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O X marca o local para Hélder Cunha, o produtor-itinerante-salteador-de-uvas dos “Casca Wines”

Texto Sarah Ahmed | Tradução Teresa Calisto

O produtor Hélder Cunha e o actor José Fidalgo atravessaram Portugal de mota para o programa de TV “Rotas do Vinho“. Rotas estas que, sem vinhas nem adega, Cunha passou a conhecer bem, já que ele faz parte da nova geração de produtores-itinerantes-salteadores-de-uvas de Portugal, cuja missão é muito simplesmente, procurar as melhores uvas, onde quer que elas estejam. Desde que as uvas sejam portuguesas, não interessa se a região está na moda ou não e, por este motivo, eu tiro o chapéu a Cunha.

No Casca Wines, que co-fundou com o produtor Frederico Gomes, os vinhos são feitos em parceria com agricultores e adegas locais em 10 regiões DOC.

Estou particularmente enamorada das gamas Monte Cascas Single Vineyard e Ícone, especialmente dos peculiares vinhos de Colares e do Tejo, cujas vinhas envelhecidas podem bem ser descritas como relíquias nacionais. Quando lamenta “Portugal deixou que a sua cultura vinícola escapasse por entre os dedos”, o objectivo de Cunha é preservá-la e renovar a tradição única Portuguesa de fazer vinho. Aqui fica o que ele teve a dizer sobre este importante tópico, após o qual encontrarão as minhas notas sobre as gamas Monte Cascas Single Vineyard e Ícone.

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Hélder Cunha – Foto cedida por Casca Wines | Todos os Direitos Reservados

A entrevista

1. Os dias de glória de Portugal – a sua Época dos Descobrimentos – já desapareceram há muito. No entanto, apesar de não ter vinhas próprias, o Hélder está a injectar o espírito inquieto de Vasco da Gama no portfólio de várias origens do Monte Cascas. Diga-me porque é que adora fazer-se à estrada.

Voltar aos velhos tempos, redescobrir os tesouros do país. Eu acredito que Portugal ainda é um excelente produtor de vinhos. Temos uma riqueza de variedades e terroirs que é única no mundo dos vinhos. Antes de ter estabelecido o Casca Wines, tinha a ideia de que os vinhos Portugueses ofereciam uma experiência de prova rara. Senti que com uma abordagem moderna à produção tradicional, poderíamos oferecer um novo e requintado paladar ao mundo dos vinhos. Antes do estabelecimento das cooperativas há 60 anos, as vinhas eram plantadas para produzir qualidade e não apenas quantidade. Adoro fazer-me à estrada porque é possível descobrir vinhas anteriores a esses tempos.

2. O X marca o local: O quê são e onde estão, na sua opinião, as melhores uvas do país e porquê?
Há alguns anos atrás, eu acreditava que a qualidade vinha de uma determinada área/região. Hoje em dia, uma vez que estamos a produzi em 10 DOCs diferentes, eu acredito que a qualidade vem do amor que damos ao nosso trabalho, Os melhores produtores de uvas são aqueles que amam as suas vinhas e isso é fácil de ver e de sentir! O nosso desafio agora é atingir a grandeza em diferentes DOCs.
No entanto, é um facto que é mais fácil cultivar uvas perfeitas em terroirs que tenham um solo neutro ou básico, um clima fresco mas seco, com varietais que tenham mais acidez. Temos que nos lembrar que Portugal é um país quente e que a proximidade ao Atlântico e a altitude ajudam a atingir um maior equilíbrio nas uvas (e nos vinhos).

3. Um produtor Australiano descreveu recentemente, as suas vinhas mais antigas e mais pressionadas como “os velhotes escanzelados” porque, inicialmente, os seus vinhos são pouco encorpados e precisam de tempo em pipa para revelar a sua graça e equabilidade – uma qualidade pouco em voga na nossa sociedade de consumo imediato. O Hélder empenhou-se em procurar os velhotes escanzelados – qual é a atracção para um rapaz novo como você?
O equilíbrio que uma vinha mais velha pode trazer, ajuda a mostrar o melhor da sua região. Os “velhotes escanzelados” são como os nossos avós a quem a experiência trouxe equilíbrio. Concordo com o produtor Australiano, estes vinhos precisam de tempo para atingir a sua graça, pelo que a única forma de os mostrar nesta sociedade de rápido consumo é partilhando-os, abrindo uma garrafa e explicando a sua origem e o que se espera nos próximos anos. Um dos nossos primeiros clientes privados que valorizou o facto de estarmos a fazer algo especial, acabou de nos escrever a pedir-nos a nossa primeira colheita de Malvasia de Colares, porque ele tem três caixas, mas quer comprar mais para envelhecer.

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Hélder Cunha – Foto cedida por Casca Wines | Todos os Direitos Reservados

4. Compensa trabalhar com os velhotes escanzelados? Veja o Fernão Pires, uma variedade laboriosa que normalmente faz grandes volumes de vinho barato. É difícil desafiar a percepção desta uva mesmo que advenha de vinhas centenárias?
Sim, muito difícil! Apesar disso, os nossos clientes de exportação que conhecem pouco Fernão Pires, simplesmente não se importaram que a uva fosse usada para vinhos baratos. Olharam apenas à qualidade. Isto ajudou a convencer o público Português e, hoje em dia, o nosso Fernão Pires é conhecido pelos “connoisseurs”.

5. É difícil procurar e usar uvas de vinhas tão antigas e veneráveis ou elas são descuidadas, negligenciadas e bastante disponíveis?
É mais difícil agora do que quando começamos. Estas vinhas são negligenciadas e os fundos da União Europeia para a reestruturação das vinhas, dizimaram muitos dos “tesouros” que existiam. Também o preço das uvas que os agricultores recebem não reflecte a qualidade que se pode obter a partir das vinhas velhas. Por isso um agricultor elimina-as e planta vinhas novas. Portalegre, sem dúvida uma das melhores áreas para produzir um verdadeiro vinho Alentejano, é um bom exemplo. Hoje em dia, é muito difícil encontrar uma vinha muito antiga com uma quantidade viável de uvas porque a maioria foi abandonada quando as cooperativas entraram em declínio.

6. Tem planos para assentar e comprar a sua própria vinha ou será sempre um rolling (terroirista) stone?
Sim, um dia terei as minhas próprias vinhas, mas isso não quer dizer que deixe de ser um terroirista rolante.

