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As talhas do senhor José

Texto João Pedro de Carvalho

O fascínio por estes vinhos vem dos meus tempos de criança, relembro as conversas que se tinham à mesa nos jantares de família, um desses nomes era um tal de Tinto Velho que tanto Natal acompanhou. Ora esse mesmo Tinto Velho é proveniente da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes (Reguengos de Monsaraz), onde o prestígio e a história se aliam a tradicionais técnicas de vinificação, desde os lagares, passando pelos tonéis, às tradicionais talhas de barro.

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Detalhe de data em tonel – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

É nas imponentes talhas que reside toda a magia e encanto destes vinhos, é daquelas porosas paredes que se transmitem anos de saber a todos os vinhos que por lá passam. Pelo meio ficou esquecida toda uma arte de fabrico que dificilmente irá voltar, resta pois venerar e contemplar todo o património que reside na Adega dos Potes e saborear os vinhos que ali são criados. Os rótulos contam que por ali já se faz vinho pelo menos desde 1878, os registos são parcos e apenas a glória dos vinhos que perduraram no tempo nos conta a história de tão gloriosa casa, como o épico o Tinto Velho 1961 ou aquele que é um dos mais emblemáticos do historial vínico de Portugal, o Tinto Velho 1940.

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Old Vineyard of Herdade do Monte da Ribeira – Foto cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Tudo começa na Herdade do Monte da Ribeira, onde se encontram os 72 hectares de vinha, em solos de origem granítica, que foi plantada ao longo dos anos tendo o próprio José de Sousa plantado ali vinha no princípio dos anos 50. Castas como Trincadeira, Aragonês, Grand Noir… fazem parte dos encepamentos e são nos dias de hoje a base dos vinhos José de Sousa.

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Adega de Potes – Foto cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Estas últimas referências fazem parte do portfolio do produtor José Maria da Fonseca que em 1980 começou a engarrafar os vinhos da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes e após a aquisição em 1986 concretiza o sonho de poder produzir vinho no Alentejo. Foi nessa altura que viria a ser descoberto debaixo de um monte de sacas de carvão um lote de garrafas do Tinto Velho 1940, um vinho cuja qualidade e longevidade iria servir de meta a alcançar na elaboração dos “novos” José de Sousa.

Assim em 1990 a marca ganhou novo rumo, dividiu-se em duas e por um lado ficou-se com um pequeno José de Sousa, por outro com um pura raça Alentejano de nome José de Sousa Mayor (Garrafeira). O mais pequeno é a continuidade com retoques da nova enologia, mais apelativo e satisfaz plateia alargada, o Mayor é a tentativa de ir ao encontro dos grandes vinhos da antiga Casa Agrícola, mais recente surge o J de José de Sousa o novo topo. Os três têm no coração a bondade da Talha, do barro do Alentejo, da tradição e dos tempos que dificilmente vão voltar.

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José de Sousa – Foto cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

José de Sousa 2011
O “Zé” mudou de camisa, adaptou-se aos tempos modernos e veio morar para a cidade. Este alentejano de gema tem vindo a adaptar-se aos tempos que correm, continua no entanto fiel às origens. Sempre o conheci com um saquinho de figos secos e uma onça de tabaco de enrolar no bolso, botas marcadas pelo barro da Herdade onde nasceu, o “Zé” é um tipo porreiro, sem grandes complexos e sempre bem disposto, grande amigo da petisqueira. Por mais anos que passem por ele, por mais que mude de camisa não perde o sotaque bem vincado, nem vira cara às suas origens (nasceu em Reguengos de Monsaraz). Afinal de contas são estes amigos que gostamos de ter como companheiros de mesa, nunca nos deixam ficar mal vistos e proporcionam bons momentos de convívio. Da última vez que nos encontrámos em 2011, falou-me da Grand Noir, da Trincadeira e da Aragonês, sempre bem disposto a conversa durou toda a refeição. Se o virem por aí não hesitem em dar-lhe uma palavrinha…

José de Sousa Mayor 2011
Continua Mayor o tinto José de Sousa (Reguengos de Monsaraz) de fina estirpe Alentejana e cuja fatiota se tem vindo a adaptar aos tempos modernos. Um tinto mais opulento, cheio de genica e mais pronto a beber, com mais gorduras e sem ser tão tenso ou rijo como me recordo dos tempos da juventude de um 1994 ou 1997. Continua no entanto a ser um belo tinto da planície, onde predomina a casta Grand Noir, num todo que conjuga fruta escura e gulosa com folha de tabaco, café, especiarias (cravinho), barro, tudo embrulhado numa barrica que não chateia. Ainda novo com tudo para se desenvolver, fruta bem presente na prova de boca, alguns taninos em fundo embora todo ele a mostrar elegância, aptidão para guarda prolongada, sendo desde já companheiro de um bom Ensopado de Borrego.

J de José de Sousa 2011
Um dos grandes vinhos do Alentejo, pontifica a Grand Noir com Touriga Nacional e Touriga Francesa. Bastante charmoso e cheio de finesse, a mostrar desde o princípio toda a sua classe num conjunto de alto gabarito. Perfeita a simbiose entre lagares/barro/madeira, que resulta num vinho que mostra o melhor do Alentejo, a frescura da fruta bem carnuda envolta por uma boa estrutura que lhe garante longevidade. Tudo com grande complexidade, chocolate, balsâmico, floral, a fruta muito fresca e bem delineada como todo o conjunto a mostrar muita classe e elegância. Pelo meio o travo terroso e fresco do barro muito subtil, envolve os sentidos com bastante prazer, boca com estrutura firme, amplo e aveludado, profundo num final de boca longo e especiado. Memorável com umas perdizes estufadas.

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José de Sousa Rosado Fernandes 1940 – Foto cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

José de Sousa Rosado Fernandes 1940
São 74 anos de vida de um verdadeiro ícone da enologia em Portugal, a todos os níveis memorável e a mostrar uma saúde invejável, com bastante frescura que lhe ampara todo o conjunto. Escuro e glicérico, rebordo acastanhado a mostrar que o tempo já passou por ele, muito complexo com terciários luxuosos, notas de ameixa e alguma compota, chocolate de leite, flores, notas de barro. E de repente o tempo para e damos conta que estamos perdidos no meio do copo por entre um mar de aromas. Fantástico.

Contactos
QUINTA DA BASSAQUEIRA – ESTRADA NACIONAL 10,
2925-542 VILA NOGUEIRA DE AZEITÃO, SETUBAL, PORTUGAL
Tel.: (+351) 212 197 500
Email: info@jmf.pt
Site: www.jmf.pt

Colares – A Mais “Ridícula” Região de Vinho do Mundo

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Ou seja, ridiculamente espectacular! Tenho andado curioso sobre esta pequena região de vinho em Lisboa, desde que provei uma garrafa durante a vindima no Douro em 2008. Num jantar recheado de vinho, provei o meu primeiro golo de Colares. Foi fantástico. Não me lembrava qual o produtor, nem o ano exacto. Só me lembro que era velho. Até que encontrei uma foto, há muito perdida, de mim a segurar essa mesma garrafa na mão. Não se assustem essa foto foi tirada há 6 anos e 20 quilos atrás, mas garanto-vos que sou eu na fotografia. Mas já voltaremos a esse vinho.

