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A História do Esporão e os seus vinhos

Texto João Barbosa

Reguengos de Monsaraz está a 170 quilómetros do litoral oceânico. Durante séculos, talvez milénios, um nevoeiro naquela zona alentejana terá sido fenómeno raríssimo. A construção da Barragem de Alqueva, no rio Guadiana, criou o maior lago artificial da Europa – há quem discorde – tornou frequentes as névoas.

Não vou entrar – nem sinteticamente – no elencar de vantagens e desvantagens da construção da represa, em termos económicos, ambientais e sociais. Só refiro que a água tem permitido regar as vinhas, que se multiplicaram por todo o Alentejo. O empreendimento foi falado pela primeira vez em meados da década de 60 e o projecto empresarial da Herdade do Esporão «arrancou» em 1973 – entre aspas, porque levou anos adiado por razões externas à vontade dos empresários.

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Esporão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O Esporão começou por ser «uma fantasia» de Joaquim Bandeira, que viu além e quis plantar uma grande vinha no Alentejo. Desafiou José Roquette, que deixou a banca para abraçar a nova empresa.

A ditadura caiu em 1974 e, em 1975, o Governo reforçou a ideia de construir a barragem, ainda que passassem décadas até que fosse erguida. Também nesse ano, a Herdade do Esporão foi ocupada, no âmbito da Reforma Agrária. Em 1978 a propriedade foi devolvida, ainda que com a obrigatoriedade de ter de vender as uvas à cooperativa local.

ADN com mais do que vinho

Antes de entrar na prosa dos vinhos quero referir um aspecto que considero altamente relevante no mundo dos negócios, que é a responsabilidade social, em vasto censo. Seja no apoio directo à arte ou ao património humano, à cultura e ao ambiente, Herdade do Esporão tem no ADN querer ser mais do que uma vinícola.

Em 1985 aconteceu a primeira vindima que daria corpo ao primeiro vinho com marca própria, que sairia em 1987. O primeiro filho foi Reserva Tinto e, desde essa primeira edição, que os rótulos apresentam uma obra de arte. O consagrado João Hogan foi o escolhido para a estreia, mas, infelizmente para a empresa, o quadro não reside na colecção.

No âmbito da cultura, refira-se a preservação da Torre do Esporão, uma pequena fortificação medieval, a preservação do achado arqueológico na Herdade dos Perdigões (comprada em 1995, sendo o achamento do sítio acontecido em 1996), datado de entre os IV e III milénios Antes de Cristo – quantos empresários suportariam militante e financeiramente o que se poderia considerar como contratempo indesejável.

Em 2006, João Roquette assume a chefia da casa, que inicia uma reestruturação e replantio das vinhas e adopta uma política ambiental no sentido da recuperação e recriação de habitats, pondo a natureza a trabalhar e poupando em tratamentos de fitofármacos.

Outra acção de recolocação no «sítio» é a nova adega, recentemente finalizada, construída em taipa – método abandonado e praticamente esquecido. Muitas adegas alentejanas eram construídas desse modo e por alguma razão era: frescura. A terra, cascalho e madeira permitem um continuado arejamento e regulação da temperatura… ou seja, economia em energia.

Os protagonistas

Os vinhos não são o pretexto da empresa. As preocupações é que são resposta ao impacto que actividades agrícolas ou industriais implicam. Vêm agora para a conversa dois tintos – com obras de Alberto Carneiro – e dois brancos.

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Esporão Reserva tinto 2012 – Foto de Esporão | Todos os Direitos Reservados

O Esporão Reserva Tinto 2012 é um tiro de canhão, com os seus 14,5% de álcool. Dito assim poder-se-á pensar que é pesado. Errado! É um vinho com frescura. Aliás, a experiência da empresa e sucesso desta referência mantém-na num patamar de fiabilidade e prestígio. Fez-se com uvas de alicante bouschet, aragonês, cabernet sauvignon, trincadeiras, entre outras. Está equilibrado em fruta e madeira e promete viver durante uns bons anos.

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Esporão Private Selection tinto 2011 – Foto de Esporão | Todos os Direitos Reservados

O Esporão Private Selection 2011 está num patamar acima, incluindo na perspectiva de longevidade. É um vinho com um maior estágio em madeira, sendo ela 70% de carvalho americano. Tem taninos com garra e elegância, fundura de boca, uma agradável relação de frescura e calor, e final longo.

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Esporão Verdelho 2014 – Foto de Esporão | Todos os Direitos Reservados

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Esporão Duas Castas – Foto de Esporão | Todos os Direitos Reservados

O Esporão Verdelho 2014 traz frescura e tem garra. Não duvido que irá ligar muito bem com as comidas mais leves. Se o vinho anterior expressa a casta, o Esporão Duas Castas mostra além das variedades, exemplifica os locais onde as cultivares arinto (60%) e gouveio (40%) têm as raízes enterradas. Mais uma vez, tem frescura e agarra-se ao enófilo.

Contactos
Herdade do Esporão
Apartado 31, 7200-999
Reguengos de Monsaraz
Tel: (+351) 266 509280
Fax: (+351) 266 519753
Email: reservas@esporao.com
Website: esporao.com

Vim, Vidigueira, Venci: Os vinhos de Paulo Laureano

Texto Sarah Ahmed | Bruno Ferreira

Ainda não tenho a certeza se, quando lhes mostrei esta foto, o meu grupo sommelier ficou aliviado ou deasapontado por não ter conhecido o português detentor do título de melhor bigode na indústria de vinho portuguesa, Paulo Laureano. Como observou friamente um deles, “ele parece tímido”. Nesta foto até um pouco “louco”, mas isso está longe da verdade – posso assegurar-vos que Paulo Laureano é tão equilibrado quanto os seus vinhos ou até como as pontas pontas enceradas do seu bigode.

