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Wine Magazine
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Álvaro Costa e NH Hotel Batalha

Texto José Silva

Álvaro Costa nasceu em Pousada de Saramagos, Famalicão, em 1978. Ali estudou e depois ingressou no ensino profissional em Vila Verde. Adorava ir colher legumes à horta e mexer no peixe e na carne, e as avós, a mãe e as tias deram-lhe o conhecimento da tradição. Em Vila Verde formou-se em cozinha e pastelaria. Ingressou no Hotel Meridien no Porto onde esteve cerca de um ano. Saltou então para um hotel na ilha da Córsega, também durante um ano. E na mesma ilha, durante meio ano, passou pelo hotel Cala Rossa, que detinha duas estrelas Michelin. O outro meio ano estagiou no hotel Bulgari, em Milão, e em Paris no também detentor de duas estrelas Michelin, Le Grand Cascade. Foi então abrir o hotel Sheraton no Porto, com o Chefe Jerónimo Ferreira. Depois foi a vez do Café Bogani e da República da Cerveja, em Gaia, já como chefe executivo. Em 2006 assume o hotel Carlton Pestana na Ribeira, no Porto, até 2012. Foi também responsável do desenvolvimento gastronómico das pousadas do Norte. Foi então chefiar o Pestana de Porto Santo, vindo depois abrir o Pestana do Freixo, no Porto. Ainda deu aulas na Portucalense e seguiu para Braga, para chefiar os hotéis Bom Jesus.

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Álvaro Costa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas não resistiu ao convite para liderar a gastronomia do novo hotel NH Hotel Batalha Collection, onde desenvolve uma culinária moderna e interventiva.

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NH Batalha Collection – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É um hotel moderno, muito bem decorado, cheio de luz, num local emblemático da cidade do Porto, pegado ao velho cinema Batalha.

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Hotel moderno, muito bem decorado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Decoração em tons claros com algum granito à mostra, que também identifica a cidade.

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Decoração em tons claros – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na entrada à direita está o restaurante, à esquerda o bar, onde também se pode comer num ambiente despretensioso mas acolhedor, seja um salmão marinado na casa, umas ostras atrevidas, um tagliatelle negro com gambas ou um risotto de lima muito fresco.

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Salmão marinado na casa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Tagliatelle negro com gambas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Risotto de lima – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E é no bar que acontecem umas interessantíssimas happy hours com uma proposta irrecusável: ostras com gin.

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Ostras com gin – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Serviço impecável e a mestria do chefe a propor petiscos variados e pratos mais consistentes, com uma forte base nas nossas tradições. Um espaço que a cidade do Porto já merecia. Em recente visita, pudemos apreciar uma óptima refeição, com algumas das propostas que constam da ementa do restaurante, muito bem apresentadas, numa sequência em que passaram alguns pratos tradicionais, mas com a interpretação do chefe e apresentados de forma inventiva e muito agradável.

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Ostra marinada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A começar pela ostra marinada, ainda a saber a mar.

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Presunto bolota com caviar de melão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se o presunto bolota com caviar de melão, em que as minúsculas esferas esverdeadas libertavam um fresco paladar de melão. As técnicas modernas ao serviço da tradição.

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Sardinha curada com couli de morango – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A tradicional e popular sardinha apareceu numa versão curada com couli de morango, cheia de frescura.

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Creme de shitaki – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para simbolizar uma sopa veio então o creme de shitaki servida num desconcertante tubo de ensaio, bem quente, uma óptima sopa de cogumelos!!

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Pouca Roupa branco 2014 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Entretanto já estávamos a beber um branco Pouca Roupa 2014 alentejano bem interessante.

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Caril de gambas com maçã – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Meu bacalhau à Gomes de Sá – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O saborosíssimo caril de gambas com maçã foi seguido pelo “meu bacalhau à Gomes de Sá”, uma versão muito bem conseguida deste prato tradicional dum homem nascido na Ribeira do Porto, Gomes de Sá. Os paladares estavam todos lá.

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Frango assado no forno com legumes e batata – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalizamos com uma curiosa versão de frango assado no forno com legumes e batata, divertida e saborosa. Já tínhamos então passado para o vinho Curvos Alvarinho, moderno e consistente, com óptima acidez, muito gastronómico.

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Tarte de maçã com queijo de S. Jorge e gelado de nata – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Verrine de frutos vermelhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Nas sobremesas estiveram dois momentos muito bons: primeiro uma tarte de maçã com queijo de S. Jorge e gelado de nata, muito bem ligada, cremosa, uma delícia, depois uma verrine de frutos vermelhos cheia de elegância.

Um grande final!

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O eléctrico 22 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Lá fora já passava o eléctrico 22, que nos faz lembrar outros tempos…

Contactos
NH Collection Porto Batalha
Praca da Batalha, 60-65. 4000-101, Porto, Portugal
Tel: (+351) 227 660 600
Booking: (+351) 210 020 848
E-mail: nhcollectionportobatalha@nh-hotels.com
Website: www.nh-collection.com

A grandiosidade do Alentejo

Texto João Pedro de Carvalho

Este texto não é mais do que uma opinião muito pessoal sobre a terra e a região que me viu nascer, o Alentejo. É por ali que gosto de andar, que gosto de matar a dita saudade dos cheiros e sabores que me marcaram a memória desde a minha tenra infância. É o chamamento da terra mãe, o chamamento da família que pelas tropelias da vida ficou lá longe e tão distante que não a posso abraçar sempre que quero.

O meu destino foi igual ao de tantas outras gerações nascidas no Alentejo, uma terra pobre que sempre viveu do suor do trabalho das suas gentes. O tal destino de ir para a cidade à procura de uma vida melhor, no meu caso vim estudar para Lisboa que fica a 200km da minha terra natal Vila Viçosa e por aqui fiquei. Como pano de fundo sempre procurei ter o campo, aquele campo que ora verde ora dourado foi e continua a ser chão que dá alimento e condimento a todas as suas gerações.

Foi dessa mesma necessidade que nasceu uma gastronomia rica em aromas que sempre soube captar o melhor que cada uma das influências das várias civilizações que por lá foram passando. Essa mesma gastronomia que de tão rica e única faz as delícias de tantos nos dias de hoje, foi a mesma que nas difíceis horas servia de sustento aos que com poucos recursos faziam muito, aos que sem saber a foram criando, convivendo por vezes lado a lado com a luxuriosa Doçaria Conventual das várias ordens religiosas que se foram instalando nos muitos Conventos da região.

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Alentejo – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Mas será de vinho que interessa falar, de uma cultura que terá vindo com os Romanos, que trouxeram a técnica das talhas de barro que se soube manter até aos nossos tempos. Apesar da técnica de fabrico das mesmas tenha ficado esquecida no tempo, tal não impede que de norte a sul de Portugal a procura hoje em dia por parte dos produtores pelas ditas talhas seja uma realidade. Muito em breve desde os Vinhos Verdes passando pelo Douro até Bairrada e Lisboa vamos ver essa “novidade” que de novo não tem nada aparecer no mercado.

