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Arrepiado Velho, a paixão dum casal do norte, no Alentejo…

Texto José Silva

Fica perto de Sousel esta propriedade que um dia um casal, que veio do norte, resolveu comprar.

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A Casa Principal – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois foi a reconstrução de alguns edifícios, sobretudo a casa principal, dando-lhe o conforto necessário para ali até poderem viver. Vinhas plantadas e foi um saltinho até à produção de vinho, com a ajuda preciosa do enólogo e amigo António Maçanita e a mestria na viticultura do já saudoso David Booth.

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A Adega – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Embora haja vontade de construir uma nova adega, a que existe tem todas as condições e a moderna tecnologia, onde as uvas são trabalhadas e os vinhos preparados e onde vão repousar até à ocasião do engarrafamento.

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Rótulos Muito Fora do Vulgar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Entretanto o António, filho do casal, e a sua mulher Marta, foram-se dedicando à comercialização dos vinhos, tendo a Marta, que trabalha em design, criado os rótulos, muito fora do vulgar, mesmo únicos e que distinguem as garrafas do Arrepiado Velho de quaisquer outros.

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Marta Neto e António Antunes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E de tal maneira se envolveram no projecto, que tomaram a decisão de ir viver para o Alentejo e dedicarem-se a tempo inteiro à produção e comercialização destes vinhos de qualidade, mantendo a Marta uma ligação á actividade de design. Mesmo apesar de terem dois filhos pequenos, mas que ali têm uma grande qualidade de vida a que se adaptaram lindamente.

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Lagoa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A herdade tem vindo a evoluir, com uma lagoa que serve para reter a água de que as vinhas necessitam, mas que também é utilizada para lazer e dar um passeio nas simpáticas gaivotas. Os mais de 30 hectares de vinhas estão particularmente bem tratadas, muito cuidadas e o olival produz algum azeite de qualidade. Em breve querem plantar mais alguma vinha, a juntar às castas já existentes: Antão Vaz, Verdelho, Chardonnay, Viognier e Rieseling nas brancas e Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon and Petit Verdot,nas tintas.

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O Enoturismo é uma Realidade – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com alguns quartos disponíveis e uma bela piscina, o enoturismo já é possível no Arrepiado Velho, embora ainda queiram fazer melhor. Nos pequenos almoços e nas refeições encomendadas, são utilizados muitos dos produtos que ali se produzem e outros adquiridos na região, numa oferta das tradições alentejanas.

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As Vinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Num passeio pela herdade as vinhas estão por todo o lado, entrecortadas aqui e ali pelas oliveiras e algumas azinheiras.

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Laranjeiras – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Os Cães – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Há também laranjeiras tradicionais e, sempre a acompanhar os visitantes, os cães que vão brincando por ali.

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Lareira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No jantar que apreciamos, com a lareira a crepitar, que à noite ainda faz frio, tivemos mesa farta.

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Pão Regional – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Azeitonas e Azeite – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O pão regional, delicioso, a fazer companhia às azeitonas e para molhar no azeitinho.

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Tábua de Enchidos e Queijinho Fatiado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E uma tábua de enchidos e queijinhos fatiados a que não se resistiu. Entretanto já rolava pelos copos o branco Antão Vaz 2014, que surpreendeu pela frescura, aroma com alguns frutos tropicais sem ser exuberante, bom corpo e acidez muito equilibrada.

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Os Vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Logo seguido do Arrepiado Branco 2014,  fresco no nariz, com algum ananás, algo mineral, boa acidez, bastante equilibrado.

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Tomate Recheado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se um tomate recheado muito saboroso e guloso, e passou-se a um surpreendente Branco Rieseling, com notas muito frescas de citrinos, ananás, toranja, manga. Na boca é muito elegante e persistente, mantendo a frescura, um vinho muito giro.

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Deliciosos Cogumelos Salteados – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E foi a vez do Arrepiado Velho Rosé, feito a partir de Touriga Nacional e Syrah, com algum floral no nariz, muito fresco, boca intensa e cheia, notas de frutos vermelhos maduros com muita elegância, que fez boa companhia a uns deliciosos cogumelos salteados, carnudos, bem temperados. O primeiro tinto foi o Brett Edition 2011, com aromas evoluídos, tabaco, couro e algumas especiarias, volumoso na boca, redondo, elegante, persistente, um vinho diferente.

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Borrego Assado com Arroz Malandrinho de Grelos e Chouriço- Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Que fez companhia a um borrego assado com arroz malandrinho de grelos e chouriço, óptimo. Terminamos com um soberbo Tinto Arrepiado Velho Collection 2011, cheio de classe e de frutos pretos , notas de tabaco, levemente balsâmico no nariz, volumoso na boca, notas de fumo, chocolate, frutos pretos maduros e final muito longo. E já não houve lugar para a sobremesa.

Naquele sossego, o sono foi profundo e longo…

Contactos
Herdade do Arrepiado Velho
Tel: (+351) 256 392 675
Fax: (+351) 256 392 676
E-mail: amantunes@arrepiadovelho.com | mneto@arrepiadovelho.com
Website: www.arrepiadovelho.com

Quinta do Ortigão, da Bairrada para o Mundo

Texto João Pedro de Carvalho

A Bairrada está diferente, no reino da Baga surgem ventos de mudança com parte dos novos produtores a fugir ao registo mais tradicional que terá por sua vez afastado muito consumidor dos vinhos da região. Na verdade o perfil mais clássico da Bairrada nem sempre fácil não consegue cativar no imediato, é preciso na maioria dos casos tempo de guarda e isso é coisa que nos dias de hoje o consumidor não pretende fazer. Quem compra um vinho quer tirar todo o prazer o mais rapidamente possível, por isso é necessário oferecer vinhos mais prontos a beber cujo perfil seja mais adequado aos tempos modernos sem que a identidade/imagem da região saia beliscada.

