Posts Categorized : Vinhos Tranquilo (Vinhos de Mesa)

Quinta da Romeira – qualidade e consistência!

Texto Olga Cardoso

A Quinta da Romeira está situada no coração de Bucelas, uma das mais antigas regiões exportadoras de vinho, muito famosa pelos seus vinhos brancos e por isso mencionada por Shakespeare na sua peça teatral Henrique VI.

Existe de facto uma forte ligação entre esta Quinta e o Reino Unido. Em 1703, Luís de Vasconcelos e Sousa, terceiro Conde de Castelo Melhor, foi um dos grandes intermediários nas negociações do contrato de casamento entre a Princesa Catarina de Bragança e o Rei de Inglaterra Carlos II. Em honra da Princesa, instituiu o Morgadio de Santa Catherina, tendo nele incluído a Quinta da Romeira.

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Janela Manuelina © Blend All About Wine, Lda.

Em início do século XIV, o nobre Solar da Romeira ofereceu estadia a Sir Arthur Wellesley, mais tarde Duque de Wellington, de cujas janelas manuelinas avistava as famosas linhas de Torres Vedras, que mandou construir às portas de Lisboa com o objectivo de impedir o exército invasor (Francês) de alcançar a capital do Reino de Portugal.

Provando os vinhos de Bucelas e deles se tendo tornado forte apreciador, enviou-os para o monarca inglês da época, Jorge IV, que também tendo gostado imenso de tais vinhos, os passou a designar por Vinhos de Lisboa.

A Quinta da Romeira foi recentemente adquirida pela Wine Ventures, empresa sediada em Lisboa e liderada por Francisco de Sousa Ferreira, homem como elevada craveira na área da gestão, designadamente em empresas do sector do vinho e outras bebidas, como a Unicer e a Sogrape, onde desempenhou funções de Administrador Executivo.

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José SIlva, Maria Godinho and Manuel Pires da Silva © Blend All About Wine, Lda.

A liderança na área da enologia encontra-se presentemente nas mãos de Manuel Pires da Silva, com longa e comprovada carreira, designadamente na Quinta do Minho. Manuel conta com a colaboração da promissora enóloga Maria Godinho, que acrescenta juventude e criatividade ao grupo e ainda com a colaboração do conhecido e prestigiado enólogo Manuel Vieira.

Foi por esta simpática equipa e ainda pela profissional e dinâmica Directora de Marketing, Catarina Rente, que a Blend | All About Wine foi recebida no passado dia 25 de Setembro.

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Copos de Prova © Blend All About Wine, Lda.

Numa prova muito bem organizada, provamos um total de 7 vinhos. Cinco brancos e dois tintos. A qualidade e consistência demonstrada pelos diferentes vinhos é de facto assinalável. Os brancos são frescos, com uma acidez notável e um delicioso toque de maresia e salinidade que a proximidade do mar lhes proporciona.

Os tintos, elaborados a partir da nossa Touriga Nacional e das castas francesas Merlot e Cabernet Sauvignon, mostraram bom corpo, boa estrutura e deram-nos excelentes sinais sobre a pretensão desta empresa em produzir também vinhos tintos
De facto a Quinta da Romeira fica muito perto do mar e do vasto estuário do tejo.

Possui a maior vinha contínua de Arinto, cerca de 75 hectares, e é, na minha opinião, a produtora dos melhores Arintos da região, não só no que toca à sua tipicidade como também à sua imbatível qualidade/preço. Se querem provar um arinto de Bucelas, não hesitem em comprar Quinta da Romeira!

Confesso-me uma fã incondicional dos Arintos desta casa e por isso aqui ficam as minhas notas pessoais sobre aquilo a que chamo – a magnífica trilogia!

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Prova Régia 2013 © Blend All About Wine, Lda.

Prova Régia 2013
Estagiou durante um mês sobre as borras finas e exibe um nariz exuberante com notas de fruta tropical, como ananás e maracujá, acompanhadas de delicados apontamentos cítricos. Na boca mostra-se muito fresco, com uma acidez muito bem controlada, num fundo bastante mineral. Um vinho versátil e consensual.

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Prova Régia Reserva 2013 © Blend All About Wine, Lda.

Prova Régia Reserva 2013
Cerca de 10% deste vinho é fermentado em barricas novas de carvalho francês. Apenas a percentagem suficiente para lhe conferir complexidade, sem que a madeira se faça sentir e permita a exibição de todo o seu carácter varietal. Muito cítrico, lima e limão a dominar o seu conjunto aromático, aos quais se juntam as notas de tropicalidade e suaves sensações de salinidade. Mineral e fresco, possuí um final longo e elegante. Um exemplar vivo da qualidade do Arinto de Bucelas.

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Morgado de Sta. Catherina 2012 © Blend All About Wine, Lda.

Morgado de Sta. Catherina 2012
Aroma dominado por notas cítricas numa versão suavemente mais compotada. A mineralidade faz-se também sentir, acompanhada de ligeiras sensações de mel e toques especiados. Fruto da sua fermentação em madeira, exibe uma estrutura notável. Volumoso e guloso, é também muito elegante e cheio de personalidade. Com uma acidez irrepreensível e um final bastante persistente, mostra-se um Arinto, altivo, nobre e marcante.

Contactos
Wine Ventures LDA
Quinta da Romeira de Cima
2670-678 Bucelas
Portugal
Tel.: (+351) 219 687 023 (+351) 219 687 071
Email: info@wineventures.eu
Site: www.wineventures.eu

A Vida Aquática Com Monte d’Oiro

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Viajar por Portugal é uma experiência. Atravessando as pequenas aldeias de carro, um sem número de rotundas e lindas paisagens fazem parte da diversão de saltar de região de vinho em região de vinho.

A maioria das pessoas tem esta imagem de Portugal: que é a terra do sol que nunca acaba. Com certeza que poderá apanhar tempo muito bom quando estiver em Portugal, mas porque o país está pendurado na beirinha da Europa, com os dois pés firmes no Oceano Atlântico, o tempo pode tornar-se bastante difícil, às vezes. Esta viagem foi uma dessas vezes.

Partimos para uma prova na Quinta Monte d’Oiro perto de Lisboa. A Mãe Natureza consegue ser uma absolutista porque abriu as comportas no exacto momento em que entramos no carro. O nosso carro converteu-se imediatamente num submarino, à semelhança do carro naquele filme do James Bond. A água caía do céu em quantidades bíblicas. Os limpa-pára-brisas limpavam à velocidade máxima, os bacalhaus nadavam na faixa oposta e eu tenho quase a certeza de ter visto o Kraken. É surpreendente o quão difícil é conduzir quando não se vê mais de um palmo à frente do nariz.

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As vinhas na Quinta do Monte d’Oiro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Conseguimos, no entanto, encontrar a propriedade e até a chuva parou, por um breve momento. Depois de darmos uma espreitadela às vinhas, localizadas mesmo em frente à adega, fomos até à cave e tivemos uma prova bastante extensa, dos brancos aos tintos, das colheitas mais recentes às mais antigas. Enquanto beberricávamos os vinhos, a Mãe Natureza continuava a protestar lá fora e a tempestade transformou-se em trovoada.

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A Quinta sob um Céu Tempestuoso – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Juntou-se a nós José Bento dos Santos, broker de metais numa vida anterior, que adquiriu a propriedade Monte d’Oiro em 1986. A quinta é conhecida por produzir vinhos que acompanham bem a comida, feitos não só de castas Portuguesas, mas também de Syrah, Viognier e Petit Verdot.