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Paulo Laureano no barbeiro – Foto de Paulo Laureano | Todos os Direitos Reservados

O enólogo não teve possibilidade de nos mostrar os seus vinhos pessoalmente porque estava no Brasil à procura dos mercados. Mas, no que toca aos vinhos feitos debaixo do nome da sua marca (faz bastante consultadoria), o seu foco é a terra natal. Não só nas castas portuguesas autóctones (incluindo o único tinto monovarietal de Tinta Grossa), mas também na região onde nasceu, o Alentejo.

Devido à popularidade desta região sulista, quente e seca entre os compradores de supermercado, o Alentejo é mais conhecido no Reino Unido pelos tintos suaves, abordáveis e frutados. Não é de todo conhecido pelos seus brancos. Por isso é que foi uma surpresa para o meu grupo, descobrirem que a Vidigueira, a sub-região mais a sul da DOC Alentejo, era capaz de produzir tintos e brancos tão contidos – perfeitos para para os jantares finos que oferecem nos seus restaurantes, o The Ritz em Londres, o Gordon Ramsey’s Maze, o Butler’s Wharf Chop House e o Yauatcha, e também o novo restaurante de Nuno Mendes, focado numa espécie de tapas portuguesas, Taberna do Mercado, onde irei apresentar os vinhos do Alentejo ao mercado no próximo mês.

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Vou apresentar uma grande variedade de estilos do Alentejo no próximo mês, no Taberna do Mercado – Foto de Wines of Alentejo | Todos os Direitos Reservados

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Vou apresentar uma grande variedade de estilos do Alentejo no próximo mês, no Taberna do Mercado – Foto de Wines of Alentejo | Todos os Direitos Reservados

Como é que Laureano conseguiu vinificar brancos tão a sul? Quando conheci Laureano há vários anos atrás, explicou-me que, apesar da sua localização, o micro-clima especial da Vidigueira é responsável por esta contenção e estrutura. Os níveis de humidade são mais elevados e o clima mais temperado do que estaríamos à espera porque, devido à sua topografia, as brisas do Atlântico ainda conseguem serpentear até aos 60km terra a dentro. Além disso, a Vidigueira beneficia de maior precipitação graças à Serra do Mendro, por onde o ar frio, que arrefece as vinhas, desce durante a noite. A cereja no topo do bolo são os solos xistosos que caracterizam tantos vinhos Alentejanos. Porquê? Primeiro porque estes solos finos e rochosos, oferecem pouco às vinhas em termos de nutrientes, o que mantém os rendimentos baixos. Segundo porque o xisto tem a capacidade de, lentamente, drenar a água para as vinhas (tal como no Douro). Agora já sabem porque é que a Vidigueira tem história em vinificação de brancos.

Aqui estão as minhas notas de prova dos vinhos de Laureano, que, posso acrescentar, encontrei mais frescos e precisos (especialmente os brancos) do que no passado. Parcialmente devido à colheita ter sido feita mais cedo, foi o que me disseram.

Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas branco 2014 (DOC Vidigueira, Alentejo)

Quando, este mês, visitei o Alentejo havia muita entusiasmo em volta dos brancos de 2014. Este medalha de prata no Decanter World Wine Awards 2015 mostra o porquê. Apenas parcialmente fermentado em carvalho (francês) durante quatro meses, com ênfase na fruta e na frescura. A acidez é uma boa marca da sua fruta cítrica madura tropical (toranja rosa e tangerina) e pêra seca. Aliás, neste caso, Vinhas Velhas significa mais ou menos 40 anos. 13,5%

Paulo Laureano Dolium Escolha branco 2014 (DOC Vidigueira, Alentejo)

O Dolium centra-se na típica e mais utilizada casta branca do Alentejo, a Antão Vaz. Envelhecido durante 6 meses em carvalho francês. Embora partilhe a toranja rosa, a tangerina e a pêra seca do Vinhas Velhas, este vinho é mais concentrado, com mais textura, estruturado e complexo, com carvalho nogado e nuances minerais. Equilibrado, com um final longo e muito bem equilibrado. 13%

Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2013 (DOC Vidigueira, Alentejo)

Este blend de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, de cor intensa, revela amora e groselha suculentas, com notas salgadas de chicória e folha de tabaco. Uma mineralidade xistosa que empresta frescura e nuance ao final. Taninos (finos) e acidez (fresca) muito bem equilibrados.

Paulo Laureano Selection Tinta Grossa 2011 (DOC Vidigueira, Alentejo)

Segundo Diana Silva, gestora da marca Paulo Laureano, só existem 5 hectares de Tinta Negra no mundo, dos quais Paulo Laureano tem 3. Provavelmente porque apresenta pouco rendimento e é um cliente um bocado complicado na vinha. Este vinho apenas foi feito em 2008, 2011 e 2012. As uvas são pequenas e com pele fina, o que sobressai logo na estrutura de taninos deste vinho tintoso e na maneira como consegue absorver o carvalho francês novo com facilidade. No nariz fez-me lembrar Lagerin (uma casta tinta do Norte de Itália), com notas de chocolate amargo, violetas, cereja/ameixa azeda, balsâmico e chicória. Notas essas que continuam no palato, juntamente com notas de ruibarbo, frutas silvestres, lavanda, marmelada/cera de abelha, cravo, casca de cássia e sortido da Bassatt’s Liquorice Allsorts. Os taninos são musculados e um pouco rústicos, mas no bom sentido, e termina firme, seco e saboroso. Um vinho complexo e único. Silva recomenda acompanhar com Carne de porco à alentejana. 14%

Paulo Laureano Dolium Reserva tinto 2012 (DOC Vidigueira, Alentejo)

Este blend maioritariamente composto por Trincadeira (70%), com Aragonês e Alciante Bouschet, foi envelhecido em barricas de carvalho francês e americano durante 18 meses. Tem toque de mocha por causa da sua baga escura mas acabada de colher, groselha e abrunho com notas de cravo. Como nos outros tintos, não há vestígio que indique ser melado. Bom comprimento e equilíbrio com taninos finos.

