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A Santa Aliança dos Cheesburgers e Vinho do Porto

Texto Ilkka Síren | Tradução Bruno Ferreira

Antes que começem já com “Não, ele não pode ter feito isso”, pensem nisto por um bocadinho. Não é suposto a harmonização de vinho e comida ser uma coisa impossível. E, se pensarmos demasiado na questão corremos o risco de ficarmos entediados pela nossa própria curiosidade. O que vos quero dizer é: fiquem-se pelo simples. Descobrir uma boa harmonização de comida e vinho é, para mim, algo excitante e as regras são, não há regras! Sim, por vezes é preciso arriscar e experimentar algo que normalmente não associamos a certos vinhos. Neste caso foi um cheeseburger com vinho do Porto.

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Cheeseburger e rolha da garrafa acabadinha de abrir – Foto de Ilkka Síren | Todos os Direitos Reservados

Quero desde já deixar uma coisa perfeitamente clara. Eu amo vinho do Porto. Estou sempre a provar todo o tipo de vinhos, cervejas, cidras e bebidas espirituosas e tudo o que tenha o seu quê de <oomph>. Mas nada chega aos calcanhares de um bom vinho do Porto. É simplesmente um incrível e delicioso líquido. Existem muitas comidas boas para acompanhar com vinho do Porto. E, apesar de ser maioritariamente associado a sobremesas, acho que é muito mais gastronomicamente versátil do que isso. Confesso que esta harmonização Hamburger-Porto começou por ser apenas uma semi-intencional tentativa de provocação. Já ouvi pessoas a falar de harmonizações como por exemplo, vinho do Porto e bife suculento com pimentos. Então pensei, porque não fazê-lo com algo ainda mais comum, tipo um hambúrguer. Uma voz dentro da minha cabeça dizia-me que não iria funcionar, mas já aprendi a suprimir esse instinto.

Não quis estar a elaborar muito, sabia que para isto funcionar teria que ser com um cheeseburger, ou melhor, um DOUBLE-cheeseburger. Acompanhar queijo com vinho do Porto é bastante comum e algo de que eu gosto muito. Sempre gostei mais da combinação de sabores doces com salgados do que de doce com doce. Fazer hamburgers não é, normalmente, tarefa complicada, mas a escolha dos ingredientes é a chave para que esta harmonização funcione. Um bom bife com uma pitada de pimenta preta, queijo cheddar – nada dessas porcarias pré-cortadas – e ainda fiz a minha própria maionese de chipotle para conferir um bom sabor picante ao conjunto. Cebola vermelha em conserva para a acidez conferir algo especial e essencial ao hamburger. Nunca esquecendo a verdadeira definição de um bom hamburger: tem de ser possível comê-lo com as mãos.

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Ferreira LBV 2009 – Foto de Ilkka Síren | Todos os Direitos Reservados

Quanto ao Porto, escolhi um LBV Ferreira 2009. Queria algo acessível mas com uma boa estrutura. Este vinho é incrivelmente saboroso. Adoro a sensação na boca, a textura e a fruta inicial com um final picante. Para que esta harmonização funcione, o vinho não pode ser um vinho tímido, tem que ter presença. Este vinho não só tem isso como tem uma excelente relação qualidade/preço e é um exemplo de um bom Porto.

Agora querem saber, certo? Se estava bom? Sim, estava. Pode não ser a combinação mais elegante mas garanto que foi uma das melhores que tive o prazer de saborear nos últimos tempos. Se gostar de cheeseburgers (quem não gosta, certo?) e de vinho do Porto (duh!) então vai gostar desta combinação. Esqueçam por um bocado o snobismo vínico e desfrutem de uma coisa simples mas com comida muito saborosa. A ideia é baixar a fasquia no que toca à experimentação com comidas diferentes. Dito isto, a fasquia da qualidade deve ser sempre elevada. Experimente, e se não gostar experimente uma coisa diferente. Afinal o importante é divertirmo-nos.

