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Quinta das Bágeiras, o minimalismo enológico

Texto João Pedro de Carvalho

Rumamos à Bairrada, mais propriamente a Fogueira (freguesia de Sangalhos, concelho de Anadia) onde fica situada a Quinta das Bágeiras e onde nos espera o produtor Mário Sérgio Nuno, nome incontornável da Bairrada e dos vinhos de mesa de Portugal. Os rótulos e garrafas que têm como símbolo a fogueira que é também nome da terra, no entanto este símbolo marca o início de Mário Sérgio como jovem agricultor e produtor de vinho. Fruto da oferta de um amigo seu conhecido, também produtor, a marca Fogueira que não podia ser marca de vinho por ser nome de terra, acabou por surgir como símbolo dos vinhos da Quinta das Bágeiras.

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Quinta das Bágeiras Logo in facebook.com/quintadasbageirasvinhos

Um trabalho de três gerações, que apenas com Mário Sérgio Alves Nuno começou a produzir e engarrafar com marca própria, antes era tudo vendido a granel. Tudo começou com a produção da colheita de 1987 que tinha praticamente sido toda vendida para as Caves São João e Mário Sérgio pediu ao seu pai para ficar com um tonel para fazer o seu próprio vinho. Uma opção que viria a dar frutos com um terceiro prémio no concurso de vinhos do IVV, com o primeiro branco a ser lançado em 1989. A enologia fica a cargo do enólogo e amigo Rui Moura Alves que está desde a primeira hora ao lado de Mário Sérgio, sendo parte responsável pelo sucesso e estatuto de produtor de referência alcançado na década de 90.

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Mário Sérgio Nuno – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Avô Fausto – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Os brancos das Bágeiras estendem-se pelos espumantes, colheita, Garrafeira, Pai Abel e Avô Fausto. Mário Sérgio prefere para os seus brancos solos planos e argilo-calcários situados em cota baixa, onde despontam a Bical e Maria Gomes. Com a casta Baga realiza três vindimas, a primeira para aguardente, a segunda para espumantes e a terceira para os tintos. Recuperou e manteve as parcelas que eram dos seus pais e dos seus avós, dos 12 hectares iniciais hoje conta já com 28 hectares. Com mais de 25 anos a produzir vinhos que mostram a face mais tradicional da Bairrada, minimalismo enológico, decantação em lagares abertos e estágio em antigos tonéis, sem colagens nem filtrações, com uma identidade e rusticidade muito própria que lhe conferem toda a autenticidade que os caracteriza.

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Antigos tonéis – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

E é de visita às instalações em que se dá conta que por ali a modernidade teima em ficar à porta e o saber passa de geração em geração, não fosse esta uma empresa familiar. Um saber que tem vindo a ser colocado em prática com os seus vinhos desde o início e homenageado por Mário Sérgio na forma de novos lançamentos que visam o seu Pai Abel e o seu Avô Fausto. O destaque desta vez vai para os dois últimos e também os mais recentes, o Pai Abel acaba por ser a homenagem ao seu progenitor, que apesar dos seus 80 anos continua a trabalhar as vinhas e a transmitir todo o seu conhecimento às gerações mais novas.

Este Pai Abel branco 2013 é um branco que sai de uma vinha com 20 anos de idade com as castas Maria Gomes e Bical. O que interessa é a qualidade final do produto, por isso pouca produção, com a primeira passagem pela vinha a levar as uvas para os espumantes e a segunda passagem finalmente para o branco. Fermenta em barrica usada de pequena capacidade, o uso de tonel fica apenas para o Garrafeira, aqui o que nos surge no copo é um branco tenso e muito preciso, complexo de aromas firmes a mostrar a sua juventude e rasto mineral de fundo. Ao mesmo tempo a madeira a dar bom volume, fruta madura com tisanas, boca ampla com muita frescura, profundo e cheio de nervo com grande persistência num vinho que vai durar largos anos em garrafa.

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Pai Abel branco 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Avô Fausto branco 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

.O segundo vinho surge em homenagem ao seu avô, Fausto Nuno, que foi quem lhe despertou o gosto pelos vinhos e também o responsável pela vocação vitivinícola da família. O Avô Fausto branco 2014 é um branco proveniente de vinhas velhas e vinhas com cerca de 15 anos, num perfil que seria ao gosto de Fausto Nuno, elegante, fresco e macio. Neste caso apenas Maria Gomes com estágio em barrica, aromático, muito preciso, fresco e delicado, ao mesmo tempo a mostrar-se tenso e cheio de nervo, perfume de rosas, muito citrino acompanhada de notas resinosas e ligeiríssima untuosidade. Uma abordagem diferente mas com a chancela da Quinta das Bágeiras.

