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O clássico BSE, edição 2014

Texto João Barbosa

Tenho ouvido a enólogos um debate interessante acerca das dificuldades de produzir em grandes quantidades e em pequenas quantidades. Os debates podem repetir-se e dificilmente os argumentos poderão mudar, porque no vinho – ou em quase tudo – as escalas implicam resultados diferentes.

Quanto maior for o universo, menor será a percentagem de excelência. Por isso, é que a excelência é rara. Basalto há aos pontapés e os diamantes rareiam. Este é um aspecto; outro, quase parecido, é o da qualidade, em traço largo.

Pode ter-se uvas excelentes e fabricar-se uma mistela. Pode-se ter uvas medíocres – no sentido de meio –, mas nunca se conseguirá um néctar de eleição. Em paralelo, a vertente da saúde do fruto, é transversal.

Nem todas as uvas nascem para fazerem grandes vinhos. A grande maioria do que se engarrafa não chega ao patamar da excelência, o que não significa que seja mau, resultado de mal feito.

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Arinto in confira.info

A enologia é, como a arquitectura, uma disciplina técnica. Desenhar uma fábrica exige conhecimentos diferentes dos necessários para uma residência exclusiva, feita à medida de quem nela vai morar.

Quando estamos perante um vinho de milhões de litros, o esforço é o de ter a maior quantidade de boas uvas (qualidade), para que se possa fabricar um produto que agrade à generalidade das pessoas. O esmero não pode ser diferente, contudo os procedimentos – por via dos custos e de fluxo de caixa – são díspares, entre os vinhos de grande e pequena produção.

Com poucos quilogramas de belíssimas uvas é mais difícil fazer um grande vinho do que um que vai para milhões de garrafas? Ou é mais fácil? Os argumentos dum debate:

– Fazer um grande vinho é difícil, porque exige muitos cuidados na identificação dos melhores cachos, das mais indicadas técnicas, das barricas que realmente beneficiam, da duração precisa dos estágios… só se consegue em anos extraordinários… tem de se saber interpretar a natureza no seu todo…

– Fazer milhões de litros, com qualidade para consumo corrente, que crie negócio, capte e fidelize o consumidor, que seja regular, no aroma e no paladar, ano após ano é que é complicado.

Discussão bizantina. No caso deste produtor, o diferendo não de põe. A firma José Maria da Fonseca tanto produz vinhos de grande consumo, com sucesso – o êxito nunca é por acaso –, como edições de autor e obras que surgem quando a natureza permite.

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BSE 2014 © Blend All About Wine, Lda

O Branco Seco Especial é um dos melhores vinhos industriais portugueses – felizmente, Portugal tem cada vez mais destes produtos, quer em quantidade, quer na regularidade da qualidade.

A que sabe o BSE? Sabe a BSE. Um amigo telefonou-me para uma petiscada na sua casa. Vão estar amigos do liceu, uns colegas, música alta, as criancinhas e suas correrias…

– Sancha não puxe o cabelo à sua irmã.

– Rúben, partilha a playstation.

Há os fanáticos dos tremoços e das minis e quem gosta de vinho. Há mariscos, frango assado, presunto, uns enchidos, dois ou três queijos, pão bom…

É festa! E festa é festa! Como, no dia seguinte, não se quer acordar com um piano de cauda em cima da cabeça nem ouvir murmúrios como se fosse o carrilhão do Convento de Mafra a tocar finados, nem ter a boca como cartão canelado… o vinho da festa tem de ser bom.

O BSE é uma aposta segura. Como é se – por preguiça ou falta de comida em casa – for ao restaurante chinês do bairro ou a uma tasquinha familiar, onde a algibeira não grita. Precisão suíça.

Contactos
Quinta da Bassaqueira – Estrada Nacional 10,
2925-542 Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, Portugal
Tel: (+3519 212 197 500
E-mail: info@jmf.pt
Website: www.jmf.pt

Porto Cruz, uma empresa em constante expansão…

Texto José Silva

Embora pertencente a uma grande firma francesa de produção e distribuição de bebidas, é uma empresa portuguesa de sucesso, que alicerça a sua força na produção de vinho do Porto, e que tem um lugar de destaque em Portugal, sendo um dos maiores produtores de vinho do Porto, mas sobretudo no estrangeiro, para onde exporta a maioria da sua produção.

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Porto Cruz – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Faz parte também do seu portfolio a casa C. da Silva, produtora dos vinhos Dalva, uma referência no sector.

Há um par de anos tomou a maioria do capital da Henriques and Henriques e a totalidade do capital da Justino’s, ambos produtores de vinho da Madeira. Recentemente comprou a Quinta de Ventozelo, uma das maiores extensões de vinha do Douro.

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Adega de Alijó – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Mais moderna e revolucionária tecnologia para produção de vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Entretanto já tinha inaugurado a nova adega em Alijó, detentora da mais moderna e revolucionária tecnologia para produção de vinhos.

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Adega com capacidade de armazenagem de 22 milhões de litros de vinho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É uma adega com capacidade de armazenagem de 22 milhões de litros de vinho, com 40 cubas de 360.000L cada e outras de 180.000L cada, entre muitas outras de menor dimensão. Dois enormes filtros alimentam todo o complexo, assim como sistemas de azoto e ar comprimido. E um inovador sistema de limpeza e desinfecção automático que opera para a limpeza de todas as cubas.

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Sistema de bombagem do vinho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O sistema de bombagem do vinho é também automático e tudo é liderado por um sofisticado sistema de domótica.