Sobre os tempos mais modernos, o vinho do Alentejo tem sabido subir a pulso a maneira como conseguiu conquistar o mercado nacional no que a vendas diz respeito. Foi apenas preciso uma década se tanto para passar de uma posição na altura desconfortável para não mais largar a liderança de vendas. A qualidade foi sempre algo que acompanhou os vinhos desde muito cedo e basta recuar umas décadas para poder confirmar isso mesmo junto de algumas das referências mais marcantes da enologia da região e porque não dizer até mesmo a nível nacional. Quem aponta o dedo acusando toda uma região de que aos seus vinhos lhes falta frescura/acidez e não têm a capacidade de envelhecer dignamente em garrafa, pura e simplesmente não sabe do que fala. Dos mais recentes artigos sobre produtores situados no Alentejo que foram visitados até aos exemplos mais clássicos de vinhos icónicos que perduram em grande forma até aos dias de hoje. E a lista tem tanto de extensa como os anos de colheita, sem entrar nos anos 90 onde a lista seria muito mais extensa deixo alguns exemplos anteriores como o José de Sousa Tinto Velho 1940 ou mesmo 1961 e 1986, o Mouchão 1954 ou 1963, Quinta do Carmo Garrafeira 1985 ou 1986, Tapada Chaves 1971 ou o 1986, Adega de Portalegre 1986 etc.

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Alentejo – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Depois veio a revolução enológica e deu-se uma rutura com o passado, nos anos que se seguiram parte do vinho do Alentejo ficou refém da experimentação e adaptação daqueles que naquela altura começavam pela primeira vez a criar vinho sem terem ainda garantias suficientes para definir aquilo que seria o novo perfil da região. Essa mesma revolução começa agora a dar os seus frutos, lado a lado com os outros que entretanto se foram afirmando ao longo do tempo como verdadeiros clássicos da região. Este quase renascer de toda uma região em conjunto com uma nova fornada de vinhos, frescos, muitas vezes a contrabalançar entre a elegância e o perfil mais austero garante de uma saudável longevidade mas sempre com o tão carismático toque do Alentejo. Tal como a proliferação de estilos e castas, de aromas e de sabores, também o mesmo se verifica a nível das variadas sub-regiões ou até mesmo dos solos onde a variedade permite encontrar desde os xistos, argilas, areias ou calcários. Somando a tudo isto a Gastronomia e o seu povo, este Alentejo que me apaixona tem tudo para continuar a ser uma das regiões de eleição em Portugal.

Beber como um Rei: Moscatel de Setúbal, o Líquido de Ouro da Península de Setúbal

Texto Sarah Ahmed | Translation Bruno Ferreira

Há algum derradeiro teste que comprove melhor o que é delicioso e de grande valor do que o que os membros do trade do vinho compram? Ao abastecerem-se no aeroporto de Lisboa, o grupo de sommeliers que eu levei em excursão pelo Sul de Portugal esbanjou o dinheiro em Moscatel de Setúbal. Espero realmente que o entusiasmo demonstrado se traduza nas suas cartas de vinho quando voltarem a casa. Ao passo que o vinho do Porto se vende a ele próprio, este fortificado, Moscatel, poderia beneficiar se tivesse mais embaixadores de “bem comer e beber” que espalhassem os elogios que bem merece.

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À porta da famosa da José Maria da Fonseca, uma variedade de escolhas – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

No Decanter World Wine Awards, o meu painel é igualmente enamorado pelos seus charmes – não há melhor maneira de terminar um dia de avaliações do que nos perdermos sobre um copo de um irresistível Moscatel de Setúbal. Tal como as medalhas de ouro que regularmente lhe atribuímos demonstram (já para não mencionar a presença assídua na ribalta do Muscat du Monde awards), são puro ouro em todos os sentidos da palavra. E a realeza sabia-o. Aparentemente, o brinde das cortes de Richard II de Inglaterra e de Loius XIV de França foi feito com Moscatel de Setúbal. Suspeito que teria bastante menos valor naquela altura, por isso não somos nós os sortudos? – hoje em dia podemos beber como reis e pagar como plebeus.

Encontrará, mais abaixo, as minhas escolhas relativamente aos vinhos que provei na visita que fiz à Península de Setúbal no mês passado. Mas primeiro vale a pena perder um pouco de tempo a explorar o que faz o Moscatel de Setúbal tão especial. Naturalmente começaremos pela matéria-prima – a casta Moscatel de Setúbal (a.k.a. Muscat de Alexandria), que deve compor pelo menos 67% do vinho (85% se for Moscatel Roxo). Apesar de ser considerada inferior à sua mais famosa parente, a Muscat à Petits Grains, os produtores de Setúbal extraem habilmente o máximo de aroma e sabor da Moscatel de Setúbal, macerando o vinho fermentado e fortificado em peles durante 6 meses. É a melhor maneira para libertar o seu perfume de hortelã, floral, cascas cítricas e gengibre; chá de pêssego no caso da rosada e rara casta Moscatel Roxo.

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De volta ao Torna-Viagem na José Maria da Fonseca – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Para serem uma pura delícia, os vinhos de topo são envelhecidos em barris de modo a permitir a caramelização dos açúcares, e também para concentrar os néctares resultantes da evaporação. No passado, os barris eram amarrados aos conveses de navios altos e enviados pelo equador para optimização do paladar e do carácter. António Soares Franco, CEO da José Maria da Fonseca, disse-nos que, como resultado da brisa do mar, da ondulação e das temperaturas altamente oscilantes no convés, os moscatéis denominados “Torna-Viagem” são altamente equilibrados, suaves e um pouco salgados. Há uns anos atrás tive a sorte de provar um exemplar do séc. XIX e, apesar de não me recordar de salinidade, lembro-me perfeitamente do seu estonteante equilíbrio e do seu paladar polpudo e suave. Parecia extraordinariamente jovem tendo em conta todas as aventuras que passou no mar.

Empolgantemente, desde 2000, que A José Maria da Fonseca vem experimentado a técnica Torna-Viagem com a marinha portuguesa e, como podem ver, esses barris que estiveram no mar parecem ter envelhecido mais rapidamente (as amostras Torna-Viagem à esquerda são mais escuras). Na Bacalhôa Vinhos de Portugal, outra grande produtora de Moscatel de Setúbal da região, a enóloga de fortificados Filipa Tomaz da Costa disse-me que desenvolveram condições especiais de armazenamento “para recriar o ambiente de um navio”. Por outras palavras, “sem qualquer controlo sobre a temperatura, humidade ou secura”. Durante o verão, o vinho que está dentro dos barris pode chegar aos 28ºC! Apesar de a evaporação ser consequentemente alta, Tomaz da Costa não enche os barris, isto porque, mais espaço no topo, em combinação com o calor ajuda a melhorar a complexidade e riqueza dos perfis râncio dos seus vinhos; talvez também um pequeno toque de “vinagrinho” (acidez volátil).