A prova

Casca Wines Monte Cascas Colares Malvasia 2011 (Colares)
Malvasia de Colares é exclusivo da região de Colares e não existe muito. As uvas para este vinho, 36 caixas no total, vieram de duas vinhas velhas com mais de 80 anos a dois passos de distância (um quilómetro) do Atlântico, plantadas em – surpresa das surpresas – solo arenoso (chamado Chão de Areia), por cima do mais duro Chão Rijo, composto por calcário acastanhado. É um vinho muito complexo, redondo e texturado, mas fresco, com toques de cogumelo e pântano salgado do bosque no seu palato intensamente pedregoso e mineral. Único. 11,5%

Monte Cascas Vinha da Padilha Fernão Pires 2010 (Tejo DOC)
Fernão Pires é plantada em abundância no Tejo onde, pode dizer-se, a familiaridade desta casta gera desprezo. Mas tal não acontece com este vinho. Provém de uma vinha bush vine excepcionalmente envelhecida (com mais de 100 anos) em Almeirim, localizada em solo de argila aluvial cinzenta. Colhida na quarta semana de Outubro quando as uvas estavam, sem dúvida, super maduras, o resultante vinho envelhecido e dourado é rico e meio seco, com 6.2gr/lt de açúcar residual. No entanto, mantém-se bem equilibrado com uma acidez suavemente ondulada e muito bem integrada com o travo de camomila e caroço de pêssego, marmelo, damasco encerado e pêra seca. Longo e cremosamente sedoso na boca, este é um vinho sensual sobre o qual nos devemos demorar. Foi fermentado em 100% carvalho Francês (barricas antigas) onde estagiou durante 12 meses. Foram produzidas 54 caixas. 12%

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Transporte de uvas Ramisco para o Monte Cascas Colares Tinto – Foto cedida por Casca Wines | Todos os Direitos Reservados

Casca Wines Monte Cascas Colares Ramisco 2009 (Colares)
Ramisco também é exclusiva de Colares, cujos solos arenosos protegeram esta uva tinta da devastação da phylloxera. Atraiçoando as suas raízes de “velhote escanzelado” (provém das mesmas vinhas do Malvasia de Colares), este vinho abriu desde a última vez que o provei em 2012. Um nariz tentador traz-me à mente beterraba e rábano recém-ralado – picante e de fazer estalar os lábios. Mostra o crocante e vívido mirtilo e fruta vermelha – romã, cereja vermelha madura e perfumada e framboesa. Um final persistente revela conotações deliciosas de cogumelo/trufa. Apesar de mais esguio e firme, apelaria aos amantes de Pinot Noir. 11%

Monte Cascas Vinha da Carpanha 2010 (DOC Dão)
Proveniente de uma vinha de baixa produção (2t/ha), com 56 anos de idade, em Penalva do Castelo, a 526 metros em solos graníticos com ardósia e argila, este é um vinho de um roxo profundo e opaco, com 65% Touriga Nacional e 35% Jaen. Especiarias escuras – alcaçuz e cravo-da-Índia – e carvalho mocha ligam-se com bergamota doce, agulhas de pinheiro secas, amora bem definida e cereja. Apesar dos taninos serem finos e do conjunto ser muito elegante, este estilo bem estruturado, escuro e reflexivo precisa de tempo para desfiar e livrar-se do seu carvalho novo, demasiado entusiasta (passou 24 meses em carvalho novo Francês) e para mostrar o seu melhor. Cunha não discordou da minha opinião sobre o carvalho e acredita que para as subsequentes colheitas Dão e Douro mono vinhas, o carvalho está melhor equilibrado. 14.5%

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Uvas – Foto cedida por Casca Wines | Todos os Direitos Reservados

Monte Cascas Vinha do Vale 2009 (DOC Douro)
Proveniente de uma vinha com 94 anos, de baixa produção (1t/ha), plantada em socalco de pedra, condução tradicional “em taça”, com mais de 20 castas diferentes, a 110m no Vale Torto. As uvas são parcialmente desengaçadas (30%) e esmagadas directamente para um lagar, após a fermentação, o vinho estagiou durante 24 meses em barricas novas de carvalho Francês. Esta colheita quente e muito seca, tem um tom profundo de beringela com um nariz balsâmico bastante avançado com ameixa assada e frutos pretos. Na boca é mais fresco, com uma mineralidade atractiva, amora e groselhas bastante sumarentas, picantes, com notas de eucalipto, pelo que é menos quente no palato que no nariz. Ainda assim, mais avançado do que eu esperaria. 14.5%

Monte Cascas Vinha das Cardosas 2010 (DOC Bairrada)
De uma vinha de alta densidade e pouca produção (2t/ha), que foi plantada em 1914 nos solos calcários da Cordinhã. Com vinhas Baga de condução tradicional “em taça” e um punhado de Maria Gomes (3%) & Bical (1%), passou por uma fermentação adequadamente tradicional em lagares com 30% de desengace. Um nariz e palato firmes e enrolados, tem um travo de agulhas de pinheiro verde (30% desengace) na sua fruta de ameixa, altamente concentrada, precisa, mas sumarenta, o que significa que limpa o (não tão tradicional) carvalho Francês novo, no qual estagiou durante 24 meses, com facilidade. Um chassis de taninos finos e acidez muito persistente mas bem integrada, apoiam um final longo e tenso. A Baga jovem e austera faria-me aguardar pelo menos uns cinco anos antes de voltar a dar outra olhadela. Muito prometedor. 13%

Contactos
Casca Wines, Lda.
DNA Cascais – Ninho de Empresas.
Cruz da Popa
2645 – 449 Alcabideche – Cascais, Portugal
Tel.: (+351) 212 414 078
Email: info@cascawines.pt
Site: www.cascawines.pt
Facebook: www.facebook.com/pages/Casca-Wines
Facebook: www.facebook.com/monte.cascas

Vinhos da Quinta do Fojo

Texto José Silva

Num ambiente rural, em pleno vale do rio Pinhão, com vinhas por todo o lado, fez-se uma prova vertical dos vinhos da Quinta do Fojo. O acesso à quinta é difícil e o troço final fez-se a pé, apreciando melhor a beleza da propriedade e da casa rural. A casa foi construída para os proprietários acompanharem as vindimas, muito bem inserida na paisagem, com pormenores muito interessantes, que têm sido mantidos e preservados.

O arvoredo envolvente faz a ligação natural com as vinhas que circundam a casa, com um enorme terreiro de permeio, para usufruir refeições de verão, como foi o caso, ou para apreciar um copo de vinho ao final da tarde na contemplação do pôr do sol duriense.

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Quinta do Fojo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois do ligeiro passeio, tomamos assento à mesa para a primeira prova vertical dos vinhos da Quinta do Fojo. E desfilaram pelos nossos copos as colheitas até agora existentes:

Vinha do Fojo 1996
Num ano de grande produção, apareceram vinhos muito interessantes, como este. Granada claro muito limpo, nariz elegante e requintado, cheio de perfume, bela acidez, ainda alguns frutos vermelhos, seco, refinado.

Fojo 1996
embora do mesmo ano tem uma atitude diferente, cor granada com laivos acastanhados, mais fechado, embora elegante e perfumado. Cheio, com bela estrutura, volumoso, óptimos taninos, muita fruta vermelha madura, longo, muito bom.

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Vinhos Provados – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Fojo 1998
num ano diferente, um vinho diferente. Granada claro, elegante, nariz fantástico, requintado, mesmo perfumado e com algumas especiarias, fascinante. Envolvente e com acidez vibrante, taninos saborosos e belos frutos vermelhos, ligeiramente seco. Final imenso…

Fojo 1999
num ano difícil, um vinho muito interessante. Granada com laivos acastanhados, nariz elegante embora algo fechado, mas cheio de requinte, com notas ligeiramente mentoladas. Acidez equilibrada, ligeiramente seco, taninos persistentes, complexo, carnudo, com final longo.

