<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de Entrevistas - Blend All About Wine</title>
	<atom:link href="https://blend-allaboutwine.com/category/entrevistas/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blend-allaboutwine.com/category/entrevistas/</link>
	<description>Wine Magazine</description>
	<lastBuildDate>Thu, 30 Jul 2015 15:54:47 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.8.1</generator>
	<item>
		<title>Um sabor a Alentejo no Novo Portal de Londres para Portugal</title>
		<link>https://blend-allaboutwine.com/sabor-alentejo-novo-portal-londres-para-portugal/</link>
					<comments>https://blend-allaboutwine.com/sabor-alentejo-novo-portal-londres-para-portugal/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Ahmed]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2015 07:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[News @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos Tranquilo (Vinhos de Mesa)]]></category>
		<category><![CDATA[London @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Restaurants @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah Ahmed @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Wine Tasting @pt-pt]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blend-allaboutwine.com/taste-alentejo-londons-new-portal-portugal-2/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> &#124; Tradução Bruno Ferreira<br />
Foi emocionante apresentar uma prova em nome da Comissão dos Vinhos do Alentejo num dos melhores novos restaurantes de Londres, a Taberna do Mercado.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/sabor-alentejo-novo-portal-londres-para-portugal/">Um sabor a Alentejo no Novo Portal de Londres para Portugal</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> | Tradução Bruno Ferreira</p>
<p>Foi emocionante apresentar uma prova em nome da <a href="http://www.vinhosdoalentejo.pt/index.php" target="_blank">Comissão dos Vinhos do Alentejo</a> num dos melhores novos restaurantes de Londres, a <a href="http://www.tabernamercado.co.uk/" target="_blank">Taberna do Mercado</a>. E o que é ainda mais emocionante é que, além do Chefe ser português, a comida e os vinhos também são. O que pode parecer uma coisa estranha de se dizer mas, até agora, o nome de Nuno Mendes esteve associado aos pratos inovadores e ecléticos do seu anterior restaurante estrela Michelin, o Viajante, e agora com o menu de sotaque americano no <a href="http://www.chilternfirehouse.com/restaurant/luxury-london-restaurant" target="_blank">Chiltern Firehouse</a> (onde é o Chefe principal).</p>
<div id="attachment_9884" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9884" class="wp-image-9884 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Nuno-Mendes.jpg" alt="Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Nuno-Mendes" width="600" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Nuno-Mendes.jpg 600w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Nuno-Mendes-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><p id="caption-attachment-9884" class="wp-caption-text">Nuno Mendes &#8211; Foto de Charmaine Grieger | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Numa <a href="[http://thewinedetective.co.uk/blog/portugal/on-leaving-and-loving-portugal-an-interview-with-michelin-starred-viajantes-nuno-mendes" target="_blank">entrevista com Nuno Mendes</a>,há um par de anos atrás, deixou fugir a ideia de que tencionava abrir em Londres um restaurante “muito casual, divertido e moderno mas ao mesmo tempo rústico”. Mas havia um problema. Explicou que, apesar da “abundância de produtos únicos e de qualidade” em Portugal, era difícil de obtê-los. Porquê? A resposta foi que “a produção é muito limitada em termos de quantidade e também porque muito poucos produtores artesanais vêem potencial além do mercado local para expandir o seu projecto”.</p>
<p>Completamente à espera que Nuno Mendes tivesse ultrapassado estes desafios, perguntei-lhe o que tinha mudado desde a nossa última conversa. Perguntou-me “prefere a reposta simpática ou a resposta verdadeira?”. Naturalmente que respondi que queria a verdade! Admitindo “isto entristece-me”, Mendes demonstra continuar visivelmente frustrado pelo facto de, no Reino Unido, continuar a ser quase impossível obter os melhores produtos portugueses dos quais se pode sentir “super -orgulhoso”. Salientou que os importadores portugueses no Reino Unido “se destinam maioritariamente a abastecer a comunidade expatriada (em vez dos restaurantes topo de gama com clientes exigentes e viciados em comida). Fez-me lembrar de um ponto que Mendes tinha salientado quando nos conhecemos pela primeira vez, o quão importante era “estar ciente do que está a acontecer no mundo do vinho e da gastronomia de modo a conseguirmos encaixar na realidade das outras pessoas”. É por isso que, acrescenta, “tive que me afastar” de Portugal quando o Viajante abriu – a gama de produtos não se encaixava com a realidade estrela Michelin do restaurante. Não era “nada de espectacular”, e não podia contar com a consistência do fornecimento.</p>
<div id="attachment_9885" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9885" class="wp-image-9885 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting.jpg" alt="Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting" width="600" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting.jpg 600w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></a><p id="caption-attachment-9885" class="wp-caption-text">Taberna do Mercado &#8211; Foto de Charmaine Grieger | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>As boas notícias? Vendo a Taberna do Mercado como “um portal para chegar aos bons recursos de Portugal” diz-me que, “não vou desistir”. Mendes pode ter um discurso suave e um comportamento modesto, mas há uma determinação de aço nos seus olhos de quando revela a solução. Salientando que, “tenho muitos mais contactos que os importadores aqui sediados” (já para não mencionar a meticulosidade inerente a um Chefe Michelin em busca apenas do melhor), tenciona abrir o seu próprio negócio de importação/exportação. Afinal, a sua reputação depende disso. E está muito em jogo, ao mesmo tempo que diz que é prematuro, dados os problemas de fornecimento, apontar a comida portuguesa como a próxima grande novidade assim como <a href="http://www.telegraph.co.uk/foodanddrink/11622804/More-than-sardines-is-Portuguese-food-the-next-big-trend.html" target="_blank">sugeriu recentemente o The Daily Telegraph</a>. É por isso que afirma que, “agora é que entra a parte da pesquisa… não podemos relaxar, temos de nos esforçar e trazer o melhor…temos de evoluir”. Não há espaço para a complacência.</p>
<p>Pouco depois da prova, parei para reflectir sobre os comentários de Mendes em relação ao vinho português quando um jornalista me perguntou porque é que ainda não atingiu o topo. Tenho o prazer de informar que o Reino Unido tem estado bem melhor servido em relação a importadores de vinho, em particular especialistas em vinho português, como a <a href="http://www.raymondreynolds.co.uk/" target="_blank">Raymond Reynolds</a> e a <a href="http://oakleywineagencies.co.uk/" target="_blank">Oakley Wine Agencies</a> que têm ajudado os produtores seus clientes a navegar com calma no exigente mercado do Reino Unido. Mas se, como Mendes, tiver que ser uma amiga crítica de Portugal, a verdade é que ainda muitos produtores portugueses têm de encontrar maneira de encaixar nas realidades do mercado do Reino Unido, que é largamente reconhecido como o mais competitivo do mundo. Além disso, o ‘cellar palate’ (ficar demasiado habituado aos nossos próprios vinhos, incluindo as falhas) pode ser um problema. É por isso que os produtores de vinho com mais sucesso continuam a visitar o Reino Unido, para compreenderem onde os seus vinhos se encaixam melhor (e para compará-los com a concorrência). Também ajuda a certificar que continuam a ser vistos e ouvidos no nosso concorrido e barulhento mercado. Foi um desafio ao qual me predispus com gosto.</p>
<p>Felizmente, os oito produtores de vinhos que apresentei na minha masterclass na Taberna do Mercado estão representados no Reino Unido. Mas ainda há trabalho a ser feito já que o <em><strong>Alentejo</strong> </em>construiu a sua reputação no Reino Unido numa base de tintos de grande valor, fáceis de abordar e frutados. O próximo passo é aumentar a visibilidade e valorização dos seus tintos e brancos premium, baseados no terroir, por entre os amantes de vinho de qualidade (os vinhos brancos representam agora 20% dos vinhos do Alentejo).</p>
<div id="attachment_9886" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9886" class="wp-image-9886 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Nuno-Mendes-Sarah-Ahmed.jpg" alt="Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Alentejo-Tasting-Nuno-Mendes-Sarah-Ahmed" width="600" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Nuno-Mendes-Sarah-Ahmed.jpg 600w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Nuno-Mendes-Sarah-Ahmed-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><p id="caption-attachment-9886" class="wp-caption-text">Eu e Nuno Mendes a falar sobre o vinho e a gastronomia do Alentejo &#8211; Foto de Charmaine Grieger | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>A minha escolha de vinhos foi acompanhada pela opinião contemporânea de Mendes sobre os petiscos (como inseri-los na realidade do mercado do Reino Unido) e seguida de uma excelente prova de azeites do Alentejo conduzida por Teresa Zacarias da Casa do Azeite. Aqui estão as minhas notas relativamente aos vinhos, juntamente com algumas informações sobre o que individualiza esta escolha diversa em termos de terroir e vinificação. Como irá reparar, o Alentejo não é tão plano e ininterruptamente quente como estereótipos regionais nos fazem acreditar. Além disso, todas as uvas foram apanhadas à mão.</p>
<p><strong>Herdade do Rocim Olho de Mocho Reserva Branco 2013 (VR Alentejano) </strong></p>
<p><strong>Terroir: </strong>este monovarietal Antão Vaz vem da Vidigueira, uma das oito sub-regiões da DOC Alentejo. Apesar de ser a que fica mais a sul, tem uma longa tradição de produção de vinhos brancos. Porquê? Porque tem tudo a ver com a disposição da terra, especificamente, a falha da Vidigueira, uma escarpa de 50Km virada a oeste conhecida como a Serra do Mendro que marca a fronteira entre o Alto e Baixo Alentejo. Subindo até aos 420m de altura <strong>aprisiona</strong> os frios e húmidos ventos atlânticos que arrefecem a região com nevoeiros nocturnos. O ar frio também desce pela Serra do Mendro durante a noite. Além disso, quando os ventos do sul trazem nuvens, a escarpa causa um aguaceiro. Para a enóloga Catarina Vieira, estas são as razões pelas quais “os vinhos muito minerais, elegantes e frescos da Vidigueira envelhecem muito bem”. Acredita que os solos arenosos também melhoram a mineralidade da sua Antão Vaz, proveniente das suas melhores, cultivadas a seco (apenas água da chuva) e de baixa produção, vinhas velhas (24 anos).</p>
<p><strong>Vinificação: </strong>Uvas colhidas à mão e cedo (a 3 e 4 de Setembro) de modo a preservar a frescura (sem acidificação necessária), o vinho fermentou em barris novos de Carvalho Francês de 300 litros, aproximadamente durante vinte dias. De seguida foram retiradas as borras e estagiou em barril por cinco meses. Durante esse processo, as borras foram envelhecidas durante dois meses em barris de 2ª mão com batonnage diária, aproximadamente durante um mês, e depois foram readicionadas ao vinho. Para Catarina, “este trabalho com as borras é muito importante no que toca a mineralidade, frescura e potencial de envelhecimento deste vinho”.</p>
<p><strong>Notas de Prova:</strong> Graças ao trabalho com as borras, demonstra, no nariz, notas de fósforo ao ser acesso, e palato alimonado, com notas de azeitona verde, ananás verde e, ao abrir-se, pêra seca. Um final longo, firme e mineral com uma acidez atoranjada e atrevida que fez durar a minha garrafa de amostra até ao 3º dia. 13.5%</p>
<div id="attachment_9887" style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9887" class="wp-image-9887 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-House-Canned-Fish.jpg" alt="Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-House-Canned-Fish" width="533" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-House-Canned-Fish.jpg 533w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-House-Canned-Fish-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px" /><p id="caption-attachment-9887" class="wp-caption-text">Conservas da Casa ao estilo de Nuno Mendes &#8211; Foto de Charmaine Grieger | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>Cartuxa Pêra Manca Branco 2012 (DOC Alentejo)</strong></p>
<p><strong>Terroir:</strong> Este blend de 62% Antão Vaz e 38% Arinto vem de Évora, outra sub-região da DOC Alentejo. Desta vez do Alto Alentejo. A fruta foi seleccionada de três parcelas das vinhas mais antigas da Cartuxa, situadas em encostas que se elevam até 300 metros acima do nível médio das águas do mar. Plantadas em 1980 em solos graníticos castanhos, as vinhas foram cultivadas a seco.</p>
<p><strong>Vinificação</strong>: Para este branco mais encorpado e tradicional, a fruta foi colhida à mão mais tarde e em três fases, para obter mais complexidade (12, 18 e 19 de Setembro). A seguir ao desengace e ao esmagamento, uma parte das uvas foi deixada em contacto com as peles antes da fermentação. Sessenta e sete por cento do vinho foi fermentado e envelhecido em borras durante 12 meses em barris (60% novos) de carvalho francês com batonnage, para potenciar o corpo, a complexidade e o potencial de envelhecimento. O equilíbrio foi envelhecido em aço inox (para melhorar a fruta) com muita batonnage (para o corpo). Não houve qualquer acidificação.</p>
<p><strong>Notas de Prova:</strong> Nariz rico e a cera de abelha, com frutos de caroço, especialmente alperce perto do núcleo, cujas notas se prolongam no palato com um nogado pronunciado (marzipan/calisson fresco) e carvalho abaunilhado. Apesar de apresentar um pouco de volume, tem um esqueleto maduro mas picante, de acidez cítrica que confere equilíbrio e provoca um final longo, saboroso e a borras, com nuances de casca de limão e laranja. Um vinho poderoso, que frequentemente me recorda um Hermitage no Norte de Rhône, França. 13.5%</p>
<p><strong>Monte da Ravasqueira MR Premium Rosé 2013(VR Alentejano) </strong></p>
<p><strong>Terroir:</strong> Este Rosé, 100% Touriga Nacional, é de Arraiolos, Évora, Alto Alentejo. Para o enólogo Pedro Pereira, a chave da frescura da gama Monte da Ravasqueira reside na variação muito patente da temperatura diurna da propriedade. Mesmo nos meses mais quentes, Julho e Agosto, em que as temperaturas podem atingir os 40ºC, à noite podem descer abaixo dos 10ºC. As noites frias ajudam as uvas a reter a acidez de uma melhor maneira; também é bom para os aromas e para a estrutura. Gonçalves atribui esta forte variação de temperatura à natureza topográfica, tipo anfiteatro, da vinha (os 45 hectares estão plantados em encostas que chegam até aos 270m), bem como à floresta adjacente e às barragens. Apesar de ser necessária uma irrigação suplementar, os solos argilo-calcários têm uma boa retenção de humidade e as mais exteriores, de solo granítico, parecem melhorar a mineralidade/frescura, tal como no Dão.</p>
<p><strong>Vinificação:</strong> Uma vez que o estilo de Gonçalves gira à volta de “frescura + complexidade (uma matriz de sabores) + natureza varietal + intensidade + concentração”, seleccionou a fruta a partir de cinco parcelas diferentes (por linha de orientação-exposição, tipo de solo e gestão da vinha). Fruta colhida à mão em diferentes dias, compreendidos entre 8 e 27 de Setembro. As uvas foram mantidas em contentores frigoríficos entre 2 a 20 dias, a 2ºC, para a concentração e para melhorar o potencial aromático e a fruta. Duas parcelas foram prensadas directamente para barris novos de carvalho francês e fermentadas naturalmente com batonnage em sólidos. As outras três foram primeiramente repousadas e inoculadas com levedura, antes de serem transferidas para barris novos de carvalho francês no segundo dia de fermentação. As cinco parcelas foram então envelhecidas em borras durante seis meses, com batonnage suave durante os primeiros 2 meses.</p>
<p><strong>Notas de prova:</strong> A Touriga Nacional parece encaixar bem nos vinhos rosés e este é um exemplo incomum. Salgado mas frutado, encorpado mas fresco. É absolutamente delicioso com borras cremosas e salgadas, delicados morangos silvestres, bolinhos de morango e chá de pêssego refrescante. Acidez mineral confere frescura e persistência num final duradouro.</p>
<p><strong>Susana Esteban Aventura Tinto 2013 (VR Alentejano) </strong></p>
<p><strong>Terroir:</strong> este primeiro tinto é do Alto Alentejo mas é um blend das sub-regiões DOC. Esteban selecciona a Aragonês e a Touriga Nacional (40% e 20% da blend respectivamente) de um vinhedo com 15 anos, em Évora, a 300m de altura em solos argilo-calcários. O equilíbrio vem da mistura de um field blend em Portalegre, a sub-região mais a norte do Alto Alentejo, com 30 anos. Não é só a localização a norte que faz com que Portalegre seja a área mais fria e húmida do Alentejo. A Serra de São Mamede – a mais de 1000m de altitude, o ponto mais alto do Sul de Portugal – confere uma considerável elevação (até 800m) e solos graníticos pobres. Uma vez que o objectivo de Esteban é “produzir um vinho fresco, com carácter mas ao mesmo tempo apelativo”, vai a Portalegre buscar a frescura e a austeridade, ao passo que Évora providencia o calor que a enóloga pensa ser necessário para que a Touriga Nacional e a Aragonês precisam para demonstrar o seu potencial (Salientando que “tenho em atenção para escolher apenas com 13% a 13.5% de álcool”).</p>
<p>Vinificação: as uvas são colhidas à mão e fermentadas naturalmente (sem nenhuma acidificação) em pequenos lagares de inox a temperatura controlada. Aprecio bastante o facto de Susana se ter focado apenas na fruta e na frescura – este vinho é unoaked.</p>
<p><strong>Notas de prova: </strong>fantástica textura e vibração (pensem em veludo esmagado) de frutas silvestres em puré (assim parece), puras e acabadas de colher. Taninos suaves e uma jovem acidez reforçam o imediatismo encantador deste tinto jovial. Adorável. 13.5%</p>
<div id="attachment_9888" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9888" class="wp-image-9888 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Casa-do-Porco-Preto.jpg" alt="Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Casa-do-Porco-Preto" width="600" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Casa-do-Porco-Preto.jpg 600w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/07/Blend-All-About-Wine-Taberna-do-Mercado-Tasting-Casa-do-Porco-Preto-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /><p id="caption-attachment-9888" class="wp-caption-text">Casa do Porco Preto, Alentejo na Taberna do Mercado &#8211; Foto de Charmaine Grieger | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>Herdade de São  Miguel Reserva 2012 (VR Alentejano) </strong></p>
<p><strong>Terroir:</strong> A Herdade de São Miguel está situada na sub-região (DOC) Redondo do Alto Alentejo. Para Alexandre Relvas júnior, a Serra d’Ossa (que sobe até 650m) abriga as vinhas de Redondo dos ventos que sopram de norte e de este, e providencia invernos secos e frios, em contraste com os verões quentes e ensolarados. A vinha está localizada a 400m de altitude em solos de argila/xisto de baixo rendimento que produzem bagas pequenas e concentradas. Este vinho é um blend composto por 80% de Alicante Bouschet, 15% Aragonez e 5% Cabarnet Sauvignon proveniente de vinhas com 13 anos de idade.</p>
<p><strong>Vinificação:</strong> fruta colhida à mão é totalmente desengaçada e sujeita a 48h de absorção antes da fermentação em lagares de inox abertos com <em>pigeurs</em> automáticos para uma extracção mais suave. Também é sujeito a uma pequena oxidação natural para “ajudar a corrigir logo à partida a cor e os taninos”, diz Relvas. Foi envelhecido durante 12 meses em barris de carvalho francês de 400 litros (50% novos).</p>
<p><strong>Notas de Prova:</strong> nariz intenso a groselha e amora com toque de madeira abaunilhada e nuances de xisto empoeirado, que seguem durante o suculento palato com uma frescura adorável. Apesar de representar apenas 5% do blend, a Cabarnet Sauvignon é bastante evidente no perfil de sabor (groselha com notas de menta) e taninos finos, minerais e de cascalho. Não tem a concentração ou complexidade dos vinhos (mais caros) que se seguiram, mas é equilibrado e persistente. Muito bem feito, suporta bem os seus 15% de volume.</p>
<p><strong>Quinta do Mouro Touriga Nacional 2010 (VR Alentejano) </strong></p>
<p><strong>Terroir: </strong>Este monovarietal de Touriga Nacional é de Estremoz, na sub-região Borba (DOC) do Alto Alentejo. Fica a norte de Redondo e da Serra d’Ossa, o que confere um pouco de protecção dos ventos quentes a sul. Uma vez que a Quinta do Mouro está situada a 420m de altitude, a elevação também tempera o clima, da mesma maneira que as descidas bruscas de temperatura durante a noite, as quais, segundo o enólogo Luís Louro, podem ser 20 graus abaixo da temperatura durante o dia, “especialmente nas últimas fases de amadurecimento, e os nevoeiros são comuns”. Solos xistados e vinhas cultivadas a seco também contribuem para o estilo muito estruturado, característico e de bom envelhecimento dos tintos da Quinta do Mouro. Proveniente de uma vinha do Douro “muito boa” de 1998, a Touriga Nacional foi enxertada em vinhas de Castelão que tinham sido plantadas em 1989.</p>
<p><strong>Vinificação:</strong> uvas colhidas à mão e parcialmente desengaçadas, deixando cerca de 10% do cacho para obter um pouco mais de estrutura e sabores mais frescos. As uvas foram pisadas a pé em lagares e foram sujeitas a dois dias de absorção a frio antes da fermentação. Terminaram a fermentação em tanques inox de temperatura controlada e, após a prensa, foi envelhecido durante 12 meses em barris novos de carvalho francês de 300 litros.</p>
