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Quinta da Pacheca Colheita Branco 2014

Texto João Barbosa

Acontece-me – acontece com toda a malta que escreve sobre vinho – telefonarem-me, por vezes em momentos inconvenientes, para me perguntarem que vinho devem levar para um jantar. Suspiro e por amizade debito uns tantos.

Acontece sempre que estão num supermercado e têm pressa… o tempo esgotou-se em insignificâncias e o vinho é comprado a correr, na primeira porta aberta do caminho. Pergunto-lhes:

– Quando queres comprar um livro também vais a um supermercado?… Ou vais a uma livraria?

Nada a fazer. Vou dizendo marcas – é mais fácil de compreender – e é comum não existirem na loja. Invertem-se os papéis e o amigo debita o conteúdo das prateleiras. Daí escolho um, que nunca é bem aquilo e…

– Epá! Tens esse, aquele e aqueloutro. Apostas seguras, escolhe o que entenderes, estou a meio de (qualquer coisa) e tenho de me despachar.

Nas escolhas cabe frequentemente os vinhos da Quinta da Pacheca. Encontram-se na distribuição moderna, têm qualidade e apresentam preços acessíveis.

Quinta da Pacheca Quinta da Pacheca Colheita Branco 2014 Quinta da Pacheca Colheita Branco 2014 Blend All About Wine Quinta da Pacheca white 2014 Quinta

Quinta da Pacheca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Gosto de vinho há bastante tempo e sou militante assíduo. Hoje é mais fácil encontrar-se um bom vinho do que há 20 anos. Nesse tempo, as marcas eram poucas, os rótulos eram maus e nem só a fronha era má.

Ainda assim, já havia mais do que duas mãos cheias de vinhos de qualidade. Uns feneceram e outros sobreviveram. A Quinta da Pacheca engarrafa já há bués e tantas vezes comprei vinhos desta firma.

Tenho este produtor na memória – no lado bom – por várias razões: por o ter conhecido durante a minha primeira relação afectiva adulta e duradoura, por eu ter o apelido Pacheco e por causa do riesling.

Antes do tempo – comprovou-se – a Quinta da Pacheca produziu monovarietais, nomeadamente da casta riesling. Uma agitação feliz para quem não tinha bolsos para vinhos estrangeiros e queria, como uma esponja (!), absorver conhecimento.

Sou defensor das castas portuguesas, mas nada me choca que se cultivem variedades estrangeiras, desde que não sejam admitidas na certificação de Denominação de Origem Controlada. O riesling da Quinta da Pacheca vem-me à lembrança com regularidade.

Já se percebeu que as castas estrangeiras não produziram mais-valias. Ficam vinhos do Douro com a identidade das castas autóctones. Neste caso, cerceal, malvasia fina, gouveio e moscatel galego.

Quinta da Pacheca Harvest white 2014 Quinta da Pacheca Colheita Branco 2014 Quinta da Pacheca Colheita Branco 2014 Blend All About Wine Quinta da Pacheca white 2014

Quinta da Pacheca Colheia branco 2014 in quintadapacheca.com

Não me recordo da gama da Quinta da Pacheca na década de 90, hoje tem largura. Este Quinta da Pacheca Colheita Branco 2014 é fácil, descomplexado, bem feito. Tem o sotaque do Douro e a aragem de Lamego; é fresco e apresenta-se com uns saudáveis 12,5 graus de álcool.

Penso que tem tudo para agradar a muita gente, nomeadamente o preço – recomendam cinco euros, menos um cêntimo. Não sou toda a gente.

Compreendo a inclusão, no lote, da casta moscatel galego. Dá gulodice e cria facilidade (não é defeito). Porque se costumam beber os brancos demasiado frescos, este açúcar dá «existência» ao que podia desaparecer.

Para mim, que não tenho nem meio litro para vender, a moscatel galego está a mais. Não faz falta para ter a identidade do Douro; não sou fã desta cultivar. Tenho o meu gosto, mas escrevo para o mundo e obrigo-me a sair dos pratos da balança. É um vinho que merece ser comprado e que, certamente, criará hábito.

