. O leite creme, o pudim e o arroz doce confirmam a tradição, excelentes.

A despedida é sempre um até á próxima…

Contactos
Rua de Santa Marta 119
Estrada Nacional 202 – Santa Marta de Portuzelo
Viana do Castelo, 4900-252
Portugal
Tel: (+351) 258 839 090
Website: www.camelorestaurantes.com

Uma aliança entre o vinho e a arte, no coração da Bairrada

Texto José Silva

Já há uns anos pertencente ao grupo Bacalhôa, a Aliança tem sabido manter e mesmo refinar uma entidade muito própria e, apesar de produzir vinhos noutras regiões vinícolas, é com a Bairrada que se identifica profundamente e é ali que continua sediada.

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Aliança Vinhos de Portugal – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Se são os seus espumantes que lhe dão prestígio e reconhecimento no mercado, os seus vinhos bairradinos têm vindo a crescer paulatinamente, afirmando-se hoje como vinhos de excelência numa região que se libertou de algumas amarras e viaja hoje à vontade, a toda a bolina, sempre rumo à qualidade. As suas aguardentes lá continuam em repouso nas profundezas das caves, sem pressas, mantendo a extraordinária qualidade a que nos habituaram.

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Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

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Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Em recente visita, fizemos um agradável passeio pelas caves e o seu revolucionário museu a que chamaram “Aliança Underground Museum”, onde estão alojadas centenas de peças fantásticas da vastíssima colecção do proprietário da empresa, que vale bem a pena conhecer. Essa viagem cultural é partilhada por muitos dos vinhos que ali se produzem e estão guardados nas caves.

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Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

E onde, obviamente, os espumantes são reis incontestados, até pela quantidade de garrafas em estágio. São corredores escuros e baixos, cheios de bolores que atestam a humidade constante que, aliada às temperaturas baixas com pouquíssima amplitude térmica, proporcionam condições ideais para o desenvolvimento destes vinhos com gás natural.

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Aliança Underground Museum – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

As aguardentes ocupam a parte mais profunda das caves, com uma quantidade incrível de cascos de madeira muito velhos, que as acariciam naquele ambiente surreal.

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Francisco Antunes – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

E foram vinhos e espumantes da casa que provamos, numa interessantíssima prova dirigida pelo Francisco Antunes, ditector de enologia da casa, grande conhecedor da região, muitos anos a produzir vinhos tranquilos e espumantes, viciado na caça e duma boa disposição contagiante.

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Aliança Branco Reserva 2014 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

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Aliança Tinto Reserva 2012 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Começamos pelo Aliança Branco Reserva 2014, feito com Maria-Gomes, Bical e Arinto. Um vinho de combate. Amarelo citrino, cristalino, muita fruta branca no nariz, algo floral, muito elegante. Na boca é seco, muito fresco, citrino com volume médio, um vinho moderno. A €2,15 a garrafa é um excelente opção. Passamos ao Aliança Tinto Reserva 2012, feito com Baga, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Muita fruta, muita frescura e juventude. Na boca é intenso, persistente, mantém bastantes notas de fruta madura, taninos já domados mas bem presentes, um vinho a pedir comida.

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Aliança Tinto Baga 2009 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

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Aliança Rosé Baga-Bairrada Bruto – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

O Aliança Tinto Baga 2009 revelou toda a excelência aromática da casta Baga. Intenso, muita fruta, notas de compota. Redondo, bom volume de boca, frutos vermelhos muito maduros, taninos poderosos, bem vincados, excelente acidez e final longo. Belo vinho que já se bebe muito bem, mas que vai envelhecer muito bem por muitos anos. Passamos então aos vinhos com bolhinhas, começando pelo Aliança Rosé Baga-Bairrada Bruto, uma novidade no mercado. Duma cor salmão muito suave, com bolha muito fina, apresentou-se muito elegante no nariz, ligeiramente floral, com notas de frutos vermelhos. Na boca é seco, com óptima acidez, bela estrutura e muita elegância, um espumante moderno.

