Posts By : João Pedro Carvalho

Santos da Casa

Texto João Pedro de Carvalho

Quando falamos do enólogo Hélder Cunha no imediato associamos o seu nome ao projeto Monte Cascas (Veja aqui o artigo de Sarah Ahmed para mais informação), onde um enólogo que sem terra nem adega consegue criar autênticos vinhos de terroir desde o Douro ao Alentejo. Desta forma os fundadores da Santos & Seixo lançaram um desafio ao enólogo com base na mesma filosofia, a mesma marca com diferentes regiões (Verdes, Douro e Alentejo) segmentados em “Colheita”, “Reserva” e “Grande Reserva”.

Uma gama que se espera moderna e atractiva por fora, mas original e apurada por dentro com vinhos cheios de virtudes, que apetece provar e beber. Neste caso o Colheita 2012 oriundo do Douro, o primeiro vinho que provei e que se destaca pela bonita expressividade da fruta ao mesmo tempo que não nos esconde as terras onde nasceu.

Blend-All-About-Wine-Santos-da-Casa

Santos da Casa Douro 2012 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Associando o vinho em questão às festas dos Santos Populares que se começam a instalar por esta altura do ano de Norte a Sul de Portugal, o vinho em causa é daqueles exemplares que aconselho para a mesa. Digo isto porque como já foi escrito, é bom de beber e qual Santo casamenteiro como o é Santo António de Lisboa, este é vinho cujo perfil casa lindamente com uma alargada panóplia de petiscos tão característicos desta temporada. E não se tenha pejo em refrescar o dito cujo para que acompanhe uma boa Sardinha Assada com broa em pleno arraial doe São João no Porto.

Com uma imagem apelativa, destaca-se no rótulo a palavra Macio, que se confirma depois ao beber e que mais uma vez vem ao encontro de uma saudável e direi mesmo inteligente forma de chegar até ao consumidor. A palavra Macio descomplica as dúvidas em redor de um vinho que se desconhece, o preço também é macio uma vez que ronda os 5€ num vinho que se encontra com relativa facilidade em grandes superfícies.

O Santos da Casa Douro 2012 é composto por Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, provenientes de três parcelas, cujo lote passou por madeira durante 9 meses. Destaca-se no imediato a expressão da fruta madura envolta em frescura, ligeira tosta de fundo com apontamentos de cacau, pimenta e vegetal, naquele ligeiro toque de austeridade característico da região. Na boca é macio, cheio de frescura e fruta a estalar de sabor, coeso num perfil onde o prazer está assegurado.

Contactos
Santos & Seixo – Wine Exports, Lda.
Av. Dom João II, Lote 1.02.2.1-D, Piso 1 – Escritório 6 – 7
1990 – 091 Parque das Nações
Tel: (+351) 21 82 223 08
Fax: (+351) 21 80 578 91
Email: geral@santoseseixo.pt
Website: www.santoseseixo.pt

Alfeu, a Homenagem do Neto ao Seu Avô

Texto João Pedro de Carvalho

É graças à figura do Avô Alfeu e da sua dedicação à vinha e ao campo, que o seu neto João Amado, fundador da Amado Wines, foi buscar inspiração para se lançar na aventura que é a de produzir o seu próprio vinho. Uma marca que acima de tudo é uma homenagem a um homem do campo, apaixonado pela terra, inseparável do seu chapéu que agora também acompanha os rótulos.

Blend-All-About-Wine-Amado-Wines-Alfeu-Wines

Vinhos Alfeu – Foto de M&A Creative | Todos os Direitos Reservados

Conheci este projecto no ano passado por altura do Festival do Vinho do Douro Superior em Vila Nova de Foz Côa, destinado totalmente aos produtores da Sub-região Douro Superior. Um evento onde se pode dizer que ainda é possível descobrir novos talentos, produtores que de certa forma nunca se ouviu falar ou leu sequer uma palavra acerca do seu trabalho, é para isto que eventos como este servem, para nos mostrar que estão lá de braços abertos para nos receber e mostrar o fruto do seu trabalho.

Blend-All-About-Wine-Amado-Wines-Alfeu-white-2013

Alfeu branco 2013 – Foto de M&A Creative | Todos os Direitos Reservados

Foi desta maneira que fiquei a conhecer no ano passado os vinhos com que João Amado quis homenagear o seu Avô e cujas novas colheitas foram provadas muito recentemente. A enologia está a cargo de Joana Maçanita (ver artigo Maçanita Douro) e quer o Alfeu branco 2013 como o Alfeu tinto 2012 mostram carácter muito vincado pela região e uma certa dose de atrevimento que tanto aprecio.