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José Bento dos Santos – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Provámos vários patamares de vinhos e passado um pouco, começou a surgir um padrão. Os vinhos eram consistentemente bons, contidos nos aromas e guiados pela acidez e estrutura. As regiões de vinho de Lisboa são geralmente bastante frescas em comparação ao Alentejo, por exemplo. A influência do Atlântico é muito presente, dando com frequência aos vinhos frescura e tornando-os muito bebíveis.

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Prova na Cave – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Se há uma coisa que eu trouxe desta prova foi que os vinhos de Monte D’Oiro envelhecem bastante bem. Apesar de alguns anos se mostrarem melhores que outros, o que é normal, os vinhos mantêm a sua pose e continuam a mostrar grande carácter.

As minhas duas escolhas da prova:

Quinta do Monte d’Oiro Reserva 1999
Tinto baseado em Syrah com grandes cojones. Aromas maravilhosamente amadurecidos de tapenade de azeitona preta, ervas e bagas vermelhas. Estrutura de taninos suave e ainda alguma boa acidez vibrante. Um vinho que pode continuar durante muitos anos. Muito bom.

Quinta do Monte d’Oiro ‘Homenagem a Antonio Carqueijeiro’ 1999
Ligeiramente mais desenvolvido que o Reserva. Mostrando mais daqueles aromas rústicos, de celeiro, mas ainda com algum agradável perfume de cereja e especiarias. Faz-me lembrar um pouco os vinhos Saint-Joseph. Beba agora ou espere um par de anos, mas certifique-se que tem boa comida para o acompanhar.

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Os Vinhos da Noite – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois da prova era altura do jantar. O Sr. Bento dos Santos é um gastro-entusiasta, para não dizer mais. Aparentemente trata Paul Bocuse por tu, entre muitos outros elogios. Para resumir um longo jantar, nós comemos o que foi, de acordo com o anfitrião, a melhor carne da Europa, premiado por uma espécie de revista de carne de vaca. Quem diria que havia uma revista só para carne de vaca? Bom, o jantar estava absolutamente delicioso, claro. O que o tornou ainda mais delicioso foi que nós bebemos 5 tipos diferentes de rum como digestivo. Eu não levantei objecções. Em suma, um grande insight para uma das melhores adegas de Lisboa, e que foi, apesar do tempo horrível, uma visita que valeu bem a pena.

Contactos
Freixial de Cima
2580-404 Ventosa Alenquer
Tel: (+351) 263 766 060
Fax (+351) 263 766 069
Email: geral@quintadomontedoiro.com
Site: www.quintadomontedoiro.com

O Tesouro de Colares

Texto João Pedro de Carvalho

Entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, a 25km a Noroeste de Lisboa, situa-se uma pequena zona vitícola muito antiga com produção a remontar ao ano de 1255, aquela que é a Região Demarcada (desde 1908) mais ocidental da Europa e a mais pequena região produtora de vinhos tranquilos de Portugal.

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Sala dos Tonéis © Blend All About Wine, Lda.

A história do vinho de Colares é longa e perde-se nas páginas do tempo, os seus vinhos ainda hoje fazem parte das memórias dos seus apreciadores e são alvo de procura pelos mais dedicados e curiosos. Na verdade a região perdeu-se no turbilhão da era moderna, o comboio da novidade, caiu no esquecimento com o respectivo abandono progressivo da actividade por parte das gentes locais contribuindo isso em muito para que a quantidade de vinha que existia fosse desaparecendo.

O mais importante produtor da região, até pelo poder de certificar os vinhos DOC Colares, é a Adega Regional de Colares, que após receber as uvas vê os mostos serem posteriormente vendidos em bruto e trabalhados nas respectivas adegas dos associados como é caso a Adega Viúva Gomes. A Adega Regional de Colares foi fundada em 1931, reúne mais de 50% da produção da região e mais de 90% dos produtores da mesma.

Hoje em dia, passo a passo a região começa a despertar por resultado do esforço e dedicação de alguns produtores, para além da Adega Regional o principal centro de vinificação da região ainda se juntam mais dois novos produtores, a Fundação Oriente e o Casal Sta. Maria.

Parte desse esforço, dessa saudável teimosia de revigorar a imagem e qualidade dos vinhos da região tem um rosto, o enólogo Francisco Figueiredo (Adega Regional de Colares). Mostrando um brilho no olhar quando nos fala da região, dos seus vinhos e em especial da casta Ramisco, aquela que tanto gosto e defende. Foi toda uma manhã que apesar de ter começado chuvosa, se dedicou a explorar a região, os vinhos e as vinhas.

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Francisco Figueiredo © Blend All About Wine, Lda.

Focando apenas nas vinhas de chão de areia, cujas vinhas pré-filoxéricas evidenciam os contornos do tempo, tivemos a sorte e privilégio de assistir à vindima (foto abaixo) sendo bem visível quer as barreiras em cana que protegem as vinhas dos ventos e da maresia, como nas macieiras anãs de Maçã Reineta de Colares, tradicionais companheiras das vinhas de Colares.

A proximidade ao mar tem enorme influência nos vinhos: frescura, mineralidade, toque salgado com algum iodo fazem parte dessa diferenciação tão própria da região. Um património tão rico e único, com uma forte componente tradicional a ele associada.

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As vinhas de Colares © Blend All About Wine, Lda.

Enquanto a Malvasia Fina reina nos brancos de Colares, domina os vinhos pela salinidade, muita frescura num perfil quase sempre tenso enquanto novo, com uma evolução muito positiva que nos envolve com aromas de tisana, lápis de cera e rebuçado, vinhos que são a companhia perfeita para acompanhar pratos de peixe e marisco.

Nos tintos brilha a casta Ramisco, os vinhos a que ali dá origem destacam-se pela tonalidade aberta, pouco concentrados e nos melhores exemplares com longevidade assegurada. Vinhos de enorme elegância, muita harmonia com toque iodado a despertar nos mais longevos, enquanto novos mostram uma frescura muito boa, fruta viva e muito limpa com carga vegetal vincada numa estrutura assente em taninos que lhe garantem boa evolução.

Bastante interessante o poder comparar a evolução após respectiva prova directamente da barrica do Ramisco 2011 (o mais aguerrido com carga vegetal e secura vincada) e 2008 (uma delícia de vinho a mostrar uma grande evolução no copo, fruta muito saborosa e fresca com boa estrutura e taninos ligeiramente domesticados) e o já engarrafado 2006 (mais pronto, no entanto também mais polido e delicado que o anterior).

Arenae Malvasia Fina branco/white 2011
Um branco ainda muito novo, tenso, marcado pela mineralidade, toque salgado, muito citrino, algum lápis de cera com a tisana a surgir em fundo. Boca com muito boa acidez, boa definição num vinho com traço mineral e fim quase salgado, longo e bonito final. Perfeito a acompanhar umas Ameijoas à Bulhão Pato.

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Arenae Ramisco Red 2006 © Blend All About Wine, Lda.

Arenae Ramisco tinto/red 2006
Muito limpo no aroma a fruta vermelha (morango, framboesa, mirtilo), toque vegetal fresco a conferir ligeira austeridade ao conjunto, boa complexidade e profundidade. Especiaria, fundo bem fresco que nos guia durante a prova, palato cheio de sabor com secura no fundo. Fantástico a acompanhar uns bons nacos de novilho no carvão.