Contactos
Monte Novo da Lisboa
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7960-909
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Um Verdelho para comemorar o Verão

Texto João Pedro de Carvalho

Comemoro a entrada no Verão com este branco, um puro Verdelho oriundo da ilha da Madeira, produzido pela Paixão do Vinho. Aquando da visita à Adega de São Vicente tive oportunidade de o provar ainda muito jovem mas a mostrar-se bastante promissor, tinha aquela austeridade dos solos de origem vulcânica em conjunto com toda a frescura Atlântica devido à grande proximidade das vinhas. Não foi o primeiro Verdelho que Filipe Santos lançou no mercado, mas depois de algumas colheitas de interregno saiu este novo exemplar com um novo rótulo.

Por aqui o calor chegou em força, da chuva passou-se num ápice para os quase 40ºC e as mudanças naquilo que se come e bebe por estas alturas fazem-se sentir. Os tintos ficam encostados e começa o espectável rodopio dos brancos e rosados, pontualmente algum espumante, mas sempre servidos bem frios com comida leve que a vontade de estar em frente ao fogão/grelha é pouca.

Já tinha colocado o dito vinho a refrescar e antes de decidir começar a cozinhar ainda o provei, apenas para me orientar no que iria preparar para o acompanhar. Na memória guardo um mítico Arroz de Lapas que comi na Madeira, mas limitado à oferta do local onde moro optei por fazer um prato típico da região do Algarve, o Arroz de Lingueirão. Enquanto o lingueirão ia cozendo até abrir as conchas, fui bebericando o copo que tinha servido, gosto de beber enquanto cozinho porque me permite enquanto entendo o vinho poder equilibrar o prato numa procura da melhor harmonia possível.

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Arroz de Lingueirão in oficinadaspapitas.blogs.sapo.pt

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Primeira Paixão Verdelho 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Os passos a seguir são básicos, depois de retirar o lingueirão das conchas, limpar, cortar em dois e reservar. Enquanto isso a cebola, alho, louro e azeite já devem estar a estrugir, quando assim for colocamos o tomate cortado aos pedaços e a polpa, deixamos fervilhar e juntamos a água onde ferveu o lingueirão. O toque do tomate é essencial para dar frescura ao prato em conjunto com a polpa que vai fazer parte do molho, aqui pede-se um vinho com estrutura e acidez suficientes para o acompanhar, depois é juntar o arroz e um momento antes de estar no ponto adicionar o lingueirão e finalizar com os coentros picados.

Este Verdelho que carrega com ele um ligeiro toque salino e uma fruta (citrino, maracujá) muito bem delineada e sem exageros de exuberância. O resultado é um branco com nervo e muito boa frescura a dar a entender que vai ser capaz de evoluir muito bem em garrafa. É notável a ligação que faz com pratos de peixe ou marisco nas mais variadas variantes, onde a acidez revigora o palato a cada gole. Já agora, aquele toque final de coentros é o verdadeiro toque de magia que potencia a ligação entre o vinho e o prato para uma outra dimensão de sensações e prazeres. Até dá gosto começar o Verão desta maneira.

Contactos
Via Rápida Cota 200 posto Repsol Norte Jardim Botanico
9060-056 Santa Maria Maior Funchal
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Fax: (+351) 291010110
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Juro que termino aqui o passeio pelo Dão!

Texto João Barbosa

Queria apenas escrever acerca de três vinhos do Dão, mas a corrente deste rio levou-me a enquadrar, porque a região nasceu bem, enfraqueceu e está (ainda) a renascer. Termino onde desejei começar.

A qualidade tem vindo a aumentar e faz justiça à natureza e ao engenho humano, pois o Dão é das melhores regiões vinhateiras portuguesas. No elencar das virtudes e fealdades da região dou três exemplos que traçam o meu boneco. A Dão Sul, a Sogrape e a Casa de Mouraz. Qualquer delas conhece o sucesso e as vitórias nunca acontecem por acaso. Uma retrato a preto e branco e dois a cores.

A cores: Quando em 2004 comecei a fazer o programa «Da Terra Ao Mar» – domingos, às 11h00, na RTP 2 – uma das primeiras reportagens foi sobre a Casa de Mouraz. Um casal jovem mudara-se de Lisboa para lavrar uma vinha em modo biológico, hoje em biodinâmico. Tinham quatro hectares e hoje Sara Dionísio e António Lopes Ribeiro oficiam em mais zonas do país, mantendo o coração no Dão.

A preto e branco: A Dão Sul (Global Wines) foi fundada em 1989 e a ela se deve muito do renascimento da região, recolocando-a nos escaparates. Uma estratégia de qualidade acima da média e preço amigo da algibeira.

A Quinta de Cabriz tornou-se conhecida do grande público. Um sucesso avassalador que ditou a chegada de uvas doutras terras da zona e que a marca passasse a ser apenas Cabriz. A Quinta dos Grilos – supostamente doutro produtor, embora doutro dono, dizem as más-línguas –serviu para criar uma dinâmica de competição. Outro caso de popularidade, embora menos visível. Hoje é só Grilos, pela mesma razão do anterior.

Infelizmente, Cabriz e Grilos decaíram na qualidade. Fazer muito e muito bem é quase a quadratura do ciclo, é muitíssimo difícil. A Casa de Santar, outrora com mais sainete, conhece a mesma sina. Contudo, a contratação do enólogo Osvaldo Amado está a dar melhores resultados. À parte: o vinagre de Cabriz é excelente!

A Global Wines não faz só vinhos de gama baixa. Os Paço dos Cunhas de Santar e o Pedro & Inês – evocativo do grande e trágico amor entre o infante Dom Pedro, mais tarde rei Pedro I de Portugal, com Dona Inês de Castro – fazem parte do melhor da região.

