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Wine Magazine
D’Avillez Garrafeira 1995

Texto João Pedro de Carvalho

Em 1369 a família Avillez radicou-se em Portalegre, instituindo diversos morgadios. A partir de 1980, Jorge D’Avillez reestruturou as vinhas respeitando as castas tradicionais na região, e a vinificação passou a ser feita numa nova adega, na Quinta da Cabaça, de acordo com a moderna tecnologia. Em 1990 com a enologia da empresa José Maria da Fonseca, nascem as marcas D´Avillez e Morgado do Reguengo, os Garrafeira foram durante uma década símbolos do melhor que se produziu na região, tendo por direito próprio lugar entre os grandes vinhos criados em Portugal.

O último exemplar terá sido o Garrafeira 2000, já longe das performances dos seus antecessores, a estocada final foi dada com a venda da Quinta da Cabaça em 2005 para a Adega Cooperativa de Portalegre. A marca ficou no limbo, surgindo agora pelas mãos da Herdade dos Muachos, não tendo qualquer ligação com aquilo que foi no passado.

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D’Avillez Garrafeira 1995 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

 

Este D´Avillez Garrafeira 1995 é um verdadeiro monumento, um daqueles vinhos arrebatadores e que nos mostra de forma clara o motivo pelo qual Portalegre é considerado um região com condições únicas para a produção de grandes vinhos. Nos 1,3 ha de vinha situada em solo xistoso, nasceu de um lote composto por Trincadeira (50%), Aragonês (35%) e Tinta Francesa (15%). Nos primeiros anos após lançamento no mercado, o vinho era compacto e austero, duro, com tudo ainda muito fechado e escondido. O tempo que passou por ele foi sabiamente lapidando este diamante.

O que se destaca é a frescura que abraça todo o conjunto, tudo muito limpo e no mesmo patamar qualitativo, mostrando uma invejável harmonia de aromas e sabores. Fina e delicada complexidade, ervas aromáticas, fruta madura que quase se trinca (cereja, morango), leve ponta de licor com fundo terroso e especiado, Conquista a cada gole, puro deleite, profundo e delicado, um vinho adulto em plena forma, ombreando sem problema com o que de melhor se faz lá por fora.

Herdade do Mouchão

Texto José Silva

A família Reynolds, que tinha um próspero negócio de vinho do Porto, dedicou-se, no início do século dezanove, ao negócio da cortiça na região de Portalegre. E, no final desse século, adquiriu uma propriedade com cerca de 900 hectares, a Herdade do Mouchão, no lugar da Casa Branca, entre Sousel e Mora, continuando com a produção de cortiça.

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Vinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas esta empreendedora família acabou por também ali plantar vinhas e acrescentar a produção de vinho à da cortiça.

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Adega – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Em 1901 construíram uma adega com as tradicionais paredes em adobe e lagares de pedra, onde a pisa era feita a pé.

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Alambique – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mais tarde, em 1929, foi a instalação dum alambique, para produzir outra das tradições da região, a aguardente bagaceira, aproveitando o engaço dos cachos de uvas.

A produção de vinho, então apenas tinto, tornou-se famosa, de tal forma que na década de cinquenta a família investiu no aperfeiçoamento das técnicas de viticultura e vinificação, mantendo sempre a tradição da vindima manual e da pisa a pé, o que, aliás, acontece até hoje.

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Aperfeiçoar as práticas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E são ainda hoje utilizadas as velhas prensas manuais de madeira, para extração final, num trabalho árduo mas compensador, com os resultados conhecidos por todos.

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Velhas Prensas Manuais de Madeira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A partir de uvas muito boas, de vinhas velhas, hoje algumas delas mesmo muito velhas, a família passou também a engarrafar o vinho na década de cinquenta, iniciando a história de um dos melhores e mais conceituados vinhos alentejanos e mesmo nacionais.

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Vinhas muito Velhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foi no Mouchão que se fizeram as primeiras experiências com uma casta francesa mal amada no seu país de origem – o Alicante Bouschet – mas que no Mouchão e mais tarde um pouco por todo o Alentejo, se adaptou muito bem, sendo hoje uma das castas mais prestigiadas e utilizadas na região. Já lá vão mais de sessenta anos…

Alguns dos trabalhadores da herdade tinham e têm uma dedicação a esta propriedade, que passou por várias gerações, como é o caso dos adegueiros. Hoje é o João Alabaça que está à frente dos trabalhos da adega e quem provavelmente melhor conhece todos os cantos à casa, além de ser um óptimo provador e ter aquela jovialidade contagiante das gentes alentejanas. Conheci e provei muitas com o seu pai, o ti João para os amigos, e a sua mãe, ainda de boa saúde, muitas vezes me fez as contas das muitas caixas de vinho que enchiam a mala do meu carro, quando por ali passava. Que incluíam sempre a aguardente bagaceira, a mesma mas envelhecida em cascos de madeira e o soberbo licoroso, um produto simples mas fantástico. Também por ali almocei de vez em quando, as coisas simples da terra, na companhia do pão, do azeite e das azeitonas.