Contactos
Adega Regional de Colares
Av. Coronel Linhares de Lima, n.º 32 Colares
2705-351 Sintra,
Tel: +351219291210
Fax: +3519288083
Email: geral@arcolares.com
Site: www.arcolares.com

Quinta do Sanguinhal – uma verdadeira viagem ao passado!

Texto Olga Cardoso

A visita à Quinta do Sanguinhal foi para mim uma verdadeira surpresa. Um encontro com o passado do vinho, da região, com relatos de vidas de outrora e, neste caso concreto, com uma impressionante vida dedicada ao empreendedorismo.

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Quinta do Sanguinhal © Blend All About Wine, Lda.

Falo de Abel Pereira da Fonseca, que fundou a Companhia Agrícola do Sanguinhal para administrar as propriedades que possuía na região do Bombarral.

Nessa época, a também sua Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca detinha e explorava a maior rede de estabelecimentos de venda ao público no país, com cerca de 100 lojas em Lisboa. Fernando Pessoa foi várias vezes “apanhado” nessas lojas em “flagrante delitro”, segundo o próprio costumava dizer.

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Quinta do Sanguinhal © Blend All About Wine, Lda.

A empresa dedicou-se desde sempre à produção e comércio de vinhos. Para o efeito, vinificava separadamente os vinhos das Quintas das Cerejeiras, do Sanguinhal e de São Francisco nas respectivas adegas, possuindo no conjunto uma capacidade em toneis e balseiros de madeira de carvalho e mogno da ordem dos dois milhões de litros, utilizados para a fermentação, armazenagem e envelhecimento de vinhos de mesa, vinhos licorosos e aguardentes.

A Companhia Agrícola do Sanguinhal dedica-se à exploração de 3 Quintas na Designação de Origem de Óbidos que perfazem, em conjunto, 95 ha de vinha: Quinta do Sanguinhal, Quinta das Cerejeiras e Quinta de S. Francisco. Os nomes destas Quintas representam os vinhos DOC mais prestigiados desta empresa familiar.

Mais recentemente, a empresa decidiu igualmente investir nas áreas do turismo e dos eventos, de forma a aproveitar as enormes potencialidades de todos os seus espaços. Assim, recuperou adegas, lagares e a destilaria, tornando-os em espaços de enorme interesse para qualquer enoturista.

Quinta do Sanguinhal © Blend All About Wine, Lda.

Na Quinta do Sanguinhal é a própria família Pereira da Fonseca que recebe os visitantes. Fomos recebidos por Ana Pereira da Fonseca Reis, a responsável pela área de enoturismo e com vastos conhecimentos sobre os vinhos que ali se produzem, que nos proporcionou uma visita muito agradável e profissional.

As visitas e provas de vinhos, que por decisão familiar, não são conduzidas por metodologias convencionais, pretendem dar a conhecer uma história de 100 anos na área vitivinícola portuguesa e proporcionar aos clientes uma alternativa aos circuitos habituais.

Para além de provar diferentes estilos de vinho, o visitante poderá ainda passear nos jardins do séc. XIX, assim como pelas belíssimas vinhas da Quinta. Visitar uma antiga destilaria totalmente recuperada, onde antigamente se produziam aguardentes vínicas e aguardentes bagaceiras. Visitar um antigo lagar com prensas de vara, datadas de 1871, e ainda uma cave de envelhecimento com 36 tonéis. Uma experiência que aconselho vivamente!

O portefólio da Companhia Agrícola do Sanguinhal é bastante vasto e diversificado. Impossível falar de todos os vinhos aqui e agora. Por essa razão, da prova realizada destaco os vinhos que se seguem:

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Quinta de S. Francisco Branco 2013

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Quinta das Cerejeiras Branco Reserva 2012 © Blend All About Wine, Lda.

 

 

 

 

 

 

Quinta de São Francisco Branco 2013
Proveniente de solo argiloso e feito a partir das castas Vital, Fernão Pires e Arinto, apresenta-se elegante no aroma, com notas cítricas em destaque. Na boca mostra-se fresco, harmonioso e equilibrado. Possui um final delicado e de média intensidade.

Quinta das Cerejeiras Branco Reserva 2012
Elaborado através das castas Chardonnay, Arinto e Vital, apresenta uma cor de um amarelo já levemente dourado. No aroma é austero e revela alguma complexidade. Boca com boa estrutura e fruta de pomar em destaque. Maças maduras e algum pêssego. A madeira está bem integrada mas mostrou trabalho, ao proporcionar-lhe ligeiras sensações de baunilha. Final elegante e intenso.

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Casabel Rosé 2013

Casabel Rosé 2013
Proveniente das castas Aragonês, Castelão e Syrah, este rosé mostra um nariz exuberante, com predominância de frutos vermelhos como morangos e framboesas. Na boca mostra-se seco, fresco e com um final delicado. Funciona bem como aperitivo, mas também demonstrou possuir boa aptidão gastronómica.

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Quinta do Sanguinhal Tinto 2009 © Blend All About Wine, Lda.

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Quinta das Cerejeiras Reserva Tinto 2008 © Blend All About Wine, Lda.

 

 

 

 

 

 

Quinta do Sanguinhal Tinto 2009
No nariz revela aromas a frutos do bosque e alguma fruta preta madura, como amoras e ameixa. Alguma baunilha e toques especiados são também evidentes. Na boca apresenta uma boa estrutura, com taninos presentes mas macios, boa acidez e final elegante.

Quinta das Cerejeiras Reserva Tinto 2008
Este vinho exibe o rótulo mais antigo de Portugal. Mantém inalterado desde 1926. É uma das joias da coroa. Proveniente das castas Castelão, Aragonês e Touriga Nacional, apresenta um nariz contido mas complexo. Frutos pretos e compotados mostram-se de imediato. Alguma caruma, suaves fumados e notas especiadas, complementam a sua palete olfactiva. A boca volumosa e densa, mas também macia e aveludada. Equilibrado e harmonioso, possui um final elegante e persistente.

Contactos
Quinta das Cerejeiras
Apartado 5
2544-909 Bombarral
Tel: (+351) 262 609 190
Fax: (+351) 262 609 191
Email: info@vinhos-sanguinhal.pt
Site: www.vinhos-sanguinhal.pt

De Guardar Redes a Guardar Jampal: Os Vinhos de André Manz

Texto Sarah Ahmed | Translation Teresa Calisto

É difícil pensar numa pior lesão para um guarda-redes profissional do que uma mão partida. Tendo isto acontecido apenas um ano após André Manz ter começado a jogar num clube Português, poderíamos pensar que ele regressaria à sua terra natal, o Brasil. Mas mesmo nos seus vinte anos, Manz não fez o óbvio.

Em vez disso, o guarda-redes que apresentou a Portugal a aeróbica coreografada, tornou-se num empreendedor de topo do fitness. E agora, no seu mais recente empreendimento homónimo, Manz Wine, ele reapresentou ao Mundo, a quase extinta casta Portuguesa Jampal.

As aventuras de Manz no vinho começaram em 2004, quando ele e a sua família se mudaram para a sonolenta aldeia de Cheleiros, na região de vinho de Lisboa. Com os seus lugares neolíticos, ponte Romana e monumentos medievais, Manz foi atraído pela história de Cheleiros. Não sendo homem de fazer as coisas pela metade, com a ajuda de um jornalista, Manz descobriu que Cheleiros já tinha sido famosa pelos seus vinhos.