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Quinta dos Carvalhais – Foto Cedida por Sogrape Vinhos, SA | Todos os Direitos Reservados

O pretexto original era o de contar acerca de três vinhos da Quinta dos Carvalhais, propriedade da Sogrape. É a maior empresa portuguesa do sector – uma multinacional familiar – que não brinca em serviço. No Dão faz vinhos de classe mundial e criou três «indivíduos»: personalidade e expressão da origem; terroir.

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Quinta dos Carvalhais – Foto Cedida por Sogrape Vinhos, SA | Todos os Direitos Reservados

A touriga nacional é original do Dão, onde oferece um ramalhete de violetas. Sem caricatura de aroma – exagero que está a acontecer na região – tem o carácter é educado. Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 2012 é pedagógico, expressa a casta e elegância que deu fama ao sítio onde nasceu.

Igual valor tem o amarelo, concretizado com a variedade mais vistosa da zona, muito fresca e mineral . O Quinta dos Carvalhais Encruzado 2013 tem igualmente uma função formativa, do que é a casta e do que de melhor se faz no Dão.

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Quinta dos Carvalhais Encruzado 2013 – Foto Cedida por Sogrape Vinhos, SA | Todos os Direitos Reservados

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Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 2012 – Foto Cedida por Sogrape Vinhos, SA | Todos os Direitos Reservados

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Quinta dos Carvalhais Reserva tinto 2010 – Foto Cedida por Sogrape Vinhos, SA | Todos os Direitos Reservados

Porém, a regra portuguesa dita que os vinhos sejam resultado da junção de várias castas, embora a empresa não forneça, no seu sítio na internet, quais as que o encarnam. O Quinta dos Carvalhais Reserva Tinto 2010 reúne o verdadeiro carácter do Dão.

O melhor de antigamente, a longevidade. Foram feitos para durar, mas podem beber-se já. Com os anos que têm pela frente… compre várias garrafas, beba umas e guarde outras. Tire apontamentos para comparar e recordar.

Os Afectus da Quinta de Curvos

Texto João Pedro de Carvalho

Com mais de quatro séculos de história, remonta a 1600, muitas são as lendas e “estórias” que lhe estão na origem, muitas delas contadas pelos diversos espaços envolventes, desde o antigo palacete às grutas, passando pelo lago, jardins e vinhedos. No total são cerca de 16 hectares, toda murada sobre si a Quinta ganhou uma nova alma em 1976 com a sua aquisição por parte dos actuais donos e ainda hoje é uma empresa 100% familiar que, conta já com a dedicação da segunda geração para dar continuidade ao projeto.

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Quinta de Curvos – Foto de M&A Creative | Todos os Direitos Reservados

As vinhas que se encontram em regime de protecção integrada estendem-se ao longo de 27 hectares distribuídos por quatro propriedades situadas em Forjães, Ponte de Lima e Barcelos. A influência atlântica e os solos graníticos marcam o perfil dos vinhos, algo que se comprovou durante a prova de três exemplares da gama Afectus. Esta gama de vinhos foi buscar inspiração ao afeto e paixão à terra, com rótulos cuja imagem representa as centenárias camélias existentes na Quinta de Curvos.

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Afectus Loureiro 2014 – Foto de M&A Creative | Todos os Direitos Reservados

O Afectus Loureiro 2014 (Vinho Verde) foi o que causou menos impacto dos três vinhos provados, fresco e marcado pela fruta (maçã vermelha com pêssego vermelho) sem mostrar uma grande exuberância, combina aromas de flor de tília, louro com um fundo de pederneira. Acidez bem equilibrada na prova de boca com presença da fruta em final mediano.

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Afectus Alvarinho 2014 – Foto de M&A Creative | Todos os Direitos Reservados

Enquanto os outros dois vinhos são Vinho Verde, o Afectus Alvarinho 2014 apresenta-se como um Regional Minho. Mais austero que o anterior, aromas mais delineados com maior presença e a frescura a impor-se com notas de líchia, pêssego, limão e erva-cidreira. Algo fechado a dar indicações de que mais um tempo em garrafa apenas o irá beneficiar. Na boca tem muito boa presença da fruta com a líchia em destaque ao lado de um pêssego maduro e sumarento, fundo fresco e saboroso com ligeiríssima austeridade mineral.

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Afectus Rosé 2014 – Foto de M&A Creative | Todos os Direitos Reservados

Este Rosé foi uma alegre e refrescante surpresa que me caiu no copo, dele fazem parte as castas tintas características da região, Vinhão e Espadeiro. O vinho conquista pela frescura, pela forma como a fruta (morango, cereja) rechonchuda e sumarenta escorre de sabor ao mesmo tempo que o fundo se mostra seco e mineral. Tudo isto aparece envolto numa fina capa fumada num vinho que tem tudo para brilhar no pico do calor que se avizinha. Já agora, experimentem acompanhar com carne grelhada, o resultado é fantástico.

Rosé de Verão

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

O Verão aproxima-se a passos largos. Pelo menos é o que dizem. Aqui na Finlândia temos um início de Verão muito frio. Na verdade, da última vez que esteve assim tanto frio durante o mês de Junho o muro de Berlim ainda estava de pé. Não é que o mau tempo seja uma surpresa mas, depois de um Inverno tão longo, aqui na Finlândia já estamos mais do que prontos para algum calor. Com uma boa imaginação e um copo de rosé na mão, é fácil entrar no espírito de Verão. A única coisa que falta são os meus Speedos… e o protector solar factor 30… e as havaianas.