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Lagares de aço inox – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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A parafernália de equipamentos impressiona o visitante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com lagares de aço inox que alimentam as cubas onde os vinhos vão fermentar e estagiar, passando depois para barricas ou directamente para as garrafas, toda a parafernália de equipamentos impressiona o visitante, quer pela quantidade, quer pela qualidade, quer pela preservação e higiene, imaculadas.

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Nesta adega estão centralizados todos os trabalhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Nesta adega estão centralizados todos os trabalhos e ali passam a ser feitos todos os vinhos da empresa, sendo armazenados e dali expedidos.

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Armazenados em cubas de inox gigantes © Blend All About Wine, Lda

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Maior parque de balseiros da região © Blend All About Wine, Lda

Muitos deles vão para Vila Nova de Gaia, onde vão estar armazenados em cubas de inox gigantes ou em estágio, no maior parque de balseiros da região, de enorme dimensão.

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As velhas cubas de cimento – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ali a grandeza não é menor, com as velhas instalações sempre em evolução, adaptadas às modernas necessidades, e onde ainda são usadas as velhas cubas de cimento, num aproveitamento inteligente de todo o espaço disponível.

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Sistema sofisticado © Blend All About Wine, Lda

Ali opera também um sofisticado sistema de enchimento, rotulagem e embalamento, que corresponde às necessidades das enormes quantidades de vinho que saem diariamente, rumo a todo o mundo. A eficácia parece ser a palavra de ordem, anunciando-se para breve obras na parte administrativa e no laboratório.

Com a equipa de enologia a cargo do Eng. José Manuel Soares, que tem uma longa experiência na viticultura e enologia duriense, todo o projecto e estratégia são da responsabilidade do Eng. Jorge Dias, que tem sabido desenhar um perfil novo para os vinhos da Porto Cruz e para toda a imagem da empresa, o que está à vista um pouco por todo o lado.

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O imponente edifício Porto Cruz – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Toda essa imagem está concentrada, mais abaixo, na marginal de Gaia, na imponência do edifício Porto Cruz, já uma referência na zona. Duma construção antiga fez-se um espaço onde, como os próprios dizem “o vinho tem que ser vivido!” Decoração arrojada, muito moderna, investiu-se na imagem digital, com soluções muito inovadoras para dar a conhecer o vinho, sobretudo o vinho do Porto, também através do audiovisual. A tudo isto associou-se muito bem a cultura, que utiliza este espaço duma forma permanente ou temporária, tudo em prol do vinho do Porto e da sua história.

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Restaurante Moderno – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No piso de cima funciona um moderno restaurante, com consultoria do chefe Miguel Castro Silva, mas onde o chefe José Guedes faz maravilhas, com uma cozinha consistente e apelativa.

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A vista – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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A vista – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No terraço funciona um bar onde se tem uma visão de 360º sobre Gaia e o Porto, ali em frente, e que funciona até tarde nos meses de bom tempo. Na noite de S. João, estamos em primeira plateia.

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Porto Dalva Golden Branco 1971 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No final duma visita muito completa, brindou-se com um Porto Dalva Golden White 1971.

O rio Douro, esse, passava ali à frente, pachorrento…

Contactos
Espaço Porto Cruz
Largo Miguel Bombarda, N.º23
4400 – 222 Vila Nova de Gaia
Tel: (+351) 220 92 53 40 / 220 92 54 01
Fax: 220 924 299
Website: www.myportocruz.com | www.porto-cruz.com

VZ, uma marca da história do Douro

Texto João Pedro de Carvalho

Foi em 1780 que a Van Zeller’s & Co se estabeleceu oficialmente como empresa de Vinho do Porto, comercializando vinho até ao ano de 1930. Pelo meio a empresa teria sido vendida a outro grupo de Vinho do Porto sendo comprada novamente em 1933 por Luís de Vasconcellos Porto, dono na altura da Quinta do Noval. Esta compra viria a transformar-se numa generosa oferta para os seus netos (filhos da sua única filha Rita de Vasconcellos Porto casada com o bisavô de Cristiano van Zeller). Desta forma várias marcas da Van Zeller’s & Co fundiram com a Quinta do Noval, tais como Van Zellers e VZ.

Em 1980 tomou-se a decisão de reavivar a Van Zeller’s & Co tornando-a independente da Quinta do Noval, com a sua própria quinta e stocks de Vinho do Porto. Uma vontade que iria entrar num período de dormência, numa altura que envolveu a venda da Quinta do Noval à AXA e a respectiva venda da Van Zeller’s & Co para os donos da Quinta de Roriz, primos de Cristiano van Zeller. O tempo passou e só em 2006 é que a Van Zeller’s & Co com todas as suas marcas (que datam do século XIX) chegaria às mãos de Cristiano van Zeller, também por generosa oferta de um familiar.

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VZ Douro branco 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Os novos vinhos não tardaram muito em surgir no mercado, sendo o primeiro de todos um gama alta VZ Douro branco 2006, cujas uvas (Viosinho, Rabigato, Codega e Gouveio) provenientes de duas parcelas com idade média de 50 a 80 anos ficam localizadas no concelho de Murça. O resultado deste VZ Douro 2013 é um belíssimo branco, fermentado e com estágio de 9 meses em barrica com direito a battonage da autoria de uma equipa de enologia de luxo, composta por Cristiano van Zeller, Sandra Tavares da Silva e Joana Pinhão. Dá uma prova cheia de carácter, com o Douro bem vincado num conjunto que entrelaça e envolve com as notas ligeira tosta da barrica e a fruta (pêssego, citrinos, pera), coeso, sério, marcado por um final tenso e mineral. De igual modo toda a passagem pelo palato se enquadra com o já descrito, muito boa presença, amplo e com ligeira austeridade mineral em fundo. Todo o conjunto remete para um consumo que pode ser imediato ou para guardar por mais uns quantos anos na garrafeira.