(Pode também ler a peça que José Silva escreveu anteriormente sobre a Quinta da Pacheca aqui.)

Contactos
Quinta da Pacheca
Cambres – 5100-424 Lamego
Portugal
Tel: (+351) 254 331 229
Fax: (+351) 254 318 380
E-mail: comercial@quintadapacheca.com | enologia@quintadapacheca.com
Website: www.quintadapacheca.com

Peixe + Vinho Branco = Portugal

Texto João Pedro de Carvalho

Portugal é actualmente o país da União Europeia com o maior consumo anual por pessoa de pescado, e o terceiro do mundo, só ultrapassado pela Islândia e pelo Japão. A realidade é que Portugal se pode gabar de ter nas suas águas o melhor pescado do Mundo, este facto tem sido amplamente reconhecido por alguns dos melhores Chefes de Cozinha do Mundo. É dito e sabido que das nossas lotas voam diariamente nobres exemplares para os melhores restaurantes do planeta. No aspecto do consumo é necessário o consumidor ter a consciência de que se tem de contribuir para um consumo sustentável das espécies, em que só assim se poderá manter o equilíbrio das cadeias alimentares marinhas.

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Mar de Portugal – Foto de Ciência Viva | Todos os Direitos Reservados

Ciência Viva lançou um catálogo “As espécies mais populares do mar de Portugal” onde são apresentadas as principais espécies de maior interesse económico de pescado do mar de Portugal que chegam à nossa mesa. No total, foram selecionadas vinte espécies de peixes, três espécies de cefalópodes, três espécies de bivalves e três espécies de crustáceos. Para cada uma das espécies apresentadas descrevem-se resumidamente as principais características morfológicas assim como o habitat, etc. Para todos os interessados está disponível de forma gratuita aqui.

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Peixes do Mar de Portugal – Foto de Ciência Viva | Todos os Direitos Reservados

Ora se no pescado damos cartas, é no campo dos vinhos brancos que começamos a ganhar pontos e sem dúvida alguma que nos dias de hoje Portugal dispõe dos melhores brancos, quer em perfil quer em qualidade, para acompanhar na perfeição o pescado que nos chega à mesa. O Homem pensa com o estômago, facto este que associa a cozinha regional ao tipo de vinho ali produzido, basta pensar que as melhores ligações são produzidas entre cozinha + vinho de determinada região. No vinho branco o salto qualitativo que foi dado nas últimas duas décadas em Portugal tornou tudo isto possível e hoje em dia não haverá melhor ligação com o nosso pescado do que o nosso vinho, o Vinho de Portugal.

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Allo 2014 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Um desses exemplos é o Allo 2014, criado na Quinta de Soalheiro (Vinhos Verdes) e que resulta do lote entre Alvarinho e Loureiro. Enquanto a casta Alvarinho lhe dá toda a estrutura e vigor, a casta Loureiro contribui com toda a parte exuberante, o resultado é um branco viciante com apenas 11% Vol que se bebe de forma tão descontraída que quando damos conta a garrafa já acabou. Um verdadeiro vinho de esplanada, que cheira a Verão, a pedir marisco ou como foi o caso uns Pargos assados no forno, combinando toda a frescura dos aromas e sabores com uma acidez revigorante que limpa por completo o palato e pede sempre mais um trago. Se quiser saber mais sobre a Quinta de Solheiro e os seus vinhos, veja aqui.

Contacts
Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica
Parque das Nações, Alameda dos Oceanos Lote 2.10.01, 1990-223 Lisboa, Portugal
Tel: (+351) 21 898 50 20 / 21 891 71 00
Fax: (+351) 21 898 50 55 / 21 891 71 71
Website: www.cienciaviva.pt

Quinta de Soalheiro
Alvaredo . Melgaço
4960-010 Alvaredo
Tel: (+351) 251 416 769
Fax: (+351) 251 416 771
Email: quinta@soalheiro.com
Website: www.soalheiro.com

A Tradição, a História, a Produção de Vinhos com Arte

Texto José Silva

O Alentejo ainda encerra alguns locais cheios de magia, seja pela beleza da paisagem, pela imensidão das terras a perder de vista, pelos produtos da terra, seja pela história das famílias e das construções. Ali na região de Estremoz existe um local onde todos estes predicados estão bem presentes, a Quinta Dona Maria, datada do século XVIII, que chegou a pertencer a el-rei D.João V.