A Glass of Rosé

Um Copo de Rosé – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O Verão impulsiona as vendas de rosé em todo o mundo. Na Finlândia, os vinhos rosé são virtualmente inexistentes durante o ano mas, durante o Verão as prateleiras ficam inundadas de rosés provenientes de todas as partes do globo, desde a China até à Califórnia. Bombas intensas de fruta de diferentes origens que voam das lojas a uma velocidade recorde. Para ser honesto, a maior parte dos rosés que nos chegam não são lá muito bons. Entendo o conceito easy-going, mas a maior parte assemelha-se a Sprite cor-de-rosa. Simplesmente desinteressante. O rosé pode não ser o vinho intelectualmente mais desafiante, mas um bom rosé consegue “levar-me às nuvens” tal como os outros vinhos. Para mim, um bom rosé tem de ser equilibrado, fresco e cheio de sabor. Nada daqueles líquidos insípidos, sem força, com sabores que quase parecem artificiais. Hoje em dia parece que toda a gente faz rosé simplesmente porque o pode fazer. Trabalhos sem esforço, para matar a sede ou para lavar barris. Mas quando um rosé é realmente bom, cuidado…

Crayfish sandwich

Pão preto com Lagostim – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Cheguei a casa, vindo de viagem, e tinha que comer lagostim. Não sei porquê mas, por vezes, dá-me vontade de comer coisas muito específicas e, quando meto alguma coisa na cabeça, mais nada serve. Neste case foi lagostim com endro e limão barrado em pão preto. Mas não era um pão preto qualquer, era um pão preto ligeiramente mais doce, do arquipélago finlandês. Simples e delicioso, comida caseira no seu melhor. O lagostim gritava por vinho e, sinceramente, eu também. Como todos sabemos, um bom rosé é extremamente food-friendly (harmonizável com comida). Tem a acidez de dar água na boca e facilidade de beber dos vinhos brancos, mas é ligeiramente mais estruturado e tem um perfil mais vinoso. Por sorte tinha um JP Azeitão Rosé da Bacalhôa no frigorífico, que tenho justamente para estas emergências saborosas de lagostim.

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JP Azeitão Rosé – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O JP Azeitão é um rosé simples, com notas sedutoras de framboesa e cereja. Tem alguma Syrah que lhe confere um toque especiado. Não é complexo de forma alguma, é simplesmente um delicioso pequeno vinho. Um preço acessível e uma harmonização fantástica com alguns snacks de marisco.

Rose Screwcap

Rolha de Rosca – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Enquanto continuo à espera do Verão, são estes pequenos mimos que fazem a espera valer a pena. E assim nem é preciso protector solar, podemos simplesmente fechar os olhos e sentir o sol português por entre o vinho.

Contactos
Bacalhôa Vinhos de Portugal
Estrada Nacional 10
Vila Nogueira de Azeitão
2925-901 Azeitão
Portugal
Tel: (+351) 21 219 80 60
Fax: (+351) 21 219 80 66
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Website: www.bacalhoa.com

Quinta da Pacheca Colheita Branco 2014

Texto João Barbosa

Acontece-me – acontece com toda a malta que escreve sobre vinho – telefonarem-me, por vezes em momentos inconvenientes, para me perguntarem que vinho devem levar para um jantar. Suspiro e por amizade debito uns tantos.

Acontece sempre que estão num supermercado e têm pressa… o tempo esgotou-se em insignificâncias e o vinho é comprado a correr, na primeira porta aberta do caminho. Pergunto-lhes:

– Quando queres comprar um livro também vais a um supermercado?… Ou vais a uma livraria?

Nada a fazer. Vou dizendo marcas – é mais fácil de compreender – e é comum não existirem na loja. Invertem-se os papéis e o amigo debita o conteúdo das prateleiras. Daí escolho um, que nunca é bem aquilo e…

– Epá! Tens esse, aquele e aqueloutro. Apostas seguras, escolhe o que entenderes, estou a meio de (qualquer coisa) e tenho de me despachar.

Nas escolhas cabe frequentemente os vinhos da Quinta da Pacheca. Encontram-se na distribuição moderna, têm qualidade e apresentam preços acessíveis.

Quinta da Pacheca

Quinta da Pacheca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Gosto de vinho há bastante tempo e sou militante assíduo. Hoje é mais fácil encontrar-se um bom vinho do que há 20 anos. Nesse tempo, as marcas eram poucas, os rótulos eram maus e nem só a fronha era má.

Ainda assim, já havia mais do que duas mãos cheias de vinhos de qualidade. Uns feneceram e outros sobreviveram. A Quinta da Pacheca engarrafa já há bués e tantas vezes comprei vinhos desta firma.

Tenho este produtor na memória – no lado bom – por várias razões: por o ter conhecido durante a minha primeira relação afectiva adulta e duradoura, por eu ter o apelido Pacheco e por causa do riesling.

Antes do tempo – comprovou-se – a Quinta da Pacheca produziu monovarietais, nomeadamente da casta riesling. Uma agitação feliz para quem não tinha bolsos para vinhos estrangeiros e queria, como uma esponja (!), absorver conhecimento.

Sou defensor das castas portuguesas, mas nada me choca que se cultivem variedades estrangeiras, desde que não sejam admitidas na certificação de Denominação de Origem Controlada. O riesling da Quinta da Pacheca vem-me à lembrança com regularidade.

Já se percebeu que as castas estrangeiras não produziram mais-valias. Ficam vinhos do Douro com a identidade das castas autóctones. Neste caso, cerceal, malvasia fina, gouveio e moscatel galego.

Quinta da Pacheca Harvest white 2014

Quinta da Pacheca Colheia branco 2014 in quintadapacheca.com

Não me recordo da gama da Quinta da Pacheca na década de 90, hoje tem largura. Este Quinta da Pacheca Colheita Branco 2014 é fácil, descomplexado, bem feito. Tem o sotaque do Douro e a aragem de Lamego; é fresco e apresenta-se com uns saudáveis 12,5 graus de álcool.

Penso que tem tudo para agradar a muita gente, nomeadamente o preço – recomendam cinco euros, menos um cêntimo. Não sou toda a gente.

Compreendo a inclusão, no lote, da casta moscatel galego. Dá gulodice e cria facilidade (não é defeito). Porque se costumam beber os brancos demasiado frescos, este açúcar dá «existência» ao que podia desaparecer.