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Bacalhôa Vinhos de Portugal, produtores de Moscatel exótico – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Estes elementos são essenciais para pura delícia do Moscatel de Setúbal, mas os melhores vinhos são distinguidos pelo seu equilíbrio e finesse. E é por isso que são provenientes de solos argilosos e calcários dos morros da região, em especial das encostas mais frias da Serra da Arrábida, viradas a norte (que costumava ser uma ilha há muitos anos atrás). Estes vinhos são marcantemente mais frescos e mais detalhados do que aqueles das planícies arenosas da região.

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Queijo de ovelha, Azeitão, proveniente também da zona montanhosa, uma perfeita harmonição para o Moscatel de Setúbal – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Adega de Pegões Moscatel de Setúbal 2012 – feito a partir de Moscatel 100% proveniente de solos arenosos e envelhecido em barris de carvalho francês e americano durante 3 anos. Este é um estilo mais leve e abordável com buttermint (menta), pouco doce, suave, laranja caramelizada e pêssego. Bom perfume e frescura. 17.5%

Casa Ermelinda Freitas Moscatel de Setúbal 2010 – Tal como o Pegões Moscatel, provém de solos arenosos, mas é bastante mais complexo. É envelhecido pelo menos dois anos, sendo que o normal são 4 a 5 anos, em barris usados num armazém sem qualquer controlo sobre a temperatura. E suspeito que seja isso que faz a diferença, porque é bastante mais concentrado e complexo no nariz e na boca, com deliciosas notas de râncio nogado e um toque de carvalho maltado no seu paladar a laranja caramelizada. Embora generoso, tem uma boa frescura para equilibrar. Digamos apenas que este foi particularmente popular no aeroporto. 17,5%

José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 2010 – Este Moscatel de Setúbal de grande valor, de gama de entrada, figurou a maior parte das minhas noites durante as minhas férias na Costa Vincentina há um par de anos atrás. Para facilitar a abordagem, a fruta é proveniente de um local arenoso e argilo-calcário virado para sul. Ao contrário de alguns vinhos de gama de entrada, foi envelhecido em cascos velhos, o que confere um rebordo delicioso e nogado ao seu palato delicioso de laranja caramelizada; bom equilíbrio e longevidade. 127g/l de açúcar residual; 17,5%

José Maria da Fonseca Colecção Privada Moscatel de Setúbal 2004 – este vinho é o resultado directo de ensaios com aguardente. O enólogo Domingos Soares Franco descobriu que gostava mais de utilizar Armagnac e o Colecção Privada tem uma fluidez (boa acidez) e persistência encantadoras na sua fruta madura, cítrica e pêssego mais redondo. Com uma excelente integração da aguardente, o final continua, e continua, lentamente revelando amêndoas tostadas, caramelo, nogado e um toque mais levantado de buttermint. As uvas são provenientes apenas de solos de argila e calcário. 106g/l de açúcar residual; 17,5%

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Os Moscatéis da José da Maria da Fonseca mais velhos guardados a cadeado na Adega dos Teares Velhos da – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

José Maria da Fonseca 20 anos Moscatel de Setúbal – O mais antigo produtor de vinhos de Portugal tem uma enorme carta de trunfo no que toca a produzir complexos e concentrados Mosctéis de Setúbal – muitas colheitas de Moscatel. Estão armazenadas na climatizada Adega dos Teares Velhos, lugar onde os vinhos mais velhos, com mais de 100 anos, estão guardados a cadeado! António Soares Franco diz-nos que os vinhos mais novos deste blend não-colheita de 20 anos têm 21-22 anos, ao passo que o mais velho tem 60 anos. Reconhece que é um blend de “aproximadamente 14 colheitas diferentes”. Isso é perceptível no seu longo, persistente, muito concentrado e complexo palato que revela casca de laranja caramelizada, substância, notas de marmelada picante e um pouco de marmelada amarga acabadinho de se juntar ao bouquet. Muito refinado, com um corte vivo de toranja a equilibrar o final. 182g/l de açucar residual; 18,4%

José Maria da Fonseca Roxo 20 anos Moscatel de Setúbal – feito a partir de uma Moscatel Roxo rosa muito mais rara, tem uma cor bastante mais escura do que o seu antecessor, e, apesar de ter bastante mais açúcar residual, parece mais fresco, seco (menos saboroso) e mais leve. Doce, aguçado mas sabores exóticos de tangerina, toranja rosa e chá de pêssego misturam-se na boca; grande linha e comprimento. A minha escolha dos 4 da JMF (mas devo ressalvar que sou uma grande fã do Roxo). 217.8g/l açúcar residual; 18%

SIVIPA Moscatel de Setúbal 1996 – de solos argilosos/calcários, este vinho foi envelhecido durante 10 anos em barris de carvalho francês. É um vinho complexo e concentrado, com um toque de aguardente no final mas que flui naturalmente e suavemente, xaroposo, pêssego, damasco seco mais concentrado, amêndoas tostadas e caramelo. 180g/l açúcar residual ; 17%

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Horácio Simões Roxo Moscatel de Setúbal 2009 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Casa Agrícola Horácio Simões Roxo Moscatel de Setúbal 2009 – Sou uma grande fã de Horácio Simões, um produtor de boutique de terceira geração. Este longo e duradouro Roxo mostra o porquê. Textura sedosa, concentrado e rico em laranjas caramelizadas, mostra sinais de madeira maltada e deliciosas notas de praline final (foi envelhecido em barricas de carvalho francês). Generosidade espectacular e palato equilibrado.

Bacalhôa Vinhos de Portugal Moscatel Roxo Superior 2002 – o meu painel no Decanter World Wine Awards premiou este incrível Roxo com um medalha de ouro e um troféu regional. Eu teria oferecido o troféu novamente neste alinhamento! As uvas são provenientes de solos argilosos/calcários do norte da Serra da Arrábida. Ainda assim, foi envelhecido durante 10 anos em pequenos barris franceses de 200ml de whisky (do qual beneficia por causa dos poros limpos) e em condições de simulação de embarcação, com grande variação térmica, tem uma frescura e pureza surpreendentes. Referindo-se aos “choques de temperatura, evaporação e concentração do ácido e do açúcar e a libertação de aromas ligados ao açúcar”, o enólogo responsável, Vasco Penha Garcia, diz que “é incrível que quando envelhecemos vinhos nestas condições eles fiquem mais frescos, mais florais”. Sem dúvida que o Bacalhôa Roxo Superior 2002 tem grande intensidade, toque e camada de água de rosas, mentol e aromas de chá de pêssego, que seguem na boca juntamente com pureza bonita de laranjas caramelizadas, tangerina suculenta, casca de toranja rosa e delicadas amêndoas tostadas e notas mais ricas de marzipan. Embora tenho um sabor agradável e rico, é muito persistente (boa acidez) e fino, o final, muito equilibrado. 190.2g/l acúcar residual; 19%

Adega de Borba Garrafeira Tinto 2009

Texto João Barbosa

As adegas cooperativas quando surgiram trouxeram preocupações com a qualidade que, à época, eram inéditas em Portugal. Por outro lado, permitiram aos agricultores obter rendimentos acima dos obtidos com as vendas a empresas de grande dimensão, muitas delas apenas armazéns onde tudo se misturava a eito.