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Mouchão 1974 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Dessas visitas ainda mantenho na minha garrafeira o Mouchão1974, e um interessantíssimo Dom Rafael de 1996.

Sempre que abro uma garrafa de qualquer deles, estão muito bons, mesmo excelentes, e vem-me à memória o ar bonacheirão do ti João, risonho e maroto, a levantar o copo à minha saúde.

Em recente visita ao Mouchão, fomos recebidos pelo David Ferreira, a fazer um trabalho comercial de excelência, com paixão, cá em casa mas também por esse mundo fora, e pelo João Alabaça, grande como era o pai e com o mesmo sorriso de amizade.

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Volta pela adega – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Demos uma volta pela adega, relembrando os recantos, os lagares agora em sossego, tranquilos, a beleza imponente do alambique e a profusão dos tonéis, alguns deles já com uns bons anos em cima.

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Tonéis – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ali usam-se estes tonéis, a maior parte de 5.000 litros de capacidade, embora haja também barricas normais.

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Tonéis 3 & 4 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E lá fomos ver os célebres tonéis 3 e 4, que dão aquele néctar chamado Mouchão Tonel 3-4. E o que lhe dá maior exuberância, sabe-se hoje, é que os tampos destes dois tonéis, em vez de serem de carvalho francês e português como todos os outros, são em madeira brasileira de macacaúba. Estava explicado o mistério, e eles lá continuam a amaciar o vinho como sempre.

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Vinhas nuas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Lá fora, num inverno gelado, também no Alentejo, revimos as várias vinhas, agora nuas e já podadas, e a sua envolvente bucólica, com o riacho a atravessar a propriedade, e uma importante envolvente de pinheiros e imponentes eucaliptos.

Envolvente – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O sossego do Alentejo sentia-se por todo o lado.

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O sossego – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Como o frio apertava, fomos até ao laboratório da adega, provar alguns dos vinhos da actualidade do Mouchão, sempre um enorme prazer.

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Dom Rafael 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Começamos pelo D. Rafael Branco 2013, cheio de frescura aromática, algo floral, muito equilibrado.

Na boca tem boa acidez aliada à frescura, notas de fruta branca madura, atraente, sedoso mas seguro.

Depois foi o Dom Rafael Tinto 2011, um ano excelente, a dar-nos um vinho vivo, persistente, com notas de frutos vermelhos intensas e algum fumo. Na boca está ainda jovem mas já apetece bebê-lo, taninos redondos e sedosos, a dar-lhe intensidade, frutos vermelhos bem maduros, ligeiro floral e algumas especiarias, num vinho moderno. Seguiu-se o Ponte das Canas 2010, ainda um ano muito bom. Nariz já com alguma elegância, frutos vermelhos maduros, ligeiras notas balsâmicas, muito fresco. Frescura também na boca, intenso, persistente, óptima acidez, notas de tabaco, frutos vermelhos e ligeiras notas de baunilha, tudo muito bem integrado, num vinho sólido e compacto.

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Dom Rafael 2011 tinto, Ponte das Canas 2010 & Mouchão 2009 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalmente veio o Mouchão 2009, um ano excelente, a dar este vinho intenso mas sedoso no nariz, frutos pretos e notas de pimentos verdes, muito fresco. Na boca tem uma deliciosa complexidade, com aromas de frutos pretos, cheio de elegância, notas vegetais de pimentos verdes, ligeiramente balsâmico, acidez muito equilibrada, algumas especiarias, fumo, um vinho ao mesmo tempo robusto e aveludado, com um final imenso. Está ali para durar ainda muitos anos.

E, quando pensávamos que já tinha acabado, o João Labaça exibiu, triunfante, três garrafinhas mais pequenas: o licoroso, a aguardente bagaceira e a aguardente velha. E foi peremptório: “Não abalam daqui sem os provarem”! Naquele momento, pareceu-me estar perante o seu pai, o ti João. E toca a provar. O licoroso continua excelente, doce mas com uma grande acidez, frutos pretos, chocolate, belo vinho.