Graham’s – Ne Oublie … Um Porto Tawny muito velho

Texto Olga Cardoso

A família Symington lançou um vinho de 1882 para celebrar a chegada do pioneiro da família a Portugal. O nome não poderia ser mais exemplificativo. Ne Oublie – que significa inesquecível ou em inglês, Not Forget ou Unforgerable! Ne Oublie é mais do que um vinho extraordinário, é uma jóia de família, uma relíquia histórica e cultural.

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Estas expressões em francês têm origem muitos séculos atrás. Como exemplo podermos referir o Honi soit qui mal y pense que é uma expressão francesa que significa – Envergonhe-se quem nisto vê malícia, muito usada em meios cultos. Também é o lema da Ordem da Jarreteira, comenda britânica criada pelo rei Eduardo III de Inglaterra, no tempo das Cruzadas. É um dos lemas do Reino Unido, estando estampado na sua própria bandeira.

Diz a lenda que, em 1347, durante um baile, a Condessa de Salisbury, amante do mesmo Eduardo III, perdeu a sua liga, azul. O Rei depressa a recolocou, sob o olhar e sorrisos (cúmplices) dos nobres da corte e terá gritado (em francês, que era a língua oficial da corte inglesa) “Messieurs, honni soit qui mal y pense! Ceux qui rient en ce moment seront un jour très honorés d’en porter une semblable, car ce ruban sera mis en tel honneur que les railleurs eux-mêmes le rechercheront avec empressement.” No dia seguinte terá criado a ordem da Jarreteira, tendo como símbolo uma liga azul sobre fundo dourado, que ainda hoje é a mais prestigiosa ordem do Reino Unido, tendo somente 25 membros e cujo único Grão Mestre é o monarca da Inglaterra.

Não poderia ter provado este vinho em melhor companhia…tão britânica! Até o tempo se colocou à feição! Em solo português, Quinta do Bomfim, Pinhão, Douro, sob um enorme temporal de chuva e trovoada e com dois britânicos. Paul Symington, actual administrador da Symington Family Estates e Sarah Ahmed, a escritora inglesa actualmente mais focada em vinhos portugueses. Aos dois agradeço esta experiência!

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Muitos consideram o seu preço proibitivo – cerca de € 5.500,00. Mas segundo Paul Symington – estamos a falar não só de uma bebida, mas sim de um produto de luxo, raro e exclusivo. “… se o vinho do Porto não consegue ter um produto ao nível da Hermès, da Cartier ou da Louis Vuitton, significa reconhecer que estamos num segundo nível…”!

E estamos seguramente a falar de um produto de nível superior. Um Porto do final do século XIX apresentado num decanter numerado, feito à mão, em cristal soprado, por mestres vidreiros da fábrica portuguesa Atlantis, com três anéis de prata moldados e gravados pelos ourives escoceses Hayward & Stott e guardado numa caixa de couro especialmente desenhada e produzida à mão pela famosa marca britânica Smythson, da Bond Street.

Os Symington são hoje a principal família do vinho do Porto. Líderes de vendas nas categorias especiais, são detentores das marcas Graham’s, Warre’s, Dow’s, Cockburn’s, Smith Woodhouse, Quinta do Vesúvio, Martinez, Gould Campbell e Quarles Harris e possuem mais de 1000 hectares de vinhas no Douro.

Este império e o elo emocional que a família mantém com o Douro, começaram realmente a ser construídos em 1882, quando o escocês Andrew James Symington, então com 19 anos, chegou a Portugal para trabalhar na Graham’s, outra família escocesa já há muito estabelecida no país e que, na altura, se dedicava à fiação de algodão.

E porque sou uma amante da história e de estórias, corro sempre o risco de me tornar entediante para quem me lê. Para abreviar essa parte…importa agora falar do vinho e da minha prova propriamente dita. [Caso pretenda ler sobre outros tawnies da grahms provados neste site poderão consultar o nosso artigo anterior]
Falamos de um vinho encerrado em apenas três pipas, uma das quais deu origem às 656 garrafas agora no mercado.