Na década de 80, do século XX, as adegas cooperativas do Alentejo viram além e chamaram técnicos de enologia, o que lhes permitiu ter vinhos de patamar superior. João Portugal Ramos, hoje produtor independente e negócio em várias regiões, foi o primeiro (!) leading wine maker português – detesto estrangeirismos, mas aqui não encontrei melhor.

Porém, na década seguinte foram aparecendo vitivinicultores. Acreditaram na qualidade do seu vinho e que mereciam rendimentos superiores aos permitidos com as vendas a cooperativas e grandes operadores de mercado de vinho a granel, ou quase.

Tiveram a coragem de pôr a cabeça no cepo, arriscando dinheiro, trabalhando furiosamente para o sucesso, que ninguém poderia fazer por si. Alguns ficaram pelo caminho, mas muitos mais sobreviveram e o seu número sendo engordado.

O mercado – essa criatura informe que veste qualquer roupa – deslumbrou-se e castigou as adegas cooperativas. Umas vezes com justiça e outras sem razão. Penso que todas elas sofreram com o rótulo depreciativo que o «mercado» lhe colou.

Não sei toda a história da Adega Cooperativa de Borba, mas não deve ter escapado a dissabores. Não importa aqui o passado, mas o presente. Hoje esse bicho chamado «consumidor» reconhece-lhe a qualidade e marimba-se para a palavra «cooperativa».

O sucesso desta empresa não é alheio à competência de quem toma conta do campo dos associados, de quem faz os lotes na adega e de quem gere de forma moderna e competente. Tudo somado resulta numa enorme ajuda a quem tem de vender o vinho.

Há um mito – que tem muita razão de ser – que os vinhos alentejanos não têm longevidade. Há dois ou três anos provei o vinho Adega de Borba Rótulo de Cortiça 1964 (tinto – não havia branco) e estava esmigalhador.

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Vinhas in adegaborba.pt

A 24 de Abril de 1955 deu-se a fundação da Adega Cooperativa de Borba. Eram 13 os associados e hoje são cerca de 300. A terra toda somada representa cerca 2.000 hectares de vinha, sendo 70% de castas tintas.

O «consumidor» português tem teimosias – que como todas hão-de passar – e exige vinhos fresquinhos a saltar, como o peixe acabado de pescar. Isto cria situações injustas para o vinho, por conseguinte para o produtor, e para o consumidor, que não bebe vinhos que merecem tempo no momento da sua maturidade. Ouve-se, com frequência, a expressão «pedofilia vínica».

A tesouraria dos vitivinicultores e a oportunidade de despachar produto são os pretextos para que juvenis se apresentem nas prateleiras e nas cartas de vinhos. Uma casa grande, como a Adega de Borba, tem aqui uma vantagem, desde que seja bem gerida.

Criar um «garrafeira» e pô-lo à venda cinco anos depois da colheita é quase um luxo.A Adega de Borba lançou o Adega de Borba Garrafeira Tinto 2009, com denominação de origem controlada Alentejo – embora pudesse colocar a sub-região de Borba.

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Adega de Borba Garrafeira red 2009 in adegaborba.pt

Este vinho fez-se com uvas das castas alicante bouschet, aragonês e trincadeira, todas elas com raízes fincadas em solos argilo-calcários. O lote esteve um ano em barricas de carvalhos americano e francês, posteriormente dormiu por 30 meses em garrafa.

Abrir já não é «pedofilia vínica», mas penso que merece ser guardado mais um tempo. Quanto tempo? Isso é já lotaria, pois há sempre surpresas – boas ou más – com vinho arrecadado durante muitos anos. Não me comprometo, cito o conselho do enólogo: «até dez anos».

Quando me perguntam acerca da relação entre a qualidade e o preço dum vinho – ou de qualquer outra coisa – respondo que não sei. É que a importância que se dá ao dinheiro, o nível de exigência para um vinho, a disponibilidade financeira, o momento e a finalidade formam uma equação que só o próprio poderá resolver.

Por mim – esta opinião é apenas minha e de modo nenhum responde à questão da relação entre a qualidade e o preço – os vinhos da Adega de Borba são vendidos a preços cordatos e apresentam qualidade acima e valor abaixo doutros do mesmo patamar.

Os Adega de Borba Branco, Adega de Borba Branco Rosé e Adega de Borba Tinto vendem-se 2,89 euros, valor recomendado pelo produtor. Neste nível é fácil de opinar, pois o preço é mais do que acessível. Quando o visado é Adega de Borba Garrafeira Tinto 2009… é comparar com oficiais da mesma patente e escolher, de preferência com o auxílio dum responsável de garrafeira. O produtor vende-o 15,75 euros.

Contactos
LARGO GAGO COUTINHO E SACADURA CABRAL 25, APARTADO 20
7151-913 BORBA, PORTUGAL
Tel: (+351) 268 891 660
Fax: (+351) 268 891 664
Website: www.adegaborba.pt

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Hotel M’ar de Ar Aqueduto – Degust’Ar Restaurant

Texto José Silva

O chefe António Nobre nasceu em 1969 em Beja, onde estudou, filho duma mulher que cozinhava muito bem e com quem foi descobrindo os aromas e paladares da cozinha alentejana. Foi no entanto na marinha que descobriu que gostava de cozinhar, e ali tirou o curso de cozinheiro, tendo trabalhado na messe dos oficiais na linha de Cascais. Quando regressou a Beja, começou a trabalhar no restaurante “Muralha”, onde esteve quatro anos. Depois concorreu para a pousada, foi admitido e ali esteve mais quatro anos. Seguiu-se o hotel “Melius” e mais quatro anos de trabalho. Desde que o director do hotel da “Cartuxa” o foi buscar, há quinze anos, que está no grupo, que entretanto transformou o hotel e abriu os dois hotéis M´ar de Ar: Aqueduto e Muralhas, onde é o responsável por toda a restauração.

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Chef António Nobre

Embora faça várias deslocações pelo país e pelo estrangeiro, pois acha que é muito importante estar a par do que se passa noutros países e quais as novas tendências, é no Alentejo que se sente em casa. Promove a cozinha regional porque acha que devemos manter viva a chama da tradição. O seu lema é “inovar a tradição, respeitando os aromas e sabores da gastronomia portuguesa, porque fazem parte da nossa cultura”. Mas gosta de apresentar a sua cozinha tradicional alentejana com requinte, com novas roupagens, por vezes de aspecto mais agradável e por isso apetecível.

Por isso foi uma visita cheia de expectativa que fizemos recentemente ao restaurante “Degust´ar”, do hotel Mar de Ar Aqueduto, para um jantar tranquilo, num ambiente muito confortável.