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Dona Maria, Júlio Bastos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Dona Maria – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O actual proprietário, Júlio Bastos, tem sabido não só manter a beleza e a qualidade das instalações tão cheias de história e dos esplendorosos jardins circundantes, como tem apostado acertadamente na produção de vinhos de grande qualidade, hoje reconhecidos um pouco por todo o mundo como produtos de excelência.

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A Beleza – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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A Qualidade das Instalações – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A partir de uvas muito boas de várias castas, de que se destaca naturalmente o Alicante Bouschet nos tintos, que são trabalhadas numa adega antiga muito bem recuperada, com belos lagares de mármore da região, onde ainda se pisa a pé, ali estagiam vinhos poderosos, cheios de raça mas também muito elegantes, com um perfil muito próprio e grande potencial gastronómico.

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As Vinhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com uma viticultura de rigor, vinhas bem conduzidas, com a característica de não serem regadas, conseguem-se uvas muitos sãs, vindimadas na ocasião certa, escolhidas cuidadosamente, para poderem ser elaborados os vinhos com a chancela Dona Maria.

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Adega – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na visita que fizemos recentemente, fomos recebidos pela enóloga Sandra Gonçalves e pelo proprietário, Júlio Bastos, para um passeio pela adega e toda a sua austeridade mas grande beleza e tentar entender como são trabalhadas as uvas que vão dar aqueles vinhos tão bons.

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Tectos de Madeira – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Os Velhos Depósitos de Cimento – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A adega tem uns fantásticos tectos em madeira, com colunas em abóbada de cerâmica e grossa paredes de pedra, que também albergam os velhos depósitos de cimento, ainda utilizados depois de recuperados.

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As Barricas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Noutro compartimento repousam os vinhos, em inúmeras barricas de carvalho francês e americano, que a seu tempo hão-de ser engarrafados para continuar a estagiar mais alguns meses…ou anos. Depois de esclarecedoras explicações sobre todo o processo produtivo, Júlio Bastos convidou-nos para a sala de provas onde a Sandra Gonçalves preparou uma prova que foi guiada pelos dois, com o Júlio Bastos sempre com o seu característico tom crítico, mesmo em relação aos seus próprios vinhos. Mas também imensamente didático em relação aos vinhos alentejanos em geral, de que é grande conhecedor. Perante nós desfilaram oito vinhos que nos deram grande prazer:

Blend-All-About-Wine-Quinta-Dona-Maria-Dona-Maria-Branco-2014 A Tradição, a História, a Produção de Vinhos com Arte A Tradição, a História, a Produção de Vinhos com Arte Blend All About Wine Quinta Dona Maria Dona Maria Branco 2014

Os Brancos Dona Maria – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

O Dona Maria Branco 2014 mantém o perfil de aromas tropicais, bastante citrino, fresco, com acidez muito equilibrada e óptimo volume de boca. O Amantis branco 2013 com a casta Viognier a brilhar, tinha notas tropicais muito ligeiras e alguma fruta branca e ligeiro toque de fumo, com acidez balanceada a dar-lhe muita elegância.

O Viognier 2013 revelou-se um vinho ainda jovem, a combinar aromas de frutos brancos com algum floral mas muito elegante, com boca volumosa, cheio, acidez intensa mas equilibrada, a dar-lhe belo final. Depois um fantástico Rosé 2013, que se revelou muito equilibrado, com aromas tropicais muito suaves a par duma boca complexa, cheio de frescura, com notas de frutos tropicais, morangos, compota e uma acidez a ligar todo o conjunto, com um grande final.

