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Nasce o Cavaleiro do Porto

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Há alguns meses atrás, enquanto passava férias na Grécia, recebi uma carta. Uma carta assinada pelo Sr. George Sandeman. Uma carta um tanto ou quanto inesperada. Dizia que eu iria ser entronizado Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto. Ho…ly…sh*t!

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Pessoas a saltar da ponte Dom Luís I bridge – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Problema número um: Encontrar um bom smoking. E por bom smoking, quero dizer um smoking apropriado. Tipo James Bond. O evento estava agendado para Junho, no Porto, no dia anterior ao início do solstício de Verão. Tendo em conta que esta é a altura com mais movimento a nível de casamentos na Finlândia, um smoking assim tão bom para alugar é difícil de encontrar. Sim, um smoking para alugar. Quem é que compra um smoking?! Bem, voltando ao que interessa, já seria uma grande honra ser sequer considerado pela Confraria, agora imaginem ser aceite. Portanto, sem qualquer momento de hesitação marquei os voos para vir com a minha família a Portugal.

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A Família Sirén em frente ao Palácio da Bolsa – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quando finalmente chegou o dia da cerimónia da entronização a temperatura no Porto estava bem acima dos 30°C. Temperatura incomum até no Porto. Os turistas inundaram a Ribeira, com jovens a saltar da ponte Dom Luís I e montes de bancas da Super-Bock estavam a ser construídas em preparação para o festival de São João. Como finlandês não me posso queixar do calor mas, ter um smoking vestido com um tempo tão quente quase me matou. Por sorte, a caminhada do sítio onde fiquei alojado até ao Palácio da Bolsa, onde a cerimónia iria acontecer, era a descer e curta.

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A percorrer o tapete vermelho – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A cerimónia em si foi muito ilustre. Tapetes vermelhos, vestidos de gala, capas, bandeiras, grandes chapéus pretos com fitas penduradas e ceptros decorados de fazer inveja até ao próprio Gandalf. Quando todos os prestes a ser confrades se sentaram, eu estava no grupo dos primeiros a serem entronizados. Fui chamado ao palco pelo Fiel das Usancas onde o Sr. Sandeman, o chanceler da Confraria, colocou, à volta do meu pescoço, uma fita vermelha e verde com uma tambuladeira pendurada, uma típica taça de vinho do Porto do séc. XVII. Depois de a fotografia ter sido tirada assinei o Livro de Honra da Confraria e o chanceler entregou-me o diploma. Saí do palco feliz e extremamente desidratado. Houve discursos e o Palácio da Bolsa inteiro brindou aos novos confrades com um copo de vinho do Porto. Estava saboroso mas, para ser honesto, naquele momento trocaria o meu copo e a mão que o segurava por grande copo de água gelada.

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Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois da cerimónia, os novos confrades juntaram-se aos antigos e marcharam pela Alfândega, escoltados pela cavalaria da GNR juntamente com uma banda musical. Havia muitas pessoas nas ruas a assistir à parada. Senti-me como se estivesse numa espécie de Jogos Olímpicos do vinho e tivesse acabado de ganhar o grande prémio. Depois fomos em direcção a um terraço perto do rio. O pôr do sol estava lindíssimo, assim como a minha companhia para o jantar e, posso dizer que, beber um copo de vinho do Porto branco, relaxado, nunca soube melhor.

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Vinho do Porto – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A noite continuou com boa comida, excelente companhia e vinhos fantásticos. Não sou grande fã de jantares formais, mas devo dizer que realmente me diverti. Depois de uma mão cheia de pratos e de demasiados copos de vinho foi altura de dar por terminada a noite. Foi um dia quente, longo e definitivamente um dos mais memoráveis da minha vida. O que o tornou ainda mais especial foi a oportunidade de o poder partilhar com a minha família, que sempre me apoiou em todas as minhas escapadelas a Portugal durante os anos.

Depois dei um último gole de Porto e desapareci na noite quente, como um verdadeiro Cavaleiro do Vinho do Porto, para tranquilizar a babysitter.

Vinhos Palato do Côa – sem pressas e com sonho

Texto João Barbosa

Em 2008, Carlos Magalhães, enólogo com prática no Alentejo e na Bairrada, descobriu a Quinta da Saudade, na aldeia de Muxagata, no concelho de Vila Nova de Foz Côa. Conhecendo as aptidões para a produção de vinho de qualidade, desafiou quatro amigos a comprar a propriedade, vindo mais tarde a juntar-se um quinto elemento.

Os seis sócios (Albano Magalhães, Bernardo Lobo Xavier, Carlos Magalhães, João Anacoreta Correia, João Nuno Magalhães e Manuel Castro e Lemos) propuseram-se atingir um patamar elevado: «criar serenamente os melhores vinhos do Douro».

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Os seis sócios in palatodocoa.pt

Obviamente que os desejos são partilhados por muitos, pelo que só fica bem pretender atingir o topo. Se todos visarem a excelência e daí nascer uma saudável competição, o resultado será um contínuo trabalho para valorização das marcas, da região e do país.

O Douro Superior não é fácil de aturar… É bastante frio no Inverno e no Verão tem as portas abertas para o Inferno. Porém – talvez por as videiras serem masoquistas – esta sub-região dá a nascer vinhos com grande reconhecimento dos consumidores, da crítica nacional e internacional.

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As vinhas in palatodocoa.pt

Carlos Magalhães afirma-se apaixonado pela Borgonha e que tem o sonho dos seus vinhos terem esse padrão. Não me parece fácil, devido às condições naturais dessa região francesa e as do Douro. Mas ele é que é o enólogo e conhece as suas uvas, os solos da quinta e o clima do local.

A Quinta da Saudade tem 7,5 hectares agricultados com vinha, com umas dezenas de anos. Aos quais se somam 8,5 hectares plantados recentemente. As variedades brancas são as tipicamente durienses rabigato, viosinho e códega de larinho. As tintas são as touriga franca, touriga nacional, tinta roriz e alicante bouschet.

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As uvas in palatodocoa.pt

A verdade é que os vinhos Palato do Côa apresentam-se com frescura. Os de entrada de gama mostram-se frescos e são vinhos bem-feitos, sem vaidades injustificadas. Ficam bem numa refeição em família, em que não visitas para qualquer cerimónia, ou para um convívio entre amigos, em que a efervescência da amizade não mata o vinho, nem este causa transtorno para divergir as conversas para críticas enófilas.