O restaurante é muito bem decorado, numa simplicidade requintada onde nos sentimos muito bem. Logo à entrada está um balcão onde um “sushiman” prepara uma panóplia de peças deste tipo de culinária que se instalou definitivamente entre nós. De seguida a sala, de boas dimensões, com alguns recantos castiços, mesas muito bem postas, com bons adereços. O serviço é impecável, muito competente e simpático. Também simpático foi o chefe António Nobre quando veio à mesa perguntar se estávamos com tempo. Claro que estávamos e então ele mandou avançar com uma refeição muito completa, que estava já a preparar. E assim começamos com um couvert de que faziam parte azeitonas marinadas com orégãos, laranja e limão, azeite, manteiga de farinheira e pão.

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Bread – Photo by José Silva | All Rights Reserved

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Botifarra de Azurara – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Molha aqui, pica acolá, até que vieram as pequenas degustações: uma curiosa botifarra de Azaruja com doce de tomate caseiro; uns deliciosos figos com presunto de porco alentejano, chicória e vinagrete de mel da Serra de Portel; e uns alentejanos torresmos de rissol estaladiços com salada de espargos verdes, cerejas e uvas passas da Amareleja.

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Figs with Alentejo pork ham © Blend All About Wine, Lda

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Crunchy Alentejo risolle © Blend All About Wine, Lda

E passamos aos caldos, absolutamente obrigatórios no Alentejo: sopa de grão de bico com bóia, que é aquela gordura da barriga do porco saborosíssima e uma óptima sopa de beldroegas com queijo fresco e ovo de codorniz escalfado.

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Chickpea soup – Photo by José Silva | All Rights Reserved

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Purslane soup © Blend All About Wine, Lda

Já estávamos reconfortados e ainda faltavam os pratos principais. Que, embora respeitando a tranquilidade, chegaram sem grande demora, para manter o ritmo da refeição.

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Conger eel soup © Blend All About Wine, Lda

Como prato de peixe a sopa de safio à moda do Alentejo com hortelã da ribeira, plena de aromas, muito saborosa.

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Pennyroyal sorbet – Photo by José Silva | All Rights Reserved

Enquanto esperávamos pela carne, o sorbet de poejo limpou-nos o palato como deve ser.

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Mertolenga beef neck © Blend All About Wine, Lda

Veio então um cachaço de vaca Mertolenga guisado lentamente com vagens de feijão branco e migas à serrador, que nos colocou os sabores da planície alentejana no prato. Excelente!

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Trilogy of “conventual” sweets © Blend All About Wine, Lda

O branco Alvarinho da Quinta de Curvos de 2014, muito fresco, com óptima acidez e fruta equilibrada acompanhou bem as entradas; o interessantíssimo palhete Gravato da Beira Interior de 2005, cheio de elegância, intenso, requintado, a fazer boa companhia aos caldos e ao peixe, taco a taco.

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The Wines © Blend All About Wine, Lda

E um “velho” Garrafeira Tinto 1988 de Palmela da velha J.P.Vinhos. Embora já sem força, ainda esteve à altura da carne Mertolenga e foi evoluindo no copo, lentamente mas apetecível. Soube mesmo bem.

O chefe António Nobre voltou à mesa, a saber como tinha corrido e mereceu uma salva de palmas, sincera.

Foi um M’ar de Ar que lhe deu…

Contactos
M’AR De AR AQUEDUTO
Rua Cândido dos Reis, 72
7000-782 Évora
Tel: (+351) 266 740 700
Fax: (+351) 266 740 735
E-mail: geral@mardearhotels.com
Website: www.mardearhotels.com

Herdade do Arrepiado Velho

Texto João Pedro de Carvalho

Com um calor desmedido lá fora, bem perto dos 40ºC, o GPS indicava Herdade do Arrepiado Velho. Este recente produtor de vinho fica ali bem perto de Sousel, no Alto Alentejo e inserido na Rota dos Vinhos de São Mamede. O monte do Arrepiado Velho foi comprado e recuperado por um casal do Porto, a vinha foi plantada e hoje a enologia está a cargo de António Maçanita.

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Foto de Grupo – Foto Cedida por Arrepiado Velho | Todos os Direitos Reservados

À nossa espera estava o simpático casal António Antunes e Marta Neto, ele filho dos proprietários e que se viu de tal forma envolvido no projecto que decidiu mudar-se de vez e passar a morar na Herdade do Arrepiado Velho. A sua esposa, Marta Neto, trabalha em design e é a responsável pelos bonitos e premiados rótulos. Se quiserem saber mais sobre o enoturismo ou sobre a sua história aconselho a leitura do artigo escrito pelo José Silva.

Irei contar a história da minha relação com os vinhos da Herdade do Arrepiado Velho que começou logo na primeira colheita. Costuma-se dizer que muitas vezes a primeira impressão conta muito, no meu caso não foi amor à primeira prova tanto que disse cobras e lagartos dos vinhos que na altura tinha provado. É certo que seriam, como são todos, merecedores de uma segunda oportunidade que para mim é sempre a derradeira.

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Herdade do Arrepiado Antão Vaz branco 2014 – Foto Cedida por Arrepiado Velho | Todos os Direitos Reservados

Os brancos foram sendo apresentados um a um pelo António, numa prova calma e descontraída ao lado da piscina, antes de mais e tendo em conta o que retinha na memória pareceram mais afinados e arrumados no que diz respeito ao perfil, frescos, muito centrados na fruta sumarenta e muito presente. Mas mesmo assim têm um cunho diferenciador dos restantes como por exemplo o Herdade do Arrepiado Antão Vaz 2014, um varietal que foge da monotonia pesadona e sem graça que durante tantos anos dominou os vinhos desta casta um pouco por todo o Alentejo. Ainda bem que tudo mudou e a enologia soube entender que aquele não era o caminho. Este é tenso e com a fruta limpa e bastante fresca, não há aquele pingo de calda de ananás antes pelo contrário. Aroma compacto, vibrante com ligeiro toque da fruta madura. No palato alguma austeridade, secura no final num conjunto marcado pela fruta mas que irá ganhar vida extra com algum tempo de garrafa.

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Arrepiado Velho Riesling 2013 – Foto Cedida por Arrepiado Velho | Todos os Direitos Reservados

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Riesling de Netas 2011 – Foto Cedida por Arrepiado Velho | Todos os Direitos Reservados

Ao lado estavam três Riesling, o Arrepiado Velho Riesling 2013 que mostra no nariz os descritores da casta, muita fruta com toranja, damasco, alperce, alguma calda com untuosidade e um ligeiro apetrolado de fundo. Nestes casos desliga-se a tomada que nos faz ligação directa à Alemanha e apenas desfrutamos o vinho e a casta, fiquei convencido da boa disposição que estes Rieslings mostram, não podemos esquecer da região onde nascem. De raspão ainda se provou o 2014 que se mostrou pouco falador e a pedir algum tempo em garrafa, vontade que será feita. Por fim o curioso Riesling de Netas 2011, ano em que a vinha foi arrasada por míldio e lá para o fim da vindima uma segunda produção (conhecida como netas) no Riesling começa a querer dar sinais de amadurecer, a vindima seria feita já em Novembro. O vinho quase a fazer lembrar uma colheita tardia, mais apurado de aroma com untuosidade vincada, geleia, arredondado no nariz. Na boca comanda a boa frescura que leva a fruta ao colo, arredondamento da madeira com final a mostrar ligeira austeridade mineral.