Contactos
Lemos & van Zeller, Lda.
Rua de Gondarém, 1427 – 2º Dt. Ala Norte
4150-380 Porto
PORTUGAL
Telef. +351 223744320
Fax. +351 223744322
E-mail:

Website: www.quintavaledonamaria.com

 

Na Região Bairradina, Um Produtor Com Grande Tradição

Texto José Silva

Lembro-me de, há muitos anos atrás, nos cafés, ser muito popular pedir: “Uma bica (café) e uma São Domingos!”

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Aguardente Bagaceira Caves São Domingos © Blend All About Wine, Lda

E esta São Domingos era a bagaceira das Caves São Domingos, muito popular como bebida branca de qualidade. Os tempos foram passando, o consumo de bebidas brancas diminuiu substancialmente devido à legislação que entretanto apareceu, mas as Caves São Domingos lá continuam e, entre muitos outros produtos, também produzem esta e outras bebidas com imensa qualidade.

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As Caves São Domingos Lá Continuam © Blend All About Wine, Lda

As caves mantêm as suas instalações em Anadia, mas têm vindo a crescer e a produzir não só maior quantidade de vinhos e destilados, mas também uma maior variedade de produtos.

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As Suas Prestigiadas Aguardentes © Blend All About Wine, Lda

Embora o principal e o mais conhecido seja o espumante, as suas prestigiadas aguardentes têm também mantido a tradicional clientela e têm mesmo alargado o leque de tipo de consumidores, cada vez mais em busca do que é genuíno. Também os vinhos de mesa, das regiões da Bairrada e do Dão têm vindo a ocupar um lugar de destaque no portfolio da empresa.

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Adega Moderna © Blend All About Wine, Lda

Tudo isto fez com que sentissem a necessidade de modernização, e por isso a empresa tem hoje uma adega moderna, com toda a tecnologia disponível, sobretudo a rede de frio, que permite elaborar vinhos modernos e apelativos. Mas também manter a produção de espumantes que têm vindo a ser distinguidos pela crítica nacional e internacional e pelo público consumidor.

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Mais de Dois Milhões de Garrafas de Espumante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Nas suas caves estão a estagiar mais de dois milhões de garrafas de espumante, das várias categorias, que vão saindo para o mercado conforme as solicitações.

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Tradicionais “Pupitres” © Blend All About Wine, Lda

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Método Mais Moderno Das Giro Paletes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ainda se encontram a estagiar nas tradicionais “pupitres”, onde as garrafas são rodadas diariamente, à mão, que coexistem com o método mais moderno das giro paletes, a permitir produzir maior quantidade de espumante, com a mesma qualidade.

Os espumantes, graças a uma grande preocupação com a divulgação e a participação em inúmeras feiras quer nacionais quer estrangeiras e a organização de provas um pouco por todo o país, são hoje cada vez mais consumidos também para acompanhar a nossa riquíssima gastronomia, que vai muito para lá do leitão assado, que continua, e muito bem, a ser um companheiro natural.

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Demi-johns © Blend All About Wine, Lda

Mas também ali se mantêm os demi-johns de licor e as barricas onde envelhecem as várias aguardentes produzidas nas caves, hoje já referenciadas em muitos mercados como das melhores que se produzem em Portugal. Os vinhos São Domingos são produzidos a partir de uvas originárias de vinhas próprias mas também de vinhas de viticultores bairradinos e do Dão, a quem a empresa dá apoio técnico, garantindo assim matéria prima de primeira qualidade.

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The Old Wall Clock – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na sala principal, o velho relógio de parede lembrava que era tempo de provar alguns vinhos. E assim fizemos, provando o Caves São Domingos Branco 2014, que tem aromas florais e algum citrino, que lhe emprestam as castas Maria Gomes e Bical. Na boca é aveludado, ligeiramente cítrico, apaladado, muito agradável. Seguiu-se o Volúpia Branco também de 2014, este com as castas Sauvignon Blanc, Chardonnay e Maria Gomes, um vinho moderno cheio de frescura, muito mineral, com óptimo volume na boca, acidez muito equilibrada, cheio de elegância. – Para uma visão mais detalhada destes vinhos brancos confira o antigo anterior do João Pedro de Carvalho aqui.

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Velha Reserva Bruto 2008 © Blend All About Wine, Lda

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Cuvée Brute 2011 © Blend All About Wine, Lda

Depois, os espumantes. Primeiro o Velha Reserva Bruto 2008, feito com Pinot Noir e Chardonnay, com notas florais muito frescas no nariz, palha, brioche e algum tostado. Bolha muito fina e elegante, fresco na boca, com notas de frutos secos. Seguiu-se o Cuvée Bruto 2011, com Baga e Sauvignon Blanc, a dar-lhe alguma compelxidade no nariz, frutado, com notas secas, bolha finíssima, muita frescura na boca, tostado ligeiro, notas de amêndoa muito suaves, um espumante muito elegante.

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Lopo de Freitas Brute 2010 © Blend All About Wine, Lda

Finalmente provou-se o Lopo de Freitas Bruto 2010, que já é um clássico desta casa. Cerceal e Chardonnay fazem um belo casamento, com bolha muito fina, aromas levemente frutados, algo exótico. Na boca tem uma excelente acidez, é cheio, cremoso, com notas leves de frutos secos e um final longo muito agradável.