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Bebendo Colares em 2008 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A região tem uma longa história e é a segunda região demarcada mais antiga de Portugal, datando de 1908. Mas a história da produção de vinho em Colares vem de muito, muito antes, desde os dias do Império Romano. Mas foi o Rei Afonso III de Portugal quem na realidade ordenou que se cultivassem vinhas lá. Consigo imaginá-lo como uma figura do estilo “Game of Thrones”, bêbado, a gritar “MAIS VINHO!” enquanto brandia a sua espada, como o Tyrion Lannister.

Portanto, o vinho tem sido importante para a região de Colares desde há muito tempo. Nos finais do século XIX, o insecto do vinho filoxera destruiu praticamente todas as vinhas na Europa, excepto Colares. As vinhas dessa área estavam cultivadas em dunas de areia, muito perto do mar e a filoxera, esse sacaninha manhoso, não gosta das praias, e as vinhas de Colares sobreviveram a esta catástrofe vinosa.

Enquanto o resto da Europa perdia a cabeça, enxertando e enterrando sapos debaixo das vinhas porque achavam que isso ajudaria a salvar o pouco que tinha sobrado, Colares estava a dar-se bem. Quer dizer, as pessoas andavam a combater estes insectos microscópicos com sepulturas vinícolas de anfíbios! Tempos desesperados pedem medidas desesperadas, acho eu. Mas para Colares, isto foi como ganhar a lotaria. O mundo sofria de uma escassez de vinho extrema e Colares tinha o bilhete dourado. Oferta e procura – BOOOM!! Tenho a certeza que deve ter havido um momento em que Colares estava numa boa trajectória para se tornar numa das maiores regiões de vinho no mundo. Mas isso não lhe estava destinado.

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Dunas de Areia Protegem as Vinhas dos Ventos Fortes – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A região passou de ser quase o centro do mundo do vinho, para estar à beira da extinção, onde se encontra actualmente. Foi apenas quando tive a oportunidade de visitar Colares que compreendi porque é que nunca poderia ter sido uma região de imenso sucesso. Com certeza que a região merece muito mais atenção, mas nunca será um “vinho mainstream”. É demasiado difícil cultivar vinhas ali. É um trabalho muito intensivo.

Eu visitei uma série de vinhas durante estas vindimas que não estavam a mais de 300 metros do oceano Atlântico. Os vinhedos estão rodeados de paredes de palha e as vinhas estão plantadas em trincheiras de areia, que fazem com que pareçam uma cena do filme Dune de David Lynch. As vinhas alastram-se à vontade no chão e quando as uvas se começam a formar, elas serão levantadas com umas canas para prevenir que as uvas apodreçam.

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Canas Seguram as Vinhas Acima do Chão – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quando a vindima finalmente chega, apenas podemos imaginar o quão árduo será apanhar aquelas uvas. Podem esquecer a mecanização, a não ser que arranjem forma de prender uns apanhadores de uvas às traseiras de um buggy das dunas, e os arrastem pelo vinhedo sem os magoar.

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As Uvas de Colares não são as Mais Fáceis de Apanhar – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Porquê complicar as coisas então? Bem, os vinhos feitos para a DOC Colares têm que vir de solos arenosos perto da praia e não podem ser enxertadas. No entanto, se quiserem algum subsídio da UE, as vinhas têm que ser enxertadas. Esta Escolha de Sofia vinícola não torna as coisas mais fáceis.

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A Carregar o Tractor – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois de visitar as vinhas estava na altura de provar estes vinhos. Fui a uma das caves à moda antiga: a Adega Viúva Gomes para beber um ou dois copos. Eles existem desde 1808 e os seus vinhos são procurados pelos fãs de Colares por todo o mundo.

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A Adega Viúva Gomes – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Na linda cave da Viúva Gomes, provamos um conjunto de vinhos de diferentes produtores locais. As garrafas variavam em estilo e idade, mas houve uma que realmente captou a minha atenção.

Viuva Gomes “Collares” Tinto 1934
Deixem-me começar por dizer que este não é um vinho fortificado, repito, este não é um vinho fortificado. O que torna o seu ano ainda mais surpreendente. Este é um vinho tinto, feito de Ramisco, a uva rei de Colares. Uma casta bastante desinteressante fora da região, mas que em Colares produz vinhos com grande personalidade e uma longevidade notável. O ano 1934 foi o ano em que Adolf Hitler começou o seu reinado e foi também o ano em que Bonnie e Clyde foram mortos a tiro, no meio das florestas de pinheiros do Luisiana, só para vos dar um bocadinho de contexto. É velho.

A partir do momento em que pousam os olhos neste vinho, saberão que ele não é propriamente desta década, nem deste século. O tom castanho claro promete algo amadurecido, algo que sobreviveu ao teste do tempo. No nariz tem uns bonitos aromas terrosos, com insinuações de cereja, pedra esmagada e um toque deste caracter volátil mentolado. Este é um vinho a que eu gosto de chamar um “Vinho Houdini”. Está constantemente a evoluir e a mudar no seu copo. Sempre que levar o nariz ao copo, é um pouco diferente. Quando prova o vinho, compreende porque algumas pessoas são verdadeiros fanáticos destes vinhos. Apenas pura estrutura! Acidez potente com camadas sobre camadas sobre camadas de sabor. Há também este lindo efeito salivante. Um pouco daquele chuto como sal marinho, que faz ficar de água na boca. Um vinho verdadeiramente surpreendente, que é uma grande prova do imenso potencial dos vinhos de Colares.

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Garrafa de Viúva Gomes From 1934 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Então, de volta ao vinho que deu início a tudo isto. O vinho de Colares que provei em 2008 quando estive no Douro. Enquanto escrevia este artigo, ressurgiu uma antiga fotografia daquela noite e depois de aumentar e realçar a foto, descobri que o vinho que provei em 2008, era na realidade o mesmo Viúva Gomes Tinto de 1934. O mesmo vinho que despertou o meu interesse pelos vinhos de Colares e que reafirmou a minha crença de que os vinhos Portugueses conseguem envelhecer como os melhores.

Agora, não sei o que irá acontecer a esta regiãozinha peculiar de vinho no futuro. Não pode ficar muito mais pequena do que está sem desaparecer por completo da face da terra, e eu não acho que o fará. Parece haver um recém-descoberto entusiasmo pela produção de vinhos de Colares. Há jovens como Hélder Cunha com os seus vinhos Monte Cascas, que estão a produzir coisas bem saborosas e a trazer sangue novo para a região, por assim dizer. Enquanto houver produtores de vinho talentosos, como ele e todos os outros que estão actualmente a fazer vinho em Colares e a preservar o que só pode ser descrito como uma das mais ridículas e no entanto absolutamente fascinantes regiões de vinho no mundo, ainda há esperança.

Contactos
Largo Comendador Gomes da Silva,
2 e 3, Almoçageme
2705-041 COLARES
Tel.: (+351) 219 290 903
Email: chaodeareialda@gmail.com
Site: www.adegaviuvagomes.com

Quinta do Convento Nª Sª Visitação – Vinhas com Vista para o Mar

Texto José Silva

Pertence à região de Lisboa esta propriedade que fica situada lá no alto da serra de Montejunto, não longe do mar. E é desse mar que a sub-região de Óbidos recebe uma influência directa, ventos fortes, frescos, salgados, a par duma óptima exposição solar.

Falo da Quinta do Convento de Nossa Senhora da Visitação, que associa uma unidade de turismo de habitação e serviços, a uma produção de vinho com alguma importância na região.