Para mim, que não tenho nem meio litro para vender, a moscatel galego está a mais. Não faz falta para ter a identidade do Douro; não sou fã desta cultivar. Tenho o meu gosto, mas escrevo para o mundo e obrigo-me a sair dos pratos da balança. É um vinho que merece ser comprado e que, certamente, criará hábito.

(Pode também ler a peça que José Silva escreveu anteriormente sobre a Quinta da Pacheca aqui.)

Contactos
Quinta da Pacheca
Cambres – 5100-424 Lamego
Portugal
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Um Projecto Vencedor no Alentejo Profundo

Texto José Silva

É uma unidade rural exemplar em pleno Alentejo profundo, a sul de Beja, pertencente a um grupo alemão.

Herdade dos Grous Typical Alentejo Hotel

Unidade Hoteleira Caracteristicamente Alentejana – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Aqui em Albernoa a filosofia consiste em aliar uma unidade hoteleira caracteristicamente alentejana a um meio rural onde os cuidados ambientais estão na primeira linha.

Herdade dos Grous The Beautiful Lake

A Lagoa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A começar pela lagoa, de grande beleza, com óptimas condições para a prática da ornitologia. É uma unidade com produções diversas, onde o vinho tem um lugar de destaque, com vários vinhos constantemente premiados um pouco por todo o mundo, produzidos a partir de uvas de grande qualidade nos cerca de 70 hectares de vinha, entre brancos e tintos.

Herdade dos Grous 170 Acres of Vineyards

70 Hectares de Vinha – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas que tem várias outras produções agrícolas: ervas aromáticas, legumes e fruta têm uma produção constante, em regime biológico, que é maioritariamente utilizada nas duas unidades hoteleiras – Alentejo e Algarve.

Herdade dos Grous Cattle

Gado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Também a produção de gado aqui tem uma grande importância, entre gado bovino, caprino e suíno, cujas carnes têm também uma enorme utilização nos restaurantes do grupo.

Herdade dos Grous Jumping Horses

Cavalos de Salto – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Os cavalos de salto são outra das actividades da herdade, onde pontuam alguns cavalos de luxo, com grandes resultados um pouco por todo o mundo. Para além dum azeite de grande qualidade, ali se produzem compotas, mel e biscoitos diversos.

Herdade dos Grous Cellar

A Adega – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Herdade dos Grous Cellar 2

A Adega – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No edifício central funciona a adega, construída de raiz, com todas as condições técnicas modernas para produzir vinhos de qualidade. E isso tem sido conseguido duma forma continuada, graças também ao responsável de toda uma equipa de trabalho (e não só nos vinhos), Luís Duarte, um dos mais premiados enólogos portugueses. Ele que tem uma enorme experiência a fazer vinhos em todo o Alentejo e que aqui é também administrador da unidade. O rigor é uma das palavras de ordem, onde cada uma das pessoas da equipa tem o seu lugar e as suas responsabilidades. E Luís Duarte conseguiu formar uma equipa claramente vencedora. Os resultados falam por si.

Os vinhos da Herdade dos Grous estão todos debaixo desta marca, mantendo uma imagem sóbria a que os consumidores se habituaram, variando apenas as cores dos rótulos e, claro, os anos de colheita. Nesta visita provaram-se seis vinhos soberbos, a acompanhar uma refeição deliciosa.

Herdade dos Grous m2014 White

Herdade dos Grous branco 2014 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O Branco de 2014 esteve cheio de frescura, muito jovem, com bela acidez, alguma fruta no nariz, o vinho a desaparecer rapidamente dos copos.

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Herdade dos Grous branco 2013 Reserva – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O Branco Reserva de 2013 revelou enorme elegância, notas suaves de madeira, ainda alguma frescura, muita suavidade, mesmo aveludado, para beber ligeiramente menos fresco, belo vinho.

Herdade dos Grous Red 2013

Herdade dos Grous tinto 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O primeiro tinto, o Herdade dos Grous de 2013, esteve seguro, com bastante fruta madura, muito boa acidez na boca, limpo, redondo, um tinto moderno.

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Herdade dos Grous 2013 Moon Harvested – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se o Moon Harvested também de 2013, com bons aromas de fruta bastante madura, fragrâncias complexas de especiarias e madeira muito suaves, belo volume na boca, consistente e cheio de elegância, com final muito longo.

Herdade dos Grous 23 Barricas de 2013

Herdade dos Grous 23 Barricas de 2013 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O 23 Barricas de 2013, feito com Touriga Nacional e Syrah, é um tinto cheio de estrutura, com raça e nariz complexo mas fascinante, ligeiramente floral. Na boca tem volume, óptima acidez, muita fruta preta, levemente austero, profundo e com enorme final.

Herdade dos Grous 2012 Colheita Tardia

Herdade dos Grous 2012 Colheita Tardia – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E foi no final da refeição que veio para os copos o Colheita Tardia de 2012, aqui preparado a partir da casta Petit Manseng, cujas uvas foram inoculadas com “Botritis Cinerea”, para criar as características necessárias à elaboração um vinho muito especial. Onde a doçura elevada é compensada com uma acidez fantástica, tendo pelo meio aromas complexos de especiarias, notas de mel, compota, gengibre, mas tudo muito equilibrado, servido bem fresco. Delicioso!

Herdade dos Grous The Meal Started with

A Refeição Começou com.. – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Herdade dos Grous Cured Chease Paiola Paio From The Neck

Queijo Curado, Paiolo e Paio do Cachaço – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A refeição, no restaurante da herdade, começou com pão regional, azeitonas, dois patés, manteiga normal e manteiga com ervas aromáticas, atum com feijão frade, bacalhau com grão, queijo curado, paiolo e paio do cachaço e, claro, o azeite da herdade para molhar o pão.

Herdade dos Grous The Meats

As Carnes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Herdade dos Grous The Meats

As Carnes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Depois duns ovos mexidos com espargos bravos vieram as carnes da herdade: borrego, porco preto e vaca alentejana, grelhados só com sal, na companhia de batatas a murro e legumes salteados, tudo de produção local.