Contactos
Fogueira
3780-523 Sangalhos, Aveiro
Portugal
Tel: (+351) 234 742 102
Telemóvel: (+351) 964 190 336
E-mail: quintadasbageiras@mail.telepac.pt
Website: www.quintadasbageiras.pt

As Novidades da Blandy’s

Texto José Silva

A apresentação decorreu no novo hotel Porto Bay Liberdade, na baixa de Lisboa, que é propriedade da família Blandy e tem no restaurante a marca do chefe Benoît Synthon e foi feita pelo presidente da empresa, Chris Blandy e pelo director de enologia, Francisco Albuquerque.

Com a paixão e sabedoria que lhe é reconhecida, Francisco Albuquerque explicou cada um dos vinhos que foram apresentados.

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Os Vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Disse que alguns dos vinhos agora apresentados e que ainda estão em barrica, têm já níveis de concentração perto do limite e por isso serão em breve engarrafados na sua totalidade.

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Os Vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Começou-se pelo Malmsey 1999, de uma cor âmbar escura, cristalino. Muito elegante no nariz mas também muito intenso, com notas de casca de tangerina, alguns frutos secos, notas de madeira velha e torrefacção. Na boca é o contraste delicioso entre doçura e acidez intensa. Ainda notas de compota e marmelo, um vinho muito concentrado, vai ainda evoluir em barrica, está no ponto para colocar no mercado, estando já todo engarrafado. Curiosamente, sendo o mais doce, é o vinho Madeira mais apreciado, sobretudo no importante mercado inglês e por isso é aquele de que há menos quantidade em cave.

Seguiu-se o Bual 30 anos, que é um blend de vários vinhos, que variam entre os 11 e os 42 anos, dando uma média de 32 anos. De uma cor âmbar média, muito cristalino. No nariz apresenta-se algo floral, muito elegante, intenso e com alguma frescura. Na boca é muito concentrado, levemente seco, com grande acidez que lhe dá bastante frescura, notas de casca de tangerina, amêndoas, bastante complexo e com final longo e saboroso.

O Verdelho 1979 apresenta uma cor âmbar média-escura, muito cristalino. Nariz muito fresco, intenso, notas leves de frutos secos e compota. Na boca tem imensa frescura, alguma salinidade e uma acidez poderosa, a limpar constantemente as notas de figos, canela, cheio de complexidade. Um final imenso, com a acidez quase a afagar a língua…

O Terrantez 1977 é um reedição de um vinho já conhecido, e cuja casta é cada vez mais rara na ilha. Apresenta-se dum âmbar escuro, muito cristalino. Difícil de descrever, uma intensidade ligada a uma extrema elegância, exótico, complexo, fresco, notas de nozes e avelãs. Grande contraste entre o doce e a acidez. Acidez brutal, quase que queima a língua, muito intenso, seco, ligeiras notas de torrefacção, grande elegância e final que nunca mais acaba. Um vinho com carácter, para apreciadores.

Provou-se então o Cercial 1975, dum âmbar claro, muito cristalino. Soft, elegante, alguns frutos secos, algo exótico. Suavemente elegante na boca, sofisticado, quase que se mastiga, uma acidez intensa, equilibrada mas bem presente, envolvente, com um final longo e delicioso.

Fechou-se a prova com um fantástico Bual 1966. Cor âmbar escura, muito cristalino. Muito intenso no nariz, tostado, notas de torrefacção, especiarias, caril, amêndoas torradas. Austero na boca, muito intenso, dá-nos as notas de doçura mas a acidez limpa tudo, num contraste delicioso, complexo, ao mesmo tempo elegante mas robusto e com um final incrível. Um vinho para recordar…

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Atlantis Rosé 2015 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Atlantis Rosé 2015 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A partir destes engarrafamentos, todos os vinhos Madeira da Blandy’s vão poder contar com algumas garrafas magnum (1,5l), double magnum (3l) e três garrafas de 18 litros, para guardar.

Ao almoço, muito bem servido, mais três novidades: um vinho de mesa rosé, o Atlantis Rosé 2015 (em amostra de casco), feito a partir da casta Negra Mole, que se apresentou dum rosa salmão elegante, belos frutos vermelhos e alguma compota no nariz, seco, fresco e com óptima acidez.

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Ceviche – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Uma boa surpresa que acompanhou muito bem a ceviche. O jarret de borrego com puré de batata e legumes teve a companhia do Pombal do Vesúvio Tinto 2011.

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Codorniz Panada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Malmsey Harvest 2008 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se um petisco do chefe, a codorniz panada com molho asiático, algo adocicado, que foi acompanhado por outra novidade, o Malmsey Harvest 2008, um vinho moderno, mais acessível, mas com as mesmas características dum grande Madeira, sobretudo na acidez, nas notas secas, casca de tangerina e alguns frutos secos, belo vinho.

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Trouxa de maracujá – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Colheita Bual 2002 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com a sobremesa, uma trouxa de maracujá muito fresca e saborosa, bebeu-se a última novidade, um Colheita Bual 2002, cheio de estrutura mas ao mesmo tempo elegante, algumas notas de torrefacção, especiarias suaves e alguma frescura. Na boca é intenso, tem frescura e ao mesmo tempo muita doçura mas uma acidez intensa, fantástica, deliciosa, envolvente, um belo vinho.