<p><strong>Nota de prova:</strong> cor de ameixa, opaca e profunda, com perfume exótico de bergamota que eleva o concentrado palato a framboesa, ameixa e baunilha, juntamente com notas vivas e apimentadas, sálvia seca e hortelã. Taninos com uma textura acamurçada clivam os sabores no palato, ampliando a sua intensidade e a ressonância do palato. Poderoso, um pouco selvagem, mas equilibrado. Um carismático monovarietal de Touriga. 14%</p>
<p><strong>João Portugal Ramos Marquês de Borba Reserva 2012 (DOC Alentejo)</strong></p>
<p><strong>Terroir: </strong>também de Estremoz, este blend compost por 30% Trincadeira, 30% Aragonês, 25% Alicante Bouschet e 15% Cabarnet Sauvignon vem da vinha original de João Portugal Ramos. As vinhas, plantadas em 1989, estão situadas à volta de sua casa e têm sido a fonte do seu vinho desde que foi feito pela primeira vez, em 1997. Localizadas a 350m em solos de xisto muito velhos.</p>
<p><strong>Vinificação:</strong> As uvas foram colhidas à mão durante a noite e de manhã cedo. Parcialmente desengaçadas (50%) e início de fermentação (natural) em lagares de mármore com pisa a pé. Para Ramos, as vantagens dos lagares incluem, uma maior área de contacto entre o líquido e a parte sólida do mosto, homogeneização suave do mosto (porque é formada uma camada mais fina em comparação com os tanques normais) e a estética do mármore local (que, por acaso Nuno Mendes também utiliza nos tampos das mesas na Taberna do Mercado). O último terço da fermentação é feito em tonéis de inox, beneficiando de temperatura controlada. A maceração pós-fermentação dura, normalmente, duas semanas. O vinho estagia depois durante 18 meses em barris de carvalho francês de 225 litros (dois terços dos quais são novos).</p>
<p><strong>Notas de prova:</strong> um tinto muito polido, com tabaco e caixa de charutos no nariz e no palato. Frutos vermelhos a dominar o ataque, enquanto a Cabarnet se torna mais assertiva com o desenrolar, conferindo groselha bem definida e um revestimento pulverizado de taninos finos mas em pó que ganham vida na boca. Seco, firme, focado e muito fino com uma excelente frescura a equilibrar. O mais fechado dos tintos, com um grande potencial de envelhecimento. 14.5%</p>
<p><strong>Herdade do Mouchão 2010 (VR Alentejano)</strong></p>
<p><strong>Terroir:</strong> este blend com cerca de 70% Alicante Bouschet e 30% Trincadeira é de um dos produtores mais estabelecidos da região, a Herdade do Mouchão, que pertence à mesma família desde 1874. Mouchão foi a primeira vinha de Alicante Bouschet a ser plantada e os vinhos actuais denotam a sua origem genética do século 19. Mouchão fica em Sousel, a norte de Borba, no Alto Alentejo. A Alicante Bouschet é seleccionada de várias parcelas perto da adega, a cerca de 230m de altitude, com idades entre os 10 e os 30 anos. Situada num triângulo entre dois pequenos rios, os solos arenosos superiores são bem drenados mas o barro das profundezas retém a humidade que permite um amadurecimento equilibrado e confere frescura e boa acidez. A imagem de marca do Mouchão é o grande potencial de envelhecimento. A Trincadeira de peles finas beneficia por ter sido plantada mais alta, em solos bem drenados a cerca de 400m de altitude.</p>
<p><strong>Vinificação:</strong> este vinho, o mais tradicional, teve as suas uvas apanhadas à mão e fermentadas nos lagares de pedra originais da adega com 100% de engace. Depois é envelhecido em grandes e velhos toneis de 5000 litros durante dois ou três anos. Estagia ainda mais dois a três anos em garrafa antes de ser lançado no mercado.</p>
<p><strong>Notas de prova:</strong> uma cor muita profunda com um palato e nariz muito complexos &#8211; é quase uma refeição &#8211; mas equilibrados. O Mouchão 2010 tem camadas de figo maduro seco, azeitona preta e pele incipiente com um floral tintado, tabaco, whisky berber (chã de menta estufado) e notas de eucalipto. Robusto, picante, taninos orientados à uva ganham vida na boca, mas no entanto está tudo bem integrado &#8211; nem um pouco agressivo. Um final muito longo e envolvente com um travo do calor da terra desta propriedade. 14%</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/sabor-alentejo-novo-portal-londres-para-portugal/">Um sabor a Alentejo no Novo Portal de Londres para Portugal</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blend-allaboutwine.com/sabor-alentejo-novo-portal-londres-para-portugal/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>De Paradoxo e Património: Uma Entrevista com Marta Soares, Casal Figueira</title>
		<link>https://blend-allaboutwine.com/de-paradoxo-e-patrimonio-uma-entrevista-com-marta-soares-casal-figueira/</link>
					<comments>https://blend-allaboutwine.com/de-paradoxo-e-patrimonio-uma-entrevista-com-marta-soares-casal-figueira/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Ahmed]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2015 11:30:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[News @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah @pt-pt]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blend-allaboutwine.com/of-paradox-and-patrimony-an-interview-with-marta-soares-casal-figueira-2/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> &#124; Tradução Bruno Ferreira<br />
“O Vital é a minha cara”, diz Marta Soares do <a href="https://www.facebook.com/casal.figueira" target="_blank">Casal Figueira</a>.  Juntamente com o seu falecido marido, António Carvalho, Soares não só resgatou esta humilde, autóctone casta branca de Lisboa da escuridão como a fez reluzir.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/de-paradoxo-e-patrimonio-uma-entrevista-com-marta-soares-casal-figueira/">De Paradoxo e Património: Uma Entrevista com Marta Soares, Casal Figueira</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> | Tradução Bruno Ferreira</p>
<p>“O Vital é a minha cara”, diz Marta Soares do <a href="https://www.facebook.com/casal.figueira" target="_blank">Casal Figueira</a>.  Juntamente com o seu falecido marido, António Carvalho, Soares não só resgatou esta humilde e autóctone casta branca de Lisboa da escuridão como a fez reluzir.</p>
<p>Então como é que Soares descreve a Vital? As palavras surgem em catadupa. Afinal de contas, esta grande pensadora conhece-se bem. “Produtiva, forte, dinâmica. Uma amante do tempo e do espaço. Selvagem como a vinha. Fresca e austera, mas também complexa. Quando a começamos a conhecer, entramos no seu mundo.”. Através de garrafa luminescente de Casal Figueira António Vital 2013, Soares proporcionou-me um vislumbre privilegiado do seu mundo de paradoxo e património.</p>
<p><strong>De paradoxo </strong></p>
<p>Por ser “nascida em cimento”, Soares não tinha como objectivo produzir vinho como tinha Carvalho, cuja família era viticultora há gerações, em Vermelha, perto de Torres Vedras, na região vitivinícola de Lisboa. Pelo contrário, a antiga aluna da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa encontrou a sua identidade na arte. Quando conheceu Carvalho em 1999, Soares estava na iminência de partir para Nova Iorque para dar seguimento à sua carreira, inicialmente com o apoio da Fundação Luso-Americana e, a longo termo através do Programa Fullbright que tinha aprovado o seu portfólio; só precisava de finalizar a documentação.</p>
<p>Apesar de ter tido sucesso com as suas exposições, atira em reflexão, “Acho que era muito nova e depressa apareceu a pressão sobre mim própria; sabia que algo precisava de mudar”. Soares perguntou aos amigos se conheciam algum sítio onde ela pudesse estar em paz para pensar antes de partir para os Estados Unidos. Falaram-lhe de “um amigo louco com uma quinta”, perto de Torres Vedras, que provavelmente teria espaço para ela montar um estúdio.</p>
<p>Este ‘amigo louco’ era Carvalho, que, tendo estudado com viticultores franceses na Escola de Práticas Agrícolas de Montpellier, estava a arar um solitário sulco, produzindo vinho com qualidade e terroir-driven num terreno de propriedade familiar (Casal Figueira) com 50 hectares, 15 dos quais ele plantou com vinha em 1990. Como se isto não fosse suficientemente diferente da tradição lisboeta focada na quantidade, os seus vinhos eram cultivados biodinamicamente e incluíam as castas francesas Marsanne, Roussanne, Petit Manseng e Semillon, além das castas locais Fernão Pires e Arinto.</p>
<p>Soares recorda vivamente, “quando lá cheguei, deparei-me com este sujeito obstinado, com um chapéu, a podar as vinhas, uma por uma, de maneira repetitiva, todos os dias, de manhã até ao fim do dia. Ela olhava e tratava cada vinha como de uma escultura individual se tratasse; quase como o trabalho de um artista – é preciso moldá-la (a escultura) todos os dias, todos os anos, e aí será aquilo que queres que seja.”</p>
<p>Quando Soares e Carvalho partilhavam os frutos do seu trabalho no final daqueles longos dias, Soares encontrou a resposta à questão pertinente que tinha “O que é que motivava este homem?”. Descrevendo o objectivo dele, o vinho, como “muito forte”, diz, “era possível apreciar todo o trabalho”. Soares também se apercebeu que a “ladainha” de poda de Carvalho, com o objectivo de produzir vinho, paradoxalmente também lhe apelava pois “parecia relaxante”, contrastando com a vida de um artista em que “apenas construímos coisas, dia após dia, sem saber exactamente o que estamos a fazer”. Acrescenta ainda, para um viticultor, “nunca se está no comando porque a natureza dita o tempo que se gasta todos os dias, ao passo que um artista deve decidir se vai pintar ou não… tudo é nossa responsabilidade”.</p>
<p>Por outro lado, observa, quando se trabalha com a natureza e materiais orgânicos (o oposto de um artista que trabalha com materiais artificiais “para que possam controlar tudo”), temos de estar preparados para tudo o que acontecer. Através de Carvalho ela veio a perceber que, “se formos destemidos, podemos ver [trabalhar com a natureza] que é uma aventura e redescobrir a paixão diariamente”.</p>
<p>Estes paradoxos e pontos divergentes do seu próprio trabalho fizeram com que Soares se interessasse. Apaixonando-se por Carvalho e, com “tanto para aprender… especialmente em relação à vertente prática”, desistiu dos seus planos em Nova Iorque para ficar com Carvalho e, quando pudesse, o ajudar nas vinhas e na adega.</p>
<div id="attachment_7328" style="width: 276px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7328" class="wp-image-7328 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/original-label-bottle-shot.png" alt="original label bottle shot" width="266" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/original-label-bottle-shot.png 266w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/original-label-bottle-shot-200x300.png 200w" sizes="auto, (max-width: 266px) 100vw, 266px" /><p id="caption-attachment-7328" class="wp-caption-text">“o primeiro rótulo na língua Casal Figueira” &#8211; Foto cedida por Marta Soares | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Por outro lado, diz que a sua boa vontade e energia em relação ao trabalho dele, conferiram força a Carvalho para continuar, mesmo as pessoas não acreditando no seu estilo de vinho. Foi Soares que surgiu com o que descreve ser “o primeiro rótulo na língua Casal Figueira”. O rótulo do branco ostenta o nome da propriedade, descrição “vinho branco”, contando ainda com o esboço da figueira que está ao lado da adega que a própria desenhou. Explica que “foi tudo por causa da simplicidade – atraindo a atenção para o conteúdo e não para o aspecto exterior”.</p>
<p>Ainda assim, também por estarem à frente do seu tempo, Carvalho e Soares foram incapazes de obter sucesso no negócio e entraram em falência em 2003. A família de Carvalho recuperou a quinta, período durante o qual o casal trabalhou para o enólogo espanhol Telmo Rodrigues num projecto de recuperação das vinhas velhas Godello, na Galiza. Quando, no ano seguinte, o pai de Carvalho faleceu, voltaram de Espanha e trabalharam uma vez mais na quinta Casal Figueira até a venderem em 2007 para pagar as dívidas da família.</p>
<p>Soares diz que esta foi uma altura difícil porque sabiam que a quinta teria eventualmente que ser vendida, mas “foi o nascimento de um ‘novo’ Casal Figueira: destemido, mais forte que nunca”. Porquê? Porque Carvalho reconheceu que “só é possível fazer grandes vinhos se nos cingirmos às vinhas e ficarmos lá com elas. É preciso estar em casa. Só dessa forma é que as conseguimos perceber e tirar o máximo delas. Isso é a essência da biodinâmica: ficar lá e percebê-la”.</p>
<p><strong>De Património</strong></p>
<p>Foi então, por isto, que o casal decidiu ficar em Lisboa e procurar as suas castas autóctones. Contrastando com o ano que passaram em Espanha, Soares diz, “Era onde podíamos estar os dois, todos os dias. A amar-nos um ao outro, a amar as vinhas, a amar os nossos filhos. Amar algo requer um cuidado diário”. Além disso, “A nossa região era também o sítio em que já tínhamos algum conhecimento do clima, solo, comportamento das plantas, insectos e falibilidades naturais”.</p>
<div id="attachment_7327" style="width: 277px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7327" class="wp-image-7327 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/B-R-M-Bons-Reis-Magos-for-the-labels-of-wine-Antonio.jpg" alt="B R M (Bons Reis Magos) for the labels of wine Antonio" width="267" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/B-R-M-Bons-Reis-Magos-for-the-labels-of-wine-Antonio.jpg 267w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/B-R-M-Bons-Reis-Magos-for-the-labels-of-wine-Antonio-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 267px) 100vw, 267px" /><p id="caption-attachment-7327" class="wp-caption-text">O ritual local e anual de pintura dos B R M (Bons Reis Magos), uma fonte de inspiração para os rótulos do António Vital Casal Figueira &#8211; Foto cedida por Marta Soares | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>A procura levou Carvalho atrás no tempo, de volta às viagens difíceis, Serra de Montejunto acima, a norte, com a ama que ia visitar os parentes, agricultores. E foi então que o casal encontrou a fonte do aclamado vinho Vital Casal Figueira – quatro talhões de vinhas velhas em calcário com 50-100 anos, 250-400m acima do nível médio das águas do mar, algo incomum em Lisboa. Estas parcelas eram propriedade (e o seu nome em homenagem) dos primos da ama de Carvalho &#8211; Acácio, Cremilde, Humberto e Pedra &#8211; que, para além de venderem as uvas à cooperativa local, também sempre fizeram o seu vinho daquelas uvas. Descrevendo-o como “muito oxidativo, muito estranho”, Soares sorri interiormente com orgulho quando se regala com o facto “António teve a visão para perceber o potencial da casta”.</p>
<div id="attachment_7326" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7326" class="wp-image-7326 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/The-Pedra-vineyard-plateau-at-350-m-altitude-heading-North-80-year-old-vines-in-limestone-gobelet-of-Vital.jpg" alt="The Pedra vineyard plateau at 350 m altitude heading North  80 year old vines in limestone gobelet of Vital" width="600" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/The-Pedra-vineyard-plateau-at-350-m-altitude-heading-North-80-year-old-vines-in-limestone-gobelet-of-Vital.jpg 600w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/The-Pedra-vineyard-plateau-at-350-m-altitude-heading-North-80-year-old-vines-in-limestone-gobelet-of-Vital-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /><p id="caption-attachment-7326" class="wp-caption-text">O vinhedo da Pedra a 350 m de altitude;  vinhas Vital com 80 anos, em calcário, Serra Montejunto, Lisboa &#8211; Foto cedida por Marta Soares | Todos os Direitos Reservadosd</p></div>
<p>Foi, acrescenta Soares, o projeto perfeito, porque, vivendo nas proximidades e com a adega a poucos passos de distância, poderiam alcançar o objectivo que tinham, de obter “uma expressão muito clara das uvas”. Aponta, &#8220;a proximidade é a palavra principal. Se existir uma grande distância entre a vinha, a adega e o local onde vivemos, há uma falta de qualidade na vida e na frescura das uvas. Se se demorar horas para chegar à vinha, não se vai lá ficar muito tempo, e então é preciso contratar pessoas&#8221;.</p>
<p>No entanto, as angústias do casal estavam longe de estar terminadas. Em 2009, Carvalho desmaiou e morreu de ataque cardíaco enquanto pisava as uvas. Tinha apenas 43 anos. A meio da colheita e com dois filhos pequenos para sustentar, Soares diz-me que apenas teve direito a 3 segundos de hesitação sobre se iria continuar com o projecto ou não. Uma hesitação, acrescenta, que resultou única e exclusivamente de se questionar se conseguiria fazer jus ao homem que descreve como sendo “um enólogo incrível…o melhor em todo o Portugal”.</p>
<p>Pergunto se, continuar com o Casal Figueira foi uma maneira de homenagear a visão de António e ficar perto dele? Para Soares o propósito foi muito maior. Ela descreve a situação como “uma epifania da vida, não sobre a arte mas sim sobre a prática…sobre nos relacionarmos directamente com as coisas que fazemos, descartando a teoria e deitando mãos ao trabalho.” – uma abordagem diferente à vida, que aprendeu com Carvalho. Apesar de tudo, consegue olhar para trás, para a morte de Carvalho, e descrevê-la como “uma coisa feliz porque ele deu a vida por algo em que acreditava e foi o seu coração que o falhou e não a vinificação ou a terra”.</p>
<div id="attachment_7325" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7325" class="wp-image-7325 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/layering-vines.jpg" alt="layering vines" width="600" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/layering-vines.jpg 600w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/layering-vines-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /><p id="caption-attachment-7325" class="wp-caption-text">As novas vinhas Vital são propagadas utilizando a técnica mergulhia, o que Soares aponta “é incrível, porque os meus quadros são feitos de um processo de estratificação ao qual chamei “matrizes””. A cana de uma vinha existente é enterrada junto da vinha “mãe” de modo a criar uma nova vinha; a ligação entre as duas é quebrada quando a nova vinha desenvolve o seu próprio sistema de raiz &#8211; Foto cedida por Marta Soares | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>De igual motivação, outro objectivo ainda maior, que é o de preservar o património cultural português de vinhas. Para Soares, este transcende mesmo o vinho, que descreve meramente como &#8220;um passo necessário para ter uma expressão de vinhas&#8221;. &#8220;Imagine&#8221;, diz, &#8220;quando se tem uma exploração agrícola com vinhas velhas de 100 anos, quantas pessoas morreram e a vinha ainda lá está. As vinhas são um registo do tempo e tempo é cultura &#8211; devemos cuidar e ter isto bem presente”.</p>
<p>Embora Soares reconheça que “este patrimônio cultural tem um valor incrível em Portugal&#8221;, também está ciente de que ao contrário de França, &#8220;onde a arte, os vinhos e a literatura estão juntos&#8221;, a alta cultura e a agricultura são campos completamente distintos aqui. Acredita apaixonadamente que deve haver uma conexão entre &#8220;o que é básico na vida &#8211; a produção agrícola – e o que acontece na arte&#8221;. Em vez disso, lamenta, &#8220;Estamos a procurar noutro lugar, lá fora, nunca olhando para dentro, nunca olhando para aqui&#8221;.</p>
<div id="attachment_7324" style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7324" class="wp-image-7324 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/SIMPLESMENTE-VINHO-DAY-2-MORNING-LUNCH-015.jpg" alt="SIMPLESMENTE VINHO DAY 2 MORNING LUNCH 015" width="533" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/SIMPLESMENTE-VINHO-DAY-2-MORNING-LUNCH-015.jpg 533w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/03/SIMPLESMENTE-VINHO-DAY-2-MORNING-LUNCH-015-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px" /><p id="caption-attachment-7324" class="wp-caption-text">Casal Figueira António Vital 2013 &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Eu consigo relacionar-me com os seus comentários à recente história de vinificação de Portugal, onde poderia ser perdoado pensar que apenas um punhado de uvas nativas, não necessariamente locais, merecem atenção. No entanto, tenho o prazer de ver uma nova geração de produtores como Carvalho e Soares fechando o círculo e abraçando o melhor da tradição. Não apenas castas autóctones, mas também técnicas de viticultura e enologia. Vejam os <a href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/filipa-pato-mais-do-que-uma-enologa-uma-produtora-de-vinhos/" target="_blank">Baga Friends</a>, ou <a href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/insaciavel-rita-ferreira-marques-com-sede-de-conhecimento-a-busca-da-excelencia/" target="_blank">Rita Marques’ Conceito Bastardo</a>, <a href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/de-guardar-redes-a-guardar-jampal-os-vinhos-de-andre-manz/" target="_blank">André Manz’s Jampal</a> e o trabalho de <a href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/macanita-nascido-para-se-destacar/" target="_blank">António Maçinta nos Açores</a> ao ressuscitar as castas locais Arinto dos Açores e Terrazntez do Pico.</p>
<p>Voltando ao Vital, um vinho que Soares classifica como um vinho monovarietal, que representa não só a sua cara, mas também “uma riqueza de autenticidade…algo tão simples que não tem preço”. Conclui “é isso que adoro em Portugal e para mim é isso que o Vital representa”.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/de-paradoxo-e-patrimonio-uma-entrevista-com-marta-soares-casal-figueira/">De Paradoxo e Património: Uma Entrevista com Marta Soares, Casal Figueira</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blend-allaboutwine.com/de-paradoxo-e-patrimonio-uma-entrevista-com-marta-soares-casal-figueira/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bruno Prats na Fruta Mágica do Douro  e Uma Vertical de Chryseia</title>
		<link>https://blend-allaboutwine.com/bruno-prats-na-fruta-magica-do-douro-e-uma-vertical-de-chryseia/</link>
					<comments>https://blend-allaboutwine.com/bruno-prats-na-fruta-magica-do-douro-e-uma-vertical-de-chryseia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Ahmed]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2015 08:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[News @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos Tranquilo (Vinhos de Mesa)]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blend-allaboutwine.com/bruno-prats-on-magic-douro-fruit-a-chryseia-vertical-2/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> &#124; Tradução Bruno Ferreira<br />