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Aliança Baga-Bairrada Bruto 2013 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

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Aliança Bruto Vintage 2010 – Foto Cedida por Aliança Vinhos de Portugal | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se o Aliança Baga-Bairrada Bruto 2013, citrino, cristalino com bolha fina muito elegante. No nariz tem notas de maçã verde, alguns frutos secos, tosta. Na boca impressiona pela frescura e acidez vibrante, seco, intenso, notas ligeiramente tostadas e final longo e saboroso. Um óptimo bairradino. Terminamos a prova com um clássico, o Aliança Bruto Vintage 2010. Amarelo ligeiramente torrado, bolha finíssima e cordão persistente. Nariz exótico, com notas de frutos secos, nozes, tosta, noz moscada. Na boca é poderoso, seco, muita complexidade, acidez intensa, volumoso, cheio, cremoso, com final imenso, um espumante de excelência.

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Petingas e carapauzinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Bolinhos de bacalhau e rissóis de leitão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Passamos então à mesa, onde provamos alguns destes vinhos, para fazer companhia a um conjunto de petiscos – petingas e carapauzinhos, bolinhos de bacalhau e rissóis de leitão.

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Galo assado no forno com arroz de ervilhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Queijo, marmelada e pão-de-ló – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois foi um galo assado no forno com arroz de ervilhas, para terminar queijo, marmelada e pão-de-ló. Os vinhos da Aliança continuavam a escorrer pelos copos.

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Vinhos da Aliança – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

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Até à próxima – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

Já cá fora, foi a despedida, até à próxima…

Contactos
Aliança – Vinhos de Portugal SA
Rua do Comércio, 444
Apartado 6
3781-908 Sangalhos
Portugal
Tel: (+351) 234 732 000
Fax: (+351) 234 732 005
E-mail: alianca@alianca.pt
Website: www.alianca.pt

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O novo Chryseia 2013…

Texto José Silva

Desta vez a associação Prats & Symington, entre a família Symington e o enólogo francês Bruno Prats, escolheu o restaurante Belcanto, do chefe José Avillez, em Lisboa, para apresentar os seus novos vinhos: Prazo de Roriz Douro Doc 2012, Post Scriptum Douro Doc 2013 e a jóia da coroa, o Chryseia Douro Doc 2013.

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José Avillez – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Pela família Symington estava Rupert Symington, acompanhado por Bruno Prats, que em tempos foi proprietário do Château Cos d’ Estournel, em Bordéus, antes de se apaixonar pelo Douro. Lembremo-nos que o Chryseia de 2011 foi considerado em 2014, pela revista norte americana Wine Spectator o terceito melhor vinho do mundo! O que fez com que esgotasse rápidamente, logo seguido da colheita de 2012, estando o mercado sem Chryseia desde então. Por isso também a curiosidade e ânsia de todos os presentes para provar a nova colheita, Chryseia 2013.

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Rupert Symington – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

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Bruno Prats – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Recebidos com a qualidade e simpatia a que este espaço já nos habituou, começamos, como é tradição nos eventos da família Symington, por apreciar o champagne Paul Roger, neste caso o Brut Rosé Vintage 2006, que estava soberbo, à temperatura certa, ainda por cima num dia de calor. Conversa puxa conversa e foram passando pela sala diversos petiscos deliciosos, para fazer companhia ao champagne, ou vice-versa, servidos com o requinte que se espera num restaurante detentor de duas estrelas do guia Michelin: tremoço esférico com kaffir e piripiri, azeitona XL-LX e gaspacho de cereja. Estava lançado o mote.

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Prazo de Roriz 2012 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

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“A horta da galinha dos ovos de ouro” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Já sentados à mesa, foi servido o Prazo de Roriz Douro Doc 2012, com aquela típica cor ruby intensa. No nariz apresentou-se com muita fruta bem madura, notas de amora e ameixa e um ligeiro floral. Bem volumoso na boca, cheio, intenso mas elegante, fruta preta gulosa, acidez e frescura em perfeito equilíbrio e um bom final, num vinho que ainda pode evoluir na garrafa durante alguns anos. E que acompanhou muito bem o ferrero rocher, frango assado e a horta da galinha dos ovos de ouro, ovo, pão crocante e cogumelos…a arte da cozinha do chefe Avillez à nossa mesa.

