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Caiado(s) de fresco

Situada em Campo Maior, fica a Adega Mayor de onde nos chegam estas três referências da marca Caiado, que funcionam como entrada de gama do referido produtor. Apresentaram-se na última colheita (2015) com uma nova roupagem, pelo que se pode dizer que estão caiados de fresco. Disponíveis em tinto, rosé e branco, são vinhos onde a fruta é dona e senhora de todas as atenções. Destaca-se essencialmente a cuidada imagem, mas acima de tudo a qualidade que nos apresentam no copo é digno de realce. Todos eles são frescos, alegres e de perfil bem gastronómico, a pedirem mesa e companhia à sua volta.

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Logo – Foto de João Pedro Carvalho| Todos os Direitos Reservados

O Caiado branco 2015 feito a partir do lote das castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, apenas com passagem por inox o que é algo que em termos de vinificação os mete todos no mesmo patamar. Depois são os aromas frescos e maduros, limpos, de uma fruta muito sumarenta e perfumada. A acidez dá a frescura suficiente para lidar com os mais triviais petiscos que nos surjam à mesa e porque não as Sopas de Cação ou uma Caldeta do Rio, tem estofo para tal e o problema é em conseguir ter garrafas suficientes para todos aqueles que se juntem à nossa mesa.

No interlúdio entre peças, diga-se pratos, abrimos o Caiado Rosé 2015 que é filho das castas Aragonês, Castelão e Touriga Nacional. Mudam os aromas e muda o tom, mudamos pois para os morangos, amoras e ameixa, tudo maduro e com um toque guloso de rebuçado. Picamos uma rodela de chouriço frito, depois mais outra, agora um bocadinho de farinheira sem problemas que o vinho aguenta pois tem frescura suficiente para tal. Damos conta e temos à frente umas Sopas de Tomate com Capelas, este Rosé como bom Alentejano porta-se à altura e quando damos conta no final nem Sopas nem vinho.

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Vinhos– Foto de João Pedro Carvalho| Todos os Direitos Reservados

Aguardamos então, com o Caiado tinto 2015 no copo, pelo próximo prato. Este tinto criado a partir do lote Aragonês, Trincadeira e Alfrocheiro mostra o lado mais morno da planície, sem por isso ter a sua dose de frescura e candura. Afinal de contas as Burras de Porco Preto tinham sido lentamente estufadas, ou direi caiadas, por este tinto. Uma combinação perfeita com o vinho a mostrar ter estrutura e frescura suficientes para a empreitada.

Texto João Pedro de Carvalho

Meruge, o charme da Lavradores de Feitoria.

As mais recentes colheitas do vinho Meruge, branco e tinto, foram recentemente apresentadas na Taberna da Rua das Flores. Esta marca criado pela Lavradores de Feitoria (Douro), teve direito a uma vertical de cinco tintos e cinco brancos, com a respectiva palestra dada pelo enólogo responsável, Paulo Ruão. ‘Meruge’ é um peculiar e “sonante” nome na história da Lavradores de Feitoria, começou por ser o nome de uma das 19 quintas que compõem o portefólio da empresa – Quinta da Meruge, situada no concelho de São João da Pesqueira e que assim se chama porque ali habitam, entre vinhas, muitas ervas silvestres com esta designação (aka morugem) –, mas rapidamente passou da vinha ao vinho! Em 2001 a Lavradores de Feitoria lançava os seus primeiros “vinhos de quinta” e, um deles, era precisamente o ‘Quinta da Meruge’, um tinto de 1999, que se repetiu nas colheitas de 2000 e 2001. Estávamos em 2005 quando a Lavradores de Feitoria lançou o seu primeiro “vinho de terroir”, um tinto da colheita 2003 a envergar precisamente o nome ‘Meruge’. Mais tarde, na vindima de 2009 nascia o ‘Meruge branco’.

