Posts Categorized : Outros

Uma Tarde em Camarate com Domingos Soares Franco

Texto José Silva

Domingos Soares Franco dispensa apresentações no mundo do vinho. Pertence à família proprietária da empresa José Maria da Fonseca , onde é também o responsável da enologia, mas é acima de tudo um apaixonado do vinho e um pesquisador, sempre insatisfeito, sempre a tentar fazer melhor e a tentar fazer coisas diferentes.

O seu trabalho é certamente uma das grandes razões do sucesso dum dos maiores produtores de vinho portugueses. Mas é também uma pessoa divertida que gosta de se relacionar com muita gente, e de apreciar as coisas boas da vida. Todos os anos, em Junho, Domingo Soares Franco convida um pequeno grupo de jornalistas que também são seus amigos para um almoço absolutamente informal na sua casa de Camarate, onde a primeira regra é que cada um leve uma garrafa de vinho, às quais Domingos Soares Franco junta meia dúzia de garrafas da casa.

A segunda regra é que não há regras: provam-se os vinhos (que entretanto foram colocados em várias champanheiras com gelo para estarem à temperatura adequada), trocam-se opiniões, fazem-se comparações, recordam-se outras provas, outros vinhos, outros estilos. Com todos os convidados já presentes, a que se juntaram a mulher e o filho de Domingos Soares Franco e o seu sobrinho António, sentamo-nos à mesa, para uma refeição simples mas completa.

Blend_All_About_Wine_An_Afternoon_in_Camarate_Wines

Vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Antes já se tinham petiscado uns frutos secos, umas tostas, pão e um queijo de Azeitão, curado, seco, que a mulher de Domingos Soares Franco não queria que ele colocasse na mesa, tal era o mau aspecto!

Mas Domingos, conhecedor quer do produto quer do gosto dos seus convidados, nem hesitou em colocá-lo na mesa. E o queijo lá desapareceu num ápice! Já se tinham provado os espumantes Terras do Demo Malvasia Fina e Terras do Demo Touriga Nacional, o alvarinho Nostalgia de 2013 e o II Terroirs do mesmo ano, e um branco do Dão da Quinta dos Carvalhais, que estiveram muito bem, cheios de vivacidade e frescura, a desaparecerem rapidamente.

E veio a primeira surpresa de Domingos Soares Franco, uma comparação entre dois brancos da casa, com alguns anos de garrafa, que é assim que o enólogo os quer: o Pasmados Branco 2009 que está cheio de estrutura e complexidade, com uma bela acidez e a madeira muito bem integrada, que foi comparado com o seu “avô” Pasmados de…1963, uma coisa muito séria, evoluído, sedoso, seco, brilhante! A dar muito boas indicações para a possibilidade de envelhecimento destes vinhos.

Ainda passaram pela mesa o Casal Santa Maria Pinot Noir 2011, o Mapa 2010, o Casa da Pasarela O Enólogo 2010 e o Painel 2001, todos em muito boas condições, a dar-nos muito prazer a beber.

Blend_All_About_Wine_An_Afternoon_in_Camarate_Wines_Batuta_05_Pasmados

Batuta 05 | Pasmados – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Voltando à mesa de almoço, foram servidos uns camarões grandes com maionese, alface e espargos, muito saborosos. E continuamos a nossa prova de vinhos, agora na companhia de óptima comida. Até havia um Ribeira del Duero 2003, um Mythos 2005 e um Batuta 2005, ainda em muito bom nível, com aquele toque dos tintos já com alguns anos e ainda a subir.

Aos camarões seguiu-se um prato com grande tradição na casa, uma sopa suculenta de ervilhas com chouriço e ovo escalfado, que fomos repetindo enquanto aguentamos, sempre na companhia daqueles vinhos fantásticos. Embora todos eles já tivessem sido provados nesta altura da refeição, voltaram aos copos os Romeira 1987, Bairrada Vinus Vitae 1987 e Quinta das Cerejeiras 1995, cheios de saúde, equilibrados, elegantes.

E veio então a segunda surpresa de Domingos Soares Franco, um tinto Colares de 1969, um clássico, aquela elegância no nariz, sedoso na boca, a dar prazer até à última gota. E uma relíquia dos vinhos portugueses, o José de Sousa Rosado Fernandes de 1940, um vinho absolutamente extraordinário, de que Domingos Soares Franco teve a ousadia de abrir duas garrafinhas! Difícil de descrever, absolutamente fantástico! Já não o provava há alguns anos, meu Deus, como continua exuberante, perfeito!!!

Blend_All_About_Wine_An_Afternoon_in_Camarate_Wines_Trilogia

Trilogia – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Chegada a ocasião das sobremesas, que foram colocadas no balcão – e das quais fazia parte obrigatória a verdadeira torta de Azeitão – vieram os licorosos, que em Azeitão são os moscatéis e também um vintage de 2000 da Ramos Pinto.

Passaram pelos copos o Alambre 20 anos (veja aqui um artigo Blend sobre este vinho), sempre seguro, muito agradável, e um delicioso Bastardinho 30 anos, cheio de elegância, uma acidez incrível, fresco, sedoso mas com uma bela estrutura, um grande vinho. E cantaram-se os parabéns, pois o filho de Domingos fazia anos.

Mas Domingos Soares Franco preparava a última surpresa da tarde: uma garrafa de Trilogia, um vinho exotérico, incrível, soberbo. Um vinho de contemplação! Depois disto, ficamos arrumados, a vociferar impropérios a Domingos e a lembrarmo-nos do patinho feio dos desenhos animados quando dizia: “It’s an injustice, it is!!!”

O sorriso aberto e franco de Domingos Soares Franco acompanhou-nos até casa, com satisfação.

Até para o ano Domingos, em Camarate…

Contactos
José Maria da Fonseca, S.A.
Quinta da Bassaqueira, Estrada Nacional 10
2925-542, Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, Portugal
Tel: 351 212 197 500
info@jmf.pt
www.jmf.pt

«Lisboa» mudou!

Texto Patrícia Leite 

Passados 21 anos desde a criação da Indicação Geográfica na região vitivinícola de Lisboa e depois de várias alterações das regras de produção e comércio, chegam agora novas mudanças a esta região.Brevemente poderemos ver no mercado novas categorias de produtos vitivinícolas com a designação IG «Lisboa», como vinhos frisantes, vinagres de vinho e aguardentes.

O Novo Regime da IG «Lisboa»

No passado dia 26 de Junho entrou em vigor o novo regime para a produção e comércio dos vinhos e demais produtos vitivinícolas da Indicação Geográfica (IG) «Lisboa», por força da publicação no dia anterior da Portaria nº130/2014.

Este diploma vem revogar o anterior regime em vigor desde 2009 e estabelecer novas regras, por força da actual lei comunitária da organização comum dos mercados dos produtos agrícolas, a chamada OCM Única, mantendo a qualidade e as práticas tradicionais que caracterizam os produtos vitivinícolas da região e reconhecendo a sua importância e o valor económico que os mesmos geram.

Lisboa_wine_blend1

Lisboa Region – in Font: www.winesofportugal.info

As principais alterações ao regime da IG «Lisboa» são as seguintes:
– Fixação do rendimento máximo por hectare das vinhas destinadas à produção dos vinhos e produtos vitivinícolas com direito à IG «Lisboa» em 200 hl;
– Inclusão de novas categorias de produtos do sector vitivinícola com direito ao uso da IG «Lisboa», a saber: vinho espumante de qualidade, vinho frisante, vinho frisante gaseificado, vinagre de vinho, aguardente vínica e aguardente bagaceira;
– Actualização das castas aptas à produção de vinho e respectiva nomenclatura, face às alterações introduzidas através da lista de castas para a produção de vinho em Portugal, publicada em 2012.

Neste novo regime, a IG «Lisboa» pode ser utilizada para a identificar as seguintes categorias de vinhos: vinho tranquilo (já prevista no regime anterior), vinho licoroso (já prevista no regime anterior), vinho espumante (já prevista no regime anterior), vinho espumante de qualidade (nova categoria), vinho frisante (nova categoria) e vinho frisante gaseificado (nova categoria).

[Para saber mais sobre as diferentes categorias de vinhos, poderá consultar o nosso artigo anterior sobre o tema]

Para além dos vinhos, a IG «Lisboa» pode ainda passar a identificar os seguintes produtos vitivinícolas: Vinagre de vinho, Aguardente vínica e Aguardente bagaceira.

Lisboa_wine_blend2

Copo de Vinho – Imagem corstesia de Danilo Rizzuti | FreeDigitalPhotos.net

Tal como acontece para qualquer outra IG, este novo regime estabelece ainda para a da IG «Lisboa» outras regras referentes à produção e ao comércio, nomeadamente sobre os seguintes temas:
– Delimitação da área geográfica de produção e Sub-regiões (Estremadura e Alta-Estremadura);
– Solos, castas e práticas culturais;
– Inscrição e caracterização das vinhas e rendimento por hectare;
– Vinificação e práticas enológicas;
– Características dos produtos;
– Inscrição de operadores económicos;
– Rotulagem e comercialização;
– Circulação e documentos de acompanhamento;
– Controlo e certificação.

Poderá conhecer em pormenor todas as regras consultando o próprio diploma.

De «Estremadura» a «Lisboa»

Foi em 1993, com a Portaria nº351/93, que foi criada a IG para a região de Lisboa, nessa altura denominada por «Estremadura», a qual destinava-se a vinhos tranquilos, chamados «Vinho Regional Estremadura».