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Quinta do Convento da Nª Sª da Visitação – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

As construções antigas foram muito bem recuperadas quer para as salas onde se servem refeições para grupos e eventos, quer para uma unidade hoteleira com grande nível embora de pequena dimensão, de que faz parte uma capela muito antiga muito bem recuperada e um lago a dar um ar bucólico ao espaço exterior.

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Capela Antiga – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Lago – – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Onde se destacam várias árvores de grande porte, que resistem estoicamente à ventania frequente, por vezes de grande violência.

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Árvores de grande Porte – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Um desse edifícios foi transformado em adega, onde funcionam equipamentos modernos abrigados pela antiguidade das grossas paredes.

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Equipamentos Modernos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Em baixo da adega, na sala de barricas, descansam os vinhos que vão envelhecer ainda mais algum tempo.
Mesmo no topo da quinta, num velho moinho, foi criada uma suite muito confortável com uma vista soberba sobre a serra e a planície, lá em baixo, e o oceano lá ao longe. Em dias muito limpos dali se avista o arquipélago das Berlengas.

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Moinho – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas estávamos ali também para provar alguns dos vinhos da casa, num local tranquilo junto à adega.

Desde logo a curiosidade dum vinho branco feito a partir das castas Sauvignon Blanc e Fernão Pires, do ano de 2012, um interessante casamento entre duas castas tão diferentes, uma portuguesa e a outra de origem francesa. Apresentou-se num amarelo claro, citrino, cristalino, cheio de frescura no nariz, notas exóticas de fruta branca e um toque vegetal muito ligeiro. Na boca tem uma boa estrutura, mantém a frescura e apresenta acidez equilibrada, tem personalidade e um óptimo final.

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Sauvignon Blanc Fernão Pires 2012 | Semillion 2012 © Blend All About Wine, Lda

Seguiu-se outro vinho branco, agora apenas da casta Semillon, também da colheita de 2012. Apresentou-se com cor amarela média, cristalino. A casta a proporcionar um nariz intenso e elegante, com alguma complexidade, aromas de frutos brancos, alperce, pêra, ligeiro toque de mel e algum fumado. Mantém-se essa complexidade na boca, com bom volume, acidez bem presente mas equilibrada, alguma fruta madura, redondo e intenso, com belo final.

Passamos então aos tintos com o regional Lisboa 2007. Duma cor rubi intensa, muito limpo, apresentou-se com aromas intensos de frutos vermelhos, alguma frescura, notas de fumo. Na boca é um vinho simples, com notas de frutos vermelhos, bem estruturado, a curiosidade de ser feito a partir das castas Tinta Roriz, Tinta Barroca, Pinot Noir e Caladoc, esta última menos vulgar, notas de chocolate e algum fumo e final longo e saboroso.

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Regional Lisboa 2007 | Premium 2007 © Blend All About Wine, Lda

Continuando nos tintos provamos o Premium 2007, resultado da conjugação das castas Pinot Noir, Tinta Roriz e Caladoc, a dar uma cor rubi intensa, muito limpo. No nariz a intensidade dos aromas dos frutos pretos, algum fumo e um toque interessante de eucalipto. Na boca mantém as notas de fruta preta bem madura, acidez bem presente, taninos domados, muito elegantes, alguma frescura, redondo e persistente, com final longo e seguro.

Depois foi a vez do tinto só de Pinot Noir do ano de 2007. A mesma cor rubi intensa, muito limpo, nariz com aromas intensos de frutos vermelhos, notas ligeiras de fumo, elegante, fino. Na boca é austero, elegante, alguma fruta vermelha, taninos suaves e redondos, óptima acidez e alguma frescura a dar um final médio e intenso.

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Syrah 2008 | red Pinot Noir 2007 © Blend All About Wine, Lda

Ainda de uma só casta fez-se o Syrah de 2008, também de cor rubi intensa, muito limpo. Aqui os aromas muito diferentes, notas de fruta vermelha, chocolate preto, especiarias intensas e algum fumado. Na boca é intenso, autoritário, taninos possantes mas domados, notas de fruta preta, bela acidez, toque de chocolate preto, final longo e persistente num vinho com raça.

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Reserva 2007 © Blend All About Wine, Lda

Finalmente provamos o Reserva 2007, feito a partir das castas Touriga Nacional e Syrah. Mantém-se a cor rubi, muito limpo. Um nariz extraordinário, fino, muito complexo, notas de frutos pretos muito maduros e algum fumado. Na boca é intenso, os frutos pretos bem presentes, algum chocolate preto, acidez equilibrada e taninos já domados a dar-lhe alguma austeridade, um vinho com bastante complexidade mas muito elegante, com grande final.

Lá ao longe ainda podemos ver o mar…

Contactos
Rua Convento
2580-442 Vila Verde dos Francos
Tel: (+351) 210 330 780
Email: geral@quintadoconvento.pt
Site: www.quintadoconvento.pt

Vale da Capucha: Vinhos Orgânicos com um Excitante Goût de Terroir

Texto Sarah Ahmed | Tradução Teresa Calisto

A história de Pedro Marques é conhecida entre os jovens enólogos portugueses. Apesar de ser a quinta geração da sua família a fazer vinho, o jovem de 34 anos é o primeiro a ter estudado enologia. É também o primeiro a quebrar com a tradição da região, de focar mais na quantidade do que na qualidade. Nos dias de hoje, os vinhos que vêm exclusivamente da propriedade de 13 hectares da sua família, Quinta de S. José em Carvalhal, Torres Vedras, Lisboa, são rotulados Vale da Capucha. Marques fez os seus primeiros vinhos Vale da Capucha em 2009.

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Pedro Marques do Vale da Capucha, na cave de vinhos com o seu pai, Afonso Fernandes Marques – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Então, como fez ele a mudança da quantidade para a qualidade? Este cândido enólogo será o primeiro a dizer que este é um trabalho em evolução, no qual ele “cortou com o passado e começou de novo”, plantando novas castas, que vai conhecendo cada vez melhor com cada colheita. Mas, com razão, ele está claramente agradado com a sua decisão de se focar mais nos vinhos brancos, mais adequados ao clima húmido e marítimo da quinta, do que os tintos. Vinhos feitos maioritariamente de vinhas não locais de alta qualidade: o Viosinho e Gouveio do Douro, Antão Vaz do Alentejo, Alvarinho do Vinho Verde e até Viognier da França (apesar de ele admitir que esta última foi um erro).

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As encostas com as vinhas na Quinta de S. José – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Mas muito mais importante que as uvas (que ele descreve como “bastante neutras”) é o terroir. Marques está determinado em expressar um sentido de lugar nos seus vinhos: transmitir a frescura e salinidade, que vem do elevado conteúdo calcário das encostas cobertas de fosseis das vinhas da família, localizadas apenas a 8 km da costa Atlântica. Isto instruiu a sua decisão de cultivar a vinha de forma orgânica (foi certificada orgânica em 2012) apesar de ter dificultado a colheita neste ano fresco e molhado, com 30 a 35% da apanha – de acordo com a sua estimativa – a ser perdida devido à pressão da doença.