Ultimamente, o negócio tem sido rápido a atrair talentos bordaleses para o Douro. Poças Júnior anunciou recentemente que Hubert de Boüard e Philipe Nunes da Château Angélus</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/bruno-prats-na-fruta-magica-do-douro-e-uma-vertical-de-chryseia/">Bruno Prats na Fruta Mágica do Douro  e Uma Vertical de Chryseia</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> | Tradução Bruno Ferreira</p>
<p>Ultimamente, o negócio tem sido rápido a atrair talentos bordaleses para o Douro. Poças Júnior anunciou recentemente que Hubert de Boüard e Philipe Nunes da Château Angélus têm estado a trabalhar com eles desde a vindima de 2014. No ano anterior, Lima &amp; Smith causou uma agitação quando contratou Jean-Claude Berrouet, ex-enólogo na Château Pétrus, para ser consultor na Quinta da Boavista.</p>
<div id="attachment_7082" style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7082" class="wp-image-7082 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAW_CHRYSEIA-VERTICAL-001.jpg" alt="Blend_AAW_CHRYSEIA VERTICAL 001" width="533" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAW_CHRYSEIA-VERTICAL-001.jpg 533w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAW_CHRYSEIA-VERTICAL-001-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px" /><p id="caption-attachment-7082" class="wp-caption-text">Bruno Prats com uma Vertical of Chryseia &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Enquanto os resultados destas recentes colaborações ainda estão para ser vistos, outra parceria Bordéus/Douro faz as manchetes, Prats &amp; Symington com o décimo lançamento “Grand Vin”, Prats &amp; Symington Chryseia 2011. Este que é até à presente data a minha colheita favorita do <a href="http://www.chryseia.com/" target="_blank">Prats &amp; Symington Chryseia</a>, figurou no <a href="http://2014.top100.winespectator.com/" target="_blank">Top 100 de vinhos do ano 2014 cobiçados pela Wine Spectator</a>.</p>
<p>No início deste mês participei numa prova vertical de Chryseia, apresentado pela metade bordalesa deste casamento franco-português, Bruno Prats, antigo dono do Château Cos d’Estournel. A família Symington foi representada pela quinta geração, Charlotte Symington, a primeira mulher desta bem conhecida família de Porto a figurar na folha de pagamento (é embaixadora da marca Porto na importadora britânica Fells, que é também propriedade da Symington).</p>
<div id="attachment_7084" style="width: 464px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7084" class="wp-image-7084 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAW_Chryseia_portugal-trip-tastings-july-0302-534x470.jpg" alt="Blend_AAW_Chryseia_portugal-trip-tastings-july-0302-534x470" width="454" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAW_Chryseia_portugal-trip-tastings-july-0302-534x470.jpg 454w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAW_Chryseia_portugal-trip-tastings-july-0302-534x470-300x264.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 454px) 100vw, 454px" /><p id="caption-attachment-7084" class="wp-caption-text">Quinta de Roriz &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Prats ainda há pouco tempo tinha vendido Cos d’Estournel e já se aventurava na parceria 50/50 com os Symingtons. Diz-me que o projecto arrancou mais rápido que estava à espera. Depois de apenas de um ano de experiências, foi feito o primeiro Chryseia, colheita de 2000. Desde então, a selecção das uvas mudou dramaticamente, primeiro a parceria adquiriu a Quinta de Perdiz em 2004, seguindo-se em 2009 a compra da Quinta Roriz, a qual tem uma adega apenas para a Prats &amp; Symington. (Aliás, outra mudança dramática desde 2000 é o preço dos melhores Bordeaux, o que, diz Prats sorrindo, significa que os melhores tintos do Douro se comparam muito favoravelmente aos Bourdeax da mesma gama de preços).</p>
<p>Prats pode até denominar o Chryseia de “Grand Vin”, mas disse-nos “o nosso objectivo sempre foi produzir vinhos elegantes, gastronómicos e equilibrados, focados no requinte e não na potência”. Os seus comentários relembraram-me uma conversa de há dez anos com o bordelense Baron Eric de Rothschild. Em resposta à minha observação de que os vinhos de Domaine Baron de Rothschild (Lafite) da Argentina, Chile, Portugal, Estados Unidos e Sul de França partilhavam uma incomum restrição, disparou “podem tirar um homem de Bordéus, mas não podem tirar Bordéus de um homem”.</p>
<div id="attachment_7081" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7081" class="wp-image-7081 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAB_Chryseia_portugal-trip-tastings-july-032-534x712.jpg" alt="Blend_AAB_Chryseia_portugal-trip-tastings-july-032-534x712" width="300" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAB_Chryseia_portugal-trip-tastings-july-032-534x712.jpg 300w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAB_Chryseia_portugal-trip-tastings-july-032-534x712-225x300.jpg 225w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /><p id="caption-attachment-7081" class="wp-caption-text">Luis Coelho, Enólogo Assistente da Prats &amp; Symington com vinhas Touriga Nacional na Quinta De Roriz -Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Ainda assim, tenho a certeza que é apenas coincidência o facto de Prats apenas se ter focado em duas castas do Douro. Enquanto Bordéus tem a sua dicotomia Cabarnet Sauvignon/Merlot, Prats afirma que apenas acha “interessantes” as castas Touriga Nacional e Touriga Franca. Este foco varietal draconiano é uma das razões pelas quais ele dá primazia às parcelas (de casta única) de vinha recentemente plantadas em vez das tradicionais parcelas de multiplicidade varietal do Douro. Como é que sabemos quando colher as vinhas velhas, pergunta retoricamente, para mais tarde afirmar “Estou convencido que devemos trabalhar com parcelas de plantação em que teremos a certeza de estar a colhê-las na altura certa”. O que parece estranho, já que a maior parte dos melhores produtores da região lidam bem com isso, e utilizam até parcelas de vinhas velhas multivarietais de maneira fabulosa – Niepoort e Quinta do Crasto vêm-me à mente. Além do mais, o foco da Niepoort na elegância e digestibilidade confirma que estas duas qualidades não são exclusivas de vinhas monovarietais (ainda menos de duas castas).</p>
<p>Dito isto, penso que Prats tem razão quando diz “é fácil obter potência no Douro, e é por isso que é importante concentrarmo-nos na elegância”. Embora tenhamos de discordar que as parcelas de plantação e as duas castas (reconhecidamente de classe mundial) sejam a chave para a elegância, há poucas dúvidas em relação ao impacto positivo de longas mas gentis macerações e de um relativamente curto período em carvalho quando comparado com outros topos-de-gama do Douro (e até de Bordéus). Como seria de esperar de um reconhecido enólogo bordalês, a gestão de taninos na Prats &amp; Symington tem sido sempre exemplar.</p>
<p>Segundo Prats, ao contrário da Cabarnet Sauvignon, nem a Touriga Nacional nem a Touriga Franca “podem receber um nível elevado de carvalho”. Também explica o porquê da preferência de barris de 400 litros ao invés das barricas de 225 litros de Bordéus. Para Prats “o que é mágico no vinho do Douro é a fruta; temos de preservar a fruta”.</p>
<p>Sou completamente a favor da fruta, especialmente quando exprimida tão brilhantemente quanto no 2011 e 2012, mas o que mais me cativa nestas colheitas do Chryseia é a sua mineralidade patente. A qualidade, posso adiantar que está presente em ambos, embora Prats descreva um (o 2011) como “um estilo mais duriense” e o outro (2012) como “um estilo mais bordalês”.</p>
<p>A mim parece-me que esta mineralidade é um cunho da Quinta de Roriz (e da sua vizinha, a Quinta da Gricha de Churchill). Prats faz uma observação, o xisto na Roriz é particularmente mineralmente rico (muito friável em comparação com o xisto mais duro e espesso da Perdiz). Aparentemente, existia, há quarenta anos, uma mina de estanho na propriedade, mas quanto à razão pela qual isso se transmite no copo, Prats diz “estou contente por isso ainda ser um mistério” – podemos dizer que é mais da magia do Douro.</p>
<p>Abaixo irão encontrar as minhas notas sobre os últimos lançamentos bem como da prova vertical do Chryseia. O Chryseia tem sido produzido todos os anos salvo 2002 e 2010. Desde 2002, e adoptando um discurso bordalês, um “segundo vinho”, o Post Scriptum, tem sido produzido anualmente. É feito dos barris que não atingem a qualidade “Grand Vin”. (Pode ler mais sobre a história e evolução da Prats &amp; Symington na minha reportagem duma visita à Quinta de Roriz.)</p>
<div id="attachment_7085" style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7085" class="wp-image-7085 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blnd_AAW_CHRYSEIA-VERTICAL-005.jpg" alt="Blnd_AAW_CHRYSEIA VERTICAL 005" width="533" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blnd_AAW_CHRYSEIA-VERTICAL-005.jpg 533w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blnd_AAW_CHRYSEIA-VERTICAL-005-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px" /><p id="caption-attachment-7085" class="wp-caption-text">Uma Vertical de Chryseia, colheitas mais jovens &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>Prats &amp; Symington Prazo de Roriz 2011 (Douro)</strong></p>
<p>Provenientes da Quinta de Roriz (70%)  e da Perdiz (30%), Prats diz que as uvas de classe A vão para o Post Scriptum e para o Chryseia. O equilíbrio deste vinho que incorpora uma gama muito mais ampla de castas do Douro. Como era de esperar neste colheita de topo, o Prazo de Roriz 2011 tem uma boa concentração de ameixas e suculentas cerejas pretas/frutos silvestres. A Tinta Barroca, a casta com mais peso (39%) é facilmente identificável com o seu palato mais suave e doce. Porém, e em linha com a filosofia de elegância, partilha do final fresco e limpo e dos taninos finos do Post Scriptum e do Chryseia 2011. É um tinto iniciático conseguido. 14.3%</p>
<p><strong>Prats &amp; Symington Post Scriptum 2011 (Douro) </strong></p>
<p>Um lote com 56% de Touriga Nacional, 30% de Touriga Franca, 7% Tinta Barroca, 7% Tinta Roriz que estagiou durante 13 meses em barris de 400 litros de carvalho francês com um ano. Tonalidade profunda e muito mais estruturado que o Prazo de Roriz, com amoras e cerejas mais reluzentes e mais bem definidas. Taninos finos, minerais, enfumaçados e de tacto gentil. O final é preciso e muito persistente. Muito bom. 13.9%</p>
<p><strong>Prats &amp; Symington Post Scriptum 2012 (Douro)</strong></p>
<p>Este lote com 53% de Touriga Franca, 45% Touriga Nacional e 2% de outras variedades estagiou por 13 meses em barris de 400 litros de carvalho francês com um ano. Um Verão mais ameno (com baixa produção, devido à seca) produziu um vinho mais delicado, com fruta vermelha em vez de negra, taninos furtivos e acidez fresca e persistente. Uma palato marcadamente de meio-peso revela ameixa e ameixa-de-damasco doce e abaunilhada, grafite e especiaria de fruta (não de carvalho). Embora não tão carismático como o 2011, 0 2012 tem um elegante e já visível charme. 13.3%</p>
<p><strong>Prats &amp; Symington Chryseia 2012 (Douro)</strong></p>
<p><strong>Colheita: </strong><em>O aspecto mais notável do ano vinícola de 2011/2012 foi a falta de água. Um Inverno frio incomum, o mais frio da última década, foi seguido por Primavera errática, que com condições meteorológicas imprevisíveis levou a um fraco conjunto de fruta, e uma colheita muito mais pequena. Temperaturas mais baixas do que o normal durante o Verão mitigaram os efeitos da seca, e porque haviam menos cachos nas videiras, o processo de amadurecimento das uvas decorreu de maneira muito satisfatória, permitindo-nos produzir alguns bons vinhos. As uvas para o Chryseia foram colhidas na Quinta de Roriz entre 12 de Setembro e 8 de Outubro e na Quinta da Perdiz entre 27 de Setembro e 9 de Outubro.</em></p>
<p>Um lote com 72% de Touriga Nacional e 28% de Touriga Franca, provenientes da Quinta de Roriz, Quinta da Perdiz e da Quinta da Vila Velha. Estagiou por 15 meses em barris de 400 litros de carvalho francês 100% novos (Tonnellerie du Sud-Ouest, Boutes, François Frères). Outra vez ênfase nas frutas vermelhas, aqui mais concentradas e com um muito sedutor brilho de carvalho perfumado (chocolate, canela e cedro). Bergamota e notas leves de tabaco de cachimbo conferem uma adicional camada e toque a este vinho com um núcleo doce de framboesa, cereja preta e frutos silvestres. Acidez fresca a proporcionar um final muito equilibrado, persistente e brotar xisto; a sua fluidez é sublinhada pelos seus taninos ultra-finos. Muito elegante. 13.7%</p>
<p><strong>Prats &amp; Symington Chryseia 2011 (Douro)</strong></p>
<p><strong>Colheita:</strong><em>O ano de 2011 foi muito seco, tendo sido de extremo valor, a precipitação caída entre Outubro e Dezembro de 2010. O Douro e os seus solos apresentam uma aptidão enorme para armazenarem água. A videira, pela sua perfeita adaptação a climas agrestes, consegue ir buscar água a vários metros de profundidade, graças ao seu sistema radicular bem adaptado, daí a importância crucial das reservas constituídas pela água da chuva caída na estação fria. O fantástico terroir de Roriz sempre prevalece, este ano com a ajuda acrescida das chuvas de Agosto e início de Setembro. A colheita das uvas para o Chryseia 2011 teve inicio a 16 de Setembro com a Touriga Nacional da Quinta de Roriz, tendo a Touriga Franca dado entrada na adega no dia 30 de Setembro. Toda a vindima decorreu com condições metereológicas perfeitas, o que contribuiu para que 2011 seja, sem qualquer dúvida, uma das melhores colheitas de Chryseia.</em></p>
<p>Um lote com 65% de Touriga Nacional e 35% de Touriga Franca, estagiou por 15 meses em barris de 400 litros de carvalho francês 100% novos (Tonnellerie du Sud-Ouest, Taransaud, Boutes, François Frères). Este, um dos meus <a href="http://thewinedetective.co.uk/blog/portugal/first-taste-new-douro-2011-reds-2012-whites-decade-2004-douro-reds">Top 10 Novos Douro de 2011 provados em Dezembro de 2013</a>, tem desfrutado de um sucesso de vendas, um pouco também por ter figurado no Top 100 da Wine Spectator. É uma colheita fabulosa do Chryseia, o primeiro a realmente deixar uma marca em mim. Penso que é porque, como Prats diz, é mais um Douro que um Bordeaux. Porquê? Porque tem bem patente a mineralidade xistosa, salgada e enfumaçada do seu terroir &#8211; um cunho da Quinta de Roriz, e também da vizinha Quinta da Gricha de Churchill. E esta mineralidade está muito mais à superfície no 2011 apesar das suas imponentes mas muito equilibradas frutas pretas. Muito vivo, muito longo e focado, o seu enquadramento desmente a concentração e intensidade deste vinho; um exercício excelente em potência e contenção. 14%</p>
<p><strong>Prats &amp; Symington Chryseia 2009 (Douro)</strong></p>
<p><strong>Colheita: </strong><em>A magnífica vinha de Roriz, uma das mais belas quintas do vale do Douro, com uma longa e rica história como produtor independente de grandes vinhos, foi adquirida pela Prats &amp; Symington na Primavera de 2009. O Chryseia de 2009 foi assim o primeiro a ser vinificado na moderna adega de vinhos tranquilos da propriedade. Trabalhar as vinhas de montanha do Douro apresenta muitos e variados desafios, todos os anos quase sem excepção e 2009 não foi diferente. Foi o terceiro ano consecutivamente seco e para agravar a situação de seca, o calor intenso que se fez sentir, particularmente em Agosto e Setembro, aportou uma significativa redução no tamanho da colheita (uma das mais pequenas dos últimos 15 anos no Douro). Apesar das condições adversas, o terroir de Roriz fez-se valer; a exposição norte atenuou a ferocidade do calor e as duas castas que compõem o Chryseia (a Touriga Nacional e a Touriga Franca) são das melhores que resistem ao calor, um facot que jogou a nosso favor. Aliás a Touriga Franca é de maturação tardia, e beneficiou das condições quentes e secas registadas durante o mês de Setembro. Quer a Touriga Nacional, quer a Touriga Franca completaram de modo muito satisfatório os seus ciclos de maturação, assegurando elevada qualidade.</em></p>
<p>Um lote de 70% de Touriga Nacional e 30% de Touriga Franca, estagiou por 13 meses em barris de 400 litros de carvalho francês 100% novos (Tonnellerie du Sud-Ouest, Taransaud, Boutes, Radoux, François Frères, Saury). Esta foi a primeira colheita proveniente de e vinificada na Quinta de Roriz. Não é a minha colheita favorita do Douro &#8211; a seca e o calor deram origem a vinhos bastante corpulentos. Ainda assim, para aqueles que procuram elegância de expressão, este é um vinho bem construído; foi interessante ouvir Prats a especular que provavelmente poderiam ter feito um vinho melhor se conhecessem melhor as vinhas. Musculado e opulento com taninos maduros e aveludados, o Chryseia 2009 tem uma borda púrpura no seu interior rico de framboesa e ameixa. O achocolatado carvalho novo incrementa ainda mais a doçura, portanto, tudo somado, o 2009 carece da contenção e finesse dos vinhos anteriores. O que não quer dizer que não seja bom; se gostar vinhos largos e encorpados, isto será mais a sua praia. 14.4%</p>
<div id="attachment_7083" style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-7083" class="wp-image-7083 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAW_CHRYSEIA-VERTICAL-006.jpg" alt="Blend_AAW_CHRYSEIA VERTICAL 006" width="533" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAW_CHRYSEIA-VERTICAL-006.jpg 533w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Blend_AAW_CHRYSEIA-VERTICAL-006-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px" /><p id="caption-attachment-7083" class="wp-caption-text">Uma Vertical de Chryseia, colheitas mais velhas &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>Prats &amp; Symington Chryseia 2004 (Douro)</strong></p>
<p><strong>Colheita: </strong><em>A um outono chuvoso em 2003, seguiu-se um inverno muito seco, com uma notória ausência de chuva durante uma fase crucial. O tempo ameno e seco em Maio de 2004, encorajou um desenvolvimento rápido e um vingamento ligeiramente abaixo da média. No final de Julho as vinhas estavam em excelentes condições, mas a persistente falta de chuva suscitou alguma preocupação devido à possibilidade de ‘stress’ hídrico. Depois aconteceu o inesperado: fortes chuvadas em Agosto – os 77mm registados entre os dias 9 e 17 foram os valores mais elevados no Douro em 104 anos. Seguiram-se 25 dias ininterruptos de sol em Setembro que conduziram a um amadurecimento perfeito do fruto e propiciaram condições de vindima ideais. A vindima teve início mais tarde do que é habitual, no dia 23 de Setembro e ficou concluída mesmo antes do regresso da chuva em 9 de Outubro. O que poderia ter sido um ano muito difícil, revelou-se afinal um ano muito bom, com uma conjugação favorável de produções baixas, excelente teor de açúcar nas uvas, originando um vinho com uma estrutura possante e cor profunda.</em></p>
<p>Os detalhes das percentagens varietais e tempo de estágio não foram disponibilizados, mas a fruta proveio das Quintas Vesuvio, Bomfim, Vila Velha e, pela primeira vez, da então recentemente adquirida Quinta da Perdiz da Symington. Sou uma grande fã da colheita de 2004 e foi interessante voltar a provar esta colheita do stock de Londres da Fells. O vinho pareceu mais reluzente e fresco do que a garrafa que provei no Porto em Dezembro de 2013 quando avaliei alguns <a href="http://thewinedetective.co.uk/blog/portugal/first-taste-new-douro-2011-reds-2012-whites-decade-2004-douro-reds">tintos Douro 2004</a>. Tal como a garrafa que provei na altura, o Chryseia 2004 é particularmente picante e perfumado com notas de alcaçuz, esteva e caruma, e também um toque de bergamota. Que, juntamente com os seus concentrados e ainda vivos frutos silvestres, conferem a este vinho uma fantástica energia &#8211; um perfil mais &#8220;selvagem&#8221; do Douro (apesar dos seus taninos ultra-requintados). Um final envolvente com uma pitada salgada, e uma mineralidade xistosa a persistir bastante tempo; este é um vinho com muita potência e muito carácter. 14.2%</p>
<p><strong>Prats &amp; Symington Chryseia 2003 (Douro)</strong></p>
<p><strong>Colheita:</strong> <em>O Outono foi bastante chuvoso bem como o mês de Janeiro. O mês de Março caracterizou-se por temperaturas acima da média. As condições climatéricas do mês de Maio forma bastante favoráveis para a floração e o vingamento, podendo desde logo adivinhar-se uma colheita abundante. O Verão foi quente e seco mas a qualidade da fruta foi substancialmente melhorada pela chuva dos dias 27 e 28 de Agosto. As uvas foram colhidas manualmente entre 18 de Setembro e 9 de Outubro e chegaram à adega com baumés ideais, tendo-se obtido um mosto com cor formidável.</em><br />
Um lote de 60% Touriga Franca, 35% Touriga Nacional e 5% Tinta Cão, provenientes das Quintas Vesuvio, Bomfime Vila Velha. Estagiou por 12 meses em barris de 350 e 400 litros de carvalho francês 100% novos (Tonnellerie du Sud-Ouest, Taransaud). Este foi o vinho preferido de Prats de entre as colheitas mais antigas, que, observou, são caracterizadas por notas aportuadas. É um vinho muito polido, escuro, achocolatado com taninos suaves e fruta muito suave and brilhante. Sim, conseguido (menos aportuado do que outros 2003 que já provei) e muito bom de beber, mas, para mim, faltava-lhe algum sentido de lugar – o detalhe, interesse e energia que tanto gostei no 2004. 14%</p>
<p><strong>Prats &amp; Symington Chryseia 2001 (Douro)</strong></p>
<p><strong>Colheita:</strong> <em>O Inverno de 2001 foi extremamente chuvoso e de temperaturas bastante amenas. A ocorrência de boas condições climatéricas durante o período da floração, permitiu prever à data um ano de grande produção no Douro. Contudo, um Verão muito quente e seco originou uma redução da produção geral, tornando 2001 num ano médio em termos de quantidade produzida. As uvas foram colhidas manualmente a partir de 13 de Setembro e terminou no dia 27 de Setembro.</em></p>