Fojo 2000
em ano de muito bons vinhos, é vermelho granada intenso, nariz ainda fechado, profundo, requintado, muito elegante. Redondo mas seco, taninos poderosos a dar-lhe estrutura, frutos vermelhos ainda cheios de frescura, excelente acidez, um vinho cheio de juventude, para durar mais uns anos.

Fojo 2001
o primeiro ano do milenium revela belos vinhos como este. Granada médio, elegante, nariz intenso, cheio, com muita fruta vermelha. Elegante e com bela estrutura na boca, taninos seguros, acidez fantástica, ainda muitos frutos vermelhos, carnudo, com grande final.

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Casa da Quinta do Fojo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O almoço que entretanto foi servido, teve a companhia de todos os seis vinhos em prova, o que permitiu fazer várias combinações e perceber a prestação de cada um, agora com companhia. Os vinhos são muito gastronómicos, estão cheios de saúde, ainda vão evoluir por muitos anos. Seguros, com perfil evidente, as diferenças apenas influenciadas pelos diferentes anos, e preparados com as uvas das vinhas velhas do Fojo, são belos investimentos como vinhos de guarda, e, felizmente, ainda estão disponíveis todas as colheitas.

O Douro em toda a sua plenitude.

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Margarida Serôdio Borges – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Rita Marques – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde o início do projecto destes vinhos da Quinta do Fojo, o acompanhamento foi liderado pelo enólogo e amigo da casa, David Baverstock. Apenas na colheita de 2001 já não acompanhou a elaboração do vinho.

Houve entretanto uma paragem na produção destes vinhos, por opção dos proprietários, mas adivinha-se o regresso para breve, agora com a colaboração da jovem enóloga Rita Marques, uma confessa fã dos vinhos do Fojo. Juntamente com a proprietária, Margarida Serôdio Borges. É uma nova dupla de mulheres a dar cartas na produção de vinhos do Douro de excelência.

As vinhas velhas lá vão continuar a dar uvas fantásticas para os vinhos do Fojo…

Vinho Português: O Amigo Flexível dos Sommeliers?

Texto Sarah Ahmed | Tradução Teresa Calisto

Fico sempre impressionada com os paralelismos entre os vinhos Portugueses e os vinhos Italianos. Eles partilham um contorno de taninos e de acidez muito food-friendly, especialmente os vinhos do Norte destes países compridos e magrinhos.

Ainda mais impressionante é o seu constrangimento de riquezas varietais. Portugal tem mais de 250 uvas autóctones, enquanto que Itália tem, de acordo com Ian D’Agata (Native Wine Grapes of Italy) o dobro deste número!

Combine-se esta enorme diversidade de castas com o terreno igualmente diverso de cada um destes países (pense em montanhas, costas, colinas ondulantes, planícies e ilhas) e tem-se uma excelente receita para uma combinação de vinho e comida de sucesso – um estilo de vinho para praticamente qualquer prato que consiga mencionar.

No entanto, Itália e Portugal separam-se quando se trata de reputação internacional e perfil da sua cozinha. Quem não conhece “Os 3 Pês” – pizza, pasta (massa) e parmesão – no rasto dos quais, milhões de litros de vinho Italiano conseguiram ser distribuídos em restaurantes, lojas gourmet e supermercados por todo o mundo?

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Queijo Serra da Estrela – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Contrariamente, para além das suas antigas colónias, os pratos clássicos Portugueses são conspícuos pela sua ausência. Os sommeliers do Reino Unido que visitaram Portugal comigo esta Primavera no Wines of Portugal’s Wine Quest ficaram boquiabertos com as especialidades regionais até então desconhecidas, como leitão, cabrito assado e queijo da Serra da Estrela combinados com os vinhos locais.

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Sommeliers do Reino Unido – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Foi portanto interessante ver como eles posteriormente, responderam ao desafio do Wines of Portugal de encontrar em casa (no Reino Unido), combinações de deixar água na boca entre comidas e os seus vinhos preferidos. Estão listadas uma selecção de sugestões sumptuosas emergentes desta iniciativa inteligente de interacção com jovens sommeliers do Reino Unido. Mas antes, ficam aqui cinco razões pelas quais o sommelier campeão do Wine Quest (Dorian Guillon do Alain Ducasse at The Dorchester, com três estrelas Michelin) acredita que os vinhos Portugueses “têm definitivamente o potencial para aumentar o seu mercado no Reino Unido:

  1. Diversidade de uvas indígenas para o amador mais aventureiro
  2. Vinhos com um sentido de lugar, expressão e carácter
  3. Vinhos food friendly com diferentes estilos para “brincar” à mesa
  4. Estilos diversos, desde os de gama baixa, deliciosos e frutados, aos mais refinados tintos (por ex. Baga envelhecido em garrafa na Bairrada)
  5. Descoberta para os comensais com menu de degustação

Por isso digo: “Coragem Portugal, mantenham a fé!”

Anselmo Mendes Alvarinho Contacto 2013 (Vinho Verde)
com lagostins em lume lento com gengibre e caviar (Adam Pawlowski, Heathcotes)

Vadio Branco 2013 (Bairrada)
com travessa dim sum de shumai de vieira, har gau, bolinho de camarão e cebolinho chinês e bolinho de shimej (Gabor Foth, Hakkasan).

Terrenus White 2012 (Portalegre, Alentejo)
com rodovalho da Cornualha com azeitonas verdes, ostras picadas e velouté de sake (Anja Breit, The Ledbury)

Quinta do Ameal 2004 (Vinho Verde)
com medalhões de tamboril em papelote com cenouras bebé, cominhos, coentros, frutos secos e nozes e sabayon de laranja com chouriço, servido com arroz de açafrão (Antonin Dubuis of The Savoy Grill).

Caves São João Porta dos Cavaleiros White 1985 (Dão)
com lagosta fumada temperada simplesmente com azeite, sal e pimenta (Dorian Guillon, Alain Ducasse at The Dorchester).

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Caves São João Porta dos Cavaleiros White 1985 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Terrenus Tinto 2009 (Alentejo)
com carne de veado, puré de batata fumado e cogumelos selvagens (William Wilson, The Chesterfield Mayfair).

Vadio Grande Vadio 2011 (Bairrada)
com queijos duros e maduros – Cheddar, Parmesão (Piotr Pietras, Maze by Gordon Ramsay).

Quinta da Vacarica 2008 (Bairrada)
com Côte de Boeuf[1] na grelha com foie gras ou molho de trufas. (Dorian Guillon, Alain Ducasse at The Dorchester).

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Quinta da Vacarica 2008 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Quinta Vale Dona Maria 2011 (Douro)
com carne de veado, puré de aipo e molho de ameixa (Adam Pawlowski, Heathcotes).

Quinta Vale Dona Maria 2011 (Douro)
com barrigas de porco crocantes, couve lombarda, lingueirão, molho de jalapeno e maçãs assadas. (Antonin Dubuis of The Savoy Grill).