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Fosseis das vinhas na Quinta de S. José – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Instruiu também a sua decisão de fazer os seus vinhos naturalmente, sem adição de fermentos ou enzimas. Pelo contrário, o sumo das uvas colhidas à mão para o Vale da Capucha, repousa e fermenta naturalmente (com fermentos selvagens) nas borras a temperaturas relativamente quentes (cerca de 18 graus centígrados). Porquê? Porque Marques valoriza a textura e o corpo acima dos aromas, especialmente os caracteres liderados pelo éster, derivados do próprio processo de fermentação. É, acredita ele, uma forma “de distinguir os vinhos”. Além disso, ele pode permitir-se construir corpo e textura porque, como indica, ele tem o problema oposto à maioria em Portugal: a elevada acidez que mantém os vinhos Vale da Capucha tão animados.

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As caves velhas na Quinta de S. José – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Apesar de feitos a partir de vinhas relativamente novas, plantadas de castas que são novas à região, os vinhos de Marques mostram grande carácter e promessa. Se gosta de vinhos brancos texturados, liderados pelo terroir, a quinta deste produtor pensativo é uma a ter em atenção.

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Um enólogo pensativo, Pedro Marques do Vale da Capucha – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Vale da Capucha Pynga Viosinho 2010 (VR Lisboa)
Um pouco oleoso ou terpénico no nariz e no palato, o que irá dividir os provadores. É um pouco como o Retsina com esteróides, mas no bom sentido: cheio de carácter, com bom corpo/sensação de boca, combinado com a típica frescura no final: marca da quinta.

Vale da Capucha Pynga Selection 2010 (VR Lisboa)
Eu gosto deste blend salgado e apimentado de Gouveio, Arinto e Antão Vaz. Ligeiramente “alimonado”, com um carácter subtil vegetal de arbusto salgado ou funcho, tem uma boa e ácida espinha dorsal, para comprimento e estrutura.

Vale da Capucha Alvarinho 2012 (VR Lisboa)
Marques mostrou-nos três colheitas do seu Alvarinho. Foi interessante contrastar a firme estrutura ácida deste vinho, com a acidez mais sumarenta do Alvarinho dos solos graníticos do Vinho Verde. Nesta colheita, um pouco mais de idade das vinhas (que foram plantadas em 2007), dá um pouco mais de concentração à sua cúspide de ananás maduro, o que ajuda a equilibrar melhor a acidez. É um Alvarinho enérgico, fresco, com uma acidez mineral e calcária.

Vale da Capucha Gouveio 2013 (VR Lisboa)
Marques gosta particularmente desta uva pelo seu carácter subtil, quase neutro, mesmo durante a fermentação, diz ele. E eu consigo ver a atracção: coloca a ênfase na mineralidade de salmoura salgada da quinta, fazendo-me lembrar de comer perceves. Mais uma vez, o ácido é firme. Está longe de ser frutado, mas tem um toque de groselha e pêssego ao finalizar.

Vale da Capucha Arinto 2013 (VR Lisboa)
O Arinto é célebre pela sua alta acidez natural, por isso conseguem imaginar que, nesta quinta, vai estar no extremo elevado do contínuo. Na realidade, Marques planeia deixá-lo na garrafa durante pelo menos, um ano. Eu tenho que admitir que sou um pouco fanática por ácido, por isso sim, é novo, mas eu gostei imenso do look deste vinho firme, austero, calcário, mineral e cítrico. Mais uma vez, parece muito genuíno da quinta.

Vale da Capucha White 2012 (VR Lisboa)
Este blend 85/15 de Viosinho e Arinto lembra-me um pouco a uva austríaca Gruner Veltliner com o seu palato delineado, levemente especiado, de aromas vegetais. Um hábil corte de acidez cítrica, torna-o num vinho persistente. Muito bom.

Vale da Capucha Pygna Selection White 2012 (VR Lisboa)
Um blend 70/20/10 de Viognier, Arinto e Fernão Pires. Como seria de esperar, o Viognier domina o palato, com gengibre fresco e damasco. As especiarias são ampliadas pelo Fernão Pires. O único problema é ser um pouco curto: talvez seja preciso mais Arinto para persistência?

Vale da Capucha Fossil 2012 (VR Lisboa)
Eu e os meus colegas jornalistas do Reino Unido, temos imenso tempo para este vinho de nível de entrada. Abundantes caracteres trazem imenso retorno pelo investimento. Um palato carnudo e cremoso, deslindado pela acidez cítrica, revela pêssego branco e, uma vez que o provei o ano passado, espargo branco mais evoluído (atraente). Uma mineralidade implícita no final, leva-nos de volta à vinha. Muito bom: no ponto.

Vale da Capucha Reserva 2011 (VR Lisboa)
De forma semelhante, este blend de 53% Viosinho, 31% Arinto e 16% Antão Vaz está a evoluir bem, com bom peso e camadas para o palato e insinuações de espargo branco, num final longo e persistente. Grita por peixe ou frango e um molho cremoso. Adorável.

Vale da Capucha Tinto 2011 (VR Lisboa)
Este blend 55/45 de Touriga Nacional e Tinta Roriz foi pisado a pé, em lagares e envelhecido usando barricas. A Touriga dá uma elevação floral – violetas – ao nariz, que se mantêm num palato “ameixoado”, bem emoldurado por taninos maduros mas presentes e acidez fresca. Carvalho apetitoso dá uma nota fumada, de charcutaria, ao final. Para um vinho que se sente não forçado e tão definido, surpreendeu-me descobrir que pesa 15.3%! Marques explicou que teve que esperar que os taninos amadurecessem, daí o elevado nível de álcool, que ele habilmente mantém sob controlo, ao servi-lo a cerca de 14 graus centígrados.

Vale da Capucha Late Harvest 2013 (VR Lisboa)
Marques mostrou-nos três colheitas deste docinho, das quais eu gostei deste, a colheita mais tardia, a melhor. Ao contrário dos outros, tem um toque de Viognier na sua fruta de Viosinho e Arinto, o que parece completar o vinho: mais carnudo e mais longo, com acidez bem integrada, na sua saborosa fruta de maçã assada amanteigada.

Contactos
Vale da Capucha
Agricultura e Turismo Rural, Lda
Largo Eng.António Batalha Reis, 2
Carvalhal | 2565-781 Turcifal
Torres Vedras | Portugal
Telemóvel: (+351) 912 302 289/87  | (+351) 912 302 291
Site: www.valedacapucha.com

O Senhor da Adraga

Texto João Pedro de Carvalho

Ali bem perto do Cabo da Roca, onde a terra acaba e o mar começa, situada numa encosta da Serra de Sintra fica a Quinta do Casal de Santa Maria (Adraga). A casa principal foi construída em 1720 tendo sobrevivido ao grande terramoto de Lisboa em 1755, ali a vinha e o vinho faziam parte da tradição da propriedade até 1906, depois veio o declínio e o abandono total do património.

Em 1960 ganhou nova vida sendo adquirida e reconstruida pelo actual proprietário, o Barão Bodo Von Bruemmer. A sua história tem tanto de fascinante como o Casal Sta. Maria e os seus vinhos.

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Vinhas Quinta do Casal Santa Maria © Blend All About Wine, Lda.

Bodo Von Bruemmer nasceu na Prússia em 1911, escapou da revolução bolchevique, viveu em vários países da Europa, formou-se em Direito, foi banqueiro e em 1962 chegou a Portugal onde compra a Quinta do Casal de Santa Maria, ali criou a maior Coudelaria de Cavalos Árabes em Portugal. Aos 95 anos de idade após ter sido submetido a uma delicada cirurgia à vista, assim que acordou da anestesia decidiu que tinha de plantar uma vinha.

