Blend All About Wine

Wine Magazine
Outono na Quinta da Casa Amarela

Texto José Silva

O pai Gil, a mãe Laura e o filho Gil – eles são a Casa Amarela e a Casa Amarela são eles!

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O pai Gil, a mãe Laura e o filho Gil – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Têm construído este projecto, uma vida dedicada ao Douro, à Quinta da Casa Amarela e aos seus vinhos. Vinhos feitos com paixão, uma grande paixão, que partilham com clientes e amigos, com simplicidade, sem salamaleques, mantendo sempre um nível de qualidade de que não abdicam.

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Quinta da Casa Amarela – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Quinta da Casa Amarela – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E fazem muito bem! Levam os seus vinhos por todo o país, mas também por alguns outros países. Um trabalho de persistência, de muitas horas ao volante ou dentro de aviões, muitas provas comentadas, mas muitos clientes satisfeitos. E as parcerias com colegas produtores de outras regiões: primeiro foi com o Paulo Laureano e os seus néctares alentejanos, depois o Paulo Rodrigues da Quinta do Regueiro e o Alvarinho de Melgaço, finalmente com Sir Cliff Richard e os seus vinhos algarvios. Tudo com a ajuda do enólogo Jean-Hugues Gros, o francês que também se apaixonou pelo Douro e por lá ficou, a fazer vinhos muito bons. Visitar esta quinta é sempre um prazer, somos recebidos como família, há já muitos anos.

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A nova sala de barricas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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A beleza da casa coberta de vinha virgem – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A beleza da casa coberta de vinha virgem, agora a pintar-se daquelas tonalidades outonais, a nova sala de barricas, em que pedra e madeira fazem um casamento perfeito e a velha sala dos tonéis, onde a música clássica de fundo dá aquele toque de magia e recato.

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A velha sala dos tonéis – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Que os vinhos certamente agradecem.

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Aquela árvore enorme – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Cá fora, aquela árvore enorme já se confunde com as paredes da casa, imponente e autoritária.

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As vinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Aguardam pelo merecido descanso de inverno – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Lá mais acima, as vinhas repousam, aguardando pelo merecido descanso de inverno. Mas estávamos ali para provar os vinhos, sabendo que a Laura Regueiro não deixaria de nos presentear com uma refeição caseira, como só ela sabe apresentar.

Já no conforto da sala de estar, começamos pelo branco Casa Amarela Reserva 2014, cheio de frescura e acidez muito equilibradas, notas de fruta de polpa branca muito elegantes, persistente e a ligar muito bem com umas tostinhas com queijo gratinado e uma deliciosa compota de pimento.

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Casa Amarela Reserva 2014 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Norte Sul 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se o Norte Sul 2013, também com frescura, exótico, jovial, muito agradável, simples mas com estrutura, uma boa surpresa. Agora já estávamos numas fatiazinhas de bola de carne, muito típica na região, fofinha a saborosa.

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Bola de carne – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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II Terroir XIV – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Terminamos os aperitivos com o outro branco de parceria, o II Terroir XIV, em que a mineralidade do Alvarinho casa muito bem com a elegância e frescura do branco do Douro. Intenso, muito elegante, com óptimo volume de boca, um vinho gastronómico.

Já sentados à mesa, deliciamo-nos com uma sopa de acelgas com crocante de cebola, muito apaladada e bem quente.

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Sopa de acelgas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Casa Amarela Reserva Tinto 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E já se abria o Casa Amarela Reserva Tinto 2013, que se apresentou pleno de aromas florais, com frutos vermelhos, intenso mas muito elegante, com notas de fumo, muito fresco, aveludado, com os taninos já bem casados e final saboroso.

Veio então para a mesa um soberbo joelho de porco assado no forno, muito bem temperado, a desfazer-se na boca, com batatas a murro e couves salteadas, mais uma rodelas de tomate bem maduro e cebola carnuda, bem temperados. Que bom!

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Joelho de porco assado no forno – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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PL-LR IX – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para os copos, o tinto PL-LR IX, uma ligação fantástica com tintos de duas regiões, tão distantes e tão próximas. Aromas complexos, aveludado, ligeiras notas de fumo e alguma fruta preta madura. Na boca tem óptimo volume, é carnudo, intenso, poderoso, com acidez muito equilibrada e final longo.

Ainda a saborear o prato de carne, apreciamos o tinto Casa Amarela Grande Reserva 2011, uma bonita homenagem ao avô Elísio. Dum ano incrível, é um vinho distinto, muito elegante, requintado, cheio de complexidade aromática, com muito boa acidez e uma boca cheia, com longo final. Ainda vai durar muito anos na garrafa…se lá chegar!

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Casa Amarela Grande Reserva red 2011 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Crumble de maçã – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalmente a sobremesa: primeiro o crumble de maçã que é obrigatório nesta casa, depois uma tira de queijo de meia cura na companhia de uvas brancas e tostinhas.

Primeiro abriu-se o Porto Tawny 10 Anos, com aromas de frutos secos intensos, notas de mel, de marmelo, excelente acidez e muita frescura.

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Quinta da Casa Amarela Porto Tawny 10 Anos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Quinta da Casa Amarela Porto Vintage 2011 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para o queijo foi a vez do primeiro Vintage comercializado pela casa, e logo o 2011!! Com fruta preta muito madura, notas de chocolate, levemente balsâmico, gordo, cheio, poderoso mas ao mesmo tempo elegante, um belo representante do que de melhor se faz nos vinhos do Porto modernos. Uma bela refeição, como sempre, entre gente boa, na companhia de vinhos com carácter.