Por Terras de Baião

Texto José Silva

Inserida na região demarcada dos vinhos verdes, Baião é uma vila serrana, no cimo da serra da Aboboreira, onde a gastronomia tem ainda grande tradição, a par da excelência de muitos vinhos, entre brancos, rosados e alguns tintos. Em recente visita à região, o nosso poiso foi a beleza natural da Quinta da Covela, respirando aquele ar puro, com muito sossego e vinhos deliciosos.

A quinta está muito bonita, agora com as vinhas cheias de uvas e os laranjais e limoeiros carregados de frutos, apesar de ser já verão adiantado, com laranjas doces e saborosas e limões sumarentos e aromáticos.

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Laranjeiras – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ao lado da quinta, um bosque frondoso é protecção natural para uma produção em modo biológico com óptimos resultados. Passear pela quinta é fascinante e ao mesmo tempo retemperante, com todo aquele sossego à nossa disposição e uma grande diversidade de plantas, a começar nas vinhas e nos laranjais, mas também um enorme cerejal, vários outros tipos de árvores de fruta e muitas outras plantas e árvores frondosas que constituem uma moldura natural para a beleza da quinta.

A casa principal, em rude granito envolvida por trepadeiras e outros arbustos que lhe dão um ar confortável e acolhedor, está muito bem situada e tem duas esplanadas espaçosas, com exposições diferentes, utilizadas para apreciar muitas das refeições que ali se servem ao logo do ano. Em frente à casa, uma pequena adega, onde estagiam grande parte dos vinhos que ali se produzem.

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Casa Principal – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mais abaixo, uma simpática piscina sabe bem para nos refrescarmos nos dias de calor intenso durante o verão.

Os vinhos da Covela têm vindo a afirmar-se não só na região mas em todo o país, até porque são vinhos muito gastronómicos, a fazer óptimas ligações com vários tipos de comida portuguesa, e mesmo com comidas de outras terras, de que se destacam as comidas chinesa, japonesa, tailandesa e indiana. São vinhos com boa estrutura, muito frescos e com belíssima acidez, a que se juntam aromas florais, em alguns casos, e frutados, noutros, em conjuntos cheios de elegância e harmonia.

O Covela Edição Nacional Arinto 2013 é uma boa novidade. Um vinho muito fresco, cheio de mineralidade na boca, seco, com óptima acidez, jovem e elegante. O Covela Edição Nacional Avesso 2013 continua em grande nível, num ano de grandes vinhos brancos, com notas citrinas intensas, ligeiramente mineral, acidez equilibrada mas bem presente, muito elegante.

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Quinta da Covela – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O Covela Rosé é impressionante, ao mesmo tempo elegante e complexo, com notas de frutos vermelhos e algumas fragrâncias florais, óptima acidez e ligeira mineralidade, um vinho gastronómico com grande final de boca.

Finalmente o Covela Escolha, um branco cheio de corpo e estrutura, elegante e suavemente floral, óptima acidez, alguma fruta de polpa branca, ligeiramente mineral, com grande final de boca. Um vinho para durar muitos anos.

[Veja o nosso artigo anterior sobre a Quinta da Covela.]

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Mesas Restaurante Tormes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

À noite, a opção foi jantar ali bem perto, num espaço novo inserido num ambiente tradicional cheio de história: o novo Restaurante “Tormes”, no complexo da Fundação Eça de Queiróz, propriedade que pertenceu ao célebre escritor português e onde repousa muito do seu espólio. Pois ali funciona agora um simpático restaurante, aproveitando instalações com belas paredes em granito e tecto de madeira. Existe uma sala de maiores dimensões para serviços, muito bem apetrechada. No restaurante as mesas são muito bem-postas e até há um belo piano que pertenceu ao escritor.

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Melão com Presunto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ele fez inúmeras referências nos seus romances a muitos pratos que apreciava, ou que, pelo menos, os seus personagens apreciavam. E neste restaurante, que tem um óptimo serviço de mesa, a ementa tenta reproduzir muitas das receitas que Eça relatava nos seus livros. Vem à mesa pão, broa de milho e melão com presunto como primeira entrada. Não faltam os peixinhos da horta, uns deliciosos cogumelos salteados, carnudos e saborosos e umas fantásticas febrinhas de porco de vinha d’alho.

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Lulas Fricassé – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Como primeiro prato apreciou-se as lulas de fricassé, neste caso acompanhadas com batatas salteadas com a casca e sobre tosta de pão regional com alho, azeite, sal e uma salada verde. Depois veio a perdiz à convento de Alcântara, um clássico queirosiano, bem corada, com muita cenoura e batatinha aloirada, deliciosa. Terminou-se com uma sobremesa mista com ananás, trouxas-de-ovos e leite-creme. Puxado!

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Regional Minho Wine 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Durante o repasto apreciaram-se dois vinhos brancos da própria Fundação, primeiro um Vinho Regional Minho Colheita 2013, simples mas agradável, fresco, com óptima acidez e alguma fruta no nariz; depois um verde Tormes Escolha, muito bem apresentado, mais encorpado, ainda com bastante frescura e boa acidez, seco, complexo, um vinho elegante. Ambos acompanharam muito bem a refeição, num “cheek to cheek” bem interessante.

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Tormes Escolha – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

De regresso à Covela, para a última noite na companhia daquele silêncio penetrante que faz bem ao corpo, relembramos Eça de Queiróz e compreendemos porque ele tanto apreciava esta região, quando, em carta dirigida a sua mulher, aquando da sua primeira visita a Tormes, em Maio de 1892, dizia assim: “A quinta…é excelente…e tão fértil que quase não necessita de adubos…É toda em socalcos…O monte desce até ao Douro…O que sobe e o que desce é tudo admirável de vegetação, de verdura, de águas, de sombras, de belas vistas…”
Até um dia destes, Baião…

Contactos
Quinta de Covela
William Smith & Lima Lda.
S. Tomé de Covelas
4640-211 BAIÃO
Tel: (+351) 254 886 298
E-Mail: info@covela.pt
Site: www.covela.pt

Fundação Eça de Queiróz
Restaurante Tormes
Caminho de Jacinto, 3110
Quinta de Tormes – Baião
4640-424 Santa Cruz do Douro
Tel: (+351) 254 882 120
Fax: (+351) 254 885 205
E-mail: info@feq.pt
Site: www.feq.pt

Quinta da Murta = Arinto

Texto João Pedro de Carvalho

A região de Bucelas (demarcada desde 1911) fica situada às portas de Lisboa, concelho de Loures, e é caracterizada pela produção de brancos e espumantes com base na casta Arinto. Ganhou fama no estrangeiro aquando da Guerra Peninsular/Invasões Francesas, pelo facto do General Wellington terá levado uns pipos do branco de Bucelas para George III, passando o “Lisbon Hock” a ser exportado nessa altura em grande quantidade para Inglaterra. Terá sido também o vinho de Shakespeare imortalizado com o nome “Charneco”.