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A Vinha Rochosa de Manz com Vista Sobre Cheleiros – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Conta-me que as encostas íngremes e rochosas, de argila e calcário, que rodeiam a aldeia, já estiveram cobertas de vinhas. Há um século atrás, havia nada mais nada menos que 43 adegas na aldeia. O próprio Manz recuperou um hectare de vinha mas, não sabendo nada sobre fazer vinho, inicialmente apenas fez vinho para a sua família e amigos. Mas quando, com a ajuda do Portugal’s Institute of Vines & Wines, ele identificou que o seu terreno com 20 anos incluía a esquecida casta local Jampal, o astuto empresário depressa se apercebeu do potencial de venda desta variedade única.

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A Adega de Tamanho de Bolso de Manz – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Em 2008, a Manz Wine foi fundada e em 2012 ele já tinha transformado a antiga escola da aldeia numa adega pequena, mas perfeitamente formada e tinha também plantado novas vinhas Jampal, com enxertos das vinhas originais. Ele possui agora cerca de nove hectares de vinha em Cheleiros e está ansioso por colocar a aldeia no mapa. Não apenas com Jampal, mas também com projectos de enoturismo. Estes incluem o Lagar Antigo Manz Wine (uma adega antiga convertida em museu com porta de cave) e, no próximo ano, um livro sobre Cheleiros e a sua história vinícola.

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Lagar Antigo no Museu Manz e a Porta da Cave – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Jampal continua a ser o único vinho branco do seu portfólio e, para mim, é a estrela do espectáculo. Aqui fica a minha escolha da gama (que também inclui vinhos tintos do Douro e da Península de Setúbal, feitos a partir de fruta comprada). Os vinhos são feitos por Ricardo Noronha e Rita Marques (na foto a seguir, com o Rosé)

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Manz Cheleiros Dona Fátima Jampal 2013 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Manz Cheleiros Dona Fátima Jampal 2013 (VR Lisboa)
Um nariz tenso e muito focado e palato de grande limpidez, revelam aromas e sabores minerais, florais, cítricos e de carambola crocante. O carvalho fumado poderia depreciar a sua limpidez, mas na realidade complementa habilmente a mineralidade deste vinho. Uma característica que também é reforçada pelo seu final salgado, longo e persistente. Verdadeiramente único. Um vinho excitante. 13%

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Manz Rosé 2013 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Manz Rosé 2013 (VR Lisboa)
Feito 100% de uvas Castelão, que são dedicadas à produção do rosé, este é um vinho bem conseguido, um rosé frutado mas seco, com fruta cremosa e madura de bagas vermelhas, e uma acidez mineral, muito atraente, bem integrada, fresca e persistente. 12.5%

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Manz Cheleiros Penedo do Lexim 2013 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Manz Cheleiros Penedo do Lexim 2013 (VR Lisboa)
Este blend 50/50 Touriga Nacional e Aragonês, de tom e palato brilhante, é um excelente exemplo de um tinto relaxado mas refinado, sem carvalho. Eu adoraria que mais produtores de Lisboa adoptassem este caminho amigo do ambiente e focassem mais na fruta e na frescura. A acidez fresca e mineral parece ser um marco de Cheleiros que vale a pena estimar. Quanto à fruta, a floralidade e o toque de chocolate e fruta de sobremesa de verão da Touriga, juntamente com a estrutura calcária e refinada dos taninos do Aragonês e leve especiaria, fazem um agradável equilíbrio. 14%

Contactos
ManzWine
Lagar Antigo | Largo da Praça, n.º 8 – A | 2640-160 Cheleiros | Portugal
Tel: (+ 351) 21 927 94 68
Telemóvel: (+ 351) 93 426 97 21
Fax: (+ 351) 21 426 97 19
Email: info@manzwine.com
Site: www.manzwine.com

Chryseia 2012 – a nova coqueluche da Prats & Symington!

Texto Olga Cardoso

No passado dia 11 de Setembro, a Prats & Symington apresentou o seu Chryseia 2012 no restaurante portuense Pedro Lemos, situado na Foz do Douro, mais precisamente na chamada Foz Velha.

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Vinhos Provados © Prats & Symington, Lda.

O Chef Pedro Lemos, que empresta o nome ao seu próprio restaurante, foi o autor do fantástico menu que acompanhou não só a prova do Chryseia 2012, como também das novas colheitas do Post Scriptum 2012 e do Prazo de Roriz 2011 – as outras duas referências da casa.

Importa referir que o Chryseia nasce de uma parceria entre as famílias Prats & Symington para produzir um dos Vinhos Douro DOC mais reconhecidos em Portugal e no estrangeiro ao longo dos últimos quinze anos, tendo sido o primeiro vinho tranquilo português (a segunda colheita datada de 2001) a configurar no ‘TOP 100’ da conceituada revista Wine Spectator, colocado na 19º posição com 94 pontos. Em Janeiro de 2013, o Chryseia 2011 obteve 97 pontos da referida Revista – Wine Spectator, a segunda nota mais alta de sempre atribuida a um vinho tranquilo Português.

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Bruno Prats & Rupert Symington © Prats & Symington, Lda.

A Prats & Symington nasceu em 1999 de uma parceria estabelecida entre as famílias com os mesmos apelidos. A parceria entre Bruno Prats, produtor de Bordéus, antigo proprietário do Château Cos d’Estournel e a família Symington, uma das maiores proprietárias de vinhas no Douro (cerca de 27 Quintas com aproximadamente 1.000 hectares de vinha e com marcas como a Graham’s, Dow’s, Warre’s, Cockburn’s, Quinta do Vesúvio e Altano no seu portefólio), combina as tradições e o conhecimento de duas das maiores regiões de vinho do mundo, aplicando este conhecimento às castas únicas e ao terroir do vale do Douro.

O evento foi apresentado por Bruno Prats e Rupert Symington, responsáveis da Prats & Symington, e nele participaram alguns dos mais conhecidos elementos da imprensa e do trade português. Ninguém parece ter querido perder a apresentação deste vinho notável!

O almoço iniciou-se então com um prato de pombo com salsifis e ervilhas, devidamente harmonizado com Prazo de Roriz 2011.

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Pombo © Prats & Symington, Lda.

Seguiu-se uma barriga de atum rabilho que combinou na perfeição com o Post Scriptum 2012.

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Barriga de Atum Rabilho © Prats & Symington, Lda.

Para harmonizar com a estrela da companhia – o Chryseia 2012, o Chef Pedro Lemos criou um prato de vitela envelhecida com feijão maduro e toucinho fumado. Fantástica!

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Vitela Envelhecida © Prats & Symington, Lda.

Para acompanhar a sobremesa, foi servido um excelente Porto Vintage 2003 da Quinta de Roriz. O Porto era sem dúvida muito bom…mas o Chryseia 2012 também, pelo que deixar de o ter perto de nós parecia impossível!

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Sobremesa © Blend All About Wine, Lda

Prazo de Roriz tinto 2011
Boa presença aromática, com notas de fruta preta como ameixas e cerejas negras a surgir de imediato. O seu lado balsâmico também se mostra evidente, com notas de menta e eucalipto a complementar a fruta. O corpo é de médio volume e todo o vinho se mostra pronto e harmonioso. Os taninos bem presentes vaticinam-lhe alguma capacidade de envelhecimento. Portugal: €8,90 em Portugal – Reino Unido: £12.