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Os Tintos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Passados aos tintos, apareceu o Dona Maria Tinto 2012, um lote que apresentou aromas a frutos vermelhos maduros, notas ligeiras de fumo, de amoras. Na boca é vivo, com óptima acidez, frutos vermelhos intensos e um bom volume, um vinho muito equilibrado. O Touriga Nacional 2011 é um tinto que revela bem a qualidade do ano de colheita. Os aromas elegantes de violeta e bergamota, com notas ligeiras de fumo e algumas especiarias contrastam com uma boca cheia, aveludada, com notas de frutos vermelhos e algum chocolate e uma óptima acidez.

Seguiu-se o Amantis Tinto Reserva 2009, um vinho musculado, complexo, com aromas de frutos pretos maduros e alguma frescura. Na boca é volumoso, mantendo a complexidade, notas mentoladas, frutos vermelhos e algumas especiarias, acidez persistente e belo final.

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Quinta do Carmo Garrafeira 1986 – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Para terminar a festa o Júlio Bastos abriu uma garrafa dum clássico da quinta, o Quinta do Carmo Garrafeira 1986, que foi previamente decantado. Apresentava uma cor violácea com laivos acastanhados a denotar a idade, muito elegante, nariz muito suave e aveludado, ainda com alguns frutos vermelhos. Na boca é delicado, macio, taninos deliciosamente suaves, cheio de complexidade, acidez muito equilibrada, persistente, ligeiramente fumado, com final longo, muito longo. Ganha se for aberto umas horas antes e prova que os tintos alentejanos também envelhecem bem.

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A Casa Pricipal – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Cá fora, no imenso terreiro, fomos “esmagados” pela beleza da casa principal, beleza que continua no interior, com várias salas que nos levam quase três séculos atrás. No canto duma delas, numa passagem secreta, parece que ainda vemos D. João V a entrar para uma visita furtiva a D. Maria, a cortesã a quem oferecera esta Quinta do Carmo…

Contactos
Quinta do Carmo 7100-055 Estremoz
Telefone: (+351) 268 339 150
Fax: (+351) 268 339 155
Email: donamaria@donamaria.pt
Website: donamaria.pt

Vinhos Vasques de Carvalho

Texto João Barbosa

Esquecendo a escala cósmica, um século é um sítio longínquo. Nesse tempo o mundo era a preto e branco… é o que se vê nas fotografias. Fora de brincadeira, atingir essa marca é para celebrar.

Não sendo absolutamente extraordinário, a verdade é que poucos humanos podem ou puderam dizer que chegaram ou ultrapassaram a barreira do século. Ainda há dias partiu o cineasta Manoel de Oliveira, aos 105 anos. Quem o conheceu diz que era uma pessoa de grande jovialidade – tal como estes vinhos.

Assim acontece com as empresas ou data de assentamento duma família num território. É na assinatura desse contrato que a história começa a contar. A companhia é jovem, criada em 2000, mas as raízes são seculares. A família Vasques de Carvalho estabeleceu-se em meados do século XIX no Vale do Rodo, onde hoje tem cinco hectares de vinha velha, plantada nos tradicionais em socalcos. Como a grande maioria dos agricultores do Douro, os Vasques de Carvalho vendiam o vinho às firmas de Gaia. Porém…

Porém, houve um ano em que José Vasques de Carvalho, bisavô do actual administrador, não abriu mão da colheita. O lavrador guardou tudo de 1880. É uma jóia, confirmando a visão desse lavrador oitocentista.

Ponto de ordem à mesa! O que já se pode conhecer? Além de Vinho do Porto, a Vasques de Carvalho apresenta uma gama de vinhos com denominação de origem Douro. Comum a todos eles, um perfil aromático muito elegante. Uma vez que as uvas brancas são compradas fora, penso que o desenho é arte do enólogo, Jaime Costa, de reconhecida competência. Todos eles muito frescos e elegantes.