A região adormeceu durante largos anos e apenas se revitalizou com o surgimento de novos projetos no início dos anos 90, onde a figura do enólogo Nuno Cancela de Abreu teve um papel muito importante.

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Vinhas Quinta da Murta – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Um dos projectos do qual fez parte foi a Quinta da Murta, uma propriedade vinícola com 27 hectares, situada a 2,5 km de Bucelas, aproximadamente 20 km a norte de Lisboa e com a primeira colheita em 1994.

A propriedade possui 14,5 hectares de vinha, implantadas a 250 metros de altitude nas encostas do Vale da Ribeira do Boição, beneficiando de solos compostos por margas calcárias e calcários cristalinos, com numerosas presenças de fósseis. Com natural presença da casta Arinto, cuja acidez natural aliada às características dos solos e do microclima da região permite produzir na Quinta da Murta, agora com o enólogo Hugo Mendes, vinhos únicos com grande potencial de guarda onde brilha a gama de brancos e de espumantes.

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Quinta da Murta Reserva Bruto 2008 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Quinta da Murta Reserva Bruto 2008 (DOC Bucelas)
Uma pequena parte do lote fermentou em barricas usadas, com posterior estágio em garrafa. Mostra um Arinto evoluído, complexo, aroma muito fresco com citrinos maduros, folha de limoeiro, maçã, muito vivo e direto com mineralidade de fundo. Boca com muita frescura, mousse ligeira com citrinos, vivacidade e mineral, numa bela acidez em final persistente e seco. Um espumante que pede pratos de marisco por perto, por exemplo mexilhões ou ameijoas ao natural, apenas com umas gotas de sumo de limão e coentros picados.


Contactos

Quinta da Murta, Estrada Velha do Boição nº 300
2670-632 Bucelas Portugal
Tel: 210 155 190
Telemóvel: 932 857 750
Fax: 210 155 193
Email: qmurtageral@hotmail.com
Site: www.quintadamurta.pt

Douro ou não Douro – Porquê a questão?

Texto Sarah Ahmed | Tradução Teresa Calisto

Muitos produtores de vinho descreveram o Douro como um “parque de diversões”. Com as suas encostas multifacetadas, as suas vinhas localizadas entre os 100 e os 900 metros, a sua miscelânea de castas, as permutações estilísticas parecem intermináveis. Poderíamos dizer que há uma infinidade de escolhas…

E no entanto, para alguns, tome-se como exemplo a minha última descoberta fora de pista – o Quinta da Romaneira Petit Verdot 2011 – as 118 castas aprovadas da região DOC Douro não chegam! O que explica o motivo pelo qual este tinto de casta única de uma das maiores quintas históricas do Vale do Douro está rotulado como Vinho Regional Duriense e não como DOC Douro.

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Vinho Regional Duriense – Fotode Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Devo confessar que tenho uma reacção automática tendencialmente negativa ao uso de uvas não locais (especialmente uvas estrangeiras), quando Portugal é dotado de castas nativas tão ricas e únicas que são o paraíso para qualquer amante de vinho. Bom, podemos perguntar então, o que há de tão bom no Petit Verdot? Mas usando as palavras de Tiago Teles, talvez a questão correcta seja será que as uvas “conduzem o local”?

Tendo amadurecido tarde (ainda mais tarde que o Cabernet Sauvignon) e portanto com maior risco, em Bordéus (onde tem a sua origem), o Petit Verdot é participante do blend tinto da famosa região Francesa (o chamado “sal e pimenta”). Mas transplantem-no para climas mais quentes e secos, onde tem muito melhor hipótese de amadurecer completamente, e o Petit Verdot transforma-se numa poderosa variedade por si só. Na realidade, tendo em conta que as vinhas foram plantadas apenas em 2006, não pude senão ficar impressionada pela concentração e estrutura do Quinta da Romaneira Petit Verdot.

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Christian Seely na Quinta da Romaneira – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Não que o Douro tenha falta de vinhos concentrados e estruturados. Então por que motivo terá Christian Seely, co-fundador da Romaneira e seu Director Executivo, plantado esta vinha quando supervisionou a renovação da quinta do século XVII, após a sua aquisição em 2004? Terá sido um capricho Francês, uma vez que Seely também é o Director Executivo da francesa AXA Millésimes, detentora das vinhas Château Pichon-Baron, Petit Village e Suduiraut em Bordéus?

Não sendo pessoa para medir as palavras, Seely diz simplesmente “deu-se incrivelmente bem”. Tão bem na realidade que ele enxertou vinhas na Quinta do Noval (que faz parte do portfolio da AXA Millésimes). É o teste de acidez que explica o motivo pelo qual tanto a Romaneira como a Noval também produzem um Syrah (tendo este último sido seleccionado como um dos meus 50 Grandes Vinhos Portugueses em 2010). Explica também a razão pela qual Seely deu pouca atenção à variedade icónica de Bordéus, o Cabernet Sauvignon. Apesar de ter sido plantado na vinha de Noval no Vale Roncão, Seely contou-me numa visita há uns anos atrás, de forma que não posso esquecer: enquanto o Syrah “se adaptava bem ao Douro, o Cabernet destacava-se como um vulgar turista.” Basta dizer que as vinhas Cabernet foram rapidamente substituídas pela casta autóctone Touriga Franca!

Aqui ficam as minhas notas sobre o Quinta da Romaneira Petit Verdot 2011, seguidas de seis outros vinhos Durienses a ter em atenção, quatro dos quais notarão que são feitos por produtores nativos do Douro! De facto, considero que a Real Companhia Velha e a Niepoort produzem a maior gama na região de variedades não-locais.

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Quinta da Romaneira Petit Verdot – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Quinta da Romaneira Petit Verdot (Vinho Regional Duriense)
Da colheita excepcional de 2011, este Petit Verdot tem uma tonalidade profunda, opaca e brilhante como pele de beringela. O nariz é poderoso e muito vinoso, com groselha rica, bolo de frutas picante e couro curado, todas estas notas acompanhadas por um palato amplo mas bem equilibrado, com taninos corroborantes, maduros e presentes. Gosto particularmente da forma como abraça o palato – há uma adorável intensidade e peso de fruta, para além de um toque de pó do Douro e de eucalipto, no final longo e ondulado. Ainda assim, duvido muito que conseguisse adivinhar a proveniência deste vinho se o provasse às cegas. Muito bom. Na realidade, o melhor Petit Verdot varietal que já provei (embora de uma amostra pequena). 14%

Outros vinhos Duriense a ter em atenção
Lavradores de Feitoria Tres Bagos Sauvignon Blanc
Real Companhia Velha Delaforce Alvarinho
Poeira Branco (Alvarinho)
Niepoort Pinot Noir
Quinta do Noval Labrador Syrah
Quinta do Noval Cedro

Contactos
Quinta da Romaneira
Cotas
5070 – 252  Alijó
Portugal
Tel: 259 957 000
Fax: 259 957 009
Email: info@quintadaromaneira.pt
Site: www.quintadaromaneira.pt

“Taste in Adegas”, Os Vinhos do Pico

Texto José Silva

É uma ilha encantadora, uma das nove ilhas que constituem o arquipélago dos Açores. De origem vulcânica, por todo o lado se vêm aquelas pedras castanhas e cinzentas, a revelar a sua origem nas erupções que ali aconteceram há muitas centenas de milhares de anos. Essas pedras são usadas para muitos fins, incluindo a construção de casas, e para aqueles muros baixinhos que moldam uma grande parte da paisagem da ilha. E que se destinam a cultivar a figueira e a vinha. Assim, os pequenos muretes protegem as plantas do vento forte e por vezes salgado e concentram o calor durante o dia, o que à noite mantém uma temperatura constante nas plantas.