Depois da refeição deu-se um passeio pela Avenida da Liberdade, onde já cheirava a Natal.

Mais a sul a ilha da Madeira  espera uma visita…

Contactos
Tel: (+351) 291 740 110
E-mail: pubrel@madeirawinecompany.com
Website: www.blandys.com

Vinhos José de Sousa, prestígio e história

Texto Bruno Mendes

Foi com o sonho de produzir vinho no Alentejo numa propriedade carregada de prestígio e história que a José Maria da Fonseca adquiriu, em 1986, a Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes, situada em pleno coração do Alentejo, Reguengos de Monsaraz. Uma casa que, no que toca à produção de vinho, já conheceu a viragem de três séculos, permitindo assim à José Maria da Fonseca produzir vinho utilizando técnicas tradicionais de vinificação.

Para informação mais detalhada em relação aos vinhos José de Sousa pode ler o artigo previamente escrito pelo João Pedro de Carvalho aqui

Se procura saber mais sobre os outros vinhos da José Maria da Fonseca também poderá consultar o artigo estrito pelo João Barbosa aqui.

Na velha adega podemos encontrar as ânforas de barro, onde os vinhos passam parte da fermentação, uma técnica antiga de vinificação herdada dos romanos. A adega moderna está equipada com tecnologia de ponta, onde uma equipa exigente e talentosa dá vida a vinhos de personalidade vibrante, sofisticação e nobreza.

Os vinhos José de Sousa procuram combinar modernidade com o rigor da tradição, reflectindo assim o calor do sol e a luz do Alentejo.

Tudo isto mais pormenorizadamente no vídeo abaixo:

Vinhos Passagem – para lá do rio

Texto João Barbosa

Portugal tem a sorte de ter duas regiões vinícolas de excelência! Madeira e Douro/Porto, de grande classe mundial. O que é notável num país com 92.000 quilómetros quadrados. O Douro é maravilhoso porque nele se consegue fazer «tudo».

Atravessar um rio não é coisa pouca.

As fronteiras são linhas imaginadas, são fabricadas. Não é absoluto, pois montanhas e rios teimam na «imperfeição geométrica» – sobretudo nos «velhos mundos». Não é por acaso que muitas cidades, regiões ou países têm nome de rios, ou deles derivados ou ligados.

Na mitologia grega clássica, os mortos iam para o Hades (Inferno) através do rio Aquaronte. Os rios (água) são sagrados em muitas culturas ancestrais. É disso que se trata.

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Quinta das Bandeiras – Foto Cedida por Passagem Wines | Todos os Direitos Reservados

A Quinta das Bandeiras situa-se no Douro Superior, junto à aldeia de Pocinho, na margem direita do segundo maior rio a passar em Portugal. Do outro lado fica a Quinta do Vale Meão. Provem-se os vinhos e perceber-se-á como uma linha de água (nem muito larga) pode ser uma fronteira, é facto.

Claro que existe diferente exposição solar e etcetera-e-tal, em que a características do solo são cruciais. A questão da enologia: quem os faz teima (ainda bem) em tirar partido dos factores diferenciadores. Há a Quinta de La Rosa, a Real Companhia Velha e os vinhos Passagem sãoPassagem. Pretendo que seja lido como um grande elogio.

O enólogo Jorge Moreira partilha, em parte igual, a Quinta das Bandeiras com Sophia Bergqvist, que encabeça a Quinta de La Rosa, junto ao Pinhão. Gente irrequieta, que não está satisfeita com o que tem e que não quer mais do mesmo.

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Quinta das Bandeiras – Foto Cedida por Passagem Wines | Todos os Direitos Reservados

Para mim, o factor «homem» integra o terroir. Posto isto, digo que a aposta foi ganha. Acrescento que existe uma outra fronteira (clara, para mim) entre «qualidade» e «gosto». Enquanto cronista de vinho tenho a obrigação da imparcialidade – não confundir com ausência de opinião. Como enófilo, não são vinhos que me preencham. Por nenhuma razão em especial, apenas «gosto».

Cada qual com seu nariz e boca e não recuso recomendação. Quem gosta de vinho e quem gosta do Douro tem a «obrigação» de conhecer os vinhos Passagem. Ora vamos a eles:

Passagem Vinho Branco Reserva 2014 fez-se com «muitas uvas», sobretudo viosinho, gouveio, rabigato e códega do larinho, numa altitude de 400 metros. Com boa acidez, pede comida.