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Oxum branco 2013 in vasquesdecarvalho.com

O Oxum Branco 2013 fez-se com uvas das castas viosinho, gouveio e rabigato. É bom vinho para tema de conversa entre enófilos apaixonados em debater os temas do nariz e da boca. Jaime Costa, que tem galões de general, refere «muito mineral, com notas frutadas de pêssego e citrinos maduros». Penso diferente e em concordância com o parceiro de prova: delicado sem ser frágil, com ramalhete de suave jasmim, flor de laranjeira e uma pitada de limão. A boca, infelizmente, fica aquém dos aromas. Cada qual escolha a sua, entre estas duas e outras hipóteses. Mas… belo vinho.

Ora, o branco foi onde mantive maior divergência quanto ao enólogo, que foi persistente nos Douro. Sinceramente, acho que escrever descritores é aborrecido e duvido que alguém vá comprar 0,75 litros de frutos vermelhos…

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Oxum tinto 2012 in vasquesdecarvalho.com

Oxum Tinto 2012 mantém o apetite. Elegante e prazenteiro, com o Douro dentro e uma elegância acima da média. Acima fica o X Bardos Tinto 2012, robusto como um cavaleiro e de bom trato, com notável fundura de boca.

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X Bardos branco 2012 in vasquesdecarvalho.com

Os Tawnies provados divergem entre si. Ah! A elegância aromática estende-se a estes vinhos. A divergência é que esperava bem mais do Tawny 10 anos. Penso que pode ser melhorado.

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Vasques de Carvalho 10 anos Tawny in vasquesdecarvalho.com

Dez anos não são 40, comparáveis em exercício intelectual. O Vasques de Carvalho 40 anos é um vinhaço. Um vinhaço! Um vinhaço! Um vinhaço!

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Vasques de Carvalho 40 anos Tawny in vasquesdecarvalho.com

Votos de sucesso, pois que produtores deste nível são sempre benvindos – recuso-me a escrever bem-vindos, por falta de lógica. Pois… já me esquecia… a firma porá à venda 750 garrafas do vinho de 1880. Uns milhares de litros do tesouro vão continuar sossegados nos tonéis. Um vinho com «tudo» dentro. Só vendo com nariz e boca.

Contactos
Vasques Carvalho
Av. Dr. Antão de Carvalho n. 43
5050-224 Peso da Régua
Douro, PORTUGAL
Telemóvel: (+351) 915 815 830
Tel: (+351) 254 324  263
Fax: (+351) 254 324 263
E-mail: vasquescarvalho43@gmail.com
Website: vasquesdecarvalho.com

Morgadio da Calçada, de Provesende para o mundo

Texto João Pedro de Carvalho

Na pacatez da pitoresca Vila de Provesende reina um ambiente acolhedor e pleno de tradição. Pela manhã o ar fresco e puro é tomado pelo cheiro a pão cozido que percorre as ruelas e guia-nos a uma visita obrigatória à padaria.

Um dos mais antigos solares daquela vila é a Casa da Calçada, um imponente solar duriense cuja fundação remonta ao séc XVI pertença do Morgado da Calçada, mandado construir no final do século XVII pelo desembargador Jerónimo da Cunha Pimentel, mantendo-se na família até aos dias de hoje.

É Manuel Villas-Boas quem nos abre o portão que dá passagem para um conjunto de antigos edifícios agrícolas, alvos recentes de uma profunda e cuidada reabilitação, que deram origem a uma bonita unidade de enoturismo. No total são oito quartos e piscina, onde o bom gosto se alia à tradição com um ligeiro e necessário toque de modernidade. Se aliarmos tudo isto à arte de bem receber de Manuel Villas-Boas, apenas faltará abordar os belíssimos vinhos que ali são produzidos.