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Licoroso, Aguardente Bagaçeira e Aguardente Velha – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A aguardente, desde sempre uma das minhas preferidas, tem uma enorme complexidade, notas verdes intensas, poderosa na boca, cheia de frescura e acidez, mas bastante suave, apetece sempre repetir. A bagaceira velha tem a diferença de ter estagiado em cascos velhos de madeira, a dar-lhe aquele toque de fumo, abaunilhado, perdendo as notas verdes, mais redondo, para beber pelas noites frias em frente à lareira.

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Despedida – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com sempre, deixei o Mouchão com relutância, contando, mal possa, ali voltar novamente…

Contactos
Vinhos da Cavaca Dourada, SA /
Sociedade Agro-Pecuária do Mouchão e Cavaca Dourada, SA
Herdade do Mouchão
7470-153 Casa Branca – Portugal
Tel: (+351) 268 539 228
Fax: (+351) 268 539 293
E-mail: mouchao@mouchao.pt
Site: mouchao.pt

Vins de Soif: Os Super-Sofisticados Vinhos Quotidianos de Portugal na Moda

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Os vinhos de Tiago Teles não poderiam encontrar maior contraste do que o EXPLICIT tinto, the subject of my last post.  Não foi surpresa nenhuma para mim que Teles tivesse sido influenciado pelas suas últimas viagens a Beaujolais e à Borgonha. Os vinhos tintos de 2013, Gilda e Maria da Graça, são tão perfumados e femininos quanto os EXPLICT tintos são musculados e masculinos. Os níveis de álcool são pólos opostos! O EXPLICIT 2012 com 15.5%, o Maria da Graça 2013 com 11%.

Qual dos estilos gosto mais? Na verdade, gosto dos dois. Como Dave Powell, fundador da Torbreck Wines (produtor de ousada alta octanagem, mas sempre equilibrada, belezas de Barossa) uma vez memoravelmente me disse. “não significa que queira comer bife todas as noites”.

Para mim, um dos aspectos mais excitantes do vinho é a diversidade de estilos. Com um número vertiginoso de variáveis associadas ao terroir, castas, vindimas e vinificação, apreciar o vinho é excitante, uma aventura interminável. Na verdade, agora que penso nisso, reconheço que os tintos de Teles são ambos estreias para mim. Acho que nunca tinha provado nem um lote de Merlot, Tinta Barroca e Tinta Cão, nem um lote de Alfrocheiro e Alicante Bouschet.

Contudo, como Teles realçou na entrevista do ano passado, as castas são menos importantes do que a origem e, sem dúvida, ambos os tintos, como ele diz “transmitem exactamente o perfil calcário e frio da Bairrada”. Quase se pode sentir o frio dos ventos do Noroeste Atlântico desta região costeira e o barro húmido sob os seus solos calcários.

Em Londres, a intervenção mínima de Teles, o estilo “vin de soif” (leve, fresco, de matar a sede, baixo teor alcoólico) é actualmente moda nos bares de vinhos e lojas independentes que surgiram na minha freguesia, em Hackney. Se este estilo lhe for apelativo, da próxima vez que for a Londres faça um percurso por estes sítios, Trangallán, Brawn, Sager & Wilde, Rawduck, Primeur, VerdenNoble Fine Liquor, Bottle Apostle e Borough Wines.

Aqui estão as minhas notas sobre os tintos 2013 de Teles:

Tiago Teles Gilda 2013 (Bairrada)

Este lote de Merlot, Tinta Barroca e Tinta Cão vem de solos argilosos e calcários. As uvas foram colhidas na segunda semana de Setembro. O tom pálido de carmesim/rubi revela o delicado estilo vin de soif. Nariz fresco e vivo, o palato revela jorros suculentos e brilhantes de ameixas e framboesas acabadas de apanhar – adorável pureza de frutas e animação. Ao abrir, notas de tabaco e especiarias aumentam o interesse. Taninos gentilmente agitados conferem textura e prolongam um equilibrado e sereno final. 12.5%

Tiago Teles Maria da Graça (Vinho do Portugal 2013)

A Alicante Bouschet tem polpa roxo escuro (a maior parte das uvas tintas tem polpa vermelha). Os seus pigmentos mancham as folhas das vinhas e conferem uma tremenda profundidade, escura como tinta, aos vinhos, e no entanto este lote de Alicante Bouschet e Alfrocheiro ainda é mais pálido do que o Gilda. Sem madeira, também é mais delicado, ao estilo Beaujolais com os seus suaves taninos sedosos (para acompanhar peixe), perfume floral de peónia e frutos silvestres e suculentos. Delicado e fresco é delicosamente digerível e tem apenas 11%.