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Quinta do Ortigão – Foto de Quinta do Ortigão | Todos os Direitos Reservados

São já poucos os que ainda se orgulham em manter aquele perfil mais clássico e que deu fama à região, enquanto outros enveredam com os seus vinhos por um caminho de diferentes aromas e sabores apostando em castas mais reconhecidas internacionalmente como Sauvignon Blanc, Chardonnay, Merlot, Pinot Noir ou Cabernet Sauvignon, sem por isso deixarem de lado as tradicionais Bical, Arinto, Maria Gomes e Baga.

A marca Quinta do Ortigão surge no início do ano 2001 por decisão familiar, onde aliando o saber acumulado de três gerações se apetrechou com uma moderna e bem dimensionada adega. Tive a oportunidade de provar os dois últimos lançamentos deste produtor cujos vinhos são criados pelo reconhecido enólogo Osvaldo Amado.

Quinta do Ortigão Arinto/Bical 2014 Ortigão Reserva 2010

Quinta do Ortigão Arinto/Bical 2014 & Ortigão Reserva 2010 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Quinta do Ortigão Arinto/Bical 2014 é um vinho que se mostra muito preciso de aromas com especial destaque para a fruta que surge bem madura e muito limpa, citrinos e fruta de polpa branca, perfume floral a juntar-se ao travo mineral que domina todo o segundo plano. Já de si bastante agradável, no palato torna-se ainda mais convincente e prazenteiro, frescura acentuada sempre com uma estrutura bem firme, fazem a ligação perfeita com por exemplo, um spaghetti marinara.

Com a prova do Ortigão Reserva 2010 deixamos de ter um Bairrada e passamos a ter no copo um Regional Beira Atlântico; que estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho Português. O resultado é um tinto muito apelativo, convidativo e fácil de se gostar. Com tudo muito bem arrumado nada destoa nem fica fora de contexto, fruta madura e saliente com toque de arredondamento conferido pela madeira. Na bonita complexidade que tem, acrescenta ainda um ligeiro travo vegetal na companhia de especiarias em fundo. Na boca o pendor gastronómico destaca-se ao primeiro sorvo, uma saudável e ligeira ponta de austeridade com fruta a explodir de sabor num final longo com boa dose de especiarias, onde a frescura está bem presente. Agradou a todos os que estavam à mesa fazendo muito boa ligação com uma clássica Shepherds’ pie.

Para mais vinhos da Quinta do Ortigão veja o artigo anterior do Ilkka’s Sírén aqui.

Contactos
Apartado 119, 3780-227 Anadia
Tel: (+351) 231 503 209
E-mail: allemos@quintadoortigao.com
Facebook: facebook.com/Quinta-do-Ortigão
Site: www.quintadoortigao.com

Se Está Destinado, Está Destinado

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Era o Verão de 2009. Estava a trabalhar em Bierzo, Espanha, no transporte da uva das vinhas para a adega. Para mim era o realizar de um sonho. Quer dizer, só o facto de poder trabalhar ao ar livre, nas vinhas, algo que na Finlândia é impossível, foi uma experiência fantástica. Sempre que tinha fins-de-semana de folga costumava pedir emprestado o carro aos meus amigos e descia até ao Vale do Douro. Já conhecia o local de lá ter trabalhado em vindimas anteriores, em 2008. A viagem de ida e volta entre Bierzo e o Douro, duas das minhas regiões vitivinícolas preferidas, continua a ser uma das memórias que guardo com mais carinho. Vinho, comida, viajar, sem mulher e sem filhos. Só eu e o meu saca-rolhas. Noites longas e memórias tremidas de pessoas a decantar uma garrafa de vinho do Porto Taylor’s 1966 Vintage através de um espremedor de limões. Uma espécie de casa de fraternidade, recheada de jovens aspirantes a enólogos. Bons tempos. Não é que me esteja a queixar da minha vida actualmente, mas sabem como é… Nessa altura já estava completamente apaixonado pelo Douro e planeava mudar-me para lá um dia.

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Taylor’s 1966 Porto Vintage – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Decantar vinho do Porto Através de Um Espremedor de Limões – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Mas estar longe de casa durante longos períodos de tempo não é fácil. Terminei tudo com a minha namorada de longa data antes de fazer a mala e viajar para Bierzo, como errante do vinho que sou. A Finlândia estava no meu retrovisor e pensei, já está, é isto. Como estava errado! É como dizem; a ausência faz o coração gostar mais. E não demorou muito até me aperceber o quão idiota fui por ter deixado a minha namorada para trás. O clássico idiota. Por sorte, antes de terminarmos, ela tinha comprado um bilhete para Espanha e não queria perder a oportunidade de fazer uma boa viagem, e então decidimos que seria bom ela vir visitar-me a Bierzo. Vi a minha segunda oportunidade, a oportunidade de corrigir as coisas. Sabia que não queria viver a minha vida sem ela e comecei a planear o pedido de casamento.

