Quinta de la Rosa – no coração do Alto Douro Snob do vinho

Arundel, pelas terras de Pavia com Joaquim Arnaud

Texto João Pedro de Carvalho

Joaquim Arnaud, é um nome que existe desde 1883 e que tem vindo por tradição, a passar de geração em geração. É descendente de uma família Alentejana, de Pavia, ligada à Terra, e aí documentada desde 1515. A referida família, desde sempre se dedicou, ao montado, olival, vinha, cultivo de cereais e criação de gado (porcos, vacas, ovelhas e cavalar). As suas herdades situam-se nos concelhos de Mora e Arraiolos, distrito de Évora. Em 2010, como forma de potenciar estes recursos, Joaquim Arnaud, decide criar a sua marca personalizada, à qual atribui o seu próprio nome. O seu objectivo de negócio, assenta em apresentar ao mercado produtos seleccionados e de pequenas tiragens, em que se conjuga o artesanal com o sofisticado. É desta maneira que se apresenta o produtor Joaquim Arnaud, os vinhos que cria na sua adega falam por si, numa prova onde apenas me centrei nos exemplares oriundos do Alentejo, mais propriamente de Pavia.

Os seus vinhos exprimem uma vontade e um ideal, são ao seu gosto o que o levou a afastar-se do crivo da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana. Desta maneira não se sente apertado nem julgado, cria de forma livre os seus vinhos oriundos do terroir de Pavia. A sua gama de vinhos tem vindo a ser ampliada, nota-se que por ali não há pressa de lançar novidades nem novas colheitas, os vinhos apenas são dados a conhecer quando Joaquim Arnaud entende que é o momento. Por isso mesmo durante a prova oscilamos entre a força da juventude e os exemplares com os taninos já educados. Dos cinco vinhos apresentados decidi separar em três grupos:

Arundel Young 2013 e Arundel Petit 2012 são o exemplo da juventude e da força da fruta, ambos com aquela dose de austeridade a conferir muito boa energia ao conjunto. Ambos partilham o mesmo lote composto por Aragonez, Syrah, Trincadeira e Alicante Bouschet sendo que depois apenas varia o estágio em barrica, sendo de 6 meses para o Young e de 9 meses para o Petit. Vinho de perfil carnudo, denso, Alentejo bem presente com bouquet de qualidade a apresentar notas ameixa, amoras, especiarias, compota, boa frescura e pureza de aromas num conjunto que conquista e arrebata facilmente ao primeiro contacto. Vinhos que pedem comida por perto, carnes grelhadas são no momento o par ideal.

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Os Vinhos – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Mais recentes são as edições resultantes da parceria com a Trienal do Alentejo, a primeira edição é o Arundel 36 2009 que resulta de um vinho que ficou literalmente esquecido na adega, muito pouca quantidade da qual apenas resultaram cerca de 500 garrafas e cujo estágio total foi de 36 meses. Conjunto sério que mostra um misto de fruta doce com notas de mirtilo vermelho com morango e amoras, tudo fresco, perfume floral ligeiro com especiaria de fundo. Grande harmonia de conjunto, com uma boa passagem de boca, aqui num perfil mais aberto e menos concentrado mas a vincar todo o palato com sabores de fruta e especiarias. Termina amplo com ligeira secura na faceta gastronómica que é apanágio desta casa.

A segunda edição dá por nome de Arundel T&T 2012 de lote com base nas castas dos dois vinhos anteriores, apenas o estágio passa para 12 meses de barrica. O T&T para os mais curiosos são as iniciais da Trienal e da Terranagro (empresa produtora dos vinhos de Joaquim Arnaud). Mais um exemplar que conjuga finesse, frescura com a fruta neste caso menos presente dando lugar a um lado mais floral e especiado. A fruta vermelha e ácida, em tons de framboesas e mirtilos, surgem em segundo plano ao lado de um ligeiro terroso/grafite. Boca cheia de sabor, ligeira secura no fundo, muito cacau, folha de tabaco e fruta.

O culminar é o Arundel Great 2008, 400 garrafas com direito a um estágio de 12 meses em barricas mais 24 meses em garrafas num lote 100% Alicante Bouschet. Um tinto arrebatador ao primeiro contacto tal a finesse e lascividade com que se mostra. Pura classe, muita harmonia num vinho adulto e pronto a dar prazer, muito perfumado com a fruta sumarenta e fresca, inserida num bouquet de enorme qualidade onde tudo se mostra bem definido, nada beliscado pelo tempo apenas a mostrar que tem sabido evoluir para o melhor dos lados. Tal como todos os vinhos do produtor mostra um carácter bem Alentejano, a pedir mesa por perto, brilhando muito alto com umas perdizes albardadas.

      Sobre João Pedro Carvalho
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