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Arrepiado Colection branco 2013 – Foto Cedida por Arrepiado Velho | Todos os Direitos Reservados

O topo de gama dos brancos, o Arrepiado Collection branco 2013, foi o branco que mais gostei. É daqueles brancos que conjuga a boa frescura do conjunto com a serenidade que a passagem por madeira lhe confere. Notas de pão torrado, fruta limpa (citrinos, alperce) e madura, ligeira geleia com floral presente. Um vinho muito bem estruturado que cativa e convida a mais um copo, mostrando uma muito boa frescura de boca, cheia de sabor e prazer.

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Arrepiado Collection tinto 2011 – Foto Cedida por Arrepiado Velho | Todos os Direitos Reservados

No campo dos tintos o destaque vai para o Arrepiado Collection 2011 que se apresenta como um tinto opulento, cheio de força e vida, frescura com a madeira muito bem trabalhada. A fruta é escura, madura e a pingar de sabor, bonita complexidade com leve balsamo e alguma especiaria de fundo. Na boca é encorpado, muito vigor, intenso e saboroso, incapaz de deixar alguém indiferente, com classe e raça terminando num longo e persistente final.

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Brett Edition – Foto Cedida por Arrepiado Velho | Todos os Direitos Reservados

Para o final estaria aquele vinho cuja primeira colheita me fez torcer o nariz, aquele que é uma edição especial de nome Brett Edition. O vinho em causa surgiu no primeiro ano com uma carga animal à qual se achou graça e se decidiu lançar para o mercado. Foi esse mesmo animal selvagem que em debandada me fez rejeitar de imediato o vinho, pois se um pequeno toque ainda tolero foi complicado aceitar uma manada inteira a correr pelo copo. O tempo passou e eis que confronto com uma nova colheita, neste caso o 2011, que diga-se de animal pouco ou nada mostrou, mesmo que lá esteja é bem tolerado e encaixado como em tantos outros vinhos de outras paragens na complexidade do vinho. Dito isto o vinho convenceu-me e bem, gostei da frescura da fruta preta e vermelha (amora, mirtilo) que ainda densa se mistura com pimentas várias, couro, caixa de charutos, chocolate preto e uma leve ponta de hortelã. Tudo envolto em muita frescura neste belo Syrah.

Contactos
Herdade do Arrepiado Velho
Tel.:(+351) 256 392 675
Fax: (+351) 256 392 676

António Antunes
EMail: amantunes@arrepiadovelho.com
Tel.: (+351) 913 256 056

Marta Neto
EMail: mneto@arrepiadovelho.com
Tel.: (+351) 910 868 661

Website: www.arrepiadovelho.com

Herdade do Perdigão

Texto José Silva

A Herdade do Perdigão tem 70 hectares de terreno onde estão plantados 40 hectares de vinha, das castas Antão Vaz, Verdelho e Arinto, nas brancas e Trincadeira, Aragonês, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, nas tintas.

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As Castas © Blend All About Wine, Lda

Mas a vinha mais velha, com cerca de 30 anos de idade, tem várias castas misturadas. Destas uvas são produzidas 800.000 garrafas por ano, 85% das quais de vinho tinto. Mas já produzem 10.000 garrafas de espumante.

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Vinhas © Blend All About Wine, Lda

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Vinhas © Blend All About Wine, Lda

É um projecto familiar, que tem vindo a crescer, e onde foram feitos alguns investimentos importantes em tecnologia, sobretudo em cubas de inox, rede de frio e prensas modernas, no sentido de melhorar o produto final.

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Cubas Inox © Blend All About Wine, Lda

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Cubas Inox © Blend All About Wine, Lda

O que tem acontecido, com alguns vinhos já premiados em vários concursos, mesmo internacionais.

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A adega © Blend All About Wine, Lda

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Confortável sala de provas © Blend All About Wine, Lda

As vinhas estendem-se à volta das instalações onde se encontra a adega e uma confortável sala de provas que funciona também como loja de venda, para os muitos apreciadores que cada vez mais visitam os produtores, provam os vinhos e compram os que mais gostaram. É o enoturismo a funcionar bem e a evoluir.

Sentados nesta sala, provamos nove vinhos, que nos deram uma boa ideia do perfil do que ali se produz. Começamos pelo Terras de Monforte Branco 2014. Algo exótico no nariz, revelando logo uma boa acidez. Notas tropicais sem exagero, muito fresco. Bela acidez, muito mineral, seco, ligeiras notas salinas, fruta branca, muito elegante. Seguiu-se o Herdade do Perdigão Reserva Branco 2011, feito só com Antão Vaz. Fermentado em barricas , apresenta alguma austeridade no nariz, mas muito elegante, suave, com ligeiro toque cítrico. Notas de madeira bem casada, alguma baunilha, acidez bem presente, belo volume e alguma complexidade na boca.

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Herdade do Perdigão Reserva branco 2014 | 2011 | 2010 © Blend All About Wine, Lda

Veio então o Herdade do Perdigão Reserva Branco 2010, também só de Antão Vaz. Um vinho que revela logo na cor alguma evolução, que é evidente no nariz, com a madeira elegantemente presente. Na boca já não tem tanta frescura, mas mantém-se elegante e seguro, persistente e com imenso final, a provar que os vinhos brancos também envelhecem bem. Seguiu-se o Herdade do Perdigão Reserva Tinto 2012, produzido com uvas de vinhas velhas. Retinto na cor, quase opaco, brilhante. No nariz é intenso, cheio de fruta preta e algumas notas de baunilha, com madeira bem evidente. Bom volume de boca e uma acidez fantástica, intensa, a casar bem com a madeira. Muitas notas de frutos pretos, de chocolate, um vinho persistente dum ano muito bom, que ainda vai melhorar na garrafa. Recuando uns anos, provamos o Herdade do Perdigão Tinto Reserva 2005, já com laivos acastanhados, brilhante. Apresentou-se algo evoluído no nariz, com notas vegetais muito elegantes, madeira bem casada, ainda com alguma fruta, chocolate e algum fumo. Bela acidez, intenso, a madeira bem evidente mas taninos muito redondos. Um vinho austero, muito interessante.

O Herdade do Perdigão Tinto Reserva 2004 apresentou-se ligeiramente mais claro, também com laivos acastanhados a caracterizar a evolução, com a idade. No nariz nota-se a evolução mas também a elegância, austero mas ainda vivo. Na boca tem ainda alguma fruta muito madura, intenso, com uma acidez fantástica a dar-lhe equilíbrio, notas suaves de fumo, chocolate preto, final muito longo.

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Herdade do Perdigão Reserva tinto 2012 | 2005 | 2004 | 1999 & Herdade do Perdigão tinto 20 anos © Blend All About Wine, Lda

E recuamos ainda no tempo para provar o Herdade do Perdigão Tinto Reserva de 1999. Cor impressionante, muito escuro, acastanhado, muito elegante. Grande intensidade aromática, notas de torrefacção, fumado, exótico, vai abrindo no copo. Muito robusto, mesmo austero, apresenta notas de fumo com uma acidez incrível para um vinho desta idade. Ainda ligeiras fragrâncias de fruta, notas vegetais muito suaves, algum fumo, a precisar e abrir no copo, uma boa surpresa.

