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Coração d’Ouro, da televisão para a mesa

Texto João Pedro de Carvalho

A novela de nome Coração d’Ouro emitida em horário nobre na SIC passou do ecrã para a mesa, mais propriamente para o copo. São dois vinhos, branco e tinto, com Denominação de Origem Controlada (DOC) Douro que resultam de uma aposta conjunta da SIC e da Real Companhia Velha. Uma proposta que permite aproximar um pouco mais o espectador/ consumidor ao pano de fundo da novela em causa, relembro que o cenário é a Quinta das Carvalhas, pertencente à Real Companhia Velha.

São dois vinhos onde o papel principal é dado à fruta, num conjunto com aromas a surgirem bem frescos e convidativos, num conjunto onde tudo se mostra muito limpo e apetecível. O Coração d’Ouro branco 2014 é um blend das castas Viosinho, Gouveio, Moscatel, Arinto, Fernão Pires, Rabigato e Verdelho, a mostrar muita fruta com citrinos e pêra madura com ligeira calda. De perfil jovial onde comanda a frescura com aroma floral, é um branco bastante apelativo e que é fácil de se gostar. Por tudo aquilo que mostra torna-se polivalente à mesa, podendo acompanhar desde uma boa conversa com uma variedade alargada de entradas, mariscos ou saladas. Se optar por peixe que seja de carne mais delicada e sem muita gordura, de preferência grelhado com uma pincelada de molho de manteiga/salsa/limão.

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Coração d’Ouro branco 2014 – Foto de Cedida por Real Companhia Velha | Todos os Direitos Reservados

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Coração d’Ouro tinto 2014 – Foto de Cedida por Real Companhia Velha | Todos os Direitos Reservados

No que ao tinto diz respeito, surgem as castas típicas da região: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca. O vinho é um misto de frutos silvestres bem ácidos com muitas bagas, morangos bem maduros e cheirosos, portanto tudo coisinhas boas de se cheirar e gostar. No segundo plano o sempre presente toque vegetal, como que a servir de linha que cose todo o conjunto que cheira e sabe a Douro. Muito equilibrado e cheio de energia, mostrando-se capaz de acompanhar pratos de bom tempero mas será a meu ver com a grelha a funcionar que irá brilhar mais alto. Escolha-se um corte de novilho adequado à grelha, marinado previamente para que a carne ganhe aquele caramelizado que irá combinar lindamente com este vinho.

Contactos
Real Companhia Velha
Rua Azevedo Magalhães 314
4430-022 Vila Nova de Gaia
Tel: (+351) 223 775 100
Fax: (+351) 223 775 190
E-mail: rcvelha@realcompanhiavelha.pt
Website: www.realcompanhiavelha.pt

Santa Vitória – Alentejo Wines

Texto Bruno Mendes

Localizada no Baixo Alentejo, a apenas 25 Kms de Beja, perto de uma pequena vila alentejana (Santa Vitória) podemos encontrar a Casa de Santa Vitória, totalmente integrada numa envolvente agrícola e de lazer.

Fundada em 2002, a Casa de Santa Vitória pertence ao Grupo Vila Galé e o seu principal foco é a produção e comercialização de vinhos e azeites alentejanos. Aqui produzem-se vinhos combinando as mais avançadas tecnologias de vinificação com a as técnicas tradicionais.

As vinhas, plantadas na Herdade da Malhada, em Santa Vitória, compreendem 127 ha das mais nobres castas Portuguesas e Francesas que melhor se adaptam ao “terroir” da região, nomeadamente, Touriga Nacional, Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet e Baga nas tintas e Verdejo, Sauvignon Blanc, Viozinho, Antão Vaz, Arinto, Chardonnay nas brancas.

Uma vez que a adega é rodeada pelas vinhas as uvas chegam rapidamente, sem sofrer alterações e são processadas logo após a sua chegada.

Para uma visão mais detalhada deste produtor de vinho veja o vídeo abaixo:

Vinhos da Casa Cadaval – Padre Pedro, Padre Pedro Reserva, Casa Cadaval e Marquesa de Cadaval 2012

Texto João Barbosa

Contar do vinho da Casa Cadaval necessita de algumas informações prévias. Repito: a história e as estórias são mais-valias. Tudo tem uma origem e explicação e o vinho ganha em ser mais do que apenas vinho ou simples produto alimentar. Este produtor pode encher livros.