A área geográfica de produção da IG abrangia os mesmos concelhos que hoje abrange, a saber:
– O distrito de Lisboa, à excepção do município de Azambuja;
– Do distrito de Leiria, os municípios de Alcobaça, Batalha, Bombarral, Caldas da Rainha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Óbidos, Peniche, Pombal (exceto as freguesias de Abiul, Pelariga, Redinha e Vila Cã) e Porto de Mós;
– Do distrito de Santarém, o município de Ourém.

Lisboa_wine_blend3

GI «Lisboa» Geographical Area – in Portaria (Ministerial Order) No. 130/2014

No ano 2000, a utilização da anterior IG «Estremadura» foi alargada a vinho licoroso (Portaria nº244/2000) e, em 2003, houve a alteração do regime quanto ao teor alcoólico dos mostos destinados à elaboração dos vinhos (Portaria nº1066/2003).

A IG da região de Lisboa foi redenominada «Lisboa» em 2009 já que se concluiu que esse topónimo teria efeitos positivos na divulgação e comercialização dos vinhos, nomeadamente para os mercados externos, pela sua notoriedade, maior facilidade de leitura e melhor referência quanto à localização (Portaria nº426/2009, depois alterada pela Portaria nº1393/2009). A par do novo nome, a IG passou também a ter duas sub-regiões – Estremadura e Alta-Estremadura – e a poder ser utilizada na categoria de vinho espumante.

Outros Produtos Certificados

Para além da certificação como IG “Lisboa», os produtos vitivinícolas desta região podem ainda ser certificados como produtos com uma das 9 Denominações de Origem (DO): «Alenquer», «Arruda», «Bucelas», «Carcavelos», «Colares», «Encostas d’Aire», «Lourinhã», «Óbidos» e «Torres Vedras».

De notar que as áreas geográficas de produção da IG «Lisboa» e das DO da região são distintas, correspondendo cada uma delas a uma delimitação territorial específica, como poderemos perceber no mapa infra.

[Para saber mais sobre o conceito e diferenças entre DO e IG, poderá consultar o nosso artigo anterior sobre o tema]

Lisboa_wine_blend4

Extracto de Regiões Vitivinícolas – in ViniPortugal

 

É à Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVRLx) que compete controlar a produção e o comércio e certificar os produtos vitivinícolas com direito às DO «Alenquer», «Arruda», «Bucelas», «Carcavelos», «Colares», «Encostas d’Aire», «Lourinhã», «Óbidos» e «Torres Vedras» e à IG «Lisboa».

Esta Comissão Vitivinícola foi designada como Entidade Certificadora em 2008, pela Portaria nº739/2008, no âmbito do processo de reorganização institucional do sector vitivinícola português que se iniciou em 2006.

[Para saber mais sobre a história do Sector dos Vinhos em Portugal e o papel da CVRLx como Entidade Certificadora, poderá consultar o nosso artigo anterior sobre o tema]

Contactos
Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa
Rua Cândido dos Reis – Apartado 145
2560-312 Torres Vedras
Tel.: 261 316 724
Fax: 261 313 541
Email: cvr.lisboa@mail.telepac.pt
Site: www.vinhosdelisboa.com

Denominação de Origem e Indicação Geográfica

Texto Patrícia Pais Leite 

O que significa “DOC” que vemos tantas vezes nas garrafas dos vinhos portugueses? É o mesmo que “Denominação de Origem”? E o que significa o termo “Vinho Regional”? Porque é que há ainda outros vinhos que não são “DOC” nem “Vinho Regional”? São estas questões que pretendemos aqui esclarecer. 

Legenda
DO: Denominação de Origem;
IG: Indicação Geográfica;
Produtos vitivinícolas: vinhos, vinhos espumantes, vinhos frisantes, vinhos licorosos, vinagres de vinho, aguardentes de vinho e aguardentes bagaceiras;
Certificação de produtos vitivinícolas: processo de validação da conformidade do produto com os requisitos definidos pela Entidade Certificadora para a DO ou a IG, o qual é evidenciado, no caso dos produtos engarrafados, através do selo de garantia constante da garrafa.

Os Conceitos

“Queijo Serra da Estrela”, “Carne Barrosã”, “Mel dos Açores”, “Azeite de Moura”, “Pêra Rocha do Oeste” e ainda “Ovos Moles de Aveiro”, são nomes que conhecemos e associamos a produtos de qualidade, certificados e relacionados com uma determinada origem geográfica. Trata-se de produtos registados em sede comunitária como produtos agrícolas ou géneros alimentícios com Denominação de Origem Protegida ou Indicação Geográfica Protegida.
E, nos vinhos, todos nós estamos familiarizados com nomes como “Alentejo”, “Douro”, “Vinho Verde”, “Trás-Os-Montes”, “Dão”, “Bairrada”, “Ribatejo”, entre outras.

designation-of-origin-and-geographical-indication1

Queijo Serra Estrela – in confrariadoqueijoserradaestrela.com

Foi efectivamente no sector vitivinícola que nasceu o primeiro sistema de protecção de uma Denominação de Origem, em 1756, com criação da Região Demarcada do Douro. Actualmente, por força das leis comunitárias, o conceito de vinho de qualidade baseia-se nomeadamente nas características específicas atribuíveis à sua origem geográfica, sendo os vinhos identificados por Denominações de origem (DO) ou Indicações Geográficas (IG).

No sector dos vinhos, uma DO é o nome geográfico de uma região (ou uma denominação tradicional, associada a uma origem geográfica ou não) que serve para identificar um produto vitivinícola:
– cuja qualidade ou características se devem, essencial ou exclusivamente, ao meio geográfico, incluindo os factores naturais (ex: clima, solo, castas) e humanos (ex: técnicas de vinificação);
– cujas uvas provêm exclusivamente dessa região;
– e cuja produção ocorre no interior dessa região.
A área de produção de uma DO é a respectiva Região Demarcada.

designation-of-origin-and-geographical-indication2

Pinhão, Douro © Blend All About Wine, Lda.

O conceito de IG difere do conceito de DO essencialmente nos seguintes pontos:
– a qualidade, reputação ou outras características do produto podem ser atribuídas a essa origem geográfica, não sendo relevantes os factores humanos, como na DO;
– pelo menos, 85% das uvas utilizadas são provenientes exclusivamente dessa região, não a totalidade das uvas, como na DO.
De notar que a produção terá também de ocorrer no interior da área geográfica delimitada.

Para além das distinções conceptuais, a DO difere ainda da IG por uma maior exigência ao nível dos requisitos para a certificação dos produtos, nomeadamente quanto ao título alcoométrico, às castas utilizadas, aos métodos de vinificação, às práticas enológicas, às características organolépticas, entre outros.

designation-of-origin-and-geographical-indication3

Image courtesy of Rawich in FreeDigitalPhotos.net

Com efeito, o uso de cada DO está subordinado ao cumprimento de regras específicas de produção e comércio, constantes de um regulamento próprio, que disciplina a delimitação da região de proveniência, a natureza do solo, as castas aptas à produção, as práticas culturais e formas de condução, os rendimentos por hectare, os métodos de vinificação, as práticas enológicas, o título alcoométrico, as características físico-químicas e organolépticas, as regras específicas sobre rotulagem (se necessário).

Para o uso de cada IG, existe também um regulamento de produção e comércio próprio, mas este apenas deve definir, pelo menos, a delimitação da região de proveniência, as castas e as regras específicas de produção e apresentação, designação e rotulagem, sempre que necessário.

As Designações Oficiais

Até Agosto de 2009, as designações dos vinhos com DO eram várias e pouco perceptíveis para o consumidor. Podíamos ver nos rótulos “VQPRD” (Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada), “VEQPRD” (Vinho Espumante de Qualidade Produzido em Região Determinada), “VFQPRD” (Vinho Frisante de Qualidade Produzido em Região Determinada) e “VLQPRD” (Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em Região Determinada). Cada uma destas designações correspondia à respectiva categoria de vinhos: Vinho Tranquilo, Vinho Espumante, Vinho Frisante e Vinho Licoroso.

designation-of-origin-and-geographical-indication4

Glasses © Blend All About Wine, Lda.

Com a classificação comunitária em vigor desde 1 de Agosto de 2009, um vinho que cumpra os requisitos de uma DO é designado simplesmente como “Vinho com DO”, independentemente da sua categoria.
Por seu lado, um vinho que cumpra os requisitos de uma IG é designado como “Vinho com IG”, enquanto anteriormente era designado como “Vinho de Mesa com IG”.

Em termos de categorias, tanto um “Vinho com DO” como um “Vinho com IG” podem ser vinho tranquilo, vinho espumante, vinho frisante ou vinho licoroso (Sobre este tema, veja o nosso último artigo).

designation-of-origin-and-geographical-indication5

Image courtesy of Rawich- in FreeDigitalPhotos.net

Na rotulagem dos “Vinhos com DO” portugueses, são utilizadas as menções “Denominação de Origem Controlada” / “DOC” ou “Denominação de Origem Protegida”.

Para os “Vinhos com IG” portugueses, pode ser utilizada a menção “Vinho Regional” ou “Vinho da Região de” ou “Indicação Geográfica Protegida”. De notar que o “Vinho Regional” não está associado a DO mas sim a IG.

E os vinhos que não são “DOC” nem “Vinho Regional”? Estes são classificados como “Vinhos sem DO e sem IG”, também designados apenas “Vinhos”. Correspondem aos anteriores “Vinhos de Mesa”.

Wine Official Designations © Blend All About Wine, Lda.

A Protecção das DO e das IG

Ao garantirem a genuinidade e a qualidade dos produtos, as DO e as IG permitem ainda a protecção dos consumidores e dos produtores, o bom funcionamento do mercado dos vinhos e a promoção de produtos de qualidade. Por estes motivos, as DO e as IG beneficiam de protecção contra qualquer utilização comercial que as prejudique (usurpação, imitação ou evocação) ou que explore indevidamente a sua reputação.