Veio então um vinho muito especial, o Herdade do Perdigão Tinto 20 Anos, da colheita de 2008, um vinho de celebração, uma edição especial limitada. Preparado a partir de uvas de vinhas velhas e de Alicante Bouschet, apresenta-se muito escuro, opaco. No nariz é elegância, mais elegância, intenso mas sedoso, algo fumado com ligeiras notas vegetais. Continua a persistência elegante na boca, com uma acidez soberba, intensa, ligeiras notas apimentadas, alguma fruta madura, toque sedoso de pimentos verdes, ainda fresco, com taninos maduros, madeira muito bem integrada para um delicioso final, muito longo. Grande vinho!

Terminamos a prova com o Espumante Herdade do Perdigão 2012, preparado a partir de uvas das castas Arinto e Antão Vaz. Apresenta uma cor amarela citrina, cristalino, com bolha muito fina persistente e cordão intenso. Suave no nariz, seco, tostado, com notas de palha. Muito fresco na boca, acidez intensa, seco, cremoso, notas de panificação, pão torrado, alguns frutos secos, complexo, a pedir comida, com final persistente. Um belo espumante alentejano.

Com as vinhas como pano de fundo, partimos pelo Alentejo fora.

Contactos
Apartado 29
7450 – 999 Monforte
Tel: (+351) 245 578 135
Fax: (+351) 245 578 136
Telemóvel: (+351) 932 312 250
Website: herdadeperdigao.pt

Nasce o Cavaleiro do Porto

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Há alguns meses atrás, enquanto passava férias na Grécia, recebi uma carta. Uma carta assinada pelo Sr. George Sandeman. Uma carta um tanto ou quanto inesperada. Dizia que eu iria ser entronizado Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto. Ho…ly…sh*t!

Blend All About Wine The Port Knight Rises People jumping from Dom Luís I bridge

Pessoas a saltar da ponte Dom Luís I bridge – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Problema número um: Encontrar um bom smoking. E por bom smoking, quero dizer um smoking apropriado. Tipo James Bond. O evento estava agendado para Junho, no Porto, no dia anterior ao início do solstício de Verão. Tendo em conta que esta é a altura com mais movimento a nível de casamentos na Finlândia, um smoking assim tão bom para alugar é difícil de encontrar. Sim, um smoking para alugar. Quem é que compra um smoking?! Bem, voltando ao que interessa, já seria uma grande honra ser sequer considerado pela Confraria, agora imaginem ser aceite. Portanto, sem qualquer momento de hesitação marquei os voos para vir com a minha família a Portugal.

Blend All About Wine The Port Knight Rises Family Sirén in front of Palácio da Bolsa

A Família Sirén em frente ao Palácio da Bolsa – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quando finalmente chegou o dia da cerimónia da entronização a temperatura no Porto estava bem acima dos 30°C. Temperatura incomum até no Porto. Os turistas inundaram a Ribeira, com jovens a saltar da ponte Dom Luís I e montes de bancas da Super-Bock estavam a ser construídas em preparação para o festival de São João. Como finlandês não me posso queixar do calor mas, ter um smoking vestido com um tempo tão quente quase me matou. Por sorte, a caminhada do sítio onde fiquei alojado até ao Palácio da Bolsa, onde a cerimónia iria acontecer, era a descer e curta.

Blend All About Wine The Port Knight Rises Walking on the red carpet

A percorrer o tapete vermelho – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A cerimónia em si foi muito ilustre. Tapetes vermelhos, vestidos de gala, capas, bandeiras, grandes chapéus pretos com fitas penduradas e ceptros decorados de fazer inveja até ao próprio Gandalf. Quando todos os prestes a ser confrades se sentaram, eu estava no grupo dos primeiros a serem entronizados. Fui chamado ao palco pelo Fiel das Usancas onde o Sr. Sandeman, o chanceler da Confraria, colocou, à volta do meu pescoço, uma fita vermelha e verde com uma tambuladeira pendurada, uma típica taça de vinho do Porto do séc. XVII. Depois de a fotografia ter sido tirada assinei o Livro de Honra da Confraria e o chanceler entregou-me o diploma. Saí do palco feliz e extremamente desidratado. Houve discursos e o Palácio da Bolsa inteiro brindou aos novos confrades com um copo de vinho do Porto. Estava saboroso mas, para ser honesto, naquele momento trocaria o meu copo e a mão que o segurava por grande copo de água gelada.

Blend All About Wine The Port Knight Rises Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto

Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois da cerimónia, os novos confrades juntaram-se aos antigos e marcharam pela Alfândega, escoltados pela cavalaria da GNR juntamente com uma banda musical. Havia muitas pessoas nas ruas a assistir à parada. Senti-me como se estivesse numa espécie de Jogos Olímpicos do vinho e tivesse acabado de ganhar o grande prémio. Depois fomos em direcção a um terraço perto do rio. O pôr do sol estava lindíssimo, assim como a minha companhia para o jantar e, posso dizer que, beber um copo de vinho do Porto branco, relaxado, nunca soube melhor.

Blend All About Wine The Port Knight Rises Port Wine

Vinho do Porto – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A noite continuou com boa comida, excelente companhia e vinhos fantásticos. Não sou grande fã de jantares formais, mas devo dizer que realmente me diverti. Depois de uma mão cheia de pratos e de demasiados copos de vinho foi altura de dar por terminada a noite. Foi um dia quente, longo e definitivamente um dos mais memoráveis da minha vida. O que o tornou ainda mais especial foi a oportunidade de o poder partilhar com a minha família, que sempre me apoiou em todas as minhas escapadelas a Portugal durante os anos.

Depois dei um último gole de Porto e desapareci na noite quente, como um verdadeiro Cavaleiro do Vinho do Porto, para tranquilizar a babysitter.

Vinhos Palato do Côa – sem pressas e com sonho

Texto João Barbosa

Em 2008, Carlos Magalhães, enólogo com prática no Alentejo e na Bairrada, descobriu a Quinta da Saudade, na aldeia de Muxagata, no concelho de Vila Nova de Foz Côa. Conhecendo as aptidões para a produção de vinho de qualidade, desafiou quatro amigos a comprar a propriedade, vindo mais tarde a juntar-se um quinto elemento.

Os seis sócios (Albano Magalhães, Bernardo Lobo Xavier, Carlos Magalhães, João Anacoreta Correia, João Nuno Magalhães e Manuel Castro e Lemos) propuseram-se atingir um patamar elevado: «criar serenamente os melhores vinhos do Douro».

Blend All About Wine Palato do Côa Partners

Os seis sócios in palatodocoa.pt

Obviamente que os desejos são partilhados por muitos, pelo que só fica bem pretender atingir o topo. Se todos visarem a excelência e daí nascer uma saudável competição, o resultado será um contínuo trabalho para valorização das marcas, da região e do país.