Em 2006 nascia a exploração vitivinícola mais ocidental da Europa, com a plantação de 7,5ha de vinha retomando a tradição daquele lugar que ganhou nova vida tal como o Barão Von Bruemmer que aos seus 103 anos abraça uma nova faceta da sua vida, ser produtor de vinho.

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Baron Bodo Von Bruemmer © Blend All About Wine, Lda.

Para melhor entender os vinhos nada melhor do que visitar as vinhas abraçadas por uma paisagem fantástica com o oceano em pano de fundo. Passear no meio das vinhas e jardins cheios de rosas ou ir até à vinha perto da Praia da Adraga e reparar naquele clima muito especial fruto de toda a influência da orla costeira, noites frias, manhãs com nevoeiro e uma quase constante briza marítima, que permite aos vinhos ganharem uma identidade muito própria naquele que é um terroir único.

Os enólogos são Jorge Rosa Santos e António Figueiredo, uma jovem dupla responsável pela qualidade dos vinhos ali produzidos, com alguns tintos de fino recorte como é exemplo o Pinot Noir cheio de notas fumadas, bacon, fruta vermelha com muita frescura ou o Ramisco DOC de recorte mais moderno onde combina todo o vigor característico da casta com as boas madeiras que lhe serenam o espírito. No entanto o meu destaque recai nos brancos:

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Casal Santa Maria Malvasia 2013 © Blend All About Wine, Lda.

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Casal Santa Maria Sauvignon Blanc 2013 © Blend All About Wine, Lda.

Casal Santa Maria Malvasia 2013
Muito mineral e fresco, aroma delicado e preciso com flores a marcar presença, toque de pimenta no final. Muito bem balanceado na boca, grande secura final que será grande companheira de um bom peixe grelhado.

Casal Santa Maria Sauvignon Blanc 2013
Notas de espargos e pimento verde com acentuada mineralidade, num perfil que se mostra muito mais vegetal e seco, com bastante frescura, notas de citrinos e relva fresca. Passagem saborosa na boca, sensação de ligeira untuosidade num perfil fresco, firme e de final prolongado.

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Casal Santa Maria Reserva 2010 © Blend All About Wine, Lda.

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Casal Santa Maria Malvasia DOC Colares 2011 © Blend All About Wine, Lda.

Casal Santa Maria Reserva 2010
Mostra uma muito boa evolução após quatro anos de vida, suave baunilha a envolver fruta madura (pêssego, citrinos) e muitas flores, sensação de untuosidade com frescura de fundo. A acidez toma conta da prova, bom corpo com passagem saborosa e envolvente onde tudo se complementa com a prova de nariz. Um vinho numa fase muito boa de consumo.

Casal Sta. Maria Malvasia DOC Colares 2011
Uma abordagem mais moderna, barrica um pouquinho mais presente, bem integrada, nada que incomode e até aconchega a belíssima acidez e mineralidade reinante. Um vinho elegante, puré de maçã, muito citrino com tisana, resina, lápis de cera e mineralidade. Na boca complementa-se com a prova de nariz, saboroso, secura em pano de fundo, equilibrado e amplo, apontamento de fruto seco e salgado em fundo com uma boa persistência final.

Contactos
Rua Principal Casas Novas, nº 18/20
2705-177 Colares-Portugal
Tel.: (+351) 219 292 117
Email: geral@casalsantamaria.pt
Site: www.casalstamaria.pt

Quinta de S. Sebastião

Texto José Silva

A região de Arruda dos Vinhos sempre foi conhecida pela sua produção vinícola, com os vinhedos espalhados pela orografia ligeiramente montanhosa, vizinha de outras pequenas regiões também com muitas vinhas como Sobral de Monte Agraço e Bucelas.

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Orografia Ligeiramente Montanhosa – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Nos últimos anos a produção evoluiu no sentido duma maior qualidade e foram aparecendo novos produtores, e alguns dos que apenas produziam uvas e as vendiam, passaram a produzir os seus próprios vinhos.

Mas outros sempre produziram vinhos de qualidade e mais não fizeram do que modernizar as vinhas e adquirir novos equipamentos que permitem um maior controle quer da produção das uvas quer depois, na adega, o controle da evolução dos vinhos quer em cubas e barricas, quer em garrafa. É o que acontece na Quinta de S. Sebastião, mesmo em Arruda, hoje um produtor moderno, com vinhos muito interessantes, entre brancos e tintos.

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Picadeiro – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Armazém – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mantendo também a tradição familiar, uma casa antiga muito bonita, um picadeiro onde se treina os cavalos da casa, utilizados para passeios pela região e uma sala onde se preservam algumas colecções e de vinhos antigos, um pouco da história vitícola da casa, para raras viagens a outros tempos, outros costumes.

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Vinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Quinta S. Sebastião – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais atrás, os vinhedos que sobem encosta acima, hoje com a companhia quixotesca dos também modernos moinhos de produção de energia, que moldam a paisagem e identificam a modernidade.

E foi neste ambiente descontraído que nos sentamos numa simpática sala de provas, para apreciar os vinhos modernos desta casa, tranquilamente.

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Quinta de S. Sebastião Branco 2013 © Blend All About Wine, Lda.

Começamos pelo Quinta de S. Sebastião Branco 2013. Apresentou uma cor amarela pálida cristalina e um nariz elegante e misterioso, fresco, ligeiramente seco. Na boca é intenso, tem bom volume, apresentando notas minerais muito frescas, muito boa acidez, um vinho equilibrado com belo final.

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Quinta de S. Sebastião Branco Cercial 2012 © Blend All About Wine, Lda.

Seguiu-se o Quinta de S. Sebastião branco cercial de 2012, com uma cor amarela média, cristalino. No nariz é seco e fresco, com notas ligeiras de mel, intenso, algo exótico. Na boca é ainda bastante fresco, com acidez intensa a dar-lhe equilíbrio, notas de fruta branca e algum citrino. Madeira muito bem integrada, a dar-lhe elegância e um final longo, num vinho branco gastronómico.

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Quinta de S. Sebastião Colheita 2012 © Blend All About Wine, Lda.

Passamos então aos tintos com o Quinta de S. Sebastião colheita 2012, que apresentou uma cor vermelha granada, muito escuro e fechado, muito suave e elegante no nariz, com boas notas de frutos vermelhos, algum fumo e especiarias. Na boca tem muito boa acidez, bem presente, é seco, profundo, com apontamentos de frutos pretos muito elegantes, ligeiras notas de chocolate preto e um final médio mas persistente.

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Quinta de S. Sebastião Reserva 2012 © Blend All About Wine, Lda.

Seguiu-se então o Quinta de S. Sebastião Reserva 2012, com uma cor granada escura, opaco, intenso. Austero e elegantemente sóbrio no nariz, com apontamentos de chocolate e frutos pretos. Na boca apresenta uma excelente acidez, tem volume, tem frescura, tem profundidade, tem uma permanente descoberta de paladares, com taninos poderosos mas ao mesmo tempo muito elegantes, altivos, um final muito longo num belo vinho.

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Quinta de S. Sebastião Touriga Nacional 2012 © Blend All About Wine, Lda.