O Alfeu branco 2013, composto por Viosinho e Malvasia Fina nuns bonitos 12.5% Vol mostra-nos um conjunto coeso com muita fruta a surgir ao lado de ervas de cheiro, toque floral e fundo fresco. Palato marcado também pela fruta bem madura, alguma geleia, ligeira secura a fazer-se sentir em final de boa persistência.

Blend-All-About-Wine-Amado-Wines-Alfeu-red-2012

Alfeu tinto 2012 – Foto de M&A Creative | Todos os Direitos Reservados

O Alfeu tinto 2012, Touriga Nacional e Tinta Roriz com a primeira a marcar todo o conjunto. Coeso com muita fruta madura rodeada de chocolate preto e com algum rodopiar, surgem flores associadas à Touriga Nacional. Ligeiríssima austeridade que se faz sentir desde o primeiro momento, conjunto sério e com boa energia. Um vinho assente numa boa estrutura, notando-se desde o primeiro gole o vigor e aquela ponta de austeridade dos taninos mais traquinas. A fruta rebenta de sabor acompanhada de cacau, termina seco e a pedir ou pratos como cabrito assado no forno ou então que se deixe descansar por mais uns tempos na garrafeira.

Ainda em estágio na adega do produtor estão mais dois tintos, duas novidades compostas por um 100% Touriga Nacional e um Reserva. Da prova que deram ainda os encontrei imberbes e pouco preparados para enfrentar o mundo, mantêm sim a mesma linha de seriedade, muito centrados na fruta, mas com um notável salto qualitativo.

Contactos
Amado Wines
Quinta do Meio, Relva
6430-075 Longroiva, Mêda
E-Mail: geral@amadowines.com
Website: www.amadowines.com

VZ, uma marca da história do Douro

Texto João Pedro de Carvalho

Foi em 1780 que a Van Zeller’s & Co se estabeleceu oficialmente como empresa de Vinho do Porto, comercializando vinho até ao ano de 1930. Pelo meio a empresa teria sido vendida a outro grupo de Vinho do Porto sendo comprada novamente em 1933 por Luís de Vasconcellos Porto, dono na altura da Quinta do Noval. Esta compra viria a transformar-se numa generosa oferta para os seus netos (filhos da sua única filha Rita de Vasconcellos Porto casada com o bisavô de Cristiano van Zeller). Desta forma várias marcas da Van Zeller’s & Co fundiram com a Quinta do Noval, tais como Van Zellers e VZ.

Em 1980 tomou-se a decisão de reavivar a Van Zeller’s & Co tornando-a independente da Quinta do Noval, com a sua própria quinta e stocks de Vinho do Porto. Uma vontade que iria entrar num período de dormência, numa altura que envolveu a venda da Quinta do Noval à AXA e a respectiva venda da Van Zeller’s & Co para os donos da Quinta de Roriz, primos de Cristiano van Zeller. O tempo passou e só em 2006 é que a Van Zeller’s & Co com todas as suas marcas (que datam do século XIX) chegaria às mãos de Cristiano van Zeller, também por generosa oferta de um familiar.

Blend-All-About-Wine-VZ-2013

VZ Douro branco 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Os novos vinhos não tardaram muito em surgir no mercado, sendo o primeiro de todos um gama alta VZ Douro branco 2006, cujas uvas (Viosinho, Rabigato, Codega e Gouveio) provenientes de duas parcelas com idade média de 50 a 80 anos ficam localizadas no concelho de Murça. O resultado deste VZ Douro 2013 é um belíssimo branco, fermentado e com estágio de 9 meses em barrica com direito a battonage da autoria de uma equipa de enologia de luxo, composta por Cristiano van Zeller, Sandra Tavares da Silva e Joana Pinhão. Dá uma prova cheia de carácter, com o Douro bem vincado num conjunto que entrelaça e envolve com as notas ligeira tosta da barrica e a fruta (pêssego, citrinos, pera), coeso, sério, marcado por um final tenso e mineral. De igual modo toda a passagem pelo palato se enquadra com o já descrito, muito boa presença, amplo e com ligeira austeridade mineral em fundo. Todo o conjunto remete para um consumo que pode ser imediato ou para guardar por mais uns quantos anos na garrafeira.