<p>Um lote de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Cão das Quintas Vesuvio, Vila Velha e Vale de Malhadas. Prats diz que foi um erro incluir a Tinta Roriz. Estagiou por 10 meses em barris de 350 e 400 litros de carvalho francês 100% novos (Tonnellerie du Sud-Ouest, Taransaud). Evoluiu com notas rústicas, bravas e de Bovril no seu nariz e palato aportuados e acidez desengonçada (volátil?). Desapontante. 13.8%</p>
<p><strong>Contatctos</strong><br />
Prats &amp; Symington<br />
Quinta de Roriz<br />
São João da Pesqueira<br />
5130-113 ERVEDOSA DO DOURO<br />
Portugal<br />
Tel: +351-22-3776300<br />
Fax: +351-22-3776301<br />
E-mail: info@chryseia.com<br />
Site: <a href="http://www.chryseia.com/" target="_blank">www.chryseia.com</a></p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/bruno-prats-na-fruta-magica-do-douro-e-uma-vertical-de-chryseia/">Bruno Prats na Fruta Mágica do Douro  e Uma Vertical de Chryseia</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blend-allaboutwine.com/bruno-prats-na-fruta-magica-do-douro-e-uma-vertical-de-chryseia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cru: Os Vinhos de Luis Seabra</title>
		<link>https://blend-allaboutwine.com/cru-os-vinhos-de-luis-seabra/</link>
					<comments>https://blend-allaboutwine.com/cru-os-vinhos-de-luis-seabra/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Ahmed]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2015 15:30:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[News @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos Tranquilo (Vinhos de Mesa)]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blend-allaboutwine.com/raw-the-wines-of-luis-seabra-2/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/">Sarah Ahmed</a> &#124; Tradução Bruno Ferreira<br />
Em 2012, Luís Seabra abandonou o seu prestigiado cargo de enólogo na Niepoort para se lançar a solo. Explica,</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/cru-os-vinhos-de-luis-seabra/">Cru: Os Vinhos de Luis Seabra</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/">Sarah Ahmed</a> | Tradução Bruno Ferreira</p>
<p>Em 2012, Luís Seabra abandonou o seu prestigiado cargo de enólogo na Niepoort para se lançar a solo. Explica, “depois de tantos a fazer para outros aquilo que adoro, acho que chega uma altura em que pensamos, porque não fazermos para nós próprios”.</p>
<div id="attachment_6750" style="width: 276px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6750" class="wp-image-6750 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Photo-credit-Luis-Seabra-Vinhos-Luis-Seabra-1561.jpg" alt="Photo credit Luis Seabra Vinhos Luis Seabra (1561)" width="266" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Photo-credit-Luis-Seabra-Vinhos-Luis-Seabra-1561.jpg 266w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Photo-credit-Luis-Seabra-Vinhos-Luis-Seabra-1561-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 266px) 100vw, 266px" /><p id="caption-attachment-6750" class="wp-caption-text">Luis Seabra &#8211; Foto Cedida por Luis Seabra Vinhos | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>A filosofia da <a href="https://www.facebook.com/luis.seabra.vinhos" target="_blank">Luis Seabra Vinhos</a> está inserida no nome de marca Cru. O objectivo de Seabra é fazer vinhos “que realmente digam de onde vêm, vinhos de vinhas específicas, com intervenção mínima, vinhos verdadeiros e honestos, crus e puros…Regresso ao essencial.”.</p>
<p>“Regresso ao essencial” tem um tem um significado muito específico para nós britânicos. Foi o slogan de campanha que voltou para assombrar o ex-Primeiro Ministro Britânico John Major durante a década de 90 numa série de escândalos que abalaram o partido Tory. O que significará exactamente para Seabra?</p>
<p>Diz-me que “a única coisa utilizada nos vinhos é o enxofre (um agente antioxidante e antimicrobiano) ” e, mesmo assim, em quantidades baixas “apenas para manter os vinhos debaixo de olho.”. Acrescenta ainda “também prefiro ter mais oxigénio no sumo e nos vinhos jovens de modo a que se conseguiam estabilizar de todas as maneiras e possam envelhecer melhor na garrafa.”. O impacto desta abordagem de intervenção mínima é facilmente perceptível nos vinhos texturais, não forçados de Seabra e, em particular, nos seus vinhos brancos, que ao invés de um sabor frutado mostram um perfil mais terroso.</p>
<div id="attachment_6751" style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6751" class="wp-image-6751 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/vineyard-red-photo-IMG_4699.jpg" alt="vineyard red photo IMG_4699" width="533" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/vineyard-red-photo-IMG_4699.jpg 533w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/vineyard-red-photo-IMG_4699-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px" /><p id="caption-attachment-6751" class="wp-caption-text">Luis Seabra Cru Xisto Tinto 2013 old vineyard &#8211; Foto Cedida por Luis Seabra Vinhos | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Em França, Cru também denota uma vinha especial ou área de vinhas. Embora de momento Seabra esteja a comprar parcelas de vinhas velhas a alguns viticultores que conhece há muito tempo ele diz, “no momento em que seja proprietário das vinhas poderei fazer CRU de um talhão específico”.</p>
<p>Sem dúvida que também vai adpotar uma abordagem de intervenção mínima no cultivo da uva. Por agora, admite, honestamente, “Tenho alguns conhecimentos sobre gestão de vinhas, mas estou a enganar-me a mim próprio. O que faço está lentamente a mudar a mentalidade dos viticultores… Se conseguir que um viticultor específico não utilize herbicidas num ano já será um grande feito para mim.</p>
<p>Além disso, na calha estão mais dois tintos da vindima de 2014 – um tinto do Douro e outro de “um projecto louco”, diz, com um produtor espanhol de Navarra, Laderas de Montejurra.</p>
<p><span style="line-height: 1.5;">Abaixo estão as minhas notas dos seus primeiros lançamentos Cru 2013. Cada um carrega o nome do seu solo de origem – Xisto e Granito – cuja influência Seabra procura transmitir a nu para o copo. Poderão prova-los com Seabra no </span><a style="line-height: 1.5;" href="https://www.facebook.com/simplesmenteVinho" target="_blank">Simplesmente Vinho 2015</a><span style="line-height: 1.5;"> que será realizado na cidade Porto no fim deste mês.</span></p>
<p><strong>Luis Seabra Vinhos Granito Cru Alvarinho 2013 (Monção-Melgaço,Vinho Verde)</strong></p>
<div id="attachment_6748" style="width: 723px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6748" class="wp-image-6748 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Caption-Luis-Seabra-Cru-Xisto-Granito-whites-2013-023.jpg" alt="Caption Luis Seabra Cru Xisto &amp; Granito whites 2013 023" width="713" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Caption-Luis-Seabra-Cru-Xisto-Granito-whites-2013-023.jpg 713w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Caption-Luis-Seabra-Cru-Xisto-Granito-whites-2013-023-300x168.jpg 300w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Caption-Luis-Seabra-Cru-Xisto-Granito-whites-2013-023-570x320.jpg 570w" sizes="auto, (max-width: 713px) 100vw, 713px" /><p id="caption-attachment-6748" class="wp-caption-text">Luis Seabra Cru Xisto Branco 2013 &amp; Granito Alvarinho 2013 &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Proveniente de quarto talhões em Melgaço. As uvas foram fermentadas e depois estagiaram 9 meses em borras, em tonéis de carvalho da Europa de Leste (um tonel novo de 2000 litros, e o outro, um experiente tonel de carvalho de 1000 litros). O vinho passou por uma fermentação maloláctica parcial. Citrinos picantes e frutas de caroço no nariz, seguido de um palato textural e terroso com borras suaves e almofadadas e um final melado. Um Alvarinho bem-feito e muito textural com uma subjacente acidez mineral, suave mas persistente. 12,5%</p>
<p><strong>Luis Seabra Vinhos Xisto Cru Branco 2013 (Douro)</strong></p>
<p>As uvas deste lote orientado a Rabigato são provenientes de três vinhas velhas em Meda (+80 anos), no Douro Superior, elevadas, entre 650 a 700m acima do nível médio das águas do mar. As outras castas (30% do lote) são Códega, Gouveio, Viosinho e Dozelinho Branco. Um vinho muito sugestivo com acidez dançante e mineral, que depois de algum tempo no copo, revela subtilmente camadas de fumo e noz no seu palato muito textural e vegetal a espargos brancos. Tal como o Alavarinho, demonstra borras muito distintas e almofadadas. 12%</p>
<p><strong>Luis Seabra Vinhos Xisto Cru Tinto 2013 (Douro)</strong></p>
<div id="attachment_6749" style="width: 454px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6749" class="wp-image-6749 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Luis-Seabra-Xisto-Tinto-2013.jpg" alt="Luis Seabra Xisto Tinto 2013" width="444" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Luis-Seabra-Xisto-Tinto-2013.jpg 444w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2015/02/Luis-Seabra-Xisto-Tinto-2013-300x270.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 444px) 100vw, 444px" /><p id="caption-attachment-6749" class="wp-caption-text">Luis Seabra Cru Xisto Tinto 2013 &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Este exemplar de barrica, um lote de Rufete, Touriga Franca, Tinta Carvalha, Alicante Bouchet, Donzelinho Tinto e Malvasia Negra entre outras, é proveniente de duas vinhas de Cima Côrgo com mais de oitenta anos, uma a 400m em Vale Covas, a outra a 570m em Ervedosa (o que é bastante alto para tintos). Ambas foram plantadas em solos de ardósia com predominância de xisto azul. As uvas foram fermentadas, sendo que 50% engaçadas, em barris de madeira abertos, de 3500 litros. O vinho estagiou depois em borras em barris de carvalho francês. É marcadamente um tinto fresco do Douro. Um mundo à parte de alguns dos estilos encorpados, ricos e robustos da região, mostra cereja vermelha crocante, cereja preta sumarenta e groselha e frutos silvestres e leve carvalho, permitindo que os seus taninos finos mas de carga firme e a mineralidade xistosa e enfumaçada tragam textura e interesse ao conjunto. Uma adorável intensidade de vinha, com caruma profundamente incorporada, e um perfume floral tintado que me traz à mente o Dão. Promissor e diferente, no bom sentido.</p>
<p><strong>Contactos</strong><br />
Luís Seabra Vinhos Lda<br />
Rua da Reboleira, Nº 19, 3º Traseiras<br />
4050-492 Porto<br />
E-Mail: lseabrawine@gmail.com</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/cru-os-vinhos-de-luis-seabra/">Cru: Os Vinhos de Luis Seabra</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blend-allaboutwine.com/cru-os-vinhos-de-luis-seabra/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Jen Pfeiffer: Sou uma rapariga de Fortificados!</title>
		<link>https://blend-allaboutwine.com/jen-pfeiffer-sou-uma-rapariga-de-fortificados/</link>
					<comments>https://blend-allaboutwine.com/jen-pfeiffer-sou-uma-rapariga-de-fortificados/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Ahmed]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Nov 2014 08:00:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[News @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah @pt-pt]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blend-allaboutwine.com/jen-pfeiffer-im-a-fortified-girl-2/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> &#124; Tradução Bruno Ferreira<br />
Jen Pfeiffer, da <a href="https://www.pfeifferwinesrutherglen.com.au/home/" target="_blank">Pfeiffer Wines</a>, a principal enóloga australiana de vinhos fortificados, reconhece que provou vinho do Porto pela primeira vez antes de completar 10 anos.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/jen-pfeiffer-sou-uma-rapariga-de-fortificados/">Jen Pfeiffer: Sou uma rapariga de Fortificados!</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> | Tradução Bruno Ferreira</p>
<p>Jen Pfeiffer, da <a href="https://www.pfeifferwinesrutherglen.com.au/home/" target="_blank">Pfeiffer Wines</a>, a principal enóloga australiana de vinhos fortificados, reconhece que provou vinho do Porto pela primeira vez antes de completar 10 anos. Referindo-se à sua infância afortunada, diz: &#8220;Cresci a pensar que era normal ter jantares com Porto Vintage todas as semanas! &#8220;. Este ano, na <a href="http://www.esporao.com/vinhos/quinta-dos-murcas/" target="_blank">Quinta dos Murças</a>, Pfeiffer cumpriu o sonho de fazer o seu próprio vinho do Porto. Encontrei-me com ela no Douro para saber mais sobre o seu mais recente projecto e fascínio por tudo o que é vinho fortificado.</p>
<p><strong>Quando veio pela primeira vez ao Douro?</strong></p>
<p>Visitei pela primeira vez o Douro com os meus pais quando tinha 10 anos. Lembro-me de me divertir com os balonges (cubas de fermentação em forma de cúpula) e com a viagem de comboio até ao Pinhão. Jantamos lá com o David Baverstock na Quinta do Bomfim da Dow’s, o que é engraçado, porque o David agora lidera a vinificação da Quinta dos Murças!</p>
<p><strong>Esta é a segunda vez que está a fazer vinho no Douro. O que a atrai para o Douro e para Portugal?</strong></p>
<p>Tendo em conta a minha paixão pelo Porto Vintage, ter a oportunidade de trabalhar no Douro foi o meu Santo Graal da vinificação, e só esperava que fosse um ano Vintage. Tive sorte suficiente para o fazer [na sua primeira visita, em 2007, Pfeiffer trabalhou para <a href="http://www.fladgatepartnership.com/" target="_blank">The Fladgate Partnership</a> na Quinta da Roeda].</p>
<p>Fui embora com um enorme sentimento de conexão com a região e sempre haverá uma parte de mim que pertence aqui. Adoro a tradição e cultura de vinificação que aqui existem há séculos, a bondade das pessoas, o sal da terra, o senso de comunidade nas diferentes aldeias e o intenso esforço humano que durante séculos foi empregue a produzir as vinhas e o vinho. Para mim, o Douro é um lugar mágico.</p>
<div id="attachment_5359" style="width: 277px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5359" class="wp-image-5359 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Lagares.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Lagares" width="267" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Lagares.jpg 267w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Lagares-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 267px) 100vw, 267px" /><p id="caption-attachment-5359" class="wp-caption-text">Jen Pfeiffer nos Lagares da Quinta dos Murças &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>A minha segunda visita não só confirmou a intensidade da relação que tenho com esta região, como também me concedeu uma nova oportunidade com a qual apenas sonhava. Não estou apenas a fazer o meu próprio Porto, estou também a trabalhar num lugar muito diferente, o que tem sido maravilhoso e muito educativo, especialmente porque a Quinta dos Murças faz bons vinhos de mesa, tão bem como os Portos.</p>
<p>Aprendi muito sobre a estrutura de vinhos de mesa do Douro &#8211; a extensão e finesse dos taninos e, dependendo da mistura, a elegância e o perfume ou a densidade e a riqueza da fruta. Não me tinha apercebido que os vinhos tintos fossem tão trabalhados nos lagares &#8211; não muito diferente do Porto.</p>
<div id="attachment_5360" style="width: 608px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5360" class="wp-image-5360 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_dad.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_dad" width="598" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_dad.jpg 598w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_dad-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 598px) 100vw, 598px" /><p id="caption-attachment-5360" class="wp-caption-text">Chris &amp; Jen Pfeiffer na adega dos barris da Pfeiffer Wines’, em Rutherglen &#8211; Foto Cedida por Pfeiffer Wines | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>Produz uma vasta gama de vinhos fortificados (o famoso fortificado Muscats e Topaques de Rutherglen e outros feitos utilizando as técnicas do Sherry e do Vinho do Porto) e também tintos, brancos, doces e espumantes. Qual é o que lhe dá mais prazer a fazer?</strong></p>
<p>Os fortificados, sou uma uma rapariga de fortificados! Para mim são os vinhos mais desafiantes. Misturar colheitas, variedades e lotes de modo a manter um vinho fantástico durante 50 anos significa que posso estar no meu estado mais criativo e adoro isso. Vindo de Rutherglen, a qualidade, intensidade e aromas do Muscats e Topaques pode ser excitante, tal como trabalhar com os muito delicados vinhos Apera [estilo Sherry] debaixo da flor com quase nenhum enxofre &#8211; é preciso um conjunto de diferentes competências. No final de contas, todos são os meus bebês &#8211; Não consigo destacar um fortificado como favorito!</p>
<p><strong> Qual é o que gosta mais de beber?</strong></p>
<p>Adoro o Riesling, o Shiraz e, claro, os grandes vinhos fortificados do mundo. Como é óbvio, aqui no Douro estou a gostar muito de beber Porto, especialmente depois de jantar o Porto Tawny 20 Anos porque já desenvolveu uma grande complexidade.</p>
<p><strong> É um modelo raro para uma nova geração de enólogos de fortificados. Qual é a importância de manter a chama acesa para os vinhos fortificados?</strong></p>
<p>É incrivelmente importante continuar a divulgar os vinhos fortificados &#8211; Nunca vou parar de partilhar pelo mundo fora o meu entusiasmo por estes vinhos e estou envolvida em iniciativas educacionais na Universidade de Adelaide e na <a href="http://www.wsetglobal.com/" target="_blank">Wine &amp; Spirit Education Trust</a>. Dentro da indústria de vinho de Rutherglen, jovens enólogos formaram um grupo chamado Rutherglen Young Bloods (Sangue Jovem de Rutherglen) cujo objetivo é levar o vinho da região para o mercado e mostrar sua relevância.</p>
<p>Um dos objetivos é mostrar às pessoas a versatilidade dos vinhos fortificados (não são apenas um digestivo para depois do jantar). Estes vinhos dão grandes aperitivos e podem formar a base de algumas misturas de bebidas fantásticas. Pfeiffer Seriously Pink Apera foi inspirado no tempo que passei na Quinta do Roeda onde é produzido o Croft Pink Port; os mixologistas estão a utilizar o nosso Aperas em cocktails. É uma óptima maneira de apresentar o vinho fortificado aos jovens.</p>
<div id="attachment_5361" style="width: 112px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5361" class="wp-image-5361 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Seriously_Pink.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Seriously_Pink" width="102" height="400" /><p id="caption-attachment-5361" class="wp-caption-text">Pfeiffer Seriously Pink &#8211; Foto Cedida por Pfeiffer Wines | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Também há espaço para melhorar na maneira de servir vinhos fortificados com comida, o que também iria aumentar a sua relevância. Na porta da adega Pfeiffer Wines’ estamos sempre à procura de maneiras de introduzir os vinhos às pessoas, por exemplo, High Tea com Topaques e Muscats. Também apresentamos alguns pratos salgados que deixam as pessoas boquiabertas, como o Rutherglen Classic Muscat com gaspacho, terrines e patés com chutneys de frutas.</p>
<p>E, claro, a coisa mais importante é colocar os vinhos à frente de tantas pessoas quanto possível, porque geralmente quando alguém prova um vinho fortificado de boa qualidade, torna-se “viciado” !!!!</p>
<p><strong>Eu gostei muito ajuizar no “<a href="http://www.rutherglenwineshow.com.au/" target="_blank">The Fortified Wine Show da Austrália</a>”. As masterclasses são uma maneira inteligente para juízes seniores para compartilharem a sua paixão, conhecimento e experiência com outros juízes. Na minha opinião Portugal deveria organizar uma mostra internacional de vinhos fortificados. O que acha?</strong></p>
<div id="attachment_5362" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5362" class="wp-image-5362 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Wine_Show.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Wine_Show" width="500" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Wine_Show.jpg 500w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Wine_Show-300x240.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /><p id="caption-attachment-5362" class="wp-caption-text">Rutherglen Wine Show &#8211; Os Juízes, Setembro de 2013 &#8211; Foto Cedida por Rutherglen Wine Show | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Adoraria que Portugal tivesse uma mostra de vinhos fortificados. Viria e ajuizaria !!!! Seria também uma oportunidade fantástica para juntar pessoas relacionadas com os vinhos fortificados para um intercâmbio cultural e de perspectiva global sobre a categoria. Haveria muita energia e paixão na sala!</p>
<p><strong>O Douro e Rutherglen são ambos famosos pelos seus vinhos fortificados. Trabalhou em ambas as regiões. Que semelhanças e diferenças que vê?</strong></p>
<div id="attachment_5363" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5363" class="wp-image-5363 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Glass_in_hand.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Glass_in_hand" width="600" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Glass_in_hand.jpg 600w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Glass_in_hand-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /><p id="caption-attachment-5363" class="wp-caption-text">Jen Pfeiffer na Adega da Quinta dos Murças &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Nós partilhamos uma forte e enraizada tradição e cultura de vinificação inter-geracional que é tão importante com os fortificados porque é mesmo preciso amadurecer o stock para os melhores vinhos. Além disso, trabalhar numa empresa familiar de sucesso é trabalhar com alguém que já lá esteve antes, e portanto podemos falar sobre isso &#8211; Rutherglen tem grandes parcerias entre pai e filho como Mick e David Morris da <a href="http://www.morriswines.com.au/_agev.php" target="_blank">Morris Wines</a> e Bill e Stephen Chambers da <a href="http://www.rutherglenvic.com/attractions/chambers-rosewood-winery" target="_blank">Rosewood Chambers</a> e, claro, a sinergia entre mim e o meu pai. Todos nós sabemos o quanto é importante compreender o passado dos vinhos para compreender o seu futuro. No Douro, ao trabalhar primeiro com o David Guimaraens, e, agora com o David Baverstock, fui como uma esponja a absorver tanto quanto pude.</p>