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Post Scriptum 2013 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

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Charcoal-roasted red mullet – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ainda recostados na cadeira a apreciar aqueles paladares fantásticos e já nos era servido o Post Scriptum Douro Doc 2013. Granada intenso, escuro, tem notas frescas de figos, ameixas, amoras, algumas especiarias. Na boca apresenta-se muito jovem, fresco, com óptima acidez, taninos intensos mas já muito bem casados com a fruta, a deixar um final longo e saboroso. Foi muito boa companhia para o salmonete braseado, com molho de fígados e xerém de amêijoas à Bulhão Pato, um prato delicioso, muito elegante e fresco.

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Chryseia 2013 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

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Superb ox-tail – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Chegou então o esperado momento, já corria nos copos o Chryseia Douro Doc 2013. Granada escuro, intenso, opaco. Muito exótico no nariz, aromas de frutos pretos característico, mas também algumas framboesas, ligeiras notas de especiarias, apesar dos taninos intensos um vinho cheio de elegância, redondo, bem estruturado e com enorme final. Está ali para durar muito tempo…se lá chegar! Bateu-se taco a taco com um soberbo rabo de boi com grão, foie gras, tendões de vitela, creme de cebola e queijo da ilha. Difícil de descrever, tal a complexidade de paladares neste prato de grande nível, num casamento perfeito com o Chryseia. Mas ainda faltava a sobremesa e foi servido o Quinta de Roriz Porto Vintage 2000, um clássico duriense, ainda muito escuro no copo, com aromas intensos de fruta preta e já com notas ligeiras de frutos secos e algum chocolate.

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The dessert – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na boca é muito volumosos, cheio de estrutura, muita fruta, notas de especiarias, fumo, plantas silvestres, um vinho que não vai parar de evoluir, com final muito longo, que acompanhou uma sobremesa desconcertante: chocolate, banana e amendoim, a fechar o almoço em beleza…

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Quinta de Roriz Porto Vintage 2000 – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

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Graham’s 30 Year Old Tawny Port – Foto Cedida por Prats & Symington | Todos os Direitos Reservados

Com o café e os petit fours, a tradição dos tawny da família Symington, com o Porto Graham’s Tawny 30 Anos, cheio de frutos secos, tostado, extraordináriamente elegante, um grande vinho do Porto.

Cheers!

Contactos
Quinta de Roriz
São João da Pesqueira
5130-113 ERVEDOSA DO DOURO
Portugal
Tel: +351-22-3776300
Fax: +351-22-3776301
E-mail: info@chryseia.com
Website: www.chryseia.com

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Chili com vinho (Esporão)

Texto Ilkka Sirén

“O que é que se come na Finlândia?”, é uma pergunta que ouço com bastante frequência. As pessoas esperam todo o tipo de respostas estranhas, como por exemplo, que como carne de urso crua e que tenho o meu próprio alce no qual vou todos os dias para o trabalho. Não é bem assim. Temos bastantes pratos tradicionais na Finlândia, mas a maior parte só comemos uma vez por ano. Não temos nada do género do bacalhau, como em Portugal, que se come quase diariamente ou pelo menos uma vez por semana. Os finlandeses em geral não utilizam muitas espécies na alimentação e, para ser honesto, a comida aqui é por vezes bastante insípida. Por outro lado, aqui, apreciam-se os sabores naturais dos bons ingredientes. Vegetais, raízes, bagas e cogumelos são algumas das coisas mais preciosas aqui no Norte gelado. Mas, sendo eu um fã de, por exemplo, cozinha tailandesa e vietnamita, aprecio comidas com sabores fortes e picantes.

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Swirl – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Tortilha – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Agora, a caminho de mais um difícil Inverno, sentamo-nos e esperamos que as folhas caiam e cubram tudo com cores bonitas. Neste momento já as noites estão a ficar mais frias e, quem sabe, se não começará já a nevar no próximo mês. De facto, neste momento, o Verão já só é uma longínqua miragem. Isto tem imapacto directo na cozinha das pessoas, especialmente na minha. E não é só isso, começo a cozinhar pratos mais calorosos e faço pickles de, literalmente, tudo. O Outono também se reflecte na minha escolha de vinhos mas vamos voltar a esse ponto mais tarde.