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Bierzo em 2009 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Uma semana antes da minha então ex-namorada vir a Bierzo, fui dar uma volta ao Douro à procura de locais onde pudesse fazer o pedido. Queria que fosse especial, e mais especial que o Douro não existe. Conduzi durante um dia inteiro, a visitar vinhedos à procura do sítio perfeito. Nessa noite dormi no carro, no Pinhão, junto ao rio, porque não tinha onde ficar e precisava do dinheiro para poder ter gasolina para a nova viagem ao Douro na semana seguinte. Mas a missão de reconhecimento foi um sucesso porque encontrei um vinhedo fantástico, com uma vista magnífica para o rio. Na semana seguinte fazia esse mesmo percurso, Bierzo-Galiza-Douro, ao lado da minha futura mulher. Ela só ainda não o sabia.

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Vale do Douro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Para encurtar um pouco esta longa história, levei-a àquele lugar especial, fiz o pedido e ela disse que sim. Escusado será dizer que a nossa relação pessoal e a nossa relação com o Vale do Douro ficaram profundamente interligadas. Nessa noite ficamos no acolhedor hotel rural da Quinta do Pégo. Como não tinha um anel para lhe dar, fomos ao Porto no dia seguinte. Depois de procurar um bocado, comprei basicamente o anel de “prata” mais barato que consegui encontrar em Vila Nova de Gaia. Já sei, sempre a manter a classe… Mas toda a viagem foi única, divertida e foi também uma maneira fantástica de começar a nossa vida a dois. Devemos muito disso a Portugal.

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Ponte de D. Luís – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Há algumas semanas, por uma qualquer bizarra coincidência, o meu sogro deu-me a provar um vinho às cegas, coisa que raramente faz. Provo-o. Definitivamente um vinho do Porto, provavelmente um LBV. Mas quando vi que o vinho era, na realidade, um Quinta do Pégo LBV 2009… a mesma quinta em que ficamos quando pedi a minha mulher em casamento e a colheita desse ano. Não faço ideia onde o meu sogro arranjou aquele vinho, além de que ele não sabia qual era a quinta, portanto, foi pura coincidência… Ou será que não? De qualquer forma, trouxe à tona todas aquelas memórias, qual potenciador vínico de memória! O vinho? Denso, frutado e tânico. O típico LBV jovem. Precisa de alguns anos para se abrir. Mas mais do que isso, este vinho foi bom para relembrar que um vinho não precisa de ser sempre o mais caro ou o melhor para nos tocar. Apesar de ser um LBV normalíssimo, é um dos melhores LBVs que já provei. Fez-me realmente feliz.

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Quinta do Pégo 2009 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Contacts
Hotel Rural Qta. do Pégo
Valença do Douro
5120-493 Tabuaço
Tel. + 351 254 73 00 70
Fax + 351 254 73 00 79
E-mail: info@quintadopego.com
Website: www.quintadopego.com

Vintage Taylor’s no topo da bolsa de valores

Texto João Barbosa

O meu pai era artista plástico, pintor. Para ele, os investidores eram um híbrido de pessoas com síndrome de Diógenes e de agiotas. Contudo, esta sentença não aplicava a todos.

Ir com o meu pai a um museu tinha tanto de fascinante quanto de aborrecido. Cativante nas palavras, mostrava o que muitos não viam. Depois fixava-se unicamente na obra, para dela colher o máximo de informação e prazer, e tornava-se…

– Pai, ainda vai demorar muito? Não podemos passar à outra sala?

O meu pai tem obras em museus, galerias privadas e espólio de investidores. O que irritava o meu pai não era o dinheiro, mas a escuridão dos cofres e a especulação post mortem.

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Pablo Picasso in web.guggenheim.org

O meu amigo Manuel Jorge recontava que os descendentes de Pablo Picasso destruíram imensas obras depois de este andaluz falecer, para que se desse uma valorização. Chocava-o o cinismo, oportunismo, desrespeito pelo artista e, sobretudo, pelo homem.

Os investidores, dividia-os em dois grupos: os que mostravam publicamente as obras e os que se limitavam em pô-las em cofres. Eram, os segundos, que magoavam – é o termo.

Convenceu-me, em parte. Há uma certa velhacaria na compra e açambarcamento de produtos únicos, cujo valor ou interesse não respeitam, importando apenas a mais-valia. São os compradores de assinaturas.

Os maiores investidores são peritos e/ou têm especialistas que os aconselham. Ainda assim, sabe-se que há fraudes. Não contrafacções, é crime relativamente fácil de topar, mas falsificações, obras originais que convencem os olhos entusiasmados dos especialistas.

É assim com a arte como com o vinho. Não tenho qualquer complexo em relação ao negócio – tal como o meu pai – julgo que fui claro. O negócio existe, e ponto final.

Tenho um amigo que surfa no mundo dos vinhos. Não faz qualquer batota, apenas o que qualquer negociante quer: comprar cedo, para obter melhor preço, e vender quando há mais-valia.

Não é o único, o processo é simples e «só» exige capital inicial. Compra Bordéus e Borgonhas em primor e desfaz-se deles quando a cotação lhe dá ganhos. Guarda uma ou duas garrafas para si e com o restante ganho aplica na compra de futuras colheitas.