A defesa de cada DO ou IG e o respectivo processo de controlo e certificação cabem à respectiva Entidade Certificadora (Comissões Vitivinícolas Regionais, Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I. P. e Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, I.P.).

Podemos confirmar que um vinho engarrafado é certificado como “Vinho com DO ou IG” através do selo de garantia constante da garrafa.

Da escrita ao vinho: Parte 2 – Os Vinhos do Sonho Lusitano de Richard Mayson

Texto Sarah Ahmed  | Tradução Teresa Calisto

Quando se trata de fazer vinho, excluindo o Vinho do Porto, a aliança comercial Anglo-Portuguesa parece andar em torno do nome Richard. Por exemplo, os Richardsons of Mouchão  de Sir Cliff Richard da Adega do Cantor.

O mais recente Britânico a continuar com esta tradição, é o escritor de vinhos Richard Mayson, que publicou vários livros sobre os vinhos portugueses do Porto e da Madeira. Não satisfeito com o facto de ter entrado, por casamento, para a famosa família madeirense Blandy, adquiriu a sua própria propriedade, Quinta do Centro, em 2005 na sub-região Alentejana de Portalegre (que ligação é esta dos escritores de vinho a Portalegre?!?).

Os vinhos são feitos em parceria com o conhecido enólogo e consultor Rui Reguinga com o revelador nome de marca Sonho Lusitano (‘Lusitanian Dream’). Falei com Mayson sobre viver o sonho, neste segundo de três artigos sobre escritores de vinho que fazem vinho em Portugal. A seguir, Tiago Teles.

 

Escultura de Cavalo – Foto cedida por Richard Mayson | Todos os Direitos Resrvados

Como surgiu este interesse por vinho?

Em Portugal: a minha família era fabricante de têxteis e tinha ligações comerciais lá. As férias e as viagens de negócios eram muitas vezes associadas. Os meus pais tinham uma casa em Portugal e apresentaram-me ao vinho era eu ainda muito jovem.

Quando foi mordido pelo bichinho do vinho – quando é que passou a ser um hobby a sério?

O meu primeiro emprego fez-me ficar com o bichinho do vinho. Tinha acabado de sair da escola aos 18 anos e estava a desfrutar de um ano sabático em Portugal, quando arranjei trabalho num restaurante. Os donos tornaram-me responsável pela lista de vinhos, na realidade apenas tinha que me certificar que a adega estava abastecida com os vinhos da lista e fazer as encomendas. Mas lembro-me de ter pensado que este era um tema realmente interessante, e fui até Lisboa para comprar alguns livros sobre vinho, que li na praia nas minhas tardes de folga. Durante os meses de Inverno, comecei a visitar as vinhas e através de alguns contactos profissionais dos meus pais, fui convidado para almoçar com Jorge Ferreira do despachante de vinho do Porto homónimo. Foi no dia 24 de Março de 1980 e lembro-me de ter pensado “isto é que é vida”. O bichinho tinha mordido!

O que o levou a uma carreira na escrita de vinhos?

Quando estava na Universidade, tive que escrever uma dissertação como parte do meu curso. Usando os contactos que tinha feito em Portugal durante o meu ano sabático, passei os meses de Julho e Agosto de 1982 a pesquisar o micro clima das vinhas do Douro. A nossa empresa familiar de têxteis tinha acabado de fazer um grande número de despedimentos na recessão do início dos anos 80 e não havia emprego para mim, pelo que decidi candidatar-me a empregos no comércio de vinhos. Tive a sorte de ter sido acolhido pela The Wine Society, onde uma das minhas tarefas era escrever, tanto ofertas, como notas de prova, para incluir nas caixas sortidas. Mas sempre tive a ideia de querer escrever um livro sobre vinhos Portugueses e, com a pressão dos compromissos profissionais familiares, quando surgiu a oportunidade em 1989, deixei a Wine Society para me tornar escritor de vinhos freelancer. O livro “Portugal’s Wines and Wine Makers” (“Vinhos e Vinhas de Portugal”) foi publicado em 1992 pela Ebury Press.

Na sua escrita, que vinhos o inspiraram mais e porquê?

A resposta tem que ser o Douro e especificamente o Vinho do Porto Tawny de 20 anos. Há algo de verdadeiramente mágico e misterioso no equilíbrio melífluo e na postura destes vinhos que não se baseiam apenas num ano ou colheita. Acho que fui inspirado também pelo Sherry (tendo tido uma visita alargada a Jerez por ter ganho a Bolsa Vintner em 1987) e pelo Madeira, tendo visitado a ilha pela primeira vez em 1990.

Na sua escrita, que vinhos o inspiraram menos e porquê?

É um grande desafio responder a essa pergunta, uma vez que me interesso por todos os vinhos. No entanto, sou menos inspirado por algumas das marcas maiores e pelos vinhos mais comerciais vendidos a níveis de preço chave pelos supermercados. Na realidade, acho estas promoções “menos de metade do preço” deprimentes.

Foto cedida por Richard Mayson | Todos os Direitos Resrvados

Alguma das duas últimas respostas mudou desde que começou a fazer os seus próprios vinhos?

Não, acho que fazer vinho apenas consolida a nossa opinião. Enquanto produtor de vinho é frustrante ver os consumidores serem enganados com vinhos fracos, por vezes a preços altos e muitas vezes pensamos “Eu consigo fazer muito melhor que isto!”

O que o motivou a fazer o seu próprio vinho? Houve algo em particular? 

Eu sempre tive em mente transformar as minhas palavras em acções. Eu andava a escrever há anos sobre o potencial que Portugal tinha e tem, enquanto país produtor de vinhos e queria ser eu a mostrar isso mesmo. Há alguma satisfação em “passar de caçador furtivo a guarda de caça”.

Dada a sua especialidade ser o Vinho do Porto, o Madeira e os vinhos do Douro, porquê o Alentejo?

Duas razões principais: o Douro é um sítio complicado e, quando finalmente me decidi a avançar, estava cada vez mais superlotado de actores, muitos deles a fazer vinhos excelentes. Para além disso os preços do imobiliário tinham perdido a ligação com a realidade. O meu Alentejo não é um Alentejo qualquer, mas um canto de Portugal que eu tinha debaixo de olho há anos. Primeiro a região de Portalegre é espectacularmente linda e mais parecida com o Norte de Portugal do que com o Sul, com pequenos minifúndios em montanhas de granito e xisto. Tem um terroir fabuloso e eu queria mostrar isso mesmo e colocar este lugar no mapa.

Depois de ter decidido fazer o seu próprio vinho, quanto tempo demorou até ter o seu primeiro vinho?

Qual o comprimento de um pedaço de fio? Demorou-me bastante tempo a encontrar o sítio certo e nunca se tem a certeza se se vai avançar até se encontrar o sítio certo. Creio que demorou cerca de cinco anos desde começar a procurar a sério até produzir o nosso primeiro vinho em 2005.

Qual era a sua visão para o seu vinho e ela mudou de alguma maneira?

Quando enveredei por este projecto disse, meio a sério, meio a brincar, que queria ser o “Petrus de Portugal”! Agora percebo que para ser Petrus (ou qualquer outro grande vinho icónico) é necessário ambicionar ser perfeito a todos os níveis. A perfeição vem, não só, a enorme custo, tanto financeiro como emocional, e como resultado, a maioria dos vinhos são um compromisso, moldado para o mercado. Eu acredito que temos as condições naturais na Serra de São Mamede para fazer vinho realmente bom e de qualidade mundial, mas que demora tempo a chegar lá e que o preço que se recebe por todo o nosso trabalho árduo, depende do que o mercado irá aceitar. Comprar uma vinha e fazer e vender os nossos próprios vinhos traz uma forte dose de aspectos práticos ao nosso sonho inicial. Fazê-lo durante uma das mais sérias crises financeiras da história, apenas serve para testar ainda mais o nosso sonho.

Teve desde o início uma ideia sólida sobre quem iria comprar e degustar o seu vinho e isso é importante?

Sim, eu tinha planeado desde o início fazer três vinhos tintos diferentes. Começando com um vinho, Pedra Basta em 2005, chegamos aos três (Duas Pedras e Pedra e Alma) em 2009. Antes de lançarmos o nosso primeiro vinho Pedra Basta em 2007, testamos o mercado para ter a certeza que nos encontrávamos na categoria certa de preço/qualidade, tanto em Portugal como, mais essencialmente, a nível internacional. É também importante encontrar o nome e imagem certos para o nosso vinho. Basicamente conhecíamos o nosso mercado e continuamos a tê-lo como alvo, apesar desse alvo estar em constante movimento.

Richard Mayson – Foto cedida por Richard Mayson | Todos os Direitos Resrvados

Quão envolvido está no processo de cultivo da uva, produção do vinho, desenvolvimento da marca/embalagem e marketing? 

No início tentei estar envolvido em todos os níveis, mas com três crianças pequenas em casa e outros trabalhos para fazer, isso não é possível. No entanto, eu gosto de saber o que está a acontecer e tomo as decisões estratégicas nas vinhas, sobre a mistura dos lotes e sem dúvida, sobre o desenvolvimento da marca/embalagem e marketing. Tenho muita sorte em ter uma equipa excelente e de confiança, incluindo o brilhante enólogo Rui Reguinga que é também o meu sócio. Pensamos dentro das mesmas linhas e gostamos dos mesmos tipos de vinhos, o que ajuda!

Tinha alguma experiência na produção de vinhos ou fez alguns estudos em enologia antes de fazer o seu próprio vinho?