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Vinhos Brancos – Foto de Ricardo Bernardo| Todos os Direitos Reservados

Sendo o ‘Meruge branco’ um Douro feito com Viosinho em estreme pode, a certo ponto, assumir-se que a sua história – ou gestação – remonta à vindima de 2007. Neste ano, a equipa técnica da Lavradores de Feitoria identificava um Viosinho de excelência, nascido de vinhedo com mais de 45 anos e que permitia a sua vinificação a solo. Considerada uma das melhores castas autóctones do Douro e Trás-os-Montes deu origem ao ‘Três Bagos Viosinho’, nas colheitas de 2007 e 2008. Um néctar que em 2009 evoluiu – e assim se manteve – para um caminho diferente: ao estagiar em madeira “deu salto” para a gama ‘Meruge’. Um chamado “branco de Inverno” que tem a particularidade de fermentar e estagiar seis meses em barricas de carvalho português, de Palaçoulo, novas e em cru – sem “queima/tosta” –, o que lhe imprime um carácter muito próprio. O desfile começou nos brancos e com cinco referências, desde 2010 ao novíssimo 2015 que será colocado no mercado no início do ano que se aproxima. Notável a frescura e limpeza de aromas que todos mostraram, num fio condutor comum a todos eles, permitindo entender como aromas e sabores iam evoluindo na passada do tempo.

Meruge branco 2015: Desde o mais novo ao mais velho, a barrica onde estagiaram nunca lhes chega a marcar a alma e o corpo, nota-se ligeiramente mas sem os tradicionais fumados, mesmo no exemplar mais recente. É comum a todos eles uma bonita e perfumada complexidade, enorme elegância com muitos aromas de cariz citrino, floral acompanhado de folha verde, ligeiro toque de madeira quase que acetinado no fundo. Na boca faz-se notar uma muito boa frescura que sempre presente, alarga para sabores de fruta bem fresca e ácida, boa estrutura com suporte na acidez e num fundo de sensação mineral. A guardar algumas se entretanto conseguir resistir aos seus encantos.

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Vinhos Tintos – Foto de Ricardo Bernardo| Todos os Direitos Reservados

No que aos tintos diz respeito, a Quinta da Meruge apresenta características muito especiais, principalmente na casta Tinta Roriz, plantada uma vinha de encosta virada a Norte. Um desafio para a equipa de enologia da Lavradores de Feitoria, que na vindima de 2003 encetou uma forma de vinificar distinta, a fim de dar origem a um tinto – de seu nome ‘Meruge’ – com características do Douro, embora mais suave e elegante. O lote – de Tinta Roriz (80%) e Vinhas Velhas (20%), com predominância de Touriga Franca e Touriga Nacional – estagia em barricas novas de carvalho francês.

Meruge tinto 2014 é aquilo a que se pode chamar, vinho de charme, com a Tinta Roriz a brilhar bem alto dando origem neste caso a um vinho de perfil mais Borgonhês. Um belíssimo vinho que como ficou provado, desenvolve uma fina complexidade na passada larga do tempo, não seja de estranhar a maneira como se mostra na fase mais jovem com ligeiro aroma terroso, mato rasteiro, cogumelos e especiaria, dando lugar a uma fruta bem ácida e marcante com chocolate e especiaria. Com muito boa presença na boca deixado pela fruta (cereja ácida) suportada por uma estrutura firme, com frescura, passagem saborosa e marcante. Uma belíssima aposta que irá ganhar com alguns anos de cave.

Texto João Pedro de Carvalho

Adega de Sabrosa, o Douro Cooperativo.

Adega de Sabrosa
Numa pesquisa recente que efectuei pelas Adegas Cooperativas que tenho como referência, faltava-me conhecer uma na região do Douro. Faz falta existir em cada região, pelo menos, uma Adega Cooperativa forte e bem implementada que sirva de referência para os consumidores de vinho nacional. Os exemplos noutras regiões são mais que conhecidos do consumidor, a imagem que algumas destas Adegas conseguiram conquistar deve-se à qualidade dos vinhos que colocam no mercado. Será por isso de fácil entendimento, que uma Cooperativa forte e com boa dinâmica de mercado será sempre benéfico para a região.