Tortilhas, tacos, burritos e carnitas estão longe de ser comidas tradicionais finlandesas mas devo confessar que sou um fã. A tortilha em si, aquele pão fino, é apenas um veículo para todas as coisas deliciosas; neste caso um habanero picante e um chili naga jolokia de carne. Apesar do chili naga jolokia ser cerca de 400 vezes mais picante que o molho de tabasco, a ideia aqui não é destruir o palato. Gosto de criar molhos poderosos e equilibrados mas ao mesmo tempo saborosos. Nem sempre consigo.

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Esporão Reserva 2011 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A pergunta é: com que servir este tipo de prato? O meu impulso natural seria “cerveja ou nada”. Sim, cerveja seria sem dúvida a harmonização mais fácil, mas tinha que existir outra coisa. Muitos teriam optado por um branco semi-seco, talvez um Riesling. A doçura a equilibrar o picante do chili, etc. De certeza que funcionaria mas, neste caso em particular, seria demasiado elegante. As tortilhas são tudo menos elegantes. São desengonçadas, desconcertadas e deliciosas. Queria algo com cojones apropriados para a situação. Entre então o Esporão Reserva 2011. Um blend robusto de Alicante Bouschet, Aragonês, Cabarnet Sauvignon e Trincadeira. Negro e denso como a árvore do rótulo, o Esporão Reserva 2011 é uma dádiva de Deus para as nossas noites frias e escuras. É definitivamente um vinho que devemos deixar perdido na garrafeira durante 1-12 anos mas que, com o chili de carne picante, deu lugar a uma harmonização brilhante. A princípio achei que seria um assalto aos sentidos. E devo dizer que houve bastante acção quando este amplo alentejano colidiu com o chili. Mas pouco depois, quando a poeira baixou, houve um saboroso e ligeiramente surpreendente casamento de sabores. Caso não estejam habituados ao chili a combinação poderá ser um pouco forte demais mas, se adorarem chili como eu, podem descobrir aqui algo muito especial.

Areia Restaurant Bar, uma refeição fantástica à beira mar

Texto José Silva

Nasceu em Caminha esta minhota de gema que um dia resolveu dedicar-se à culinária, uma paixão que se foi apoderando dela e que hoje é a sua vida. A pesca é, a par da agricultura, uma das principais fontes de rendimento da região e foi um pouco á volta de tudo isto que Margarida Rego foi pesquisando, estudando, provando e tentando conhecer os produtos de excelência. E foi criando pratos, fazendo adaptações e mesmo algumas provocações, mas não dispensa a tradição das coisas boas da sua terra, e gosta de conhecer os seus fornecedores, alguns dos quais são mesmo seus amigos.

Foi com tudo isso que avançou para a exploração dum espaço que pouco mais era que um apoio de praia, o Areia Restaurant Bar, na beleza da praia do Carreço, um pouco a norte de Viana do Castelo.

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O Restaurante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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O Restaurante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Margarida mantém o apoio de praia, servindo snacks, mas adaptou o espaço – o interior e a esplanada – ao serviço duma cozinha muito sua, que vai evoluindo ao sabor daquilo que se arranja, sobretudo o que vem do mar: aqueles ouriços, as percebes de bico vermelho, as navalheiras da pedra, a excelência do sargo e quando ele é mais saboroso, o polvo, o peixe galo, o robalo, o camarão na sua época e uma verdadeira paixão pelas algas, mesmo ali daquele mar, que usa duma forma magistral. Mas também a carne, seja de porco, seja de vaca barrosão ou cachena, dependendo da oferta.

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A esplanada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois temos o espaço, moderno e arejado na sua simplicidade, mesmo em cima da areia, completamente invadido por aquela paisagem fantástica, com o mar todo poderoso ao fundo. O serviço é impecável, com profissionais à altura, que nos vão acompanhando com simpatia e eficiência ao longo da refeição, incluindo um competente serviço de vinhos.