Aqui estão os três mais vivos “vin de soif” tintos Portugueses que eu recomendaria:

Campolargo Alvarelhão 2012 (Bairrada)

Feito por Raquel Carvalho, que também fez os vinhos de Teles, esta rara uva tinta produz um tinto muito perfumado, frutado, fresco com pimenta branca, violetas e a caruma levam-no aos seus tons de cereja amarga subtilmente carnuda e salgada. Uma massagem de taninos de fruta empresta uma aderência muito suave e atractiva. 12.5% abv

Filipa Pato & William Wouters Post Quercus Baga 2013 (Bairrada)

Este pálido vinho rubi é feito a partir das mesmas uvas Baga de vinha velha que o Pato’s Nossa Calcario. Contudo, ao contrário do Nossa, que é envelhecido em carvalho (quercus), este vinho foi envelhecido subterraneamente em duas ânforas de 300 litros. Ânforas porque, primeiro são feitas de barro – o solo da região (que de facto dá o nome à região). Em segundo porque o barro permite uma micro-oxigenação suave que, juntamente com uma abordagem não interventiva, de extração vis a vis (simplesmente passa por uma longa fermentação com as películas), é responsável pelos seus taninos suavemente finos. A fruta sempre bonita e pura – cereja vermelha, caroço de cereja e ameixa suculenta e, embora delicada, brilha intensamente, perdurando no palato. Adorável – um tinto para um dia alegre de verão num piquenique. 11.5% abv

Anselmo Mendes Pardusco 2012 (Vinho Verde)

Após o desengace e esmagamento, este lote de 40% Alvarelhão, 30% Borraçal, 25% Pedral e 5% Vinhão foi fermentado a frio durante 12 horas e prensado após apenas 12 de fermentação com as películas. É fresco, viçoso, seco e persistente com baga vermelha e cereja e um toque floral no final. Muito arredondado nos taninos, acidez e fruta, bebe-se extremamente bem para um Vinho Verde tinto. 12.5%

Contacts
1350-316 LisboaS. Condestável
Portugal
Email: tiagoteles@outlook.pt
Site: www.tiago-teles.pt

Contra todas as expectativas

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Na Finlândia não é fácil encontrar uma boa garrafa de vinho português. Quando comecei a bradar por aqui sobre os vinhos de Portugal, a escolha era escassa. Hoje em dia a possibilidade de escolha é maior mas continua pequena. Nas “escolhas básicas” das lojas monopólio, há aproximadamente 22 tintos portugueses diferentes, 9 brancos, 2 espumantes e um rosé. Há mais alguns na selecção especial mas a maior parte das pessoas nunca a utiliza ou tão pouco conhece a sua existência. Não há muito por onde escolher. Fico contente por as pessoas se mostrarem interessadas e por alguns vinhos esgotarem mesmo, devido às boas críticas que receberam.

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Cabeça de Toiro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Fui à loja monopólio mais próxima e peguei no primeiro vinho português que não que ainda não conhecesse. Foi o Caves Velhas Cabeça de Toiro Reserva 2010 do Tejo. A Caves Velhas pertence à Enoport United Wines que é um grupo de antigas adegas portuguesas tais como a Adega Camilo Alves, Caves Dom Teodósio, Caves Moura Basto e mais algumas. O vinho era um lote 50/50 de Touriga Nacional e Castelão. A garrafa veio numa caixa de cartão que estava coberta de fotografias de medalhas e outros feitos, que este vinho em particular recebeu. Não augurava ser algo bom.

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Rolha – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Ao provar o vinho achei que a Touriga Nacional combinava muito bem com a Castelão. A Castelão a suavizar o aroma floral da Touriga, sem no entanto perder um bocadinho que seja da sua intensidade. Tal como o rótulo sugere é um vinho robusto. Encorpado, com fruta madura e aromas de carvalho terroso. Estava à espera de algo mais pesado mas felizmente não era. Não deixa de ser um vinho com alguns “tomates” mas, talvez com comida se revelasse exactamente aquilo que o médico havia receitado.

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Tagliata picante e guacamole robusto à Ilkka – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Então, tive que fazer um grande bife para acompanhar. Normalmente consigo cozinhar um bom bife, mal passado é claro, mas desta vez deixei-o passar o ponto. Distraído pelo copo de vinho na minha mão, esqueci-me do bife e o resultado foi um bife bem passado. Raios! Ainda estava com fome portanto tinha de pensar em algo. Então surgiu-me a ideia de uma picante tagliata-esque de bife fatiado. Também fiz um puré de guacamole e voilá, o almoço estava pronto. E estava muito bom, sou eu que o digo. Mas a coisa mais surpreendente foi quão bem o vinho acompanhou este tipo de comida picante. É óbvio que acompanha bem um bife, mas um bife com pimenta, limão e coentros, quem diria… Ainda que eu tenha feito asneira a cozinhar, o vinho conseguiu salvar o dia.