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Leitão Assado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Algumas Sugestões Cítricas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na refeição de leitão assado esteve o Blanc de Blancs Bruto de 2011, muito fresco, mineral e com sugestões cítricas, óptima acidez, a dar boa luta ao leitão.

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Blanc de Blancs Brute 2011 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No final, “um café e uma São Domingos”, pois claro…

Contactos
Caves do Solar de São Domingos, S.A.
Ferreiros – Anadia
Apartado 16
3781-909 Anadia – Portugal
Tel: (+351) 231 519 680
Fax: (+351) 231 511 269
Email: info@cavesaodomingos.com
Website: www.cavesaodomingos.com

Vamos Festejar Com Vinho Madeira

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Agapornis (Pássaro do Amor). Os pássaros domésticos mais encantadores de todos. Praticamente desde sempre, o Vinho Espumante é a bebida de eleição para os momentos apaixonados. As bolhas são quase um sinónimo de festejo e, se o amor fosse uma bebida, quase de certeza que seria Champanhe. Mas e se não fosse?

A minha cunhada ficou recentemente noiva e, como é habitual, havia que festejar. Antes de mais, deixem-me dizer que, na Finlândia, as festas de noivado não são um grande acontecimento. Normalmente, e depois de já termos dito a toda a gente que estamos noivos, o máximo que poderá haver é bolo e café com os nossos pais. Não é comum haver uma grande festa, mas não deixa de ser uma excelente notícia e, como tal, merece ser festejada. Então a minha cunhada e o seu noivo organizaram uma pequena reunião.

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O Bolo – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Houve bolo. Feito pela minha cunhada, claro. Tinha mais camadas do que uma cebola e sabia a arco-íris. Havia Champanhe, e muito. Foram feitos discursos e presentes foram oferecidos. E depois, mais Champanhe. Gosto muito de bolhas, mas também acho que um vinho bem feito, seja Vinho Espumante, Branco, Tinto ou Fortificado, é um bom vinho para festejar. Sendo eu um fã do vinho Madeira, pensei que seria simpático dar aos convidados um pouco a provar.

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Bandeja do Vinho – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Enquanto vinho, o Madeira não podia ser mais festivo. Um líquido complexo para saborear lentamente, com um poder de sedução quase inigualável. Tinha um par de vinhos da Blandy’s para provar: o Bual Colheita 2002 e o Verdelho 1973. Coloquei os vinhos em alguns copos e, numa bandeja, dei-os a provar “às cegas”. Foi interessante ouvir as opiniões dos convidados, sem fazerem a menor ideia do que estavam a provar. Parecia estarem a gostar muito do jovem Bual, o que foi um pouco surpreendente. Os Madeiras mais jovens tendem a ser um pouco mais fortes, mas penso que o seu perfil ligeiramente mais doce facilitou a abordagem. Para mim o Bual 2002 estava muito fechado. Parecia estar a passar por uma fase e quase de certeza que se irá abrir muito mais, com o tempo.

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Bual Colheita 2002 e o Verdelho 1973 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Por outro lado, o Verdelho 1973 colheu opiniões muito divididas. Ok, nenhum deles era um provador profissional mas, enquanto consumidores estava curioso para ouvir as suas opiniões relativamente aos vinhos. Muito mais aromático do que o Bual. Opulentes aromas nogados e a frutos secos. O 1973 parece estar numa idade perfeita neste momento. A atingir lentamente a maturidade, mas ainda com muito tempo de vida pela frente. Para alguns, a acidez deste vinho foi um choque completo, algo que compreendo perfeitamente. É um gosto adquirido. Mas para mim, este Verdelho estava sensacional. Mais um exemplo clássico da singularidade e do puro poder dos vinhos Madeira.

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O Casal Feliz – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Enquanto bebida celebrativa, o final longo e persistente do Madeira torna-o uma bebida adequada para todo o tipo de ocasiões, e convenhamos, o Madeira é muito mais versátil do que as pessoas pensam. Pode ser utilizado desde aperitivo até digestivo. Não é tão amplamente consumido como o vinho Espumante, o que confere um simpático toque pessoal ao seu serão, seja num aniversário ou numa festa de noivado. Não consigo pensar em melhor maneira de felicitar o feliz casal do que, lhes desejar boa sorte na sua aventura conjunta a brindar com um vinho que pode durar uma vida inteira.

Contactos
Blandy’s
Tel: (+351) 291 740 110
Email: pubrel@madeirawinecompany.com
Website: www.blandys.com

Grandes Quintas Colheita Tinto 2012

Texto João Barbosa

Conheço a Casa d’Arrochella desde 2010, quando me enviaram para prova o Grandes Quintas Colheita Tinto 2007 e o Grandes Quintas Reserva Tinto 2007. Anualmente, a firma envia-me vinhos para prova – também azeite – e gosto do que me chega.

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Grandes Quintas Colheita Tinto 2007 in Arrochela.com

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Grandes Quintas Reserva Tinto 2007 in Arrochela.com

A regularidade é um bem precioso. É importante não confundir regularidade com padronização. A regularidade dá um traço familiar, com as diferenças dos anos e a persistência do solo. A padronização é anonimato. Pode ser um bom produto, mas será mais do mesmo; pouco vinho e mais bem alimentar.