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Como vinho, encaixa-se na mais pura tradição duriense, a tradição do Tawny, enquanto vinho “generoso” que é guardado em pipas e vai passando de geração para geração. Está na linha do Scion, o vinho com 155 anos que a Taylor’s lançou em 2010 a 2500 euros a garrafa. Apesar do preço elevado, o vinho foi um sucesso e criou um fenómeno de imitação no sector. Num espaço curto de tempo surgiram no mercado vários vinhos do Porto muito velhos a preços nunca vistos. O último a ser lançado foi o Taylor’s Single Harvest 1963, um dos vinhos que esta empresa herdou com a compra, o ano passado, da Wiese & Krohn, uma pequena casa familiar especializada em Porto Colheitas. Também envolvidas num estojo de luxo, cada uma das 1650 garrafas foram postas à venda ao custo de € 3000,00.

Com o Ne Oublie, os Symington colocaram a fasquia num patamar ainda mais alto. Mas, bem vistas as coisas, € 5500,00 – será mais ou menos o preço de uma garrafa de Porto Vintage Noval Nacional de 1963 (sem embalagem de luxo). E há vinhos bastante mais novos franceses, Champanhe, Bordéus e Borgonha — e que não são tão bons – igualmente tão caros. Ne Oublie está longe, pois, de ser uma excentricidade.

São vinhos como estes, exclusivos e apresentados luxuosamente – que elevam o Vinho do Porto ao mais elevado patamar.

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Ne Oublie – © Blend All About Wine, Lda.

Graham’s – Ne Oublie … Very Old Tawny Port
Profundo e hermeticamente concentrado, mostrou uma precisão como nenhum outro. Já provei outros Portos velhos, mas nenhum me impressionou tanto com este. Todos bons, sem dúvida, mas alguns revelam talvez demasiada concentração, excessivo melaço, algumas características exacerbadas ou talvez coisas a mais. Este mostra tudo no sítio. Dizer que se sentem aqui os frutos secos, como as nozes e as avelãs, será já um lugar comum…claro que todos estão presentes! Casca de laranja, algumas notas de madeira velha, algum mel e caramelo. Tudo existe neste vinho tão complexo. Para além disso temos o iodo e as notas de farmácia. A boca é notavelmente avassaladora. Bolas…quanta finura…nunca antes experimentada. Acidez al dente, concentração bem medida, profundidade e complexidade…na medida certa. A característica primordial deste vinho é mesmo a precisão. O mais “certeiro” Tawny alguma vez provado…talvez mesmo um dos maiores exemplares da excelência do DOURO!

Contacts
Symington Family Estates
Travessa Barão de Forrester 86
Apartado 26
4431-901 Vila Nova de Gaia
Portugal
Tel: (+351) 223 776 300
Fax: (+351) 223 776 301
E-mail: symington@symington.com
Site: http: www.symington.com

Burmester Colheita 2001

Texto João Pedro de Carvalho

Passear nas ruas do Centro Histórico de Gaia é como dar um salto atrás no tempo, imaginar a rolagem das pipas pelas pedras da calçada, as enormes salas de estágio onde moram autênticos sonhos por engarrafar. Visitar cada uma das caves é entrar num mundo aparte, apesar do fio condutor que as une, ali mora um silêncio que perdura na história, talvez apenas o sussurro dos néctares divinos que vão estagiando seja o único som que mereça ser ouvido, autênticos pavilhões do conhecimento que se pudessem falar teriam tanto para nos contar, tal a história e segredos que encerram.

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Burmester Colheita 2001 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

A Burmester pertence ao grupo Sogevinus e é um especialista no que toca à categoria de Porto Tawny. Neste caso o que cai no copo é o Burmester Colheita 2001, um vinho de perfil muito novo com todas as vicissitudes que tal acarreta uma vez que a sua complexidade não se aproxima dos patamares alcançados pelos vinhos de maior idade, mantendo da mesma forma o fio condutor tão característico dos grandes Porto Colheita desta casa. Se colocado ao lado de um 20 Anos teremos por comparação um vinho muito mais complexo que resulta da mestria do blend das variadas colheitas que dele fazem parte.