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Casa Cadaval – Foto Cedida por Casa Cadaval | Todos os Direitos Reservados

Um país com quase 900 anos de existência tem muito para conhecer. Ao longo dos séculos, famílias ascenderam e outras decaíram. Nas crises e nas guerras, umas casas passaram para o lado do inimigo e outras mantiveram-se fiéis o país.

Em dois dos três períodos em que foi preciso lutar pela independência, o sangue Cadaval verteu pelo lado português. Os dois primeiros momentos estão relacionados com os vizinhos e o terceiro com os franceses de Napoleão. Neste último momento, acompanharam o Rei e a restante Corte na viagem para o Brasil.

Na crise dinástica e guerra contra Castela, entre 1383 e 1385, o condestável Dom Nuno Álvares Pereira foi o grande estratega e comandante das tropas portuguesas. O conflito terminou com a Batalha de Aljubarrota, em que os invasores eram superiores em número – cuja proporção varia conforme os cronistas e historiadores.

Dona Beatriz Pereira de Alvim, filha única do condestável, casou-se com Dom Afonso, filho do Rei Dom João I, fora do casamento, e que viria a ser o primeiro duque de Bragança. O primeiro Cadaval, embora sem título, foi Dom Álvaro, quarto filho do segundo duque de Bragança – Dom Fernando.

A partir do primogénito, Dom Rodrigo de Melo, a família foi somando títulos: conde de Olivença (1476 – apenas um titular), conde de Tentúgal (1504), marquês de Ferreira (1533) e duque de Cadaval (1648), marquês de Cadaval (segundo filho do oitavo duque e único titular), além de «honras de parente» da casa real.

O primeiro duque de Cadaval foi Dom Nuno Álvares Pereira de Melo, terceiro marquês de Ferreira, cujo título, atribuído pelo Rei Dom João IV, foi mercê pelo papel desempenhado na Guerra da Restauração, contra Filipe III de Portugal – Filipe IV de Espanha, bisneto do Imperador do Sacro-Império Romano-Germânico Carlos V, casa de Habsburgo.

Portanto, daqui se vê o peso que Cadaval tem na História de Portugal. Olga Maria Nicolis di Robilant Álvares Pereira de Melo, marquesa de Cadaval por via do casamento e descendente da Imperatriz Catarina da Rússia, é uma figura importantíssima da cultura, benemérita e patrocinadora das artes, especificamente da música. Falecida em 1996, foi homenageada pela Câmara Municipal de Sintra, que lhe dedicou o Centro Cultural Olga Cadaval.

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Tasting Room – Photo Provided by Casa Cadaval | All Rights Reserved

A aristocrata cultivou amizade desde o Papa Pio XII a importantes compositores e escritores, não olhando a valores de doutrina política, mas aos de talento e cultura: Cole Porter, Maurice Ravel, Igor Stravinski, Mstislav Rostropovitch, José Vianna da Motta, Luís de Freitas Branco, Fernando Lopes Graça… só para citar alguns vultos da música.

Em Muge, na margem esquerda do Tejo e a 80 quilómetros a Norte de Lisboa, situa-se a propriedade de onde saem os vinhos que aqui se narram. É um domínio com cerca de 5.000 hectares, onde convivem bovinos, cavalos, floresta e vinho.

A propriedade é gerida por Teresa Schönborn, neta de Olga Cadaval. O apelido indica o caminho para a Alemanha. Sua mãe, Graziela Álvares Pereira de Melo, foi casada com Karl Anton von Schönborn, oitavo conde de Schönborn-Wiesentheid. O vinho é também cultivado nos domínios alemães: Schloss Schönborn (Rheingau – Reno) e Schloss Hallburg (Franken – Francónia).

Regressando ao Tejo, em 1994 a Casa Cadaval abandonou o negócio da venda do vinho a granel e assumiu-se como produtor e engarrafador, sendo uma das primeiras empresas, da região, a apostar na qualidade e numa marca.

A base da gama é formada pela marca Padre Pedro, nome que homenageia um antigo prelado amigo da família. As mais recentes colheitas: Padre Pedro Branco 2014 (arinto, fernão  pires, verdelho e viognier), Padre Pedro Tinto 2012 (aragonês, cabernet sauvignon, merlot e trincadeira – seis meses de estágio em barricas de carvalho francês) e Padre Pedro Rosé 2013 (aragonês, merlot e touriga nacional).

