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Três vinhos Tiago Cabaço

Text João Barbosa | Translation Bruno Ferreira

Regresso aos vinhos de Tiago Cabaço, depois da visita que lhe fiz no Verão passado. É um regresso também a Estremoz, onde além do património edificado se pode retemperar forças no restaurante da mãe do produtor, o acolhedor São Rosas.

Três vinhos para serem bebidos à mesa e sem pressas. Não sou dos que pensam que tintos pujantes têm de se guardar para os meses mais frios, quando o peso da carne exige alicerces anti-sismo. É verdade que aconchega de modo diferente, mas não passo o Verão a comer saladas e viandas de aves. Se digo do encarnado, o mesmo saliento nos amarelos.

Por partes, para que não se entornem as palavras confusamente. Dos brancos para o tinto. A enóloga Susana Esteban continua a pontuar bem.

O .Com Premium Branco 2015 é um lote das castas antão vaz, verdelho e viognier. A fermentação decorreu em cubas de inox e não foi feito estágio em madeira. É um branco para os apreciadores dos néctares alentejanos, nomeadamente os amantes da fruta antão vaz. É um vinho com nervo e não o tomaria sem comida, mas o marisco poderá levar uma traulitada. Que conheça algo mais substancial.

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.Com Premium Branco 2015 – Foto Cedida por Tiago Cabaço | Todos os Direitos Reservados

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Tiago Cabaço Vinhas Velhas Branco 2014 – Foto Cedida por Tiago Cabaço | Todos os Direitos Reservados

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Tiago Cabaço Alicante Bouschet 2012 – Foto Cedida por Tiago Cabaço | Todos os Direitos Reservados

Tiago Cabaço Vinhas Velhas Branco 2014 é filho de uvas de videiras com mais de 35 anos. É um lote de roupeiro, arinto e antão vaz. A ficha técnica dá conta de que viveu estágio em madeira, mas não dá especificações. Seja como for, a madeira não derruba as características naturais. Este é mais robusto do que o .Com Premium Branco 2015 e tem a mineralidade que caracteriza vários vinhos de Estremoz. Tem um balanço interessante entre o calor e a frescura.

Por fim, o «suspeito». Digo suspeito porque antes de o abrir já desconfiava do que viria da garrafa. Tiago Cabaço Alicante Bouschet 2012 tem uma sina ingrata. Não é demérito, mas culpa do ano precedente ter sido muito generoso para os vinhateiros portugueses.

As uvas foram pisadas em lagares de inox. O vinho estagiou um ano em barricas de carvalho francês. A madeira acrescenta e não tira. Aprecio a conjugação das cerejas maduras, notas terrosas e de madeira. É alentejano e moderno. Directo ao goto!

Digo também suspeito porque nos faz cair sem dar quase conta – é um elogio. Ora, e o suspeito é perigoso. É que a graduação alcoólica é de 14,5% e a acidez dá-lhe «disfarce». Tem igualmente o temperamento quente e fresco. Jantem-no tardiamente, sentem-se às 23h00 – preferencialmente em local arejado e onde se possam escutar grilos, cigarras e o piar das rapinas nocturnas. Deixem-se ficar à conversa até…

Como remate, alerto o leitor destas minhas apreciações mais favoráveis ao tinto reportam-se ao factor gosto. Não sou apreciador da casta antão vaz, pelo que, mesmo realçando a qualidade intrínseca do vinho, as palavras não me ocorrem tão alegres. Por outro lado, gosto bastante da alicante bouschet. Acresce que esta variedade tinta é particularmente feliz na propriedade de Tiago Cabaço.

Contactos
Fonte do Alqueive – Mártires
Apartado 123, 7100-148 Estremoz
Tel: (+351) 268 323 233
Email: geral@tiagocabacowine.com
Website: www.tiagocabacowines.com

Vinhos Tiago Cabaço – tão jovem e já…

Texto João Barbosa

Entre as várias diferenças entre as mulheres e os homens, a estética dos corpos é das mais divertidas, porque opostas. As senhoras vivem aterrorizadas com a linha, podem ser magras, mas os espelhos dizem-lhe que estão mais volumosas. Os homens podem até estar balofos que o reflexo é sempre o Tarzan representado por John Weissmuller.