Contactos
Lemos & van Zeller, Lda.
Rua de Gondarém, 1427 – 2º Dt. Ala Norte
4150-380 Porto
PORTUGAL
Telef. +351 223744320
Fax. +351 223744322
E-mail:

Website: www.quintavaledonamaria.com

 

Os dois Arinto do Marquês de Marialva

Texto João Pedro de Carvalho

Na continuação do artigo anterior em que se abordava a temática dos vinhos brancos produzidos em Portugal, cabe agora destacar mais dois belíssimos exemplares oriundos da Bairrada. Em modo de introdução convém dizer que é conhecida a paixão que o enólogo Osvaldo Amado tem pela casta Arinto desde os tempos em que trabalhou na região de Bucelas. Agora que se instalou na Bairrada tem vindo a apresentar ao consumidor interessantes e variados exemplares oriundos dos distintos produtores onde trabalha.

Blend-All-About-Wine-Marques-de-Marialva-Adega-de-Cantanhede

Adega Cooperativa de Cantanhede – Foto de Adega Cooperativa de Cantanhede | Todos os Direitos Reservados

Certo é que a casta Arinto está um pouco espalhada por todo o território nacional, desde o Alentejo até aos Vinhos Verdes onde dá pelo nome de Pedernã. Mas é na região de Bucelas (Lisboa) que assume ou deveria assumir toda a sua plenitude, pois embora havendo por lá produtores que fazem a diferença pela qualidade dos seus vinhos, não chegam para conseguir agitar suficientemente as águas.

Blend-All-About-Wine-Marques-de-Marialva-Reserva-Arinto-2013

Marquês de Marialva Reserva Arinto 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Retomando o assunto que são estes dois vinhos feitos da casta Arinto na Bairrada, oriundos da Adega de Cantanhede, que tiveram direito a passagem por madeira, num trabalho minucioso que Osvaldo Amado tão bem sabe fazer. O primeiro é o Marquês de Marialva Reserva Arinto 2013, vencedor do 4.º Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada, onde 30% do lote fermentou em barrica nova. O resultado é um branco que nos cativa pela maneira como combina a frescura da fruta (lima, toranja) com leve vegetal, num perfil bem vincado e abraçado pela ligeira sensação de untuosidade que a madeira lhe confere. Fundo algo tenso e mineral, num vinho com passagem de boca prazenteira e saborosa. Mediano de corpo, não tão vigoroso como faria supor pela prova de nariz, mas com bastante frescura e um final seco.

Blend-All-About-Wine-Marques-de-Marialva-Grande-Reserva-Arinto-2014

Marquês de Marialva Grande Reserva Arinto 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

O Marquês de Marialva Arinto Grande Reserva 2012 é o novo topo de gama branco da Adega de Cantanhede e apenas foi engarrafado em 2014. Escolha-se um copo largo que este é um branco que gosta de se espreguiçar enquanto desenvolve todos os seus encantos, criando empatia no imediato. A passagem por barrica não se faz disfarçar, mas é a fruta que nos conquista, cheirosa e bem fresca, muito bem delineada com apontamentos de limão, lima, laranja em geleia. Amplo, com muito boa complexidade a cativar a cada rodopio no copo com a casta sempre presente. Na boca é coeso, amplo e fresco, com ligeiro toque untuoso a embalar um conjunto que mistura a fruta fresca e sumarenta porem delicada com uma ligeira austeridade mineral de fundo. O prazer está garantido.

Contactos
Adega Cooperativa de Cantanhede, C.R.L.
Rua Eng. Amaro da Costa, Nº117
3060-170 Cantanhede
Bairrada – Portugal
Tel: (+351) 231 419 540
Fax: (+351) 231 420 768
E-Mail: geral@cantanhede.com
Website: www.cantanhede.com

Blend-All-About-Wine-Fish-Whit-Wine-Portugal-Slider
Peixe + Vinho Branco = Portugal

Texto João Pedro de Carvalho

Portugal é actualmente o país da União Europeia com o maior consumo anual por pessoa de pescado, e o terceiro do mundo, só ultrapassado pela Islândia e pelo Japão. A realidade é que Portugal se pode gabar de ter nas suas águas o melhor pescado do Mundo, este facto tem sido amplamente reconhecido por alguns dos melhores Chefes de Cozinha do Mundo. É dito e sabido que das nossas lotas voam diariamente nobres exemplares para os melhores restaurantes do planeta. No aspecto do consumo é necessário o consumidor ter a consciência de que se tem de contribuir para um consumo sustentável das espécies, em que só assim se poderá manter o equilíbrio das cadeias alimentares marinhas.