Estes vinhos são Douro e não se confundem com qualquer outra localização. Dentro das garrafas há o chão de xisto, da terra resultante do trabalho para a fazer, as ervas bravias prestes a secarem-se pelo calor do tempo das vindimas, sobressai a esteva, o aconchego da lenha de azinho e um modo nocturno de chegar aos sentidos. Na boca é fundo, escuro, denso e com persistência.

Nocturno? Sim. Porque vinhos destes, os Douro tradicionais, não devem ser bebidos de dia. São o sangue dos vampiros, para as conversas pausadas, depois do esforço do dia, para a serenidade do jantar, para as conversas sem fim à vista, enquanto música suave – não é música lamechas ou pirosa – participa no momento.

Os vinhos desta casa têm essa raça duriense, força e carácter. Acompanham comidas exigentes fisicamente, mas podem sobrar-lhes, deixando-se ficar na mesa e dispensando um fortificado ou destilado.

A ficha técnica não especifica as percentagens de cada casta do lote: touriga nacional, tinto cão, touriga franca e tinta roriz. Porque é Douro, a touriga franca brilha, deixando que as outras falem.

A touriga franca – sendo um híbrido não pode ser franca – tem essa nobreza de carácter, que é o de consentir que outras uvas tenham uma voz. Talvez todas – palavra perigosa – as grandes castas do mundo se imponham, exibindo-se como pavões ou absorvendo toda a luz. Esta cultivar duriense fica servindo de cenário, mas não de enfeite. É generosa e muito raramente consegue ter a qualidade que atinge no Douro… mais difícil ainda é conseguir dançar bem sozinha. Para o resultado não basta a natureza. Interpretar o que nasce e aproveitar o melhor é trabalho técnico, aqui da responsabilidade de Luís Soares Duarte, um dos melhores enólogos da região.

As uvas vieram da Quinta do Cerval (70%) e da Quinta de Vale de Canivens (30%), ambas situadas na sub-região do Douro Superior. Têm solos xistosos e as vinhas situam-se num intervalo de altitude entre os 200 metros e os 250 metros.

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Quinta do Cerval in Arrochela.com

Conheceu um curto estágio em madeira, com 60% do vinho a estagiar quatro meses em barricas de carvalho francês. Tenho alguma pena que não tenha vivido mais um pouco nesse ambiente, tinha a ganhar.

O produtor recomenda que seja decantado cinco minutos antes de servido. Talvez mais, digo eu. Livre como o abutre que voa no Parque do Douro Internacional, o carácter da touriga franca exige liberdade.

Contactos
Av. Eng. Duarte Pacheco
Amoreiras, Torre 2, 9º Andar, Sala 8
1070 – 102 Lisboa
Tel: (+351) 213 713 240
Fax: (+351) 213 713 246
Email: arrochella@fimove.pt
Website: arrochella.com

Os dois Arinto do Marquês de Marialva

Texto João Pedro de Carvalho

Na continuação do artigo anterior em que se abordava a temática dos vinhos brancos produzidos em Portugal, cabe agora destacar mais dois belíssimos exemplares oriundos da Bairrada. Em modo de introdução convém dizer que é conhecida a paixão que o enólogo Osvaldo Amado tem pela casta Arinto desde os tempos em que trabalhou na região de Bucelas. Agora que se instalou na Bairrada tem vindo a apresentar ao consumidor interessantes e variados exemplares oriundos dos distintos produtores onde trabalha.

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Adega Cooperativa de Cantanhede – Foto de Adega Cooperativa de Cantanhede | Todos os Direitos Reservados

Certo é que a casta Arinto está um pouco espalhada por todo o território nacional, desde o Alentejo até aos Vinhos Verdes onde dá pelo nome de Pedernã. Mas é na região de Bucelas (Lisboa) que assume ou deveria assumir toda a sua plenitude, pois embora havendo por lá produtores que fazem a diferença pela qualidade dos seus vinhos, não chegam para conseguir agitar suficientemente as águas.

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Marquês de Marialva Reserva Arinto 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Retomando o assunto que são estes dois vinhos feitos da casta Arinto na Bairrada, oriundos da Adega de Cantanhede, que tiveram direito a passagem por madeira, num trabalho minucioso que Osvaldo Amado tão bem sabe fazer. O primeiro é o Marquês de Marialva Reserva Arinto 2013, vencedor do 4.º Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada, onde 30% do lote fermentou em barrica nova. O resultado é um branco que nos cativa pela maneira como combina a frescura da fruta (lima, toranja) com leve vegetal, num perfil bem vincado e abraçado pela ligeira sensação de untuosidade que a madeira lhe confere. Fundo algo tenso e mineral, num vinho com passagem de boca prazenteira e saborosa. Mediano de corpo, não tão vigoroso como faria supor pela prova de nariz, mas com bastante frescura e um final seco.

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Marquês de Marialva Grande Reserva Arinto 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

O Marquês de Marialva Arinto Grande Reserva 2012 é o novo topo de gama branco da Adega de Cantanhede e apenas foi engarrafado em 2014. Escolha-se um copo largo que este é um branco que gosta de se espreguiçar enquanto desenvolve todos os seus encantos, criando empatia no imediato. A passagem por barrica não se faz disfarçar, mas é a fruta que nos conquista, cheirosa e bem fresca, muito bem delineada com apontamentos de limão, lima, laranja em geleia. Amplo, com muito boa complexidade a cativar a cada rodopio no copo com a casta sempre presente. Na boca é coeso, amplo e fresco, com ligeiro toque untuoso a embalar um conjunto que mistura a fruta fresca e sumarenta porem delicada com uma ligeira austeridade mineral de fundo. O prazer está garantido.