Apesar dum pouco de vento, a escolha recaiu na esplanada, o que se veio a revelar acertado. Foram-se abrindo as garrafas que entretanto já refrescavam e que foram mantidas num frapé, enquanto se foram bebendo.

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Pão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Percebes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Vieram para a mesa vários tipos e pão e azeite com vários condimentos e, de rompante, apareceram as percebas (como se diz aqui no norte), absolutamente divinais!

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Navalheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Logo seguidas dumas navalheiras da pedra já abertas, cheias de ovas, a saber a mar.

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Camarões descascados e salteados – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Também sabiam a mar os camarões descascados e salteados, sobre uma cama de algas deliciosas, cujas antenas foram bem fritinhas e, crocantes, comeram-se todas.

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O prato com o conteúdo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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O prato regado com o caldo de navalheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Veio então a primeira provocação, uma sopa de navalheira, primeiro o prato com o conteúdo, logo de seguida regado com o caldo de navalheira, excelente.

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Polvo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O polvo estava tenríssimo, com batata a murro, couve salteada e uma espuma muito fofa de pimento vermelho, muito bom.

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Lombo de peixe galo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se a segunda provocação da Margarida, um lombo de peixe galo excelente, sobre uma cama de feijão verde e vários tipos de algas – simbolizando a terra e o mar, que se podem ver dum lado e do outro – e ainda um puré de aipo e alho.

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Ouriço do mar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para limpar o palato e passar para a carne, a surpresa dum ouriço do mar, fresquíssimo, com pedacinhos de morango.

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Carne Barrosã – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foi então a vez da carne, neste caso barrosã, cozinhada no ponto, muito saborosa, acompanhada por um delicioso risotto de cogumelos e uma salada verde onde se destacavam a rúcula e as beldroegas.

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Mousse de chocolate – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Fechou-se o repasto com uma soberba mousse de chocolate, polvilhada com pitadas de…flor de sal, e o efeito foi incrível.

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Os vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ao longo da refeição fomos passeando pelos brancos António Futuro, um verde moderno, jovem, apelativo, pelo Vale de Ambrães, ainda um verde, já adulto, bem estruturado, consistente, depois a elegância do Alvarinho da Quinta de Santiago, mineral, salino, muito fresco. O espumante Ortigão trouxe para a mesa uma Bairrada moderna, jovem e cheia de força, para passar para um alentejano como deve ser, complexo, muito elegante, bem casado com a madeira, o Esporão Reserva. Na recta final apareceu à cena um delicioso Quinta da Manoella, o Douro em toda a sua pujança, para terminar num Porto cheio de tradição, o Quinta Seara d´Ordens LBV de 2010, que ficou a pairar na boca por muito tempo.

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O mar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O mar, esse continuava ali mesmo à nossa frente…

Contactos
Areia Restaurante Bar
Praia de Carreço
4900-278 Carreço
Viana do Castelo – Portugal
Tel: (+351) 258 821 892
E-mail: geral@areia-restaurantebar.com
Website: www.areia-restaurantebar.com

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Restaurante Narcissus Fernandesii

Texto José Silva

Um hotel de cinco estrelas em Vila Viçosa foi novidade há cerca de dois anos e tem-se revelado um sucesso. Pertencente a uma família com negócios no mármore, é com naturalidade que esta é a matéria prima nobre mais utilizada na sua decoração. Tudo ali tem um toque de mármore, de várias cores e várias origens, a dar a todo o espaço um glamour muito próprio. Quartos e suites requintados e plenos de conforto proporcionam estadia reconfortante e tranquila. A tranquilidade da beleza de Vila Viçosa chama para uma visita a pé, sem pressas, visitando o velho castelo e o Palácio dos Duques de Bragança, um museu fantástico que nos conta um pouco da história de Portugal. Depois, sempre que se regressa ao hotel, temos todo o conforto e os apoios para recuperar do passeio: piscinas exterior e interior e um spa extremamente bem equipado. Pessoal profissional, competente e simpático, acompanha-nos sempre que necessitemos. De manhã num fantástico pequeno almoço, à tarde ou ao começo da noite no bar e, claro, no restaurante, uma das atracções deste hotel, com o curioso nome de “Narcissus Fernandesii”. Espaço amplo, com duas salas distintas e uma esplanada com vista para a piscina.