Blend-All-About-Wine-Fish-Whit-Wine-Portugal-Mar-de-Portugal

Mar de Portugal – Foto de Ciência Viva | Todos os Direitos Reservados

Ciência Viva lançou um catálogo “As espécies mais populares do mar de Portugal” onde são apresentadas as principais espécies de maior interesse económico de pescado do mar de Portugal que chegam à nossa mesa. No total, foram selecionadas vinte espécies de peixes, três espécies de cefalópodes, três espécies de bivalves e três espécies de crustáceos. Para cada uma das espécies apresentadas descrevem-se resumidamente as principais características morfológicas assim como o habitat, etc. Para todos os interessados está disponível de forma gratuita aqui.

Blend-All-About-Wine-Fish-Whit-Wine-Portugal-Peixes-do-Mar-de-Portugal

Peixes do Mar de Portugal – Foto de Ciência Viva | Todos os Direitos Reservados

Ora se no pescado damos cartas, é no campo dos vinhos brancos que começamos a ganhar pontos e sem dúvida alguma que nos dias de hoje Portugal dispõe dos melhores brancos, quer em perfil quer em qualidade, para acompanhar na perfeição o pescado que nos chega à mesa. O Homem pensa com o estômago, facto este que associa a cozinha regional ao tipo de vinho ali produzido, basta pensar que as melhores ligações são produzidas entre cozinha + vinho de determinada região. No vinho branco o salto qualitativo que foi dado nas últimas duas décadas em Portugal tornou tudo isto possível e hoje em dia não haverá melhor ligação com o nosso pescado do que o nosso vinho, o Vinho de Portugal.

Blend-All-About-Wine-Fish-Whit-Wine-Portugal-Allo-2014

Allo 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Um desses exemplos é o Allo 2014, criado na Quinta de Soalheiro (Vinhos Verdes) e que resulta do lote entre Alvarinho e Loureiro. Enquanto a casta Alvarinho lhe dá toda a estrutura e vigor, a casta Loureiro contribui com toda a parte exuberante, o resultado é um branco viciante com apenas 11% Vol que se bebe de forma tão descontraída que quando damos conta a garrafa já acabou. Um verdadeiro vinho de esplanada, que cheira a Verão, a pedir marisco ou como foi o caso uns Pargos assados no forno, combinando toda a frescura dos aromas e sabores com uma acidez revigorante que limpa por completo o palato e pede sempre mais um trago. Se quiser saber mais sobre a Quinta de Solheiro e os seus vinhos, veja aqui.

Contacts
Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica
Parque das Nações, Alameda dos Oceanos Lote 2.10.01, 1990-223 Lisboa, Portugal
Tel: (+351) 21 898 50 20 / 21 891 71 00
Fax: (+351) 21 898 50 55 / 21 891 71 71
Website: www.cienciaviva.pt

Quinta de Soalheiro
Alvaredo . Melgaço
4960-010 Alvaredo
Tel: (+351) 251 416 769
Fax: (+351) 251 416 771
Email: quinta@soalheiro.com
Website: www.soalheiro.com

Quinta do Ortigão, da Bairrada para o Mundo

Texto João Pedro de Carvalho

A Bairrada está diferente, no reino da Baga surgem ventos de mudança com parte dos novos produtores a fugir ao registo mais tradicional que terá por sua vez afastado muito consumidor dos vinhos da região. Na verdade o perfil mais clássico da Bairrada nem sempre fácil não consegue cativar no imediato, é preciso na maioria dos casos tempo de guarda e isso é coisa que nos dias de hoje o consumidor não pretende fazer. Quem compra um vinho quer tirar todo o prazer o mais rapidamente possível, por isso é necessário oferecer vinhos mais prontos a beber cujo perfil seja mais adequado aos tempos modernos sem que a identidade/imagem da região saia beliscada.