Post Scriptum tinto 2012O seu nariz é charmosamente floral, com vincadas notas de esteva amparadas pela fruta vermelha madura de muito boa qualidade. Na boca apresenta-se fresco, com uma acidez muito correcta e um corpo elegante bem proporcionado. O seu final é longo e a sua capacidade de perdurar no tempo é um dado adquirido. Portugal: €13,50 – Reino Unido: £18.

Chryseia tinto 2012
Foi produzido a partir de uma selecção criteriosa de uvas (72% Touriga Nacional e 28% Touriga Franca),  provenientes das vinhas localizadas nas Quintas de Roriz e da Perdiz, e estagiou durante 15 meses em barricas de carvalho francês de 400 L. A Quinta da Vila Velha, propriedade de um membro da família Symington e vizinha de Roriz, também deu o seu contributo. Combina poder e elegância em absoluta perfeição. Complexo no aroma, com notas de frutos silvestres, sensações especiadas e um fundo muito mineral. A boca revela a utilização de uma madeira de luxo e irrepreensivelmente bem integrada. Equilíbrio, harmonia e sintonia são as palavras que melhor descrevem este vinho. Um tinto colossal! Portugal: €45,00 – Reino Unido: £48,00.

Contactos
Prats & Symington, Lda
Quinta de Roriz
São João da Pesqueira
5130-113 Ervedosa Do Douro
Portugal
Email: info@chryseia.com
Site: www.chryseia.com

Cume aqui!

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Posso dizer desde já que não sou grande cozinheiro. Quer dizer, eu gosto de cozinhar, mas não o faço muito bem. Em casa cozinho todos os dias. Mas nem sempre foi o caso. Não há muitos anos atrás, mal sabia aquecer água. Foi só depois de ter o meu primeiro filho, que realmente comecei a fazer comidas diferentes, para além das pipocas.

No início não gostava muito. Era preguiçoso. Mas pouco a pouco, peguei-lhe o jeito e hoje em dia adoro cozinhar. Na realidade, sou capaz de gostar mais de fazer comida do que de a comer. Bom, digamos que está nos 50/50. Para mim, cozinhar é bastante terapêutico. Gosto de levar o meu tempo a preparar a comida, ouvir algumas músicas e, claro, beber vinho. Tenho reparado que é quase impossível fazer comida sem vinho. Tenho tentado e falhado várias vezes.

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Vai uma coxa de frango? – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Desta vez decidi fazer o estufado de galinha “pollo alla cacciatora”. Fui buscar a ideia ao Jamie Oliver, nem mais nem menos. Sempre que vou a Portugal, ouço as pessoas a dizer que me pareço com o Sr. Oliver. Pessoalmente, não vejo a semelhança, mas se sou parecido com ele, mais vale que cozinhe como ele, certo? A receita indicava que deixasse a galinha nadar em meia garrafa de vinho tinto. Eu tenho uma regra pessoal: se a galinha tem direito a vinho, eu também tenho. Portanto, meia garrafa para a Signora Pollo e meia garrafa para o Chef. Adicione um bocadinho de sal, pimenta preta, folhas de louro, alho, tomates cherry esmagados, umas anchovas para dar ao molho aquele travo salgado, azeitonas, uns raminhos de alecrim e, abracadabra, para dentro do forno.

Enquanto a galinha estufava, era altura de marinar o Chef. Tarefa para um vinho do Douro. Tinha umas garrafas de Quinta do Cume que queria provar. Os vinhos vêm de uma pequena vila chamada Provezende, localizada na margem norte do rio Douro e a cerca de 600 metros de altitude. Um sítiozinho lindo, com uma padaria que faz pão de se ficar de queixo caído. Os vinhos do Cume eram no entanto, completamente novos para mim e estava ansioso por os experimentar.

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Quinta do Cume Reserva Branco 2011 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quinta do Cume Reserva Branco 2011
Este vinho é composto sobretudo de Malvasia Fina, mas provavelmente terá também um toque de Rabigato e Viosinho. 30% do vinho esteve em barris de carvalho Francês durante apenas 3 meses. Consegue detectar-se algum picante do carvalho, mas no geral acho que estava bem integrado com o vinho. É tão fácil acabar por ficar com vinhos com excesso de carvalho, que fico muito satisfeito que o enólogo Jean-Hugues Gros tenha sido bastante subtil. Para além disso, o vinho tem fruta deliciosa, aquele toque clássico e tropical da manga, com alguma mineralidade sexy, que encontro com frequência nos brancos do Douro. Ligeiramente viscoso e com boa acidez para o apoiar. Impressionante.

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Quinta do Cume Reserva Tinto 2010 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quinta do Cume Reserva Tinto 2010
Quando o estufado de galinha ficou pronto, estava na altura do tinto. Um blend de Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz combinariam bem com uma comida substancial. Cheirar o vinho foi como se tivesse sido atingido com um soco, mas em vez de um verdadeiro punho, a mão seria feita inteiramente de bagas. BOOOM, olhos negros de mirtilos. Um cheiro intenso com alguns aromas de carvalho torrado a aparecer. Boa textura, taninos duradouros e alguns aromas formidáveis de amoras. Precisa decididamente de ser acompanhado por comida, a não ser que goste de levar uma tareia de uma garrafa de 75cl de sumo de uvas fermentadas. Bom.

Contactos
Quinta do Cume
5060-261 Provezende
Portugal
Tel: (+351) 91 445 7550
Email: quintadocume@netcabo.pt
Site: www.quintadocume.pt

Trinca Bolotas – Nado e criado no Alentejo!

Texto Olga Cardoso

Provei este vinho pela primeira vez num almoço organizado pela Sogrape, no restaurante Largo, em pleno Chiado Lisboeta.

Pela mão do Chef Miguel Castro e Silva, fomos experimentando diferentes pratos bem harmonizados com vinhos da Herdade do Peso (Peso Estate).

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© Blend – All About Wine, Lda.

O mote deste encontro era precisamente a apresentação deste novo vinho alentejano e a mesa não poderia estar melhor decorada. Estava repleta de sobreiros em forma de bonsai, os quais no final do almoço foram simpaticamente oferecidos aos convivas.

À semelhança da mesa, o nome e a imagem do vinho também não poderiam ter sido melhor conseguidos.

A cor laranja remete-nos para a luz e o calor das planícies alentejanas e o nome Trinca Bolotas homenageia o tradicional “porco boloteiro”, o único sobrevivente dos suínos de pastoreio da Europa.

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Cachaço de Porco – © Blend – All About Wine, Lda.

Como não poderia deixar de ser, o prato escolhido pelo Chef Miguel Castro e Silva para harmonizar com o Trinca Bolotas foi um tenro e delicioso Cachaço de Porco. Excelente ligação!

Segundo Luis Cabral de Almeida, o enólogo que assume agora os destinos da Herdade do Peso, depois de 10 anos passados na Finca Flichman, também propriedade da Sogrape e situada em Mendonza, Argentina, dada a sua excepcional relação qualidade/preço (€ 5,99), este vinho é um sério candidato ao lugar de embaixador da viticultura da região.

Trata-se de facto de um vinho elaborado por uvas produzidas em conformidade com as directrizes de produção integrada de agricultura sustentável, ao qual facilmente poderemos vaticinar um grande sucesso comercial.