Contactos
Adega Cooperativa de Cantanhede, C.R.L.
Rua Eng. Amaro da Costa, Nº117
3060-170 Cantanhede
Bairrada – Portugal
Tel: (+351) 231 419 540
Fax: (+351) 231 420 768
E-Mail: geral@cantanhede.com
Website: www.cantanhede.com

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Peixe + Vinho Branco = Portugal

Texto João Pedro de Carvalho

Portugal é actualmente o país da União Europeia com o maior consumo anual por pessoa de pescado, e o terceiro do mundo, só ultrapassado pela Islândia e pelo Japão. A realidade é que Portugal se pode gabar de ter nas suas águas o melhor pescado do Mundo, este facto tem sido amplamente reconhecido por alguns dos melhores Chefes de Cozinha do Mundo. É dito e sabido que das nossas lotas voam diariamente nobres exemplares para os melhores restaurantes do planeta. No aspecto do consumo é necessário o consumidor ter a consciência de que se tem de contribuir para um consumo sustentável das espécies, em que só assim se poderá manter o equilíbrio das cadeias alimentares marinhas.

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Mar de Portugal – Foto de Ciência Viva | Todos os Direitos Reservados

Ciência Viva lançou um catálogo “As espécies mais populares do mar de Portugal” onde são apresentadas as principais espécies de maior interesse económico de pescado do mar de Portugal que chegam à nossa mesa. No total, foram selecionadas vinte espécies de peixes, três espécies de cefalópodes, três espécies de bivalves e três espécies de crustáceos. Para cada uma das espécies apresentadas descrevem-se resumidamente as principais características morfológicas assim como o habitat, etc. Para todos os interessados está disponível de forma gratuita aqui.

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Peixes do Mar de Portugal – Foto de Ciência Viva | Todos os Direitos Reservados

Ora se no pescado damos cartas, é no campo dos vinhos brancos que começamos a ganhar pontos e sem dúvida alguma que nos dias de hoje Portugal dispõe dos melhores brancos, quer em perfil quer em qualidade, para acompanhar na perfeição o pescado que nos chega à mesa. O Homem pensa com o estômago, facto este que associa a cozinha regional ao tipo de vinho ali produzido, basta pensar que as melhores ligações são produzidas entre cozinha + vinho de determinada região. No vinho branco o salto qualitativo que foi dado nas últimas duas décadas em Portugal tornou tudo isto possível e hoje em dia não haverá melhor ligação com o nosso pescado do que o nosso vinho, o Vinho de Portugal.

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Allo 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Um desses exemplos é o Allo 2014, criado na Quinta de Soalheiro (Vinhos Verdes) e que resulta do lote entre Alvarinho e Loureiro. Enquanto a casta Alvarinho lhe dá toda a estrutura e vigor, a casta Loureiro contribui com toda a parte exuberante, o resultado é um branco viciante com apenas 11% Vol que se bebe de forma tão descontraída que quando damos conta a garrafa já acabou. Um verdadeiro vinho de esplanada, que cheira a Verão, a pedir marisco ou como foi o caso uns Pargos assados no forno, combinando toda a frescura dos aromas e sabores com uma acidez revigorante que limpa por completo o palato e pede sempre mais um trago. Se quiser saber mais sobre a Quinta de Solheiro e os seus vinhos, veja aqui.

Contacts
Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica
Parque das Nações, Alameda dos Oceanos Lote 2.10.01, 1990-223 Lisboa, Portugal
Tel: (+351) 21 898 50 20 / 21 891 71 00
Fax: (+351) 21 898 50 55 / 21 891 71 71
Website: www.cienciaviva.pt

Quinta de Soalheiro
Alvaredo . Melgaço
4960-010 Alvaredo
Tel: (+351) 251 416 769
Fax: (+351) 251 416 771
Email: quinta@soalheiro.com
Website: www.soalheiro.com

De Volta aos anos 30 com a Casa dos Tawnies

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Big Fortified Tasting (Grande Prova de Fortificados) é a uma feira exclusivamente dedicada a vinhos fortificados, e a maior do mundo para este propósito. E é também uma das minhas provas favoritas do ano, até porque fortificados envelhecidos em madeira – obras vínicas do tempo – estão entre os mais deliciosos e complexos vinhos à face da Terra. Por isso não hesitei quando tive a oportunidade de participar na Masterclass “House of Tawnies”, da Sogevinus, que me levou de volta aos anos 30. Pode ter sido a era da Depressão mas, no que toca ao vinho do Porto, à medida que provava os Colheitas 1935, 1937 e 1938, havia muitas razões celebrar!

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Carlos Alves, Enólogo do grupo Sogevinus – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Não contabilizando a inegável qualidade destes vinhos do Porto, a auto-intitulada alcunha “House of Tawnies” encaixa-lhe que nem uma luva. Quando a Sogevinus adquiriu, há 10 anos atrás, a Kopke, a Burmester, a Barros e a Cálem, ficou em posse do maior stock de Colheitas em Portugal – segundo o enólogo do grupo, Carlos Alves, a Sogevinus possui 17 milhões de litros de Porto Tawny. Além do mais, já que os Colheitas são engarrafados por encomenda, passam muito mais tempo em madeira do que os 7 anos mínimos legais. Agora que tenho tempo para pensar, foi qualquer coisa de extraordinário provar vinhos que passaram mais de 80 anos em madeira. Os 4 Colheitas que provamos tinham sido engarrafados apenas 15 dias antes.