Blend-All-About-Wine-Quinta-do-Ortigão

Quinta do Ortigão – Foto de Quinta do Ortigão | Todos os Direitos Reservados

São já poucos os que ainda se orgulham em manter aquele perfil mais clássico e que deu fama à região, enquanto outros enveredam com os seus vinhos por um caminho de diferentes aromas e sabores apostando em castas mais reconhecidas internacionalmente como Sauvignon Blanc, Chardonnay, Merlot, Pinot Noir ou Cabernet Sauvignon, sem por isso deixarem de lado as tradicionais Bical, Arinto, Maria Gomes e Baga.

A marca Quinta do Ortigão surge no início do ano 2001 por decisão familiar, onde aliando o saber acumulado de três gerações se apetrechou com uma moderna e bem dimensionada adega. Tive a oportunidade de provar os dois últimos lançamentos deste produtor cujos vinhos são criados pelo reconhecido enólogo Osvaldo Amado.

Quinta do Ortigão Arinto/Bical 2014 Ortigão Reserva 2010

Quinta do Ortigão Arinto/Bical 2014 & Ortigão Reserva 2010 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Quinta do Ortigão Arinto/Bical 2014 é um vinho que se mostra muito preciso de aromas com especial destaque para a fruta que surge bem madura e muito limpa, citrinos e fruta de polpa branca, perfume floral a juntar-se ao travo mineral que domina todo o segundo plano. Já de si bastante agradável, no palato torna-se ainda mais convincente e prazenteiro, frescura acentuada sempre com uma estrutura bem firme, fazem a ligação perfeita com por exemplo, um spaghetti marinara.

Com a prova do Ortigão Reserva 2010 deixamos de ter um Bairrada e passamos a ter no copo um Regional Beira Atlântico; que estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho Português. O resultado é um tinto muito apelativo, convidativo e fácil de se gostar. Com tudo muito bem arrumado nada destoa nem fica fora de contexto, fruta madura e saliente com toque de arredondamento conferido pela madeira. Na bonita complexidade que tem, acrescenta ainda um ligeiro travo vegetal na companhia de especiarias em fundo. Na boca o pendor gastronómico destaca-se ao primeiro sorvo, uma saudável e ligeira ponta de austeridade com fruta a explodir de sabor num final longo com boa dose de especiarias, onde a frescura está bem presente. Agradou a todos os que estavam à mesa fazendo muito boa ligação com uma clássica Shepherds’ pie.

Para mais vinhos da Quinta do Ortigão veja o artigo anterior do Ilkka’s Sírén aqui.

Contactos
Apartado 119, 3780-227 Anadia
Tel: (+351) 231 503 209
E-mail: allemos@quintadoortigao.com
Facebook: facebook.com/Quinta-do-Ortigão
Site: www.quintadoortigao.com

Maçanita – Irmãos e Enólogos

Texto João Pedro de Carvalho

Depois do destaque feito pela Sarah Ahmed acerca do enólogo António Maçanita, ver aqui, destaco agora o seu projecto a meias com a sua irmã também enóloga, Joana Maçanita, em terras do Douro. Joana e António há muito tinham um sonho de criar um vinho em conjunto onde fosse possível mostrar o caráter e personalidade de ambos, um vinho “à Maçanita” onde o carácter frutado é nota predominante. A oportunidade surgiu em 2011 pelas terras do Douro, onde Joana  realiza parte da sua atividade profissional.

Blend-All-About-Wine-Maçanita-irmãos

Joana Maçanita e António Maçanita – Foto Cedida por Maçanita Wines | Todos os Direitos Reservados

Por enquanto centramos atenções nos Maçanita, cujas três vinhas que lhes dão origem foram cuidadosamente escolhidas para enquadrarem o perfil de vinhos mais desejado pelos dois irmãos. As vinhas do Henrique e do Sebastião encontram-se no Douro, sub-região do Cima Corgo, perto do Pinhão, de onde saem as uvas da casta Touriga Nacional e Tinta Roriz para elaboração do Maçanita tinto 2013. Um vinho onde 50% do lote, estagia durante 8 meses, em barricas novas de carvalho francês. O resultado é um tinto que combina de forma harmoniosa a frescura com a presença da fruta, bem carnuda e sumarenta, mostrando boa presença. Sem mostrar ter uma grande complexidade, até porque neste vinho é a fruta que domina todo o conjunto, com ligeira sensação em fundo da madeira por onde passou. Na boca é fresco, a marcar presença desde o início com a fruta muito marcada, algum arredondamento que contrapõe com ligeira austeridade a fazer-se notar no final, por entre fruta e especiaria, num perfil gastronómico a pedir para acompanhar carne no forno.