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Trinca Bolotas – Photo provided by Sogrape Vinhos, SA | All Rights Reserved

TRINCA BOLOTAS TINTO 2013 – DOC ALENTEJO
Na verdade este vinho não poderia ser mais alentejano! Faz inteiramente jus à região. No nome, na imagem, mas também nas suas características intrínsecas. Elaborado a partir das castas Alicante Bouschet (44%), Touriga Nacional (40%) e Aragonêz (16%), estagiou durante 6 meses em barricas novas de carvalho francês e caucasiano.

O charme do Alicante Bouschet made in Alentejo, faz-se bem sentir. Na cor, no volume e nos aromas a fruta preta de grande qualidade. A Touriga Nacional confere-lhe todo o seu lado floral e o Aragonês fecha o leque com aromas de fruta vermelha madura.

Na boca mostra-se bem fresco (sim a Vidigueira, por muito que achem que não, é um paraíso de frescura) e revela também boa estrutura, acidez correcta e taninos, que embora presentes, são macios e perfeitamente adequados à harmonização deste vinho com diferentes iguarias, nomeadamente, os tradicionais e deliciosos pratos de carne alentejanos.

Um vinho que faltava no portefólio alentejano da Sogrape Vinhos!


Trinca Bolotas. Da sua mesa vê-se o Alentejo | 2014 – (c) Sogrape Vinhos, SA

E porque o melhor se deixa sempre para o fim (pelo menos eu gosto de o fazer) aqui fica um pequeno vídeo, que nos mostra a vida deste Trinca Bolotas (e do porco propriamente dito!) no seu habitat natural – as planícies alentejanas ou mais propriamente … a Herdade do Peso.

Contactos
Herdade Do Peso E Anexas – Sociedade Agrícola, Lda.
Rua da Misericórdia 46
Site: www.herdadedopeso.pt

Maçanita – Nascido para se destacar

Texto Sarah Ahmed | Tradução Teresa Calisto

O lema na  Fita Preta é “why spend a lifetime trying to blend in, when you were born to stand out.” (porquê passar uma vida a tentar misturar-se, quando nasceu para se destacar). E assim é com os vinhos.

Veja-se a gama  Sexy range – branding ousado (de mau gosto, alguns poderão dizer) num país que foi descrito como a nação Católica Romana mais socialmente conservadora.

Ou o tema deste post, os excitantes e desafiadores vinhos Signature Series, sobre os quais escrevo de seguida. Maioritariamente monocasta, estes vinhos desafiam directamente a tradição Portuguesa de misturar diferentes castas e, no entanto, noutros aspectos são absolutamente reverentes à tradição.

O homem por detrás da assinatura é António Maçanita, co-fundador da Fita Preta e produtor de vinhos. Perguntei-lhe sobre os desafios de ser diferente, o que aprendeu pelo caminho e o que vem a seguir. Naturalmente, também provei o mais recente lançamento da Fita Preta Signature Series que analiso abaixo.

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António Maçanita at Winery – Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados

A entrevista

Sexy mas não Kiss: o António tem reputação de ser um marketeer astuto, no entanto, com um portfolio de marcas tão diverso – Sexy e os quatro rótulos diferentes Fita Preta – parece que ignorou a mais antiga regra do livro – Keep it simple, stupid (K.I.S.S. – mantém as coisas simples, estúpido)
Como bem sabe, em Portugal é sempre com um ou dois beijos, depende de quem encontrar. E nós não somos diferentes. O nosso K.I.S.S. é só visto de um ângulo diferente, não “o mercado vai gostar daquilo em que acreditamos”, mas do ponto de vista que aquilo que acreditamos ser bonito, estético, divertido, que vale o esforço, desafiador, esperamos que depois o consumidor goste e partilhe do mesmo entusiasmo. Às vezes é como diz “não é simples”, e nós sabemos disso. Mas mais importante, é autêntico e nós só engarrafamos e rotulamos aquilo que podemos apoiar.

Dito isto, conforme fomos crescendo e lançando novos vinhos, tivemos que tentar organizar a nossa mensagem para o público, o melhor possível. Por exemplo, temos estado a separar a comunicação (website e redes sociais) para a marca Sexy do restante portfolio, porque é uma marca tão forte e um vinho tão vocacionado para festas que precisa do seu próprio mundo.

Finalmente, obrigada pelo elogio “marketeer astuto”. Adorei – para um produtor de vinhos que vem de uma família de professores anti comerciais e que nunca tinha vendido nada na sua vida antes do vinho, nem mesmo as suas velhas pranchas de surf, isso é óptimo.

A importância de um nome: voltando-nos para a marca Signature Series da Fita Preta, não é fácil cortejar o mercado das exportações com castas e regiões de vinho inéditas e impronunciáveis. O que o motivou a criar esta gama e a colocar o seu nome?
A Signature Series by António Maçanita é onde dei mais espaço a mim próprio para o teste e erro, para sonhar mais alto, para ir fora da caixa. Eu questiono os porque sins e porque nãos. É aqui que eu mudo o Mundo, mesmo que apenas um bocadinho, e assumo responsabilidade por isso.

A minha primeira signature foi Branco de Tintas 2008 (um vinho branco a partir de uvas tintas) feito de Trincadeira e Alfrocheiro. Fi-lo durante uma fase em que não havia suficientes uvas brancas no Alentejo para as necessidades do mercado. Então pensei, porquê entrar novamente na loucura de arrancar as tintas e plantar as brancas e porque não fazer brancos com uvas tintas? Fizemo-lo e o vinho foi muito bom. Acabou na lista de melhores vinhos do ano da nossa revista de vinhos local e foi um dos primeiros brancos a partir de tintas em Portugal. Agora há mais de uma mão cheia de produtores que o fazem. Mas o mais engraçado (ou não) é que não foi certificado como vinho Alentejano, porque era um vinho branco feito a partir de uvas de vinho tinto e no entanto, nesse ano, a região permitiu que os produtores usassem 20% de vinho branco de fora da região, sendo, mesmo assim, certificado como Alentejano… veja lá.

A partir daí, fiquei entusiasmado com as “talhas” (ânforas de argila). A ideia surgiu durante uma viagem de avião de regresso, depois de visitar uns amigos na Califórnia que estão a fazer um fantástico Sauvignon Blanc em ovos de cimento.  Disse para mim mesmo, porque não usar as nossas “Talhas” que fazem parte do nosso património – um símbolo do Alentejo? Então quando cheguei, compramos uma “Talha” de 1940 de 1000 litros (a qual pagamos com 300 garrafas de vinho espumante). No entanto, decidimos fazer o processo de vinificação moderno (prensagem de cachos inteiros, fermentação a frio) em vez do tradicional “método Talha” que é com o contacto da pele. O resultado depois da fermentação foi simplesmente impossível de beber – “cera de abelhas” e “químico”. Engarrafamo-lo de qualquer forma dizendo “é o que é” e depois de 6 meses na garrafa, tornou-se incrível. A parte “química” ficou por trás do nariz dando ao vinho camadas do estilo Riesling e a fruta veio para a frente do palato – muito fresco e limpo. Ainda é um dos meus preferidos e um hino à história Alentejana.