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Muretes © Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Estas formações, únicas e de grande beleza paisagística, fruto do trabalho humano, chamadas currais ou curraletas, foram, em 2004, classificadas património da humanidade. E são, a par da observação das baleias, dos vinhos do Pico e da excelente comida local, um conjunto de atractivos que cada vez levam mais gente à ilha. E que tem ainda como cabeça de cartaz o imponente monte do Pico, um antigo vulcão com 2.350 metros de altitude, a serra mais alta de Portugal.

Os vinhos do Pico, esses, estão cada vez melhor, hoje recorrendo também a modernas tecnologias e a melhor trabalho nas vinhas, mas mantendo a sua grande tipicidade, utilizando as várias castas da região. Sobretudo os brancos, cheios de frescura e mineralidade a par duma acidez notável, mas também alguns tintos que já se revelam bem interessantes. E os licorosos, com grande tradição no Pico, hoje mais polidos e modernos, muito bons.

Mas no Pico há uma grande tradição, que agora também se abre ao público em geral e aos turistas em particular, que é a visita às pequenas adegas. Ali, os proprietários têm por costume receber amigos e convidados para provar os vinhos e apreciar petiscos tradicionais, sobretudo o saboroso caldo de peixe, que é na realidade uma caldeirada de peixe, mas sem batata, que é servida cozida, à parte. Alguns tipos de peixe são cozidos com vários temperos, parte do caldo vai ensopar fatias grossa de pão e, à parte, são servidas batatas cozidas e o molho de vilão tradicional.

Depois, em pequenas tigelinhas, é servido o caldo de peixe, bem quente. Na sobremesa aprecia-se queijo da ilha e rosquilha, um tipo de regueifa mas levemente adocicada, ainda na companhia do caldo.

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Molho de Vilão © Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Hoje, muitos desses produtores recebem nas suas pequenas adegas os visitantes, por um preço adequado, mostrando a beleza das construções, a maior parte das quais ainda sem electricidade. E dão a provar os seus vinhos e os seus petiscos. Uma vez por ano, com o apoio do governo regional, tem lugar o “Taste in Adegas”, organizado pela Adeliaçor, em parceria com a Escola de Formação Turística e Hoteleira de S. Miguel, cujo objectivo é esse mesmo, mostrar essas pequenas adegas e deixar que os turistas usufruam duma tradição que não se pode perder.

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“Taste in Adegas” © Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os vinhos do Pico têm vindo a melhorar de ano para ano, apresentando vinhos brancos de grande nível, em que a frescura e a acidez se destacam, cheios de elegância mas com personalidade e características particulares de cada um. E mesmo marcas menos conhecidas como “Curraleta”, “Buraca” ou “Cancela do Porco” se revelaram magníficos e acima de tudo bastante gastronómicos, fazendo óptima companhia quer aos pratos mais tradicionais da ilha, como as lapas grelhadas, o polvo guisado, a excelência do atum grelhado, o caldo de peixe das adegas, o bife à portuguesa e a costeleta duma carne de vaca irrepreensivel e, claro, o ananás açoreano, único no mundo, mas também a pratos mais elaborados a partir de produtos regionais como um tártaro de veja e sopa de beterraba fria ou lírio em crosta pecan e ragout de cogumelos.

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Curraleta | Buraca | Cancela do Porco © Fotos de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os licorosos do Pico, “Lajido” e “Csar”, continuam em grande nível, a que agora se junta um belíssimo “Curral Atlantis”, vinhos cheios de elegância, aromas cítricos suaves e bem integrados, notas de mel e aquela acidez vibrante que os torna apetecíveis e que liga muito bem com vários tipos de sobremesa e mesmo com a excelência do ananás açoreano.

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Lajido | Czar | Curral Atlantis © Fotos de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foi uma visita em que descobrimos a nova realidade da ilha do Pico e dos Açores em geral, com um turismo moderno em busca de locais paradisíacos com paisagens arrebatadoras e um mar fabuloso e rico, num destino com grande qualidade ecológica graças a um belo trabalho de preservação do património e valores culturais. De que a produção de vinho é uma das partes mais importantes, reconhecida internacionalmente.
Para o ano lá esperamos voltar.

Contactos
Rua do Pasteleiro s/n
Angústias
9900-069 Horta
Tel: 292 200 360
Telemóvel: 913 397 808
Email: adeliacor@sapo.pt
Site: www.adeliacor.org

Dominó de Vítor Claro

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Quando as pessoas falam de vinhos “food friendly”, sempre achei que se trata de uma das mais incorrectas descrições de vinho que por aí andam, da mesma forma que terroir ou mineralidade. “Este é sem dúvida um vinho food friendly”. Ai sim? Que tipo de comida? É um bocado vago, não acha? Há vinhos que não sejam food friendly? Vinhos que, pura e simplesmente, não vão com nada? Eu sei que há vinhos que não precisam de ser acompanhados por comida para serem bastante agradáveis, mas nunca provei um vinho que não combine com nenhum tipo de comida. Também nunca conheci um produtor de vinhos que não faça vinhos food friendly, na sua opinião. Ainda assim, a expressão food friendly é muitas vezes usada pelos escritores de vinho e outros profissionais da área para descrever um determinado estilo de vinho. A razão pela qual sei isto, é que também eu o faço imensas vezes. É uma maneira preguiçosa de dizer que o vinho é bom.

Há com certeza vinhos, que precisam mesmo de comida para mostrar o seu melhor. Alguns vinhos conseguem ser bastante ásperos e de abordagem difícil, se não tivermos alguma comida que os acompanhe. As pessoas estão habituadas a vinhos que podem ser abertos um minuto depois de serem comprados, mas tradicionalmente, os vinhos que devem envelhecer, especialmente os tintos, têm uma estrutura que pode ser desagradável para a maioria daqueles que os prova. Não são necessariamente vinhos grandes e encorpados, mas antes bastante tânicos, com elevada acidez e são estas duas qualidades que as pessoas normalmente associam a vinhos que vão bem com comida.

Dito isto, há algo de mágico, algo que é impossível de medir, quando combinamos comida excelente com vinho excelente e eles se complementam perfeitamente.

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Copo de Vinho – Foto de Ilkka Sirén | Todos os direitos reservados

Entra aqui Vitor Claro, restauranteur, Chef, produtor de vinhos. Este gastronauta Português gere o seu próprio restaurante “Claro!” em Paço de Arcos, perto de Lisboa. Trabalhou em restaurantes por todo o Portugal e Londres, mas em 2012 abriu o seu próprio espaço. Pelos vistos, apanhou o bichinho do vinho de Dirk Niepoort que é algo que acontece frequentemente com o Dirk. Passaram-se alguns anos a visitar produções de vinhos e a provar imenso vinho.