Blend-All-About-Wine-Maçanita-wines

Maçanita branco e tinto 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Já o branco, direi que foi uma belíssima e refrescante surpresa também da colheita de 2013. Vem de perto da Régua em Poiares, onde se encontra a Vinha da Margarida, situada a 650 metros de altitude, com as castas Viosinho, Gouveio e Malvasia Fina. Com a passagem apenas a ser feita no frio do inox, algo tenso mas muito limpo e definido de aromas centrados nas castas e sem grandes divagações, notas de citrinos em harmonia com aromas florais, um perfume que o torna muito atraente ao mesmo tempo que a frescura o embala. No palato é convincente, cativante, com a acidez a envolver toda a boca numa muito boa harmonia entre fruta/flores e uma mineralidade marcante no final.

Contactos
Quinta da Poça 5085-201 Covas do Douro Pinhão
Tel: (+351) 213 147 297 / 919 247 318
Fax: (+351) 213 643 018
Email: geral@macanita.com
Website: www.macanita.com

Quinta de Covela os novos vinhos de 2014

Texto João Pedro de Carvalho

Foi no passado dia 22 de Abril que a Quinta de Covela veio a Lisboa mostrar os seus vinhos da colheita de 2014. Num dos ícones da gastronomia Lisboeta, a Cervejaria Ramiro, foram provados os brancos monocasta e o rosé da Quinta de Covela. Guiados por toda a equipa, a introdução coube ao viticultor Gonçalo Sousa Lopes e ao enólogo Rui Cunha. O ano de 2014 foi muito bom, a chuva fez-se sentir na devida altura intercalando com o calor fazendo com que a maturação das uvas tenha sido lenta e arrisco a dizer perfeita. O resultado está à vista, vinhos bem frescos com aromas e sabores muito bem definidos de forma cristalina e a mostrar uma natural apetência para a mesa. A procura por estes vinhos tem vindo a aumentar, sendo a produção de momento ainda reduzida face à necessária replantação que se ficou a dever ao mau estado em que foi encontrado grande parte do vinhedo, cerca de 40%.

Blend-All-About-Wine-Quinta-de-Covela-The-Team

Equipa Covela – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Logo de início tivemos um mano a mano entre o Covela Edição Nacional Avesso com a colheita 2013 (garrafa magnum) e 2014. Uma diferença que se fez notar num Avesso 2013 muito mais sisudo e coeso, fruta (citrino, maçã) muito mais gorda sem grande definição aromática, num conjunto com alguma austeridade na boca, final seco.

O Covela Edição Nacional Avesso 2014 brilhou com os seus aromas muito puros e quase cristalinos, um toque floral muito perfumado com a fruta em grande destaque, muita frescura com nervo e mineralidade em fundo. Conjunto coeso, cheio de vida, boca com grande vida e muito sabor, secura final a pedir mesa que foi o que sucedeu acompanhando com galhardia umas Ameijõas à Bulhão Pato.

Blend-All-About-Wine-Quinta-de-Covela-Covela-Edição-Nacional-Avesso-2014

Covela Edição Nacional Avesso 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

O próximo vinho surge em tom de Arinto, muito austero e cheio de garra este novo Covela Edição Nacional Arinto 2014, muita frescura num conjunto ainda bastante novo. A base é de citrinos, com algum floral, embora todo o conjunto precise de mais tempo, por agora é o tom mineral de fundo que mais se faz destacar com uma enorme energia na boca. É um branco de bom porte atlético, muito menos brincalhão de aromas do que o Avesso. Neste caso pede pratos com um pouco mais de substância e vontade seja feita acompanhou umas Gambas al Ajillo.

Blend-All-About-Wine-Quinta-de-Covela-Covela-Edição-Nacional-Arinto-2014-Covela-Rosé-2014

Covela Edição Nacional Arinto 2014 e Covela Rosé 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Outra das novidades o Covela Rosé 2014, feito a partir de Touriga Nacional que se vindima precocemente apenas para dar origem a este vinho. É um caso de sucesso e um dos melhores rosés feitos em Portugal, conquista pelo conjunto, jovem, fresco e delicado. Aromas e sabores muito detalhados, delicado floral com aquela frescura marcante. Palato equilibrado entre fruta/acidez com muito boa presença sem nunca deixar de ter aquela secura em final de boca que revigora o palato e lhe confere uma tão boa apetência gastronómica.