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Misto de Doces Alentejanos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O misto de doces alentejanos arrumou de vez com todos os presentes!

Lá fora, continuava a tranquilidade da planície alentejana…

Contactos
Herdade dos Grous
Albernôa 7800-601
Beja, Portugal
Tel: (+351) 284 960 000
Fax: (+351) 284 960 072
Email: herdadedosgrous@herdadedosgrous.pt
Website: www.herdadedosgrous.com

Alfeu, a Homenagem do Neto ao Seu Avô

Texto João Pedro de Carvalho

É graças à figura do Avô Alfeu e da sua dedicação à vinha e ao campo, que o seu neto João Amado, fundador da Amado Wines, foi buscar inspiração para se lançar na aventura que é a de produzir o seu próprio vinho. Uma marca que acima de tudo é uma homenagem a um homem do campo, apaixonado pela terra, inseparável do seu chapéu que agora também acompanha os rótulos.

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Vinhos Alfeu – Foto de M&A Creative | Todos os Direitos Reservados

Conheci este projecto no ano passado por altura do Festival do Vinho do Douro Superior em Vila Nova de Foz Côa, destinado totalmente aos produtores da Sub-região Douro Superior. Um evento onde se pode dizer que ainda é possível descobrir novos talentos, produtores que de certa forma nunca se ouviu falar ou leu sequer uma palavra acerca do seu trabalho, é para isto que eventos como este servem, para nos mostrar que estão lá de braços abertos para nos receber e mostrar o fruto do seu trabalho.

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Alfeu branco 2013 – Foto de M&A Creative | Todos os Direitos Reservados

Foi desta maneira que fiquei a conhecer no ano passado os vinhos com que João Amado quis homenagear o seu Avô e cujas novas colheitas foram provadas muito recentemente. A enologia está a cargo de Joana Maçanita (ver artigo Maçanita Douro) e quer o Alfeu branco 2013 como o Alfeu tinto 2012 mostram carácter muito vincado pela região e uma certa dose de atrevimento que tanto aprecio.

O Alfeu branco 2013, composto por Viosinho e Malvasia Fina nuns bonitos 12.5% Vol mostra-nos um conjunto coeso com muita fruta a surgir ao lado de ervas de cheiro, toque floral e fundo fresco. Palato marcado também pela fruta bem madura, alguma geleia, ligeira secura a fazer-se sentir em final de boa persistência.

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Alfeu tinto 2012 – Foto de M&A Creative | Todos os Direitos Reservados

O Alfeu tinto 2012, Touriga Nacional e Tinta Roriz com a primeira a marcar todo o conjunto. Coeso com muita fruta madura rodeada de chocolate preto e com algum rodopiar, surgem flores associadas à Touriga Nacional. Ligeiríssima austeridade que se faz sentir desde o primeiro momento, conjunto sério e com boa energia. Um vinho assente numa boa estrutura, notando-se desde o primeiro gole o vigor e aquela ponta de austeridade dos taninos mais traquinas. A fruta rebenta de sabor acompanhada de cacau, termina seco e a pedir ou pratos como cabrito assado no forno ou então que se deixe descansar por mais uns tempos na garrafeira.

Ainda em estágio na adega do produtor estão mais dois tintos, duas novidades compostas por um 100% Touriga Nacional e um Reserva. Da prova que deram ainda os encontrei imberbes e pouco preparados para enfrentar o mundo, mantêm sim a mesma linha de seriedade, muito centrados na fruta, mas com um notável salto qualitativo.

Contactos
Amado Wines
Quinta do Meio, Relva
6430-075 Longroiva, Mêda
E-Mail: geral@amadowines.com
Website: www.amadowines.com

Poças: Uma nova era de vinhos do Douro com um pouco de “je sais quoi”

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

O vinho do Porto é tão representativo de Portugal, que é difícil de acreditar que a Poças Junior é uma das poucas casas de vinho do Porto que se manteve sempre na posse da mesma família (e já agora, de portugueses) desde que foi fundada, há cerca de 100 anos atrás por Manuel Domingues Poças Junior. Quando me encontrei com a viticultora chefe Maria Manuel Poças Maia, fiquei com a certeza de que a sua geração, a quarta, está completamente determinada em mantê-la assim.

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A nova era desarrolhada pela viticultora chefe de vinho do Porto Maria Manuel Poças Maia de Poças Junior – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Mas isso não é sinónimo de conservadorismo, de falta de imaginação ou entusiasmo. Muito longe disso! Ainda não me tinha apercebido que a Poças Wines foi uma das primeiras produtoras a lançar-se nos vinhos de mesa do Douro, no início da era moderna em 1990. O clique? O primo de Maria, o enólogo chefe Jorge Manuel Pintão, que tinha acabado de entrar no negócio, logo após terminar o curso de enologia em Bordéus e um estágio na Château Giscours, também nesta famosa região francesa. Maria Maia disse-me, “o Jorge queria fazer aqui, aquilo que tinha aprendido em Bordéus, e sabia que o Douro tinha potencial para bons vinhos secos.”

Claro que Jorge não foi o primeiro enólogo a inspirar-se em Bordéus. Fernando Nicolau de Almeida, o criador da Barca Velha, é quem pode ostentar esse “título”. Mas, graças à ligação contínua que Jorge manteve com a prestigiada região francesa (Maria Maia diz que “ele nunca perdeu o contacto com Bordéus”), a Poças deu um passo mais além. No ano passado a empresa garantiu os serviços do enólogo e consultor bordalense Hubert de Boüard de Laforest, dono da famosa Château Angélus, em Saint-Emilion. Juntamente com Philippe Nunes (de descendência portuguesa), da consultora Hubert de Boüard, este duo bordalense ajudou na criação dos vinhos do Douro 2014 da Poças.