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Padre Pedro branco – Foto Cedida por Casa Cadaval | Todos os Direitos Reservados

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Padre Pedro tinto – Foto Cedida por Casa Cadaval | Todos os Direitos Reservados

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Padre Pedro rosé – Foto Cedida por Casa Cadaval | Todos os Direitos Reservados

 

O branco e o rosado apresentam-se com uns felizes 12,5% de álcool, o que os torna bem indicados para o Verão, tanto para a conversa, aperitivos ou comidas leves. O tinto tem um ponto acima e pede carnes não pesadas. Vinhos fáceis, no que de melhor se pode querer da palavra – descontraídos e acessíveis (penso) à maioria das bolsas e fáceis de encontrar.

Num patamar acima estão os Padre Pedro Branco Reserva 2013 (viognier e arinto – seis meses de estágio em barricas de carvalho francês) e Padre Pedro Tinto Reserva 2012 (alicante bouschet, merlot, touriga nacional e trincadeira – oito meses de estágio em barricas de carvalho francês e seis em garrafa). O claro acompanha desde pratos de peixe condimentados até alguns estufados de carnes não muito gordas. O escuro alinha com carnes mais fortes, da vitela ao porco bem condimentadas.

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Padre Pedro Reserva branco – Foto Cedida por Casa Cadaval | Todos os Direitos Reservados

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Padre Pedro Reserva tinto – Foto Cedida por Casa Cadaval | Todos os Direitos Reservados

Os vinhos que se apresentam com o nome do domínio são monovarietais, produzidos a partir de castas com bom desempenho. Os mais recentes são Casa Cadaval Trincadeira Preta 2011 (estágio de um ano em barricas novas de carvalho francês e mais de um ano em garrafa), Casa Cadaval Pinot Noir 2012 (estágio de seis meses em barricas de carvalho francês e de mais meio ano em garrafa) e Casa Cadaval Cabernet Sauvignon 2012 (estágio de oito meses em barricas novas de carvalho francês e seis meses em garrafa).

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Casa Cadaval Trincadeira Preta – Foto Cedida por Casa Cadaval | Todos os Direitos Reservados

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Casa Cadaval Pinot Noir – Foto Cedida por Casa Cadaval | Todos os Direitos Reservados

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Casa Cadaval Cabernet Sauvignon – Foto Cedida por Casa Cadaval | Todos os Direitos Reservados

No píncaro está um vinho que faz justa homenagem a Olga Cadaval. Um excelente vinho do Tejo, com complexidade aromática e de paladar, com força e elegância – vai longo e duradouramente na boca. Se bem que está prazenteiro, penso que guardá-lo por três anos ou quatro anos o beneficiará. O produtor oferece uma «garantia» de dez anos – metáfora.

O Marquesa de Cadaval 2012 é um tinto aprovado como reserva. É um lote de alicante bouschet, touriga nacional e trincadeira – estagiou um ano em barricas novas de carvalho francês e outro ano em garrafa. Merece ser servido na mesa natalícia… ou como assegurou o poeta José Carlos Ary dos Santos: o Natal é quando um homem quiser.

Contactos
Casa Cadaval
Rua Vasco da Gama
2125-317 Muge – Portugal
Tel: (+351) 243 588 040
Fax: (+351) 243 581 105
E-mail: geral@casacadaval.pt
Website: www.casacadaval.pt

Soalheiro, a excelência de 2015

Texto João Pedro de Carvalho

Desta vez vou falar da marca de Alvarinho que mais tenho em casa e que vai para longos anos tem um canto reservado no escuro da minha garrafeira. Muitos podem pensar, mas guardar os Alvarinho na garrafeira? Sim é verdade, guardo estes e outros porque a capacidade de guarda está mais que comprovada ano após ano, colheita após colheita. Para quem olha de soslaio ou fica na dúvida, então que tenha a sorte de provar um destes belos exemplares dos anos 90 ou para não recuar muito no tempo que se beba um “simples” 2007 e se for em Magnum ainda melhor.

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Soalheiro – Foto Cedida por Quinta de Soalheiro | Todos os Direitos Reservados

A evolução ou direi mesmo, a perfeição tem vindo a aumentar a olhos vistos e os vinhos a cada década que passa têm sabido espelhar isso mesmo. Hoje mais do que nunca a limpeza aromática aliada a uma energia própria dos vinhos da região (Vinhos Verdes) faz com que os Soalheiro, entre outros, ganhem outra dimensão na hora de irem à mesa. O génio da lâmpada neste caso da adega, chama-se António Luís Cerdeira e é quem tem tido a capacidade de deliciar com os seus vinhos uma legião de fans na qual eu me incluo.