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Adega de Sabrosa – Foto da Adega de Sabrosa| Todos os Direitos Reservados

Dito isto, resolvi dar um pequeno passeio pelas várias regiões de Portugal, chegando à conclusão que me faltava uma referência na região do Douro no que a Adega Cooperativa diz respeito. Foi então que me foi apresentada a Adega de Sabrosa, fundada em 1958 por um pequeno grupo de viticultores. Fica localizada no concelho de Sabrosa, na sub-região de Cima Corgo e conta nos dias de hoje com 522 sócios. Reformularam recentemente a sua gama que passou a apresentar-se com a marca Fernão de Magalhães, que presta homenagem a Fernão de Magalhães, navegador português natural do Município de Sabrosa, que se notabilizou por ter organizado a primeira viagem de circum-navegação da Terra. A Adega de Sabrosa comercializa também um Moscatel do Douro e Vinho do Porto no qual sobressai o seu Porto 10 Anos.

A prova focou-se na marca Fernão de Magalhães Branco, Rosé, Tinto e o Reserva da Adega de Sabrosa, a enologia está a cargo da enóloga Celeste Marques. Vinhos que lá por fora têm sido bastante apreciados e ganho várias medalhas. O Fernão de Magalhães Branco da colheita de 2015 é um lote das castas Gouveio, Viosinho, Rabigato e Fernão Pires, com passagem por inox. Bem fresco com a fruta (citrinos, frutos de pomar) a saltar no aroma, muito limpo, directo, envolto em perfume floral. Na boca é comandado por uma boa frescura que embala a fruta de médio porte, num bom final. Sem falhas e mais que pronto a ir à mesa a acompanhar por exemplo um arroz de bacalhau.

O Rosé da colheita de 2015 nasce de um lote de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, passagem por inox. Um rosé bem composto, muita fruta vermelha (morango, framboesa) madura e rechonchuda, boa frescura de conjunto que combina com nota de algum rebuçado em segundo plano. Todo ele muito franco e directo, boca com boa frescura onde a fruta se mostra redonda e roliça, com uma ainda que muito ligeira doçura no final, bom companheiro para uns carapaus fritos com arroz de tomate.

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Os vinhos – Foto da Adega de Sabrosa| Todos os Direitos Reservados

Entrando nos tintos da Adega de Sabrosa, o Fernão de Magalhães 2014 resulta do lote das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Por aqui dá-se lugar à expressão da fruta, pura e limpa, sem grandes entraves pelo meio ou aromas mais disto ou mais daquilo. Cheira e sabe a vinho do Douro, com aquela nota de esteva presente, leve fumado ao mesmo tempo que a fruta vermelha se mostra bem limpa e suculenta. Na boca é a fruta com boa acidez, mostra-se saborosa e acompanhada pelo travo vegetal também aqui a mostrar-se presente, com uma boa secura final. De perfil muito gastronómico, como é apanágio dos vinhos da região, liga bem com carnes na grelha.

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O Reserva – Foto de João Pedro Carvalho| Todos os Direitos Reservados

O Fernão de Magalhães Reserva 2012 é o topo de gama da Adega de Sabrosa, um lote de Touriga Nacional e Tinta Roriz com passagem por madeira. Um pouco mais concentrado que o anterior, complexidade mediana onde a fruta surge mais fresca e com mais presença, a Touriga Nacional em evidência com bom recorte floral (violetas), especiaria e algum arredondamento com ligeiro cacau morno dado pela passagem por barrica. Boca de médio porte, fresco e com a fruta em bom plano, inicialmente mais macio e convidativo, embala num travo vegetal seco. Uma boa surpresa que fará boa companhia a um cabrito assado no forno.

Texto João Pedro de Carvalho

QUINTA DOS FRADES, UM DOURO REQUINTADO

A Quinta dos Frades é uma propriedade de uma beleza incrível, plantada na margem esquerda do rio Douro, na Folgosa.

Pertença duma família aristocrática com grande tradição, ligada a vários sectores de negócios, a actual geração decidiu fazer uma homenagem ao seu fundador, com o lançamento dum vinho a que deram o seu nome: Delfim Ferreira.