E o Douro agradece…

Contactos
Quinta da Casa Amarela
Riobom
5100-421 Lamego
Tel: (+351) 254 666 200
Fax: (+351) 254 665 209
Mobile: (+351) 962 621 661
E-mail: quinta@quinta-casa-amarela.com
Website: www.quinta-casa-amarela.com

Quinta do Cardo, a frescura dos tintos

Texto João Pedro de Carvalho

Para os mais distraídos mesmo apesar de já aqui ter escrito sobre duas das últimas novidades da Quinta do Cardo, inserida na Companhia das Quintas, um branco e um espumante. Recordo que é um produtor da Beira Interior, nas proximidades da vila de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda, no Interior Norte de Portugal. As vinhas são em altitude, num total de 180 hectares, dos quais 69 são de vinhas cultivadas numa cota de 750 metros de altitude. Com a recente mudança de enologia mudou-se também a filosofia no que a viticultura diz respeito, hoje em dia os vinhos são apresentados como fruto de uma agricultura biológica/orgânica.

Desempoeirados e cheios de frescura até a nova roupagem parece surtir o efeito desejado, ou seja, os vinhos tornaram-se apelativos e dão a vontade de pegar neles para ver melhor o rótulo e o passo seguinte é levar para casa. A evolução que tem sido feita ao nível da apresentação tem sido notável e mora nos rótulos um certo “je ne sais quoi” que me faz recordar os rótulos do produtor italiano Vietti. Leia-se portanto muito bom gosto no que à escolha foi feita nesse aspecto, tanto é que há um upgrade no visual do vinho Colheita para o Reserva sempre com a flor do cardo presente.

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Quinta do Cardo Tinto 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Quinta do Cardo Touriga Nacional Reserva 2012 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Quanto aos vinhos em si, são dois tintos sobre os quais agora escrevo e que se apresentam como novidades no mercado. O Quinta do Cardo tinto 2014, feito a partir de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, com estágio de 9 meses em barrica de carvalho francês. O vinho foi para mim uma surpresa pela forma desempoeirada e fresca como se mostrou, a fruta muito solta e bem delineada, saborosa, ligeiro floral num conjunto coeso e bem estruturado. A passagem por barrica complementa o aroma e arredonda-o ligeiramente no palato, sem perder todo o vigor da juventude, num vinho feito a pensar nos bons momentos à mesa e que se mostra ideal mesmo face ao preço para um consumo diário com qualidade bem acima da média.

Dando um claríssimo salto em frente no que à qualidade diz respeito, surge o vinho Quinta do Cardo Touriga Nacional Reserva 2012 com direito a 20 meses em barricas de carvalho francês. Ainda muito jovem, tudo ainda novo apesar de contar já com três anos de vida, bem focado na casta e nos seus principais descritores. Grande frescura e vigor de conjunto, austeridade mineral em fundo com ligeiro terroso, muita fruta misturada num vinho que de momento parece um novelo apertado e coeso a precisar de mais tempo para melhor se desenrolar na garrafa. Aberto nesta altura será companheiro de pratos de forte temperamento como uma feijoada de javali ou uma lebre com feijão branco.

Quinta do Vallado Vinha da Coroa 2013 – A coroa longe dos holofotes

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Vallado significa “grande vale”. Qualquer pessoa que já tenha feito o tour até ao topo desta propriedade do Douro no Land Rover vintage da Quinta do Vallado pode confirmar, é vertiginoso; as vinhas sobem dos 80 aos 380m de altitude. Lá no topo é onde estão as vinhas mais velhas – field blends centenárias de 34 castas diferentes – que teimosamente permanecem enraizadas. Foi destas vinhas que – a coroa – proveio o novo e surpreendentemente diferente vinho tinto da Vallado, Vinha da Coroa – de uma parcela de dois hectares com o mesmo nome.

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Descansar os punhos! O Land Rover chega ao topo – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Ao explicar a origem deste vinho, Francisco Ferreira confessou que lhe causava confusão que, “todos os anos, duas parcelas de vinhas velhas adjacentes (e vinificadas da mesma forma) produzissem os melhores e os piores vinhos”. Agora espantem-se, estes “piores” vinhos provinham da Vinha da Coroa! Fazendo cara feia, como se tivesse acabado de mastigar uma graínha de uva, Francisco relembrou, “todos os anos que passavam a fruta Vinha da Coroa tinha um sabor mais verde e mais amargo”.

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Vinha da Coroa – vinhas velhas predominantemente viradas a norte – Foto Cedida por Quinta do Vallado | Todos os Direitos Reservados

Até ao lançamento do Quinta do Vallado Vinha da Coroa 2013, a fruta desta parcela tinha como destino o Vallado Tinto, um vinho de entrada com muito mais volume, uma boa maneira para disfarçar as características específicas desta fruta. Então porquê fazer um vinho produzido unicamente desta parcela? Para Francisco, resultou de um melhor conhecimento da Vinha da Coroa. Uma pista, até há pouco tempo, a parcela costumava chamar-se “Moscatel Velho” (já foi local de plantação desta casta branca de vinho branco). Um factor que, juntamente com os seus solos ricos, explicam por que é que a maturidade dos taninos era um problema para a Vinha da Coroa mas não para as outras parcelas de vinhas velhas da Vallado.

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É tudo uma questão de prespectiva – Francisco Ferreira com vinhas velhas da Quinta do Vallado viradas a sudoeste – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Dado que a Vallado se situa na sub-região mais fria e húmida do Douro (Baixo Corgo), a maior parte das suas vinhas adoram o sol e estão viradas a sudoeste. Um aspecto que, diz Francisco, é o segredo para a qualidade dos taninos “muitos maduros e equilibrados” dos tintos de topo Quinta do Vallado Reserva Field BlendQuinta do Vallado Adelaide, já para não falar da poderosa fruta concentrada.