Depois das recentes novidades que aqui já tive oportunidade de relatar, estará para breve o lançamento do Soalheiro Granit, chegam agora os novos 2015 de uma colheita considerada de excelência pelo próprio produtor. Neste caso são os mais jovens do alinhamento, começando pelo Soalheiro ALLO 2015 que resulta de um lote 50/50 de Alvarinho e Loureiro. Desta junção nasce um branco cheio de aromas que invocam fruta e flores frescas, vibrante, muito perfumado e ao mesmo tempo leve e divertido, num vinho que mal damos conta e a garrafa já acabou. É daqueles brancos que apetece ter à mesa num final de tarde em pleno Verão a acompanhar uns canapés ou mariscos de concha ao natural.

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Soalheiro ALLO 2015 & Soalheiro Alvarinho 2015 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

O segundo vinho é o incontornável Soalheiro Alvarinho 2015, que quanto a mim se mostra muito melhor nesta colheita que por exemplo na anterior, noto aqui mais frescura com a fruta menos exposta e com a mesma a surgir menos madura e mais airosa. Quanto ao resto é o perfil Soalheiro a funcionar onde os descritores da casta aparecem num conjunto que conquista no imediato pelos aromas limpos e bem definidos, boa intensidade de conjunto a mostrar-se tenso, muito fresco e com austeridade mineral em pano de fundo. A fruta (maracujá, líchia, citrinos) funde-se com notas florais, uma muito ligeira e fina colherada de mel a fazer toda a ligação e que se equilibra muito bem com a acidez do vinho. Beba-se desde já com uns camarões tigre grelhados ou então que se guarde por dois anos para se ter uma agradável surpresa.

Contactos
Quinta de Soalheiro
4960-010 Alvaredo, Melgaço
Tel: (+351) 251 416 769
Fax: (+351) 251 416 771
Email: quinta@soalheiro.com
Website: www.soalheiro.com

Blandy’s – Mais de 200 anos de história

Texto Bruno Mendes

É num dos arquipélagos portugueses, mais concretamente a Maderia, que podemos encontrar a Blandy’s. É uma empresa produtora de vinho Madeira, secular, com mais de 200 anos, e foi fundada por John Blandy que chegou a este arquipélago em 1808.

Aqui utilizam-se as mais modernas técnicas de vinificação, mas sem nunca descurar as velhas e seculares tradições do vinho Madeira.

O vinho é envelhecido em duas fases. No primeiro processo o vinho sofre oxidação num espaço quente onde despontam os bouquets e se transforma o vinho em Vinho Madeira. A segunda fase é mais demorada, dura anos. Os vinhos são armazenados num local mais frio, em barris, onde apuram o seu bouquet.

Para uma visão detalhada da história e vinhos desta empresa veja por favor o vídeo abaixo.

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Quinta da Alameda Tinto Reserva Especial 2012 e Quinta da Alameda Tinto Jaen 2013

Texto João Barbosa

O Dão está em fase ascendente. A região acordou e está a mexer-se. Como seria de esperar, haverá erros, nada é perfeito, mas só o facto de reagir já é um dado a aplaudir. Está a acordar e a marcar pontos, caminhando para o estatuto que teve outrora. Mérito da Comissão Vitivinícola Regional, mas só possível por haver produtores determinados em fazer bem e a conseguir retorno financeiro.

Carlos Lucas é um dos homens que encabeçaram a ascensão, com a sua passagem pela Dão Sul, hoje Global Wines, empresa hoje presente também no Alentejo, Bairrada, Douro, Lisboa e Vinho Verde, além do Brasil (Vale do São Francisco).

A Dão Sul surgiu em 1990. As marcas Quinta de Cabriz e a Quinta dos Grilos apresentaram-se com preços convidativos e com características de fácil agrado do consumidor. O sucesso levou a que extravasassem o berço.

Os vinhos da Quinta de Ribeiro Santo, situada em Carregal do Sal, confirmaram o acerto de mão de Carlos Lucas. O Dão de hoje seria diferente, talvez muito diferente, sem o trabalho deste enólogo.

A Quinta da Alameda é uma parceria entre Carlos Lucas e o empresário Luís Abrantes, com actividade na indústria de mobiliário (Movecho). A parte de viticultura está a cargo de Amândio Cruz. Situa-se em Santar, no concelho de Nelas. A área é pequena para os padrões europeus, mas acima da média da região. O domínio tem 50 hectares, dos quais 15 são de vinha.