O branco dos Druidas

Texto João Pedro de Carvalho

A figura do Druida, associada à mitologia Celta, detinha o saber das palavras e da escrita, tal como da cura, especialista nas práticas de magia, sacrifício e augúrio, baseado numa filosofia natural, procurava buscar o equilíbrio, ligando a vida pessoal à fonte espiritual presente na Natureza. Tendo como princípio esse mesmo respeito e ligação com a natureza e acima de tudo uma forte ligação à terra, surge este projeto de dois enólogos, Nuno do Ó e João Corrêa. Escolheram o Dão e a casta Encruzado com a vontade de criar um branco de topo, nascido de uma vinha com 40 anos de idade situada a 500 metros de altitude na Quinta da Turquide, ali bem perto da Serra da Estrela. Um projecto minimalista onde as produções são sempre muito limitadas como no exemplo do Druida tinto cuja produção se limitou a apenas 500 garrafas.

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Druida Encruzado Reserva 2012 branco – Photo by João Pedro de Carvalho | All Rights Reserved

O Druida Reserva branco 2012 seguiu o seu percurso de forma natural, fermentando usando apenas leveduras autóctones e meditou em barricas de carvalho francês durante nove meses. Tal como a casta, o vinho é de caracter bem vincado, teimoso, envergonhado, diga-se de passagem que por vezes assume uma faceta de polimorfo tal e qual o Druida. A Encruzado é uma casta que precisa de tempo para se acomodar e poder então sim mostrar todo o seu esplendor, neste caso o vinho está ainda em crescimento precisando um pouco mais de paciência. A prova que dá neste momento coloca lado a lado uma complexidade ainda em fase de construção suportada por uma belíssima dose de frescura. A austeridade mineral ainda domina a fruta, tudo com uma madeira que surge com grande subtileza, num conjunto qual riacho pleno de frescura, com margens floridas, vai quebrando a pedra, lavando a fruta de pendor citrino, numa prova que nos transporta para o dito local com a Serra da Estrela em pano de fundo.

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O melhor vinho

Texto João Barbosa

O melhor vinho do mundo é português, da minha região, do meu concelho, da minha freguesia, da minha aldeia e, por acaso, é o meu. Este raciocínio é partilhado, no todo ou na parte, por muitos portugueses.

Obviamente que não há «o melhor vinho do mundo». O bairrismo é muito português e dá-me gozo, se não for alarve, pois gera conversa, troca informações entre divergentes. Gosto do espírito (saudável) de família, clã e de tribo.

Penso que é unânime que nunca houve tão bom vinho em Portugal como hoje. Porém, sempre se fizeram vinhos de excelência. Antes de existirem enólogos já se fabricavam néctares divinos. Mérito da natureza, certamente, mas sobretudo do produtor.

Os antigos não eram burros. Sabiam o que faziam e, certamente, conheciam coisas que hoje são desconhecidas de muitos profissionais experimentados e cultos.

Dou um exemplo que não diz respeito ao vinho. Um amigo teve, a dada altura, uma oficina de prataria, destinada a restauros de antiguidades e reproduções de qualidade. Contratou um grupo de ourives de reconhecida qualidade e tarimba. Porém, quando a peça tinha origem mais remota do que o século XVIII (inclusive) nem sempre se sabia o que fazer.

Alguns males deste país são a falta de arquivos, por desleixo, terramotos, maremotos, incêndios e pilhagens de guerra. Perante o desespero e vontade de desistência dos artífices, o meu amigo reuniu a equipa e sentenciou:

– Caros amigos, os antigos não eram estúpidos, como hoje não somos mais estúpidos do que eles. Se faziam «estas» coisas é porque era possível fazer. Se é possível fazer, vamos fazê-las. Não há outra hipótese.

Procurou e encontrou bibliografia e fontes de informação, estudou as peças. Os oficiais e mestres leram, digeriram e, passado um tempo, estavam a trabalhar reproduções ou reparações de artefactos cujo conhecimento técnico se perdera.

As romãs enxertam nas laranjeiras, com vantagens, embora o oposto não seja possível – nem dá hipótese. É estranho, porque não fazem parte da mesma família. Não conheço agrónomo que explique.

Os antigos sabiam, empiricamente, que o cultivo de leguminosas junto às vinhas era benéfico, além de fornecer alimento. Que (caso de Colares) as macieiras contrabalançam o desgaste causado pelas videiras, fazendo fé no que me disse um homem da região.

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Vinho in wikipédida.org

 

Espero nunca perder o deslumbre continuado pelas coisas do vinho e da lavoura – da natureza e do homem. O Vinho da Madeira é maravilha (sem o artigo, como diziam os medievais) de se ver, sabendo dos seus padecimentos.

