A Adega do Cartaxo e o renascer do Ribatejo Cockburn’s Port

Marcolino Sebo Wines – Quinta da Pinheira Colheita Seleccionada 2010 and Visconde de Borba Reserva 2011

Texto João Barbosa

Foi na indústria extractiva que Marcolino Sebo conseguiu com que pagar terra arável. Estremoz é terra de mármore e de vinha. Parcela a parcela junto 190 hectares, dos quais 130 estão com vinha.

A história vitícola de Marcolino Sebo começa em 1975, quando o país ardia de paixões políticas, quase desembocando numa guerra civil que dividiria o país ao meio – fico por aqui quanto à história de Portugal.

Até 1999, Marcolino Sebo vendeu as uvas para a Adega Cooperativa de Borba, tornando-se num fornecedor destacado. Nesse ano fez a primeira vindima em nome próprio e estreou a adega.

Todas as vinhas estão dentro da demarcação do Alentejo, dentro da sub-região de Borba. Nem todos os seus vinhos são DOC Alentejo (denominação de origem controlada), vários estão classificados como Regional Alentejano. Além dos vinhos tranquilos, Marcolino Sebo também produz licorosos e vende aguardentes bagaceira e vínica. Acrescente-se uma pequena produção de azeite.

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Marcolino Sebo in marcolinosebo.com

Tudo se aproveita e se poupa. Os generosos permitem-lhe não desperdiçar vinho que dificilmente venderia. As aguardentes são adquiridas a quem lhe compra subprodutos vínicos. As barricas já sem utilidade são usadas para o estágio dos espíritos.

O vinho é quase todo tinto: seis tintos, três brancos, um rosé, um licoroso branco, uma aguardente vínica (velha) e uma aguardente bagaceira. Porquê tantos tintos? Porque são os mais procurados – simples.

Numa gama tão larga, a ementa de Marcolino Sebo vai dos 2,5 euros até aos 20. Monte da Vaqueira (branco e tinto) é a base. As ideias que fogem ao perfil principal surgem com a marca Quinta da Pinheira, mas o emblema vai para as prateleiras como Visconde de Borba. O licoroso e as aguardentes são vendidos com o nome do produtor.

Bem, ao que interessa. Não experimentei a gama toda, mas ainda assim a amostra foi vasta. Síntese elaborada por Jorge Santos, com um orgulhoso sotaque alentejano e grande simpatia.

Portugal tem a sorte (mérito) com os seus vinhos generosos/licorosos – diferenciação burocrática para designar vinhos fortificados e que sinceramente só atrapalha. Com Vinho do Porto, Vinho da Madeira e Moscatel de Setúbal, entre outros, brilhar não é fácil. Estes néctares são tradicionais em quase todo o país e o Alentejo é uma das suas pátrias. Portanto… O MS Licoroso Branco, feito com um lote de rabo de ovelha e de roupeiro, está nessa família antiga. Tem frescura e é guloso. Quanto ao resto, não se pode comparar.

Jorge Santos explicou-me que os vinhos da casa pretendem responder a duas questões: a tradição e o mundo. Mas discordo! Está bem, isso da tradição, mas não encontrei outro sotaque que não fosse o das frases cantadas do «idioma» alentejano. Sublinho que Marcolino Sebo tem também vinhas de castas não portuguesas.

Só por si, isto que escrevi acima não é nem positivo nem negativo – pois há bom e mau no que é antigo e nas «viagens». Neste caso, o balanço é claramente positivo, seja nos néctares mais agarrados à pátria alentejana, seja nos que resolveram passear um bocadinho.

Olhando para o conjunto… e tratando-se de Alentejo, onde nos brancos pontifica a casta antão vaz… epá! A culpa não é nem do produtor, nem do enólogo, nem da casta. Não gosto da antão vaz! Está bem, esquecendo-me do gosto pessoal, há que dar voto de confiança.

Reconheço que há alguma injustiça escolher para comentar só alguns vinhos. Qual o critério a seguir? Ficar pelos topos de gama? Apontar aos de preço mais democrático? Dos vários critérios possíveis, vou escolher pelo lado materno – alentejana, embora duma terra sem vinha (Castro Verde).

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Visconde de Borba Reserva 2011 in marcolinosebo.com

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Quinta da Pinheira Colheita Seleccionada in marcolinosebo.com

Vou assumir conscientemente o gosto pessoal – já conto um pormenor deste assunto. O Quinta da Pinheira Colheita Seleccionada 2010 (alicante bouschet, aragonês e trincadeira) e o Visconde de Borba Reserva 2011 (alicante bouschet, aragonês, tinta caiada e trincadeira) agradaram-me no «ponto G» enófilo, pelo seu forte sotaque.

O pormenor a que me referia é que, ao almoço, com Jorge Santos e Sónia Sebo (filha de Marcolino Sebo e gestora da firma), fui «obrigado» a conhecer vários «elementos da família». No final, já alegres, o enólogo entregou-me três garrafas (as referidas e Quinta da Pinheira Tinto 2011) e disse-me que eram os «seus», aqueles cujo sotaque cantado lhe dão o calor da região.

Pois, sim. É verdade! Bem falam cantando.

Todos ali cantam. E o cante alentejano é Património Imaterial da Humanidade, sentenciou a UNESCO.

Contactos
Quinta da Pinheira – Arcos
7100 Estremoz
Tel: (+351) 268 891 570
Fax: (+351) 268 891 571
Email: geral@marcolinosebo.com
Website: www.marcolinosebo.com

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