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As vinhas – Foto Cedida por Quinta da Alameda | Todos os Direitos Reservados

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As vinhas – Foto Cedida por Quinta da Alameda | Todos os Direitos Reservados

Para os mais curiosos por números, em 2009, do total de 305.266 empresas agrícolas, 283.071 tinham menos de 20 hectares – número que tem vindo a diminuir desde 1979 (é 2,6 vezes inferior). A superfície agrícola utilizada também tem decrescido, embora em menor ritmo (1,4 vezes inferior). A região Centro, onde se situa o Dão, é das que têm dimensão mais reduzida.

Passo dos números para o que mais interessa. Os dois sócios mantiveram uma parte de vinha velha, onde estão várias castas misturadas, como era a tradição, e reconverteram outra parte, plantando alfrocheiro, baga, jaen, tinta roriz, tinto cão e touriga nacional.

Está situada numa zona onde a altitude vai dos 400 aos 700 metros, nas imediações da Serra da Estrela e do rio Dão. Traduzindo numa só palavra: frescura. A escolha das novas castas teve em conta a produção de espumantes.

A valorização da vinha velha, pela constatação da qualidade dos vinhos obtidos, criou uma moda. Quem tem vinhas com 30 anos diz que são velhas… para mim, vale o que vale, não são. Na Quinta da Alameda, a idade dessas plantas é de mais de 80 anos.

Carlos Lucas confessou não ser fã da casta jaen. Porém, na Quinta da Alameda mudou de opinião, em 2012. No ano seguinte vinificou-a separadamente. Estreou-se agora e já conto dele mais adiante.

A região do Dão tem uma categoria de classificação especial, que pode ser comparada com a de Vintage, no Vinho do Porto. Carlos Lucas diz desconhecer se alguma vez foi atribuída a «Dão Nobre» e prevê que dificilmente o poderá ser… mistérios que os vinhateiros guardam.

O Quinta da Alameda Tinto Reserva Especial 2012 foi apresentado a exame e não mereceu a distinção, como o leitor deve ter depreendido do parágrafo anterior. Ficou como Reserva Especial, o que, de alguma maneira, vai dar ao mesmo. Se o topo é inacessível, o patamar imediatamente abaixo ocupa-lhe o lugar.

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Carlos Lucas – Foto Cedida por Quinta da Alameda | Todos os Direitos Reservados

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Quinta da Alameda Tinto Reserva Especial 2012 – Foto Cedida por Quinta da Alameda | Todos os Direitos Reservados

A classificação recebida é justa! É um grande vinho e tem o que se espera do Dão. A região vive nestas garrafas, onde se guarda a memória vinda das vinhas velhas e a categoria reconhecida desde sempre.

O Quinta da Alameda Tinto Reserva Especial 2012 fez-se com uvas de alfrocheiro, tinta roriz, tinto cão e touriga nacional… uma pitada de baga, casta proscrita, pese a sua antiga presença no passado por aqueles lados. O vinho conviveu um ano com a madeira de carvalho francês e estagiou outros 12 meses em garrafa. É um vinho de enorme frescura, suavidade e elegância. Uma frescura que encobre os 14 graus de álcool – nem se dá por isso.

O Quinta da Alameda Tinto Jaen 2013 é uma boa expressão da casta. É um vinho didáctico em dois níveis: o que é a casta jaen e o que é um vinho do Dão – apesar de a tradição ser a de vinhos de mistura de castas. O estágio em barricas de carvalho francês durou um ano. É igualmente um tinto com frescura e que dá bom prazer, com a elegância pela qual a região era/é conhecida.

Como é de esperar, não mando nada na região do Dão, tal como acontece com as outras todas. Porém, penso que ao não validar vinhos como Dão Nobre, o painel de provadores não está a beneficiar ninguém. Seria uma boa ajuda para os consumidores mais antigos se reencontrarem e os novos apreciadores se aventurarem nas maravilhas que, de facto, existem na região.

Outras regiões poderão chegar primeiro a uma nova designação de superior classificação, beneficiando da primazia. Cada um sabe de si e dos seus negócios. Fica a minha opinião, que vale o que o leitor quiser que valha.

Lembremo-nos que em Bordéus, Borgonha ou Champanhe «nunca» há anos maus… ou são excelentes ou clássicos. As classificações de topo são usadas e França é o que é.