Finalmente apresentou-se em prova o Quinta de S. Sebastião Touriga Nacional 2012, um monovarietal muito interessante, a provar que esta casta eclética te, m grande poder de adaptação a outros terrenos e climas, dando muito boa conta de si. Duma cor vermelha violácea, intenso, opaco, tem belo floral no nariz, fino e elegante, com algumas notas de chocolate e um ligeiro apimentado.

Na boca apresenta-se redondo, tem óptimo volume e grande acidez, com os taninos bem presentes, ainda por domar, notas de frutos pretos bem maduros, até mesmo algum chocolate e chá preto, um vinho irrequieto que terminou com grande final.

Uma boa surpresa a consistência destes vinhos, num produtor que promete manter esta qualidade, tendo potencial para ir ainda mais além.
Em Arruda dos Vinhos…

Contactos
Quinta de São Sebastião
Rua de S. Sebastião, nº 9
2630-180 Arruda dos Vinhos
Tel: (+351) 263 978 549
Telemóvel: (+3351)914 222 465
Email: geral@quintassebastiao.com
Site: www.quintassebastiao.com

Quinta da Romeira – qualidade e consistência!

Texto Olga Cardoso

A Quinta da Romeira está situada no coração de Bucelas, uma das mais antigas regiões exportadoras de vinho, muito famosa pelos seus vinhos brancos e por isso mencionada por Shakespeare na sua peça teatral Henrique VI.

Existe de facto uma forte ligação entre esta Quinta e o Reino Unido. Em 1703, Luís de Vasconcelos e Sousa, terceiro Conde de Castelo Melhor, foi um dos grandes intermediários nas negociações do contrato de casamento entre a Princesa Catarina de Bragança e o Rei de Inglaterra Carlos II. Em honra da Princesa, instituiu o Morgadio de Santa Catherina, tendo nele incluído a Quinta da Romeira.

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Janela Manuelina © Blend All About Wine, Lda.

Em início do século XIV, o nobre Solar da Romeira ofereceu estadia a Sir Arthur Wellesley, mais tarde Duque de Wellington, de cujas janelas manuelinas avistava as famosas linhas de Torres Vedras, que mandou construir às portas de Lisboa com o objectivo de impedir o exército invasor (Francês) de alcançar a capital do Reino de Portugal.

Provando os vinhos de Bucelas e deles se tendo tornado forte apreciador, enviou-os para o monarca inglês da época, Jorge IV, que também tendo gostado imenso de tais vinhos, os passou a designar por Vinhos de Lisboa.

A Quinta da Romeira foi recentemente adquirida pela Wine Ventures, empresa sediada em Lisboa e liderada por Francisco de Sousa Ferreira, homem como elevada craveira na área da gestão, designadamente em empresas do sector do vinho e outras bebidas, como a Unicer e a Sogrape, onde desempenhou funções de Administrador Executivo.

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José SIlva, Maria Godinho and Manuel Pires da Silva © Blend All About Wine, Lda.

A liderança na área da enologia encontra-se presentemente nas mãos de Manuel Pires da Silva, com longa e comprovada carreira, designadamente na Quinta do Minho. Manuel conta com a colaboração da promissora enóloga Maria Godinho, que acrescenta juventude e criatividade ao grupo e ainda com a colaboração do conhecido e prestigiado enólogo Manuel Vieira.

Foi por esta simpática equipa e ainda pela profissional e dinâmica Directora de Marketing, Catarina Rente, que a Blend | All About Wine foi recebida no passado dia 25 de Setembro.

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Copos de Prova © Blend All About Wine, Lda.

Numa prova muito bem organizada, provamos um total de 7 vinhos. Cinco brancos e dois tintos. A qualidade e consistência demonstrada pelos diferentes vinhos é de facto assinalável. Os brancos são frescos, com uma acidez notável e um delicioso toque de maresia e salinidade que a proximidade do mar lhes proporciona.

Os tintos, elaborados a partir da nossa Touriga Nacional e das castas francesas Merlot e Cabernet Sauvignon, mostraram bom corpo, boa estrutura e deram-nos excelentes sinais sobre a pretensão desta empresa em produzir também vinhos tintos
De facto a Quinta da Romeira fica muito perto do mar e do vasto estuário do tejo.

Possui a maior vinha contínua de Arinto, cerca de 75 hectares, e é, na minha opinião, a produtora dos melhores Arintos da região, não só no que toca à sua tipicidade como também à sua imbatível qualidade/preço. Se querem provar um arinto de Bucelas, não hesitem em comprar Quinta da Romeira!

Confesso-me uma fã incondicional dos Arintos desta casa e por isso aqui ficam as minhas notas pessoais sobre aquilo a que chamo – a magnífica trilogia!

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Prova Régia 2013 © Blend All About Wine, Lda.

Prova Régia 2013
Estagiou durante um mês sobre as borras finas e exibe um nariz exuberante com notas de fruta tropical, como ananás e maracujá, acompanhadas de delicados apontamentos cítricos. Na boca mostra-se muito fresco, com uma acidez muito bem controlada, num fundo bastante mineral. Um vinho versátil e consensual.

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Prova Régia Reserva 2013 © Blend All About Wine, Lda.

Prova Régia Reserva 2013
Cerca de 10% deste vinho é fermentado em barricas novas de carvalho francês. Apenas a percentagem suficiente para lhe conferir complexidade, sem que a madeira se faça sentir e permita a exibição de todo o seu carácter varietal. Muito cítrico, lima e limão a dominar o seu conjunto aromático, aos quais se juntam as notas de tropicalidade e suaves sensações de salinidade. Mineral e fresco, possuí um final longo e elegante. Um exemplar vivo da qualidade do Arinto de Bucelas.

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Morgado de Sta. Catherina 2012 © Blend All About Wine, Lda.

Morgado de Sta. Catherina 2012
Aroma dominado por notas cítricas numa versão suavemente mais compotada. A mineralidade faz-se também sentir, acompanhada de ligeiras sensações de mel e toques especiados. Fruto da sua fermentação em madeira, exibe uma estrutura notável. Volumoso e guloso, é também muito elegante e cheio de personalidade. Com uma acidez irrepreensível e um final bastante persistente, mostra-se um Arinto, altivo, nobre e marcante.

Contactos
Wine Ventures LDA
Quinta da Romeira de Cima
2670-678 Bucelas
Portugal
Tel.: (+351) 219 687 023 (+351) 219 687 071
Email: info@wineventures.eu
Site: www.wineventures.eu

A Vida Aquática Com Monte d’Oiro

Texto Ilkka Sirén | Tradução Teresa Calisto

Viajar por Portugal é uma experiência. Atravessando as pequenas aldeias de carro, um sem número de rotundas e lindas paisagens fazem parte da diversão de saltar de região de vinho em região de vinho.

A maioria das pessoas tem esta imagem de Portugal: que é a terra do sol que nunca acaba. Com certeza que poderá apanhar tempo muito bom quando estiver em Portugal, mas porque o país está pendurado na beirinha da Europa, com os dois pés firmes no Oceano Atlântico, o tempo pode tornar-se bastante difícil, às vezes. Esta viagem foi uma dessas vezes.

Partimos para uma prova na Quinta Monte d’Oiro perto de Lisboa. A Mãe Natureza consegue ser uma absolutista porque abriu as comportas no exacto momento em que entramos no carro. O nosso carro converteu-se imediatamente num submarino, à semelhança do carro naquele filme do James Bond. A água caía do céu em quantidades bíblicas. Os limpa-pára-brisas limpavam à velocidade máxima, os bacalhaus nadavam na faixa oposta e eu tenho quase a certeza de ter visto o Kraken. É surpreendente o quão difícil é conduzir quando não se vê mais de um palmo à frente do nariz.