Este meu camarada é um «bom» investidor, usufrui do que compra e ganha dinheiro. A «malvadez» dos outros é uma a avaliação é subjectiva.

Sejam «bons» ou «maus», procuram bons negócios. É bom saber que há vinhos portugueses considerados como investimento seguro.

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Top 20 Performers in the Rest of the World Index in www.blog.liv-ex.com

índice Live-ex Fine Wine 1000, da revista The Drink Business, tem estado em baixa, mas os Taylor’s empurraram 3,2% o sub-índice Rest of the World 50. Os Bordéus valorizaram-se 1,1%.

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Taylor’s Vintage Port 1994 in www.taylor.pt

O vinho mais caro do Rest of the World 50 é um Taylor’s, tal como o terceiro, quarto, sétimo e 13º. Infelizmente, no top 20 não há mais vinhos portugueses. O Vinho do Porto Vintage de 1994 da Taylor’s lidera os ganhos, com uma progressão de 41,4%, entre Julho e Fevereiro. O 13º da lista, de 2007 e também da mesma casa, valorizou-se 10,3%.

Contactos
PO Box 1311
EC Santa Marinha
4401-501 Vila Nova de Gaia
Portugal
Tel: (+351) 223 742 800
Fax: (+351) 223 742 899
Website: www.taylor.pt

Maçanita – Irmãos e Enólogos

Texto João Pedro de Carvalho

Depois do destaque feito pela Sarah Ahmed acerca do enólogo António Maçanita, ver aqui, destaco agora o seu projecto a meias com a sua irmã também enóloga, Joana Maçanita, em terras do Douro. Joana e António há muito tinham um sonho de criar um vinho em conjunto onde fosse possível mostrar o caráter e personalidade de ambos, um vinho “à Maçanita” onde o carácter frutado é nota predominante. A oportunidade surgiu em 2011 pelas terras do Douro, onde Joana  realiza parte da sua atividade profissional.

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Joana Maçanita e António Maçanita – Foto Cedida por Maçanita Wines | Todos os Direitos Reservados

Por enquanto centramos atenções nos Maçanita, cujas três vinhas que lhes dão origem foram cuidadosamente escolhidas para enquadrarem o perfil de vinhos mais desejado pelos dois irmãos. As vinhas do Henrique e do Sebastião encontram-se no Douro, sub-região do Cima Corgo, perto do Pinhão, de onde saem as uvas da casta Touriga Nacional e Tinta Roriz para elaboração do Maçanita tinto 2013. Um vinho onde 50% do lote, estagia durante 8 meses, em barricas novas de carvalho francês. O resultado é um tinto que combina de forma harmoniosa a frescura com a presença da fruta, bem carnuda e sumarenta, mostrando boa presença. Sem mostrar ter uma grande complexidade, até porque neste vinho é a fruta que domina todo o conjunto, com ligeira sensação em fundo da madeira por onde passou. Na boca é fresco, a marcar presença desde o início com a fruta muito marcada, algum arredondamento que contrapõe com ligeira austeridade a fazer-se notar no final, por entre fruta e especiaria, num perfil gastronómico a pedir para acompanhar carne no forno.

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Maçanita branco e tinto 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Já o branco, direi que foi uma belíssima e refrescante surpresa também da colheita de 2013. Vem de perto da Régua em Poiares, onde se encontra a Vinha da Margarida, situada a 650 metros de altitude, com as castas Viosinho, Gouveio e Malvasia Fina. Com a passagem apenas a ser feita no frio do inox, algo tenso mas muito limpo e definido de aromas centrados nas castas e sem grandes divagações, notas de citrinos em harmonia com aromas florais, um perfume que o torna muito atraente ao mesmo tempo que a frescura o embala. No palato é convincente, cativante, com a acidez a envolver toda a boca numa muito boa harmonia entre fruta/flores e uma mineralidade marcante no final.

Contactos
Quinta da Poça 5085-201 Covas do Douro Pinhão
Tel: (+351) 213 147 297 / 919 247 318
Fax: (+351) 213 643 018
Email: geral@macanita.com
Website: www.macanita.com

Vinha d’Ervideira Antão Vaz Vindima Tardia 2013

Texto João Barbosa

O ódio é uma coisa feia. Além de criar verrugas no nariz, entortar as unhas dos pés e azedar o fígado, o ódio não constrói nem ajuda. Vejam-se os casos da intolerância fanática e terrorista. É um exemplo fácil e actual, já bastante nas notícias.

Alguém disse que um homem sem inimigos não tem préstimo. Discordo e inverto: um homem sem amigos é que não tem valor. Porém, ninguém é só mau ou só bom. Vou escrever sobre gente e de suas peripécias de gostos. Um debate civilizado é delicioso, sobretudo quando não é uma mera troca de palavras, retórica de confronto e ausência de pensamento. Há casos inexplicáveis, que são também interessantes para conversar.

Tenho uma quezília! Uma guerra quixotesca contra a casta antão vaz. Sinceramente, se tantos agricultores a cultivam é porque são muitos os seus apreciadores. Quem estará «errado» serei eu. Um amigo tem ataques epilépticos – metáfora – se pressente a cabernet sauvignon, comigo é essa uva com nome de pessoa.