O Palato do Côa Reserva Tinto 2011 já exige mais atenção, que o ponham na mesa quando os sogros forem jantar lá a casa.

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Palato do Côa Reserva in palatodocoa.pt

Guardar vinhos para ocasiões especiais torna-se muitas vezes injusto, para o vinho e para o enófilo. Todavia, há vinhos que têm de ser bebidos já, antes que a juventude se consuma e restem apenas cinzas no «tal dia» em que a rolha sai da garrafa.

O Palato do Côa Escolha Tinto 2011 e o Palato do Côa Grande Reserva Tinto 2011 estão num patamar onde é difícil entrar. Tanto um como outro são belíssimas ofertas ao médico que nos operou ou aos sogros, no jantar de apresentação. Neste último caso, é precisa moderação para não os habituar «mal».

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Palato do Côa Escolha in palatodocoa.pt

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Palato do Côa Grande Reserva in palatodocoa.pt

Em Portugal diz-se – desconheço se noutros países e idiomas – que o Natal é quando um homem (ser humano) quiser. Por isso, que se bebam no Natal, tendo em atenção à temperatura de serviço e ao companheiro que espera no prato.

Fora de brincadeiras, os Palato do Côa Escolha Tinto 2011 e o Palato do Côa Grande Reserva Tinto 2011 devem ser poupados ao tempo quente, nos países com um Verão para escaldões. Pedem comida robusta e ar condicionado… pois que o Natal seja quando um homem quiser, mas não no tempo quente. Tanto um como outro merecem repousar algum tempo, no escuro e com temperatura acertada.

Contactos
Quinta da Saudade
Muxagata, Vila Nova de Fóz Côa

Albano Kendall Magalhães​
Email: akmagalhaes@palatodocoa.pt
Tel: +351 939 363 890

Carlos Magalhães
Email: carlosmagalhaes@palatodocoa.pt
Tel: +351 964 246 161

Website: www.palatodocoa.pt

Taberna Típica Quarta-Feira

Texto José Silva

Num dos muitos rendilhados de ruelas estreitas de Évora, encontramos a rua do Inverno.

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Rua do Inverno – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas a casa de bem comer de que vamos à procura irradia calor humano durante todo o ano: é a Taberna Típica Quarta-Feira.

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Taberna Típica Quarta-Feira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Espaço pequeno, rústico, castiço, uma sala airosa, bem arrumada, e um simpático balcão com um arco de tijolo ocre, por detrás do qual está a cozinha.

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Taberna Típica Quarta-Feira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mesas bem postas e garrafas de vinhos alentejanos um pouco por todo o lado. Pelo ar já pairam aromas de tempêros alentejanos, fáceis de identificar.

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José Dias – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A Taberna Típica Quarta-Feira é dirigida pelo José Dias, Zé Dias para os amigos, um beirão nascido no Sabugal em 1948. Em 1964 foi para Évora para uma tipografia e por ali se radicou. Até que, há 25 anos atrás, abriu o restaurante, depois de ter tido café e cafetaria.

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D. Luísa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na cozinha está a D. Luísa, natural de Monte do Trigo, em Portel, que veio para Évora há 24 anos. Conheceram-se através duma irmã dela e, como cozinhava muito bem, o Zé Dias já não a deixou fugir do restaurante onde comanda a cozinha desde então. Ali pratica-se cozinha tradicional alentejana. O borrego assado no forno e o esparregado são uma referência. A jovialidade e simpatia do Zé Dias fazem o resto.

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Os vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Já dentro do restaurante, apreciamos muitos dos vinhos ali expostos, alguns já desaparecidos do mercado há muito, mas que o Zé Dias vai guardando e gerindo, para que possam ser apreciados pela vasta clientela da casa, que vem um pouco de todo o país, com muitos estrangeiros à mistura, que a fama foi-se espalhando. O Zé Dias recebe-nos, senta-nos à mesa, orienta-nos naquilo que havemos de comer, faz pedidos à cozinha, abre garrafas de vinho e acima de tudo diverte-nos com as suas muitas e muitas histórias, pejadas de personagens muito interessantes. Mas que o Zé Dias trata por igual, com simpatia e hospitalidade.

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Pão Alentejano – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Presunto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Já sentados à mesa, veio excelente pão alentejano, para acompanhar o presunto muito fininho e paio de porco preto delicioso.

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Paio de Porco Preto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Cogumelo Recheado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E um enorme cogumelo recheado, servido bem quente.

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Esparregado & cachaço de porco preto assado © Blend All About Wine, Lda

Um arroz soltinho e o tal esparregado fantástico, com ligeiro toque de vinagre, fizeram muito boa companhia a um cachaço de porco preto assado no forno com batatinhas aloiradas aos cubos, tudo bem quente. Na mesa fez-se silêncio. O vinho branco e tinto da casa, da responsabilidade do Paulo Laureano (pode ler um artigo de Sarah Ahmed sobre Paulo Laureano aqui), foi escorrendo pelos copos.

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Bolo de Bolacha © Blend All About Wine, Lda

Para sobremesa veio uma encharcada e uma espécie de bolo de bolacha, de confecção própria, uma gulodice irresistível. Mas também havia uma cerejas carnudas do Fundão, acabadas de chegar.

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Cerejas © Blend All About Wine, Lda

Lá se foi a dieta!!

A despedida do Zé Dias é sempre: “Até á próxima!”