Assim que Francisco percebeu a diferença, percebeu que resolver o problema da Vinha da Coroa passava por adapatar a vinificação à sua localização mais fria, especificamete extraindo menos taninos e, para o equilíbrio, fruta mais delicada. Afinal de contas, como observa, “o mais importante [questão proeminente para a qualidade do vinho] é o equilíbrio… Não me importa que as uvas estejam muito maduras se mantiverem uma boa acidez e não houver excesso de alcoól e fruta demasiado madura; também não me importa que estejam um pouco menos maduras se o vinho não mostrar taninos verdes ou amargura”. Como demonstra eloquentemente o último e muito equilibrado lançamento da Vallado, com uma menor extracção, a Vinha da Coroa é um local favorável para vinhos com apelo inicial (fruta e taninos suaves), mas com complexidade de sabores de vinha velha. Ou como diz Francisco, “vinhos mais leves, talvez menos vistosos, mas mais apelativos do ponto de vista do consumidor”.

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Da maneira fácil – sem fermentadoras robotizadas (à esquerda) para a Vinha da Coroa – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Na verdade, para o Vinha da Coroa, até escolheu previmente este local frio para demonstrar o seu perfil fresco – gostei muito das frutas vermelhas crocantes, toque apimentado e acidez fresca. Este estilo de vinhos mais leves mas sérios já está assente na Austrália, onde um produtor me disse recentemente “tem que haver vida além da vida e do homem e grande vinhos com peso, poder e força. A Austrália pode fazer isso mas também pode fazer outras coisas”. Tal como o Douro pode, tomando como exemplo, reconhece Francisco, a Nieeport que esteve na vanguarda desta abordagem com o Charme.

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Quinta do Vallado Vinha da Coroa 2013 (Douro) – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Em busca de um estilo mais leve, Francisco não esmaga nenhuma das uvas e, 50% por cento são cachos inteiros. Enquanto que a máquina robotizada de pigeage esmaga as uvas do Reserva e do Adelaide umas quatro vezes ao dia, o Vinha da Coroa foi submetido a um “baixo nível de extracção” (e um pouco de maceração carbónica tipo-Beaujolais) durante os seus 14 dias de fermentação. Foi envelhecido durante 16 meses em barricas de carvalho francês, nenhuma delas nova. Marcadamente mais pálido que os outros tintos 2013 que degustei nesta prova, vivo, com a acidez fresca a trancar as frutas vermelhas crocantes. As notas terrosas e harmoniosas derivadas dos cachos conferem profundidade, enquanto que, as notas de pimenta branca e um toque de eucalipto elevam o final. Corpo médio, com boa longevidade e intensidade, confere uma interessante nota de contraste ao portefólio da Vallado. 14.5%

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Casa do Rio, como um ninho de pássaros, o novo hotel boutique da Quinta do Vallado – Foto Cedida por Quinta do Vallado | Todos os Direitos Reservados

Um contraste que, tomem nota viajantes, está agora reflectido na sua sofisticada oferta de enoturismo desde que Francisco abiu a Casa do Rio no Douro Superior. Enquanto que os hóteis da Vallado estão situados bem perto da Régua e da agitação da cidade, a Casa do Rio fica nitidamente longe destes olhares. E, de facto, até fica à face de um caminho de terra batida e não perto de uma estrada. O caminho desce gentilmente pela vinha da Quinta do Orgal da Vallado, levando-nos até este pequeno hotel boutique (seis quartos) com vista para o Douro. Quase escondido por entre os patamares de vinhas como se de um ninho de pássaros se tratasse, e, embora os quartos beneficiassem com um melhor isolamento acústico, é um local espectacularmente tranquilo – um retiro natural. Recomendo.

Contactos
Quinta do Vallado – Sociedade Agrícola, Lda.
Vilarinho dos Freires
5050-364 – Peso da Régua | Portugal
Tel: (+351) 254 323 147
Fax: (+351) 254 324 326
Website: www.quintadovallado.com

Vinho engarrafado era para as festas

Texto João Barbosa

Há 50 anos, um registo «não se diluía no mar de marcas que actualmente existem e não estava tão sujeito “aos gostos dos mercados” e às classificações dos líderes de opinião. Permitia, por isso, fidelidade por parte do consumidor, que fortalecia as marcas, as empresas, o negócio e o estilo do vinho» – explica Virgílio Loureiro.

«O vinho engarrafado era para dia de festa e o mais procurado era o do Dão. A fama tinha sido conquistada mais pelo pioneirismo do engarrafamento do que pela qualidade. A marca era “colectiva”, associada à origem e sobrepunha-se quase sempre à marca da empresa. Havia também marcas individuais, algumas delas lendárias, fruto da qualidade do vinho e, principalmente, da genialidade com que era publicitado» – informa Virgílio Loureiro.

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Rótulo Grão Vasco – Foto Cedida por Sogrape Vinhos | Todos os Direitos Reservados

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Rótulo Grão Vasco – Foto Cedida por Sogrape Vinhos | Todos os Direitos Reservados

Um caso emblemático é o Grão-Vasco, surgido em 1958, após a visita de Fernando Guedes (Sogrape) ao Dão. A marca escolhida foi o nome pintor Vasco Fernandes (Grão-Vasco – séculos XV e XVI), natural de Viseu.

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Buçaco Branco Reservado – Foto Cedida por Palace Hotel do Bussaco | Todos os Direitos Reservados

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Buçaco Tinto Reserva – Foto Cedida por Palace Hotel do Bussaco | Todos os Direitos Reservados

Entre o Dão e a Bairrada há o clássico Buçaco (branco e tinto), do Palace Hotel do Bussaco. Por burocracia, não tem data de colheita, mas o número do lote indica o ano da vindima. Alexandre Almeida, sobrinho do fundador, conta que tudo começou por ser o «vinho da casa» e a primeira garrafa data de 1917.