Sou um bocado extravagante, por isso tenho arrufos românticos, que noutros tempos levariam a duelo de sabre, contra a antão vaz. É giro fazer género, como as mocinhas adolescentes sorrindo nervosas quando cruzam o olhar com o rapaz mais giro da escola… que era eu!

Como cavalheiro defendendo uma dama ofendida – os prazeres do olfacto e do paladar – sou peremptório:

– Odeio a casta antão vaz! Essas vinhas deviam ser todas arrancadas e os campos higienizados. Quem fosse apanhado com um pé de vinha dessa «coisa» deveria sofrer castigos corporais em campos de reeducação.

Não odeio! Sei – aprendi no ano passado – que há palavras muito perigosas: nunca, sempre, tudo, nada, todos, nenhum…

Numa visita recente à Adega da Ervideira, situada muito perto do burgo medieval de Monsaraz, fui obrigado a engolir uma série de insultos que dirigi à antão vaz. Engolir, literalmente.

Esta casta branca é talvez a mais apreciada do Alentejo. Quase sempre (para mim) pesada, excessiva, enjoativa, cansativa e rústica. Defeitos que os apreciadores admitem existirem em alguns vinhos. Todavia, os alentejanos «descobriram» a arinto e o resultado final é superior à simples soma aritmética.

Mas do que quero dar conta é dum monovarietal de antão vaz, que está na garrafeira de Deus… é um vinho do Diabo. Este é o segundo antão vaz – o outro também monocasta (Solista 2010, Adega Mayor, pelo enólogo Paulo Laureano) – que me dá prazer.

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Vinha d’Ervideira Antão Vaz Vindima Tardia 2013 in wonderfulland.com/ervideira/

Vinha d’Ervideira Antão Vaz Vindima Tardia 2013 tem uma frescura impressionante, nervo, doçura sem enjoo, é racing. Enche a boca, onde liberta aromas e chega longe, profundamente e com tempo.

Só referi este por causa da minha zanga com a antão vaz e pela surpresa de ser uma colheita tardia, sem botrytis. Porém, há uma gama com alternativas e com o traço comum da qualidade e da facilidade com que agradam. Nélson Rolo é o enólogo responsável pelos vinhos da Ervideira.

Já agora… vale a pena ir à Herdadinha, propriedade onde se situa a Adega da Ervideira, e entrar nas brincadeiras do enoturismo. Culminam em Monsaraz, com vista para o lago de Alqueva… Lindo! Mas tenho saudades de quando aquele mar não estava ali… suspiro, conformado.

Contactos
Adega Ervideira
Herdadinha – Vendinha
Reguengos de Monsaraz
PORTUGAL
el: (+351) 266 950 010
Fax: (+351) 266 950 011
E-mail: ervideira@ervideira.pt
Website: www.wonderfulland.com/ervideira

Olho no Pé: A coragem de ir onde nunca outro homem foi

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

No meu último artigo sobre o Douro disse “procurai e achareis”, porque nenhuma outra região portuguesa pode certamente gabar-se de ter uma tão rica diversidade de terroirs? Na realidade,  se procurarmos bem podemos até descobrir vinhos doces no Douro. É claro que não estou a falar de vinho do Porto. Estou a falar de vinhos de sobremesa influenciados por colheita tardia e por botrytis, isto é, sem ser necessária a adição de aguardente vínica.

A adição de aguardente vínica interrompe o processo de fermentação que transforma os açúcares da uva em álcool, o que explica o porquê de os vinhos fortificados, como o vinho do Porto e o  Moscatel do Douro, serem doces. Por outro lado, os vinhos doces não fortificados, confiam simplesmente em ter níveis de açúcar altíssimos. Deixem as uvas na vinha por tempo suficiente e, se o tempo estiver seco e ensolarado, o Douro irá presentear-vos com enormes quantidades de açúcar. Então porque é que não vemos mais vinhos doces, não fortificados, no Douro?

A resposta reside no facto de que, um grande énologo de vinhos de sobremesa tem de ser um equilibrista perfeito entre o açúcar e a acidez.

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Equilibrista in unbornmind.com

À medida que os açúcares da uva sobem, a acidez diminui. Se a acidez for muito baixa, o vinho vai ser demasiado doce, ou pior, flácido. Os grandes vinhos de sobremesa precisam tanto de altos níveis de açúcar como de acidez. Não é uma combinação fácil num clima quente e seco.

É por isso que o punhado de vinhos doces do Douro que encontrei advêm de vinhas a grande altitude. E podem ser realmente impressionantes. Por exemplo, o Rozès Noble Late Harvest 2009, ao qual o meu painel atribuiu a Medalha de Ouro e o Troféu de Vinho Doce no Decanter World Wine Awards 2011, ou o Quinta do Portal Late Harvest 2007, um dos meus 50 Grandes Vinhos Portugueses 2010.Quanto mais elevadas estiverem as vinhas, mais elevada será a acidez, porque, em altitude, as temperaturas caem drasticamente, especialmente durante a noite. Junte-se a este facto o nevoeiro matinal e a humidade, e estão reunidas as condições perfeitas para a botrytis se firmar. E ao contrário do que seria de se esperar, este fungo dá lugar aos mais mágicos vinhos doces, não só porque concentra a doçura e a acidez, mas também porque dá lugar a uma complexidade melada, muitas vezes floral (camomila ou açafrão). Não é de admirar que também seja apelidada de podridão nobre!