Os meus 45 anos permitiram-me «ver» uma multidão vinhos novos e velhos imbebíveis, mas também de pérolas. Hoje, com todo o conhecimento e mão-de-obra qualificada, é fácil encontrar um bom vinho. O que não era verdade, por isso encanto-me com peças de arqueologia e/ou museologia enológica.

Sei que serei fustigado por só escrever alguns e dos mais recentemente revelados, mas vai: o Taylor’s Scion, o Taylor’s Single Harvest 1863 ou o Moscatel de Setúbal Superior 1911 são colossos. A Sogrape prepara-se para celebrar os 225 anos da Sandeman e é de esperar outro grande vinho, tal como foi Kopke 375, que marcou o aniversário da casa.

A vida destes vinhos, todos aguardentados, é naturalmente mais longa. Todavia, nos «normais» há, por exemplo, excelentes Bairrada, Dão e até Alentejo…

Voltando ao princípio, ao amor ao terrunho, que tolda a lógica e o bom-senso; um produtor alentejano lançou, há um ano (dois ou três) um licoroso com oito anos de estágio em barrica. O preço de saída ombreava com o de prateleira de Vinho do Porto 20 anos.

O Alentejo é o Douro – nas condições de excelência para este género como na qualidade consistente percepcionada. O preço do abafado alentejano era estapafúrdio. Que saiba, vendeu-se todo. A quem? A quem acredita que o vinho da sua região é o melhor de Portugal, quiçá do mundo.

Poucas certezas e muitas mais dúvidas

Texto João Barbosa

Diz um amigo que as tradições são para se quebrarem. Nesta provocação cabem verdades boas e lamentos. Já não se queimam «ímpios», como já ninguém sabe fabricar as talhas de barro, para a feitura de vinho no Alentejo – perda de conhecimento histórico e antropológico.

Esta coisa das tradições é como a do gosto. O gosto discute-se e deve ser discutido; o que não se discute é o direito à oposição e o respeito que exige. No caso do vinho, e outros alimentos, uma denominação de origem deve ser mais do que uma delimitação geográfica. De todos os factores, debruço-me no primordial: casta.

A casta e a sua ligação à terra são a herança, património transmitido aos futuros. Contudo, devem ser um travão à imaginação, gosto, etc. Se um vitivinicultor quiser fazer azul, quando a tradição é verde, deve ser livre de o fazer. O que não é correcto é chamar verde ao que é azul.

A questão está no rótulo, na palavra referente ao território e à uva que é seu emblema. Um vinho com denominação de origem controlada não é melhor nem pior do que um regional; são coisas diferentes e separadas se devem manter.

Discutir as castas da Bairrada é uma tradição. Quanto a mim, no topónimo não cabem as cabernet sauvignon, merlot, chardonnay, etc. Como não cabem apenas a baga e a maria gomes.

É verdade que, nessa região, a presença de variedades estrangeiras não é propriamente recente. A partir de que tempo se pode considerar como «autêntica»: dez anos, 20, 30, 100?

Reconheço alguma xenofobia. Tanto mais que há castas estrangeiras em Portugal há séculos, como a malvasia ou a moscatel de alexandria. Essas são portuguesas, e o que dizer da alicante bouschet que encontrou o seu habitat no Alentejo?

Há outra questão, a da transumância interna. A touriga nacional tem tanto de alentejana quanto a syrah. Aqui sublinho a alvarinho; partilhada por minhotos e galegos. Descoberta como grande casta, tornou-se apetecível noutras paragens.

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Casta alvarinho in wikipédia.org

Num primeiro momento reinou algum provincianismo quanto à permissão do uso rótulos da região dos Vinhos Verdes, que não da sub-região de Monção e Melgaço. Podia haver alvarinho num rótulo alentejano, mas não num de Ponte de Lima. Chegou-se a um acordo, a 13 de Janeiro, muito feliz. Todos podem usar o nome da casta, mas a sub-região de Monção e Melgaço vê reconhecida a sua especialidade através de selo de garantia exclusivo.

Ao problema da autenticidade acrescento os factores enológicos … com a padronização dos processos, será que Regional Alentejano, Regional Tejo, Dão ou Douro não ficarão parecidos? A tecnologia não esbate o território e casta?

No afã de diferenciar acontecem coisas como as verificadas na Beira. Não entendo o mapa. O problema não é haver muitas denominações de origem, mas sítios sem valor-acrescentado ou especialização, «lugares inexistentes».