Uma outra diferença, ainda no mesmo âmbito, é a da idade: as senhoras tendem a ter a noção do passar dos anos, adoptam as suas estratégias para se sentirem confortáveis. Os cavalheiros, não fossem as «repentinas», «invulgares, «inexplicáveis» e «singulares» dores de burro, pensam terem sempre dez anos e aptos a jogar futebol – obviamente que Cristiano Ronaldo apenas dá uns toques quando comparado com o Homo Sapiens sapiens masculino.

Não sou excepção. Quando conheci Tiago Cabaço achei-o jovem. Até aí, tudo ok. O problema é que trouxe-me à memória uma refeição espantosa no restaurante da sua mãe, o São Rosas, em Estremoz. Agora a memória tem um lapso: estive lá no primeiro ou no segundo dia de aberto… em 1994!

– Meu Deus! Estou velho!

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Tiago Cabaço Wines © Blend All About Wine, Lda

O Tiago Cabaço tem 33 anos, portanto quando lá fui deveria estar a dar chutos numa bola de futebol, provavelmente sonhando em ser o Luís Figo – quanto a mim, o melhor jogador português de sempre, com o devido respeito ao Senhor Dom Eusébio da Silva Ferreira, o Pantera Negra.

Conta que os amigos mais próximos viviam a 3,5 quilómetros de distância, pelo que a infância viveu-a com os trabalhadores da casa que, muitas vezes, depois dum dia cansativo, jogavam futebol com ele. É claro, Tiago Cabaço tem hoje mais uns dez centímetros de altura do que eu… Bem, vamos ao vinho.

Começou a «trabalhar», a enfardar palha, com seis anos, ganhava 2.000 escudos por dia (dez euros, correspondentes a 27,5 euros, após actualização com base coeficiente de desvalorização de moeda, cálculo oficial fornecido pelo Ministério das Finanças). Aos 14 anos tornou-se piloto de motas, tendo ganho campeonatos, vindo a abandonar em 2003.

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Tonéis © Blend All About Wine, Lda

Entrou no negócio do vinho em 2000, distribuindo a produção da família, o Monte dos Cabaços, feitos na Herdade de Trocaleite. Por considerar que faltavam referências na oferta, decidiu avançar como vitivinicultor. A primeira obra em 2006, referente à vindima de 2004. Foram 50.000 garrafas, hoje são 500.000, devendo este ano alcançar as 600.000 – a capacidade máxima da adega.

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Barricas © Blend All About Wine, Lda

«Os vinhos fazem-se no campo» – defende Tiago Cabaço, que quer intervenções mínimas na adega. O objectivo é sempre o cume, uvas para fazer os Blog. Será depois Susana Estebán, a enóloga, decidido o que fazer com o quê. «Nunca foi usado ácido para corrigir um vinho» – garante.

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Vinhas © Blend All About Wine, Lda

Conta que cresceu numa propriedade sem electricidade, gás nem água canalizada, onde estava já plantada vinha. Dos primeiros três hectares de alicante bouschet, em 2006, passou para 82 hectares, de alvarinho, antão vaz, arinto, encruzado, gouveio, marsanne, roupeiro, sauvignon blanc, verdelho (da Madeira), verdejo (de Rueda) e viosinho, nas brancas e as tintas, alicante bouschet, aragonês, cabernet sauvignon, petit syrah, petit verdot, syrah touriga nacional e trincadeira. Faz 17 referências, incluindo uma marca branca para a cadeia de supermercados Pingo Doce. Em breve haverá uma novidade fora do vinho… pediu segredo! Mais tarde contarei.

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© Blend All About Wine, Lda

Os solos da propriedade são franco-argilosos e xistosos (30%). As uvas brancas vão sobretudo para o chão de xisto. A rega abrange 60% da plantação, mas não acontece mais do que duas vezes no ano. No tempo do pintor – quando as uvas passam de verdes a amarelas ou roxas – é fornecida alguma água, momento que se de faz uma monda de cachos, pois «se for mais cedo, o bago fica maior» – esclarece o produtor. Uma ligeira rega poderá ser realizada no final da mudança de coloração.