Por aqui o que se encontra é este bouquet menos rendilhado mas ao mesmo tempo ligeiramente evoluído, profundo e intenso, cheio de vida, com notas de avelã e alperce seco. Já a mostrar aquele toque untuoso no palato acompanhado de grande frescura e elegância, numa passagem que deixa boas recordações. O prazer de beber um Porto Colheita dos mais recentes é algo único, ter lado a lado a magia da oxidação com a força da juventude, capaz de ligações fantásticas como por exemplo uma generosa fatia de Bolo Inglês.

Contactos
Avenida Diogo Leite 344
Vila Nova de Gaia
4400-111
Portugal
Tel: (+351) 22 374 66 60
Fax: (+351) 22 374 66 99
E-mail: comercial@sogevinus.com
Site: www.burmester.pt

Quinta do Vallado – Tawnies 30 e 40 anos

Texto Olga Cardoso

Lançados no mercado em finais de 2012, estes Tawnies datados vem confirmar toda a qualidade dos vinhos produzidos pela Quinta do Vallado. Depois da excelência do seu Tawny 20 anos, esta Quinta, anteriormente detida pela lendária D. Antónia Ferreira e actualmente nas mãos da sua 5ª geração, colocou no mercado dois Portos velhos de bela estrutura e tonicidade.

São vinhos plenos de história. Vinhos mantidos pela mestria dos enólogos, que neste caso particular, mais do que fazer…importa não estragar o que o tempo já fez! Vinhos nobres e enaltecidos pela força da evaporação, que lhes confere uma enorme concentração e os transforma quase numa essência.

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Quinta do Vallado Tawnies – © Blend – All About Wine | Todos os Direitos Reservados

TAWNY 30 ANOS 

De cor ambarina com laivos alaranjados, este Tawny mostra-se de fácil empatia. Do encanto do vinagrinho à casca de laranja, das amêndoas torradas à noz-moscada, do figo seco aos pralinés, tudo se desvenda do seu conjunto olfactivo complexo e sedutor. Na boca apresenta-se glicerinado e viscoso. Com uma acidez muitíssimo bem medida, termina intenso e com notável profundidade. Exemplo de verdadeira mestria!

TAWNY 40 ANOS

De ar grave e sério, este Porto datado apresenta uma cor acobreada intensa e escura. No nariz revela notas inflamadas de caramelo, noz, avelã e muito, muito café. Bastante especiado, com evidentes toques de cravinho e canela, mostra-se untuoso, volumoso e aprimorado. Compacto e elegante, exibe uma frescura e uma acidez absolutamente irrepreensíveis. Perfeito para momentos de introspecção e para meditar nas grandes decisões da vida.

Contactos
Quinta do Vallado – Sociedade Agrícola, Lda.
Vilarinho dos Freires
5050-364 – Peso da Régua | Portugal
Phone: +351 254 318 081
Email: geral@quintadovallado.comgeral@quintadovallado.com
Site: www.quintadovallado.com

Porto Colheitas de Excelência

Texto João Pedro de Carvalho

A Quinta do Noval é uma das grandes casas de Vinho do Porto, que não só produz o mais famoso Vinho do Porto Vintage, o lendário “Nacional”, como é também a única casa cujos vinhos são exclusivamente single vineyard (i.e., “Quinta”).

A história da Quinta do Noval remonta a 1715, altura em que o seu nome surge pela primeira vez nos registos. A área total de cento e quarenta e cinco hectares, que domina o Vale do Pinhão (Cima Corgo), constitui a essência e a alma da Quinta do Noval. Em 1894 (após a devastação causada pela filoxera) a Quinta foi comprada pelo ilustre comerciante António José da Silva. Da Silva deu uma nova vida à Quinta do Noval, com a replantação dos cento e quarenta e cinco hectares de vinha (classificada com letra A), com porta-enxertos americanos. Em 1925, uma muito pequena parte de vinha no coração da Noval (dois hectares) foi selecionada para a tentativa de manter a vinha indígena Portuguesa em porta-enxerto Português (Nacional) como um experimento. O primeiro vinho a ser produzido e vendido resultante destas jovens vinhas foi o Quinta do Noval Nacional Vintage 1931, considerado o mais sensacional Porto do século XX.