Alambre Moscatel Roxo 2010, I’m sexy and I know it

Texto João Pedro de Carvalho

A casta Moscatel Roxo de Setúbal é uma uva rara que chegou a correr riscos de extinção no século passado. A diferença para a sua homónima branca, a Moscatel de Setúbal, começa na sua tonalidade roxa mas também nas refinadas diferenças a nível de aroma e paladar que originam vinhos exclusivos e de fino recorte. E é quando falamos na sua salvação que entra em cena o nome do mais antigo produtor de Moscatel de Setúbal, a José Maria da Fonseca.

Foi pelas mãos de Fernando Soares Franco, quinta geração da família, que se salvou o último hectare de Moscatel Roxo da região, na altura localizado na Quinta de Camarate. Hoje em dia a casta espalha-se por cerca de 40 hectares em toda a região sendo 10 hectares pertencentes ao produtor José Maria da Fonseca. A casta hoje em dia mostra a sua versatilidade nas mãos da experiente equipa de enologia, podendo o consumidor variar entre os vinhos generosos até ao rosé e terminar num espumante.

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Alambre Moscatel Roxo 2010 in jmf.pt

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Alambre Moscatel Roxo 2010 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

A última novidade a ser lançada foi este Alambre Moscatel Roxo 2010, um Moscatel Roxo de entrada de gama a permitir o acesso a um público mais alargado uma vez que os generosos feitos a partir desta casa são por regra mais caros que os restantes. Assim resolveu-se apresentar um Moscatel Roxo mais jovem e moderno, fresco, directo e sem toda a complexidade e mesmo densidade que por exemplo um Roxo 20 Anos nos apresenta. É um vinho com a qualidade que o produtor em causa já nos acostumou, mas que se bebe de forma descontraída em fim de tarde no terraço com os amigos. E esta abordagem mais directa faz falta porque nem tudo na vida tem de ser encarado de fato e gravata, em tom formal porque o vinho que nos deitam no copo assim o exige. Por aqui e neste caso com o Alambre Moscatel Roxo 2010 vive-se um clima festivo, num conjunto que da maneira como se mostra convida a isso mesmo, fresco, apelativo, conjuga o trio doçura/acidez/concentração de tal forma que se torna um sucesso imediato à mesa.

Contactos
Quinta da Bassaqueira – Estrada Nacional 10,
2925-542 Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, Portugal
Tel: (+351) 212 197 500
Email: info@jmf.pt
Website: www.jmf.pt

Sandeman – 226 anos a fazer história

Texto Bruno Mendes

A história da Sandeman Sandeman começou há 226 anos atrás, em 1790, quando Geroge Sandeman pediu um empréstimo de 300£ ao seu pai para começar o seu negócio de vinho do Porto e vinho Sherry em Londres. Fundou o negócio tendo em vista criar uma pequena fortuna para se poder reformar no final do século, mas acabou por criar uma das maiores empresas do mundo do vinho.

A Sandeman foi a primeira empresa de vinho do Porto a colocar marca no barril, em 1805. Todas as pipas eram então marcadas com o nome George Sandeman & Co de modo a assegurar a qualidade. No entanto esta marca só seria registada em 1877, o ano seguinte ao primeiro ao qual se pôde finalmente registar marcas formalmente.

No vídeo abaixo encontrará mais detalhes sobre esta empresa bem como os vinhos comemorativos dos 225 anos de existência.

Natureza-morta ou Ainda-vivo

Texto João Barbosa

O título pode parecer estranho para alguns leitores, mas são dois conceitos bem definidos, sedimentados e antigos da pintura. Nas línguas latinas o termo usado é natureza-morta, enquanto em inglês e alemão é ainda-vivo (still life – stilleben), e aplica-se a obras onde se apresentam alimentos, elementos naturais e, por vezes, animais. Contudo, outros objectos podem ser acrescentados.

Um outro conceito é a vanitas, muitas vezes ligado às naturezas-mortas, e aborda a insignificância ou perenidade da vida, do que de nós resta após a morte, a vaidade (vanitas) derrotada…

Ontem, após o jantar, descansava com um copo de vinho e olhava para uma natureza-morta do meu pai (Manuel Jorge – 1924 a 2015), de que não tenho fotografia, e mergulhei em Paul Cézanne – que tanto apreciava. Com o passamento do meu pai próximo (Fevereiro do ano passado) ocorreram-me as vanitas – que saiba não criou nenhuma – e a razão de existirem enquanto motivo artístico.

A vanitas é mais óbvia. Já as naturezas-mortas me parecem mais complexas, não podendo deixar de notar as duas formas de as nomear: morta ou ainda viva. Os alimentos que nos mantém vivos, o vinho que nos dá brilho e a sensação de algo que ficou por fazer – levantar a mesa, terminar de descascar a peça de fruto, terminar o copo de vinho, objectos tombados por alguma pressa súbita.