Contactos
Rua do Inverno, 16 – 18
7000 – 599 Évora
Portugal
Tel: (+351) 266 70 75 30

João Portugal Ramos

Texto João Pedro de Carvalho

João Portugal Ramos licenciou-se em Agronomia pelo Instituto Superior de Agronomia em 1977. Estagiou no Centro de Estudos da Estação Vitivinícola Nacional de Dois Portos, após o que iniciou em 1980 no Alentejo a actividade de enólogo-gerente da Cooperativa da Vidigueira. Sairia passado pouco tempo, passando pela Casa Agrícola Almodôvar onde em 1982 ganha o prémio de Melhor Vinho na Produção com o tinto Paço dos Infantes 1982. Daria o salto para a Adega Cooperativa de Reguengos de Monsaraz onde ajudou a criar a marca Garrafeira dos Sócios. A partir da experiência acumulada, João Portugal Ramos constituiu no final da referida década a sua primeira empresa de nome Consulvinus com o objectivo de dar resposta às inúmeras solicitações de vários produtores, no seu percurso de glória criou alguns dos míticos Tapada do Chaves, Quinta do Carmo ou Cooperativa de Portalegre. A partir de 1989, a Consulvinus alargou a sua actividade para além do Alentejo, chegando ao Ribatejo, Península de Setúbal, Dão, Beiras, Estremadura e Douro.

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A Adega © Blend All About Wine, Lda

 

Em 1990, João Portugal Ramos plantou os primeiros cinco hectares de vinha em Estremoz, onde vive desde 1988, dando início ao seu projecto pessoal. A construção da adega em Estremoz, no Monte da Caldeira, iniciou-se em 1997, tendo sido ampliada em 2000. O sucesso e os prémios acumulados pelos “seus” vinhos ao longo da sua carreira valeram-lhe o reconhecimento nacional e internacional como um dos principais responsáveis pela evolução dos vinhos portugueses. Fruto da sua mestria têm nascido alguns dos grandes vinhos de Portugal, muitos deles ainda feitos em talha, vinhos que fazem parte da história e que têm tido a capacidade única de marcarem tanto percurso enófilo como foi o meu caso. Os exemplos são vários e na sua quase totalidade, incluindo os da década de 80, ainda mostram uma invejável forma na hora da prova.

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A gama de vinhos © Blend All About Wine, Lda

 

Muito recentemente face aos pedidos do mercado investiu nos Vinhos Verdes, já antes tinha no Douro juntamente com o enólogo José Maria Soares Franco criado o projecto Duorum. Passados 13 anos sem lançar uma nova marca de vinho alentejano, tirando os topos de gama, criou a marca Pouca Roupa com um enorme sucesso de vendas. Como tem vindo a ser hábito e não podia ser de outra forma, são os consumidores a ditarem o sucesso deste nome incontornável da enologia.

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Vila Santa Reserva 2012 & Vila Santa Reserva 2009 © Blend All About Wine, Lda

Na mais recente visita à adega e em animada conversa com o Engº João Portugal Ramos, foram colocadas em prova as mais recentes colheitas no mercado com um destaque para os brancos de 2104 que brilham alto fruto de um ano de excepcional qualidade. Foi proposto logo de início provar lado a lado a colheita mais recente com uma colheita anterior onde se começou pelo Vila Santa. O Vila Santa tinto nasceu na colheita de 1991, na altura ainda feito em talha, afirmando-se desde muito cedo como uma das grandes relações preço/satisfação existentes em Portugal. A qualidade assegurada colheita após colheita num perfil que tendo sofrido os necessários ajustes mas onde se tem sabido preservar o “estilo” Vila Santa que tanto prazer dá quando em novo como o 2012 ou mesmo com uns anos em garrafa como tão bem se mostrou o 2009.

De seguida provamos os Quinta da Viçosa, a meu ver os vinhos mais irreverentes do produtor e que nos oferecem a cada colheita o blend das duas melhores castas. Em prova o Quinta da Viçosa 2012 (Aragonês/Petit Verdot) e o 2011 (Touriga Nacional/Cabernet Sauvignon). Nota-se acima de tudo o cunho bem pessoal do enólogo, o espaço de destaque que a fruta ganha, limpa e sempre fresca, desempoeirada e inserida num conjunto sempre com bastante vigor, o tal vigor que permite sem exageros prolongar todos os seus vinhos numa linha de tempo muito acima da média. Quanto aos vinhos, o 2012 ainda muito vigoroso, demasiado novo o que me faz inclinar para o 2011, aquele travo de Cabernet Sauvignon a fazer lembrar Bordéus conquista-me no imediato, embora os dois ainda muito novos e a precisar de tempo em garrafa. Para estes dois tintos a escolha seria óbvia, carne de porco ou novilho com bom tempero, ligações com javali, veado ou caça grossa serão sempre vencedoras.

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Marquês de Borba Reserva 2012, Estremus 2001 & Quinta da Viçosa 2007 © Blend All About Wine, Lda

A fase final da prova contou com a presença daquele que é um dos “novos” clássicos do Alentejo, o Marquês de Borba Reserva que desde que saiu pela primeira vez na colheita 1997 conquistou por direito próprio lugar entre os grandes vinhos da nação. A evolução deste vinho é algo notável, comprova-se provando o 1999 que está num momento de forma magistral e ainda com muita vida pela frente. Terá sido este 1999 o melhor de todos até à data para o seu criador, eu irei juntar ao 1999 o 2012. Embora o 2013se encontre em momento pré-escolar a prova que dá é de um vinho ainda na fase de arrumos, tudo muito espalhado, muita caixa por abrir, precisa de tempo. Enquanto isso o 2012 já se mostra algo mais esclarecido, dá mostras de um conjunto luxuoso ao qual não se consegue ficar indiferente. A envolvência entre fruta/madeira confere um elevado grau de sensualidade e elegância ao vinho, no palato confirma tudo o que tem vindo a ser dito. Por esta altura são os pratos mais nobres e delicados que brilham, uma Perdiz Estufada é o casamento perfeito.

Para o final fica aquele que é de momento o topo de gama do produtor, o Estremus 2011, ainda que se tenha tido um vislumbre do que será a sua nova edição. Mas é no 2011 que as atenções se prendem com razões de sobra para que tal aconteça, o vinho que nem sequer nasce em vinhedo velho é um monumento de classe e raça. Muita finesse com a fruta num patamar de definição e frescura muito acima da média, no fundo sente-se a pujança e nervo de um grande vinho, um gigante adormecido com muitas alegrias para dar nos tempos futuros. A prova que dá esbarra numa saudável austeridade no palato, os tais taninos que ainda não se acomodaram, no nariz a cada rodopio no copo a complexidade vai-se desenrolando. Mais uma vez a enologia de João Portugal Ramos a conseguir lançar um vinho grandioso, como tem sido seu costume ao longo das últimas três décadas. Uau.