Eu passei uma vida no vinho, que incluiu trabalhar num conjunto de casas vinícolas tanto em Portugal como na Austrália, portanto eu sabia no que me estava a meter. Mas se tenho uma formação formal? Não. Eu não confiaria em mim para ser responsável por uma colheita dia a dia, hora a hora, mas eu sei o que se passa.

Tem um mentor ou herói do vinho que o inspire?

Essa é difícil de responder porque eu tenho tantos bons amigos no negócio do vinho cuja influência me contagiou ao longo dos anos. Para nomear apenas alguns, diria Rick Kinzbrunner da Giaconda, em Victoria, Austrália, a família Roquette da Quinta do Crasto no Douro e Dirk Niepoort que reinventou o negócio da família ao longo dos últimos 25 anos.

De que forma a sua experiência enquanto escritor de vinhos, influenciou o estilo de vinho que faz, a região e/ou as variedades a partir das quais obtém as suas uvas, e como desenvolve a marca e vende os seus vinhos?

Eu diria que ser escritor de vinhos tem tido uma influência a todos os níveis. Enquanto escritor de vinhos vê-se tanto deste mundo; o óptimo, o bom e o mau e o feio. Isto quer dizer que formamos ideias bastante claras sobre o que funciona para nós. Obviamente, em termos de estilo, antes de mais, temos que respeitar o terroir. Eu costumava ser um céptico do terroir mas agora sou um fanático. Obtemos as nossas uvas das minhas vinhas, pelo que os nossos vinhos são específicos do local. As uvas que tenho são, em parte, aquelas que têm um historial de se dar bem na nossa área, mas também aquelas de que gosto e sobre as quais tenho um palpite, como Syrah e Touriga Nacional. Por muito que goste da variedade, nunca plantaria Pinot noir em Portalegre, da mesma forma que não plantaria Syrah em Sheffield! Apesar dos nossos vinhos serem de uma única propriedade, Quinta do Centro, decidi desde cedo, criar a marca dos nossos vinhos de acordo com o terroir local, em vez de seguir o caminho, tantas vezes repetido, da propriedade única. “Pedra” é o nosso tema comum e reflecte a minha crença no nosso terroir predominantemente granítico.

Escrever sobre vinhos dá-lhe uma compreensão do processo, do mercado, etc. mas fazer o seu próprio vinho envolveu algum desafio/dificuldade imprevisto? Se sim, quais são?

Sim, há alturas em que o sonho se transforma em pesadelo, especialmente quando as coisas correm mal no meio da vindima, quando toda a gente está a trabalhar ao máximo e há bastante tensão. Eu passei uma vindima, enterrado até aos joelhos em efluente, quando o sistema de esgotos deixou de funcionar. Não pensamos nestas coisas quando estamos a provar vinho, mas para fazer bom vinho é preciso muita água e ela tem que ir para algum lado.

Adega – Foto cedida por Richard Mayson | Todos os Direitos Resrvados

Reciprocamente, fazer o seu próprio vinho ultrapassou as suas expectativas de alguma forma? Há alguns aspectos do processo que considere particularmente agradáveis? 

Adoro tudo (com excepção dos esgotos, obviamente) mas acho que promover e vender o nosso vinho me trouxe mais satisfação do que estava à espera. 

Estar envolvido no processo de produção mudou a sua perspectiva sobre o mundo do vinho em alguma forma?

Sim, eu diria que produzir vinho mudou a maneira como penso sobre praticamente tudo o que tem a ver com vinho. Enquanto escritor de vinho, estamos do lado de quem recebe muita hospitalidade e não vemos com frequência a angústia comercial que faz parte da enologia, a quase todos os níveis. A regulamentação vitivinícola é particularmente frustrante.

Está satisfeito com a sua gama – em termos do próprio vinho (coincide com a sua visão), as vendas e o nível de preço?

Sim, estou muito satisfeito com a nossa gama. Pedra Basta é o nosso vinho principal e vende no Reino Unido por cerca de £12.50, com o Duas Pedras a £8.50 e o Pedra e Alma a cerca de £20. Acredito que todos os nossos vinhos oferecem um bom valor pelo dinheiro e isso é importante. Temos que acreditar nos nossos produtos.

E a seguir (alguns planos para expandir a gama)? 

Possivelmente um Pedra Basta branco, possivelmente um rosé. Está sempre sob discussão. 

Qual é a coisa mais excitante que está a acontecer com os vinhos Portugueses hoje em dia? 

Acho que os vinhos brancos provaram e estão a provar que são incrivelmente emocionantes em Portugal. Mais ainda, gosto da reabilitação da uva Baga que está a acontecer.

Vinho é um luxo, não uma necessidade – o que faz com que valha a pena e qual é o valor mínimo que os consumidores devem esperar pagar por um vinho interessante de qualidade? 

É a variedade que dá sabor à vida e não há nada mais variado que o vinho, em estilo, carácter, história e embalagem. Veja-se a gama média dos supermercados. Não encontra nada parecido com esta variedade em sumos de laranja ou feijão enlatado! Quanto é que os consumidores devem pagar, depende do mercado, mas no Reino Unido, grande parte do custo do vinho está a ser fixado sob a forma de taxas e despesas gerais. Eu diria que £7.50 seria a regra geral, tendo sempre em conta que quanto mais se paga, mais vinho se obtém pelo dinheiro.

Pedra Basta – Foto cedida por Richard Mayson | Todos os Direitos Resrvados

Há tanta competição por espaço de prateleira – porque é que os retalhistas e os consumidores devem escolher Portugal?

Portugal redescobriu o seu terroir nos últimos vinte anos e é um sítio muito emocionante para se estar. Dentro de Portugal há um espectro enorme de vinhos, tinto, branco e fortificado, mais do que em qualquer outro país de tamanho comparável, atrever-me-ia a dizer. Portugal oferece uma gama de sabores única, a partir de uvas fascinantes, bem como óptima relação custo/benefício. Qualquer pessoa com um interesse genuíno por vinho, deve ter mais que um interesse superficial por Portugal. Pode não ser o país mais fácil de compreender, mas traz recompensas enormes para aqueles que despendam do tempo e do esforço.

E porque deveriam escolher um dos seus vinhos? Qual é a história?  

Pedra Basta 2010. Este é o vinho que sempre quis fazer.Acabamos de lançar a colheita de 2010 e apesar de ter sido um ano bastante difícil, o Rui Reguinga fez um óptimo trabalho e acho que o vinho é o nosso melhor até à data. Nós aliviamos deliberadamente o carvalho, para permitir que a fruta se expressasse mais. O vinho é uma verdadeira reflexão do nosso terroir de montanha, fruta madura combinada com frescura e subtileza. As uvas são Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet com um toque de Cabernet Sauvignon. Não vou encher esta resposta com a prosa púrpura do escritor de vinho, pelo que bastará dizer que eu estou muito, muito orgulhoso dele. Prove-o e veja se concorda.

LISBOA … uma região vitivinícola renovada!

Texto Olga Cardoso

A região de Lisboa, anteriormente conhecida por Estremadura, situa-se a noroeste da capital, numa área de cerca de 40 km de extensão. O clima é maioritariamente temperado em virtude da influência atlântica.

As vinhas que crescem próximo da costa amadurecem de forma mais lenta devido às brisas marítimas, enquanto as situadas em áreas mais soalheiras do interior estão bem resguardadas pelo terreno acidentado.

Photo by IVV – Instituto da Vinha e do Vinho, I.P. | All Rights Reserved

A Região de Lisboa é, presentemente, uma das mais importantes do país em termos de volume de produção e contempla 9 Denominações de Origem distintas, reconhecendo-se assim a tipicidade, singularidade e qualidade dos seus vinhos.

Alenquer, Arruda, Bucelas, Carcavelos, Colares, Encostas d’Aire, Lourinhã, Óbidos e Torres Vedras, são as suas Denominações de Origem, contando ainda com a indicação geográfica homónima “Vinho Regional Lisboa”.  Veja aqui para mais detalhes.

Na zona Sul da região encontram-se as três Denominações de Origem mais conhecidas pela sua tradição e prestígio: Bucelas, Carcavelos e Colares.

Na sua parte central, encontramos as mais vastas manchas de vinha desta região, onde para além do Vinho com Indicação Geográfica Lisboa, foram reconhecidas pelas suas características de elevada qualidade as Denominações de Origem Alenquer, Arruda, Torres Vedras e Óbidos.

Mais junto ao mar vamos encontrar uma zona produtora de vinhos particularmente vocacionados para a produção de aguardentes de qualidade e que mereceram o reconhecimento da Denominação de Origem Lourinhã.

Na zona mais a Norte, distingue-se uma vasta região de vinha que se estende desde as encostas das serras dos Candeeiros e de Aires até ao mar. Ali, produzem-se os vinhos com direito à Denominação de Origem Encostas d’Aire.

Photo by ViniPortugal | All Rights Reserved

A região de Vinhos de Lisboa abarca assim uma área de vinha de 30 mil hectares, produzindo cerca de 20 milhões de garrafas de vinho certificadas, além de aguardente, espumantes e vinhos licorosos.

As principais castas brancas são o Arinto, Fernão Pires, Malvasia, Seara-Nova e Vital, enquanto nas castas tintas predominam o Alicante Bouschet, Aragonez, Castelão, Tinta Miúda, Touriga Franca, Touriga Nacional e Trincadeira, para além da contribuição de castas internacionais como o Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Syrah.

Na região vitícola de Lisboa produzem-se hoje diversos brancos de notável qualidade. No entanto, é de Bucelas, demarcada em 1911, que nos chegam os seus vinhos brancos mais famosos e apreciados.