Note-se que os alimentos surgem frescos e apetitosos, não apresentando sinais de degradação. Se, colhidos e caçados ou pescados, estarão mortos. A frescura, transmita pelos brilhos, desmente a morte. Portanto, a verdade estará entre os dois conceitos, o latino e o germânico.

Estas obras são uma janela para os prazeres da mesa de outrora e do autor. Note-se, que durante séculos, passou-se muita fome, que alimentou revoltas, doenças, morte precoce ou esperança de vida que nos espantará – milénios em que chegar aos 40 anos eram um feito, em que a taxa de mortalidade à nascença e na infância era imensa.

Por isso, estas obras reflectem o prazer deslumbrante da comida e da festa, mas também da solidão e melancolia. Olhando com atenção pode entender-se que a gula de outrora não é muito diferente da actual.

O açúcar, produto tão acessível, era para os ricos. Para se ter um exemplo, numa escavação arqueológica dum enterramento podem distinguir-se facilmente os ricos dos pobres. Uns têm cáries, porque podiam pagar o doce, e outros os molares mais gastos, por comerem pão de farinhas piores, com mais resíduos da pedra da mó.

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Josefa de Óbidos pintou várias naturezas-mortas com bolos

Por isso, o doce surge abundantemente como fruta. Uvas, limões e laranjas são, provavelmente, as mais citadas… talvez ainda a romã. Contudo, a pastelaria foi igualmente pintada.

Josefa de Óbidos pintou várias naturezas-mortas com bolos. Lubin Baugin «retratou» um despojado quadro, com garrafa e copo de vinho e rolos de bolacha, conhecidos como língua-da-sogra. O pão foi imensamente mostrado, ou não fosse a base alimentar dos séculos passados no Ocidente.

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Lubin Baugin «retratou» um despojado quadro, com garrafa e copo de vinho e rolos de bolacha

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Paul Cézanne retratou cebolas

Nos prazeres encontram-se ostras, lagosta, sapateira, peixes, carnes… e vinho! Porém, há uma natureza-morta «deliciosa», de Juan Sánchez Cotán, de couve, abóbora, pepino e marmelo (?)… devia estar de dieta. Paul Cézanne retratou cebolas. O mestre Abel Manta escolheu um safio luzidio que, só de ver, transmite a sensação olfactiva da trimetazidina – o nitrato responsável pelos cheiros dos pescados e que me revolve as entranhas e faz vomitar… deixe-vos sem mais intimidades. Mas o bicho é lindo!

Como não podia deixar de ser, o vinho corre abundantemente, indicando o deleite que ainda hoje nos sacia a alma. Note-se que o vinho era uma fonte acessível de calorias, que os pobres podiam beber – tantas vezes alimentou os camponeses e operários portugueses e até há bem pouco tempo.

No entanto, o vinho mostrado não era para a garganta do trabalhador braçal. Apresenta-se acompanhado por uma garrafa (luxo) e em copos finos, do caro cristal, certamente – até o vidro era caro. Outras vezes, os cálices são de metal trabalhado. Faço uma nota, a cerveja foi também muito escolhida.

Se hoje os consumidores preferem os tintos (confesso que não consegui dados actualizados), o vinho branco foi, aparentemente, na pouco fiável memória, mais escolhido pelos pintores. Há muitos claretes, tão distante dos retintos que hoje agradam a tantas pessoas.

Disse bastarem as intimidades, mas esta tem fundamento. O meu pai era apreciador de vinho. No entanto, as duas naturezas-mortas, que tenho dele, têm flores, fruta, pão e… água!

Roquevale, uma vertical do Tinto da Talha Grande Escolha

Texto João Pedro de Carvalho

Desta vez rumo à vila de Redondo, mais propriamente à Roquevale que fica na estrada para Estremoz entre Redondo e a Serra D´Ossa. A empresa possui duas herdades num total de 185 hectares, a Herdade da Madeira Nova de Cima vocacionada para a produção de tintos onde despontam os solos de xisto e a Herdade do Monte Branco com solos de origem granítica mais vocacionada para a produção de brancos, onde está sediada a adega. A empresa que hoje se assume como a segunda maior empresa privada do Alentejo, a produção ronda os 3 milhões de litros por ano e é liderada pela enóloga Joana Roque do Vale.