Contactos
João Portugal Ramos Vinhos S.A.
Vila Santa
7100-149 Estremoz
Portugal
Tel: (+351) 268 339 910
Fax: (+351) 268 339 918
Website: www.jportugalramos.com

Vinhos do Monte da Raposinha

Texto João Barbosa

Era uma vez uma raposa, animal omnívoro, que passou sob uma videira onde estavam pendurados uns belos cachos. A Vulpes vulpes tinha fome e bem se jogou a elas, mas não as alcançou. Derrotada, mas orgulhosa, exclamou:

– Estão verdes!

Essa é a da estória de Esopo. Mas há mais raposas e mais uvas. Em Montargil há umas vinhas só para raposinha. A propriedade é a Herdade da Raposinha, mas trata-se de topónimo recente, visto ser uma homenagem à actual proprietária, Rosário Sousa Ataíde.

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Monte da Raposinha in montedaraposinha.com

Este território de 150 hectares está na família de Rosário Ataíde desde o século XVIII, mas o cultivo da vinha é recente. Aliás, em Montargil só há dois produtores, de acordo com Nuno Ataíde, juiz no Tribunal da Relação do Porto, que deu vida ao sonho enófilo do sogro.

Pedro Sousa, médico em Coimbra, não chegou a provar os vinhos da Raposinha. Até 2004, o Monte da Raposinha era usada para fins lúdicos, embora com pomar, olival, sobreiral e pinhal. Nuno Ataíde mandou plantar dois hectares, depois mais cinco e sete em 2014.

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Monte da Raposinha in montedaraposinha.com

A gestão da casa agrícola está a cargo de João Nuno Ataíde, um dos três filhos do casal. Na enologia manda Susana Esteban – já se sabe que com mão certa. A colheita de 2007 foi a primeira a ser posta à venda, em 2008.

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As vinhas in montedaraposinha.com

Os dois primeiros hectares foram cultivados com touriga nacional, aragonês e trincadeira, em partes iguais, especifica João Nuno Ataíde. Actualmente em produção estão as castas touriga nacional (1,5 hectares), syrah (1 ha), aragonês (1ha), trincadeira (0,5 ha), arinto (1,25 ha), chardonnay (0,75 ha), antão vaz (0,6 ha) e sauvignon blanc (0,4 ha). As castas plantadas no ano passado foram alicante bouschet, touriga nacional e syrah. Cerca de 40% do vinho faz-se com uvas compradas.

Nuno Ataíde afirma que «começou quase com o pêlo do cão e depois de começar a fazer contas». O produtor diz ainda não querer fazer contas. O objectivo quantitativo é atingir os 100.000, a capacidade instalada da adega. Hoje exporta cerca de 60% da produção, sendo todo o vinho classificado como Regional Alentejano.

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A adega in montedaraposinha.com

O Alentejo é todo quente, mas Montargil fica num Alentejo abundante em água, uma mais-valia para quem precisa de matar a sede às culturas. Até 2014, as vindimas começaram sempre em Agosto.

Ora os vinhos:

Num traço geral refiro que têm a mão segura de Susana Esteban. Volta e meia surge a questão se os vinhos de enóloga são femininos… se há vinhos femininos feitos por homens. O modo de estar será diferente, penso que as diferenças não estão no género, mas na personalidade.

Susana Esteban faz vinhos femininos? Não sei. Sei que faz certos, prazenteiros, elegantes e diferenciados. Esta enóloga não usa uma forma para fazer vinho. Faz os lotes com base nos moldes da natureza. Não falo em terroir – isso dá para teses de doutoramento e longas conversas nos serões de Inverno – mas em natureza.

O «chapa quatro» de Susana Esteban é não haver «chapa quatro». Mas há uma assinatura, recuso o termo «feminino», mas elegante. Teimo em acreditar que as obras tendem a reflectir a personalidade dos autores. Mal conheço a enóloga, mas a impressão que tenho é duma mulher que sabe o que quer e com tranquilidade de muita classe.

A elegância é transversal desde os Monte da Raposinha (tinto 2012 – touriga nacional, alicante bouschet, syrah e aragonês  – e branco 2013 – arinto e antão vaz), ao Athayde Reserva Branco 2013 (chardonnay e sauvignon blanc), Athayde Grande Escolha Tinto 2011 (syrah, touriga nacional e alicante bouschet) até ao Furtiva Lágrima 2010 – nome da ária «Una furtiva lagrima», da ópera «O elixir do amor», de Gaetano Donizetti – um lote de alicante bouschet, syrah e touriga nacional.

Contactos
Estrada do Couço, S/N
7425 – 144 Montargil, Portalegre
Portugal
Tel: (+351) 919 860 902
Email: geral@montedaraposinha.com
Website: www.montedaraposinha.com

A História do Esporão e os seus vinhos

Texto João Barbosa

Reguengos de Monsaraz está a 170 quilómetros do litoral oceânico. Durante séculos, talvez milénios, um nevoeiro naquela zona alentejana terá sido fenómeno raríssimo. A construção da Barragem de Alqueva, no rio Guadiana, criou o maior lago artificial da Europa – há quem discorde – tornou frequentes as névoas.

Não vou entrar – nem sinteticamente – no elencar de vantagens e desvantagens da construção da represa, em termos económicos, ambientais e sociais. Só refiro que a água tem permitido regar as vinhas, que se multiplicaram por todo o Alentejo. O empreendimento foi falado pela primeira vez em meados da década de 60 e o projecto empresarial da Herdade do Esporão «arrancou» em 1973 – entre aspas, porque levou anos adiado por razões externas à vontade dos empresários.

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Esporão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O Esporão começou por ser «uma fantasia» de Joaquim Bandeira, que viu além e quis plantar uma grande vinha no Alentejo. Desafiou José Roquette, que deixou a banca para abraçar a nova empresa.

A ditadura caiu em 1974 e, em 1975, o Governo reforçou a ideia de construir a barragem, ainda que passassem décadas até que fosse erguida. Também nesse ano, a Herdade do Esporão foi ocupada, no âmbito da Reforma Agrária. Em 1978 a propriedade foi devolvida, ainda que com a obrigatoriedade de ter de vender as uvas à cooperativa local.