A partir daqui o papel da Signature passou a ser o de salvar uma casta quase extinta, “Terrantez do Pico”. Está agora em boa forma, a ser replantada por todos os Açores. Também estou a testar outra uva açoriana “Arinto dos Açores”, fazendo um “Branco de Indígenas” puro (um branco sem fermento inoculado, nem controle de temperatura) e finalmente, trazendo de volta o Castelão.

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António Maçanita com Talha – Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados

A completar um ciclo? Recordar a tradição (seja de castas, do processo vinícola ou do estilo do vinho) é um dos cunhos da Signature Series da Fita Preta. O que aprendeu ao investigar o passado e em que aspectos, se algum, adaptou a tradição aos gostos contemporâneos?
Enquanto país do velho mundo produtor de vinhos, nós introduzimos muitas novas técnicas – aço inoxidável, fermentos seleccionados, castas estrangeiras, vinhas completamente varietais, vinhos direccionados para o consumidor, etc. Isto levou a uma melhoria geral dos nossos vinhos, tanto tintos como brancos, mas também retirou um pouco da “alma” dos nossos vinhos – o que dava aos vinhos um sentido de lugar quando os provamos. O desafio é complexo. Está entre escolher o que trazer de volta, que pode acrescentar complexidade e tipicidade e que novas técnicas aplicar, mantendo sempre em mente que também somos parte da história.

O Potencial do Pico: eu visitei recentemente os Açores e fiquei surpreendida pela qualidade e carácter distintivo, mineral e salgado dos seus brancos secos, e também ao aprender sobre o Arinto  dos Açores e o Terrantez do Pico, quando pensava que o Verdelho (em estilos mais doces/fortificados) era o pilar principal da produção.
O potencial dos Açores é incrível. As castas Verdelho (a verdadeira), Arinto dos Açores ou Terrantez do Pico são de um potencial enológico incrível. São minerais e salgadas e, com boa acidez, têm excelente potencial de envelhecimento. O terroir é único, com rocha vulcânica, proximidade ao oceano e tempo frio a moderado. Esta combinação é explosiva para grandes vinhos brancos. E concordo que este novo lote de 2013 mostra precisamente isso.

Acredito também que os vinhos fortificados sérios, que forjaram a reputação do Pico no passado, verão um renascimento. Como as listas e até os menus de banquetes reais mostram, rivalizou com o melhor Madeira em mercados como Reino Unido, Holanda, Estados Unidos e Rússia. Era conhecido em alguns mercados como Pico-Madeira por causa desta semelhança.

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Vindima do Pico – Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados

E a seguir?
Muita coisa! A nossa marca Sexy tem visto um grande crescimento no vinho espumante de “método tradicional” na França e nos Estados Unidos. Para Fitapreta, Palpite e Preta, um quarto das nossas vinhas estão agora em conversão para a certificação orgânica. Nos Açores, estou a trabalhar de perto com outros produtores e com o departamento agrícola, ao mesmo tempo que desenvolvemos o nosso projecto de produção própria nas ilhas. E depois há os meus projectos de consultoria nas Quinta de Sant’Ana, Cem Reis e Arrepiado Velho entre outros.

The wines

Fita Preta Signature Series Branco de Talha by Anónio Maçanita 2012 (Vinho Regional Alentejano)
Talha é uma referência a uma tradição de produção vinícola muito tradicional, que data da presença Romana no Alentejo há muitos anos atrás. Talha significa que o vinho foi fermentado numa ânfora – só uma neste caso – uma ânfora de 1000 litros de 1946. E mantendo a tradição, este vinho fica-se pelas castas brancas clássicas da região – Roupeiro (70%) e Antão Vaz (30%).  Ou pelo menos estas dominam o vinho onde (invulgarmente) a fruta provém de uma mistura de vinhas de 25-30 anos, das castas locais. Fui surpreendida pela palidez do vinho e pelo seu nariz tenso, até que me apercebi que tinha sido transferido para tanques de aço inoxidável depois de 28 dias (as ânforas são mais porosas que um tanque, o que resulta numa maior oxidação). Então a que sabe este vinho invulgar – um blend das técnicas tradicionais e modernas? É sofisticado, com bastante aldeído o que poderia ser um desastre, mas neste caso é positivo, fazendo um vinho vivo e mercúrico, de uma complexidade e frescura semelhantes ao xerez, com noz fresca, verde. Uma textura almofadada acrescenta à sua sensação de leveza, trazendo ao mesmo tempo peso. Um final longo revela as notas a terra que o atravessam. Muito interesse aqui, um vinho de ying e yang, que afasta e puxa. Gosto da sua energia, complexidade e persistência. 1300 garrafas produzidas. 13.5%

Fita Preta Signature Series Branco de Indígenas by Anónio Maçanita 2010 (Vinho Regional Alentejano)
Branco de Indígenas é uma referência ao facto de que este monocasta Arinto, foi fermentado em barrica (carvalho Francês) com fermentos 100% naturais/indígenas. Com a sua acidez limpa e revigorante, o seu palato cítrico focalizado, penso no Arinto como no Riesling de Portugal. Mas a vinificação traz outra dimensão à uva. Ou mais precisamente, traz uma maior dimensão, alargando o palato, tornando-o menos sumo de citrino, mais casca de limão e, como a casca de limão, tem uma qualidade textural – uma qualidade cremosa que associo aos fermentos naturais, talvez também uma função das borras/agitação das borras? O vinho é mais salgado também, com massa azeda e torrefacção de carvalho (gosto a noz). Pessoalmente gosto de ver um pouco mais de fruta e energia, mas para quem gosta de textura, tem um langor atractivo e sedoso. 800 garrafas produzidas. 12.5%

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Branco de Talha, Terrantez do Pico, Dranco de Indígenas – Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados

Fita Preta Signature Series Arinto do Açores 2013 (Vinho Regional Açores)
O Master Sommelier João Pires seleccionou este branco tenso para uma prova no 10 Fest Azores – uma mostra brilhante dos produtos da ilha e do talento dos chefes locais e internacionais. É um exemplo super intenso e revigorante, com um nervosismo fantástico e a textura subtil das borras que associo aos seus vinhos. Firmemente enrolada, a sua fruta “limonada” é disparada com minerais e sal, tão enérgico e picante que correu muito bem com o primeiro prato de cracas polvilhadas com paprika e sapateira com vichyssoise do Head Chef do hotel The Yeatman, Ricardo Costa. Tinha o peso e a intensidade para igualar este prato, apesar da sua pronunciada linearidade. 13.5%

Fita Preta Signature Series Terrantez do Pico by Anónio Maçanita 2013 (Vinho Regional Açores)
Palha pálida com noz doce, ligeiramente “axerezado” (aldeído), nariz salgado, um toque de iodo e casca de toranja também, todas estas notas transportadas num palato texturado, encerado e completamente seco, juntamente com notas de maçã castanha/pisada. A acidez relativamente firme traz enfoque e extensão. Menos consensual que o Arinto dos Açores, mas com qualidades que me lembraram o Loire Chenin, mais especificamente o mais muscular Chenins from Anjou (apesar de não ser tão frutado), não lhe falta estrutura nem carácter. Muito bom. 25% deste vinho foi fermentado em barricas de carvalho (presumo que barricas antigas) durante 9 meses com battonage semanal. Produzidas apenas 646 garrafas numeradas – a minha amostra foi a garrafa número 534. Ainda mais raro quando consideramos que estas 646 garrafas são as únicas garrafas de Terrantez do Pico varietal que existem (exceptuando a colheita anterior de Maçanita). E para explicar isto um pouco mais, menos de 100 vinhas desta casta praticamente extinta, existem fora da colecção dos serviços agrários. 13%