Morgadio da Calçada, de Provesende para o mundo Morgadio da Calçada, de Provesende para o mundo MORGADIO JPC 1

Casa da Calçada – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Na verdade, o vinho sempre fez parte da história daquela casa e a visita à antiga adega apenas o confirma com a presença de imponentes e históricos tonéis de madeira. Os cerca de 4,5 hectares de vinhas moram lado a lado com a casa e reconversão das mesmas teve início no ano de 1980, terminando por volta dos anos 90. A vinha divide-se em três parcelas: a mais velha com mais de 100 anos, uma só de castas brancas de cerca de 2,5 hectares com idade a rondar os 20 anos e outra de castas tintas com idade aproximada de 30 anos. Foi nessa altura que se criou a parceria Casa da Calçada – Niepoort com o surgimento da marca Morgadio da Calçada, sendo todo o processo de vinificação tratado na Quinta de Nápoles (Niepoort). Também aqui os detalhes não foram deixados ao acaso e no desenho dos rótulos surge a assinatura do Arq. Siza Vieira para os vinhos tranquilos e do Arq. Michel Toussaint para os vinhos do Porto. Dirk Niepoort é um confesso admirador das vinhas de Provesende, criando ali vinhos de grande frescura e elegância, para o que muito contribuem os 600 metros de altitude e as grandes amplitudes térmicas. Em prova, nenhum dos vinhos se revelou marcado pela madeira e todos mostraram uma enorme apetência gastronómica.

Morgadio da Calçada, de Provesende para o mundo Morgadio da Calçada, de Provesende para o mundo MORGADIO JPC 2

Morgadio da Calçada Branco 2012, Douro – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Morgadio da Calçada Branco 2012, Douro

Fruto de um grande ano, reina aqui a limpeza e frescura da fruta madura (citrinos, ameixa branca, pera) de grande qualidade. Apenas 60% do lote passou por madeira num conjunto muito novo e cheio de energia, dominado em fundo por austeridade mineral. Prova de boca elegante, fruta presente com harmonia, alguma tosta da madeira com frescura a envolver todo o conjunto.

Morgadio da Calçada Branco Reserva 2010, Douro

Um vinho que cresce com tempo no copo, beneficia se for decantado, a mostrar um requintado bouquet com fruta presente (citrinos, ameixa branca), complexo, elegante e convidativo. Da passagem a 100% por madeira, ganhou algum peso num perfil mais estruturado e profundo, complexo e sério que o irmão mais novo. Na boca, muito boa presença com leve cremosidade, fruta cheia de sabor, num final especiado, mineral e persistente.

Morgadio da Calçada, de Provesende para o mundo Morgadio da Calçada, de Provesende para o mundo MORGADIO JPC 3

Morgadio da Calçada Tinto 2004, Douro – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Morgadio da Calçada Tinto 2011, Douro

Estagiou em barricas usadas, madeira discreta ampara um conjunto dominado pela frescura de fruta vermelha/negra (bagas, framboesa,) gulosa com leve doçura, toque de fumo, cacau. Todo ele elegante, com boa estrutura, palato cheio de frescura e fruta, envolvente a terminar com ligeira secura.

Morgadio da Calçada Tinto 2004, Douro

Foi o primeiro tinto Morgadio da Calçada, simplesmente delicioso, cativa no imediato. A fruta limpa, madura e muito bem definida mostra-se banhada numa capa de leve doçura, envolto em frescura e complexidade, especiarias, esteva, cacau, profundo e conversador. Boca cheia de sabor e frescura, macio no palato, muito requinte, leve traço vegetal e especiaria em final longo e persistente. Muito bom.

Morgadio da Calçada Tinto Reserva 2007, Douro

Da selecção das melhores uvas das vinhas mais velhas nasce o Reserva, sério e complexo, sente-se uma ligeira austeridade tão característica dos tintos do Douro, a pedir tempo de copo. Fruta expressiva (cereja, amoras) com notas de esteva, especiaria, nota de licor, mineral, elegante e macio no palato. Saboroso com rica textura, frescura e profundidade, num tinto de gabarito e classe.

Contactos
Largo da Calçada | Provesende
5060-251 Sabrosa (Portugal)
Tel: (+351) 254 732 218
Telemóvel: (+ 351) 915 347 555
E-mail: mvb@morgadiodacalcada.com
Website: www.morgadiodacalcada.com