ADN com mais do que vinho

Antes de entrar na prosa dos vinhos quero referir um aspecto que considero altamente relevante no mundo dos negócios, que é a responsabilidade social, em vasto censo. Seja no apoio directo à arte ou ao património humano, à cultura e ao ambiente, Herdade do Esporão tem no ADN querer ser mais do que uma vinícola.

Em 1985 aconteceu a primeira vindima que daria corpo ao primeiro vinho com marca própria, que sairia em 1987. O primeiro filho foi Reserva Tinto e, desde essa primeira edição, que os rótulos apresentam uma obra de arte. O consagrado João Hogan foi o escolhido para a estreia, mas, infelizmente para a empresa, o quadro não reside na colecção.

No âmbito da cultura, refira-se a preservação da Torre do Esporão, uma pequena fortificação medieval, a preservação do achado arqueológico na Herdade dos Perdigões (comprada em 1995, sendo o achamento do sítio acontecido em 1996), datado de entre os IV e III milénios Antes de Cristo – quantos empresários suportariam militante e financeiramente o que se poderia considerar como contratempo indesejável.

Em 2006, João Roquette assume a chefia da casa, que inicia uma reestruturação e replantio das vinhas e adopta uma política ambiental no sentido da recuperação e recriação de habitats, pondo a natureza a trabalhar e poupando em tratamentos de fitofármacos.

Outra acção de recolocação no «sítio» é a nova adega, recentemente finalizada, construída em taipa – método abandonado e praticamente esquecido. Muitas adegas alentejanas eram construídas desse modo e por alguma razão era: frescura. A terra, cascalho e madeira permitem um continuado arejamento e regulação da temperatura… ou seja, economia em energia.

Os protagonistas

Os vinhos não são o pretexto da empresa. As preocupações é que são resposta ao impacto que actividades agrícolas ou industriais implicam. Vêm agora para a conversa dois tintos – com obras de Alberto Carneiro – e dois brancos.

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Esporão Reserva tinto 2012 – Foto de Esporão | Todos os Direitos Reservados

O Esporão Reserva Tinto 2012 é um tiro de canhão, com os seus 14,5% de álcool. Dito assim poder-se-á pensar que é pesado. Errado! É um vinho com frescura. Aliás, a experiência da empresa e sucesso desta referência mantém-na num patamar de fiabilidade e prestígio. Fez-se com uvas de alicante bouschet, aragonês, cabernet sauvignon, trincadeiras, entre outras. Está equilibrado em fruta e madeira e promete viver durante uns bons anos.

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Esporão Private Selection tinto 2011 – Foto de Esporão | Todos os Direitos Reservados

O Esporão Private Selection 2011 está num patamar acima, incluindo na perspectiva de longevidade. É um vinho com um maior estágio em madeira, sendo ela 70% de carvalho americano. Tem taninos com garra e elegância, fundura de boca, uma agradável relação de frescura e calor, e final longo.

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Esporão Verdelho 2014 – Foto de Esporão | Todos os Direitos Reservados

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Esporão Duas Castas – Foto de Esporão | Todos os Direitos Reservados

O Esporão Verdelho 2014 traz frescura e tem garra. Não duvido que irá ligar muito bem com as comidas mais leves. Se o vinho anterior expressa a casta, o Esporão Duas Castas mostra além das variedades, exemplifica os locais onde as cultivares arinto (60%) e gouveio (40%) têm as raízes enterradas. Mais uma vez, tem frescura e agarra-se ao enófilo.

Contactos
Herdade do Esporão
Apartado 31, 7200-999
Reguengos de Monsaraz
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Os Vinhos Velhos da Casa de Paços

Texto José Silva

A Casa de Paços é uma casa com grande tradição nos vinhos verdes, cuja produção é dividida entre a propriedade de Barcelos e uma outra em Monção.

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A casa mãe – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A casa mãe da Casa de Paços, em Barcelos, foi remodelada, mantendo a traça original, com muito rigor, tendo agora condições para eventos, almoços e jantares de grupos e para provas de vinho.

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Prova de Vinhos, Silva Ramos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Como aquela que recentemente pai e filho Silva Ramos organizaram para alguns felizardos, entre os quais estive incluído.

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Beleza tradicional da casa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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As novas vinhas que estão a ser plantadas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Deu-se um passeio pela beleza tradicional da casa e do seu exterior, com uma vista de olhos às novas vinhas que estão a ser plantadas, as grossas paredes de granito, o alpendre e a estrada que ali passa.

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O Alpendre – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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A estrada que ali passa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois sentamo-nos à mesa para iniciar uma deliciosa viagem por todas as classes de vinhos desta casa. Com uma grande diferença para provas normais: ali estavam algumas colheitas com vários anos em garrafa, vinhos antigos, que nos haviam de trazer boas surpresas e muito prazer a bebê-los. A que se juntaram algumas colheitas mais modernas que permitiram fazer a comparação.

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Provaram-se 39 vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Provaram-se 39 vinhos de sete categorias, numa verdadeira maratona vínica. Houve vinhos que já estavam no fim de vida, houve vinhos que ainda se bebem muito bem e houve alguns que estão ainda cheios de força.

Da linha Casa de Paços Loureiro/Arinto o 2005 apresentou-se muito limpo, nariz elegante, alguma evolução, notas de frutos secos, de melão, acidez fantástica, redondo, bebe-se com muito prazer. E é de 2005!! Mas o Casa de Paços Loureiro/Arinto 2008 foi a grande surpresa. Amarelo torrado, mais evoluído, esteve muito elegante no nariz, sedoso, ainda muito fresco e com alguma fruta. Bom volume de boca, óptima acidez, intenso, notas de mel, cheio de complexidade e final ainda longo. Um grande vinho. A colheita de 2011 apresentou-se com muita mineralidade, boa acidez, consistente e o de 2012 também, seco, com boa acidez e ainda alguma fruta, muito bom.