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Os quatro copos na mesa de prova – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

É uma longevidade que se baseia simultaneamente na mestria de selecção das uvas e o cuidado dispensado nestes raros e finos Portos durante o seu longo estágio em madeira. Alves explica que, as uvas não têm apenas de ter estrutura para envelhecer, devem também enquadrar-se na filosofia da casa. Ele certifica-se disso, nas vinhas, todos os anos, a cada vindima; as uvas para os Colheitas são as primeiras a ser alocadas já que esta categoria é uma imagem de marca da empresa.

Nos Kopke, as uvas para os Colheita têm sido obtidas, desde os anos 20, nas parcelas do meio e superiores da Quinta S. Luiz, perto do Pinhão, em Cima Corgo. A 600m acima do nível médio das águas do mar, proporcionam a acidez para o estilo estruturado e intenso do Kopke. Quando a Barros adquiriu a Kopke em 1952, também pensou nas uvas da Quinta S. Luiz mas, neste caso, uvas com um maior teor de açúcar são obtidas de duas parcelas mais baixas e mais quentes, da vinha junto ao rio. São mais adequadas para os Portos mais ricos desta casa.

Quanto ao cuidado dispensado aos Portos durante o tempo que passam em madeira, Alves tem uma equipa dedicada para isso, consistiando de duas pessoas, isto porque “precisam de conhecer os vinhos para trabalhá-los bem”. Acrescenta ainda que, têm o cuidado de se certificarem que as pipas, os tonéis e as barricas se mantém sempre ligados à mesma casa “já que a madeira – o tamanho e tipo de madeira – confere perfil à casa”. A Cálem, por exemplo, com a maior variedade de barris, tem a tradição de envelhecer os vinhos em madeira tropical/exótica.

Alves e a sua equipa transferem os Colheitas, pelo menos uma vez por ano, das pipas individuais de 550 litros (barril de Porto) em que se encontram, para uma barrica grande, isto para poderem ajustar os níveis de aguardente vínica (que evapora ao longo do tempo) e manter os de requisitos mínimos de percentagem alcoólica (a aguardente vínica integra-se muito melhor quando misturada em quantidades mais elevadas, na barrica). Há dois factores que ajudam a explicar o porquê destes Colheitas dos anos 30 – os mais antigos que a empresa tem para venda – terem conseguido manter uma frescura incrível, sendo que um deles é este modo de exposição ao ar, e o outro é o facto de lavarem as pipas antes de recolocarem lá os Portos. Aqui estão as minhas notas de prova:

Kopke Porto Branco 1935

Fundada em 1638 por Christiano Kopke e pelo seu filho Nicolau, a Kopke é a empresa mais antiga de exportação de vinho do Porto. Em 1953 foi adquirida pela família Barros, nas mãos da qual ficou até 2006, altura em que a própria Barros foi aquirida pela Sogevinus. Com cerca de 45g/l de açúcar residual, este pálido e raro Colheita, feito a partir de uvas brancas, é, em termos de estilo, mais seco do que o Kopke Tawny Colheita de uvas tintas. Tem um nariz mais firme e focado, ainda que mais contido. Palato com notas distintas a maresia/ ozono e nogado, estilo Fino (Sherry Seco) – mais leve e menos doce do que o sabor a nozes que normalmente associo aos tawnies. E, talvez por ter menos extracto e açúcar residual, tem uma frescura particularmente marcada. É de um ano altamente considerado no Douro, e tem uma electrizante intensidade de perfume a casca de laranja, laranja e maça eau-de-vie, com notas de anis e apimentado num final longo e limpo.

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Kopke Porto Branco 1935 & Kopke Porto Colheita 1935 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Kopke Porto Colheita 1935

Âmbar carregado e borda de açafrão. Com as suas notas a casca de laranja e toranja no nariz, tem uma sensação palpável de frescura – um ponto a mais. Mas também há riqueza, o que me faz lembrar dos biscoitos Madeleine. Na boca, tem uma energia fantástica. Uma espinha nogada confere longevidade e tensão, o toque a toranja e a casca de laranja conferem sabor, enquanto que, um toque de vinagrinho de frutas faz um contraste picante com o figo seco, doce e suave. Um final longo, muito vibrante, com um timbre maravilhoso. Fabulosamente complexo e com personalidade.

Burmester Porto Colheita 1937

Henry Burmester e John Nash começaram a enviar vinho do Porto para as Ilhas Britânicas após chegarem a Vila Nova de Gaia, em 1750. A casa de Porto permaneceu na família Burmester até 2005, altura em que foi adquirida pela Sogevinus. Apesar de ter uma cor caramelo queimado, é um Colheita particularmente sedoso, com um paladar (e doçura aparente) muito diferente do Kopke. Parece muito mais jovem, tal é o seu perfeito e harmoniosamente frutado paladar a caramelo salgado. Alves descreve-o como sendo “uma caixa de perfume”, devido aos aromas que apresenta. É possível distinguir tamarindo, canela adocicada e cardamomo no chutney de frutas secas e damasco de Tânger. Rico, mas bem equilibrado, tem uma grande postura e persistência no final, carregado a cigarrilhas de café crème. Melífluo, muito elegante.

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Barros Porto Colheita 1938 & Burmester Porto Colheita 1937 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Barros Porto Colheita 1938

A Barros foi fundada em 1903 por Manoel de Almeida e adquirida pela Sogevinus em 2006. Proveniente de ano quente, este Barros tem tons fulvos, e nas bordas, açafrão e azeitona nas. No nariz sente-se um pouco a aguardente, com uma pitada de noz. E, contrariamente à realidade, sugere ser o mais velho dos Colheitas Tawny. Na boca é mais doce, com tâmaras secas, crème caramel, caramelo salgado e nogado. No entanto, o final demonstra um traço de terra e noz amarga – está a secar um pouco. Não é tão harmonioso como os outros.