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A sala principal – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Mesa de mármore – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na sala principal, ampla e requintada, sobressai uma enorme mesa cujo pé descomunal é uma pedra de mármore única, com enorme tampo de vidro. Ali estão expostos os artigos do pequeno almoço e podem ser servidas refeições para grupos. Refeições mais ligeiras ao almoço e um menu à carta para refeições mais completas à noite.

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Pão Regional – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Preparações de manteig – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Há sempre pão regional excelente e azeite alentejano, mas também algumas preparações de manteiga muito saborosas.

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Lascas de Bacalhau – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Bolinhos de farinheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para começar há alguns petiscos, sempre muito bem apresentados, como lascas de bacalhau numa açorda de poejos, bolinhos de farinheira, compota de cebola roxa e salada de rebentos ou empada de perdiz com frutos do bosque e salteado de cogumelos de época.

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Empada de perdiz – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Creme de Mogango – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Não faltam as sopas com tradição, como o creme de mogango com ovo escalfado e crocantes de pão alentejano, sopa de abóbora com creme trufado servida numa chávena e uma deliciosa sopinha de beldroegas.

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Sopa de abóbora – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sopa de beldroegas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ou um foie gras com emulsão de dióspiro, bombom de foie e tosta de bolota, incrível.

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Foie gras – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Carabineiro do Algarve – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O bacalhau está sempre presente, como o bacalhau  com crosta de azeitona galega sobre brás de batata e esparregado de algas e mesmo algum peixe e marisco frescos, como o carabineiro do Algarve com puré de couve-flor e coentros, endivia e emulsão de limão.

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Tornedó de novilho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Veado fumado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E a riqueza do tornedó de novilho com foie gras, salteado de legumes, batata assada e creme de espinafres, ou veado fumado em madeira de carvalho e rosmaninho, com redução de vinho da Madeira, favinhas e rebentos de coentros, creme de marmelo, couve flor panada e crocante de presunto de vaca.

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Variações de laranja de Vila Viçosa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As sobremesas são fantásticas mas as variações de laranja de Vila Viçosa estavam soberbas.

Vila Viçosa continuava à nossa espera, na sua pacatez…

Contactos
Largo Gago Coutinho Nº11
7160-214 Vila Viçosa
Portugal
Tel: (+351)268 887 010
Email: reservas@alentejomarmoris.com
Website: www.alentejomarmoris.com

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Brasão, um restaurante de sucesso em que se defende a tradição…

Texto José Silva

É perto de Felgueiras e há muitos anos que ali se pratica uma cozinha tradicional, mesmo depois da necessária modernização das instalações. Tudo isto liderado pelo sr. Carvalho, proprietário e chefe de cozinha, que tem uma indisfarçável paixão por aquilo que faz.

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Brasão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O Brasão é um espaço muito agradável, com duas salas separadas mas com o mesmo cuidado nas mesas e no serviço, atento e profissional.

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Dois espaços separado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O nosso anfitrião anda sempre dum lado para o outro, embora seja a cozinha o seu poiso principal, mas nunca descura os clientes e vem cumprimentá-los e saber o que lhes apetece comer. Mais tarde há-de voltar às mesas, para saber da satisfação dos clientes, sempre com um sorriso na boca e com a sabedoria de muitos anos à volta dos produtos e da cozinha. E é precisamente na qualidade dos produtos que começa tudo, pois ali só entra material de primeira qualidade, desde o peixe fresco que vem do litoral, passando pelo bacalhau e terminando nas carnes, sejam de porco, de vaca ou de vitela e os cabritinhos do monte, de que nos prepara pratos incríveis. Mesmo nas sobremesas a busca constante da perfeição não dá descanso a este grande profissional. Outra das suas paixões é o vinho, de que tem garrafeira abastada, onde se encontram preciosidades fantásticas, com algum destaque para uma colecção de aguardentes incrível, de que o sr. Carvalho tem profundo conhecimento. Na última visita veio para a mesa pão e broa de milho, salpicão e presunto fininho, enquanto aguardávamos por um dos ex-libris da casa: a sopa de garoupa!!