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Casa de Paços Loureiro&Arinto 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As duas colheitas mais recentes deste Casa de Paços Loureiro/Arinto estiveram em grande forma: 2013 com nariz muito fresco, extremamente floral, notas tropicais ligeiras, acidez vibrante e óptima mineralidade, o 2014 com fruta muito boa, muito elegante, fresco. Na boca é envolvente, leve, boa acidez, um vinho branco moderno. Na linha Casa de Paços Arinto veio uma das grandes surpresas, o 2004. Amarelo torrado, âmbar. Muito evoluído, elegante, notas de querosene. Na boca está incrivelmente intenso, com uma acidez poderosa, frutos secos, mel, complexo, notável para um vinho verde com 10 anos!! Também o Casa de Paços Arinto 2011, com notas ligeiras de baunilha, alguma frescura, muitíssimo elegante. Cheio de estrutura na boca, seco, óptima acidez, ainda fragrância de baunilha, pêssego, pêra, muito bom.

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Casa de Paços Superior 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os três vinhos Casa de Paços Superior em prova – 2010, 2011 e 2013 – estiveram muito bem, com destaque para o de 2013 que se apresentou ainda muito jovem, suave, fresco. Muito elegante na boca, excelente acidez, algum tropical, redondo, um vinho moderno e divertido. Seguiram-se os Capitão Mor Alvarinho, com um 2005  surpreendente, dum amarelo citrino muito limpo, alguma evolução, elegante. Ainda com fruta, intenso, muito boa acidez, bebe-se com prazer. O seu irmão mais novo de 2012 estava fresco, redondo, notas adocicadas, fruta branca, alguma compota. Boa acidez e frescura, algum tropical num vinho ainda a evoluir mas que já se bebe muito bem. O benjamim dos Alvarinhos, de 2013, está muito floral, ligeiramente tropical, intenso, fresco. Na boca é seco, bela acidez, notas adocicadas, citrino e levemente mineral. Um vinho moderno muito equilibrado.

Vieram então os Morgado do Perdigão Loureiro/Alvarinho. As colheitas de 2004 e de 2005 estavam de boa saúde, o primeiro dum amarelo torrado muito limpo, ligeiramente evoluído mas elegante e fresco, ainda com fruta, notas de frutos secos, acidez muito equilibrada e final muito longo. O 2005 apresentou-se amarelo citrino, muito limpo, suave, fresco, notas levemente adocicadas e óptima acidez, pleno de equilíbrio. O 2008 está delicioso, intenso, ligeiramente evoluído, notas de frutos secos e com uma boca cheia, volumosa, seco, excelente acidez, muita complexidade, grande vinho. Mais uma curiosidade que também foi uma surpresa, os Reserva Capitão Mor em garrafas magnum.

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Reserva Capitão Mor em garrafas magnum – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Destacou-se a colheita de 2008, suave e fresco no nariz, exótico na boca, elegante, com muito boa acidez, notas de frutos secos mas ainda jovem para um vinho desta idade. Esteve também muito bem o 2013, dum amarelo citrino cristalino, aromas tropicais intensos, fresco e levemente floral. Na boca é muito elegante, mantém a frescura associada a uma boa acidez, persistente, com um final longo.

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Casa de Paços Fernão Pires – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Casa de Paços Fernão Pires 2008 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalmente vieram os Casa de Paços Fernão Pires com algumas boas surpresas. A começar pelo mais velho, de 2008, já dum amarelo torrado muito bonito, com notas de evolução no nariz, mas muito requintado, algum mel e compota. Na boca é complexo, com acidez muito equilibrada, notas ligeiras de marmelada, um final longo, um belo vinho. O 2012 também esteve muito bem, ainda muito frutado e com notas florais e de compota, na boca tem volume, notas de alperce e pêra cozida, acidez muito equilibrada, que rico vinho. Finalmente o Casa de Paços Fernão Pires 2014 é um vinho moderno, com nariz intenso de aromas tropicais e flores. Ainda muito jovem, tem bela acidez a contrastar com alguma doçura, elegante, com óptimo final.

No geral todos os vinhos se bebiam bem e nenhum estava estragado, mesmo os que já estavam no fim de vida útil.

Uma prova excelente, muito bem organizada, muito didática.

Contactos
R. José de Carvalho, 68
4150-439 Porto
Tel: (+351) 968 018 145 – Dr. Silva Ramos
Fax: (+351) 226 101 838
Email: quintapacos@gmail.com
Website: www.quintapacos.com

Frescuras: Os novos vinhos 2014 da José Maria da Fonseca

Texto João Barbosa

Estou tão fartinho do calor e o Verão ainda agora começou. A rua, de onde escrevo, é fresca… bem, diria que é o frigorífico do Inferno. Mentalmente – porque alguém tem de ficar em Lisboa a tomar conta da cidade quando sai toda a gente – estendi a toalha na areia e já dei umas quantas cabeçadas no oceano, para refrescar ideias e congelar chatices.

Escrevo à luz ténue do fim da tarde. Como sempre, esta época e este momento põem-me num tempo que não volta. Oiço os GNR, e relembro que «aos 16 já falta pouco para sentir 86». Certezas e não nostalgias.

Algumas certezas dão conforto. Quando penso nos meus 16 lembro-me de várias praias, porque as férias de Verão eram mesmo grandes. Em Junho ia para Sesimbra e mentalmente faço a estrada e «o agora» pára o meu veículo invisível à passagem por Azeitão.

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José Maria da Fonseca 2014 Wines – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

Porque é Verão. Porque dali chegaram-me os novíssimos 2014. Vinhos prontos para enfrentar o calor e desfrutar o estio. Frescos e escorregadios. Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2014, Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo 2014, Quinta da Camarate Branco Seco 2014, Quinta de Camarate Branco Doce 2014, Periquita Branco 2014 e Periquita Rosé 2014 – além do BSE, que já foi referenciado anteriormente.

A apresentação decorreu no By The Wine José Maria da Fonsecaum local que me lembra algumas antigas casas de pasto – não eram nem tabernas nem restaurantes – e que se situa na Rua das Flores, paralela à Rua de Alecrim, entre os turísticos largos do Cais do Sodré e do Camões. Cito o estabelecimento, pois nele se pode conhecer, através de imagens, algum do passado desta firma histórica.

O ano de 2014 ficará marcado, em Portugal, pela morte de Eusébio, craque do futebol da década de 60, e, no mundo, pelo «não» dos escoceses à independência. As pessoas do vinho guardarão um tempo de «ora bolas»! Estava tudo a ir tão bem até que chegou a chuva.