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As vinhas na Quinta do Monte d’Oiro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Conseguimos, no entanto, encontrar a propriedade e até a chuva parou, por um breve momento. Depois de darmos uma espreitadela às vinhas, localizadas mesmo em frente à adega, fomos até à cave e tivemos uma prova bastante extensa, dos brancos aos tintos, das colheitas mais recentes às mais antigas. Enquanto beberricávamos os vinhos, a Mãe Natureza continuava a protestar lá fora e a tempestade transformou-se em trovoada.

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A Quinta sob um Céu Tempestuoso – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Juntou-se a nós José Bento dos Santos, broker de metais numa vida anterior, que adquiriu a propriedade Monte d’Oiro em 1986. A quinta é conhecida por produzir vinhos que acompanham bem a comida, feitos não só de castas Portuguesas, mas também de Syrah, Viognier e Petit Verdot.

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José Bento dos Santos – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Provámos vários patamares de vinhos e passado um pouco, começou a surgir um padrão. Os vinhos eram consistentemente bons, contidos nos aromas e guiados pela acidez e estrutura. As regiões de vinho de Lisboa são geralmente bastante frescas em comparação ao Alentejo, por exemplo. A influência do Atlântico é muito presente, dando com frequência aos vinhos frescura e tornando-os muito bebíveis.

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Prova na Cave – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Se há uma coisa que eu trouxe desta prova foi que os vinhos de Monte D’Oiro envelhecem bastante bem. Apesar de alguns anos se mostrarem melhores que outros, o que é normal, os vinhos mantêm a sua pose e continuam a mostrar grande carácter.

As minhas duas escolhas da prova:

Quinta do Monte d’Oiro Reserva 1999
Tinto baseado em Syrah com grandes cojones. Aromas maravilhosamente amadurecidos de tapenade de azeitona preta, ervas e bagas vermelhas. Estrutura de taninos suave e ainda alguma boa acidez vibrante. Um vinho que pode continuar durante muitos anos. Muito bom.

Quinta do Monte d’Oiro ‘Homenagem a Antonio Carqueijeiro’ 1999
Ligeiramente mais desenvolvido que o Reserva. Mostrando mais daqueles aromas rústicos, de celeiro, mas ainda com algum agradável perfume de cereja e especiarias. Faz-me lembrar um pouco os vinhos Saint-Joseph. Beba agora ou espere um par de anos, mas certifique-se que tem boa comida para o acompanhar.

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Os Vinhos da Noite – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois da prova era altura do jantar. O Sr. Bento dos Santos é um gastro-entusiasta, para não dizer mais. Aparentemente trata Paul Bocuse por tu, entre muitos outros elogios. Para resumir um longo jantar, nós comemos o que foi, de acordo com o anfitrião, a melhor carne da Europa, premiado por uma espécie de revista de carne de vaca. Quem diria que havia uma revista só para carne de vaca? Bom, o jantar estava absolutamente delicioso, claro. O que o tornou ainda mais delicioso foi que nós bebemos 5 tipos diferentes de rum como digestivo. Eu não levantei objecções. Em suma, um grande insight para uma das melhores adegas de Lisboa, e que foi, apesar do tempo horrível, uma visita que valeu bem a pena.

Contactos
Freixial de Cima
2580-404 Ventosa Alenquer
Tel: (+351) 263 766 060
Fax (+351) 263 766 069
Email: geral@quintadomontedoiro.com
Site: www.quintadomontedoiro.com

O Tesouro de Colares

Texto João Pedro de Carvalho

Entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, a 25km a Noroeste de Lisboa, situa-se uma pequena zona vitícola muito antiga com produção a remontar ao ano de 1255, aquela que é a Região Demarcada (desde 1908) mais ocidental da Europa e a mais pequena região produtora de vinhos tranquilos de Portugal.

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Sala dos Tonéis © Blend All About Wine, Lda.

A história do vinho de Colares é longa e perde-se nas páginas do tempo, os seus vinhos ainda hoje fazem parte das memórias dos seus apreciadores e são alvo de procura pelos mais dedicados e curiosos. Na verdade a região perdeu-se no turbilhão da era moderna, o comboio da novidade, caiu no esquecimento com o respectivo abandono progressivo da actividade por parte das gentes locais contribuindo isso em muito para que a quantidade de vinha que existia fosse desaparecendo.

O mais importante produtor da região, até pelo poder de certificar os vinhos DOC Colares, é a Adega Regional de Colares, que após receber as uvas vê os mostos serem posteriormente vendidos em bruto e trabalhados nas respectivas adegas dos associados como é caso a Adega Viúva Gomes. A Adega Regional de Colares foi fundada em 1931, reúne mais de 50% da produção da região e mais de 90% dos produtores da mesma.

Hoje em dia, passo a passo a região começa a despertar por resultado do esforço e dedicação de alguns produtores, para além da Adega Regional o principal centro de vinificação da região ainda se juntam mais dois novos produtores, a Fundação Oriente e o Casal Sta. Maria.

Parte desse esforço, dessa saudável teimosia de revigorar a imagem e qualidade dos vinhos da região tem um rosto, o enólogo Francisco Figueiredo (Adega Regional de Colares). Mostrando um brilho no olhar quando nos fala da região, dos seus vinhos e em especial da casta Ramisco, aquela que tanto gosto e defende. Foi toda uma manhã que apesar de ter começado chuvosa, se dedicou a explorar a região, os vinhos e as vinhas.

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Francisco Figueiredo © Blend All About Wine, Lda.

Focando apenas nas vinhas de chão de areia, cujas vinhas pré-filoxéricas evidenciam os contornos do tempo, tivemos a sorte e privilégio de assistir à vindima (foto abaixo) sendo bem visível quer as barreiras em cana que protegem as vinhas dos ventos e da maresia, como nas macieiras anãs de Maçã Reineta de Colares, tradicionais companheiras das vinhas de Colares.

A proximidade ao mar tem enorme influência nos vinhos: frescura, mineralidade, toque salgado com algum iodo fazem parte dessa diferenciação tão própria da região. Um património tão rico e único, com uma forte componente tradicional a ele associada.

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As vinhas de Colares © Blend All About Wine, Lda.

Enquanto a Malvasia Fina reina nos brancos de Colares, domina os vinhos pela salinidade, muita frescura num perfil quase sempre tenso enquanto novo, com uma evolução muito positiva que nos envolve com aromas de tisana, lápis de cera e rebuçado, vinhos que são a companhia perfeita para acompanhar pratos de peixe e marisco.

Nos tintos brilha a casta Ramisco, os vinhos a que ali dá origem destacam-se pela tonalidade aberta, pouco concentrados e nos melhores exemplares com longevidade assegurada. Vinhos de enorme elegância, muita harmonia com toque iodado a despertar nos mais longevos, enquanto novos mostram uma frescura muito boa, fruta viva e muito limpa com carga vegetal vincada numa estrutura assente em taninos que lhe garantem boa evolução.