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Passagem Vinho Branco Reserva 2014 – Foto Cedida por Passagem Wines | Todos os Direitos Reservados

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Passagem Vinho Tinto Reserva 2013 – Foto Cedida por Passagem Wines | Todos os Direitos Reservados

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Passagem Porto Vintage 2011 – Foto Cedida por Passagem Wines | Todos os Direitos Reservados

O Passagem Vinho Tinto Reserva 2013 alinha na frescura do seu irmão branco, tendo vivido 18 meses em barricas de carvalho francês. As castas são touriga nacional (70%), touriga franca (25%) e sousão (5%). Reportando-me ao «meu gosto»: Não sou enólogo, mas às vezes arrisco umas coisas de alquimia: tem demasiada touriga nacional, falta-lhe touriga franca e o sousão é casta que não aprecio.

Mais prazenteiro (meu gosto) é o Passagem Porto Vintage 2011, feito à base das duas tourigas, a percentagem não foi revelada. Sendo objectivo: é um vintage com identidade e que «não é mais um do frasco», citando José Mourinho. O fantástico ano de 2011 foi bem surfado.

Acrescento um «vale a pena»: está fora da banda espectral duriense, mas continua a ter em si o Douro. É diferente, mas é Douro.

Contactos
Passagem Wines
Tel: (+351) 254 732 254
Email: mail@passagemwines.com
Website: passagemwines.com

Quinta do Crasto, no coração do Douro

Texto Bruno Mendes

A Quinta do Crasto, situada no coração do Douro, entre a Régua e o Pinhão, é propriedade da família de Leonor e Jorge Roquette há mais de um século. São 70 hectares de vinha de um total de 130, que se elevam desde o rio até 600m de atitude.

Além da produção de Vinhos Douro DOC e Vinhos do Porto, aqui também se produz azeite. A paixão pelo trabalho, não só dos enólogos como também de todos os membros da equipa, juntamente com elevados investimentos em equipamento de ponta permite um conceito que concilia o respeito pela tradição e, simultaneamente, a permanente aprendizagem, aperfeiçoamento e inovação, que projectou a Quinta do Crasto nos mercados nacional e internacional.

A história da Quinta do Crasto é rica e vasta, começando pelas primeiras referências a esta Quinta que remontam a 1615. O nome Crasto deriva do latim Castrum que significa forte Romano.

Tudo isto e muito mais no vídeo abaixo.

Real Companhia Velha – Velhos são os trapos…

Texto João Barbosa

Cumpri e terminei com a palavra terroir. Agora prometo finalizar com um brinde. Tanta coisa acontece 250 anos. Por várias vezes mudou a lei, aumentou a área da região vitivinícola, surgiram e morreram grandes figuras… a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro há muito que mudou de natureza, é um operador comercial e produtor.

Ganhou a alcunha de Real Companhia Velha e para que dúvidas não restassem ainda comprou a Real Vinícola, empresa cuja designação baralhava. Todavia, uma boa aquisição, que abriu negócios à casa e acrescentou marcas hoje históricas.

Em 1960, Manuel Silva Reis comprou a companhia, que se mantém na família. Pertencem-lhe cinco quintas (Arciprestes, Carvalhas, Casal da Granja, Cidrô e Síbio) que totalizam 540 hectares de vinha. Embora seja uma das maiores empresas portuguesas do sector, a Real Companhia Velha ainda não saiu de casa, produzindo vinhos Douro, Porto, Moscatel do Douro e Regional Duriense.

Sou conservador e de engenhocas gosto pouco. Parar é morrer e uma coisa é a tradição e outra a «invenção» – o que não é antagónico ou contraditório. O Douro está bem e tão bem e seguro que não vejo as experiências como sendo uma ameaça. Eu, conservador que não gosta de engenhocas, rendi-me a essa inovação do colheita tardia feito no Douro!… O primeiro foi em 1912, pela Real Vinícola.

Em Cidrô plantaram-se castas estrangeiras e estuda-se, é uma quinta de ensaios. Um dia foi chamado um técnico para certificar uma vinha nova, plantas compradas em França da casta semillon. Mas deu-lhe o nome de boal. Como boal?! Ali à volta, naquelas aldeias, o povo até lhe chama semilhão…

Por que é que não me indigno? Com o Grandjó Late Harvest ou com as maquinações que se realizam na Quinta de Cidrô? Porque sinto a segurança de quem está para construir e não para fazer só por fazer. Porque os Grandjó Late Harvest são – sou peremptório – os melhores vinhos de colheita tardia feitos em Portugal.

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Grandjó Late Harvest in realcompanhiavelha.pt

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Real Companhia Velha Logo in realcompanhiavelha.pt

Quem conhece os técnicos da Real Companhia Velha sente segurança e respeito pela região. Como se estivesse a viajar numa autoestrada a 400 quilómetros por hora, num Bugatti Veyron conduzido por Niki Lauda.

Este conjunto de artigos acerca da Real Companhia Velha foram pensados para saírem em Setembro, para assinalar o aniversário… 259 anos! Porém, tenho mais vinho do que dias, que gostaria tivessem 48 horas.