O Douro Superior não é fácil de aturar… É bastante frio no Inverno e no Verão tem as portas abertas para o Inferno. Porém – talvez por as videiras serem masoquistas – esta sub-região dá a nascer vinhos com grande reconhecimento dos consumidores, da crítica nacional e internacional.

Blend All About Wine Palato do Côa The Vines

As vinhas in palatodocoa.pt

Carlos Magalhães afirma-se apaixonado pela Borgonha e que tem o sonho dos seus vinhos terem esse padrão. Não me parece fácil, devido às condições naturais dessa região francesa e as do Douro. Mas ele é que é o enólogo e conhece as suas uvas, os solos da quinta e o clima do local.

A Quinta da Saudade tem 7,5 hectares agricultados com vinha, com umas dezenas de anos. Aos quais se somam 8,5 hectares plantados recentemente. As variedades brancas são as tipicamente durienses rabigato, viosinho e códega de larinho. As tintas são as touriga franca, touriga nacional, tinta roriz e alicante bouschet.

Blend All About Wine Palato do Côa The Grapes

As uvas in palatodocoa.pt

A verdade é que os vinhos Palato do Côa apresentam-se com frescura. Os de entrada de gama mostram-se frescos e são vinhos bem-feitos, sem vaidades injustificadas. Ficam bem numa refeição em família, em que não visitas para qualquer cerimónia, ou para um convívio entre amigos, em que a efervescência da amizade não mata o vinho, nem este causa transtorno para divergir as conversas para críticas enófilas.

O Palato do Côa Reserva Tinto 2011 já exige mais atenção, que o ponham na mesa quando os sogros forem jantar lá a casa.

Blend All About Wine Palato do Côa Reserva

Palato do Côa Reserva in palatodocoa.pt

Guardar vinhos para ocasiões especiais torna-se muitas vezes injusto, para o vinho e para o enófilo. Todavia, há vinhos que têm de ser bebidos já, antes que a juventude se consuma e restem apenas cinzas no «tal dia» em que a rolha sai da garrafa.

O Palato do Côa Escolha Tinto 2011 e o Palato do Côa Grande Reserva Tinto 2011 estão num patamar onde é difícil entrar. Tanto um como outro são belíssimas ofertas ao médico que nos operou ou aos sogros, no jantar de apresentação. Neste último caso, é precisa moderação para não os habituar «mal».

Blend All About Wine Palato do Côa Escolha

Palato do Côa Escolha in palatodocoa.pt

Blend All About Wine Palato do Côa Grande Reserva

Palato do Côa Grande Reserva in palatodocoa.pt

Em Portugal diz-se – desconheço se noutros países e idiomas – que o Natal é quando um homem (ser humano) quiser. Por isso, que se bebam no Natal, tendo em atenção à temperatura de serviço e ao companheiro que espera no prato.

Fora de brincadeiras, os Palato do Côa Escolha Tinto 2011 e o Palato do Côa Grande Reserva Tinto 2011 devem ser poupados ao tempo quente, nos países com um Verão para escaldões. Pedem comida robusta e ar condicionado… pois que o Natal seja quando um homem quiser, mas não no tempo quente. Tanto um como outro merecem repousar algum tempo, no escuro e com temperatura acertada.

Contactos
Quinta da Saudade
Muxagata, Vila Nova de Fóz Côa

Albano Kendall Magalhães​
Email: akmagalhaes@palatodocoa.pt
Tel: +351 939 363 890

Carlos Magalhães
Email: carlosmagalhaes@palatodocoa.pt
Tel: +351 964 246 161

Website: www.palatodocoa.pt

Taberna Típica Quarta-Feira

Texto José Silva

Num dos muitos rendilhados de ruelas estreitas de Évora, encontramos a rua do Inverno.

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Rua do Inverno – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas a casa de bem comer de que vamos à procura irradia calor humano durante todo o ano: é a Taberna Típica Quarta-Feira.

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Taberna Típica Quarta-Feira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Espaço pequeno, rústico, castiço, uma sala airosa, bem arrumada, e um simpático balcão com um arco de tijolo ocre, por detrás do qual está a cozinha.

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Taberna Típica Quarta-Feira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mesas bem postas e garrafas de vinhos alentejanos um pouco por todo o lado. Pelo ar já pairam aromas de tempêros alentejanos, fáceis de identificar.

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José Dias – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A Taberna Típica Quarta-Feira é dirigida pelo José Dias, Zé Dias para os amigos, um beirão nascido no Sabugal em 1948. Em 1964 foi para Évora para uma tipografia e por ali se radicou. Até que, há 25 anos atrás, abriu o restaurante, depois de ter tido café e cafetaria.

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D. Luísa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na cozinha está a D. Luísa, natural de Monte do Trigo, em Portel, que veio para Évora há 24 anos. Conheceram-se através duma irmã dela e, como cozinhava muito bem, o Zé Dias já não a deixou fugir do restaurante onde comanda a cozinha desde então. Ali pratica-se cozinha tradicional alentejana. O borrego assado no forno e o esparregado são uma referência. A jovialidade e simpatia do Zé Dias fazem o resto.

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Os vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Já dentro do restaurante, apreciamos muitos dos vinhos ali expostos, alguns já desaparecidos do mercado há muito, mas que o Zé Dias vai guardando e gerindo, para que possam ser apreciados pela vasta clientela da casa, que vem um pouco de todo o país, com muitos estrangeiros à mistura, que a fama foi-se espalhando. O Zé Dias recebe-nos, senta-nos à mesa, orienta-nos naquilo que havemos de comer, faz pedidos à cozinha, abre garrafas de vinho e acima de tudo diverte-nos com as suas muitas e muitas histórias, pejadas de personagens muito interessantes. Mas que o Zé Dias trata por igual, com simpatia e hospitalidade.

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Pão Alentejano – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Presunto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Já sentados à mesa, veio excelente pão alentejano, para acompanhar o presunto muito fininho e paio de porco preto delicioso.

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Paio de Porco Preto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Cogumelo Recheado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E um enorme cogumelo recheado, servido bem quente.

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Esparregado & cachaço de porco preto assado © Blend All About Wine, Lda

Um arroz soltinho e o tal esparregado fantástico, com ligeiro toque de vinagre, fizeram muito boa companhia a um cachaço de porco preto assado no forno com batatinhas aloiradas aos cubos, tudo bem quente. Na mesa fez-se silêncio. O vinho branco e tinto da casa, da responsabilidade do Paulo Laureano (pode ler um artigo de Sarah Ahmed sobre Paulo Laureano aqui), foi escorrendo pelos copos.

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Bolo de Bolacha © Blend All About Wine, Lda

Para sobremesa veio uma encharcada e uma espécie de bolo de bolacha, de confecção própria, uma gulodice irresistível. Mas também havia uma cerejas carnudas do Fundão, acabadas de chegar.

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Cerejas © Blend All About Wine, Lda

Lá se foi a dieta!!

A despedida do Zé Dias é sempre: “Até á próxima!”

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