Porém, não foi uma catástrofe. Um dos aspectos positivos é a frescura dos vinhos cujas uvas foram vindimadas antes da chuva. É o caso destes apresentados pela firma de Azeitão. Como em tudo, há aspectos positivos e outros que nem tanto. Aqui, o menos aprovado é assunto subjectivo. Substantivos são a frescura e o acerto do tiro ao coração do Verão.

Quinta de Camarate Branco Seco 2014 uma junção de uvas alvarinho e verdelho, é sensual no nariz e mostra frescura, pede comida. Para as noites estivais.

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Quinta de Camarate Seco white 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

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Quinta de Camarate Doce white 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

Quinta de Camarate Branco Doce 2014 não me atrai. O problema é exactamente ser doce. Fez-se com uvas das castas alvarinho e loureiro. Porém, apresenta-se como uma alternativa, nos aperitivos, a brancos generosos ou a vermutes.

Os dois Periquita podem ir juntos para a mesma festa. O Periquita Branco 2014 junta alvarinho, viosinho e viognier e é para ser posto à mesa com as comidas leves do Verão. Antes, os amigos em calções e chinelos flik-flak divertiram-se com o Periquita Rosé 2014.

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Periquita white 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

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Periquita Rosé 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

Quem deve estar na brincadeira no seu ofício e a firma José Maria da Fonseca não brinca, não há vinhos sério e vinhos de faz-de-conta. Isto, porque tenho de escrever que os dois vinhos restantes são «mais a sério». Ou seja, trata-se de retórica.

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Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

O Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2014 é um carro-de-assalto ao Verão…

– Xô, calor! Xô! Ide para longe!

O Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo Rosé 2014 vem, na sequência das edições anteriores, a pregar sustos à temperatura. Ainda assim, digo que não é «o meu vinho». Tenho de assinalar um aspecto: os vinhos Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo têm sido muito celebrados, quer pela crítica, quer pelo público. Perante isso, faço vénia e assumo que o problema só pode estar em mim, não acredito em conjuras siderais… e logo contra o paladar dum simples mortal.

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Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo Rosé 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

Um generoso também no Verão

Os vinhos Moscatel de Setúbal são, infelizmente, pouco conhecidos. A maioria é consumida na sua região de origem. É pena, pois distinguem-se dos mundialmente famosos Porto e Madeira.

A firma José Maria da Fonseca apresentou o Alambre 2010, que estagiou em madeira usada. É certeiro no agrado, seja para começar ou arrumar com a sobremesa. A empresa sugere que entre em cocktails; só com gelo; com ginger ale e casca de limão; com água com gás…

Contactos
Quinta da Bassaqueira – Estrada Nacional 10,
2925-542 Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, Portugal
Tel: (+351) 212 197 500
E-mail: info@jmf.pt
Website: www.jmf.pt

Vim, Vidigueira, Venci: Os vinhos de Paulo Laureano

Texto Sarah Ahmed | Bruno Ferreira

Ainda não tenho a certeza se, quando lhes mostrei esta foto, o meu grupo sommelier ficou aliviado ou deasapontado por não ter conhecido o português detentor do título de melhor bigode na indústria de vinho portuguesa, Paulo Laureano. Como observou friamente um deles, “ele parece tímido”. Nesta foto até um pouco “louco”, mas isso está longe da verdade – posso assegurar-vos que Paulo Laureano é tão equilibrado quanto os seus vinhos ou até como as pontas pontas enceradas do seu bigode.

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Paulo Laureano no barbeiro – Foto de Paulo Laureano | Todos os Direitos Reservados

O enólogo não teve possibilidade de nos mostrar os seus vinhos pessoalmente porque estava no Brasil à procura dos mercados. Mas, no que toca aos vinhos feitos debaixo do nome da sua marca (faz bastante consultadoria), o seu foco é a terra natal. Não só nas castas portuguesas autóctones (incluindo o único tinto monovarietal de Tinta Grossa), mas também na região onde nasceu, o Alentejo.

Devido à popularidade desta região sulista, quente e seca entre os compradores de supermercado, o Alentejo é mais conhecido no Reino Unido pelos tintos suaves, abordáveis e frutados. Não é de todo conhecido pelos seus brancos. Por isso é que foi uma surpresa para o meu grupo, descobrirem que a Vidigueira, a sub-região mais a sul da DOC Alentejo, era capaz de produzir tintos e brancos tão contidos – perfeitos para para os jantares finos que oferecem nos seus restaurantes, o The Ritz em Londres, o Gordon Ramsey’s Maze, o Butler’s Wharf Chop House e o Yauatcha, e também o novo restaurante de Nuno Mendes, focado numa espécie de tapas portuguesas, Taberna do Mercado, onde irei apresentar os vinhos do Alentejo ao mercado no próximo mês.

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Vou apresentar uma grande variedade de estilos do Alentejo no próximo mês, no Taberna do Mercado – Foto de Wines of Alentejo | Todos os Direitos Reservados

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Vou apresentar uma grande variedade de estilos do Alentejo no próximo mês, no Taberna do Mercado – Foto de Wines of Alentejo | Todos os Direitos Reservados

Como é que Laureano conseguiu vinificar brancos tão a sul? Quando conheci Laureano há vários anos atrás, explicou-me que, apesar da sua localização, o micro-clima especial da Vidigueira é responsável por esta contenção e estrutura. Os níveis de humidade são mais elevados e o clima mais temperado do que estaríamos à espera porque, devido à sua topografia, as brisas do Atlântico ainda conseguem serpentear até aos 60km terra a dentro. Além disso, a Vidigueira beneficia de maior precipitação graças à Serra do Mendro, por onde o ar frio, que arrefece as vinhas, desce durante a noite. A cereja no topo do bolo são os solos xistosos que caracterizam tantos vinhos Alentejanos. Porquê? Primeiro porque estes solos finos e rochosos, oferecem pouco às vinhas em termos de nutrientes, o que mantém os rendimentos baixos. Segundo porque o xisto tem a capacidade de, lentamente, drenar a água para as vinhas (tal como no Douro). Agora já sabem porque é que a Vidigueira tem história em vinificação de brancos.