Three texts have many words (you can read part 1 here and part 2 here),

Três textos têm muitas palavras (pode ler a parte 1 aqui e a parte 2 aqui), mas tudo começou com uma ideia retorcida de ironia… a disputa pela maior antiguidade da demarcação… Tokaji (Tokay) dos magníficos vinhos com Botrytis cinerea – garantem que aí foram criados pela primeira vez – e o Douro, com o seu Grandjó.

O marquês de Pombal nunca o deve ter tido em mente, nem mesmo no tédio das viagens desde a Panónia até à Lusitânia, onde cogitou acerca de vinho da Galécia. Brindo a esses dois vinhos e também ao homem que não queria ter como inimigo. À saúde e que venham mais 259 anos!

Contactos
Real Companhia Velha
Rua Azevedo Magalhães 314
4430-022 Vila Nova de Gaia
Tel: (+351) 22 377 51 00
Fax: (+351) 22 377 51 90
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Website: realcompanhiavelha.pt

Real Companhia Velha – Como o Douro chegou ao Tejo

Texto João Barbosa

Não poderei ser político! Cumpri o prometido… Escrevi «terroir». E porquê? Porque ingleses e franceses andavam novamente às cabeçadas e o vinho do Douro tinha a qualidade que as gargantas insulares exigiam. Sebastião de Carvalho e Melo sabia da qualidade dos vinhos com uma origem específica, por isso demarcou o sítio.

Ainda é preciso recorrer à história e mais uma vez prometo terminar um texto com «terroir». Este conceito é normalmente atribuído a França. Mas isso é uma ilusão, derivada da criação do vocábulo. Ao longo da história sempre se identificaram locais especiais para a produção de vinho. Um dia, alguém lembrou-se de escrever uma lei para que tal ficasse defendido.

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Douro © Blend All About Wine, Lda

Dizem os portugueses que a primeira região demarcada do mundo é a do Douro, através do alvará régio de 10 de Setembro de 1756, redigido por Sebastião de Carvalho e Melo.

Os italianos argumentam que Chianti é que foi a primeira delimitação, datando de 1716. Por seu lado, húngaros e eslovacos contrapõem que foi Tokaji (Tokay), em 1730. Há argumentos para tudo e os portugueses defendem-se com a especificação pormenorizada e colocação de marcos de pedra.

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Chianti Region in wikipédia.com

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Tokaj Region in wikipédia.com

Ainda assim, a ideia deve ter-lhe ocorrido por causa do tempo em que foi embaixador em Viena. O Sacro Império Romano-Germânico foi um Estado sui generis, formado por uma multiplicidade de países, com graus variados de independência e de monarcas. À data da sua extinção, em 1806, era formado por mais de 400! A Toscânia pertencia ao imperador e fazia parte do «Consórcio». A imperatriz era arquiduquesa de Áustria, país integrante do império, e rainha da Hungria, que ficava de fora desse organismo político.

A Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (Real Companhia Velha) tinha várias funções, desde a instituição, regulamentação, policiamento, exercício de justiça, monopolista da venda… Para defender a região e a autenticidade dos seus vinhos, Sebastião de Carvalho e Melo mandou arrancar vinhas de várias zonas do país.

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Real Companhia Velha logo in realcompanhiavelha.pt

Como tudo o que tem valor é imitado (falsificado), houve cedo a tentação de inventar vinho que não existia. Nas adulterações recorriam a bagas de sabugueiro para tingir o líquido. Assim, o governante decretou que fossem arrancados todos os arbustos que ficassem a menos de cinco léguas (portuguesas) da demarcação.

Curiosamente, existem ainda hoje arbustos a cerca de 33 quilómetros da região – porém, não há vinha. Estavam na fronteira, no limite da legalidade. Quer isto dizer que o vinho do Douro continuou a ser pintado, apesar da proibição. Há pouco tempo escrevi, para a Vida Rural, um artigo sobre Sambucus nigra, planta com inúmeras utilizações, mas que não se dá atenção merecida; os 700 hectares que existem no país representam cerca de 2,2 milhões de euros.

Sebastião de Carvalho e Melo foi um homem do seu tempo. Esclarecido e déspota. Perseguiu e quase exterminou a família dos marqueses de Távora, seus adversários. Citação ilustre acabada de inventar:

– Se serves o Estado e não te serves, não mereces tal estado!

O homem que seria agraciado com o título de conde de Oeiras, em 1759, e marquês de Pombal, em 1769, não deixou de ganhar dinheiro duma forma à época vista com benevolência. Da sua quinta em Oeiras saíram muitas pipas de «vinho do Douro», tal como doutras suas propriedades.

Quando o terroir do Douro tinha características da luz forte do mar próximo de Lisboa, de salinidade e de terra calcária ou barrenta. Terroir…

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Herdade da Malhadinha Nova Coutry House & SPA – Um local onde a qualidade impera!

Texto Olga Cardoso

Situada a poucos quilómetros de Beja, no Baixo Alentejo, a Herdade da Malhadinha Nova é um espaço de lazer e de prazer.