Elaborados essencialmente a partir da casta Arinto, estes vinhos brancos apresentam uma acidez equilibrada, suaves aromas florais e são capazes de conservar as suas qualidades durante anos.

No que respeita aos tintos, esta região tem vindo a sofrer algumas alterações no seu panorama global. Se Colares e Carcavelos assumem hoje uma elevada importância histórica, outras Denominações de Origem, fruto da enorme reestruturação efectuada nas suas vinhas e adegas, produzem agora vinhos harmoniosos, equilibrados e conhecidos pela sua boa relação qualidade/preço.

Photo by Carlos Janeiro | All Rights Reserved – Veja aqui o blog do Carlos

A região de Alenquer produz alguns dos mais prestigiados vinhos DOC da região de Lisboa. A sua situação geográfica favorece a maturação das uvas, resultando em tintos mais intensos e concentrados.

Noutras zonas da região de Lisboa, os vinhos tintos são aromáticos, elegantes, ricos em taninos e capazes de envelhecer alguns anos em garrafa.

Fruto da modernização e da aposta na qualidade, o perfil dos vinhos tintos Lisboa começou a alterar-se, tendo adquirido mais cor, corpo, equilíbrio, intensidade e complexidade.

E agora convido-os a ver um video sobre a cidade das setes colinas, seus vinhos, história e diversidade.

 


CVR Lisboa | All Rights Reserved

Região Vitivínicola de Lisboa – vinhos de paixão!

Tipos e Categorias de Vinhos

Texto Patrícia Leite 

Podemos encontrar no mercado vinhos de tipos diferentes, que podem ter a mesma marca e até apresentação semelhante: Vinhos com DO, Vinhos com IG e Vinhos sem proveniência geográfica definida. Em cada um destes tipos de vinhos, podemos ainda encontrar categorias diferentes: Licorosos, Frisantes, Espumantes e Tranquilos. Para compreender a linguagem vínica e poder escolher de forma informada, é fundamental conhecer os tipos e as categorias de vinhos e as diferenças entre elas.

Legenda
DO: Denominação de Origem;
IG: Indicação Geográfica;
Região Demarcada: uma área vitícola que produz produtos vitivinícolas com características qualitativas especiais e cujo nome é utilizado para designar uma DO;
Bar: unidade de medida de pressão utilizada nos vinhos para medir a sobrepressão devida ao dióxido de carbono.
Classificação legal dos vinhos

Quanto à tipologia, a lei comunitária classifica desde 2009 os vinhos em “Vinhos com Denominação de Origem (DO)”, “Vinhos com Indicação Geográfica (IG)” e “Vinhos sem DO e sem IG”.

Os “Vinhos com DO” provêm de uma Região Demarcada e cumprem os requisitos da respectiva DO, quanto ao teor alcoólico, às castas utilizadas, aos métodos de vinificação, às práticas enológicas, às características organolépticas (cor, limpidez, aroma e sabor), entre outros requisitos.

Antes de 2009 os “Vinhos com DO” eram classificados como “VQPRD” (Vinhos de Qualidade Produzidos em Região Determinada), “VEQPRD” (Vinhos Espumantes de Qualidade Produzidos em Região Determinada), “VFQPRD” (Vinhos Frisantes de Qualidade Produzidos em Região Determinada) e “VLQPRD” (Vinhos Licorosos de Qualidade Produzidos em Região Determinada).

Os “Vinhos com IG”, habitualmente designados em Portugal como “Vinhos Regionais”, provêm de uma determinada área de produção e cumprem os requisitos da respectiva IG.
Antes de 2009 os “Vinhos com IG” eram classificados como “Vinho de Mesa com IG”.

Por fim, os “Vinhos sem DO e sem IG”, também designados apenas “Vinhos”, não têm uma origem geográfica específica e, antes de 2009, eram classificados como “Vinhos de Mesa”.

© Blend All About Wine, Lda | All Rights Reserved

A legislação comunitária define ainda as categorias de vinhos. Estas categorias estão também definidas na primeira parte do “Código Internacional de Práticas Enológicas” elaborado pela OIV – Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), uma organização intergovernamental de natureza científica e técnica que actua como uma entidade de referência no sector vitivinícola. Este código é uma referência técnica e legal que visa a normalização dos produtos do sector vitivinícola e que deve ser usado como base na definição das normas nacionais e supranacionais, bem como deverá ser respeitado no comércio internacional.

As principais categorias de vinhos são as seguintes: Vinho Tranquilo, Vinho Espumante, Vinho Frisante e Vinho Licoroso. Estas categorias podem existir em “Vinhos com DO”, em “Vinhos com IG” e também em “Vinhos sem DO e sem IG”. Em cada um destes tipos e categorias, o vinho pode ser Branco, Tinto ou Rosado/Rosé.

© Blend All About Wine, Lda | All Rights Reserved

Para além destas menções, podemos também encontrar nos rótulos portugueses as seguintes menções, entre outras:
– a menção “Vinho branco de uvas tintas”, quando se trate de vinhos tranquilos e vinhos espumantes obtidos exclusivamente de uvas tintas;
– a menção “Clarete”, se estivermos perante um vinho tinto pouco colorido com um teor alcoólico não superior em 2,5 % vol. ao limite mínimo legalmente fixado para a categoria ou para a DO/IG;
– a menção “Palhete” ou “Palheto”, quando se trate de um vinho tinto, obtido da curtimenta parcial de uvas tintas ou da curtimenta conjunta de uvas tintas e brancas, não podendo as uvas brancas ultrapassar 15% do total.

E existem ainda na rotulagem dos vinhos portugueses com DO ou IG outras menções, designadas menções tradicionais, tais como “Colheita Seleccionada”, “Escolha”, “Superior”, “Reserva”, “Garrafeira”, “Colheita Tardia”. Abordaremos estes designativos num artigo posterior.

Definição de cada categoria

As categorias atrás referidas são definidas na lei comunitária de acordo com características técnicas que as distinguem entre si.

O Vinho Tranquilo é obtido exclusivamente por fermentação alcoólica; tem um teor alcoólico de 8,5% vol. ou 9% vol., dependendo da zona vitícola, a 15% vol.; se se tratar de um “Vinho com DO” ou “Vinho com IG”, o teor alcoólico situa-se entre os 4,5% vol. e os 15% vol.; o limite máximo de teor alcoólico pode atingir 20% vol. para vinhos produzidos sem qualquer enriquecimento provenientes de determinadas zonas vitícolas especificamente definidas e pode exceder 15% vol. para “Vinhos com DO” produzidos sem enriquecimento; tem uma sobrepressão devida ao dióxido de carbono até 1 bar.

Em linguagem corrente, pode dizer-se que são tranquilos os vinhos «sem gás» e também os vinhos «com algum gás», como os vinhos com a DO Vinho Verde.

Tipos e Categorias de Vinhos3

Imagem cortesia de Carlos Porto – in FreeDigitalPhotos.net

O Vinho Espumante é obtido por primeira ou segunda fermentação alcoólica e preparado a partir de vinho de base com teor alcoólico mínimo de 8,5% vol.; tem uma sobrepressão devida ao dióxido de carbono igual ou superior a 3 bar e liberta dióxido de carbono proveniente exclusivamente da fermentação.
Por seu lado, o Vinho Espumante de Qualidade difere da categoria Vinho Espumante no que se refere ao teor alcoólico mínimo, que é de 9% vol., e à sobrepressão devida ao dióxido de carbono, que é igual ou superior a 3,5 bar.

Em linguagem corrente, podemos dizer que um Vinho Espumante/Vinho Espumante de Qualidade é um vinho «com muito gás».

Como exemplo de Vinhos Espumantes com DO, temos os espumantes “Champagne” (França), os “Cava” (Espanha), os “Bairrada” ou os “Dão” (Portugal). Desta forma, apenas devemos designar um Vinho Espumante como “Champagne” quando efectivamente estamos perante um vinho espumante dessa Região Demarcada ou DO.

Tipos e Categorias de Vinhos4

Imagem cortesia de Paul  – in FreeDigitalPhotos.net

Existem ainda mais duas categorias de Espumantes – o Vinho Espumante Gaseificado e o Vinho Espumante de Qualidade Aromático:
– O primeiro é obtido a partir de “Vinho sem DO e sem IG”, tem uma sobrepressão devida ao dióxido de carbono igual ou superior a 3 bar e liberta dióxido de carbono proveniente total ou parcialmente de uma adição desse gás;
– O segundo é um vinho espumante de qualidade, obtido a partir de castas específicas, tem uma sobrepressão devida ao dióxido de carbono igual ou superior a 3 bar e cujo teor alcoólico não pode ser inferior a 6 % vol..

Tipos e Categorias de Vinhos5

Imagem cortesia de Gualberto107 – in FreeDigitalPhotos.net

O Vinho Frisante é, em termos gerais, obtido a partir de vinho, tem um teor alcoólico mínimo de 7% vol. e uma sobrepressão devida ao dióxido de carbono endógeno entre 1 bar e 2,5 bar.
Em linguagem corrente, pode dizer-se que um Vinho Frisante tem «mais gás» do que o Vinho Tranquilo e «menos gás» do que o Vinho Espumante/Vinho Espumante de Qualidade.
Existe ainda o Vinho Frisante Gaseificado, o qual difere do primeiro no que toca à sobrepressão que é devida ao dióxido de carbono acrescentado total ou parcialmente.