Bastante interessante o poder comparar a evolução após respectiva prova directamente da barrica do Ramisco 2011 (o mais aguerrido com carga vegetal e secura vincada) e 2008 (uma delícia de vinho a mostrar uma grande evolução no copo, fruta muito saborosa e fresca com boa estrutura e taninos ligeiramente domesticados) e o já engarrafado 2006 (mais pronto, no entanto também mais polido e delicado que o anterior).

Arenae Malvasia Fina branco/white 2011
Um branco ainda muito novo, tenso, marcado pela mineralidade, toque salgado, muito citrino, algum lápis de cera com a tisana a surgir em fundo. Boca com muito boa acidez, boa definição num vinho com traço mineral e fim quase salgado, longo e bonito final. Perfeito a acompanhar umas Ameijoas à Bulhão Pato.

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Arenae Ramisco Red 2006 © Blend All About Wine, Lda.

Arenae Ramisco tinto/red 2006
Muito limpo no aroma a fruta vermelha (morango, framboesa, mirtilo), toque vegetal fresco a conferir ligeira austeridade ao conjunto, boa complexidade e profundidade. Especiaria, fundo bem fresco que nos guia durante a prova, palato cheio de sabor com secura no fundo. Fantástico a acompanhar uns bons nacos de novilho no carvão.

Contactos
Adega Regional de Colares
Av. Coronel Linhares de Lima, n.º 32 Colares
2705-351 Sintra,
Tel: +351219291210
Fax: +3519288083
Email: geral@arcolares.com
Site: www.arcolares.com

Quinta do Sanguinhal – uma verdadeira viagem ao passado!

Texto Olga Cardoso

A visita à Quinta do Sanguinhal foi para mim uma verdadeira surpresa. Um encontro com o passado do vinho, da região, com relatos de vidas de outrora e, neste caso concreto, com uma impressionante vida dedicada ao empreendedorismo.

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Quinta do Sanguinhal © Blend All About Wine, Lda.

Falo de Abel Pereira da Fonseca, que fundou a Companhia Agrícola do Sanguinhal para administrar as propriedades que possuía na região do Bombarral.

Nessa época, a também sua Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca detinha e explorava a maior rede de estabelecimentos de venda ao público no país, com cerca de 100 lojas em Lisboa. Fernando Pessoa foi várias vezes “apanhado” nessas lojas em “flagrante delitro”, segundo o próprio costumava dizer.

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Quinta do Sanguinhal © Blend All About Wine, Lda.

A empresa dedicou-se desde sempre à produção e comércio de vinhos. Para o efeito, vinificava separadamente os vinhos das Quintas das Cerejeiras, do Sanguinhal e de São Francisco nas respectivas adegas, possuindo no conjunto uma capacidade em toneis e balseiros de madeira de carvalho e mogno da ordem dos dois milhões de litros, utilizados para a fermentação, armazenagem e envelhecimento de vinhos de mesa, vinhos licorosos e aguardentes.

A Companhia Agrícola do Sanguinhal dedica-se à exploração de 3 Quintas na Designação de Origem de Óbidos que perfazem, em conjunto, 95 ha de vinha: Quinta do Sanguinhal, Quinta das Cerejeiras e Quinta de S. Francisco. Os nomes destas Quintas representam os vinhos DOC mais prestigiados desta empresa familiar.

Mais recentemente, a empresa decidiu igualmente investir nas áreas do turismo e dos eventos, de forma a aproveitar as enormes potencialidades de todos os seus espaços. Assim, recuperou adegas, lagares e a destilaria, tornando-os em espaços de enorme interesse para qualquer enoturista.

Quinta do Sanguinhal © Blend All About Wine, Lda.

Na Quinta do Sanguinhal é a própria família Pereira da Fonseca que recebe os visitantes. Fomos recebidos por Ana Pereira da Fonseca Reis, a responsável pela área de enoturismo e com vastos conhecimentos sobre os vinhos que ali se produzem, que nos proporcionou uma visita muito agradável e profissional.

As visitas e provas de vinhos, que por decisão familiar, não são conduzidas por metodologias convencionais, pretendem dar a conhecer uma história de 100 anos na área vitivinícola portuguesa e proporcionar aos clientes uma alternativa aos circuitos habituais.

Para além de provar diferentes estilos de vinho, o visitante poderá ainda passear nos jardins do séc. XIX, assim como pelas belíssimas vinhas da Quinta. Visitar uma antiga destilaria totalmente recuperada, onde antigamente se produziam aguardentes vínicas e aguardentes bagaceiras. Visitar um antigo lagar com prensas de vara, datadas de 1871, e ainda uma cave de envelhecimento com 36 tonéis. Uma experiência que aconselho vivamente!

O portefólio da Companhia Agrícola do Sanguinhal é bastante vasto e diversificado. Impossível falar de todos os vinhos aqui e agora. Por essa razão, da prova realizada destaco os vinhos que se seguem:

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Quinta de S. Francisco Branco 2013

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Quinta das Cerejeiras Branco Reserva 2012 © Blend All About Wine, Lda.

 

 

 

 

 

 

Quinta de São Francisco Branco 2013
Proveniente de solo argiloso e feito a partir das castas Vital, Fernão Pires e Arinto, apresenta-se elegante no aroma, com notas cítricas em destaque. Na boca mostra-se fresco, harmonioso e equilibrado. Possui um final delicado e de média intensidade.

Quinta das Cerejeiras Branco Reserva 2012
Elaborado através das castas Chardonnay, Arinto e Vital, apresenta uma cor de um amarelo já levemente dourado. No aroma é austero e revela alguma complexidade. Boca com boa estrutura e fruta de pomar em destaque. Maças maduras e algum pêssego. A madeira está bem integrada mas mostrou trabalho, ao proporcionar-lhe ligeiras sensações de baunilha. Final elegante e intenso.

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Casabel Rosé 2013

Casabel Rosé 2013
Proveniente das castas Aragonês, Castelão e Syrah, este rosé mostra um nariz exuberante, com predominância de frutos vermelhos como morangos e framboesas. Na boca mostra-se seco, fresco e com um final delicado. Funciona bem como aperitivo, mas também demonstrou possuir boa aptidão gastronómica.

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Quinta do Sanguinhal Tinto 2009 © Blend All About Wine, Lda.

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Quinta das Cerejeiras Reserva Tinto 2008 © Blend All About Wine, Lda.

 

 

 

 

 

 

Quinta do Sanguinhal Tinto 2009
No nariz revela aromas a frutos do bosque e alguma fruta preta madura, como amoras e ameixa. Alguma baunilha e toques especiados são também evidentes. Na boca apresenta uma boa estrutura, com taninos presentes mas macios, boa acidez e final elegante.

Quinta das Cerejeiras Reserva Tinto 2008
Este vinho exibe o rótulo mais antigo de Portugal. Mantém inalterado desde 1926. É uma das joias da coroa. Proveniente das castas Castelão, Aragonês e Touriga Nacional, apresenta um nariz contido mas complexo. Frutos pretos e compotados mostram-se de imediato. Alguma caruma, suaves fumados e notas especiadas, complementam a sua palete olfactiva. A boca volumosa e densa, mas também macia e aveludada. Equilibrado e harmonioso, possui um final elegante e persistente.

Contactos
Quinta das Cerejeiras
Apartado 5
2544-909 Bombarral
Tel: (+351) 262 609 190
Fax: (+351) 262 609 191
Email: info@vinhos-sanguinhal.pt
Site: www.vinhos-sanguinhal.pt