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Tiago Sampaio da Olho no Pé no Simplesmente Vinho – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

A minha última descoberta no que toca a vinhos de sobremesa, são os vinhos produzidos por Tiago Sampaio da Olho no Pé. Descrevendo-se como “a one man show”, o despertar do interesse de Sampaio pelo vinho foi desencadeado pelo seu avô que o apresentou, quando ainda jovem, às vinhas do Douro e ao mundo do vinho. Mas tenho as minhas suspeitas de que o foco na frescura que Sampaio apresenta nos seus vinhos é resultado dos 5 anos que passou no Oregon (onde tirou um doutoramento em Viticultura e Enologia). O que explica os pálidos mas prometedores Pinot Noirs que tem no seu portfólio – a delicada casta da Borgonha beneficia das noites frescas do Oregon. Sampaio fundou a Olho no Pé quando regressou ao Douro, em 2007, depois da sua estadia nos Estados Unidos. Os vinhos de sobremesa que me mostrou no Simplesmente Vinho, realizado no início deste ano (finais de Fevereiro), são ambos produto de um field blend de vinhas velhas (com mais de 70 anos) maioritarimente composto por Gouveio, em Alijó e a 600 metros acima do nível médio das águas do mar. Devido à sua altitude, tal como Favaios, o município é tradicionalmente famoso pelo seu delicado e fresco Moscatel do Douro, bem como pelos brancos secos que agora começam a ganhar destaque. Aqui estão as minhas notas relativamente aos deliciosos vinhos doces de Sampaio:

Olho no Pé Colheita Tardia

 2011 (Douro)

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Olho no Pé Colheita Tardia 2011 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Sampaio tem um toque muito delicado. Uvas escolhidas a dedo, repletas de açúcar (este vinho tem à volta de 200 g/l de açúcar residual), são colhidas em vindimas sucessivas e altamente selectivas. Foi fermentado de forma natural e muito lentamente. À medida que o sumo da uva se transformava, lentamente, em vinho, foram surgindo aromas e sabores complexos – açafrão, gengibre cristalizado, camomila e peras cozidas. Textura aveludada, muito fresco e puro, o vinho foi envelhecido em borras finas, em barricas de carvalho já usadas, o que permite que a fruta se mostre. Super-agradável com uma qualidade sedutora e não-trabalhada. 11%

Olho no Pé 2011 (Vinho, Portugal)

Se exagerar, será apenas um pouco (no que diz respeito ao Douro), mas reconheço que este cuvée que ainda não tem nome, ousa ir nenhum foi antes. É o produto das mais concentradas uvas atacadas por Botrytis, de 2011 (que é o mesmo que dizer todas as colheitas em que Sampaio já trabalhou). Apenas dois barris foram feitos, que, com o dobro da quantidade de açúcar residual (400 g/l) levaram muito, muito mais tempo para fermentar – dois anos! Com apenas 7% de teor alcoólico está abaixo do nível mínimo para a DOC Douro ou para a classificação VR Duriense. Ainda assim revela a mesma assinatura a açafrão de botrytis que o vinho Colheita Tardia – toque adorável e pureza. Um palato acetinado que revela açúcar caramelizado, algodão doce e uma maçã mais fresca, focada, brilhante e apertada junto do núcleo, conferindo-lhe um traço bem-vindo que equilibra a amargura e a acidez. Saboroso mas fresco, concentrado mas com leveza, esta doce sensação de uvas perdura muito tempo na boca e na memória. Uma experiência!

Contactos
Tiago Sampaio
Rua António Cândido, 7
5070-029 Alijó, Portugal
Mobile: (+351) 960 487 850
E-mail: info@foliasdebaco.com
Website: www.foliasdebaco.com

Bicentenário do Porto Fonseca

Texto João Barbosa

Os vinhos podem dividir-se em bons e maus; os que têm estórias e os que não têm; e os que têm História e os que a não chegam. A este degrau chegam os bons. A longevidade dá a nascer estórias que contam história. A regularidade cria boa reputação e concede estatuto elevado. Os Portos da Fonseca reúnem «bondade», estórias, história, fiabilidade e reputação.

Os centenários são pretexto para brindes. A firma Fonseca hoje integrada no grupo The Fladgate Partnership, celebra o bicentenário. Logo num ano em que outro – substancialmente mais importante – se evoca.

No século XVI viveu um senhor, de seu nome Michel de Nostredame, que ficou célebre pelas profecias, aparentemente certeiras. Profetizou – leia-se e interprete-se como se quiser – o surgimento de três anticristos. O primeiro seria Napoleão Bonaparte e o segundo Adolf Hitler, cuja grafia apresenta semelhanças com o «Hister» anunciado pelo vidente.

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Vinhos do Porto Fonseca in the-yeatman-hotel.com

Tomo a liberdade de reescrever esta «verdade» acerca de anticristos: Josef Stalin, Fuminaro Konoe, Hideki Tojo, Mao Tse Tung, Pol Pot… e muitos ditadores de menor relevo. Napoleão só aos olhos da época pôde ser demónio. Segurou os lemas da Revolução Francesa e espalhou-os – muito enviesadamente – pela Europa.

Antes da «verdadeira» guerra napoleónica, desenrolou-se a Guerra das Laranjas, em 1801, em que Espanha roubou Olivença. Em 1806, Portugal recusou-se a subjugar-se à ordem de participar no bloqueio naval às ilhas britânicas. Por isso foi invadido por Espanha e França, tendo o Rei Dom João VI, a família, a Corte e os criados fugido para o Brasil.