Aqui estão as minhas notas de prova dos vinhos de Laureano, que, posso acrescentar, encontrei mais frescos e precisos (especialmente os brancos) do que no passado. Parcialmente devido à colheita ter sido feita mais cedo, foi o que me disseram.

Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas branco 2014 (DOC Vidigueira, Alentejo)

Quando, este mês, visitei o Alentejo havia muita entusiasmo em volta dos brancos de 2014. Este medalha de prata no Decanter World Wine Awards 2015 mostra o porquê. Apenas parcialmente fermentado em carvalho (francês) durante quatro meses, com ênfase na fruta e na frescura. A acidez é uma boa marca da sua fruta cítrica madura tropical (toranja rosa e tangerina) e pêra seca. Aliás, neste caso, Vinhas Velhas significa mais ou menos 40 anos. 13,5%

Paulo Laureano Dolium Escolha branco 2014 (DOC Vidigueira, Alentejo)

O Dolium centra-se na típica e mais utilizada casta branca do Alentejo, a Antão Vaz. Envelhecido durante 6 meses em carvalho francês. Embora partilhe a toranja rosa, a tangerina e a pêra seca do Vinhas Velhas, este vinho é mais concentrado, com mais textura, estruturado e complexo, com carvalho nogado e nuances minerais. Equilibrado, com um final longo e muito bem equilibrado. 13%

Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2013 (DOC Vidigueira, Alentejo)

Este blend de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, de cor intensa, revela amora e groselha suculentas, com notas salgadas de chicória e folha de tabaco. Uma mineralidade xistosa que empresta frescura e nuance ao final. Taninos (finos) e acidez (fresca) muito bem equilibrados.

Paulo Laureano Selection Tinta Grossa 2011 (DOC Vidigueira, Alentejo)

Segundo Diana Silva, gestora da marca Paulo Laureano, só existem 5 hectares de Tinta Negra no mundo, dos quais Paulo Laureano tem 3. Provavelmente porque apresenta pouco rendimento e é um cliente um bocado complicado na vinha. Este vinho apenas foi feito em 2008, 2011 e 2012. As uvas são pequenas e com pele fina, o que sobressai logo na estrutura de taninos deste vinho tintoso e na maneira como consegue absorver o carvalho francês novo com facilidade. No nariz fez-me lembrar Lagerin (uma casta tinta do Norte de Itália), com notas de chocolate amargo, violetas, cereja/ameixa azeda, balsâmico e chicória. Notas essas que continuam no palato, juntamente com notas de ruibarbo, frutas silvestres, lavanda, marmelada/cera de abelha, cravo, casca de cássia e sortido da Bassatt’s Liquorice Allsorts. Os taninos são musculados e um pouco rústicos, mas no bom sentido, e termina firme, seco e saboroso. Um vinho complexo e único. Silva recomenda acompanhar com Carne de porco à alentejana. 14%

Paulo Laureano Dolium Reserva tinto 2012 (DOC Vidigueira, Alentejo)

Este blend maioritariamente composto por Trincadeira (70%), com Aragonês e Alciante Bouschet, foi envelhecido em barricas de carvalho francês e americano durante 18 meses. Tem toque de mocha por causa da sua baga escura mas acabada de colher, groselha e abrunho com notas de cravo. Como nos outros tintos, não há vestígio que indique ser melado. Bom comprimento e equilíbrio com taninos finos.

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Um Verdelho para comemorar o Verão

Texto João Pedro de Carvalho

Comemoro a entrada no Verão com este branco, um puro Verdelho oriundo da ilha da Madeira, produzido pela Paixão do Vinho. Aquando da visita à Adega de São Vicente tive oportunidade de o provar ainda muito jovem mas a mostrar-se bastante promissor, tinha aquela austeridade dos solos de origem vulcânica em conjunto com toda a frescura Atlântica devido à grande proximidade das vinhas. Não foi o primeiro Verdelho que Filipe Santos lançou no mercado, mas depois de algumas colheitas de interregno saiu este novo exemplar com um novo rótulo.

Por aqui o calor chegou em força, da chuva passou-se num ápice para os quase 40ºC e as mudanças naquilo que se come e bebe por estas alturas fazem-se sentir. Os tintos ficam encostados e começa o espectável rodopio dos brancos e rosados, pontualmente algum espumante, mas sempre servidos bem frios com comida leve que a vontade de estar em frente ao fogão/grelha é pouca.

Já tinha colocado o dito vinho a refrescar e antes de decidir começar a cozinhar ainda o provei, apenas para me orientar no que iria preparar para o acompanhar. Na memória guardo um mítico Arroz de Lapas que comi na Madeira, mas limitado à oferta do local onde moro optei por fazer um prato típico da região do Algarve, o Arroz de Lingueirão. Enquanto o lingueirão ia cozendo até abrir as conchas, fui bebericando o copo que tinha servido, gosto de beber enquanto cozinho porque me permite enquanto entendo o vinho poder equilibrar o prato numa procura da melhor harmonia possível.

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Arroz de Lingueirão in oficinadaspapitas.blogs.sapo.pt

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Primeira Paixão Verdelho 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Os passos a seguir são básicos, depois de retirar o lingueirão das conchas, limpar, cortar em dois e reservar. Enquanto isso a cebola, alho, louro e azeite já devem estar a estrugir, quando assim for colocamos o tomate cortado aos pedaços e a polpa, deixamos fervilhar e juntamos a água onde ferveu o lingueirão. O toque do tomate é essencial para dar frescura ao prato em conjunto com a polpa que vai fazer parte do molho, aqui pede-se um vinho com estrutura e acidez suficientes para o acompanhar, depois é juntar o arroz e um momento antes de estar no ponto adicionar o lingueirão e finalizar com os coentros picados.

Este Verdelho que carrega com ele um ligeiro toque salino e uma fruta (citrino, maracujá) muito bem delineada e sem exageros de exuberância. O resultado é um branco com nervo e muito boa frescura a dar a entender que vai ser capaz de evoluir muito bem em garrafa. É notável a ligação que faz com pratos de peixe ou marisco nas mais variadas variantes, onde a acidez revigora o palato a cada gole. Já agora, aquele toque final de coentros é o verdadeiro toque de magia que potencia a ligação entre o vinho e o prato para uma outra dimensão de sensações e prazeres. Até dá gosto começar o Verão desta maneira.

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