Contactos
LIMA SMITH Lda.
Quinta de Covela,
S. Tomé de Covelas
4640-211 BAIÃO
Tel: (+351) 254 886 298
E-mail: info@covela.pt
Website: www.covela.pt

Taberna Ó Balcão, a festa brava de aromas e sabores do Chef Rodrigo Castelo

Texto João Pedro de Carvalho

Onde desde os anos 40 tinha sido uma típica taberna, surge em 2013 após as devidas e necessárias remodelações a Taberna Ó Balcão. O seu dono é o Chef Rodrigo Castelo, natural de Santarém, forcado durante mais de uma década no Aposento da Moita com passagem pela Indústria Farmacêutica, mas cuja paixão desde menino era cozinhar. Nasceu assim o seu projeto, uma lufada de ar fresco para a cidade, coroado com o Prémio Revelação do “Tejo Gourmet – 5.º Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo”.

Blend-All-About-Wine-Taberna-O-Balcao-Entrance

Entrada – Foto Cedida por Taberna Ó Balcão | Todos os Direitos Reservados

O espaço é bastante acolhedor, ficamos rodeados de memórias de tempos que já não voltam, num ambiente castiço tão próprio das antigas tabernas com mesas de tampo em pedra. Sem muitos lugares disponíveis, é local que se arrisca em tornar de verdadeiro culto, daqueles que nos sabe receber e onde ficamos comodamente sentados à espera que o verdadeiro festival comece. Porque ali é a cozinha do chef Rodrigo que brilha acima de tudo o resto.

Blend-All-About-Wine-Taberna-O-Balcao-Room

Sala – Foto Cedida por Taberna Ó Balcão | Todos os Direitos Reservados

Uma cozinha de inspiração e grande respeito pelo produto local, invocando o petisco na sua forma mais simples, com um cardápio que tem tanto de vasto como de apetitoso. Rodrigo Castelo explica que é possível recriar pratos de cariz regional tendo sempre em conta o máximo respeito pelo produto e mais ainda pela receita original. E é isso que faz de forma muito bem conseguida, porque quando o produto é de qualidade não inventa e apenas lhe coloca o seu toque especial e pessoal, que na grande maioria dos casos eleva o resultado final para patamares muito altos de satisfação e qualidade.

Blend-All-About-Wine-Taberna-O-Balcao-Menu

O Menu – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Todo o almoço foi uma autêntica festa brava de aromas e sabores com que o Chef nos brindou, o repasto começou com uns saborosos Croquetes de Rabo de Toiro, carne desfiada e de belo tempero, seguidos de umas Perninhas de Codorniz com Redução de Abafado, tenras e suculentas. Como entrada foi Coelho de Escabeche, um escabeche de dois dias bem desfiado com uma lasca de maçã desidratada a servir de muito bom contraste. Dando entrada nos pratos de Peixe, destaco a Sopa de Peixe do Rio com Ovas, fresca com o peixe em destaque contrabalançado com a frescura das ervas e o ligeiro picante, as ovas dão um pouco mais de corpo ao prato. Ponto alto os Lombos de Fataça com Arroz de Berbigão do Rio, a fataça-do-ribatejo é família da tainha e um bom peixe para fritar, aqui aparecem os seus lombos panados com crosta crocante e interior suculento e saboroso, o Berbigão do Rio menos salgado de calibre mais pequeno mostrou ser de sabor delicado e fez um grande dueto com o peixe. O limpa palato na forma de shot de Tangerina com Pimenta-de-Sichuan cumpriu a sua tarefa para dar entrada no reino da carne.

Blend-All-About-Wine-Taberna-O-Balcao-Chef-Rodrigo-Castelo

Chef Rodrigo Castelo – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Reconfortante e delicada será como descrevo a Sopa de Ossos, caldo aveludado com sabores certeiros e vincados no palato, grande reinterpretação e mais um grande momento à mesa. De seguida a Lombeta (é um pequeno corte de carne situado entre a mão do novilho e o peito) de Novilho em Redução dos seus Sucos em Mostarda Matizada e Batata-doce, chega servido fatiado muito tenro e bastante saboroso. Por fim um Ensopado de Borrego à Ribatejana, sem caldo nem batata como se faz no Alentejo.