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Palace Hotel do Bussaco – Foto Cedida por Palace Hotel do Bussaco | Todos os Direitos Reservados

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Garrafas – Foto Cedida por Palace Hotel do Bussaco | Todos os Direitos Reservados

Na tradição, os vinhos são feitos com a junção de uvas da Bairrada e do Dão – eram vinhos tradicionais dos agricultores, não de enólogo. «Desde logo com a ideia de permitir ao viajante a descoberta da gastronomia local e dos seus vinhos, enquanto vivência duma genuína afirmação cultural». À mesa serviam-se pratos tradicionais, «a par da cozinha, então moderna, de Escoffier».

No ano de 1964 surgiu o Adega Cooperativa de Borba Reserva, conhecido simplesmente por «rótulo de cortiça», pelo seu uso em vez de papel.

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Adega Cooperativa de Borba Tinto Reserva – Foto cedida por Adega de Borba | Todos os Direitos Reservados

Alguns vinhos mudaram de nome: o Tinto Velho (1878) hoje é José de Sousa. O Conde d’Ervideira Reserva (cerca de 1880) existe, mas acima dele existe Conde d’Ervideira Private Selection. É um vinho ressuscitado, a produção foi abandonada em 1954 e retomada em 1991.

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José de Sousa Tinto Velho 1996 – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

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José de Sousa – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

O Gaeiras Branco, feito com a casta vital, viveu grande prestígio nas décadas de 60 e 70 – mas começou a receber prémios a partir de 1876.

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Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas – Foto Cedida por Casa das Gaeiras | Todos os Direitos Reservados

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Casa das Gaeiras tinto – Foto Cedida por Casa das Gaeiras | Todos os Direitos Reservados

Morreu durante uns anos, ressurgindo com a colheita de 2013 – o herdeiro é o Casa das Gaeiras Vinhas Velhas.

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Casa das Gaeiras – Foto Cedida por Casa das Gaeiras | Todos os Direitos Reservados

O lugar de Peramanca deu o nome a um dos mais reputados vinhos do Alentejo. Registado, no século XIX, por José António Soares, foi valorizado, mas acabou. Em 1987, a marca Pêra Manca foi doada à Fundação Eugénio de Almeida, na condição de surgir apenas em anos excepcionais. O primeiro branco é de 1990 e o tinto de 1991. O rótulo original tem por base uma aguarela de Alfredo Roque Gameiro (1864 – 1935), mas em 2003 foi redesenhado e simplificado.

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Pera-Manca Tinto 1998 – Foto Cedida por Cartuxa | Todos os Direitos Reservados

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Pera-Manca Branco 1996 – Foto Cedida por Cartuxa | Todos os Direitos Reservados

John Reynolds, neto de Thomas Reynolds que comprou a Herdade do Mouchão, decidiu plantar uma vinha da casta alicante bouschet – pela primeira vez em Portugal. O Mouchão também ressuscitou, em 1985. A adega foi erguida em 1901 e a produção decorreu até à ocupação da Reforma Agrária (marxista).

Ao contrário do que pensei originalmente, encontrei mais marcas do que esperei. É impossível lembrar todas. Enumero mais algumas: Caves do Solar de São Domingos, Colares Chitas, Viúva Gomes, Lagoa Reserva, Messias Santola, Messias Vinho Verde, Messias Rosé, Frei João, Porta de Cavaleiros, Montes Claros, Pasmados…

Os 25 anos do vinho Duas Quintas

Texto José Silva

Foram dois dias a comemorar uma data de grande importância para o Douro e para a Ramos Pinto: os 25 anos dos vinhos Duas Quintas. (João Pedro de Carvalho também escreveu um artigo sobre este tópico, leia aqui)

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O Bolo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A que se juntaram outras duas datas que também mereceram celebração: o fim das vindimas na Ramos Pinto e a jubilação de João Nicolau e Almeida, quer como director de enologia, quer como administrador delegado da empresa, depois de 40 anos de trabalho intenso e dedicado.

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Os vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Os vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Nas instalações da Ramos Pinto em Gaia, depois da chegada dos convidados nacionais e estrangeiros, teve lugar uma prova muito bem organizada de 23 brancos Duas Quintas, entre clássicos e reservas. Os vinhos apresentaram-se em grande forma, a revelar uma evolução extraordinária em garrafa. O mais antigo, de 1994, apresentava um amarelo intenso, muito limpo, com nariz suave e aveludado e  deliciosas notas de evolução. Grande complexidade, boa estrutura, com uma acidez incrível, fino e muito elegante, um belo vinho. O mais recente, de 2014, apresentou uma cor citrina muito clara e é uma explosão de aromas de fruta no nariz, ligeiramente floral, muito jovem. Fresco, acidez intensa, cheio de fruta madura, seco, exótico, a pedir comida. O 2014 Reserva também é amarelo citrino, muito elegante. Aromas intensos de fruta madura, ligeiras notas vegetais, com uma complexidade deliciosa. Intenso, grande equilíbrio entre a fruta e as notas vegetais, exótico, seco e com grande acidez, a prometer grande evolução. Um reserva moderno.

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Quadro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Quadro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois foi a visita divertida ao museu da Ramos Pinto, que ajuda a entender a filosofia do seu fundador, cujo espírito se mantém em toda a empresa até ao presente.

Seguiu-se um óptimo almoço, na companhia de alguns dos vinhos provados e lá fomos até ao Douro, em passeio tranquilo.

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Almoço – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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A dançar – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Chegados à quinta do Bom Retiro, foi a surpresa da festa das vindimas, com direito a petiscos, o vinho a escorrer pelos copos e até um grupo de música a tocar num palco bem montado. A coisa prometia!

E veio outra surpresa, esta para João Nicolau de Almeida: um palanque com a representação da garrafa do Duas Quintas alusiva aos 25 anos e os cantares populares com versos dedicados à historia da empresa e ao homem, colega, companheiro e amigo que agora se vai retirar. O João fartou-se de agradecer, muito emocionado. Não faltaram os seus filhos e até os netos.