O meu preferido? É difícil escolher entre o Kopke e o Burmester – são estilos tão diferentes, tal como devem ser. Fazendo um balanço, o Kopke é o mais etéreo dos dois – adorei a energia, tensão e toque que apresentou. Mas o equilíbrio aveludado do Burmester foi o que colheu mais votos.

Se quiser fazer o seu próprio mano a mano Burmester vs Kopke, porque não juntar-se a mim no Tour da Blend – All About Wine ao Porto, Vinho Verde e Douro no próximo mês?  Vamos fazer um frente a frente de Tawnies 20 anos e Portos brancos da Kopke e da Burmester, seguido de dois Colheitas da Kopke, um 1966, e outro de 1957, um dos meus Portos favoritos que também indiquei no artigo que escrevi para a wine-searcher em Dezembro.  Dias felizes!

Contactos
Sogevinus Fine Wines, S.A.
Avenida Diogo Leite nº 344
4400-111 Vila Nova de Gaia
Tel: +351 22 3746660
Fax: +351 22 3746699
E-mail: comercial@sogevinus.com
Website: www.sogevinus.com

Quinta do Pessegueiro Exibe Novidades

Texto João Barbosa

A humanidade agradece a grande quantidade de «o melhor vinho do mundo». Entre independentes, territórios com grande autonomia e Estados não reconhecidos, há 197 países. Destes, talvez só a Santa Sé não tenha um pé de vinha ou não fabrique uma garrafa de quarto de litro.

No total deve haver  um milhão d’«o melhor vinho do mundo» – que é um título democrático: tanto o camponês com 0,2 hectares, com o seu «vinho purinho», ao magnata, que despeja dinheiro, o conseguem fabricar.

Um homem – que se fez à vida e prosperou com mérito – tem uma ambição bem mais sensata: fazer um dos melhores vinhos do Douro. Refiro-me a Roger Zannier, que fez fortuna na indústria do vestuário, respeita e aprecia o vinho – e que tem uma outra propriedade, em França, nas Côtes de ProvenceChâteau Saint-Maur (cru classe).

Contrariamente a outros, incluindo os candidatos a ter «o melhor vinho do mundo», Roger Zannier não tem pressa. Estabeleceu um prazo – nem para ontem nem para amanhã; saudáveis oito anos – o que já dá pressão.

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Roger Zannier – Foto de Nuno Teixeira in mariajoaodealmeida.com

Não contratou um «enólogo voador», mas alguém com juventude, para trazer sangue novo, com capacidade reconhecida, e conhecimento da região. João Nicolau de Almeida (filho) toma conta do projecto.

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João Nicolau de Almeida in facebook.com/pages/Quinta-do-Pessegueiro/381339061883836

A firma apresentou em Lisboa os vinhos Aluzé Branco 2013, Aluzé Tinto 2011, Quinta do Pessegueiro Tinto 2011 e Quinta do Pessegueiro Vintage Port 2012. Cumpre um objectivo nem sempre alcançado: uma linha condutora, um perfil transversal que identifica a casa.

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Aluzé branco 2013, Aluzé tinto 2011, Quinta do Pessegueiro tinto 2011 and Quinta do Pessegueiro Vintage Port 2012 in facebook.com/pages/Quinta-do-Pessegueiro/381339061883836

A frescura aromática é traço comum a todos. Na prova de boca mantém-se essa agradável sensação. Somando-se – quase obrigatório – grande elegância, com fundura e persistência. Os quatro vinhos de pasto pedem comida. Pela elegância e suavidade, penso que a cozinha sofisticada lhe faça melhor companhia. Não afirmo que as comidas locais fiquem mal no retrato. O que quer expressar é a junção destes néctares, com o seu ADN duriense, com iguarias, com genética comum, mas trabalhadas de modo requintado.

Embora queiram um prato junto ao copo, os Aluzé fazem boa companhia quando se quer apenas conversar..

João Nicolau de Almeida estreou-se no engarrafamento do seu primeiro vintage. O Quinta do Pessegueiro Vintage Port 2012 está muito bem. Contudo, há mais caminho para andar. O mundo não acaba amanhã, os vintage são caprichos da natureza e não imposição dos homens… há tempo e saiba-se esperar pela ocasião.

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Quinta do Pessegueiro in quintadopessegueiro.com

Uma nota positiva é a qualidade arquitectónica das edificações, a recuperação da casa e a nova adega, com o traço dos arquitectos Artur Miranda e Jacques Bec. Não é um pormenor! Os edifícios funcionais – sejam para acolhimento, enoturismo de passagem, hotelaria, restauração e de fabricação – são um cartão-de-visita.

Infelizmente, são poucos os produtores que investem em boa arquitectura. Não é preciso contratar Norman Foster, Frank Ghery, Santiago Calatrava ou Siza Vieira. Há muito bons arquitectos portugueses, até jovens, capazes de criarem peças únicas. Este é mais um ensinamento de Roger Zannier.

Contactos
Quinta do Pessegueiro
Sociedade Agrícola e Comercial, Lda
5130-114 Ervedosa do Douro, Portugal
Tel : (+351) 254 422 081
Fax : (+351) 254 422 078
Email: quintadopessegueiro@zannier.com
Website: www.quintadopessegueiro.com