Tipos e Categorias de Vinhos6

© Blend All About Wine, Lda | All Rights Reserved

Por fim, o Vinho Licoroso é, em termos gerais, obtido a partir de mosto de uvas parcialmente fermentado, vinho ou uma mistura desses produtos e tem um teor alcoólico de 15% vol. a 22 % vol.; é objecto da adição, isolada ou em mistura, de álcool neutro de origem vitícola e destilado de vinho ou de uvas secas; no caso de “Vinho com DO” ou “Vinho com IG”, os produtos adicionados podem ser, em alternativa aos atrás referidos, álcool de vinho ou de uvas secas, aguardente de vinho ou de bagaço e/ou aguardente de uvas secas.

Como exemplo de vinhos licorosos com DO portugueses, temos o “Porto” e o “Madeira”.

De notar que, por vezes, os Vinhos Tranquilos, Espumantes e Frisantes são genericamente chamados “Vinhos de Mesa” no comércio internacional, em oposição aos Vinhos Licorosos, também chamados genericamente “Vinhos Fortificados”.

Independent Winegrowers’s Association, uma década ao sabor da excelência

Texto João Pedro de Carvalho

O grupo de amigos, composto por Luís Lourenço (Quinta dos Roques – Dão), Luis Pato (Luis Pato Wines – Bairrada), Pedro Araújo (Quinta do Ameal – Vinhos Verdes), João Pedro Araújo (Casa de Cello – Vinhos Verdes/Dão) and Domingos Alves de Sousa (Alves de Sousa – Douro) decidiu criar um grupo (IWA) com o objectivo de fazer uma promoção conjunta em mercados externos. Todos eles são bons exemplos de produtores de excelência, com carácter vincado e cujos vinhos são fiéis às regiões que representam.

A IWA comemorou no passado dia 10 de Maio o seu 10º Aniversário. A reunião anual teve lugar em Lisboa, tendo sido apresentadas as últimas novidades a lançar para o mercado. Foi um grande privilégio poder provar numa só tarde o que de melhor Portugal (ou parte dele) tem para oferecer.

independent-winegrowers-s-association-a-decade-to-the-taste-of-excellence1

White Wine Commemorative Edition of 10 years IWA – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Uma viagem em formato de prova que começou na região dos Vinhos Verdes, desde a mineralidade vincada dos SanJoanne da Casa de Cello aos perfumes e encantos dos Loureiro da Quinta do Ameal. Descendo um pouco entramos nas terras do Douro com os Alves de Sousa, vinhos terrosos e vincados pelo terroir, como o Quinta da Gaivosa ou o Abandonado, perdidos no tempo como o fabuloso Porto Tawny 20 Anos.

É da região do Dão que nos chegam os Quinta dos Roques que nos acariciam o palato com a seda vermelha do Roques Garrafeira ou com a suculenta frescura da fruta vermelha do Roques Reserva. Ainda no Dão e sem ficar esquecido, o Superior da Quinta da Vegia mostra toda a beleza da região no copo e ao seu lado o Vegia Reserva, mais austero e pronto para as curvas do tempo. A jornada termina na Bairrada, onde Luís Pato nos brinda com uma Baga de referência, proveniente da Vinha Barrosa ou com a delicadeza e os encantos que o branco da Vinha Formal promete revelar com o tempo.

No fim, ao olhar para o trajecto percorrido e para o que foi provado, ficamos com a convicção de que provámos vinhos de grande qualidade que merecem ser conhecidos, capazes de brilhar muito alto em qualquer parte do mundo.

Quinta de Sanjoanne Alvarinho 2013 (Regional Minho)

É uma novidade do produtor, um Alvarinho tenso e mineral, fruta limpa sem fruta tropical em excesso, tenso e com muito boa frescura. Na boca muito sabor na passagem pelo palato, mineral em fundo com sumo de fruta pelo meio, secura limonada em final de boa persistência. Cheio de detalhe e bonito rendilhado, um Alvarinho cuidado e refinado que fará as delícias a acompanhar umas amêijoas ou mexilhões ao natural.

Quinta da Vegia Superior 2007 (DOC Dão)

Um tinto de respeito que andou “esquecido” mas bem guardado pelo produtor. Chegada a hora de o lançar no mercado o vinho é pura elegância e charme, complexidade numa fruta fresca e viva, leve toque de geleia com todo o ambiente característico dos grandes vinhos do Dão.

independent-winegrowers-s-association-a-decade-to-the-taste-of-excellence2

Quinta Sanjoanne Alvarinho 2013 | Luis Pato Vinha Formal Branco 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Abandonado 2009 (DOC Douro)

De uma vinha abandonada nasceu o Abandonado, um topo de gama da região que conquista pelo seu perfume de violetas, menta e fruta suculenta com toque doce , tabaco, muita frescura e uma estrutura de luxo. Amplo e muito saboroso, cativa pela elegância e por uma passagem no palato rica e cheia de sabores de enorme presença. Final longo e apimentado.

Quinta da Gaivosa Porto 20 Anos Tawny (Vinho do Porto)

O lote tem uma média de idade de vinte anos mas sente-se no imediato que ali moram vinhos muito velhos e de grande qualidade. Complexidade e elegância que nos dão vontade de repetir sempre mais um pouco. O resto são os aromas e sabores clássicos associados a este tipo de vinhos de grande qualidade. Macio na boca, revela um final longo e especiado.

Luís Pato Vinha Formal branco 2013 (Regional Beiras)

Ano após ano afirma-se como uma referência da região e do produtor. Um branco que gosta de envelhecer e que a prova no imediato está plena de energia. Amplo de fruta rechonchuda, flores amarelas, pólen, tudo junto e num plano complexo e delicado. A boca complementa o nariz, sempre naquele travo mais seco e com um final com a fruta amarela bem madura acompanhada de flores.

Luís Pato Vinha Barrosa 2011 (Regional Beiras)

A casta Baga ao mais alto nível. Mais sério e com mais austeridade que o Vinha Pan, o Barrosa consegue no imediato conquistar pela sua complexidade e riqueza aromática. Todo ele é um luxo, pela pureza de aromas e pela forma como o balsâmico e a rama de tomate se junta à fruta escura e suculenta (cereja, mirtilos pretos). Revela ainda um toque de pimenta num conjunto ainda muito novo, mas que dá no imediato uma prova de extraordinária a acompanhar um estufado de javali.

independent-winegrowers-s-association-a-decade-to-the-taste-of-excellence3

Luis Pato Vinha Pan 2010 | Luis Pato Vinha Barrosa 2011 | Luis Pato 2009 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Quinta do Ameal Clássico 2013 (Vinho Verde)

Um vinho de compêndio daquilo que é um grande Loureiro. Fresco, charmoso e conquistador, o que lhe advém da qualidade e definição dos seus aromas e sabores. Tudo em HD, conquista pela frescura e mineralidade que marca o palato, associados à fruta envolta em calda que faz as delícias na sua prova de boca.

Quinta do Ameal Escolha 2012 (Vinho Verde)

O topo de gama da casa, o mais sério e que menos tem a dizer enquanto novo. Sente-se austeridade no trato, folha de louro ainda verde, fruta limpa e madura, grande estrutura suportada pela madeira por onde passou. Fundo mineral num vinho com muito tempo de vida pela frente.

independent-winegrowers-s-association-a-decade-to-the-taste-of-excellence4

Quinta do Ameal Escolha 2004 | Quinta do Ameal Loureiro 2004 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Quinta dos Roques Bical 2013 (DOC Dão)

Branco de apenas 1200 garrafas, uma aposta muito especial do produtor, num vinho delicado e muito fresco, aromas de flores, fruta branca, limpeza de aroma com tudo a parecer um perfume de menina. Na boca convence pela acidez e pela presença da fruta delicada em final persistente.

Quinta dos Roques Reserva 2011 (DOC Dão)

Tenho o Roques Reserva 2005 como dos vinhos que mais prazer me tem dado nos últimos tempos. Agora saiu o 2011 e o encanto continua ao mais alto nível, o vinho é suculento, apetecível, com uma fruta vermelha que apetece trincar de tão madura e limpa que está. Amparado por uma madeira muito bem integrada, apresenta um belo corpo num vinho que mostra aquela secura de fundo em conjunto com a frescura, toque de alecrim e pinheiros da região.

independent-winegrowers-s-association-a-decade-to-the-taste-of-excellence5

Quinta dos Roques Encruzado 2013 | Quinta dos Roques Malvasia-Fina 2013 | Quinta dos Bical 2013 | Maias 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Vinho Branco Edição Comemorativa dos 10 anos IWA (Vinho)

Branco comemorativo no qual foram utilizadas castas brancas, uma por cada produtor. Dessa forma o lote de nome LARBE (Loureiro, Alvarinho, Rabigato, Bical e Encruzado) que deu origem a 1200 garrafas. Vinho delicado, com frescura e boa complexidade, onde se sente uma vontade de crescer em garrafa. Boa mineralidade na boca com presença de frescura e cocktail de fruta.

Contactos
IWA
Av. da Boavista, 1607 – 5º Dto.
4100-132 Porto, PORTUGAL
Tel: (+351) 226 095 877
Website: www.iwa.pt

Festa do Vinho na Quinta da Boeira

Texto José Silva

Embora com um atraso considerável, pois já deveria estar pronta há cerca de um ano, foi finalmente inaugurada aquela que é considerada a maior garrafa de vinho do mundo. Foi construída em fibra de vidro, nos jardins da Quinta da Boeira, em Vila Nova de Gaia, tem 32 metros de comprimento e 9,5 metros de diâmetro e uma capacidade para albergar cerca de 150 pessoas. Está inserida num evento a que se chamou “Portugal In A Bottle”, que vai decorrer até 27 de Setembro de 2014.

wine-fest-at-quinta-da-boeira

“Portugal in a bottle” – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Dentro desta garrafa, que pretende ser um museu vivo de homenagem ao vinho português, percorre-se o país vinícola através dum filme 3D e da promoção e comercialização de vinhos, gastronomia e artesanato que vai atrair um público interessado, entre nacionais e estrangeiros. E mesmo dentro da garrafa gigante vão decorrer provas de vinhos das várias regiões.