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Tostinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sopa de Garoupa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É um verdadeiro hino à qualidade, peixe fresquíssimo em nacos generosos, alho, muita cebola, pimento verde e vermelho, coentros.

Umas tostinhas no prato, uma concha bem cheia por cima, um pouco mais de caldo a fumegar, um aroma inebriante e depois a volúpia, para comer de olhos fechados.

A seguir provou-se um soberbo rabo de boi estufado com grelos, que é muito difícil de descrever, tal a perfeição da confecção, a textura, o paladar, incrível! Veio então outro dos pratos muito apreciados, que normalmente é servido á quarta-feira (ou por encomenda): as costelas de boi assadas.

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Rabo de Boi – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Costelas de Boi Assadas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O vão das costelas é temperado e assado inteiro e é trinchado à nossa frente, depois de lhe ser retirada a capa de gordura.

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O prato – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No prato vêm fatias de carne com aquela gordura saborosa, batata frita às rodelas estaladiça, feijão preto e um arroz de forno pecaminoso, que também acompanhou o rabo de boi. Estamos quase no céu!

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Bolo de Cenoura – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Vem então a sobremesa, um conjunto de toucinho do céu e dum bolo de cenoura absolutamente fantástico, fofinho, polvilhado com açúcar e lâminas de amêndoa torrada, doce de abóbora e umas folhinhas de hortelã…estamos mesmo no céu!

Os vinhos estiveram também à altura: primeiro bebeu-se um branco da zona de Amarante, o Sem Igual, muito floral, com notas de citrinos e fruta branca, uma elegância na boca notável, belo vinho moderno. Para “combater” as carnes nada melhor que um espumante tinto, preparado a partir da casta Vinhão, o Afros Yakkos Grande Reserva 2006. Simplesmente fantástico, bolha muito fina, frutos vermelhos persistentes, notas de chocolate preto, taninos intensos mas ao mesmo tempo elegantes, com um final muito longo. Para acompanhar a sobremesa a opção foi uma aguardente velha – mesmo muito velha – clássica, a Adega Velha, neste caso com mais de quarenta anos, belíssima, ligeiramente refrescada, com aromas tostados, frutos secos, a fazer um belo contraste com o doce.

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Sem Igual, Afros Yakkos Grande Reserva 2006 & Aguardente Velha Adega Velha – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Aguardente Velha Serradayres – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas havia ainda uma surpresa, mesmo ao jeito do sr. Carvalho: uma outra aguardente muito velha, que eu já não via há mais de 10 anos, uma Serradayres também com mais de quarenta anos, duma suavidade incrível, muito elegante, que foi um final perfeito para uma grande refeição.

No Brasão, a tradição ainda é o que era…

Contactos
Cimo de Vila – Refontoura
4610 Felgueiras
Tel: (+351) 255 336 118
E-mail: info@restaurante-brasao.pt
Website: www.restaurante-brasao.pt

Um ávido desejo por lagostim

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Yep. Chegou outra vez aquela altura do ano. Todos os anos, a 21 de Julho, ao meio-dia, começa a época de apanha ao lagostim. E todos os anos fico tanto excitado como com um pouco de medo. Embora o lagostim seja delicioso traz com ele uma série de jantares associados em que a schnapps aquavit se bebe como se de água se tratasse, mas volto a este ponto mais a seguir.