A qualidade está presente em todos os pormenores, mesmos no mais simples…ou aparentemente simples.

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Herdade da Malhadinha Nova – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

Objectos de design, cadeiras e iluminação de Philipe Starck, Charles & Ray Eames ou Mariano Fortuny estão presentes por todo o lado, mas perfeitamente integrados num ambiente rural. A fusão entre design, ruralidade, conforto e elegância, apelam aos sentidos e sentimentos.

Na Malhadinha Nova poderá usufruir de experiências, momentos, sensações ou detalhes, que certamente o levarão a uma segunda visita.

Cozinhar com um chefe conceituado, aprender a arte da fotografia ou da pintura, ou descobrir, de forma intimista, o mundo dos vinhos …. são algumas das experiências proporcionadas aos visitantes.

Aquando da minha visita à Herdade, senti-me recebida de forma principesca, tendo podido participar de um show

Joachim Koerper é apaixonado pelos produtos do sul da Europa, pelos seus sabores, cores, aromas e texturas. A sua filosofia é simples, como todas as coisas boas da vida, utilizar apenas produtos naturais e frescos e trabalhá-los com arte e criatividade.

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Herdade da Malhadinha Nova – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

Por essa razão, o Restaurante da Malhadinha – Wine & Gourmet, integrado no edifício da Adega, oferece uma cozinha de autor, que privilegia os produtos da terra em interpretações modernas. Neste restaurante é sempre feita uma selecção de pratos requintados com sabores e aromas irresistíveis, devidamente acompanhados pelos excelentes vinhos da Herdade.

A enologia está a cargo de Luis Duarte (Enólogo Consultor) e Nuno Gonzalez (Enólogo Residente). Para além de enólogo consultor, Luis Duarte é também um amigo da família. A sua notável carreira está fortemente ligada à Herdade do Esporão, com vários vinhos premiados, tendo sido considerado, por duas vezes, enólogo do ano em Portugal. Hoje em dia é um dos mais renomados enólogos do país, com resultados admiráveis em consultorias a alguns produtores do Alentejo. Nuno Gonzalez, por seu lado, é licenciado em bioquímica, tendo-se especializado em viticultura e enologia. Conta com passagens pela Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos da América e Itália. Em Portugal, reúne no seu currículo grandes casas como a José Maria da Fonseca, Niepoort, Cortes de Cima, entre outras.

Herdade da Malhadinha Nova nasceu de um sonho – o sonho de produzir um grande vinho, de produzir o melhor vinho do mundo.

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Herdade da Malhadinha Nova – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

Para tal contribuem as condições únicas de espaço, a experiência de mais de 10 anos na produção de vinhos e a paixão de toda a equipa envolvida. Daqui nasceu uma notável gama de tintos, brancos e rosés. Cada vinho conta a sua história, à sua maneira.

A diferença e a exclusividade são também marcadas pelos rótulos, frutos da criatividade da geração mais jovem da família Soares. As crianças dão nome aos vinhos e desenharam carinhosamente os seus rótulos.

Os vinhos da Herdade da Malhadinha, elegantes, intensamente frutados e de grande complexidade na boca, são o reflexo de um enorme respeito pela natureza e de toda a paixão e dedicação com que são criados.

Se quiser ler mais sobre alguns desses vinhos, por favor veja este artigo previamente publicado no nosso site.

No que diz respeito ao hotel propriamente dito, o Herdade da Malhadinha Nova Country House & Spa, importa referir que se trata de um espaço que respeita toda a matriz alentejana, região onde está implementado. O sense of place é um valor primordial na Mallhadinha.

Aqui, vivencia-se uma experiência autêntica, onde a qualidade e o requinte da simplicidade imperam.

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Herdade da Malhadinha Nova – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

A decoração dos quartos é inspirada no mobiliário regional alentejano aliado a um design clean que proporciona todo o conforto e tranquilidade. À sua chegada encontrará um prato de fruta da época produzida na Herdade, assim como os amenities da Bvlgari e os ambientadores da marca portuguesa Castelbel, que enfatizam todo o luxo e requinte durante a estadia.

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Herdade da Malhadinha Nova – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

O pequeno almoço é uma experiência que nos acaricia e nos desperta os sentidos. Expostos numa “mesa de dossel” estão variadíssimos produtos de alta qualidade e de uma enorme diversidade de sabores.

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Herdade da Malhadinha Nova – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

As actividades proporcionadas aos hóspedes são muitas e muito atractivas. Desde momentos de relaxamento, no ambiente revigorante e aromatizado do seu Spa, passando por um divertido Jeep Safari pela propriedade, até um emocionante passeio de balão de ar quente na tranquilidade do amanhecer alentejano, tudo é possível na Herdade da Malhadinha.

Sendo um espaço de enoturismo, estão também previstas diferentes provas de vinhos conduzidas pelo enólogo, visitas às vinhas e à adega. Ao longo do ano, vão sendo lançados diferentes pacotes especiais, subordinados a experiências temáticas, tais como aventuras radicais, workshops de gastronomia ou cursos de fotografia.