Houve três invasões francesas, em 1807, 1809 e 1810. Designada por Guerra Peninsular, as entradas foram lideradas por Jean-Andoche Junot, Nicolas Jean de Dieu Soult e André Massena. Em 1811, as tropas anglo-lusas chutaram os invasores franceses e espanhóis.

Napoleão Bonaparte caiu diante das tropas britânicas, comandadas por Arthur Wellesley, e aliados, em 18 de Junho de 1815, na Batalha de Waterloo. Findo o conflito, os soldados regressaram; os patriotas da Leal Legião Lusitana e os traidores da Legião Lusitana, que serviram França. Muitos dos traidores foram poupados e alguns têm até nome de rua. Não entendo o meu país.

Os chineses escrevem crise com dois sinais gráficos conjugados: perigo e oportunidade. O risco é inerente aos negócios e em clima de guerra torna-se mais difícil. A Guerra Peninsular terminou a 10 de Abril de 1814, na Batalha de Toulouse. As notícias chegavam lentas, era quase impossível estar actualizado das movimentações dos exércitos. Ainda que tenha passado um ano, montar um negócio naquele contexto foi muito arriscado, até porque o cliente estava na Grã-Bretanha e no mar ainda havia navios inimigos.

Em 1815, João dos Santos Fonseca comprou, apoiado pela família Monteiro, 32 pipas de Vinho do Porto. Mais tarde chegou, em 1860, a família Guimarães – nome anglicizado para Guimaraens – e posteriormente a Yeatman, na segunda metade do século XX.

Uma firma ainda familiar. Duzentos anos depois, o que se pode dizer? Está tudo escrito nos dois primeiros parágrafos.

Contactos
Quinta do Panascal
5120-496 Valença do Douro
Tel: (+351) 254 732 321
E-mail:marketing@fonseca.pt
Website: www.fonseca.pt

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Esporão, Um Clássico do Alentejo

Texto José Silva

É uma das maiores propriedades do Alentejo, com os seus 1.800 hectares de terreno, 450 dos quais ocupados por vinhas em plena produção e outros 80 com olival a produzir um óptimo azeite.

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O restaurante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Wine Shop – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Se a isto juntarmos uma adega muito bem projectada e inserida na paisagem rural, um restaurante a servir comida excelente, uma loja com grande variedade de ofertas e uma mancha de água que ajudou a moldar a paisagem, pare além de abastecer água a todo o   complexo, então temos um dos poucos locais de enoturismo no Alentejo onde passar apenas um dia pode saber a pouco.

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Vinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas é a produção vinícola que mais chama a tenção, não só pela paisagem arrebatadora dos vinhedos a perder de vista, numa continuidade fora do vulgar, mas também pela qualidade e cuidado que põem em tudo o que ali fazem. E, claro, os vinhos, de vários patamares, mas onde a qualidade é uma constante e uma quase obcessão. Numa equipa liderada por um enólogo veterano que, embora oriundo da longínqua Austrália, já é bem português e que recentemente até se naturalizou em terras lusas. David Baverstock não esconde a sua paixão pelo que faz e que faz tão bem, mas é muito bem secundado por uma equipa de viticultura e enologia liderada por Luís Patrão. Os resultados, esses estão à vista, em cada nova colheita.

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Casta Corropio – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Casta Molinha Macia – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na viticultura tem natural destaque o campo ampelográfico que mantêm, com 188 castas portuguesas mas também de vários sítios do mundo, onde se tenta preservar muito do que é nosso e analisar a sua evolução e potencial. Castas com nomes estranhos como Tinta Pomar, Molinha Macia, Malvasia Cândida, Corropio, Uva Salsa, Tinta do Bragão, Arinto do Interior, Larião, Amor-não-me-deixes, Carrasquenho e muitas outras, ali estão a dar o seu melhor. Mas é nas castas mais tradicionais portuguesas (Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional,Verdelho, Antão Vaz, Arinto, Roupeiro, Gouveio) e algumas estrangeiras (Syrah, Petit Verdot, Semillon) que vão buscar as bases para os seus vinhos mais emblemáticos.

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Adega Moderna – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Novas Soluções Técnicas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Algumas destas uvas são depois trabalhadas numa adega moderna recentemente actualizada, com novas soluções técnicas também.

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Barricas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E depois vão descansar naquela cave de barricas enorme, incrível.

Na recente visita provaram-se alguns deles e confirmou-se novamente o seu potencial.

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Duas Castas branco 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O branco Duas Castas 2013, a partir do Gouveio e do Antão Vaz, apresentou-se muito límpido, com aromas vegetais ligeiros, muito cítrico, delicado. Na boca tem bastante frescura, é intenso e persistente, notas frutadas e alguma mineralidade, um vinho cheio de juventude.

O Private Selection Branco também de 2013 é um vinho completamente diferente. Um vinho moderno e sedutor, fermentado em madeira, o que se nota logo no nariz, algo exótico, cheio de elegancia, alguma fruta branca e notas de fumo, levemente tostado. Na boca é gordo, cheio, notas amanteigadas, algum chocolate muito suave, um vinho cheio de harmonia.