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Palanque – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Lagarada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Enquanto a festa continuava cá fora, apreciamos um óptimo jantar e de seguida acompanhamos a última lagarada, com os pisadores a trabalharem os mostos em dois lagares de granito, para vinho do Porto.

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A casa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No dia seguinte uma chuva ligeira fez-nos companhia, mas não retirou o ânimo de todos para uma prova épica de 23 tintos, entre clássicos e reservas.

Os vinhos estavam ali, decantados, e nós servíamo-nos à vontade, orientando a prova como entendêssemos, com tempo para apreciar.

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Os vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Os vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O mais antigo, de 1990, dum rubi claro, já não vai evoluir mais, mas ainda assim apresentou um nariz fantástico, elegante, sedoso, perfumado. Na boca está muito equilibrado, suave, taninos muito maduros, um senhor idoso mas com muita classe. O mais recente, de 2013, é granada muito escuro, carregado. Aromas florais, violetas, urze e notas de framboesa. Na boca é intenso, ainda austero, com notas florais, taninos poderosos e óptima acidez. Apesar disso já tem o perfil de elegância que lhes é característico. O mais velho dos reservas, de 1992, é um vinho extraordinário, duma cor rubi intensa, muito limpo. Nariz cheio de souplesse e elegância, com notas suaves de madeira e fumo. Na boca é muito fino, com taninos muito maduros, notas de tabaco, final sedoso muito longo. Grande vinho!

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Almoço – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Caldo Verde – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se um almoço volante, servido no alpendre da casa, com muitas vinhas ao fundo e a morfologia do Douro por companhia.

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Vinhos do Porto Ramos Pinto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Parabéns – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Quem quis voltou aos brancos e no final bebeu-se vinho do Porto e cantaram-se os parabéns. Acabara de se virar uma página na longa história dos vinhos do Douro.

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No alpendre – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

De regresso a casa, passaram-me pela memória algumas das histórias divertidas do João Nicolau de Almeida, com o seu sorriso franco e contagiante.

Assim adormeci no autocarro…

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Porto Blackett 30 Anos, marcado pelo poder do tempo

Texto João Pedro de Carvalho

Uma vez mais continuo na incansável procura pela novidade, encaro isto como uma boa desculpa para continuar a fazer algo que adoro, provar vinhos. E muito recentemente no meio de mesas atafulhadas de garrafas alguém me perguntou se conhecia a marca Blackett e os seus respectivos Portos. Esbocei um sorriso e disse que desconhecia, sorriso esse que aumentou quando à minha frente foi colocada uma garrafa de Porto Blackett 30 Anos. E é nestas alturas que nos sentimos qual criança com um brinquedo novo nas mãos, neste caso trata-se de um senhor tawny.

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Porto Blackett 30 anos – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Antes de me alongar a falar sobre o vinho, convém centrar um pouco na pessoa que foi  George Blackett, nasceu em Leeds e estabeleceu-se na cidade do Porto no século XIX como comerciante de Vinhos do Porto. O seu posicionamento dentro do sector permitiu-lhe uma progressão assinalável figurando no Top five dos maiores comerciantes desse século. A actividade seria alargada pelos seus filhos nos primórdios do século XX com a associação ao transporte marítimo dando lugar à companhia Blackett e Magalhães. Com a passada do tempo a empresa que se dedicava ao comércio de Vinho do Porto foi mudando de nome, passou por Blackett e Companhia, mais tarde Blackett Sucessores até ser integrada numa grande companhia após a segunda guerra mundial, mais propriamente em 1949. Um nome perdido na História que foi resgatado pela Alchemy Wines, Port Wines & Vineyards, Lda e mostra neste caso um vinho marcado pelo poder do tempo, capaz de sobreviver e crescer ao longo de sucessivas gerações, tal como o propósito desta nova empresa. Este Blackett 30 Anos é proveniente de vinhas cuja idade varia entre os 40 e 60 anos, localizadas no Douro Superior e resulta de lotação de vinhos de superior qualidade envelhecidos em cascos, cuja idade média é de 30 anos.

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Adega – Foto Cedida por Alchemy Wines | Todos os Direitos Reservados

Nunca em tempo algum irei colocar em causa o majestoso Porto Vintage, mas aquilo que mais me encanta e facilmente me conquista é um copo de Porto Tawny, quanto mais velho melhor. É no estilo Tawny que reside, a meu ver, a alma e essência daquilo que é o Vinho do Porto. O lote é uma arte dominada pela figura do master blender que na sua genialidade trata por tu todas as velhas pipas que repousam nas imensas caves. É essa figura que quase sempre passa despercebida aos olhos do consumidor e que sabendo escolher por entre centenas de barricas as que considera melhores, como quem monta um puzzle, consegue criar verdadeiras obras de arte. Neste caso um Tawny 30 Anos com uma belíssima complexidade, muito fresco com uma limpeza de aromas fantástica, tabaco, noz, alperce cristalizado, caramelo de leite, ligeira laca, sensação de untuosidade num conjunto amplo e profundo, com final de boca guloso. Tudo muito preciso na forma como conjuga a juventude e vigor dos vinhos mais novos com a complexidade e educação dos vinhos com mais idade que lhe complementam o lote. Vinhos destes são a recompensa ideal para nos acompanhar no final de um dia de trabalho.

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Vinho de todo o lado – e a começar no Douro

Texto João Barbosa

Durante o período da Guerra Colonial, o Exército era abastecido com vinho engarrafado. «Nessa altura era proibido vender vinho a copo, porque o Estado desconfiava que era oportunidade para adulterar o vinho». Em 1965 rebentou o escândalo do «vinho a martelo», uma bebida «obtida por fermentação de açúcar e junção de água e corantes» – conta Vasco d’Avillez.