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Quinta do Noval © Blend All About Wine, Lda

O trabalho de António José da Silva foi continuado pelo seu genro, Luiz Vasconcelos Porto, que geriu a empresa durante 30 anos, tendo-se aposentado em 1963. Autor de um vasto programa de inovações, transformou os antigos socalcos estreitos em socalcos mais largos, característica distintiva da Noval, com as suas escadas caiadas de branco.
O estêncil nas garrafas foi pela primeira vez introduzido pela Noval em 1920, tendo sido também pioneira no conceito de Tawnies com indicação de idade (10, 20 e 40 anos) e a primeira casa a lançar um late-bottled vintage: 1954 Quinta do Noval LBV.

Em anos excecionais, determinados lotes de vinho com grande potencial de envelhecimento são postos de lado e colocados em barricas. Apenas em determinado momento a Noval decide engarrafar parte dessas Colheitas. O resto é mantido em barricas onde o vinho irá ganhar toda uma nova dimensão em fases posteriores do seu envelhecimento. Os Porto Colheita da Noval são verdadeiras raridades, combinam requinte e elegância, sendo a expressão máxima dos Tawnies com idade e tal como um Porto Vintage assumem as características específicas do respetivo ano de colheita. A legislação exige um estágio mínimo de sete anos em casco, embora na Quinta do Noval apenas sejam comercializadas após 10 a 12 anos de envelhecimento.

António Agrellos, o diretor técnico da Quinta do Noval desde 1994 e um dos grandes “Wine Blenders” do vinho do Porto, conduziu-nos num fantástico passeio pelos Colheitas da Quinta do Noval.

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Quinta do Noval Colheita 2000 © Blend All About Wine, Lda

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Quinta do Noval Colheita 1995 © Blend All About Wine, Lda

Quinta do Noval Colheita 2000

Mostra toda a classe de um Tawny jovem e cheio de vida, com espírito adolescente, que nos conquista pela energia e presença. Exibe uma boa complexidade, com um bouquet intenso e bem definido, fruta cristalizada, nozes e tabaco, num conjunto jovem, fresco e revigorante. Complexo e doce no palato, fresco e preciso, revela uma estrutura elegante e um final harmonioso e persistente.

Quinta do Noval Colheita 1995

Um tawny a caminho da fase adulta, numa nova dimensão com aromas mais evoluídos e de maior complexidade e profundidade. Bem definido nos aromas, mostra uma bonita complexidade, caramelo, frutos secos (nozes e avelãs), especiaria doce, fruta cristalizada (laranja, limão, damasco). Corpo médio, elegante, untuosidade e boa acidez, tudo num final longo e persistente.

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Quinta do Noval Colheita 1976 © Blend All About Wine, Lda

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Quinta do Noval Colheita 1971 © Blend All About Wine, Lda

Quinta do Noval Colheita 1976

Um vinho temperamental que nasceu na era do Punk Rock. Envolto em rebeldia, é certamente o vinho mais exótico da prova ao melhor estilo Ramones. Hey! Ho! Let’s go! – The Anthology. Muito boa complexidade, caixa de charutos, resina, frutas secas e caramelo. Medianamente encorpado e persistente na boca, suave como seda, apresenta nuances de especiarias num longo final.

Quinta do Noval Colheita 1971

A saudade exprime um sentimento muito próprio quando sentimos falta de algo de que gostamos. Este é um daqueles vinhos que deixa saudade. Pura sedução, dominado por uma encantadora complexidade, especiarias, caramelo, passa de uva e frutas cristalizadas. No palato é de uma enorme riqueza e elegância, tem uma frescura fantástica que o envolve com notas de especiarias num final longo e persistente. Um vinho fantástico.

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Quinta do Noval Colheita 1964 © Blend All About Wine, Lda

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Quinta do Noval Colheita 1937 © Blend All About Wine, Lda

Quinta do Noval Colheita 1964
Tal como em 1964 as admiradoras de bandas como Beatles ou The Rolling Stones saltavam e gritavam de entusiasmo, ao provar este vinho apeteceu-me fazer exatamente o mesmo. Intrigante e ao mesmo tempo conquistador, mostra-se dominado por uma refinada complexidade, aroma delicado e pleno de harmonia, com notas de nozes, passa de uva e da madeira velha onde estagiou. Apeteceu-me ficar toda a tarde a cheirar este vinho. Boca de grande nível, quase veludo, cheio e saboroso, com enorme frescura para a idade que tem e com um final muito longo. Espectacular.