Começou então a surgir a ideia de fazer o seu próprio vinho. Encontrou duas parcelas de vinhas na região de Portalegre, Alentejo. Agora quando digo Alentejo, esqueçam. Porque estes não são os típicos vinhos Alentejanos. Este projecto relativamente novo é pequeno, apenas 800 garrafas de cada vez. É tão pequeno na realidade, que haverá quem se pergunte para quê o trabalho. No fim muito poucos serão os que terão a oportunidade de provar estes vinhos. Não por serem demasiado caros, mas por ser uma quantidade muito limitada. Tenho a certeza que a ideia não terá sido criar vinhos de sucesso massificado, mas fazer algo diferente que mostre a tipicidade da região, que não é muito bem conhecida, mesmo dentro de Portugal. Não obstante é uma prova. Uma prova da inegável qualidade a nível mundial dos vinhos Portugueses.

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Vítor Claro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os direitos reservados

Dominó Monte das Pratas 2011
Este vinho é feito de castas como Alicante Branco, Moscatel Nunes, Fernão Pires, Dorinto, Tamarez, Síria, Pérola e um monte de outras. Vinhas velhas com uma média de idades de 70 anos, localizadas 800 metros acima do nível do mar. 10 meses em barris de carvalho usados.

Um nariz muito único. Aromas de funcho e maçã verde com um agradável toque floral, provavelmente do Moscatel. Não tão aromático no paladar mas muita estrutura. Acidez igual a lamber uma vedação eléctrica. Muito bom. 

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Dominó – Foto de Ilkka Sirén | Todos os direitos reservados

Dominó Salão do Frio 2011
Blend tinto das castas Alicante Bouschet, Tinta Francesa, Moreto, Castelão, Trincadeira e outras. A idade média da vinha é de 50 anos, também localizada 800 metros acima do nível do mar. 20% sem desengace. 15 meses em barris usados.

Início forte em especiarias: imagine snifar uma linha de pimenta preta. Um fim aveludado de alcaçuz. Austero, aperto dos taninos, um exterior rude mas ainda delicado com alguma boa fruta de fundo. Desde o início que é óbvio que este vinho é demasiado jovem. Devia ter um sinal no gargalo da garrafa a dizer “beba-me mais tarde!” Este vinho não tenta agradar a todos. Em vez disso, detém uma surpresa para aqueles que tenham a paciência para esperar. Um dos vinhos tintos mais excitantes em Portugal no momento. Estelar.

Contactos
Av. Marginal, Curva dos Pinheiros, Hotel Solar Palmeiras
2780-749 Paço de Arcos
Telefone: 214 414 231
Site: www.restauranteclaro.com

O famoso Master Sommelier João Pires partilha alguns segredos, mas não o maior!

Texto Sarah Ahmed | Tradução Teresa Calisto

Filmado em seis países durante dois anos, o documentário americano “Somm” segue quatro potenciais Master Sommeliers, na sua tentativa de passar o “altamente intimidante” Exame Master Sommelier e de se juntar à Corte de Master Sommeliers – “uma das organizações mais prestigiadas, secretas e exclusivas do mundo.”.  Membro da Corte dos Master Sommeliers desde 2009, o lisboeta João Pires tem desfrutado de uma ilustre carreira internacional, recentemente no restaurante Londrino com duas estrelas Michelin, “Dinner by Heston”.  De momento em licença de paternidade, encontrei-me com João Pires que reflectiu sobre o que é necessário para chegar ao topo.

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João Pires – Foto cedida por João Pires | Todos os Direitos Reservados

1. Já se descreveu o Sommelier como a ligação entre o Chef e o produtor de vinho. Concorda?
Nem por isso! O Sommelier é a ligação entre o produtor de vinho e o convidado.

2. Na sua opinião, quais as qualidades de um grande sommelier
Um grande sommelier é aquele que compreende que, acima de tudo, é o convidado que importa e não o seu próprio orgulho.
 
3. E o que faz uma boa lista de vinhos?
Uma boa lista de vinhos é uma lista que vende. Se vende é porque está orientada para o convidado e portanto, o convidado compra. Não é, definitivamente, a lista desenhada para ganhar prémios, embora haja algumas listas vencedoras de prémios que são muito boas. Mas não o contrário!

4. Escolher um vinho pode ser intimidante, especialmente quando a lista de vinhos é enorme. Como podem os comensais tirar o melhor partido de um sommelier?
Fale com o sommelier, desafie-o. Eu já vi listas de vinhos pequenas, directas,das quais mal se pode comprar o que quer que seja, e já vi listas com 1000 entradas ou mais, as quais os convidados conseguem facilmente consultar, desde que bem guiados por um bom sommelier. Não é o tamanho, mas a engenharia da lista de vinhos que conta (e o sommelier, claro).

5. Qual é a sua abordagem à combinação da comida e do vinho?
Perceber o peso da comida, guiar-se pela cor principal do prato, a chave é o balanço da acidez. Perceber a ocasião e respeitar o orçamento do convidado.

6. Já se deparou com um prato que o derrotou na tentativa de encontrar uma combinação satisfatória com um vinho?
Oh sim, muitas vezes e às vezes é quase impossível encontrar o vinho que nós achamos ser a combinação certa. Bom, numa mesa de quatro pessoas há pelo menos quatro combinações de vinho possíveis, certo? E que vinho juntar a uma tábua de 6 queijos que tem desde um queijo de cabra leve a um Cheddar velho ou um queijo azul salgado? E como combinar um jantar Chinês, por exemplo, quando eles partilham tantas comidas diferentes ao mesmo tempo? O mundo do vinho tem que compreender que a combinação da comida e do vinho nem sempre é possível.

7. A combinação da comida e do vinho tem necessariamente que ser um compromisso? Acolhe de bom grado as tendências para haver cada vez mais vinhos ao copo e menus de degustação?
Sim, concordo e o vinho a copo é uma boa solução. Mas se foi pedida uma garrafa, tente recomendar algo “mesmo no meio”, como um Pinot Noir que agrade a todos, se houver um pedido de peixe e carne, por exemplo.
 
8. Com carta-branca, o que pediria (vinho/comida) como a sua última ceia?
Champagne, mais champagne e porque não ostras frescas perto do mar?

9. Os Chefs mais conhecidos transformaram os jantares luxuosos nos hotéis. O que é mais importante, a cultura do Chef ou a cultura do hotel ou são simbióticas?
São ambas importantes e colidem tantas vezes, não é fácil gerir. Os Chefs são bons “restaurateurs” (donos de restaurantes) e os hotéis gabam-se de ter boas “competências de gestão”.