O “Parque Natural da Quinta a Boeira-Arte e Cultura” é o resultado da recuperação duma antiga quinta de que fazia parte um velho armazém de vinho do Porto, agora adaptado a outras funções. O espaço é dominado pela enorme mansão senhorial, erguida no meio dum jardim fantástico, rodeado de enorme muro, a dar-lhe uma privacidade muito própria. Um local tranquilo de rara beleza, com um pequeno lago e arvoredo luxuriante, para passar momentos de lazer, com um restaurante a funcionar todos os dias e uma zona para serviços maiores, usufruindo sempre de todo o complexo turístico, que inclui um parque de estacionamento.

wine-fest-at-quinta-da-boeira2

Quinta da Boeira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Pois foi neste espaço fantástico que decorreu, entre os dias 30 de Maio e 1 de Junho, o “Portugal Wine Trophy – Portugal Grand Gold”, uma organização da Deutche Wein Market. É um concurso mundial que tem em Berlim, na Alemanha, duas edições anuais e que passa também por Seul, na Coreia do Sul, onde se realiza o “Asia Wine Trophy”.

Agora veio a Portugal, trazido pela mão da administração da Quinta da Boeira. Este prestigiado concurso tem o patrocínio do OIV e do UIOE, conhecidas pelo rigor que colocam no contrôle deste tipo de eventos. Neste primeiro “Portugal Wine Trophy” estiveram 60 jurados, 40% dos quais portugueses, que provaram 1.012 vinhos de todo o mundo e cujos resultados serão conhecidos mais tarde.

Os júris estrangeiros foram recebidos em Vila Nova de Gaia com a habitual hospitalidade portuguesa, visitaram as caves de vinho do Porto e alguns produtores de vinho. E puderam apreciar o enorme movimento de turistas nas cidades do Porto e Gaia, em divertidos momentos de lazer, em que não faltou a gastronomia tradicional do norte do país.

wine-fest-at-quinta-da-boeira3

Armazém Quinta da Boeira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As provas decorreram no velho armazém de vinho do Porto da Quinta da Boeira, que oferece condições fantásticas de tranquilidade e temperatura para este tipo de provas, apoiado por profissionais competentes que estiveram à altura, quer na abertura e tratamento das garrafas – as temperaturas adequadas são fundamentais – quer no serviço dos vinhos aos júris, onde o timing é precioso. Provaram-se vinhos de todo o mundo, incluindo Portugal e foram atribuídas muitas medalhas de prata e de ouro e algumas na qualidade de grande ouro, o que revelou o nível dos vinhos em concurso.

O balanço, a julgar pelas opiniões gerais dos convidados estrangeiros e dos responsáveis alemães da organização, foi muito positivo, e tudo indica que para o próximo ano a Quinta da Boeira poderá receber novamente este prestigiado concurso, provavelmente ainda com maior número de vinhos em prova.

A maior garrafa de vinho do mundo ali continuará, entretanto, a divulgar a qualidade dos produtos portugueses.

 

Contactos
Rua Conselheiro Veloso da Cruz, nº. 608
Rua Teixeira Lopes, nº. 114
440-320 Vila Nova de Gaia
Tel: (+351) 223 751 338
Telemóvel: (+351) 961 360 897
Email: quintaboeira@sapo.pt
Site: www.quintadaboeira.pt

Da Escrita ao Vinho: Parte 1 – Os Vinhos de João Afonso

Texto Sarah Ahmed  | Tradução Patrícia Leite

Eu adorei as minhas três curtas, mas doces, participações em vindimas, particularmente na Cullen Wines, em Margaret River, Austrália. Estive lá na altura certa: as uvas chegavam à adega inteiras e rapidamente.

A natureza ditava o que se fazia e quando se devia fazer, o que, apesar de ser fisicamente exigente, era mentalmente relaxante – não valia a pena programar as coisas! E como é delicioso provar os frutos do nosso trabalho! Ainda fico entusiasmada ao lembrar-me que fui eu que fiz a “batônnage” do Cullen 2007 Chardonnay, um vinho que recebeu o prémio de Melhor Chardonnay do Mundo nos Decanter World Wines Awards em 2010.

E confesso que, se o tempo voltasse atrás, eu ficaria extremamente tentada a voltar a fazer vinho, em vez de apenas escrever sobre ele. Talvez devesse seguir as intrépidas pisadas de três produtores de vinho Portugueses que estão a fazer isso mesmo. As suas estórias são inspiradoras. Aqui fica a primeira. As de Richard Mayson e Tiago Teles virão a seguir.

João Afonso nasceu em Coimbra em Fevereiro de 1957. Estudou Educação Física na Universidade de Lisboa e apaixonou-se pela sua primeira carreira, o ballet, quando uma bailarina apresentou a dança ao estudante de desporto. Dois anos depois, dançava pelo mundo fora com o célebre Ballet Gulbenkian, onde passou 15 anos.

the-wines-of-joao-afonso1

João Afonso – Foto cedida por João Afonso | Todos os Direitos Reservados

 

Afonso diz que se apaixonou pelo vinho mais lentamente já que “os bailarinos falam sempre e (quase) exclusivamente sobre port de bras, cou-de-pie, pirouettes, grand jete… e performances de dança. Comem e bebem pouco, porque têm que estar em boa forma física todas as manhãs”.

No entanto, a semente da ideia de fazer vinhos foi plantada quando em 1983, a mulher de Afonso lhe deu uma cópia do livro “Conhecer e Trabalhar o Vinho” do aclamado professor de Enologia da Universidade de Bordéus, Émile Peynaud. Acrescenta ele “a minha avó era uma pequena produtora de vinho na Beira Alta e, de certa forma, eu estava com saudades dos velhos tempos quando tudo o que comíamos e bebíamos era feito em casa e as coisas tinham outro sabor e outro gosto (nem sempre o melhor, mas mais genuíno, sem sabores sintéticos e fáceis …)”.

Embora tenha frequentado um curso intensivo de uma semana sobre fazer vinho na Escola da Anadia, Bairrada, em 1987 (Afonso tinha desde há muito, uma paixão pelos vinhos maduros da Bairrada), a sua carreira itinerante e de grande notoriedade como o bailarino principal da companhia, impediu-o de perseguir seriamente o seu interesse pelos vinhos. Foi apenas quando a sua carreira na dança terminou em 1993 que, tanto o conhecimento como o interesse floresceram, especialmente depois de ter conhecido o Professor Virgílio Loureiro do Instituto Superior de Agronomia de Lisboa (na altura, enólogo na Quinta dos Roques e Quinta das Maias no Dão) e João Paulo Martins (o jornalista de vinhos).

the-wines-of-joao-afonso2

João Afonso – Foto cedida por João Afonso | Todos os Direitos Reservados

 

Em 1994, Afonso tinha começado a fazer vinho, a partir dos dois hectares da vinha envelhecida Ribeiro na Beira Alta. Foi plantada no início do século XX quando a sua avó era ainda uma criança. Primeiro, surgiu um tinto, no ano seguinte, um vinho branco, usando barricas antigas fornecidas por Dirk Niepoort da Niepoort.

Apesar de Afonso estar muito contente com os vinhos, que ele descreve como “extraordinários (na minha modesta opinião)”, o princípio do fim da sua primeira aventura na produção de vinhos, veio quando o seu irmão mais velho arrancou a vinha envelhecida.

Por sorte, Niepoort e Loureiro já tinham apresentado Afonso a Luís Lopes, o director da, na altura, recentemente lançada, “Revista de Vinhos” e, segundo as suas palavras, “como a produção de vinho era um assunto familiar melindroso (eu tenho mais quatro irmãos), comecei com o fantástico e mais fácil assunto da escrita de vinhos, em Maio de 1994”. Ele ainda escreve para a Revista de Vinhos e, entre 2000 e 2008, escreveu o seu próprio guia para vinhos no mercado português. Também escreveu dois livros sobre vinhos “Entender de Vinho” e “Curso de Vinho”. No entanto, ele admite, “escrever não é de todo o que prefiro fazer. Também é uma forma de arte, mas às vezes (muitas vezes) não tem nada a ver com “o lado bom da vida”. Para Afonso, o lado bom da vida é “ver e sentir a beleza e a felicidade”. Uma sensação que ele experimentou vividamente em 2009, quando descobriu uma velha e pequena vinha (3.9 hectares) em Reguengo, Portalegre, à venda e decidiu que a sua missão era protegê-la e recuperá-la.

the-wines-of joão afonso

João Afonso – Foto cedida por João Afonso | Todos os Direitos Reservados

 

Porquê Portalegre? Afonso responde: “Eu escolho o Norte do Alentejo por três razões: a paisagem é semelhante à da Beira Alta (mais bonita e eu sinto-me em casa); é mais perto (de Lisboa) que a Beira Alta; e, acima de tudo, tem vinhas antigas com materiais envelhecidos (sem selecções de cultivadores de viveiros): castas envelhecidas, todas misturadas no mesmo enredo de vinho. Se podemos falar de “terroir” em Portugal, a Quinta das Cabeças, ou seja, o Reguengo pode ser um”. De facto, e como um bom presságio, depois de ter comprado a quinta, ele soube que o altamente respeitado enólogo alentejano Colaço do Rosário (criador do Pêra-Manca) identificou a encosta da Quinta das Cabeças como o melhor sítio para criação de uvas em todo o Alentejo.