Na altura das vindimas, são sempre disponibilizados programas especiais que permitem aos clientes viver aquela época especial em pleno. O turismo equestre é também privilegiado pela Herdade da Malhadinha, já que possui coudelaria própria, dedicando-se à criação de cavalos da raça Puro-Sangue Lusitano.

Não tenho dúvidas que a Herdade da Malhadinha Nova tem como principio orientador, a busca da excelência. Em poucos anos de existência, tornou-se não só num dos melhores produtores de vinho nacionais, como também num espaço de enoturismo com qualidade superior.

Contactos
Herdade da Malhadinha Nova
7800-601 Albernoa. Beja – Portugal
Tel: (+351) 284 965 210 / 211
E-mail: geral@malhadinhanova.pt
Website: www.malhadinhanova.pt

Frei João, a Bairrada das Caves São João

Texto João Pedro de Carvalho

De volta às Caves São João para falar do vinho cujo perfil se poderá afirmar como o mais clássico de toda a Bairrada, o Frei João. Para tal convém reavivar a memória e recuar aos idos anos 50 onde a dupla, Luís e Alberto Costa decide começar a seleccionar, comprar e envelhecer vinhos de grande qualidade nas caves da empresa. É desses vinhos que surgiram marcas emblemáticas como os Porta dos Cavaleiros em 1963, ou em 1945 o primeiro Caves São João Reserva Particular. Em 1960 iria surgir o primeiro Bairrada, o Frei João cujo nome serve de homenagem ao frade carmelita Frei João Baptista (Convento de Santa Cruz do Buçaco) um dos primeiros a plantar vinha na região.

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Caves São João logo – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Os primeiros Frei João teriam como origem lotes comprados pelos dois irmãos, junto a produtores da região sendo as Adegas Cooperativas de Mogofres e Cantanhede dois dos principais fornecedores na altura. O Frei João Reserva, ainda em garrafa Borgonhesa, iria nascer na colheita de 1963 e teria o condão de afirmar o seu perfil como o mais clássico de toda a Bairrada. Factores como a tipicidade e a importante consistência geográfica dos lotes adquiridos ano após ano foram determinantes, tal como uma vinificação onde a fermentação com engaço era uma realidade contribuíram para a afirmação ao longo das décadas de um perfil clássico, representativo do melhor que se fazia em toda a região. Nos anos 70 de certo modo assistimos a uma revolução que se manifestou no perfil dos vinhos, na mudança de garrafa do Frei João para bordalesa ou até na própria região com a demarcação da Bairrada em 1979. Em 1972 é adquirida a propriedade Quinta do Poço do Lobo, que com produção própria começa a dar o seu contributo para os lotes aos quais se junta cada vez com maior presença lotes provenientes da zona de Vilarinho do Bairro.

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Frei João – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Um passeio pela história de um ícone da Bairrada, apenas possível realizar nas Caves São João, um local mágico que nos dá este enorme privilégio de poder provar vinhos com mais de 40 anos em perfeito estado de conservação, que não mostram sinais de decadência ou cansaço e que a prova que dão proporciona verdadeiros momentos de glória com alguns dos melhores vinhos que se fizeram em Portugal e no mundo.

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Frei João Reserva 1966 Magnum – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Frei João Branco 1974 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Frei João White 1990 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Frei João Branco 1966: A caminho do meio século de vida com uma complexidade fantástica, muito fechado e a pedir decantação, sério com frescura e profundidade, limpo com rezina, tom melado, vegetal, fruta branca, boa untuosidade com fruto seco a fazer-se notar. Boca com grande frescura a ligar com untuosidade ligeira a envolver o conjunto sempre muito coeso, tenso e com final a mostrar uma surpreendente austeridade mineral.

Frei João Branco 1974: Uma enorme surpresa, arrebatador a todos os níveis e fico com a sensação que terá sido dos melhores da Bairrada provados até à data. Aroma de enorme complexidade, flores amarelas, notas meladas, fósforo, vegetal, aqui o tom de frutos secos menos intenso e mais fino. Boca envolvente com a acidez muito viva, fruto de polpa branca presente e com vivacidade, longo e persistente, amplo, profundo a mostrar garra e a afirmar a sua presença.

Frei João Branco 1990: À primeira impressão o que se pode dizer é que o tempo não passou por ele, tenso, nervoso, cheio de garra com notas de resina e esteva, fruta branca ainda presente. Muita energia, com uma acidez acutilante numa passagem de boca saborosa mas tensa, a mostrar-se ainda austero e com muita vida pela frente.

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Frei João White 1988 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Frei João Reserva 1980 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Frei João Reserva 1966 Magnum: Um vinho que é obrigatório conhecer e provar. Um tinto enorme que exala Bairrada por todos os cantos, dono de grande complexidade onde a fruta (cerejas, framboesas) ainda surge com ligeiro apontamento maduro acompanhada de licor… delicioso, cacau, caixa de charutos, chá preto a dar sensação de secura. Boca de luxo, amplitude, frescura, nervo, grande presença e passagem com frescura e fruta, muita classe em final longo e apimentado.