<div id="attachment_5366" style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5366" class="wp-image-5366 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_In_the_vineyards.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_In_the_vineyards" width="533" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_In_the_vineyards.jpg 533w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_In_the_vineyards-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px" /><p id="caption-attachment-5366" class="wp-caption-text">Jen Pfeiffer nas vinhas da Quinta da Murta &#8211; Foto Cedida por Pfeiffer Wines | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Caso contrário, o Douro e Rutherglen são claramente partes do mundo muito diferentes, com um terroir diferente. Não apenas nos perfis de solo (o xisto do Douro versus o barro vermelho sobre argila e apartamentos arenosos e fluviais de Rutherglen), mas, por exemplo, o Douro tem elevação e aspectos diferentes, devido à sua localização montanhosa enquanto Rutherglen é plana, com média de apenas 165 m acima do nível do mar . Os níveis de cultivo e de idade videira são também muito diferentes.</p>
<p>Embora Rutherglen tenha algumas das mais antigas plantações australianas de castas portuguesas, apenas têm cerca de 20 anos, o que significa muito tempo a recuperar. Ainda assim, vejo semelhanças varietais, a riqueza no palato, generosidade da fruta e taninos finos e longos do Touriga Nacional, e a maturação e plenitude do Tinta Barroca. Por outro lado, ao contrário do Douro, o Tinta Roriz não é grande em taninos na Austrália &#8211; talvez seja um clone diferente? E o nosso Muscat [Moscatel] é tinto e saiu muito mais maduro do que o branco Moscatel Galego do Douro.</p>
<p>Desde 2004, a Pfeiffer tem, por vezes, co-fermentado diferentes variedades de distitnos blocos de vinhas [em vez de misturar vinhos de variedade única] para obter complexidade e plenitude. No entanto, na minha primeira viagem consigo recordar-me de estar realmente surpresa com o facto de esta ser uma necessidade nas vinhas multi-varietais [variedades misturadas] mais velhas do Douro. Embora tenhamos sempre escolhido com base na maturidade das castas individuais, as vinhas multi-varietais são colhidas como um todo no que toca à maturidade do bloco. Agora percebo que é parte da cultura do Douro olhar para o vinho (não para as uvas individualmente ou componentes varietais), ao avaliar um vinho.</p>
<p><strong>Quão bom é estar de volta a fazer vinho no Vale do Douro, depois de sete anos? O que significa para si fazer Vinho do Porto aqui para sua própria marca?&#8230;</strong></p>
<div id="attachment_5364" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5364" class="wp-image-5364 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Jens_Port.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Jens_Port" width="600" height="400" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Jens_Port.jpg 600w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Jens_Port-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /><p id="caption-attachment-5364" class="wp-caption-text">O Porto da Jen na Quinta dos Murças &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>É maravilhoso. Assim que avistei a primeira vinha pela janela do comboio senti-me em casa &#8211; parte de mim pertence ao Douro e eu sinto que estive longe demasiado tempo. Quando fui embora, em 2007, disse que o meu sonho seria um dia ser dona de uma quinta aqui no Douro e produzir so meus próprios vinhos para vender na Austrália. Embora não tenha feito exactamente isso, ter a oportunidade de trabalhar com uma empresa progressiva como a Quinta dos Murças e fazer meus próprios vinhos aqui para depois vendê-los na Austrália é como um sonho tornado realidade. Estou extremamente entusiasmada por estar realmente a acontecer.</p>
<p>Os meus vinhos são feitos a partir de várias parcelas de Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Amarela e uma pequena quantidade de Touriga Franca, que tenho seguido desde a colheita passando pela fermentação até ao barril. Quando voltar para a Austrália vou degustar regularmente amostras, de modo a monitorizar o progresso dos meus vinhos e, depois de ter completado a vindima em Rutherglen na próxima primavera, vou voltar e provar cada barril e realizar as misturas para engarrafamento.</p>
<p><strong> Conte-nos sobre o projeto Naked Wines e o mercado para os vinhos deste projeto.</strong></p>
<p>O meu projeto surgiu porque a <a href="http://www.nakedwines.com.au/" target="_blank">Naked Wines</a> da Austrália &#8211; o grupo de crowd-funding para os produtores de vinho – convidou os seus membros (que são conhecidos como &#8220;anjos&#8221;) para votarem em um de três projetos do “Australian winemakers’ dream-come-true”. Se um produtor tiver 2.000 votos, o projeto avança. No espaço de três dias, os três projetos tiveram 2000 votos! O meu vinho Porto e Douro dos Murças será vendido on-line na Austrália através da Naked Wines. É muito cedo para dizer se o meu vinho vai ser um Porto Vintage, um Late Bottled Porto Vintage ou um Reserve Ruby.</p>
<p>Uma vez que os outros dois projetos estão na Austrália estou muito agradecida pela atitude “Consegues fazer!” do David Baverstock e da sua equipa na Quinta dos Murças que me ajudaram a transpor aquilo que não passava de um sonho para a realidade e, é claro, aos anjos que acreditaram em mim e me quiseram apoiar. Tenho partilhado a minha aventura aqui com os “anjos” e estou ansiosa por lhes mostrar o meu vinho do Douro e Porto.</p>
<p><strong> Os vinhos, os fortificados e castas portugueses são populares na Austrália?</strong></p>
<p>Acho que as castas portuguesas estão a tornar-se cada vez mais populares na Austrália. À volta de Rutherglen tem havido plantações de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Sousão e Tinta Cão há mais de 20 anos, tanto para o Vintage (Porto) como para vinhos de mesa. Noutras regiões da Austrália, também são estas as castas que estão a subir em popularidade, principalmente a Tinta Roriz (ou Tempranillo como estamos obrigados a chamá-la).</p>
<p>Quem também está a subir em popularidade são os vinhos de mesa portugueses, especialmente vinhos tintos do Douro, Dão e Alentejo. O vinho do Porto é vendido na Austrália há muito tempo, com um foco particular no Vintage e no Tawny. Mesmo o mercado na Austrália não sendo muito grande para vinho do Porto quando comparado com o Reino Unido ou os EUA, continua a ser considerado um estilo de referência do mundo.</p>
<p><strong> É uma coisa boa ou má, a Austrália já não poder utilizar o termo Porto ou Sherry?</strong></p>
<div id="attachment_5365" style="width: 458px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5365" class="wp-image-5365 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Rutherglens-Port.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Rutherglen's Port" width="448" height="336" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Rutherglens-Port.jpg 448w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/11/Blend_All_About_Wine_Jen_Pfeiffer_Im_A_fortified_GIrl_Rutherglens-Port-300x224.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 448px) 100vw, 448px" /><p id="caption-attachment-5365" class="wp-caption-text">Rutherglen tem um Porto! &#8211; Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Durante a maior parte da minha vida, os termos de vinícolas têm vindo a mudar. Lembro-me em criança, de enólogos australianos utilizarem os termos Champagne, Hermitage e Claret. Esses termos já não existem. É apenas uma parte do processo evolutivo.</p>
<p>Em última análise, acho que é uma coisa boa &#8211; Respeito a região e herança dos vinhos do Porto e Sherry. Os enólogos australianos tentaram imitar esses estilos ao longo dos anos, contudo apenas tem servido como complemento aos originais&#8230; mas, naturalmente que estes vinhos agora são novamente únicos. Assim como é importante proteger o património da região de Rutherglen com os nossos Muscats e Topaques, é importante proteger o patrimônio das indústrias do Porto e Sherry.</p>
<p>Embora inicialmente tenha havido uma reação negativa nos media australianos sobre as mudanças de nome, a Pfeiffer Wines viu isso como uma oportunidade para revigorar ambas as categorias. Re-embalamos e re-rotulamos os nossos vinhos com uma abordagem moderna para a nossa marca. Agora, temos a geração de consumidores de vinho X e Y a bater à porta da nossa adega a pedir um Apera, quando nunca teriam pedido um Sherry.</p>
<p><strong>Contactos</strong><br />
167 Distillery Road<br />
Wahgunyah, Victoria, 3687<br />
Australia<br />
Tel: (+61) 260 332 805<br />
Fax: (+61) 260 333 158<br />
Email: <a href="mailto:cellardoor@pfeifferwines.com.au">cellardoor@pfeifferwines.com.au<br />
</a>Site: <a href="https://www.pfeifferwinesrutherglen.com.au/" target="_blank">www.pfeifferwinesrutherglen.com.au</a></p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/jen-pfeiffer-sou-uma-rapariga-de-fortificados/">Jen Pfeiffer: Sou uma rapariga de Fortificados!</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blend-allaboutwine.com/jen-pfeiffer-sou-uma-rapariga-de-fortificados/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Maçanita – Nascido para se destacar</title>
		<link>https://blend-allaboutwine.com/macanita-nascido-para-se-destacar/</link>
					<comments>https://blend-allaboutwine.com/macanita-nascido-para-se-destacar/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Ahmed]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Sep 2014 07:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[News @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos Tranquilo (Vinhos de Mesa)]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blend-allaboutwine.com/macanita-born-to-stand-out-2/</guid>

					<description><![CDATA[<p>exto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> &#124; Tradução Teresa Calisto<br />
O lema na  <a href="http://fitapreta.com/" target="_blank">Fita Preta</a> é “<em>why spend a lifetime trying to blend in, when you were born to stand out</em>.” (porquê passar uma vida a tentar misturar-se, quando nasceu para se destacar). E assim é com os vinhos.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/macanita-nascido-para-se-destacar/">Maçanita – Nascido para se destacar</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> | Tradução Teresa Calisto</p>
<p>O lema na  <a href="http://fitapreta.com/" target="_blank">Fita Preta</a> é “<em>why spend a lifetime trying to blend in, when you were born to stand out</em>.” (porquê passar uma vida a tentar misturar-se, quando nasceu para se destacar). E assim é com os vinhos.</p>
<p>Veja-se a gama  <a href="http://www.sexywines.pt/verify-your-age/" target="_blank">Sexy</a> range &#8211; <em>branding</em> ousado (de mau gosto, alguns poderão dizer) num país que foi descrito como a nação Católica Romana mais socialmente conservadora.</p>
<p>Ou o tema deste <em>post</em>, os excitantes e desafiadores vinhos <em>Signature Series</em>, sobre os quais escrevo de seguida. Maioritariamente monocasta, estes vinhos desafiam directamente a tradição Portuguesa de misturar diferentes castas e, no entanto, noutros aspectos são absolutamente reverentes à tradição.</p>
<p>O homem por detrás da assinatura é António Maçanita, co-fundador da Fita Preta e produtor de vinhos. Perguntei-lhe sobre os desafios de ser diferente, o que aprendeu pelo caminho e o que vem a seguir. Naturalmente, também provei o mais recente lançamento da Fita Preta <em>Signature Series</em> que analiso abaixo.</p>
<div id="attachment_4270" style="width: 513px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4270" class="wp-image-4270 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Winery.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Winery" width="503" height="500" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Winery.jpg 503w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Winery-150x150.jpg 150w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Winery-300x298.jpg 300w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Winery-80x80.jpg 80w" sizes="auto, (max-width: 503px) 100vw, 503px" /><p id="caption-attachment-4270" class="wp-caption-text">António Maçanita at Winery &#8211; Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<h5>A entrevista</h5>
<p><strong><em>Sexy</em></strong><strong> mas não <em>Kiss</em>: o António tem reputação de ser um <em>marketeer</em> astuto, no entanto, com um portfolio de marcas tão diverso – Sexy e os quatro rótulos diferentes Fita Preta – parece que ignorou a mais antiga regra do livro – <em>Keep it simple, stupid </em>(K.I.S.S. – mantém as coisas simples, estúpido)<br />
</strong>Como bem sabe, em Portugal é sempre com um ou dois beijos, depende de quem encontrar. E nós não somos diferentes. O nosso K.I.S.S. é só visto de um ângulo diferente, não “<em>o mercado vai gostar daquilo em que acreditamos</em>”, mas do ponto de vista que aquilo que acreditamos ser bonito, estético, divertido, que vale o esforço, desafiador, esperamos que depois o consumidor goste e partilhe do mesmo entusiasmo. Às vezes é como diz “não é simples”, e nós sabemos disso. Mas mais importante, é autêntico e nós só engarrafamos e rotulamos aquilo que podemos apoiar.</p>
<p>Dito isto, conforme fomos crescendo e lançando novos vinhos, tivemos que tentar organizar a nossa mensagem para o público, o melhor possível. Por exemplo, temos estado a separar a comunicação (<em>website</em> e redes sociais) para a marca Sexy do restante <em>portfolio</em>, porque é uma marca tão forte e um vinho tão vocacionado para festas que precisa do seu próprio mundo.</p>
<p>Finalmente, obrigada pelo elogio “<em>marketeer</em> astuto”. Adorei – para um produtor de vinhos que vem de uma família de professores anti comerciais e que nunca tinha vendido nada na sua vida antes do vinho, nem mesmo as suas velhas pranchas de surf, isso é óptimo.</p>
<p><strong>A importância de um nome: voltando-nos para a marca <em>Signature Series </em>da Fita Preta, não é fácil cortejar o mercado das exportações com castas e regiões de vinho inéditas e impronunciáveis. O que o motivou a criar esta gama e a colocar o seu nome?<br />
</strong>A <em>Signature Series by </em>António Maçanita é onde dei mais espaço a mim próprio para o teste e erro, para sonhar mais alto, para ir fora da caixa. Eu questiono os porque sins e porque nãos. É aqui que eu mudo o Mundo, mesmo que apenas um bocadinho, e assumo responsabilidade por isso.</p>
<p>A minha primeira <em>signature </em>foi <strong>Branco de Tintas</strong> 2008 (um vinho branco a partir de uvas tintas) feito de Trincadeira e Alfrocheiro. Fi-lo durante uma fase em que não havia suficientes uvas brancas no Alentejo para as necessidades do mercado. Então pensei, porquê entrar novamente na loucura de arrancar as tintas e plantar as brancas e porque não fazer brancos com uvas tintas? Fizemo-lo e o vinho foi muito bom. Acabou na lista de melhores vinhos do ano da nossa revista de vinhos local e foi um dos primeiros brancos a partir de tintas em Portugal. Agora há mais de uma mão cheia de produtores que o fazem. Mas o mais engraçado (ou não) é que não foi certificado como vinho Alentejano, porque era um vinho branco feito a partir de uvas de vinho tinto e no entanto, nesse ano, a região permitiu que os produtores usassem 20% de vinho branco de fora da região, sendo, mesmo assim, certificado como Alentejano… veja lá.</p>
<p>A partir daí, fiquei entusiasmado com as “talhas” (ânforas de argila). A ideia surgiu durante uma viagem de avião de regresso, depois de visitar uns amigos na Califórnia que estão a fazer um fantástico <em>Sauvignon Blanc </em>em ovos de cimento.  Disse para mim mesmo, porque não usar as nossas “Talhas” que fazem parte do nosso património – um símbolo do Alentejo? Então quando cheguei, compramos uma “Talha” de 1940 de 1000 litros (a qual pagamos com 300 garrafas de vinho espumante). No entanto, decidimos fazer o processo de vinificação moderno (prensagem de cachos inteiros, fermentação a frio) em vez do tradicional “método Talha” que é com o contacto da pele. O resultado depois da fermentação foi simplesmente impossível de beber – “cera de abelhas” e “químico”. Engarrafamo-lo de qualquer forma dizendo “é o que é” e depois de 6 meses na garrafa, tornou-se incrível. A parte “química” ficou por trás do nariz dando ao vinho camadas do estilo <em>Riesling</em> e a fruta veio para a frente do palato – muito fresco e limpo. Ainda é um dos meus preferidos e um hino à história Alentejana.</p>
<p>A partir daqui o papel da <em>Signature</em> passou a ser o de salvar uma casta quase extinta, “<strong>Terrantez do Pico</strong>”. Está agora em boa forma, a ser replantada por todos os Açores. Também estou a testar outra uva açoriana “<strong>Arinto dos Açores</strong>”, fazendo um “<strong>Branco de Indígenas</strong>” puro (um branco sem fermento inoculado, nem controle de temperatura) e finalmente, trazendo de volta o Castelão.</p>
<div id="attachment_4267" style="width: 763px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4267" class="wp-image-4267 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Talha_Quest.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Talha_Quest" width="753" height="500" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Talha_Quest.jpg 753w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Talha_Quest-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 753px) 100vw, 753px" /><p id="caption-attachment-4267" class="wp-caption-text">António Maçanita com Talha &#8211; Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>A completar um ciclo? Recordar a tradição (seja de castas, do processo vinícola ou do estilo do vinho) é um dos cunhos da <em>Signature Series </em>da Fita Preta. O que aprendeu ao investigar o passado e em que aspectos, se algum, adaptou a tradição aos gostos contemporâneos?<br />
</strong>Enquanto país do velho mundo produtor de vinhos, nós introduzimos muitas novas técnicas – aço inoxidável, fermentos seleccionados, castas estrangeiras, vinhas completamente varietais, vinhos direccionados para o consumidor, etc. Isto levou a uma melhoria geral dos nossos vinhos, tanto tintos como brancos, mas também retirou um pouco da “alma” dos nossos vinhos – o que dava aos vinhos um sentido de lugar quando os provamos. O desafio é complexo. Está entre escolher o que trazer de volta, que pode acrescentar complexidade e tipicidade e que novas técnicas aplicar, mantendo sempre em mente que também somos parte da história.</p>
<p><strong>O Potencial do Pico: </strong><a href="http://thewinedetective.co.uk/blog/portugal/pico-azores-santorini-portugal">eu visitei recentemente os Açores</a><strong> e fiquei surpreendida pela qualidade e carácter distintivo, mineral e salgado dos seus brancos secos, e também ao aprender sobre o Arinto  dos Açores e o Terrantez do Pico, quando pensava que o Verdelho (em estilos mais doces/fortificados) era o pilar principal da produção.<br />
</strong>O potencial dos Açores é incrível. As castas Verdelho (a verdadeira), Arinto dos Açores ou Terrantez do Pico são de um potencial enológico incrível. São minerais e salgadas e, com boa acidez, têm excelente potencial de envelhecimento. O <em>terroir </em>é único, com rocha vulcânica, proximidade ao oceano e tempo frio a moderado. Esta combinação é explosiva para grandes vinhos brancos. E concordo que este novo lote de 2013 mostra precisamente isso.</p>
<p>Acredito também que os vinhos fortificados sérios, que forjaram a reputação do Pico no passado, verão um renascimento. Como as listas e até os menus de banquetes reais mostram, rivalizou com o melhor Madeira em mercados como Reino Unido, Holanda, Estados Unidos e Rússia. Era conhecido em alguns mercados como Pico-Madeira por causa desta semelhança.</p>
<div id="attachment_4265" style="width: 677px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4265" class="wp-image-4265 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Pico_Harvest.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Pico_Harvest" width="667" height="500" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Pico_Harvest.jpg 667w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Pico_Harvest-300x224.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 667px) 100vw, 667px" /><p id="caption-attachment-4265" class="wp-caption-text">Vindima do Pico &#8211; Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>E a seguir?<br />
</strong>Muita coisa! A nossa marca Sexy tem visto um grande crescimento no vinho espumante de “método tradicional” na França e nos Estados Unidos. Para Fitapreta, Palpite e Preta, um quarto das nossas vinhas estão agora em conversão para a certificação orgânica. Nos Açores, estou a trabalhar de perto com outros produtores e com o departamento agrícola, ao mesmo tempo que desenvolvemos o nosso projecto de produção própria nas ilhas. E depois há os meus projectos de consultoria nas Quinta de Sant&#8217;Ana, Cem Reis e Arrepiado Velho entre outros.</p>
<h5>The wines</h5>
<p><strong>Fita Preta Signature Series Branco de Talha by Anónio Maçanita 2012</strong> (Vinho Regional Alentejano)<br />
Talha é uma referência a uma tradição de produção vinícola muito tradicional, que data da presença Romana no Alentejo há muitos anos atrás. Talha significa que o vinho foi fermentado numa ânfora – só uma neste caso – uma ânfora de 1000 litros de 1946. E mantendo a tradição, este vinho fica-se pelas castas brancas clássicas da região &#8211; Roupeiro (70%) e Antão Vaz (30%).  Ou pelo menos estas dominam o vinho onde (invulgarmente) a fruta provém de uma mistura de vinhas de 25-30 anos, das castas locais. Fui surpreendida pela palidez do vinho e pelo seu nariz tenso, até que me apercebi que tinha sido transferido para tanques de aço inoxidável depois de 28 dias (as ânforas são mais porosas que um tanque, o que resulta numa maior oxidação). Então a que sabe este vinho invulgar – um <em>blend </em>das técnicas tradicionais e modernas? É sofisticado, com bastante aldeído o que poderia ser um desastre, mas neste caso é positivo, fazendo um vinho vivo e mercúrico, de uma complexidade e frescura semelhantes ao xerez, com noz fresca, verde. Uma textura almofadada acrescenta à sua sensação de leveza, trazendo ao mesmo tempo peso. Um final longo revela as notas a terra que o atravessam. Muito interesse aqui, um vinho de ying e yang, que afasta e puxa. Gosto da sua energia, complexidade e persistência. 1300 garrafas produzidas. 13.5%</p>