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Quinta dos Frades – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foi um homem notável, que investiu em fábricas têxteis e na produção de energia eléctrica, tendo fundado em 1953 a Hidro Eléctrica do Douro, era um homem com visão que criou e deixou um imenso património. Vivia na Casa de Serralves, no Porto, que fazia parte desse património e foi ele que mandou construir o hotel Infante Sagres, também no Porto. Os seus descendentes continuaram a investir em várias áreas de negócio, sendo a dos sabonetes de luxo bem conhecida em todo o mundo, com a marca Ach. Brito.

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A vinha – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

E têm investido também na Quinta dos Frades, que tem vindo a ser remodelada, mas mantendo todo um património arquitectónico fantástico, que a família usa sempre que pode, e que é também utilizado para receber visitas, entre amigos e profissionais.

Muitas das vinhas da quinta ainda são trabalhadas com as “mulas”, em locais onde nem o tractor entra.

Também o extenso olival está muito bem tratado, produzindo azeite excelente para consumo próprio.

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Olival – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Em recente visita, os jornalistas foram recebidos pelo administrador Aquiles de Brito que, juntamente com o enólogo Anselmo Mendes, fizeram uma visita guiada à quinta e alguns dos seus edifícios, á adega e ás vinhas.

O passeio pedestre terminou na Casa de Chá da Quinta dos Frades, mais um dos belos edifícios da quinta, com uma vista sumptuosa, um local de repouso e meditação.

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Casa de chá – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Foram provados alguns vinhos e foi apresentado o novo vinho de homenagem a Delfim Ferreira. E foi servido um delicioso almoço que fez boa companhia aos vinhos durienses: salada de bacalhau, salada de gambas e codorniz de escabeche foram acompanhados pelo Vinha dos Santos Branco 2015, a feijoada de coelho bravo foi acompanhada pelo Quinta dos Frades Grande Reserva 2013 e as carrilhadas de porco bísaro estufadas em vinho da Quinta dos Frades com açorda de penca do Douro foi acompanhada pela novidade, o Homenagem ao Comendador Delfim Ferreira 2011.

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Anselmo Mendes – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Antes disso tinha decorrido a prova de vários vinhos da quinta:

O Quinta dos Frades Vinhas Velhas 2013 apresentou muita elegância, concentração, leve toque floral com fruta vermelha bem madura. No ataque de boca nota-se grande frescura, uma acidez fantástica, taninos secos, bela estrutura e um final médio mas muito saboroso.

O Quinta dos Frades Vinhas Velhas 2011 apresentou-se algo fechado, sedoso e muito elegante. Fresco, seco, apelativo. Volumoso e com grande estrutura, frescura e acidez de mãos dadas, frutos vermelhos bem presentes. Elegante mas poderoso com grande final para um belo vinho.

O Quinta dos Frades Vinhas Velhas 2009 mostra ainda muita fruta no nariz, é sedoso, algo fechado mas muito fresco. Grande acidez, estrutura poderosa, gordo, intenso, taninos ainda bem presentes mas domados. Um vinho austero, com leves notas vegetais, com alguma elegância. Um Douro próximo do tradicional com óptimo final.

E veio o Quinta dos Frades Vinhas Velhas 2008, mais escuro, denotando alguma evolução no nariz, aveludado, sedoso, alguma fruta bem madura e especiarias. Grande volume de boca, muito elegante, seco, muito fresco com acidez muito equilibrada, complexo e com um final fantástico. Um belo vinho que ainda vai evoluir!!

Terminou-se a prova com o vinho mais recente, o Comendador Delfim Ferreira Grande Reserva 2011. Que teve origem nas mesmas vinhas, numa zona com menos Touriga Nacional e Tinta Roriz, e que estagiou em barricas de primeira qualidade. Apresenta-se escuro mas muito elegante, aveludado, floral, bela fruta, muito fino. Intenso, com óptima estrutura, frutos vermelhos intensos, excelente acidez, frescura, taninos bem domados, secos, levemente apimentado, complexo e sedutor. Um grande final num vinho cheio de afectos, um vinho de comemoração.

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Os vinhos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na despedida da Quinta dos Frades, já temos vontade de lá voltar…

Texto José Silva