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Tempo de reflexão na Poças – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

25 anos a produzir vinhos do Douro fazem da Poças uma das empresas produtoras destes vinhos com mais experiência. Perguntei a Maria Maia porque é que a família sentiu a necessidade de contratar um consultor. A reposta foi franca e sem rodeios – “hoje em dia o mercado está complicado e queríamos expandir os nossos mercados de vinho de mesa. Estamos a crescer a nível de vinho do Porto mas queremos ver o mesmo tipo de crescimento nos vinhos do Douro, que está a começar a ser muito conhecido mas não o suficiente, precisa de ter ainda maior visibilidade.” Por outras palavras, não se tratou apenas de “ter alguém de fora a dar-nos novas ideias para evoluirmos”, mas também pelo perfil que a consultora Hubert Boüard lhes conferiu. E admite sem qualquer problema, “sendo de França, o estatuto é algo importante… Claro que trabalhar com Bordéus está a acrescentar valor à garrafa, mas também está a acrescentar valor à percepção.”

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Maria Manuel Poças Maia of Poças Junior contra um cartaz da Quinta Santa Barbara – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

No entanto, Maria Maia é peremptória a colocar ênfase num aspecto importante, “eles (a consultora Hubert Boüard) estão a ajudar a nossa imagem de vinhos e de estilos a crescer, mas sem nunca esquecer que queremos utilizar castas portuguesas e manter a herança das nossas uvas e do nosso terroir.” Dada a enorme experiência da consultora em vinhos de todo o mundo, a família ficou muito contente por ver o “grande respeito que demonstraram pelo que encontraram aqui no Douro.” Se Maria Maia receava que Boüard tivesse algumas reticências em relação às vinhas velhas, esse receio foi dissipado quando Boüard visitou pela primeira vez Santa Bárbara (as vinhas da Poças em Caêdo, Cima Corgo) e se deparou com as vinhas velhas e o xisto. A brilhar de orgulho, a viticultora que nos seus tenros 23 anos de idade assumiu a responsabilidade pelas três quintas da família em 2005, aponta, “Boüard disse-nos, ‘isto sim, é terroir’, e que estava realmente convencido que poderia fazer um vinho muito bom.”

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O novo e melhorado branco do Douro Poças Coroa d’Ouro 2014 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Antes de provar as amostras dos novos, e melhorados vinhos de 2014 (ainda nenhum foi lançado no mercado, e os tintos ainda não estão acabados), falamos sobre as mudanças que foram efectuadas com a entrada da consultora Hubert Boüard. Descrevendo essas mudanças como “ligeiros aperfeiçoamentos”, Maria Maia explicou que o objectivo, no geral, consistia em, “alcançar um estilo mais internacional – uma percepção mais suave dos vinhos do Douro, porque são vistos como sendo muito tânicos, fortes e difíceis de beber.” Nas vinhas, esta procura de elegância,  e em especial de taninos mais refinados, comportou ligeiras mudanças na selecção da fruta. Agora as uvas provêm de parcelas mais maduras, e Boüard introduziu uma nova componente – uma vinha mais nova (15 anos) – à field blend do tinto que comanda as hostes – Símbolo – e que é composta predominantemente por vinhas velhas.

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Que venha o novo, para substituir o antigo – Poças Vale de Cavalos 2014 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Na adega, as alterações passaram por diferentes configurações de prensa (para o branco unoaked) e diferentes escolhas de fermentação e carvalho. Os tintos deixaram de ser envelhecidos na combinação de carvalho francês e americano. Desde 2014 que são envelhecidos em barricas 100% de carvalho francês, utilizando diferentes tanoeiros ou o mesmo mas com diferentes madeiras. Os bordaleses são famosos pelos seus skills em blending, pelo que os vinhos premium são agora produzidos num novo espaço, mais amplo, “para poderem tentar diferentes opções [de blending].”

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Grande potencial do tinto que comanda as hostes Poças Simbolo 2014 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Obviamente é ainda muito cedo para se chegar a qualquer conclusão definitiva relativamente a esta relação Douro/Bordéus, ou aos vinhos de 2014. No entanto, tendo comparado o branco Poças Coroa d’Ouro e as amostras (de barril) dos ainda não terminados Vale de Cavalos e Símbolo, com colheitas anteriores (2013, 2011 e 2007 respectivamente), acho que a Poças não só irá celebrar o seu centenário em 2018 como irá obter um grande retorno do seu investimento. Apesar da juventude, os três vinhos apresentaram um grande requinte no seu final; a longevidade melhorada do branco, e a qualidade dos taninos dos tintos, foram particularmente marcantes. O Símbolo 2007 estava em pleno estado de maturidade e mais desenvolvido do que estava à espera; pelo contrário, os taninos secos já estavam a começar a ofuscar a fruta. Por outro lado, o Símbolo 2014 impressionou-me com os seus requintados e fluentes taninos. A amostra que provei era vibrante, perfumada e mineral, com um longo e elegante final. A mostrar grande potencial, e reconheço que vai proporcionar mais prazer e durante mais tempo do que o 2007. É um testemunho à vinificação, já que o ano de 2007 foi um ano muito aclamado (declarado ano Vintage no vinho do Porto) e o ano de 2014 foi muito mais complicado, com chuvas intermitentes durante a colheita. Espero ansiosamente para provar o produto acabado.

Com o toque je sais quoi [da consultora Hubert Boüard] os vinhos do Douro da gama de 2014 da Poças podem ser novos, melhorados e com um perfil mais conotado, mas há coisas que não mudam. Foi-me dito que a Poças pretende manter a tradição da família no que toca à boa relação preço/qualidade (o preço do actual Simbolo é de €43-50/garrafa). Como diz Maria Maia, “preferimos a qualidade, não a quantidade, mas sem nunca atingir preços inalcançáveis.” Bebo a isso!

Contactos
Manoel D. Poças Junior – Vinhos, S.A
Rua Visconde das Devesas 186
4401 – 337 Vila Nova de Gaia
Portugal
Tel.: (+ 351) 223 771 070
Website: www.pocas.pt