<p><strong>Fita Preta Signature Series Branco de Indígenas by Anónio Maçanita 2010</strong> (Vinho Regional Alentejano)<br />
Branco de Indígenas é uma referência ao facto de que este monocasta Arinto, foi fermentado em barrica (carvalho Francês) com fermentos 100% naturais/indígenas. Com a sua acidez limpa e revigorante, o seu palato cítrico focalizado, penso no Arinto como no <em>Riesling </em>de Portugal. Mas a vinificação traz outra dimensão à uva. Ou mais precisamente, traz uma maior dimensão, alargando o palato, tornando-o menos sumo de citrino, mais casca de limão e, como a casca de limão, tem uma qualidade textural – uma qualidade cremosa que associo aos fermentos naturais, talvez também uma função das borras/agitação das borras? O vinho é mais salgado também, com massa azeda e torrefacção de carvalho (gosto a noz). Pessoalmente gosto de ver um pouco mais de fruta e energia, mas para quem gosta de textura, tem um langor atractivo e sedoso. 800 garrafas produzidas. 12.5%</p>
<div id="attachment_4262" style="width: 901px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4262" class="wp-image-4262 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Monte_Cascas_Valle_Pradinhos.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Monte_Cascas_Valle_Pradinhos" width="891" height="500" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Monte_Cascas_Valle_Pradinhos.jpg 891w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Monte_Cascas_Valle_Pradinhos-300x168.jpg 300w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Monte_Cascas_Valle_Pradinhos-570x320.jpg 570w" sizes="auto, (max-width: 891px) 100vw, 891px" /><p id="caption-attachment-4262" class="wp-caption-text">Branco de Talha, Terrantez do Pico, Dranco de Indígenas &#8211; Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>Fita Preta Signature Series Arinto do Açores 2013</strong> (Vinho Regional Açores)<br />
O Master Sommelier <a href="https://blend-allaboutwine.com/renowned-master-sommelier-joao-pires-shares-some-secrets-but-not-the-big-one/" target="_blank">João Pires</a> seleccionou este branco tenso para uma prova no <a href="http://www.efth.com.pt/en/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=125&amp;Itemid=284" target="_blank">10 Fest Azores</a> &#8211; uma mostra brilhante dos produtos da ilha e do talento dos chefes locais e internacionais. É um exemplo super intenso e revigorante, com um nervosismo fantástico e a textura subtil das borras que associo aos seus vinhos. Firmemente enrolada, a sua fruta “limonada” é disparada com minerais e sal, tão enérgico e picante que correu muito bem com o primeiro prato de cracas polvilhadas com paprika e sapateira com vichyssoise do <em>Head Chef</em> do hotel <em>The Yeatman,</em> <a href="http://www.the-yeatman-hotel.com/en/food/chef/" target="_blank">Ricardo Costa</a>. Tinha o peso e a intensidade para igualar este prato, apesar da sua pronunciada linearidade. 13.5%</p>
<p><strong>Fita Preta Signature Series Terrantez do Pico by Anónio Maçanita 2013</strong> (Vinho Regional Açores)<br />
Palha pálida com noz doce, ligeiramente “axerezado” (aldeído), nariz salgado, um toque de iodo e casca de toranja também, todas estas notas transportadas num palato texturado, encerado e completamente seco, juntamente com notas de maçã castanha/pisada. A acidez relativamente firme traz enfoque e extensão. Menos consensual que o Arinto dos Açores, mas com qualidades que me lembraram o <em>Loire Chenin</em>, mais especificamente o mais muscular <em>Chenins from Anjou</em> (apesar de não ser tão frutado), não lhe falta estrutura nem carácter. Muito bom. 25% deste vinho foi fermentado em barricas de carvalho (presumo que barricas antigas) durante 9 meses com <em>battonage</em> semanal. Produzidas apenas 646 garrafas numeradas – a minha amostra foi a garrafa número 534. Ainda mais raro quando consideramos que estas 646 garrafas são as únicas garrafas de Terrantez do Pico varietal que existem (exceptuando a colheita anterior de Maçanita). E para explicar isto um pouco mais, menos de 100 vinhas desta casta praticamente extinta, existem fora da colecção dos serviços agrários. 13%</p>
<div id="attachment_4269" style="width: 343px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4269" class="wp-image-4269" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Tinto_de_Castelao_2010.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Tinto_de_Castelao_2010" width="333" height="500" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Tinto_de_Castelao_2010.jpg 1133w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Tinto_de_Castelao_2010-199x300.jpg 199w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Antonio_Macanita_Tinto_de_Castelao_2010-682x1024.jpg 682w" sizes="auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px" /><p id="caption-attachment-4269" class="wp-caption-text">Tinto de Castelão &#8211; Foto Cedida por Fita Preta | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>Fita Preta Signature Series Tinto de Castelão by Anónio Maçanita 2010</strong> (Vinho Regional Alentejano)<br />
A casta Castelão pode ter sido colocada no mapa pela marca <a href="http://www.jmf.pt/index.php?id=146">Periquita</a> de José Maria Fonseca, da Península de Setúbal mas, de acordo com Maçanita, Castelão teve origem no Alentejo, onde permanece a terceira casta mais plantada. Tendo em atenção o antigo ditado que Castelão “precisa de tempo”, Maçanita deu à uva isso mesmo – este vinho foi macerado durante 30 dias após a fermentação, estagiou em barrica durante 24 meses e em garrafa durante 20 meses, antes de ser lançado. É um tom de rubi translúcido, com um nariz doce de cinco especiarias e frutas vermelhas de Verão. Na boca é impressionantemente fresco, com um palato de <em>Pinot Noir</em> de cereja vermelha e groselha crocante e precisa, e taninos firmes de fruta picante (tão mais tensos e secos que o carvalho) e uma baforada de charuto. Um final muito longo e persistente, revela notas atractivas e complexas de campari e chocolate de leite. Com tempo no copo e à medida que vai aquecendo, torna-se rico, mais encorpado, mais achocolatado. Pessoalmente servi-lo-ia um pouco fresco para manter a tónica na fruta vermelha e a frescura que tanto admirei. 2636 garrafas, a minha, a garrafa 28.  14%</p>
<p><strong>Contactos</strong><br />
<strong>Office</strong><br />
Instituto Superior de Agronomia, Tapada da Ajuda Nº 84-D.<br />
ED. INOVISA – I.S.A. 1349-017 Lisboa – Portugal<br />
Tel: (+351) 213 147 297, (+351) 213 643 018<br />
Fax: (+351) 918 051 326<br />
Email: info@fitapreta.com<br />
Site: <a href="http://fitapreta.com/wordpress/en/" target="_blank">fitapreta.com</a></p>
<p><strong>Fitapreta Winery:</strong><br />
Herdade de Outeiro de Esquila<br />
7040 – 999 Igrejinha – Arraiolos<br />
Telemóvel 1: (+351) 913 582 547<br />
Telemóvel 2: (+351) 915 880 095<br />
Email: adega@fitapreta.com</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/macanita-nascido-para-se-destacar/">Maçanita – Nascido para se destacar</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blend-allaboutwine.com/macanita-nascido-para-se-destacar/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O X marca o local para Hélder Cunha, o produtor-itinerante-salteador-de-uvas dos “Casca Wines”</title>
		<link>https://blend-allaboutwine.com/o-x-marca-o-local-para-helder-cunha-o-produtor-itinerante-salteador-de-uvas-dos-casca-wines/</link>
					<comments>https://blend-allaboutwine.com/o-x-marca-o-local-para-helder-cunha-o-produtor-itinerante-salteador-de-uvas-dos-casca-wines/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Ahmed]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Sep 2014 07:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[News @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos Tranquilo (Vinhos de Mesa)]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blend-allaboutwine.com/x-marks-the-spot-for-helder-cunha-casca-wines-roving-winemaker-cum-grape-marauder-2/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> &#124; Tradução Teresa Calisto<br />
O produtor Hélder Cunha e o actor José Fidalgo atravessaram Portugal de mota para o programa de TV "<a href="http://www.sptelevisao.com/productiondetail.php?productionid=138" target="_blank">Rotas do Vinho</a>".</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/o-x-marca-o-local-para-helder-cunha-o-produtor-itinerante-salteador-de-uvas-dos-casca-wines/">O X marca o local para Hélder Cunha, o produtor-itinerante-salteador-de-uvas dos “Casca Wines”</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a> | Tradução Teresa Calisto</p>
<p>O produtor Hélder Cunha e o actor José Fidalgo atravessaram Portugal de mota para o programa de TV &#8220;<a href="http://www.sptelevisao.com/productiondetail.php?productionid=138" target="_blank">Rotas do Vinho</a>&#8220;. Rotas estas que, sem vinhas nem adega, Cunha passou a conhecer bem, já que ele faz parte da nova geração de produtores-itinerantes-salteadores-de-uvas de Portugal, cuja missão é muito simplesmente, procurar as melhores uvas, onde quer que elas estejam. Desde que as uvas sejam portuguesas, não interessa se a região está na moda ou não e, por este motivo, eu tiro o chapéu a Cunha.</p>
<p>No <a href="http://www.cascawines.pt/en-gb.aspx" target="_blank">Casca Wines</a>, que co-fundou com o produtor Frederico Gomes, os vinhos são feitos em parceria com agricultores e adegas locais em 10 regiões DOC.</p>
<p>Estou particularmente enamorada das gamas Monte Cascas <em>Single Vineyard</em> e Ícone, especialmente dos peculiares vinhos de Colares e do Tejo, cujas vinhas envelhecidas podem bem ser descritas como relíquias nacionais. Quando lamenta “Portugal deixou que a sua cultura vinícola escapasse por entre os dedos”, o objectivo de Cunha é preservá-la e renovar a tradição única Portuguesa de fazer vinho. Aqui fica o que ele teve a dizer sobre este importante tópico, após o qual encontrarão as minhas notas sobre as gamas Monte Cascas <em>Single Vineyard</em> e Ícone.</p>
<div id="attachment_4183" style="width: 390px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4183" class="wp-image-4183" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Casca_Wines_Hélder_Cunha_2.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Casca_Wines_Hélder_Cunha_2" width="380" height="500" /><p id="caption-attachment-4183" class="wp-caption-text">Hélder Cunha &#8211; Foto cedida por Casca Wines | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<h5>A entrevista</h5>
<p><strong>1. </strong><strong>Os dias de glória de Portugal – a sua Época dos Descobrimentos – já desapareceram há muito. No entanto, apesar de não ter vinhas próprias, o Hélder está a injectar o espírito inquieto de Vasco da Gama no portfólio de várias origens do Monte Cascas. Diga-me porque é que adora fazer-se à estrada.</strong></p>
<p>Voltar aos velhos tempos, redescobrir os tesouros do país. Eu acredito que Portugal ainda é um excelente produtor de vinhos. Temos uma riqueza de variedades e <em>terroirs </em>que é única no mundo dos vinhos. Antes de ter estabelecido o Casca <em>Wines</em>, tinha a ideia de que os vinhos Portugueses ofereciam uma experiência de prova rara. Senti que com uma abordagem moderna à produção tradicional, poderíamos oferecer um novo e requintado paladar ao mundo dos vinhos. Antes do estabelecimento das cooperativas há 60 anos, as vinhas eram plantadas para produzir qualidade e não apenas quantidade. Adoro fazer-me à estrada porque é possível descobrir vinhas anteriores a esses tempos.</p>
<p><strong>2. O X marca o local: O quê são e onde estão, na sua opinião, as melhores uvas do país e porquê?<br />
</strong>Há alguns anos atrás, eu acreditava que a qualidade vinha de uma determinada área/região. Hoje em dia, uma vez que estamos a produzi em 10 DOCs diferentes, eu acredito que a qualidade vem do amor que damos ao nosso trabalho, Os melhores produtores de uvas são aqueles que amam as suas vinhas e isso é fácil de ver e de sentir! O nosso desafio agora é atingir a grandeza em diferentes DOCs.<br />
No entanto, é um facto que é mais fácil cultivar uvas perfeitas em <em>terroirs </em>que tenham um solo neutro ou básico, um clima fresco mas seco, com varietais que tenham mais acidez. Temos que nos lembrar que Portugal é um país quente e que a proximidade ao Atlântico e a altitude ajudam a atingir um maior equilíbrio nas uvas (e nos vinhos).</p>
<p><strong>3. Um produtor Australiano descreveu recentemente, as suas vinhas mais antigas e mais pressionadas como “os velhotes escanzelados” porque, inicialmente, os seus vinhos são pouco encorpados e precisam de tempo em pipa para revelar a sua graça e equabilidade – uma qualidade pouco em voga na nossa sociedade de consumo imediato. O Hélder empenhou-se em procurar os velhotes escanzelados – qual é a atracção para um rapaz novo como você?<br />
</strong>O equilíbrio que uma vinha mais velha pode trazer, ajuda a mostrar o melhor da sua região. Os “velhotes escanzelados” são como os nossos avós a quem a experiência trouxe equilíbrio. Concordo com o produtor Australiano, estes vinhos precisam de tempo para atingir a sua graça, pelo que a única forma de os mostrar nesta sociedade de rápido consumo é partilhando-os, abrindo uma garrafa e explicando a sua origem e o que se espera nos próximos anos. Um dos nossos primeiros clientes privados que valorizou o facto de estarmos a fazer algo especial, acabou de nos escrever a pedir-nos a nossa primeira colheita de Malvasia de Colares, porque ele tem três caixas, mas quer comprar mais para envelhecer.</p>
<div id="attachment_4184" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4184" class="wp-image-4184 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Casca_Wines_Hélder_Cunha_3.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Casca_Wines_Hélder_Cunha_3" width="702" height="500" /><p id="caption-attachment-4184" class="wp-caption-text">Hélder Cunha &#8211; Foto cedida por Casca Wines | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>4. </strong><strong>Compensa trabalhar com os velhotes escanzelados? Veja o Fernão Pires, uma variedade laboriosa que normalmente faz grandes volumes de vinho barato. É difícil desafiar a percepção desta uva mesmo que advenha de vinhas centenárias?<br />
</strong>Sim, muito difícil! Apesar disso, os nossos clientes de exportação que conhecem pouco Fernão Pires, simplesmente não se importaram que a uva fosse usada para vinhos baratos. Olharam apenas à qualidade. Isto ajudou a convencer o público Português e, hoje em dia, o nosso Fernão Pires é conhecido pelos “<em>connoisseurs”.</em></p>
<p><strong>5. É difícil procurar e usar uvas de vinhas tão antigas e veneráveis ou elas são descuidadas, negligenciadas e bastante disponíveis?<br />
</strong>É mais difícil agora do que quando começamos. Estas vinhas são negligenciadas e os fundos da União Europeia para a reestruturação das vinhas, dizimaram muitos dos “tesouros” que existiam. Também o preço das uvas que os agricultores recebem não reflecte a qualidade que se pode obter a partir das vinhas velhas. Por isso um agricultor elimina-as e planta vinhas novas. Portalegre, sem dúvida uma das melhores áreas para produzir um verdadeiro vinho Alentejano, é um bom exemplo. Hoje em dia, é muito difícil encontrar uma vinha muito antiga com uma quantidade viável de uvas porque a maioria foi abandonada quando as cooperativas entraram em declínio.</p>
<p><strong>6. Tem planos para assentar e comprar a sua própria vinha ou será sempre um <em>rolling (terroirista) stone</em>?<br />
</strong>Sim, um dia terei as minhas próprias vinhas, mas isso não quer dizer que deixe de ser um <em>terroirista</em> rolante.</p>
<h5>A prova</h5>
<p><strong>Casca Wines Monte Cascas Colares Malvasia 2011 (Colares)</strong><br />
Malvasia de Colares é exclusivo da região de Colares e não existe muito. As uvas para este vinho, 36 caixas no total, vieram de duas vinhas velhas com mais de 80 anos a dois passos de distância (um quilómetro) do Atlântico, plantadas em – surpresa das surpresas – solo arenoso (chamado Chão de Areia), por cima do mais duro Chão Rijo, composto por calcário acastanhado. É um vinho muito complexo, redondo e texturado, mas fresco, com toques de cogumelo e pântano salgado do bosque no seu palato intensamente pedregoso e mineral. Único. 11,5%</p>
<p><strong>Monte Cascas Vinha da Padilha Fernão Pires 2010 (Tejo DOC)</strong><br />
Fernão Pires é plantada em abundância no Tejo onde, pode dizer-se, a familiaridade desta casta gera desprezo. Mas tal não acontece com este vinho. Provém de uma vinha <em>bush vine </em>excepcionalmente envelhecida (com mais de 100 anos) em Almeirim, localizada em solo de argila aluvial cinzenta. Colhida na quarta semana de Outubro quando as uvas estavam, sem dúvida, super maduras, o resultante vinho envelhecido e dourado é rico e meio seco, com 6.2gr/lt de açúcar residual. No entanto, mantém-se bem equilibrado com uma acidez suavemente ondulada e muito bem integrada com o travo de camomila e caroço de pêssego, marmelo, damasco encerado e pêra seca. Longo e cremosamente sedoso na boca, este é um vinho sensual sobre o qual nos devemos demorar. Foi fermentado em 100% carvalho Francês (barricas antigas) onde estagiou durante 12 meses. Foram produzidas 54 caixas. 12%</p>
<div id="attachment_4185" style="width: 760px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4185" class="wp-image-4185 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Casca_Wines_Hélder_Cunha_4.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Casca_Wines_Hélder_Cunha_4" width="750" height="500" /><p id="caption-attachment-4185" class="wp-caption-text">Transporte de uvas Ramisco para o <strong>Monte Cascas Colares Tinto</strong> &#8211; Foto cedida por Casca Wines | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>Casca Wines Monte Cascas Colares Ramisco 2009 (Colares)<br />
</strong>Ramisco também é exclusiva de Colares, cujos solos arenosos protegeram esta uva tinta da devastação da <em>phylloxera</em>. Atraiçoando as suas raízes de “velhote escanzelado” (provém das mesmas vinhas do Malvasia de Colares), este vinho abriu desde a última vez que o provei em 2012. Um nariz tentador traz-me à mente beterraba e rábano recém-ralado – picante e de fazer estalar os lábios. Mostra o crocante e vívido mirtilo e fruta vermelha – romã, cereja vermelha madura e perfumada e framboesa. Um final persistente revela conotações deliciosas de cogumelo/trufa. Apesar de mais esguio e firme, apelaria aos amantes de <em>Pinot Noir</em>. 11%</p>
<p><strong>Monte Cascas Vinha da Carpanha 2010 (DOC Dão) </strong><br />
Proveniente de uma vinha de baixa produção (2t/ha), com 56 anos de idade, em Penalva do Castelo, a 526 metros em solos graníticos com ardósia e argila, este é um vinho de um roxo profundo e opaco, com 65% Touriga Nacional e 35% Jaen. Especiarias escuras – alcaçuz e cravo-da-Índia – e carvalho mocha ligam-se com bergamota doce, agulhas de pinheiro secas, amora bem definida e cereja. Apesar dos taninos serem finos e do conjunto ser muito elegante, este estilo bem estruturado, escuro e reflexivo precisa de tempo para desfiar e livrar-se do seu carvalho novo, demasiado entusiasta (passou 24 meses em carvalho novo Francês) e para mostrar o seu melhor. Cunha não discordou da minha opinião sobre o carvalho e acredita que para as subsequentes colheitas Dão e Douro mono vinhas, o carvalho está melhor equilibrado. 14.5%</p>
<div id="attachment_4186" style="width: 343px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4186" class="wp-image-4186" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_All_About_Wine_Casca_Wines_Hélder_Cunha_Grapes.jpg" alt="Blend_All_About_Wine_Casca_Wines_Hélder_Cunha_Grapes" width="333" height="500" /><p id="caption-attachment-4186" class="wp-caption-text">Uvas &#8211; Foto cedida por Casca Wines | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>Monte Cascas Vinha do Vale 2009 (DOC Douro)<br />
</strong>Proveniente de uma vinha com 94 anos, de baixa produção (1t/ha), plantada em socalco de pedra, condução tradicional “em taça”, com mais de 20 castas diferentes, a 110m no Vale Torto. As uvas são parcialmente desengaçadas (30%) e esmagadas directamente para um lagar, após a fermentação, o vinho estagiou durante 24 meses em barricas novas de carvalho Francês. Esta colheita quente e muito seca, tem um tom profundo de beringela com um nariz balsâmico bastante avançado com ameixa assada e frutos pretos. Na boca é mais fresco, com uma mineralidade atractiva, amora e groselhas bastante sumarentas, picantes, com notas de eucalipto, pelo que é menos quente no palato que no nariz. Ainda assim, mais avançado do que eu esperaria. 14.5%</p>
<p><strong>Monte Cascas Vinha das Cardosas 2010 (DOC Bairrada)<br />
</strong>De uma vinha de alta densidade e pouca produção (2t/ha), que foi plantada em 1914 nos solos calcários da Cordinhã. Com vinhas Baga de condução tradicional “em taça” e um punhado de Maria Gomes (3%) &amp; Bical (1%), passou por uma fermentação adequadamente tradicional em lagares com 30% de desengace. Um nariz e palato firmes e enrolados, tem um travo de agulhas de pinheiro verde (30% desengace) na sua fruta de ameixa, altamente concentrada, precisa, mas sumarenta, o que significa que limpa o (não tão tradicional) carvalho Francês novo, no qual estagiou durante 24 meses, com facilidade. Um chassis de taninos finos e acidez muito persistente mas bem integrada, apoiam um final longo e tenso. A Baga jovem e austera faria-me aguardar pelo menos uns cinco anos antes de voltar a dar outra olhadela. Muito prometedor. 13%</p>
<p><strong>Contactos<br />
</strong>Casca Wines, Lda.<br />
DNA Cascais &#8211; Ninho de Empresas.<br />
Cruz da Popa<br />
2645 &#8211; 449 Alcabideche &#8211; Cascais, Portugal<br />
Tel.: (+351) 212 414 078<br />
Email: info@cascawines.pt<br />
Site: <a href="http://www.cascawines.pt/" target="_blank">www.cascawines.pt</a><br />
Facebook: <a href="https://www.facebook.com/pages/Casca-Wines/733112350037060?ref=ts&amp;fref=ts" target="_blank">www.facebook.com/pages/Casca-Wines<br />