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A adega e os vinhos – Foto Cedida por Roquevale | Todos os Direitos Reservados

O mundo do vinho e Joana Roque do Vale sempre andaram de mão dada, desde a infância em Torres Vedras onde os seus bisavôs eram produtores. Após a revolução de Abril o pai de Joana, Carlos Roque do Vale decide mudar-se para a vila de Redondo para tomar conta das duas herdades do sogro (que em 1970 já tinha iniciado a plantação de vinha na zona de Redondo). A Roquevale iria nascer em 1983 de uma sociedade entre Carlos Roque do Vale e o seu sogro. O caminho de Joana estava traçado, o mundo do vinho era a sua segunda casa, daí até fazer o seu estágio curricular na Herdade do Esporão foi um ápice. Aprendeu com os melhores, como coordenador de estágio teve o engenheiro Francisco Colaço do Rosário e o enólogo Luís Duarte que já na altura era também consultor da Roquevale. Terminado o curso começou a trabalhar na empresa da família onde iria assumir pouco tempo depois a enologia da empresa.

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Talhas – Foto Cedida por Roquevale | Todos os Direitos Reservados

Um produtor com marcas bem conhecidas dos consumidores onde se destacam nomes como Terras de Xisto, Tinto da Talha ou Redondo. O vinho agora em destaque foi durante largos anos considerado como o topo de gama da empresa, o Tinto da Talha Grande Escolha que nos mostra as duas melhores castas de cada colheita. A prova em formato vertical começou com o 2003 e foi até ao 2010, mostrando em todas as colheitas um vinho que encarou com naturalidade a passagem do tempo, sem sinais de desgaste ou velhice acentuada. Sempre com direito a passagem por barricas novas, durante as primeiras colheitas destaca-se a assídua presença da Touriga Nacional que ia intercalando com Aragones ou Syrah, daria lugar depois à Alicante Bouschet que combina com Syrah ou Aragones sendo 2009 o único que junta Touriga Nacional com Alicante Bouschet.

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A vertical – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

O que mais gostei foi o 2010 Aragonês/Touriga Nacional que mostra uma dupla em perfeita harmonia num conjunto cheio de vida com muita fruta madura, algum vegetal presente, tudo em perfeita harmonia. Amplo, guloso, exuberante com ponta de rusticidade, num bom registo fiel à região e a pedir comida por perto. Muito bom está o Aragonês/Alicante Bouschet 2008 que mostra um conjunto cheio e guloso, cacau, fruta sumarenta com pingo de doçura, tudo balanceado e fresco, bálsamo de segundo plano com muito sabor no palato, equilibrado e com taninos a marcarem ligeiramente o final. Seguido bem de perto pelo 2003 junta Touriga Nacional/Aragonês que sendo a primeira colheita mostrou-se em muito boa forma a juntar a uma fruta vermelha ainda madura uma bonita frescura de conjunto com bálsamo fino, couro, especiarias, tudo em corpo médio ainda com energia e final longo. O Tinto da Talha Grande Escolha 2009 junta Touriga Nacional/Alicante Bouschet, inicio com vegetal fresco e fruta madura e de apontamento mais doce, de início algum químico, tudo muito novo cheio de garra e bastante sabor, boa frescura mas final um pouco mais curto do que se esperava.

O Aragonês/Syrah 2007 é de todos aquele que menos conversa, cerrado com aroma químico de início, cacau, pimenta, fruta envolta em geleia, frescura a envolver tudo com boca saborosa, rebuçado de morango em fundo com balsâmico num conjunto bem estruturado com bom suporte e persistência. Um vinho com muito ainda para dar e que certamente está em fase de arrumações. Da colheita 2004 Syrah com Touriga Nacional saiu um tinto com fruta vigorosa, muita pimenta com chocolate de leite, arredondado e coeso, ligeiro vegetal de fundo. Mostra a fruta bem limpa e saborosa, cereja ácida, amora, bom de se gostar. Para o fim ficaram as colheitas 2005 Touriga Nacional/Aragonês que se mostrou de todos o vinho mais aberto e espaçado, tímido mas a mostrar o cunho Roquevale bem patente. Muito melhor na prova de boca, que se fosse de igual gabarito no nariz, seria um caso muito sério. Por fim o que menos gostei, o Syrah/Touriga Nacional 2006 que despejou no copo aromas químicos com vegetal acentuado, num conjunto agreste, muita nota fumada, rusticidade a fazer-se sentir. Ligeira frescura na boca com alguma fruta em corpo mediano e sem ter a mesma prestação que os outros irmãos de armas.

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