Branco ou tinto? Cheio! «A maioria das pessoas não fazia ideia do que era um vinho bom e bebia aquilo a que estava habituada, quer fosse tinto deslavado quer fosse branco oxidado e pesadão» – explica Vasco d’Avillez.

O enólogo Virgílio Loureiro conta que, «até à década de 60, o vinho em Portugal pouco mais era do que sempre foi ao longo dos últimos 250 anos. O local de culto do seu consumo e de compra era a taberna, onde era quase invariavelmente vendido a granel. A exigência dos clientes não era muita, pois o copo era servido cheio – não dando azo a que se pudesse apreciar o seu aroma – e geralmente bebido de um trago».

As tabernas de Lisboa e Porto, embora com preferências de origem (não regiões demarcadas) vendiam vinho de diferentes locais. O vinho provinha sobretudo da terra de origem do taberneiro.

A demarcação da região do Douro data de 1756, a empresa que a instituiu ainda existe – conhecida por Real Companhia Velha. Durante séculos, o Vinho do Porto era o negócio, os vinhos tranquilos não tinham relevo.

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Real Companhia Velha Grandjó – Photo Provided by Real Companhia Velha | All Rights Reserved

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Real Companhia Velha Grandjó – Photo Provided by Real Companhia Velha | All Rights Reserved

Esta firma detém marcas icónicas do Douro. Em 1912 foi criada a Grandjó, específica para vinhos de colheita tardia. Só na década de 60 surgiram os primeiros vinhos sem Botrytis Cinerea, para responder à procura de vinhos mais leves.

Em 1913 nasceu o Evel – «leve» escrito ao contrário. «O objectivo foi criar um vinho elegante, macio e leve», explica Pedro Silva Reis que preside à Real Companhia Velha. «Os primeiros vinhos, tais como hoje, correspondiam às características descritas: elegantes, macios e, de certo modo, leves. Naquela época existiam poucas marcas e apenas uma pequena parte do vinho consumido era engarrafado e rotulado. A marca notabilizou-se a partir dos anos 30 e 40, pelo que será de supor que terá demorado alguns anos até se considerar um verdadeiro sucesso». Nas duas décadas seguintes, o Evel chegou à mesa do chefe do Estado, passando os rótulos a ostentar a designação de «Fornecedora da Presidência da República».

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Real Companhia Velha Cellar – Photo Provided by Real Companhia Velha | All Rights Reserved

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Pedro Silva Reis – Photo Provided by Real Companhia Velha | All Rights Reserved

Real Companhia Velha tem também o oposto do Evel. O Porca de Murça, criado em 1928, homenageando um monumento pré-histórico. «Vinhos tintos potentes e encorpados. A produção dos brancos só aconteceu anos mais tarde. A marca atingiu altos níveis de fama entre as décadas de 40 e 60. Recentemente, a marca voltou a viver momentos de glória ao tornar-se a marca do Douro mais vendida no mundo» – afirma Pedro Silva Reis.

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Barca Velha 1952 – Photo Provided by Sogrape Vinhos | All Rights Reserved

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Casa Ferreirinha Colheita Seleccionada 1960 Reserva Especial – Photo Provided by Sogrape Vinhos | All Rights Reserved

Quando se fala no Douro, há dois vinhos obrigatórios, considerados, por muitos, como os dois melhores de Portugal: Barca Velha (1952) e Ferreirinha Reserva Especial (1960). A Sogrape estabeleceu que os vinhos com maior potencialidade de guarda se designem por Barca Velha e os que previsivelmente terão longevidade inferior se chamem Ferreirinha Reserva Especial.

O espírito e o estilo nunca mudam. Até ao presente saíram 17 Barca Velha e 16 Ferreirinha Reserva Especial (entre 1989 e 1987, a legislação não permitiu o uso do adjectivo «especial».

Três grandes marcas: Casal Garcia, Lancers e Mateus

Texto João Barbosa

Para quem é formado em história, escrever uma crónica longa sobre vinhos, em fascículos, é doce de macã para se dar a bebés. A civilização Egípcia durou quase 3.200 anos e cabe num livro… mais ou menos. Coloquei o marco nas marcas com 50 anos e escolhi as sobreviventes – vendia-se muito vinho a granel e em garrafas de litros, famosas pelas seis estrelas em relevo.

Vasco d’Avillez, hoje presidente ca Comissão Vitivinícola de Lisboa, recorda que, por essa altura, as exportações de vinho «subiam a um ritmo muito grande e em que os produtores se começaram a apetrechar com materiais de muito boa qualidade».

A seguir à Segunda Guerra Mundial, dois cidadãos norte-americanos tiveram uma influência gigantesca no negócio em Portugal. Deduziram que as tropas quando regressassem levariam recordações europeias, e o vinho estaria no topo das escolhas. Todavia, se não houvesse dois homens de visão nada teria acontecido: António Porto Soares Franco (José Maria da Fonseca) e Fernando Guedes (Sogrape).

O Conde de Vila Real, com casa na localidade de Mateus, recebeu a visita dum americano que, ao provar um vinho da casta alvarelhão, afirmou que daria um bom rosé. A Sogrape, fundada em 1942, aproveitou a dica e seguiu o conselho dado ao titular.

O pequeno palácio barroco deu o nome ao vinho e a Sogrape contratualizou com o Conde de Vila Real o uso da imagem do edifício. Porém, não há qualquer ligação entre o solar de Mateus e o vinho.

A Sul, em Azeitão, a José Maria da Fonseca produzia já um rosé. O Faísca era um sucesso comercial, com promoções, eventos, patrocínios… Em 1944, Henry Behar, que tinha uma distribuidora nos Estados Unidos, quis levá-lo, mas havia um grave problema! Faísca lembra fiasco. Lembrou-se do quadro de Diego Velázquez «A Rendição de Breda», também conhecido por «Las Lanzas» ou «Lancers».