</a>Facebook: <a href="https://www.facebook.com/monte.cascas?ref=hl" target="_blank">www.facebook.com/monte.cascas</a></p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/o-x-marca-o-local-para-helder-cunha-o-produtor-itinerante-salteador-de-uvas-dos-casca-wines/">O X marca o local para Hélder Cunha, o produtor-itinerante-salteador-de-uvas dos “Casca Wines”</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blend-allaboutwine.com/o-x-marca-o-local-para-helder-cunha-o-produtor-itinerante-salteador-de-uvas-dos-casca-wines/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O famoso Master Sommelier João Pires partilha alguns segredos, mas não o maior!</title>
		<link>https://blend-allaboutwine.com/o-famoso-master-sommelier-joao-pires-partilha-alguns-segredos-mas-nao-o-maior/</link>
					<comments>https://blend-allaboutwine.com/o-famoso-master-sommelier-joao-pires-partilha-alguns-segredos-mas-nao-o-maior/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Ahmed]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Sep 2014 09:29:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[News @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah @pt-pt]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blend-allaboutwine.com/renowned-master-sommelier-joao-pires-shares-some-secrets-but-not-the-big-one-2/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/sarah-ahmed/">Sarah Ahmed</a> &#124; Tradução Teresa Calisto<br />
Filmado em seis países durante dois anos, o documentário americano “<em>Somm</em>” </p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/o-famoso-master-sommelier-joao-pires-partilha-alguns-segredos-mas-nao-o-maior/">O famoso Master Sommelier João Pires partilha alguns segredos, mas não o maior!</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/sarah-ahmed/">Sarah Ahmed</a> | Tradução Teresa Calisto</p>
<p>Filmado em seis países durante dois anos, o documentário americano “<a href="https://www.facebook.com/sommdocfilm/info" target="_blank"><em>Somm</em></a>” segue quatro potenciais <em>Master Sommeliers</em>, na sua tentativa de passar o “altamente intimidante” Exame <em>Master Sommelier</em> e de se juntar à <a href="http://www.courtofmastersommeliers.org/" target="_blank">Corte de <em>Master Sommeliers</em></a> – “uma das organizações mais prestigiadas, secretas e exclusivas do mundo.”.  Membro da Corte dos <em>Master Sommeliers</em> desde 2009, o lisboeta João Pires tem desfrutado de uma ilustre carreira internacional, recentemente no restaurante Londrino com duas estrelas <em>Michelin</em>, “<a href="http://www.dinnerbyheston.com" target="_blank"><em>Dinner by Heston</em></a>”.  De momento em licença de paternidade, encontrei-me com João Pires que reflectiu sobre o que é necessário para chegar ao topo.</p>
<div id="attachment_3790" style="width: 443px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3790" class="wp-image-3790 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/blend_all_about_wineJOAO-PIRES-1.jpg" alt="blend_all_about_wineJOAO-PIRES-1" width="433" height="640" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/blend_all_about_wineJOAO-PIRES-1.jpg 433w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/blend_all_about_wineJOAO-PIRES-1-202x300.jpg 202w" sizes="auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px" /><p id="caption-attachment-3790" class="wp-caption-text">João Pires &#8211; Foto cedida por João Pires | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>1. Já se descreveu o S<em>ommelier</em> como a ligação entre o <em>Chef</em> e o produtor de vinho. Concorda?</strong><br />
Nem por isso! O <em>Sommelier</em> é a ligação entre o produtor de vinho e o convidado.</p>
<p><strong>2. Na sua opinião, quais as qualidades de um grande </strong><strong><em>sommelier</em></strong><strong>? </strong><br />
Um grande <em>sommelier</em> é aquele que compreende que, acima de tudo, é o convidado que importa e não o seu próprio orgulho.<br />
<strong> </strong><br />
<strong>3. E o que faz uma boa lista de vinhos?</strong><br />
Uma boa lista de vinhos é uma lista que vende. Se vende é porque está orientada para o convidado e portanto, o convidado compra. Não é, definitivamente, a lista desenhada para ganhar prémios, embora haja algumas listas vencedoras de prémios que são muito boas. Mas não o contrário!</p>
<p><strong>4. Escolher um vinho pode ser intimidante, especialmente quando a lista de vinhos é enorme. Como podem os comensais tirar o melhor partido de um <em>sommelier</em>?</strong><br />
Fale com o <em>sommelier</em>, desafie-o. Eu já vi listas de vinhos pequenas, directas,das quais mal se pode comprar o que quer que seja, e já vi listas com 1000 entradas ou mais, as quais os convidados conseguem facilmente consultar, desde que bem guiados por um bom <em>sommelier</em>. Não é o tamanho, mas a engenharia da lista de vinhos que conta (e o <em>sommelier</em>, claro).</p>
<p><strong>5. Qual é a sua abordagem à combinação da comida e do vinho?</strong><br />
Perceber o peso da comida, guiar-se pela cor principal do prato, a chave é o balanço da acidez. Perceber a ocasião e respeitar o orçamento do convidado.</p>
<p><strong>6. Já se deparou com um prato que o derrotou na tentativa de encontrar uma combinação satisfatória com um vinho?</strong><br />
Oh sim, muitas vezes e às vezes é quase impossível encontrar o vinho que nós achamos ser a combinação certa. Bom, numa mesa de quatro pessoas há pelo menos quatro combinações de vinho possíveis, certo? E que vinho juntar a uma tábua de 6 queijos que tem desde um queijo de cabra leve a um Cheddar velho ou um queijo azul salgado? E como combinar um jantar Chinês, por exemplo, quando eles partilham tantas comidas diferentes ao mesmo tempo? O mundo do vinho tem que compreender que a combinação da comida e do vinho nem sempre é possível.</p>
<p><strong>7. A combinação da comida e do vinho tem necessariamente que ser um compromisso? Acolhe de bom grado as tendências para haver cada vez mais vinhos ao copo e menus de degustação?</strong><br />
Sim, concordo e o vinho a copo é uma boa solução. Mas se foi pedida uma garrafa, tente recomendar algo “mesmo no meio”, como um Pinot Noir que agrade a todos, se houver um pedido de peixe e carne, por exemplo.<br />
<strong> </strong><br />
<strong>8. Com carta-branca, o que pediria (vinho/comida) como a sua última ceia? </strong><br />
Champagne, mais champagne e porque não ostras frescas perto do mar?</p>
<p><strong>9. Os <em>Chefs</em> mais conhecidos transformaram os jantares luxuosos nos hotéis. O que é mais importante, a cultura do <em>Chef</em> ou a cultura do hotel ou são simbióticas?</strong><br />
São ambas importantes e colidem tantas vezes, não é fácil gerir. Os <em>Chefs</em> são bons “<em>restaurateurs</em>” (donos de restaurantes) e os hotéis gabam-se de ter boas “competências de gestão”.</p>
<p><strong>10. Os hotéis de luxo têm clientes internacionais e o próprio João é bastante viajado, tendo estudado em Paris, trabalhado em salas de restaurantes em Portugal, Toronto e Londres e treinado <em>sommeliers</em> em Macau, Marrocos e nas Filipinas. Que diferenças culturais (internacionais) mais se destacaram para si, em termos de consumo de vinho?</strong><br />
Nunca nos podemos esquecer do que é trabalhar num restaurante de elevado perfil, com três estrelas <em>Michelin</em> em Paris. A pressão e atenção ao detalhe são tais, que é quase loucura. Relativamente ao consumo de vinhos, os vinhos Franceses dominam com a excepção daqueles países onde o vinho faz parte da cultura, como a Itália, Espanha ou Portugal onde as pessoas, compreensivelmente, bebem os vinhos locais.</p>
<div id="attachment_3791" style="width: 485px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3791" class="wp-image-3791 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_all_about_wineJOAO-PIRES-2.jpg" alt="Blend_all_about_wineJOAO-PIRES-2" width="475" height="700" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_all_about_wineJOAO-PIRES-2.jpg 475w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/09/Blend_all_about_wineJOAO-PIRES-2-203x300.jpg 203w" sizes="auto, (max-width: 475px) 100vw, 475px" /><p id="caption-attachment-3791" class="wp-caption-text">João Pires &#8211; Foto cedida por João Pires | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><strong>11. <strong>O crítico americano <a href="https://www.erobertparker.com/entrance.aspx" target="_blank">Robert Parker</a> </strong></strong><strong>protestou recentemente contra uma moda por uvas obscuras nas listas de vinhos. Qual a importância de apresentar aos comensais novas experiências de vinho e quão fácil é persuadir os grandes gastadores a não pedir os previsivelmente prestigiosos?</strong><br />
Quem é o Robert Parker? E qual o significado de “obscuro”? De qualquer modo, o ABC está cada vez mais posto de lado (tudo menos o Chardonnay ou o Cabernet). Porque não persuadir os grandes gastadores com prestigiados vinhos de topo? Nós gerimos um negócio e da minha parte, não há mal nenhum em encomendar e beber um <a href="http://www.romanee-conti.com/#/Accueil" target="_blank">DRC</a> (Domaine de la Romanée-Conti), um <a href="http://www.moueix.com/" target="_blank">Château Pétrus</a> ou um <a href="http://www.salondelamotte.com/" target="_blank">Champagne Salon</a>. É uma pena que eu não o possa fazer regularmente. Apesar de, por outro lado, as castas menos conhecidas e os sabores diferentes a bons preços serem considerações supremas, porque as pessoas têm uma mentalidade mais aberta do que nunca antes, e são entusiastas por sabores diferentes.</p>
<p><strong>12. <strong>O Porto e o Madeira são <em>de rigueur</em> numa lista de vinhos clássica, no entanto, fora de Portugal, os vinhos de mesa Portugueses têm-se debatido por deixar a sua marca. Isto está a começar a mudar. O que precisam os produtores de vinhos Portugueses de fazer para contestar esta conjuntura? </strong></strong><br />
Bom, primeiro, o Porto e o Madeira não são (infelizmente) <em>de rigueur</em> numa lista de vinhos clássica e neste país (Reino Unido) eles não vendem. Mas os vinhos Portugueses não fortificados estão a surgir, devagarinho. Vai demorar até que figurem em listas de vinho de topo, mas as coisas estão a melhorar. Os produtores Portugueses precisam de se juntar (alguns já o estão a fazer e com enorme sucesso).</p>
<p><strong>13. </strong><strong>Que regiões Portuguesas, uvas, estilos de vinho e produtores se destacam para si? </strong><br />
Devo dizer que há bons vinhos por todo o país e melhores do que nunca. Consegue comprar em Portugal, vinhos de boa qualidade entre os 3 e os 10€, o que é extremamente difícil nos supermercados do Reino Unido. Pessoalmente adoro o Douro, o Dão e a Bairrada para os tintos e o Alvarinho para o branco. Mas, dito isto, podemos encontrar excelentes vinhos no Alentejo, Lisboa e noutras regiões.</p>
<p><strong>14. <strong>Tem um currículo invejável. De que feito profissional se sente mais orgulhoso? </strong></strong><br />
Tornar-me um <em>Master Sommelier</em>.</p>
<p><strong>15. <strong>Havendo ainda menos <em>Master Sommeliers</em> do que <em>Masters of Wine</em> (219 versus 313), é notoriamente difícil tornar-se membro da corte dos <em>Master Sommeliers</em>. Por que motivo o recomendaria aos outros? </strong></strong><br />
Não tenho a certeza se o recomendaria. É tão exigente e sacrificamos tantas coisas na nossa vida pessoal que é difícil dizer para avançar por este caminho. Mas apesar disto, aprende-se muito e é muito recompensador.</p>
<p><strong>16. <strong>Que impacto tem para um <em>sommelier</em>, trabalhar num restaurante com uma, duas e três estrelas <em>Michelin</em>?  </strong></strong><br />
Um impacto enorme. Não há nada mais sério que o vinho para as receitas e padrões de serviço elevado. E quanto mais elevada a categoria, mais exigente e mais difícil é. Muito stressante, mas extremamente recompensador (e não estou a falar de salários)!</p>
<p><strong>17. </strong><strong>Que experiência lhe ensinou mais e/ou quem influenciou mais a sua carreira?</strong><br />
O <a href="http://www.sommellerie-internationale.com/en/continental_contests/" target="_blank"><em>European Sommelier Contest</em></a> (Concurso de <em>Sommelier</em> Europeu) em 1994 que naquela altura foi patrocinado pelo <a href="http://www.ruinart.com/" target="_blank">Champagne Ruinart</a>. Eu estava a representar Portugal e foi nesse momento que decidi dedicar a minha vida a sério ao vinho. E o meu primeiro <em>estágio </em>em Paris em 1996 no restaurante com 2 estrelas <em>Michelin</em> “<em>Les Amassadeurs</em>”, <a href="http://www.crillon.com/en/" target="_blank">Hotel <em>Crillon</em></a>. Fiquei boquiaberto com os <em>sommeliers</em> e o <em>sommelier</em> chefe Frederic Lebel.</p>
<p><strong>18. <strong>Como se sente por ter deixado a sala do restaurante? De que tem mais saudades? E de que tem menos saudades?</strong></strong><br />
Eu estou a sentir-me muito bem depois de 25 anos a fazer isso. Devo dizer que não sinto muitas saudades. Do que sinto falta é do exercício diário e, acima de tudo, dos meus convidados.</p>
<p><strong>19. </strong><strong>E a seguir?</strong><br />
Boa pergunta, mas não lhe posso dizer neste momento. Estou a desfrutar da minha pequenina Isabella, a minha bebé de 4 meses. Tenho-me sentido extremamente feliz e abençoado.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/o-famoso-master-sommelier-joao-pires-partilha-alguns-segredos-mas-nao-o-maior/">O famoso Master Sommelier João Pires partilha alguns segredos, mas não o maior!</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blend-allaboutwine.com/o-famoso-master-sommelier-joao-pires-partilha-alguns-segredos-mas-nao-o-maior/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Da escrita ao Vinho: Parte 3 – Os Vinhos de Tiago Teles</title>
		<link>https://blend-allaboutwine.com/da-escrita-ao-vinho-parte-3-os-vinhos-de-tiago-teles/</link>
					<comments>https://blend-allaboutwine.com/da-escrita-ao-vinho-parte-3-os-vinhos-de-tiago-teles/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Ahmed]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2014 09:24:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[News @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah @pt-pt]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blend-allaboutwine.com/from-writing-to-wine-part-3-the-wines-of-tiago-teles-2/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a>  &#124; Tradução Teresa Calisto<br />
Tiago Teles nasceu em Paris e apanhou o bichinho do vinho em França,</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/da-escrita-ao-vinho-parte-3-os-vinhos-de-tiago-teles/">Da escrita ao Vinho: Parte 3 – Os Vinhos de Tiago Teles</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a>  | Tradução Teresa Calisto</p>
<p><a href="http://www.tiago-teles.pt/" target="_blank">Tiago Teles</a> nasceu em Paris e apanhou o bichinho do vinho em França, enquanto estudante de Telecomunicações em Toulouse, através do programa de intercâmbio de estudantes Erasmus (os pais de Tiago regressaram a Portugal quando ele tinha dois anos de idade).<br />
Ao aperceber-se, como diz, “do quão extraordinário pode ser o vinho”, a sua percepção do vinho mudou profundamente. Tendo sido criado com vinhos relativamente simples, como os das propriedades da família dos seus pais de Vinho Verde e Bairrada, Tiago explica que, antes de ir para França, ele via o vinho como nada mais do que algo “naturalmente presente na dieta… algo nutritivo.”</p>
<p>Depois do seu percurso de Erasmus, Tiago regressou a Portugal. As provas na sua loja de vinho local, em Campo de Ourique – “uma velha loja de vinho” – despertaram ainda mais o seu interesse pelos vinhos. Na realidade, não demorou muito até que Tiago aliasse as suas competências técnicas à sua paixão pelo vinho, co-fundando o fórum <i>online</i> sobre vinho, Os5às8.</p>
<div id="attachment_1829" style="width: 703px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1829" class="wp-image-1829 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/08/the-wines-of-tiago-teles1.jpg" alt="the-wines-of-tiago-teles1" width="693" height="450" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/08/the-wines-of-tiago-teles1.jpg 693w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/08/the-wines-of-tiago-teles1-300x194.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 693px) 100vw, 693px" /><p id="caption-attachment-1829" class="wp-caption-text">Tiago Teles &amp; Vinhas &#8211; Foto cedida por Tiago Teles | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Entre 2002 e 2006, Os5às8 permitiu-lhe praticar e consolidar as suas competências como crítico de vinho. Foi também o co-autor de quatro edições de um guia anual de vinho. De seguida, Tiago co-fundou o <i>site</i> NovaCrítica-vinho, para o qual trabalhou como crítico de vinho entre 2007 e 2009 e co-autorou o guia “Portal Portugal Guia de Vinhos Portugueses e Estrangeiros” 2008 e 2009.</p>
<p>Quando ele descreve a prova de vinhos como “uma busca incessante de equilíbrio entre “nós” e a experiência de vida”, seria talvez inevitável que o próximo passo de Tiago fosse produzir o seu próprio vinho. Juntamente com o seu pai, um co investidor, o escritor de vinhos autodidacta/futuro produtor, embarcou numa viagem de descoberta que envolveu visitar vinhas durante vários anos e culminou no Gilda, um vinho tinto. Gilda ganhou o seu nome do barco de madeira retratado no rótulo, que o avô de Tiago construiu e ao qual deu o nome da sua mulher.</p>
<p>Durante estas viagens, diz o Tiago, “nós observamos e provamos inúmeros estilos de vinho e castas”, acrescentando “eu precisava mesmo de amadurecer e me tornar humilde em relação ao vinho, provando muito, observando, libertando-me do desejo humano de controlar e disciplinar a natureza do vinho”, principalmente quando “vinhos sem natureza são os menos inspirados.” Os vinhos de Tiago são feitos com leveduras indígenas, sem enzimas, acidificação, filtragem ou clarificação, para que não se “distorça” o vinho.</p>
<div id="attachment_1830" style="width: 665px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1830" class="wp-image-1830 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/08/the-wines-of-tiago-teles2.jpg" alt="the-wines-of-tiago-teles2" width="655" height="567" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/08/the-wines-of-tiago-teles2.jpg 655w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/08/the-wines-of-tiago-teles2-300x259.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 655px) 100vw, 655px" /><p id="caption-attachment-1830" class="wp-caption-text">Tiago Teles na Adega &#8211; Foto cedida por Tiago Teles | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p><span style="color: #222222;">Claro que é impossível escapar por completo ao desejo de controlar e disciplinar a natureza do vinho, porque os seres humanos dão necessariamente forma ao conceito ou estilo do vinho. Para Tiago e seu pai, o conceito é “produzir bom vinho, com um carácter popular… os vinhos devem ser bebidos por qualquer pessoa” e “transmitir a simplicidade do vinho criado para o seu propósito histórico, que é refrescar e acompanhar refeições a qualquer momento, em qualquer lugar.” “Fazer vinhos caros não é um objectivo,” afirma Tiago; em Portugal, o Gilda é vendido por 9€.</span></p>
<p>Quanto ao que ele quer dizer com “bom vinho”, Tiago define-o como elegante, digestível, vinho puro. Na sua opinião, as castas são menos importantes, na verdade “não relevantes”.</p>
<p>Antes, está convencido que a melhor maneira de expressar a localização é através de álcoois equilibrados e de extracções suaves, “caso contrário, o açúcar irá simplesmente remover a expressão mineral e vegetal.”</p>
<p>É uma afirmação provocadora, quando o seu vinho é produzido numa região que tem vivido alguma controvérsia relativamente a que castas obtêm o selo de garantia oficial e podem usar a indicação de origem Bairrada. Tiago afirma que “a Bairrada é uma região, não uma uva” e mantém que “as castas, independentemente de quais sejam, devem transportar o local” nomeadamente “transmitindo exactamente o calcário e o perfil fresco da Bairrada.”</p>
<div id="attachment_1831" style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1831" class="wp-image-1831 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/08/the-wines-of-tiago-teles3.jpg" alt="the-wines-of-tiago-teles3" width="700" height="463" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/08/the-wines-of-tiago-teles3.jpg 700w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/08/the-wines-of-tiago-teles3-300x198.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /><p id="caption-attachment-1831" class="wp-caption-text">Gilda &#8211; Foto cedida por Tiago Teles | Todos os Direitos Reservados</p></div>
<p>Apesar de ser fã da velha vinha Baga (a casta tinta tradicional da Bairrada), na sua opinião “devido à sua diversidade de solo e influência atlântica, a Bairrada é uma região que tipicamente beneficia de blends e é também apropriada para uvas que amadureçam cedo.” Motivo pelo qual ele está “bastante feliz” com o Merlot que obteve do coração da Bairrada e misturou com Castelão e Tinto Cão para a primeira colheita de Gilda 2012. Diz, “respeitamos as pessoas que plantaram Baga há 80 anos e respeitamos as pessoas que plantaram Merlot há 25 anos. Contextos diferentes, convicções diferentes. Mas certamente, um bom legado para a Bairrada.”</p>
<p>É, portanto, curioso que o Gilda não esteja rotulado Bairrada, mas antes Vinho de Portugal? Tiago admite que, por um lado, tinha medo de desapontar os fãs do estilo robusto, tradicional da Bairrada (Baga). Por outro lado, tinha receio de alienar as pessoas que procurassem o seu estilo preferido (elegante, digestível). No entanto, em 2013 ele terá a coragem das suas convicções e o Gilda (nesta colheita um blend de Merlot, Tinta Barroca e Tinto Cão) será rotulado Bairrada. Estão também em movimento, planos para recuperar uma velha propriedade na região dos Vinhos Verdes, pertencente à mãe de Tiago e fazer um vinho branco. E assim, a viagem</p>
<p><strong>Contactos<br />
</strong>Tiago Teles Vinhos de Portugal<strong><br />
</strong>Campolargo 3780-180 S. Mateus – S. Lourenço do Bairro – Portugal<br />
Email: <a href="mailto:tiagoteles@outlook.pt">tiagoteles@outlook.pt<br />