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Folha de alvarinho in wikipédia.org

Isso, o consumidor não percebe, mas entende escalas. Devia existir uma tabela de classificação: Primeira Classe, Segunda Classe, etc. Lá estou eu a complicar e já basta o que é – dirão muitos. Complicado é andar sempre a mexer na toponímia e tratar por igual o que é diferente.

O que pensa um consumidor estrangeiro ao ver um Douro a três euros e outro a 80 euros? Mais caro não é melhor, é sabido. Não é mais claro assumir diferença e/ou especificação de terroir?

Explicar a um estrangeiro que Portugal existe e faz vinho há milénios é tarefa vivida por muitos. Colocar a diferenciação numa casta – que se pode cultivar até em Marte – é preferível a dizer a verdade?! Que fazemos lotes? O trabalho de explicar touriga nacional e blend não é o mesmo? Antes mais cedo do que depois ter de dizer que o Pai Natal não existe.

Não me considero analfabeto, pelo que opto pelo princípio da incerteza. Tenho preferência, não sou peremptório. Daqui por uns 300 anos a merlot não será – pelos meus argumentos – tão bairradina quanto a baga? Vencido, mas não convencido! Por paixão e pouca lógica.

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Texto José Silva

Matosinhos é terra de pescadores e de peixe abundante e tem mesmo uma das maiores lotas do país, sendo famosa sobretudo pela qualidade da sardinha, na sua época. É ainda desta lota que são abastecidas as várias fábricas de conservas ainda a funcionar em Matosinhos e em Leça da Palmeira, sobretudo de sardinha mas também de cavala e outros peixes. Aliás as conservas portuguesas estão na moda e a qualidade tem vindo sempre a subir, sendo um dos produtos de mar mais procurados na Europa e um pouco por todo o mundo. Mas para além da lota de Matosinhos, há outras pequenas lotas a funcionar no concelho, com destaque para a de Angeiras, a norte da cidade e que foi angariando ao longo dos anos muitos clientes dedicados, entre particulares e restaurantes. Peixe fresco todos os dias, algum do qual chega ainda a mexer ao mercado local, assim como algum marisco, com destaque para as percebas (ou percebes), o camarão da costa, os santiaguinhos (ou bruxas), a excelência do linguado da pedra, do polvo, do robalo, da raia e tantos outros, que variam apenas em função da época e do estado do mar.

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Camarão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Matosinhos é também conhecido pela abundância de restaurantes, com uma concentração per capita das maiores da Europa. Embora já haja restaurantes em Matosinhos a oferecer vários tipos de culinária, é para comer peixe fresco que normalmente se vai a Matosinhos e a Leça da Palmeira. E há verdadeiras referências na restauração local, a servir peixe e marisco de enorme qualidade, respeitando a confecção tradicional. Um desses locais é o restaurante Toupeirinho 2, que nasceu a partir do seu irmão mais velho, o Toupeirinho 1, servindo a mesma comida, com a mesma qualidade.

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Ample Facilities – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

São instalações amplas, com duas salas, uma das quais para fumadores, decoradas com simplicidade, confortáveis e muito acolhedoras. A da frente com vidraças enormes a deixar entrar muita luz e alguns espelhos pelas paredes de belo efeito.

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Mesas bem-postas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As mesas são muito bem postas, cuidadas, e o serviço é profissional, atencioso e conhecedor, incluindo uma boa oferta de vinhos, servidos a preceito.

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Escaparte – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A visita ao mercado de Angeiras é diária, e dali vêm os petiscos que depois são trabalhados e que vêm à mesa, e que podemos apreciar num escaparate, junto ao balcão.

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Ovas de sardinha & tostas crocantes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Há sempre pão óptimo e tostinhas crocantes, e umas tirinhas de broa frita pecaminosas, que podem fazer companhia a umas ovas de sardinha de conserva, excelentes, ou algum marisco só cozido: percebas carnudas, saborosas, camarão da costa, pequeno mas muito saboroso, lavagante da costa descascado e umas deliciosas navalheiras, descascadas e servidas na própria casca, sem trabalho nenhum, é só comer e apreciar.

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Presento pata negra e queijo de meia cura – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Ou ainda umas fatias fininhas de presunto pata negra e queijo de meia cura muito apaladado. As postinhas de sável de escabeche são soberbas, bem temperadas, com cebola e vinagre no ponto, grande petisco!

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Sável de Escabeche – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na última visita provaram-se umas postas de peixe-galo fritas no ponto, na companhia duma açorda preparada com as ovas do peixe, cremosa, bem temperada, deliciosa, um conjunto fantástico.

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Açorda de ovas de peixe – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois foi a vez dum arroz de lagosta, feito só com o lombo da lagosta, muito bem preparado, no ponto certo de cozedura, nacos generosos de lagosta num arroz caldoso, a saír pelo prato fora, muito bom.