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Lancers – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Vasco d’Avillez  sublinha que cedo se produziram milhões de litros. Em 1975, o Mateus chegou aos 36 milhões de garrafas e o Lancers às 18 milhões. Outro campeão de vendas é o Casal Garcia, a marca mais antiga de Vinho Verde.

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As primeiras garrafas de Mateus – Foto Cedida por Sogrape Vinhos | Todos os Direitos Reservados

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Casal Garcia – Foto Cedida por Quinta da Aveleda | Todos os Direitos Reservados

Em 1938, o enólogo francês Eugène Hélisse «aterrou» por acaso na Quinta da Aveleda – o episódio é vasto. Embora relutante, Roberto Guedes aceitou a autocandidatura. Fizeram-se incipientes testes de consumidor, entre familiares e amigos, que ditaram o perfil vinho. Onde o pôr? Uma garrafa azul seduzia e o rótulo reproduz um lenço da senhora da casa. A Aveleda depressa apostou forte na promoção. Dos muitos aforismos de incentivo à compra, um lema ficou para a posteridade… até hoje: «Haja alegria. Haja Casal Garcia».

As duas marcas de rosés tornaram-se globais e apostaram muito na promoção, ao ponto de surgirem falsificações. A popularidade levou a que activistas políticos, em vários países, apelassem ao boicote à compra destes dois vinhos, devido ao regime político vigente em Portugal e às guerras em África.

Toca da Raposa, um refúgio no Douro…

Texto José Silva

Ao longo dos últimos anos têm surgido no Douro alguns espaços que se dedicam a servir boa comida, com qualidade e produtos genuínos e que se têm consolidado, sendo hoje procurados quer por portugueses quer mesmo por estrangeiros, muito graças também á divulgação através das redes sociais, cada vez mais um instrumento valorativo e de rápido acesso.

Em Ervedosa do Douro, uma pequena povoação na estrada que sobe desde o leito do rio Douro até S. João da Pesqueira, abriu há alguns anos um desses espaços a que deram o nome de “Toca da Raposa”. Mesmo à face da estrada, mas com amplo parqueamento logo à frente, recebe-nos um espaço muito confortável e acolhedor, bem decorado, sóbrio, de muito bom gosto.

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Toca da Raposa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Algumas mesas logo à entrada, depois um amplo balcão e mais algumas mesas a seguir, soalho em madeira, algumas paredes em madeira e outras em xisto, muitas prateleiras repletas de garrafas de vinho, que ali também é muito bem trabalhado.

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Toca da Raposa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Toca da Raposa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A mãe a dirigir a cozinha com mestria, as suas mãos a fazerem por vezes verdadeira magia, a filha a dirigir a sala com sabedoria e bom gosto, apresentando os pratos e fazendo propostas de acompanhamento com vinhos de grande qualidade, em que o Douro, naturalmente, está representado em esmagadora maioria. O resultado é sempre magnífico, proporcionando ao visitante refeições intensas, com variedade, bem apresentadas, desde as entradas até aos pratos principais mais elaborados, com temperos equilibrados, cozinhados no ponto, dando sempre realce á qualidade dos produtos utilizados. Depois, quando passamos à escolha do vinho ou vinhos, teremos sempre o acompanhamento da filha, que mostra que os vinhos que podemos apreciar nas prateleiras e na vasta carta, não estão ali por acaso nem ao acaso. Nota-se que é pessoa conhecedora, esclarecida, conhece os vinhos, as suas proveniências, as suas características e as harmonizações que se podem conseguir com os pratos variados da ementa. A isto não será alheio o facto de por ali passarem muitos dos produtores da região do Douro e em especial daquela zona. S. João da Pesqueira é o concelho da região onde há o maior número de produtores de vinhos do Douro. Na última visita, depois de sentados confortavelmente á mesa, trincamos umas amêndoas torradas que fizeram companhia a um Porto Branco 10 Anos da Andresen, à temperatura certa. Muito bom.

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Míscaros Grelhados – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Filetes de Polvo – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Logo de seguida, um delicioso pão regional fez companhia a algumas entradas muito bem confeccionadas: míscaros grelhados com azeite muito saborosos e filetes de polvo fritos com polme fofinho.

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Peixinhos do rio – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Alheira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

De seguida uns peixinhos do rio fritos de escabeche deliciosos, alheira tostada, muito saborosa, com aquele toque levemente azedo e pele crocante, com uns grelos salteados carnudos.

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Para fechar as entradas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E para fechar as entradas os sabores da azenha – pão regional torrado com azeite, presunto e queijo em azeite. Excelente! Até aqui tínhamos bebido o branco Gambozinos Reserva de 2013, que esteve sempre à altura, e então passamos para um tinto, o Beira Douro Colheita de 2012, ambos servidos a copo.

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Arroz de míscaros – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Cachaço de porco Bízaro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O tinto fez boa companhia a um arroz de míscaros preparado no ponto, cremoso e apaladado, com febrinhas de cachaço de porco bízaro grelhadas.

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Cabrito grelhado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas ainda veio o cabrito grelhado com batata refugada e couve salteada, comida de aldeia muito bem confeccionada.

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Sobremesa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Sobremesa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Já em esforço, mas com o Porto LBV da Noval 2008 no copo, atacamos a torta de amêndoa e o pudim de ovos, e um queijo da serra com marmelada e nozes que nos deixaram prostrados…mas muito satisfeitos.