No final a impressão com que se fica é a de uma excelente experiência, comida simples com sabores regionais onde se nota o saudável toque de autor do Chef Rodrigo Castelo. Um espaço que é obrigatório conhecer e a ter em conta, que tem tudo para se tornar num ícone da cidade e de toda a região, com nota alta para o serviço simpático e sempre atento.

Contactos
Taberna Ó Balcão
Rua Pedro Santarém 23
2000-223 SANTARÉM
Tel: (+351) 243 055 883
E-mail: castelo.rodrigo@gmail.com
Facebook: facebook.com/tabernaobalcao

Os brancos 2014 das Caves do Solar de São Domingos

Texto João Pedro de Carvalho

Desde 1937 que a empresa Caves do Solar de São Domingos, produz espumantes, aguardentes velhas, aguardente bagaceira, vinhos Bairrada e Dão. As suas galerias escavadas na rocha merecem uma visita, um local fantástico onde se albergam mais de dois milhões de garrafas de espumante, largos milhares de vinhos engarrafados e centenas de quartolas em carvalho francês para as suas afamadas aguardentes vínicas.

Blend-All-About-Wine-Caves-Solar-Sao-Domingos

Solar de São Domingos – Foto Cedida por Caves do Solar São de Domingos | Todos os Direitos Reservados

Com alguns dos seus espumantes a fazerem parte da minha lista de favoritos em solo nacional, é sobre os novos brancos que agora escrevo, os novos 2014 que acabam de entrar no mercado. A colheita de 2014 foi matreira com a chuva a aparecer em força, sorte para todos os que vindimaram antes das chuvas que tiveram uvas brancas de enorme qualidade. Estas palavras repetidas de Norte a Sul onde por um lado mostraram tristeza pelo potencial que se perdeu nas castas brancas de maturação mais tardia mas também pelas tintas, as brancas de maturação mais precoce deram origem a vinhos de muita qualidade.

Blend-All-About-Wine-Caves-Solar-Sao-Domingos-Branco-2014

São Domingos white 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Neste caso são dois brancos de 2014 mas bem diferente entre eles, enquanto o São Domingos é fiel ao perfil Bairradino com o lote a ser dominado pelas castas locais Maria Gomes (80%) e Bical (20%). As uvas oriundas de S. Lourenço do Bairro, Vilarinho do Bairro e Ventosa do Bairro, criadas em solos arenoargilosos deram origem a um branco apenas com passagem pelo frio do inox. Aroma muito limpo com fruta em evidência, citrinos, polpa branca, flores a dar perfil cheiroso em muito boa envolvência tanto em nariz como na boca. Boa presença no palato, fruta limpa a fazer-se sentir, mostra alguma garra com alguma secura mineral de fundo. Um branco que pede mesa, marisco, um peixe-espada no carvão ou até mesmo uma sopa de peixe.

Blend-All-About-Wine-Caves-Solar-Sao-Domingos-Volupia-Branco-2014

Volúpia white 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

O outro branco é a faceta mais inovadora deste produtor, o Volúpia 2014, que vem embrulhado numa das obras da poetisa calipolense Florbela Espanca. Invocando a voluptuosidade e sedução, desejo e sabor, busca de harmonia e prazer de beber uva branca. Um desejo de amar perdidamente, amar só por amar, aqui e além. Seria assim que Florbela Espanca definiria este vinho branco cheio de poesia, carregado de sensualidade e irreverência, profundamente pessoal e feminino. Composto por  Sauvignon Blanc (50%), Chardonnay (35%) e Maria Gomes (15%) provenientes da Carregosa com apenas passagem por inox. O resultado é diferente, de aroma complexo e muito fresco, perfumado e cheio de notas de fruta muito madura, limpa e que apetece trincar. É acima de tudo um vinho de perfume delicado, cativador, com uma prova de boca onde conjuga volume com frescura de forma graciosa. Tem acidez e estrutura que lhe dão a capacidade de acompanhar pratos de tempero mais oriental, ou que se deixe brilhar a acompanhar as mais variadas tapas ao final de tarde no terraço.

Contactos
Caves do Solar de São Domingos, S.A.
Ferreiros – Anadia
Apartado 16
3781-909 Anadia – Portugal
Tel: (+351) 231 519 680
Fax: (+351) 231 511 269
Email: info@cavesaodomingos.com
Website: www.cavesaodomingos.com