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Tinto de Castelão – Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados

Fita Preta Signature Series Tinto de Castelão by Anónio Maçanita 2010 (Vinho Regional Alentejano)
A casta Castelão pode ter sido colocada no mapa pela marca Periquita de José Maria Fonseca, da Península de Setúbal mas, de acordo com Maçanita, Castelão teve origem no Alentejo, onde permanece a terceira casta mais plantada. Tendo em atenção o antigo ditado que Castelão “precisa de tempo”, Maçanita deu à uva isso mesmo – este vinho foi macerado durante 30 dias após a fermentação, estagiou em barrica durante 24 meses e em garrafa durante 20 meses, antes de ser lançado. É um tom de rubi translúcido, com um nariz doce de cinco especiarias e frutas vermelhas de Verão. Na boca é impressionantemente fresco, com um palato de Pinot Noir de cereja vermelha e groselha crocante e precisa, e taninos firmes de fruta picante (tão mais tensos e secos que o carvalho) e uma baforada de charuto. Um final muito longo e persistente, revela notas atractivas e complexas de campari e chocolate de leite. Com tempo no copo e à medida que vai aquecendo, torna-se rico, mais encorpado, mais achocolatado. Pessoalmente servi-lo-ia um pouco fresco para manter a tónica na fruta vermelha e a frescura que tanto admirei. 2636 garrafas, a minha, a garrafa 28.  14%

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7040 – 999 Igrejinha – Arraiolos
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Quinta de Santiago encontra o Lagostim

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Nós, os Finlandeses somos conhecidos por termos tradições esquisitas. Inventamos e recebemos anualmente o campeonato mundial de Transporte da Esposa e matança do mosquito. Temos competições de lançamento de botas de borracha e telefones Nokia. Celebramos o Verão desaparecendo para o campo e bebendo entre nós. No 1º de Maio bebemos imenso hidromel caseiro sem álcool. Claro que fomos nós que inventámos a sauna, que usamos semanalmente. Até tivemos Campeonatos Mundiais de Sauna para ver quem consegue estar mais tempo sentado numa sauna cada vez mais quente, mas depois houve pessoas que morreram e tivemos que parar. Também inventámos o Pai Natal. Quer dizer, não inventamos nada, ele é real. Acabei de o ver há uns meses atrás.

No Inverno vamos nadar no lago ou no mar, fazendo um grande buraco no gelo. Nós, os Finlandeses, bebemos a maior quantidade de café do Mundo e somos muito bons no hóquei no gelo. Ainda não somos grandes bebedores de vinho, mas de cerveja gostamos. A Finlândia é chamada a terra dos mil lagos mas na realidade temos perto de 200 000 lagos. No final de Agosto, muitas pessoas fazem jantares festivos de lagostim, onde simplesmente se comem lagostim e apanham bebedeiras. Esta é a história de uma dessas noites.

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Ilkka Sirén em bebé (1986) – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Como pode ver pela foto acima, eu compareci à minha primeira festa do lagostim quando tinha apenas três semanas. A tradição dos jantares festivos de lagostim está profundamente enraizada na minoria Sueca da Finlândia, mas hoje em dia é celebrada por todos. A época de pesca do lagostim começa na Finlândia todos os anos, no dia 21 de Julho ao meio dia, mas normalmente, as pessoas começam a comê-los no final de Agosto quando as noites escurecem. Habitualmente, a noite começa como qualquer outra noite na Finlândia, com o aquecimento da sauna. Eu estava encarregue disso e, enquanto a sauna aquecia, preparamos os lagostins na cozinha. Os lagostins são como mini lagostas de água doce, bombardeadas com endro. Normalmente comem-se apenas com pão branco. Mas o verdadeiro truque é aprender a comê-los correctamente sem cortar os pulsos com a faca especial de lagostins. Acredite em mim, torna-se um bocadinho difícil depois de uns shots de akvavit.

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Prato de Lagostins – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Portanto, depois de umas horas de relaxamento na sauna e de nadar no lago, estava na altura de começar a jantar. Começamos por servir akvavit a toda a gente, uma bebida picante da Noruega. Depois começa a cantoria. Cantamos a canção Sueca bem conhecida chamada Helan går. Quer dizer “tudo ao mesmo tempo” e diz, literalmente que se não beber o shot de golada, não vai ter nem mais meio copo. Portanto nós cantamos, nós bebemos e nós servimos mais um copo. Depois começamos a comer. A minha mulher traz a sua deliciosamente cremosa sopa de cogumelo e eu pego numa garrafa de Quinta de Santiago Alvarinho Reserva “Segredo da Avó” 2013 de Monção e Melgaço. Normalmente não começo logo com o reserva, mas achei que a sopa rica e cremosa precisava de algo um pouco mais robusto. O vinho teve algum contacto com a pele e um toque de estágio em carvalho. Combinou lindamente com a sopa de cogumelos. A acidez fresca equilibrou muito bem a textura encorpada da sopa, trazendo também aromas cítricos agradáveis e especiarias suaves à mistura. Sozinho parecia um pouco estranho e jovem, que era, mas com a comida floresceu.

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A abrir um lagostim utilizando uma faca – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois servimos mais uma rodada de akvavit e a cantoria continuou. Esta pode não ser a melhor maneira de garantir que se detectam todas as nuances no vinho, mas é tão divertido. De seguida veio o prato principal, la écrevisse, o lagostim. A minha sogra traz dois grandes pratos cheios destes sujeitinhos, o que me inspira a cantar outra canção. E sim, mais um shot de akvavit. Cambaleio até à cozinha, pego numa garrafa de Quinta de Santiago Alvarinho 2012 (o irmão mais novo do vinho anterior) e volto para a mesa. Entretanto, o meu sogro serviu mais uma rodada de shots e bota abaixo. Por esta altura, as cascas de lagostim voam por todo o lado, sorveres ruidosos ecoam na sala, risos ruidosos e mais cantoria. A atmosfera é desordeira mas toda a gente está feliz. Eu sirvo o Alvarinho enquanto tento não ser esfaqueado pela faca do lagostim. O reserva foi uma combinação sólida com a comida, muito bom. Mas este Alvarinho jovem com os pequenos diabos vermelhos, foi algo de soberbo. Os lagostins estão cheios de água de endro salgada que combinou espantosamente bem com o carácter fresco, aveludado do Alvarinho e o toque salgado no final. Não conhecia bem este produtor, mas este vinho interessou-me definitivamente e estou ansioso por provar mais dos seus vinhos no futuro.

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Quinta de Santiago – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois de devorarmos os lagostins era hora da sobremesa. Lembro-me de haver vinho do porto e talvez uma ou duas canções. Quando tudo acabou já passava da meia-noite, estava na altura para o segundo round na sauna. Nada como uma sessão de sauna fumegante a 90°C como digestivo. As risadas, cantoria, bebidas e todo o tipo de conduta desordeira continuaram até ao raiar da madrugada. Foi um característico bacanal Finlandês. Felizmente só o fazemos uma vez por ano.

Contactos
Quinta de Santiago
Rua D. Fernando nº 128
Cortes, Monção
4950-276 Mazedo
Telemóvel: 917557883
email: wines@quintadesantiago.pt