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Mesa de Prova © Blend All About Wine, Lda

As marcas mais emblemáticas ligam-se a designações da internet: blog, .Com e .Beb. Vamos então a eles.

O .Com Branco 2014 foi feito com as castas antão vaz, verdelho (da Madeira) e viognier. É um vinho descontraído. Por força de não ser apreciador da casta antão vaz – raramente tiro algum prazer de néctares em que faz parte – não lhe vejo grande interesse. Mas esse é um problema meu. A verdade é que a generalidade dos consumidores aprecia, ou não fosse tão plantada no Alentejo.

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Tiago Cabaço Wines © Blend All About Wine, Lda

Tiago Cabaço Encruzado 2013 foi a estreia da assinatura. O produtor disse ser muito reticente em dar o seu nome a um vinho, mas a pressão, criada com a notoriedade, levaram-no a ceder. Um vinho com esta casta branca do Dão é uma homenagem ao pai, que a plantou pela primeira vez no Alentejo – garante o vitivinicultor. É um vinho curioso, diferente dos que se fazem na sua região de origem, mas que mantém o carácter fresco e transmissão da mineralidade do solo.

Tiago Cabaço Vinhas Velhas 2013 é um lote de antão vaz, arinto e roupeiro. Muito fresco, em que o uso de estágio em madeira não danifica a natureza, nomeadamente a tangerina. É uma dança de doce e amargo bastante agradável, termina com secura suave.

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Tiago Cabaço Wines © Blend All About Wine, Lda

O .Com Premium Rosé 2014 é filho de uvas de touriga nacional e uma boa aposta para quem aprecia rosados. Mostra-se no olfacto frutado e floral: líchias (fruta de aroma floral), limão (casca), amoras pouco maduras e violetas – aroma típico da casta cultivada no Dão e que nem sempre manifesta noutras paragens). Na boca é mineral, seco e que pede comida delicada, mas pode ir só para participar nas conversas de amigos.

O .Com Premium 2013 tem o aroma da casta no Alentejo; mais próximo de doce de amora ou groselha. É suave, fácil – muito fácil – de se gostar. Resulta da junção de uvas de alicante bouschet, aragonês, touriga nacional e trincadeira. Não o aconselho para o tempo do calor.

Tiago Cabaço Vinhas Velhas Tinto 2013 é muito alentejano. Como definir um vinho alentejano? Dizendo que é alentejano! Belo!

O Blog Alicante Bouschet + Syrah 2011 é macio e escorregadio, pela frescura. Não é delicado, é fidalgo. Podia mandar servi-lo num restaurante com finesse, quando fosse pedir a namorada em casamento. E promete vida longa, como se deseja no amor.

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Blog ’12 by Tigo Cabaço © Blend All About Wine, Lda

Já o Blog Alicante Bouschet + Syrah 2012 é mais complexo, necessita de mais tempo para ver a luz do dia (ou da noite). É duro, com fibra… Este oferecia-o ao médico que me operou durante 12 horas… Não fui operado.

De todos que provei, o Tiago Cabaço alicante bouschet 2011 foi o que me agarrou e não deixou fugir. É complicado defini-lo em termos aromáticos, tem fruta, chocolate, minério, vegetal e especiarias… não uma de cada… ficava aqui até amanhã a debitar descritores. A boca é igualmente complexa… Sou uma pessoa das artes e a imaginação leva-me, muitas vezes, para… levava-o para uma reunião secreta, numa sala em penumbra, chamando fantasmas. Um espaço feito de pedra, móveis pesados de excelentes madeiras das antigas colónias ultramarinas, pesadas tapeçarias renascentistas e quadros da Escola Framenga do século XVII. Não é pesado, é «simbólico e ritualístico». Viverá até usar bengala. É polido, seco… Uma grande descoberta!

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Apartado 123
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Email: geral@tiagocabacowines.com
Website: www.tiagocabacowines.com