Quinta do Noval Colheita 1937

O ano de 1937 foi marcado pela coroação do Rei George VI de Inglaterra, data em que a ponte Golden Gate (São Francisco) foi também inaugurada e J. R. R. Tolkien publica ‘The Hobbit’. Apenas um vinho como este poderia estar à altura de tamanhos acontecimentos. Estrondoso tawny velho a mostrar uma fantástica complexidade, fruto seco, grande definição, especiarias, marmelada, caixa de tabaco e madeira velha. Palato luxuoso, com uma belíssima acidez. Tudo muito equilibrado com camadas de sabor que nos guiam num final interminável e sedutor.

Contactos
Quinta do Noval Vinhos, SA
AV. DIOGO LEITE, 256
4400 – 111 VILA NOVA DE GAIA
Portugal
Tel: (+351) 223 770 270
Fax: (+351) 223 750 365
Email: noval@quintadonoval.pt
Website: www.quintadonoval.com

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Prova de Tawnies datados (10,20,30 e 40 anos) e Colheitas (1982, 1969 e 1952)

Texto Olga Cardoso

A Graham’s, marca pertencente à Symington Family Estates, foi fundada em 1820 por W & J Graham e desenvolveu com o passar dos anos uma notável reputação como uma dos maiores produtoras de Vinho do Porto.

Se o vinho é uma forma de arte, os Portos com indicação de idade são seguramente uma das suas mais puras expressões. Da arte do envelhecimento, da arte da tanoaria e da arte da lotação, nascem Tawnies velhos absolutamente arrebatadores. Encontram-se entre os mais desafiantes estilos de Porto e exigem muito de quem os faz e produz. São fruto da perícia e do saber, da paciência e da minúcia, da dedicação e da entrega.

Encontrar o equilibrio correcto entre a elegância e a delicadeza que resultam do prolongado envelhecimento em casco, preservando simultaneamente a frescura e o sabor da fruta, é a missão que se impõe ao enólogo e a combinação que confere a estes vinhos toda a sua estrutura e longevidade. Os Tawnies datados são acima de tudo vinhos únicos e eruditos, que nos desafiam os sentidos e nos estimulam a razão.

Os Porto Colheita, dos quais sou uma fã assumida, são vinhos que exprimem a excelência e a magnitude de um só ano. Neste encontro, foram três os Colheitas provados, 1982, 1969 e 1952. Décadas de evaporação, conferem aos Colheitas mais antigos enorme concentração, até os transformar quase numa essência, originando intensos e profundos aromas a frutos secos e um paladar denso e untuoso, repleto de sabores ricos e complexos.

Portos Colheita são vinhos nobres e requintados, verdadeiros símbolos de prestígio e tradição. No meu caso particular, são vinhos que me entusiasmam, que me emocionam e que me remetem para uma outra dimensão! São vinhos que carregam consigo o peso da História, vinhos que encerram em si mesmos o Sonho dos Homens e que a cada trago nos reforçam o orgulho de ser Português!

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10, 20, 30 & 40 Years Old Tawnies © Blend All About Wine, Lda

 

TAWNY 10 ANOS, Douro

Conta no seu curriculum com duas medalhas de ouros atribuídas pela Decanter World Wine Awards e diversas medalhas de prata conferidas noutros prestigiados concursos. É, de facto, um dos melhores vinhos da sua categoria. Notas caramelizadas, intensas sensações de nozes, tâmaras e figos secos marcam o seu bouquet. Fruta rica e madura, associadas a notórias sensações de mel, proporcionam-lhe um paladar aveludado e um final macio e sedoso.