Frei João Reserva 1980: Um belíssimo tinto cheio de frescura e jovialidade, ampla complexidade marcada pela fruta redondinha e ácida (bagas silvestres) com toques caruma, caramelo, café, esteva, coeso, amplo e muito estruturado, cheio de vigor mas com grande finesse. Boca com sabores vincados, fabulosa acidez, longo final.

Pode ler mais sobre as Caves São João aqui.

Contactos
S. João da Azenha, Ap-1, Anadia
3781-901, Avelãs de Caminho
Frei João
Porta dos Cavaleiros
Tel: (+351) 234 743 118
Fax: (+351) 234 743 000
E-mail: geral@cavessaojoao.com
Website: www.cavessaojoao.com

 

Real Companhia Velha, tão velha que há tanto… – Parte 1

Texto João Barbosa

Há empresas que têm tanta história que lhe parecem faltar anos para encaixar tanto que há para saber. É o caso da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (Real Companhia Velha), criada em 1756. Muito por causa de quem a instituiu. Antes do vinho, vem a história.

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Real Companhia Velha logo in realcompanhiavelha.pt

Há pessoas à frente do seu tempo e, dentre elas, algumas tornam-se maiores do que o tempo. Este privilégio é concedido aos heróis – há também canalhas, mas não são celebrados. É o caso de Sebastião José de Carvalho e Melo.

Calma! Tem mesmo de ser! Prometo terminar o texto com a palavra terroir. Para já, faz de conta que é Setembro – no terceiro capítulo explico.

Nasceu em Lisboa a 13 de Maio de 1699, no seio duma família da baixa nobreza. Nem sequer é claro se chegava a ser morgado ou se o brasão era, de facto, o da sua família – consta que se extinguira e o nosso homem aproveitou a oportunidade para dar uso ao apelido, que era o mesmo e até trocou as suas armas heráldicas. Porém, assumiu em vida esse título e respectivo escudo de Carvalho. Não tinha direito ao uso de «Dom» antes do nome… nem mesmo quando subiu na hierarquia social se refere tal privilégio.

Em 1723 casou-se com Teresa de Noronha e Bourbon Mendonça e Almada. Deu um salto na escala social… mas teve de raptar a noiva, pois à família da senhora parecia-lhe de muito baixa condição… embora fidalgo.

Peripécias importantes na vida dum homem comum, mas quase indiferentes na dum dos maiores estadistas portugueses e europeus. Sebastião de Carvalho e Melo foi soldado e diplomata.

Sebastião de Carvalho e Melo ascendeu a embaixador em 1738, em Londres. Terá sido por aí que terá começado a conhecer a alta-roda europeia. A 14 de Setembro de 1744 «comprou o bilhete premiado do Euromilhões» – tomou posse como embaixador em Viena.

O prémio traduziu-se no casamento, a 13 de Dezembro de 1745, com a condessa Maria Leonor Ernestina Daun. Através dela chegou à arquiduquesa de Áustria, Maria Teresa, chefe da Casa de Habsburgo, casada com Francisco de Lorena, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Maria Teresa de Áustria é uma das grandes figuras do Despotismo Esclarecido e era sobrinha-neta da Rainha de Portugal… Com a morte de Dom João V e a ascensão de Dom José, Sebastião de Carvalho e Melo sobe até onde podia alguém: secretário de Estado, correspondente ao actual cargo de primeiro-ministro.

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Dom João V, pintado por Miguel António do Amaral

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Dom José, pintado por Miguel António do Amaral

Por volta das 9h30 da manhã de 1 de Novembro de 1755 a terra tremeu. Com epicentro Sudoeste do Cabo de São Vicente, um terramoto de grau nove na Escala aberta de Richter (cálculo) devassou o Sul do país e arrasou Lisboa. Como se não bastasse, e além das réplicas, ergueu-se um maremoto, com ondas que talvez tenham chegado aos 20 metros, e um incêndio que durou dias.

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Terramoto de 1755, Lisboa

A Lisboa vieram grandes figuras do iluminismo. Voltaire muito se impressionou com o estado da outrora rica e orgulhosa capital portuguesa, das maiores e imponentes do seu tempo.

O Paço da Ribeira veio abaixo, tal como o novíssimo teatro da ópera, logo ao lado e inaugurado seis meses antes. Decretou o secretário de Estado:

– Enterrai os mortos e cuidai dos vivos!

Sebastião de Carvalho decidiu-se pela modernidade, desde o modo construtivo dos edifícios, à largura das ruas e do seu traçado ortogonal. Mas não se ficou por Lisboa, pois um ano depois fundou uma empresa emblemática e assente num conceito inovador: terroir.

Contactos
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