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Arroz de Lagosta – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para terminar em beleza provou-se uma queijadinha de amêndoa, gulosa, equilibrada, o sabor da amêndoa a contrastar muito bem com a doçura, uma lambarice.

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Douro Ázeo 2012 white – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O vinho escolhido para acompanhar este repasto foi o branco do Douro Ázeo 2012. Aromaticamente intenso, com algum floral e muita mineralidade, seco e persistente. Na boca tem elegância, uma excelente acidez, muita frescura, notas de fruta branca, levemente mineral com notas cítricas, acompanhou muito bem estes produtos do mar.

Contactos
Toupeirinho 2
Av. Serpa Pinto, 491
Matosinhos
Tel: (+351) 229 371 610
Telemóvel: (+351) 964 767 433
E-mail: restaurante@toupeirinho.pt
Site: www.toupeirinho.pt

Madeira the Mid-Atlantic Wine by Alex Liddell

Texto João Pedro de Carvalho

Fruto da minha recente visita à Madeira, senti a necessidade de aprofundar os meus conhecimentos um pouco mais e decidi comprar a segunda edição daquele que é considerado por muitos (eu incluído) o melhor guia sobre o fascinante mundo que envolve o Vinho Madeira. Um livro fascinante escrito por Alex Liddell, um reconhecido especialista no que a Vinho da Madeira diz respeito, editado pela primeira vez em 1986 e estava literalmente esgotado e que felizmente passados quase 30 anos lança a segunda e tão aguardada edição do seu Madeira the Mid-Atlantic Wine.

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Madeira the Mid-Atlantic Wine by Alex Liddell – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Um trabalho extremamente bem organizado num total de seis capítulos onde o autor começa por contar a história da Madeira, desde os primórdios do vinho até aos dias de hoje, aborda desde os solos, castas, vinhas, viticultura, vinificação, colocando ao dispor os mais variados mapas e quadros de estatísticas, pelo meio deixa algumas detalhadas notas de prova tal como uma ampla e histórica abordagem sobre os principais produtores, num livro que sofreu as necessárias atualizações face aos trinta anos que passaram desde a primeira edição.

É um livro técnico que está muito longe de ser enfadonho, até pela capa bem colorida, correspondendo ao que se deve encontrar neste tipo de livros, um profundo conhecimento que neste caso o autor demonstra com toda a sua paixão e sabedoria numa escrita que cativa a ler mais e mais, transmitindo valiosa informação a cada página que se vai virando. Indicado para todos aqueles que procuram ficar a saber tudo sobre o Vinho Madeira, tornando-se desta forma imprescindível na biblioteca de todos os enófilos.

A Vinha das Romãs

Texto João Pedro de Carvalho

No Monte da Ravasqueira (Arraiolos) decidiu-se em 2002 arrancar um conjunto de romãzeiras que ocupavam um área de cinco hectares para ali se plantar vinha, mais propriamente Syrah e Touriga Franca. Aquela vinha passou a chamar-se a Vinha das Romãs e cedo ganhou protagonismo pela qualidade destacada dos vinhos a que dá origem, revelando uma concentração e um nível de maturação único em toda a área de vinha do Monte da Ravasqueira.

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Vinha das Romãs 2011 & Carne de Porco à Portuguesa – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

É por isso mesmo um “single vineyard”, “monopole”, “vino de pago”, onde o terroir imprime características diferenciadoras e únicas. Aqui o que se procura é o equilíbrio perfeito entre as duas castas, isolando a cada colheita as melhores zonas de cada casta que melhor transmitem a singularidade do local.

Este 2011 é o melhor Vinha das Romãs até à data, conta com Syrah (70%) e Touriga Franca (30%) num perfil claramente Alentejano em que se conjuga frescura e uma qualidade da fruta bastante acima da média. Limpo, boa complexidade com a barrica onde passou vinte meses muito bem integrada num conjunto harmonioso, baunilha e muita fruta negra bem redonda e gulosa, regaliz, especiarias com uma frescura que tantos dizem não fazer parte dos vinhos do Alentejo, como andam enganados. Um belíssimo vinho do Alentejo, que sabe bem, que dá muito prazer ao ser bebido, corpo mediano com muita fruta a explodir de sabor, taninos a conferir algum nervo ao conjunto que se mostra muito envolvente, longo e prazenteiro.

Contacts
Monte da Ravasqueira
7040-121 ARRAIOLOS
Tel: (+351) 266 490 200
Fax: (+351) 266 490 219
E-mail: ravasqueira@ravasqueira.com
Site: www.ravasqueira.com