TAWNY 20 ANOS, Douro

Aroma simultaneamente delicado e intenso, revela a presença de frutos secos, como nozes e avelãs, combinados com notas de casca de laranja, tudo muito afinado e requintado. Na boca mostra-se redondo e concentrado, equilibrado e harmonioso, terminando com um final longo e elegante. Um vinho onde poderemos encontrar tudo o que se espera de um Tawny 20 anos!

TAWNY 30 ANOS, Douro

Complexo e magnífico, apresenta uma camada de frutos secos, casca de laranja, mel e compota de pêssego. A boca é plena, rica e muito limpa. As notas de mel e caramelo fazem-se sentir com alguma evidência, conferindo-lhe uma textura aveludada e intensa. Concentrado e com notável acidez, o seu final é longo e impressionantemente persistente.

TAWNY 40 ANOS, Douro

A sua cor apresenta já uns laivos esverdeados, consequência da elavada idade dos vinhos que lhe deram vida. O seu nariz é intenso, complexo e com marcada profundidade. Caramelo, pralinés, mel e até chocolate fazem-se evidenciar. A boca é densa, volumosa e portentosa. A sua acidez equlibrada e o seu acentuado comprimento, conduzem-no para um final longo e requintado.

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Porto Colheita 1982 & 1952 © Blend All About Wine, Lda

 

PORTO COLHEITA 1982, Douro

A Graham’s celebrou o nascimento do Príncipe George de Cambridge com uma Edição Especial de Vinho do Porto. Um Porto Colheita de excepção, 1982, o ano de nascimento do Duque e da Duquesa de Cambridge. Foi envelhecido durante mais de 30 anos em cascos de carvalho nas Caves 1890 da Graham’s em Vila Nova de Gaia e resultou da selecção de apenas seis cascos, levada a cabo por Charles Symington, principal provador e director de enologia.

Rico em frutos secos, com acentuadas notas caramelizadas e figos secos, revela uma boca aveludada, com taninos sedosos e sensações especiadas. O seu final é doce, longo e deliciosamente persistente.

PORTO COLHEITA 1969, Douro

É um Porto de um engarrafamento especial de apenas seis tonéis da colheita de 1969, produzindo cada um apenas 712 garrafas numeradas. Charles Symington provou cada um dos 21 barris de 1969 que ainda estão em envelhecimento nas caves da Grahams e selecionou as seis por ele consideradas excepcionais.

O seu nariz é uma verdadeira explosão de aromas. Nozes, caramelo, pau de canela, algum verniz e até folha de tabaco, aroma que me fez recordar uma marcante visita a uma fábrica de charutos em Havana. A boca é intensa e sedutora, denotando frutos cristalizados e especiarias exóticas, remetendo-me agora para os meus longos passeios pelas medinas de Tunis e Marrakech. Complexo e concentrado, este Colheita, termina intenso, focado e poderoso

PORTO COLHEITA 1952 – Jubileu de Diamante, Douro

Vinho do Porto de excepcional qualidade, especialmente seleccionado para comemorar o Jubileu de Diamante de Sua Majestade a Rainha Isabel II. Testemunhando seis décadas do reinado da soberana Britânica, este foi o vinho com o qual se fez o brinde real no final do almoço comemorativo. É, por essa razão, um motivo de grande orgulho para a família Symington, que tão sabiamente se decidiu pelo lançamento deste Colheita por associação a tão nobre efeméride.

Com uma extraordinária intensidade aromática, apresenta frutos secos, delicadas tâmaras Marroquinas, raspas de laranja e notas especiadas de noz moscada e cravo-da-índia. A boca é intensa e magestosa, com uma frescura assinalável e uma acidez mordaz. Verdadeiro hino ao equilíbrio e à harmonia estrutural. Para uns um adagio, para outros um allegro vivace, este Colheita é acima de tudo, um vinho ímpar, aristocrático, tremendamente concentrado e complexo. Um Porto grandioso e sibilino, pleno de matizes e nuances, verdadeiro exemplar da excelência vínica que o Douro e o Porto conseguem alcançar.

Contacts
Graham’s Porto
Vila Nova de Gaia
Portugal
Tel: (+351) 223 776 484 / 485
Email: grahams@grahams-port.com
Website: www.grahams-port.com