</a>Site: <a href="http://www.tiago-teles.pt/" target="_blank">www.tiago-teles.pt</a></p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/da-escrita-ao-vinho-parte-3-os-vinhos-de-tiago-teles/">Da escrita ao Vinho: Parte 3 – Os Vinhos de Tiago Teles</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blend-allaboutwine.com/da-escrita-ao-vinho-parte-3-os-vinhos-de-tiago-teles/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Da escrita ao vinho: Parte 2 – Os Vinhos do Sonho Lusitano de Richard Mayson</title>
		<link>https://blend-allaboutwine.com/da-escrita-ao-vinho-parte-2-os-vinhos-do-sonho-lusitano-de-richard-mayson/</link>
					<comments>https://blend-allaboutwine.com/da-escrita-ao-vinho-parte-2-os-vinhos-do-sonho-lusitano-de-richard-mayson/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Ahmed]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Jun 2014 09:38:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[News @pt-pt]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah @pt-pt]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blend-allaboutwine.com/from-writing-to-wine-part-2-the-wines-of-richard-mayson-of-sonho-lusitano-2/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a>  &#124; Tradução Teresa Calisto<br />
Quando se trata de fazer vinho, excluindo o Vinho do Porto, a aliança comercial Anglo-Portuguesa parece andar em torno do nome <i>Richard</i>. Por exemplo, os <a href="http://mouchao.pt/" target="_blank">Richardsons of Mouchão </a> de Sir Cliff Richard da <a href="http://www.winesvidanova.com/" target="_blank">Adega do Cantor.</a></p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/da-escrita-ao-vinho-parte-2-os-vinhos-do-sonho-lusitano-de-richard-mayson/">Da escrita ao vinho: Parte 2 – Os Vinhos do Sonho Lusitano de Richard Mayson</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Texto <a title="Sarah Ahmed" href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/sarah-ahmed/" target="_blank">Sarah Ahmed</a>  | Tradução Teresa Calisto</p>
<p>Quando se trata de fazer vinho, excluindo o Vinho do Porto, a aliança comercial Anglo-Portuguesa parece andar em torno do nome <i>Richard</i>. Por exemplo, os <a href="http://mouchao.pt/" target="_blank">Richardsons of Mouchão </a> de Sir Cliff Richard da <a href="http://www.winesvidanova.com/" target="_blank">Adega do Cantor.</a></p>
<p>O mais recente Britânico a continuar com esta tradição, é o escritor de vinhos <a href="http://www.richardmayson.com/" target="_blank">Richard Mayson</a>, que publicou vários livros sobre os vinhos portugueses do Porto e da Madeira. Não satisfeito com o facto de ter entrado, por casamento, para a famosa família madeirense <i>Blandy</i>, adquiriu a sua própria propriedade, Quinta do Centro, em 2005 na sub-região Alentejana de Portalegre (<a title="Da Escrita ao Vinho: Parte 1 – Os Vinhos de João Afonso" href="https://blend-allaboutwine.com/pt-pt/from-writing-to-wine-part-1-the-wines-of-joao-afonso/" target="_blank">que ligação é esta dos escritores de vinho a Portalegre?!?</a>).</p>
<p>Os vinhos são feitos em parceria com o conhecido enólogo e consultor <a href="http://www.ruireguinga.com/en/" target="_blank">Rui Reguinga</a> com o revelador nome de marca <a href="http://www.richardmayson.com/Quinta_do_Centro_and_Sonho_Lusitano_Vinhos/" target="_blank">Sonho Lusitano (‘Lusitanian Dream’)</a>. Falei com <i>Mayson</i> sobre viver o sonho, neste segundo de três artigos sobre escritores de vinho que fazem vinho em Portugal. A seguir, Tiago Teles.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_3372" style="width: 677px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3372" class="wp-image-3372" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano1.jpg" alt="" width="667" height="500" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano1.jpg 700w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano1-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 667px) 100vw, 667px" /><p id="caption-attachment-3372" class="wp-caption-text">Escultura de Cavalo &#8211; Foto cedida por Richard Mayson | Todos os Direitos Resrvados</p></div>
<p><strong>Como surgiu este interesse por vinho?</strong></p>
<p>Em Portugal: a minha família era fabricante de têxteis e tinha ligações comerciais lá. As férias e as viagens de negócios eram muitas vezes associadas. Os meus pais tinham uma casa em Portugal e apresentaram-me ao vinho era eu ainda muito jovem.</p>
<p><strong>Quando foi mordido pelo bichinho do vinho – quando é que passou a ser um <i>hobby</i> a sério?</strong></p>
<p>O meu primeiro emprego fez-me ficar com o bichinho do vinho. Tinha acabado de sair da escola aos 18 anos e estava a desfrutar de um ano sabático em Portugal, quando arranjei trabalho num restaurante. Os donos tornaram-me responsável pela lista de vinhos, na realidade apenas tinha que me certificar que a adega estava abastecida com os vinhos da lista e fazer as encomendas. Mas lembro-me de ter pensado que este era um tema realmente interessante, e fui até Lisboa para comprar alguns livros sobre vinho, que li na praia nas minhas tardes de folga. Durante os meses de Inverno, comecei a visitar as vinhas e através de alguns contactos profissionais dos meus pais, fui convidado para almoçar com Jorge Ferreira do despachante de vinho do Porto homónimo. Foi no dia 24 de Março de 1980 e lembro-me de ter pensado “isto é que é vida”. O bichinho tinha mordido!</p>
<p><strong>O que o levou a uma carreira na escrita de vinhos?</strong></p>
<p>Quando estava na Universidade, tive que escrever uma dissertação como parte do meu curso. Usando os contactos que tinha feito em Portugal durante o meu ano sabático, passei os meses de Julho e Agosto de 1982 a pesquisar o micro clima das vinhas do Douro. A nossa empresa familiar de têxteis tinha acabado de fazer um grande número de despedimentos na recessão do início dos anos 80 e não havia emprego para mim, pelo que decidi candidatar-me a empregos no comércio de vinhos. Tive a sorte de ter sido acolhido pela <i></i><a href="https://www.thewinesociety.com/" target="_blank">The Wine Society</a>, onde uma das minhas tarefas era escrever, tanto ofertas, como notas de prova, para incluir nas caixas sortidas. Mas sempre tive a ideia de querer escrever um livro sobre vinhos Portugueses e, com a pressão dos compromissos profissionais familiares, quando surgiu a oportunidade em 1989, deixei a <i>Wine Society</i> para me tornar escritor de vinhos freelancer. O livro “<i>Portugal&#8217;s Wines and Wine Makers</i>” (“Vinhos e Vinhas de Portugal”) foi publicado em 1992 pela <i>Ebury Press</i>.</p>
<p><strong> Na sua escrita, que vinhos o inspiraram mais e porquê?</strong></p>
<p>A resposta tem que ser o Douro e especificamente o Vinho do Porto Tawny de 20 anos. Há algo de verdadeiramente mágico e misterioso no equilíbrio melífluo e na postura destes vinhos que não se baseiam apenas num ano ou colheita. Acho que fui inspirado também pelo <i>Sherry</i> (tendo tido uma visita alargada a <i>Jerez</i> por ter ganho a Bolsa <i>Vintner</i> em 1987) e pelo Madeira, tendo visitado a ilha pela primeira vez em 1990.</p>
<p><strong>Na sua escrita, que vinhos o inspiraram menos e porquê?</strong></p>
<p>É um grande desafio responder a essa pergunta, uma vez que me interesso por todos os vinhos. No entanto, sou menos inspirado por algumas das marcas maiores e pelos vinhos mais comerciais vendidos a níveis de preço chave pelos supermercados. Na realidade, acho estas promoções “menos de metade do preço” deprimentes.</p>
<div id="attachment_3374" style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3374" class="wp-image-3374 size-full" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano2.jpg" alt="" width="700" height="525" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano2.jpg 700w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano2-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /><p id="caption-attachment-3374" class="wp-caption-text">Foto cedida por Richard Mayson | Todos os Direitos Resrvados</p></div>
<p><strong>Alguma das duas últimas respostas mudou desde que começou a fazer os seus próprios vinhos?</strong></p>
<p>Não, acho que fazer vinho apenas consolida a nossa opinião. Enquanto produtor de vinho é frustrante ver os consumidores serem enganados com vinhos fracos, por vezes a preços altos e muitas vezes pensamos “Eu consigo fazer muito melhor que isto!”</p>
<p><strong>O que o motivou a fazer o seu próprio vinho? Houve algo em particular?</strong><strong> </strong></p>
<p>Eu sempre tive em mente transformar as minhas palavras em acções. Eu andava a escrever há anos sobre o potencial que Portugal tinha e tem, enquanto país produtor de vinhos e queria ser eu a mostrar isso mesmo. Há alguma satisfação em “passar de caçador furtivo a guarda de caça”.</p>
<p><strong>Dada a sua especialidade ser o Vinho do Porto, o Madeira e os vinhos do Douro, porquê o Alentejo?</strong></p>
<p>Duas razões principais: o Douro é um sítio complicado e, quando finalmente me decidi a avançar, estava cada vez mais superlotado de actores, muitos deles a fazer vinhos excelentes. Para além disso os preços do imobiliário tinham perdido a ligação com a realidade. O meu Alentejo não é um Alentejo qualquer, mas um canto de Portugal que eu tinha debaixo de olho há anos. Primeiro a região de Portalegre é espectacularmente linda e mais parecida com o Norte de Portugal do que com o Sul, com pequenos minifúndios em montanhas de granito e xisto. Tem um <i>terroir</i> fabuloso e eu queria mostrar isso mesmo e colocar este lugar no mapa.</p>
<p><strong>Depois de ter decidido fazer o seu próprio vinho, quanto tempo demorou até ter o seu primeiro vinho?<br />
</strong></p>
<p>Qual o comprimento de um pedaço de fio? Demorou-me bastante tempo a encontrar o sítio certo e nunca se tem a certeza se se vai avançar até se encontrar o sítio certo. Creio que demorou cerca de cinco anos desde começar a procurar a sério até produzir o nosso primeiro vinho em 2005.</p>
<p><strong>Qual era a sua visão para o seu vinho e ela mudou de alguma maneira?<br />
</strong></p>
<p>Quando enveredei por este projecto disse, meio a sério, meio a brincar, que queria ser o “Petrus de Portugal”! Agora percebo que para ser Petrus (ou qualquer outro grande vinho icónico) é necessário ambicionar ser perfeito a todos os níveis. A perfeição vem, não só, a enorme custo, tanto financeiro como emocional, e como resultado, a maioria dos vinhos são um compromisso, moldado para o mercado. Eu acredito que temos as condições naturais na Serra de São Mamede para fazer vinho realmente bom e de qualidade mundial, mas que demora tempo a chegar lá e que o preço que se recebe por todo o nosso trabalho árduo, depende do que o mercado irá aceitar. Comprar uma vinha e fazer e vender os nossos próprios vinhos traz uma forte dose de aspectos práticos ao nosso sonho inicial. Fazê-lo durante uma das mais sérias crises financeiras da história, apenas serve para testar ainda mais o nosso sonho.</p>
<p><strong>Teve desde o início uma ideia sólida sobre quem iria comprar e degustar o seu vinho e isso é importante?</strong></p>
<p>Sim, eu tinha planeado desde o início fazer três vinhos tintos diferentes. Começando com um vinho, Pedra Basta em 2005, chegamos aos três (Duas Pedras e Pedra e Alma) em 2009. Antes de lançarmos o nosso primeiro vinho Pedra Basta em 2007, testamos o mercado para ter a certeza que nos encontrávamos na categoria certa de preço/qualidade, tanto em Portugal como, mais essencialmente, a nível internacional. É também importante encontrar o nome e imagem certos para o nosso vinho. Basicamente conhecíamos o nosso mercado e continuamos a tê-lo como alvo, apesar desse alvo estar em constante movimento.</p>
<div id="attachment_3375" style="width: 385px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3375" class="wp-image-3375" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano3.jpg" alt="" width="375" height="500" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano3.jpg 684w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano3-225x300.jpg 225w" sizes="auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px" /><p id="caption-attachment-3375" class="wp-caption-text">Richard Mayson &#8211; Foto cedida por Richard Mayson | Todos os Direitos Resrvados</p></div>
<p><strong><strong>Quão envolvido está no processo de cultivo da uva, produção do vinho, desenvolvimento da marca/embalagem e marketing?</strong></strong><strong><strong> </strong></strong></p>
<p>No início tentei estar envolvido em todos os níveis, mas com três crianças pequenas em casa e outros trabalhos para fazer, isso não é possível. No entanto, eu gosto de saber o que está a acontecer e tomo as decisões estratégicas nas vinhas, sobre a mistura dos lotes e sem dúvida, sobre o desenvolvimento da marca/embalagem e marketing. Tenho muita sorte em ter uma equipa excelente e de confiança, incluindo o brilhante enólogo Rui Reguinga que é também o meu sócio. Pensamos dentro das mesmas linhas e gostamos dos mesmos tipos de vinhos, o que ajuda!</p>
<p><strong>Tinha alguma experiência na produção de vinhos ou fez alguns estudos em enologia antes de fazer o seu próprio vinho?</strong></p>
<p>Eu passei uma vida no vinho, que incluiu trabalhar num conjunto de casas vinícolas tanto em Portugal como na Austrália, portanto eu sabia no que me estava a meter. Mas se tenho uma formação formal? Não. Eu não confiaria em mim para ser responsável por uma colheita dia a dia, hora a hora, mas eu sei o que se passa.</p>
<p><strong>Tem um mentor ou herói do vinho que o inspire?</strong></p>
<p>Essa é difícil de responder porque eu tenho tantos bons amigos no negócio do vinho cuja influência me contagiou ao longo dos anos. Para nomear apenas alguns, diria Rick Kinzbrunner da <a href="http://www.giaconda.com.au/" target="_blank">Giaconda</a>, em Victoria, Austrália, a família Roquette da <a href="http://www.quintadocrasto.pt/">Quinta do Crasto</a> no Douro e <a href="http://www.niepoort-vinhos.com/en/" target="_blank">Dirk Niepoort</a> que reinventou o negócio da família ao longo dos últimos 25 anos.</p>
<p><strong>De que forma a sua experiência enquanto escritor de vinhos, influenciou o estilo de vinho que faz, a região e/ou as variedades a partir das quais obtém as suas uvas, e como desenvolve a marca e vende os seus vinhos?</strong></p>
<p>Eu diria que ser escritor de vinhos tem tido uma influência a todos os níveis. Enquanto escritor de vinhos vê-se tanto deste mundo; o óptimo, o bom e o mau e o feio. Isto quer dizer que formamos ideias bastante claras sobre o que funciona para nós. Obviamente, em termos de estilo, antes de mais, temos que respeitar o <i>terroir. </i>Eu costumava ser um céptico do <i>terroir</i> mas agora sou um fanático. Obtemos as nossas uvas das minhas vinhas, pelo que os nossos vinhos são específicos do local. As uvas que tenho são, em parte, aquelas que têm um historial de se dar bem na nossa área, mas também aquelas de que gosto e sobre as quais tenho um palpite, como Syrah e Touriga Nacional. Por muito que goste da variedade, nunca plantaria Pinot noir em Portalegre, da mesma forma que não plantaria Syrah em Sheffield! Apesar dos nossos vinhos serem de uma única propriedade, Quinta do Centro, decidi desde cedo, criar a marca dos nossos vinhos de acordo com o <i>terroir </i>local, em vez de seguir o caminho, tantas vezes repetido, da propriedade única. “Pedra” é o nosso tema comum e reflecte a minha crença no nosso <i>terroir </i>predominantemente granítico.</p>
<p><strong><strong>Escrever sobre vinhos dá-lhe uma compreensão do processo, do mercado, etc. mas fazer o seu próprio vinho envolveu algum desafio/dificuldade imprevisto? Se sim, quais são?</strong></strong></p>
<p>Sim, há alturas em que o sonho se transforma em pesadelo, especialmente quando as coisas correm mal no meio da vindima, quando toda a gente está a trabalhar ao máximo e há bastante tensão. Eu passei uma vindima, enterrado até aos joelhos em efluente, quando o sistema de esgotos deixou de funcionar. Não pensamos nestas coisas quando estamos a provar vinho, mas para fazer bom vinho é preciso muita água e ela tem que ir para algum lado.</p>
<div id="attachment_3376" style="width: 385px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3376" class="wp-image-3376" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano4.jpg" alt="" width="375" height="500" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano4.jpg 700w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano4-225x300.jpg 225w" sizes="auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px" /><p id="caption-attachment-3376" class="wp-caption-text">Adega &#8211; Foto cedida por Richard Mayson | Todos os Direitos Resrvados</p></div>
<p><strong><strong><strong><strong>Reciprocamente, fazer o seu próprio vinho ultrapassou as suas expectativas de alguma forma? Há alguns aspectos do processo que considere particularmente agradáveis?</strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></p>
<p>Adoro tudo (com excepção dos esgotos, obviamente) mas acho que promover e vender o nosso vinho me trouxe mais satisfação do que estava à espera.<strong><strong> </strong></strong></p>
<p><strong><strong><strong>Estar envolvido no processo de produção mudou a sua perspectiva sobre o mundo do vinho em alguma forma?</strong><br />
</strong></strong></p>
<p>Sim, eu diria que produzir vinho mudou a maneira como penso sobre praticamente tudo o que tem a ver com vinho. Enquanto escritor de vinho, estamos do lado de quem recebe muita hospitalidade e não vemos com frequência a angústia comercial que faz parte da enologia, a quase todos os níveis. A regulamentação vitivinícola é particularmente frustrante.</p>
<p><strong><strong><strong>Está satisfeito com a sua gama – em termos do próprio vinho (coincide com a sua visão), as vendas e o nível de preço?</strong></strong></strong></p>
<p>Sim, estou muito satisfeito com a nossa gama. Pedra Basta é o nosso vinho principal e vende no Reino Unido por cerca de £12.50, com o Duas Pedras a £8.50 e o Pedra e Alma a cerca de £20. Acredito que todos os nossos vinhos oferecem um bom valor pelo dinheiro e isso é importante. Temos que acreditar nos nossos produtos.</p>
<p><strong><strong><strong>E a seguir (alguns planos para expandir a gama)?</strong></strong></strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></p>
<p>Possivelmente um Pedra Basta branco, possivelmente um rosé. Está sempre sob discussão.<strong><strong> </strong></strong></p>
<p><strong><strong><strong>Qual é a coisa mais excitante que está a acontecer com os vinhos Portugueses hoje em dia?</strong></strong></strong><strong> </strong></p>
<p>Acho que os vinhos brancos provaram e estão a provar que são incrivelmente emocionantes em Portugal. Mais ainda, gosto da reabilitação da uva Baga que está a acontecer.</p>
<p><strong><strong>Vinho é um luxo, não uma necessidade – o que faz com que valha a pena e qual é o valor mínimo que os consumidores devem esperar pagar por um vinho interessante de qualidade?</strong></strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></p>
<p>É a variedade que dá sabor à vida e não há nada mais variado que o vinho, em estilo, carácter, história e embalagem. Veja-se a gama média dos supermercados. Não encontra nada parecido com esta variedade em sumos de laranja ou feijão enlatado! Quanto é que os consumidores devem pagar, depende do mercado, mas no Reino Unido, grande parte do custo do vinho está a ser fixado sob a forma de taxas e despesas gerais. Eu diria que £7.50 seria a regra geral, tendo sempre em conta que quanto mais se paga, mais vinho se obtém pelo dinheiro.</p>
<div id="attachment_3377" style="width: 761px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-3377" class="wp-image-3377" src="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano5.jpg" alt="" width="751" height="500" srcset="https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano5.jpg 700w, https://blend-allaboutwine.com/wp-content/uploads/2014/06/The_Winesof_Richard_Mayson_of_Sonho_Lusitano5-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 751px) 100vw, 751px" /><p id="caption-attachment-3377" class="wp-caption-text">Pedra Basta &#8211; Foto cedida por Richard Mayson | Todos os Direitos Resrvados</p></div>
<p><strong>Há tanta competição por espaço de prateleira – porque é que os retalhistas e os consumidores devem escolher Portugal?</strong></p>
<p>Portugal redescobriu o seu <i>terroir</i> nos últimos vinte anos e é um sítio muito emocionante para se estar. Dentro de Portugal há um espectro enorme de vinhos, tinto, branco e fortificado, mais do que em qualquer outro país de tamanho comparável, atrever-me-ia a dizer. Portugal oferece uma gama de sabores única, a partir de uvas fascinantes, bem como óptima relação custo/benefício. Qualquer pessoa com um interesse genuíno por vinho, deve ter mais que um interesse superficial por Portugal. Pode não ser o país mais fácil de compreender, mas traz recompensas enormes para aqueles que despendam do tempo e do esforço.</p>
<p><strong>E porque deveriam escolher um dos seus vinhos? Qual é a história? </strong><strong> </strong></p>
<p>Pedra Basta 2010. Este é o vinho que sempre quis fazer.Acabamos de lançar a colheita de 2010 e apesar de ter sido um ano bastante difícil, o Rui Reguinga fez um óptimo trabalho e acho que o vinho é o nosso melhor até à data. Nós aliviamos deliberadamente o carvalho, para permitir que a fruta se expressasse mais. O vinho é uma verdadeira reflexão do nosso <i>terroir </i>de montanha, fruta madura combinada com frescura e subtileza. As uvas são Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet com um toque de Cabernet Sauvignon. Não vou encher esta resposta com a prosa púrpura do escritor de vinho, pelo que bastará dizer que eu estou muito, muito orgulhoso dele. Prove-o e veja se concorda.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://blend-allaboutwine.com/da-escrita-ao-vinho-parte-2-os-vinhos-do-sonho-lusitano-de-richard-mayson/">Da escrita ao vinho: Parte 2 – Os Vinhos do Sonho Lusitano de Richard Mayson</a> aparece primeiro em <a href="https://blend-allaboutwine.com">Blend All About Wine</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blend-allaboutwine.com/da-escrita-ao-vinho-parte-2-os-vinhos-do-sonho-lusitano-de-richard-mayson/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