A época do lagostim está aberta de 21 de Julho até ao final de Outubro. É único período do ano em que se pode legalmente apanhar lagostim. Podemos encontrar estas pequenas criaturas em alguns rios e lagos. Tal como com os cogumelos, os melhores locais para apanhar lagostins são geralmente segredos que as pessoas guardam para si próprias. Ainda sou um iniciado na apanha do lagostim mas já ando à procura dos melhores lugares no meu lago e se encontrar algum lugar espectacular não vou fazer grande alarido. Porquê? Penso que faz parte. Normalmente vou num pequeno barco a remos e coloco as armadilhas durante a tarde porque a actividade destes deliciosos crustáceos é, geralmente, à noite. Portanto, é uma boa prática verificar as armadilhas mesmo antes de nos deitarmos e de manhã cedo.

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Endro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A parte difícil é apanhar os lagostins, cozinhá-los é bastante fácil. É só limpá-los, cozê-los em água quente com um pouco de sal, açúcar, endro e um pouco de cerveja. Na verdade o endro domina mesa, não é apenas utilizado no caldo, as pessoas também o utilizam para decorar a mesa nas festas/jantares de lagostim. E, se por acaso, tiveres dores de cabeça no dia a seguir, a culpa é do endro e nunca da schnapps. As festas de lagostim começam, normalmente, com uma sopa. Neste caso foi um sopa cremosa de cogumelos chaterelle com fatias finas de rena, cebolinha e pimento preta no topo feita pela minha mulher. Simplesmente delicioso.

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Sopa cremosa de cogumelos Chanterelle – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Para acompanhar a sopa bebemos o Dócil Riesling 2011 da Nieeport. Um vinho branco do Douro, tipo Mosel. Uma harmonização fabulosa, devo dizer! Apesar de o vinho ter mais corpo à volta da espinha do que os seus parentes germânicos, a qualidade de um Riesling do Douro fresco continua bastante elevada. Uma das razões para isto é a altitude das vinhas (800m). Produzir um vinho com tanta frescura e apenas 8% de teor alcoólico não é fácil mas a Nieeport conseguiu-o. Um vinho leve a acompanhar a sopa de entrada foi uma boa maneira de começar o jantar.

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Niepoort Dócil Riesling 2011 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se o lagostim. Uma bandeja de estes diabos vermelhos é uma consolo para os olhos. O preço do lagostim finlandês pode ser muito elevado e, por isso, apanhá-los nós próprios é, não só divertido, mas pode também prevenir a tua carteira de implodir. Comer estes espécimes exige arte, embora existam facas especiais para o lagostim a maior parte do trabalho é feito à mão. As pinças têm no interior um pouco do caldo delicioso e bem como alguma carne. Pode comer-se assim ou com pão e manteiga. Simples e saboroso.

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Bandeja de Lagostins – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois entra a schnapps. E pronto! O ditado popular diz “um schnapps por pinça”. Cada lagostim tem duas pinças e, em média, cada pessoa tem 10 lagostins à frente. Isso significa beber 20 shots de aquavit durante o jantar. O que vale é que nos dias de hoje isso não passa de um ditado. Ainda assim devo dizer que as pessoas bebem mesmo muito nos tradicionais jantares de lagostim. Também há muita cantoria, sendo Helan går! (“Tudo de uma vez”) a canção mais conhecida. A aquavit não tem a melhor das reputações na Finlândia mas não se enganem, existem muitas boas aquaviit por aí fora.

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Linie Double Cask Aquavit – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Uma das minhas favoritas é a Linie Double Cask Aquavit. Tal como os vinhos Madeira antigamente, esta aquavit norueguesa envelhece no mar. Faz duas viagens pelo Equador em cascos de xerez. Esta, em particular, viajou a bordo do M/V “Tamerlane”, de Oslo até Boston e, depois, até Sydney, Singapura, Yokohoma, Panamá e de volta a Oslo. Um aventura e tanto, eh? Depois, quando regressa à Noruega passa por um processo de envelhecimento extra em cascos de vinho do Porto. Tudo somado, 22 meses em casco. Definitivamente não é a maneira mais rentável de produção de bebidas alcoólicas. De qualquer forma é, não só uma das melhores aquavit no mercado, mas também uma das melhores bebidas brancas, ponto final.

Mais uma excelente festa de lagostim. Uma das alturas que anseio sempre todos os anos e que, por sua vez uma, desejo que acabe rapidamente. Aquele endro é letal!