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Reserva 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ainda nos brancos passamos ao Reserva 2013, um vinho clássico, também fermentado em madeira, apresenta-se muito límpido, com alguma intensidade de fruta, entre citrinos e frutos brancos e notas muito ligeiras de fumo. Na boca é cheio, volumoso, fruta branca muito madura, acidez equilibrada e alguma frescura a combinar com a mineralidade persistente.

O Private Selection Tinto de 2011 revela todo o potencial dum ano extraordinário. Aromas complexos de especiarias, alguns frutos vermelhos, notas de chocolate e tabaco muito suaves. Na boca é austero, cheio, com notas de cacau e café, intenso, boa acidez e final longo e saboroso.

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Quatro Castas tinto 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Passamos ao Quatro Castas Tinto de 2013, com algum floral no nariz, associado a frutos vermelhos e notas apimentadas bem divertidas. Na boca é volumoso, com óptima acidez, alguma complexidade, muito elegante com final médio bem interessante.

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Reserva tinto 2012 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalizamos com um clássico, o Reserva Tinto de 2012. Um vinho com um nariz exuberante, com presença de frutos silvestres, algum fumo, apimentado, elegante.

Na boca é ao mesmo tempo elegante e austero, cheio de corpo, ligeiramente tostado, frutos pretos, boa acidez a dar-lhe equilíbrio e provávelmente grande longevidade. Belo vinho.

Já na saída da herdade, a paragem obrigatória na Torre do Esporão, mandada construir entre 1457 e 1490 por Álvaro Mendes de Vasconcelos. Foi recuperada em 2003 e hoje alberga um museu arqueológico onde estão peças valiosas recolhidas no Esporão e nos Perdigões.

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Arco do Esporão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Ermida de Nossa Senhora dos Remédios – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ao lado da torre está o Arco do Esporão e a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, que também fazem parte da história desta propriedade, cuja origem se perde no tempo…

Contactos
Herdade do Esporão Enoturism
Herdade do Esporão
Apartado 31
7200-999
Reguengos de Monsaraz
Tel: (+351) 266 509280
Fax: (+351) 266 519753
E-mail:reservations@esporao.com
Website: esporao.com

Quinta de Covela os novos vinhos de 2014

Texto João Pedro de Carvalho

Foi no passado dia 22 de Abril que a Quinta de Covela veio a Lisboa mostrar os seus vinhos da colheita de 2014. Num dos ícones da gastronomia Lisboeta, a Cervejaria Ramiro, foram provados os brancos monocasta e o rosé da Quinta de Covela. Guiados por toda a equipa, a introdução coube ao viticultor Gonçalo Sousa Lopes e ao enólogo Rui Cunha. O ano de 2014 foi muito bom, a chuva fez-se sentir na devida altura intercalando com o calor fazendo com que a maturação das uvas tenha sido lenta e arrisco a dizer perfeita. O resultado está à vista, vinhos bem frescos com aromas e sabores muito bem definidos de forma cristalina e a mostrar uma natural apetência para a mesa. A procura por estes vinhos tem vindo a aumentar, sendo a produção de momento ainda reduzida face à necessária replantação que se ficou a dever ao mau estado em que foi encontrado grande parte do vinhedo, cerca de 40%.

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Equipa Covela – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Logo de início tivemos um mano a mano entre o Covela Edição Nacional Avesso com a colheita 2013 (garrafa magnum) e 2014. Uma diferença que se fez notar num Avesso 2013 muito mais sisudo e coeso, fruta (citrino, maçã) muito mais gorda sem grande definição aromática, num conjunto com alguma austeridade na boca, final seco.

O Covela Edição Nacional Avesso 2014 brilhou com os seus aromas muito puros e quase cristalinos, um toque floral muito perfumado com a fruta em grande destaque, muita frescura com nervo e mineralidade em fundo. Conjunto coeso, cheio de vida, boca com grande vida e muito sabor, secura final a pedir mesa que foi o que sucedeu acompanhando com galhardia umas Ameijõas à Bulhão Pato.

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Covela Edição Nacional Avesso 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

O próximo vinho surge em tom de Arinto, muito austero e cheio de garra este novo Covela Edição Nacional Arinto 2014, muita frescura num conjunto ainda bastante novo. A base é de citrinos, com algum floral, embora todo o conjunto precise de mais tempo, por agora é o tom mineral de fundo que mais se faz destacar com uma enorme energia na boca. É um branco de bom porte atlético, muito menos brincalhão de aromas do que o Avesso. Neste caso pede pratos com um pouco mais de substância e vontade seja feita acompanhou umas Gambas al Ajillo.

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Covela Edição Nacional Arinto 2014 e Covela Rosé 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Outra das novidades o Covela Rosé 2014, feito a partir de Touriga Nacional que se vindima precocemente apenas para dar origem a este vinho. É um caso de sucesso e um dos melhores rosés feitos em Portugal, conquista pelo conjunto, jovem, fresco e delicado. Aromas e sabores muito detalhados, delicado floral com aquela frescura marcante. Palato equilibrado entre fruta/acidez com muito boa presença sem nunca deixar de ter aquela secura em final de boca que revigora o palato e lhe confere uma tão boa apetência gastronómica.

Contactos
LIMA SMITH Lda.
Quinta de Covela,
S. Tomé de Covelas
4640-211 BAIÃO
Tel: (+351) 254 886 298
E-mail: info@covela.pt
Website: www.covela.pt