10. Os hotéis de luxo têm clientes internacionais e o próprio João é bastante viajado, tendo estudado em Paris, trabalhado em salas de restaurantes em Portugal, Toronto e Londres e treinado sommeliers em Macau, Marrocos e nas Filipinas. Que diferenças culturais (internacionais) mais se destacaram para si, em termos de consumo de vinho?
Nunca nos podemos esquecer do que é trabalhar num restaurante de elevado perfil, com três estrelas Michelin em Paris. A pressão e atenção ao detalhe são tais, que é quase loucura. Relativamente ao consumo de vinhos, os vinhos Franceses dominam com a excepção daqueles países onde o vinho faz parte da cultura, como a Itália, Espanha ou Portugal onde as pessoas, compreensivelmente, bebem os vinhos locais.

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João Pires – Foto cedida por João Pires | Todos os Direitos Reservados

11. O crítico americano Robert Parker protestou recentemente contra uma moda por uvas obscuras nas listas de vinhos. Qual a importância de apresentar aos comensais novas experiências de vinho e quão fácil é persuadir os grandes gastadores a não pedir os previsivelmente prestigiosos?
Quem é o Robert Parker? E qual o significado de “obscuro”? De qualquer modo, o ABC está cada vez mais posto de lado (tudo menos o Chardonnay ou o Cabernet). Porque não persuadir os grandes gastadores com prestigiados vinhos de topo? Nós gerimos um negócio e da minha parte, não há mal nenhum em encomendar e beber um DRC (Domaine de la Romanée-Conti), um Château Pétrus ou um Champagne Salon. É uma pena que eu não o possa fazer regularmente. Apesar de, por outro lado, as castas menos conhecidas e os sabores diferentes a bons preços serem considerações supremas, porque as pessoas têm uma mentalidade mais aberta do que nunca antes, e são entusiastas por sabores diferentes.

12. O Porto e o Madeira são de rigueur numa lista de vinhos clássica, no entanto, fora de Portugal, os vinhos de mesa Portugueses têm-se debatido por deixar a sua marca. Isto está a começar a mudar. O que precisam os produtores de vinhos Portugueses de fazer para contestar esta conjuntura? 
Bom, primeiro, o Porto e o Madeira não são (infelizmente) de rigueur numa lista de vinhos clássica e neste país (Reino Unido) eles não vendem. Mas os vinhos Portugueses não fortificados estão a surgir, devagarinho. Vai demorar até que figurem em listas de vinho de topo, mas as coisas estão a melhorar. Os produtores Portugueses precisam de se juntar (alguns já o estão a fazer e com enorme sucesso).

13. Que regiões Portuguesas, uvas, estilos de vinho e produtores se destacam para si? 
Devo dizer que há bons vinhos por todo o país e melhores do que nunca. Consegue comprar em Portugal, vinhos de boa qualidade entre os 3 e os 10€, o que é extremamente difícil nos supermercados do Reino Unido. Pessoalmente adoro o Douro, o Dão e a Bairrada para os tintos e o Alvarinho para o branco. Mas, dito isto, podemos encontrar excelentes vinhos no Alentejo, Lisboa e noutras regiões.

14. Tem um currículo invejável. De que feito profissional se sente mais orgulhoso? 
Tornar-me um Master Sommelier.

15. Havendo ainda menos Master Sommeliers do que Masters of Wine (219 versus 313), é notoriamente difícil tornar-se membro da corte dos Master Sommeliers. Por que motivo o recomendaria aos outros? 
Não tenho a certeza se o recomendaria. É tão exigente e sacrificamos tantas coisas na nossa vida pessoal que é difícil dizer para avançar por este caminho. Mas apesar disto, aprende-se muito e é muito recompensador.

16. Que impacto tem para um sommelier, trabalhar num restaurante com uma, duas e três estrelas Michelin?  
Um impacto enorme. Não há nada mais sério que o vinho para as receitas e padrões de serviço elevado. E quanto mais elevada a categoria, mais exigente e mais difícil é. Muito stressante, mas extremamente recompensador (e não estou a falar de salários)!

17. Que experiência lhe ensinou mais e/ou quem influenciou mais a sua carreira?
O European Sommelier Contest (Concurso de Sommelier Europeu) em 1994 que naquela altura foi patrocinado pelo Champagne Ruinart. Eu estava a representar Portugal e foi nesse momento que decidi dedicar a minha vida a sério ao vinho. E o meu primeiro estágio em Paris em 1996 no restaurante com 2 estrelas MichelinLes Amassadeurs”, Hotel Crillon. Fiquei boquiaberto com os sommeliers e o sommelier chefe Frederic Lebel.

18. Como se sente por ter deixado a sala do restaurante? De que tem mais saudades? E de que tem menos saudades?
Eu estou a sentir-me muito bem depois de 25 anos a fazer isso. Devo dizer que não sinto muitas saudades. Do que sinto falta é do exercício diário e, acima de tudo, dos meus convidados.

19. E a seguir?
Boa pergunta, mas não lhe posso dizer neste momento. Estou a desfrutar da minha pequenina Isabella, a minha bebé de 4 meses. Tenho-me sentido extremamente feliz e abençoado.

Quinta do Vallado – Tawnies 30 e 40 anos

Texto Olga Cardoso

Lançados no mercado em finais de 2012, estes Tawnies datados vem confirmar toda a qualidade dos vinhos produzidos pela Quinta do Vallado. Depois da excelência do seu Tawny 20 anos, esta Quinta, anteriormente detida pela lendária D. Antónia Ferreira e actualmente nas mãos da sua 5ª geração, colocou no mercado dois Portos velhos de bela estrutura e tonicidade.

São vinhos plenos de história. Vinhos mantidos pela mestria dos enólogos, que neste caso particular, mais do que fazer…importa não estragar o que o tempo já fez! Vinhos nobres e enaltecidos pela força da evaporação, que lhes confere uma enorme concentração e os transforma quase numa essência.

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Quinta do Vallado Tawnies – © Blend – All About Wine | Todos os Direitos Reservados

TAWNY 30 ANOS 

De cor ambarina com laivos alaranjados, este Tawny mostra-se de fácil empatia. Do encanto do vinagrinho à casca de laranja, das amêndoas torradas à noz-moscada, do figo seco aos pralinés, tudo se desvenda do seu conjunto olfactivo complexo e sedutor. Na boca apresenta-se glicerinado e viscoso. Com uma acidez muitíssimo bem medida, termina intenso e com notável profundidade. Exemplo de verdadeira mestria!

TAWNY 40 ANOS

De ar grave e sério, este Porto datado apresenta uma cor acobreada intensa e escura. No nariz revela notas inflamadas de caramelo, noz, avelã e muito, muito café. Bastante especiado, com evidentes toques de cravinho e canela, mostra-se untuoso, volumoso e aprimorado. Compacto e elegante, exibe uma frescura e uma acidez absolutamente irrepreensíveis. Perfeito para momentos de introspecção e para meditar nas grandes decisões da vida.

Contactos
Quinta do Vallado – Sociedade Agrícola, Lda.
Vilarinho dos Freires
5050-364 – Peso da Régua | Portugal
Phone: +351 254 318 081
Email: geral@quintadovallado.comgeral@quintadovallado.com
Site: www.quintadovallado.com