Oito meses depois, Afonso tinha feito os seus primeiros vinhos: Equinócio (branco) e Solstício (tinto), parcialmente fermentado em ânfora de barro, como tinha sido a tradição regional durante séculos). No entanto, ele afirma nunca ter tido uma visão para o vinho: “Eu não sou um enólogo” diz, “Eu só tento proteger a minha vinha e colher as uvas para deixá-las tornar-se vinho”. A confiança de Afonso em deixar que as vinhas falem, advém da sua crença na vinha: “Eu gosto de a ver. Gosto de me sentir dentro dela. Eu não faço vinho, a vinha é que o faz. Eu deixo que os meus olhos escolham por mim”.

the-wines-of-joao afonso

Foto cedida por João Afonso | Todos os Direitos Reservados

A abordagem não intervencionista começa com a vinha, que é organicamente certificada e cultivada de forma biodinâmica. Para Afonso “perceber a nossa propriedade, seguir o calendário lunar de Maria Thun e aplicar as preparações biodinâmicas em doses homeopáticas, resulta em vinhas ainda mais genuínas e intensas”. Para além disso, ele jurou nunca voltar a usar químicos, depois de ter pulverizado os seus olivais em 1999 contra as traças: “o cheiro era tão terrível que achei que, se as oliveiras tivessem pernas, teriam fugido rapidamente!”.

Então, o idílio rural corresponde às expectativas? “Sim. Completamente” é a resposta de Afonso. Uma vez que ele é pouco inspirado pelos “vinhos globalizados ou em voga” (vinhos com Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, Viognier, Sauvignon Blanc, Touriga Nacional…) que ele acredita terem resultado numa perda enorme da tradição vitivinícola, ele orgulha-se intensamente do facto de Cabeças ter “dado provas que é possível fazer bom vinho com uvas que toda a gente despreza”.

Para além disso, a experiência de Afonso implica que ele nunca tenha tido ilusões sobre os desafios inerentes à venda do seu próprio vinho. Ele explica “escrever sobre vinhos ensinou-me a dificuldade de vender vinhos, mesmo vinho muito bom, e eu já tinha tido essa experiência na Beira Alta”. Escrever implicou que Afonso compreendesse bem a importância de ter uma história diferente e genuína e não fazer apenas algo semelhante a outros vinhos: “Teria morrido à partida”, diz.

the-wines-of-joao-afonso5

Vinhas – João Afonso – Foto cedida por João Afonso | Todos os Direitos Reservados

Afirma ainda “A única hipótese é fazer algo completamente diferente, algo bom e algo difícil de encontrar”. Entrando neste tema e olhando para o quadro geral, ele observa “Portugal é diferente. Não existe isso [as castas e os terroir] em mais nenhum lado senão aqui. E nós fazemos mesmo vinhos muito bons… Eles são puros, bons e falam uma língua simples, sumarenta e fantástica com aqueles que os sabem perceber”. Então por que motivo devemos escolher o seu vinho, pergunto? Porque, responde ele, “é o sabor de uma vinha alentejana de 1920, através dos olhos e das mãos de um crítico de vinhos – um ex-bailarino”. Esta é uma proposta verdadeiramente única. E para reforçar, posso acrescentar que Equinócio e Solstício são também excelentes propostas para amantes de vinhos excitantemente autênticos com uma sensação palpável de lugar.

As Actividades Vitivinicolas em Portugal

Texto Patrícia Leite 

É frequente associarmos uma empresa de vinhos a uma unidade produtora que terá uma quinta com vinhas e uma adega. Sendo assim na maior parte dos casos, o facto é que a empresa que vemos identificada numa garrafa pode ser a produtora do vinho mas não das uvas ou pode até ter apenas engarrafado o vinho.

Categorias principais

No sector dos vinhos português, podem ser exercidas várias actividades económicas, como sejam produzir, engarrafar ou comprar/vender vinho, a granel ou engarrafado. É a lei nacional, o Decreto-Lei nº178/99, de 21 de Maio, que define as categorias de agentes económicos em função dessas actividades e estabelece a obrigatoriedade da respectiva inscrição no Instituto da Vinha e do Vinho, I.P. (IVV). Este regime não se aplica aos operadores que se dediquem exclusivamente à produção ou comércio de Vinho do Porto, nem às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Foto 1 - DL 178 99 2

Decreto-Lei nº178/99

As principais categorias de agentes económicos previstas na lei nacional são as seguintes: Engarrafador, Armazenista, Produtor, Vitivinicultor e Vitivinicultor-Engarrafador.

A actividade de um Engarrafador é a de proceder ou mandar proceder ao engarrafamento em regime de prestação de serviços, assumindo-se como único responsável do produto.

Um Armazenista pratica o comércio por grosso (compra/venda) de vinho, a granel ou engarrafado.

Um Produtor produz vinho a partir de uvas que obtém na sua exploração vitícola ou de uvas que compra. Está incluída nesta categoria a actividade exercida pelas adegas cooperativas, que produzem vinho a partir de uvas que recebem dos seus cooperantes.

A categoria de Vitivinicultor corresponde também à produção de vinho mas apenas a partir de uvas obtidas exclusivamente na exploração vitícola do agente económico, não podendo este comprar uvas.

Por seu turno, um Vitivinicultor-Engarrafador exerce esta última actividade e ainda engarrafa o vinho que produz, nas suas instalações exclusivas ou nas de outrem, em regime de prestação de serviços. Como Engarrafador que também é, assume-se igualmente como único responsável do produto.

© Blend all about wine | All Rights Reserved

Cúmulo de categorias

Os agentes económicos devem inscrever-se no IVV nas várias categorias correspondentes às actividades que pretendam vir a exercer, estando apenas isentos de inscrição os Vitivinicultores e os Produtores cujo volume de produção não seja superior a 4000 litros de vinho por ano.

Isto significa que as categorias podem ser cumuláveis, excepto quando há incompatibilidades devido à natureza da própria categoria:
a) não é possível exercer a actividade de Vitivinicultor ou de Vitivinicultor-Engarrafador com as de Armazenista e de Produtor;
b) também não é possível a acumulação da categoria de Vitivinicultor-Engarrafador com as de Vitivinicultor ou de Engarrafador.

Sendo o Engarrafador o único responsável do produto, é a este que cabe pedir a certificação dos vinhos junto das respectivas entidades certificadoras. Por outro lado, a categoria de Engarrafador é muitas vezes cumulada com a de Armazenista e/ou a de Produtor, o que é frequente ocorrer nos agentes económicos de maior dimensão.

De notar que não se pode ser Engarrafador e também Vitivinicultor-Engarrafador porque este último apenas pode engarrafar o vinho que produz.

Foto 3 - Barricas

Image courtesy of Keerati | FreeDigitalPhotos.net

Outras categorias

Há mais cinco categorias, que são mais específicas quanto à actividade ou ao produto: Destilador, Fabricante de Vinagre de Vinho, Preparador, Exportador/Importador e Retalhista.

Enquanto as categorias de Destilador e de Fabricante de Vinagre de Vinho descrevem a actividade em causa no próprio nome, a categoria de Preparador refere-se a quem obtém produtos aptos a serem consumidos, a partir de vinho, de derivados deste e de subprodutos da vinificação (como seja o Vinho Espumante).

Por seu lado, deverá inscrever-se como Exportador/Importador quem pretenda comprar ou vender directamente a países terceiros produtos vitivinícolas a granel ou engarrafados.

A categoria de Retalhista está prevista para exercer a venda directa ao consumidor de produtos vitivinícolas embalados ou pré-embalados, mas a lei isentou estes agentes económicos de inscrição no IVV.

blend_all_about_wine_vinhos_portugal

© Blend all about wine | All Rights Reserved

E os produtores de uvas, os Viticultores?
O Decreto-Lei nº178/99 não prevê a produção exclusiva de uvas como uma categoria económica, incluindo esta actividade na produção de vinho exercida pelos Vitivinicultores e Vitivinicultores-Engarrafadores e pelos Produtores quanto ao vinho de uvas próprias. Para entrarem no circuito económico do vinho, as uvas produzidas pelos Viticultores são vendidas ou entregues aos Produtores, os únicos agentes económicos (pessoas singulares, empresas ou cooperativas) que podem comprar uvas para produzir vinho.

Categoria obrigatória na garrafa

De acordo com a lei comunitária e nacional, é obrigatória na rotulagem dos vinhos a indicação do nome e endereço do Engarrafador, precedida da expressão «engarrafador» ou «engarrafado por» ou, no caso de Vinho Espumante, «preparador» ou «preparado por».

No entanto, constando na rotulagem a identificação de uma entidade que intervenha no circuito comercial do vinho além do Engarrafador, o nome deste último pode ser substituído por um código (número de atribuído pelo IVV), precedido da expressão «Eng. nº».

blend_all_about_wine_Tipos-e-Categorias-de-Vinhos

© Blend all about wine | All Rights Reserved

Desta forma, se na garrafa estiver apenas identificado quem engarrafou o vinho, apenas saberemos quem o produziu se constarem também outras menções que nos forneçam essa informação. Vejamos o caso de um agente económico inscrito como Armazenista, Produtor e Engarrafador:
a) poderá ter comprado e engarrafado um determinado vinho, actuando para esse produto como Armazenista e Engarrafador;
b) poderá ser o Produtor de outro vinho, com uvas da sua quinta, e o seu Engarrafador;
c) e poderá ainda produzir um outro vinho, com uvas que comprou, e proceder ao seu engarrafamento.

Certo é que a categoria que, por si só, fornece mais informação na garrafa é a de Vitivinicultor-Engarrafador: diz-nos que quem engarrafou foi quem produziu as uvas e o vinho em questão.