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O Douro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois descemos para o Pinhão, ao encontro do rio Douro, sempre ele…

Herdade da Malhadinha Nova, no reino da família Soares

Texto João Pedro de Carvalho

A Herdade da Malhadinha Nova é o perfeito exemplo de um sonho que se tornou realidade. Um sonho que pertencia à família Soares: João, Paulo, Rita e Margarete Soares. A Herdade com os seus actuais 400 hectares foi comprada em 1998 e salva da total ruína em que se encontrava. Localizada em Albernoa (Beja), é hoje um exemplo de sucesso dentro e fora de portas. Ali tudo é feito com paixão e muito empenho. O bom gosto e a produção de produto de alta qualidade sempre fez parte da chancela deste projecto que viu em 2001 serem plantados os primeiros 20 hectares de vinha, hoje já são 35. A tudo isto tem-se juntado no passar do tempo, a plantação de olival com a respectiva produção de azeite tal como a criação de animais de raça autóctones com denominação de origem protegida (DOP) e com destaque para o Porco de Raça Alentejana mais conhecido como Porco Preto.

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Monte da Peceguina Branco 2014 – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

Se a nível da oferta vínica podemos contar com belíssimos vinhos, o projecto de enoturismo cedo se iria fazer notar pela excelência da oferta a todos os níveis, com as mais variadíssimas actividades a serem colocadas à disposição do visitante. Como imagem de marca foram “buscar” a simpática vaquinha Malhadinha desenhada pela filha Matilde. Um desenho entre outros tantos criados pela nova geração da família Soares e que vão acompanhando a cada colheita os vinhos e os novos projectos que vão nascendo à medida que a família aumenta, exemplo disso são vinhos como o Menino António, Pequeno João, Marias da Malhadinha ou em breve o Mateus Maria. Imbuídos neste clima familiar somos embalados sempre por um sorriso, que desde 2003 tem sabido acompanhar as gentes da Malhadinha.

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Monte da Peceguina Rosé 2014 – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

O meu primeiro contacto com este produtor foi com um Monte da Peceguina rosé 2003, seria naquela altura e naquele momento um rosé diferente, causador de impacto e conquistador de palatos e consumidores. Aquela fruta gorda e gulosa embalada em ligeira frescura com ponta adocicada fazia as delícias de muitos, estava então lançada a marca para o sucesso e logo na colheita seguinte iriam surgir os topos de gama onde simpática vaquinha Malhadinha iria fazer a sua primeira aparição. Até aos dias de hoje, os vinhos têm vindo a afinar o seu perfil. A prova que realizei com algumas novidades mostram vinhos que souberam encontrar o caminho certo e são hoje exemplo de consistência colheita após colheita.

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Antão Vaz da Peceguina 2014 – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

Decidi escolher apenas seis vinhos, escolhi aqueles cuja prova mais me cativou, cujos aromas e sabores mais me sorriram. Dois de entrada de gama, dois de gama média e dois de gama alta. A gama de entrada, com nome do Monte da Peceguina, aqui em prova na sua versão branco e rosé, ambos da colheita de 2014. O branco com aromas frescos e bem definidos, feito de Antão Vaz, Verdelho, Roupeiro e Arinto, coeso e com notas florais, muita fruta de caroço (pêssego e alperce) e citrinos bem maduros. Boca com boa presença e passagem fresca e saborosa, fruta presente num final com ligeira secura. O Monte da Peceguina Rosé 2014 mostra-se agora completamente diferente do que foi quando conheci a sua primeira edição, o único traço em comum é a fruta bem fresca e sumarenta, framboesas e morangos. De resto mostra tudo num plano de harmonia e finesse, boa passagem de boca sem quebras em final apimentado.

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Aragonez da Peceguina 2013 – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

Um passo em frente e ficamos a conhecer a gama de monocastas que nos são colocados à disposição conforme o ano em questão. Por entre brancos e tintos escolhi um branco e um tinto que espelham bem um patamar qualitativo bem acima da gama anterior. São eles os Monocastas da Peceguina com a escolha a recair no Antão Vaz 2014. Um branco com boa exuberância carregado de fruta madura bastante fresca, diga-se que todos os vinhos se mostram bastante frescos com a fruta bem delineada, neste caso os tons mais tropicais conjugam-se com os aromas citrinos (tangerina). Enche o palato de sabor, bem encorpado e a pedir pratos de peixe no forno, com a fruta a marcar num final de travo ligeiramente mineral e seco.

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Malhadinha branco 2014 – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

Fiquei rendido aos encantos deste Aragonês da Peceguina 2013, um belíssimo exemplar da casta com aromas a frutos vermelhos (framboesa, groselhas) maduros, presentes de forma limpa e fresca, aliando elegância com robustez. O estágio de 12 meses em barrica que mal se faz notar, alimentou a sua complexidade com notas de chocolate de leite e alguma especiaria. No seu todo é um vinho com muita energia que dá já bastante prazer à mesa.

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Menino António Alicante Bouschet 2012 – Foto Cedida por Herdade da Malhadinha Nova | Todos os Direitos Reservados

No que aos topos de gama diz respeito, o Malhadinha branco 2014 é um dos grandes exemplares de vinho branco do Alentejo e mostra-se ainda jovem, muito coeso, complexo e fresco, sente-se a envolvência da barrica com notas de citrinos e algum floral, sensação de cremosidade com bastante elegância. Boca com grande presença da fruta bem sumarenta, notas de ligeiro amanteigado que lhe dão sensação de untuosidade mas sempre com bastante firmeza e frescura, em final longo e persistente. A cereja no topo do bolo será o Menino António Alicante Bouschet 2012, um vinho que me encheu as medidas, um verdadeiro colosso ainda cheio de vida pela frente mas que mostra já sinais de elegância. De momento enche o copo com aromas de frutos silvestres com destaque para groselhas e amoras, alguma ameixa embrulhada por um toque ligeiro de chocolate preto e especiarias. A barrica onde passou 18 meses confere ligeira tosta, aquele fumado também se faz notar mas a frescura toma as rédeas do conjunto coeso e cheio de energia. Bastante estruturado na boca, fresco e muito firme com taninos a fazerem-se notar, fruta madura a escorrer de sabor a ser embalada pela madeira e por um conjunto com muita vida pela frente.

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