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Vinho Português – Moda ou Justiça?

Texto João Barbosa

Não parece haver dia em que não surja uma notícia positiva para a gastronomia portuguesa, seja referente a comida ou a vinho – sobretudo à bebida. Perante tal, como me devo sentir como português? Não sei e a razão é porque desconheço se tal acontece por moda ou justiça.

Quem lê dirá:

– Como não sabe? Tem obrigação de saber. Se escreve sobre vinho, tem de saber, obrigatoriamente.

É verdade! Mas há sempre um erro de paralaxe, resultado dos afectos e da memória. A subjectividade que dita que a comida da mãe seja a melhor do mundo ou que a selecção portuguesa mereça, logo desde o primeiro jogo, ganhar o campeonato de futebol.

Não sou um fanático, mas tenho em Portugal as raízes. É claro que penso que o destaque que o país está a ter na gastronomia tem mais de justiça do que de moda. Há certamente erro de avaliação, embora espero que reduzido.

Estar na moda é bom! Ajuda ao ânimo, puxa auto-estima para cima, dá notoriedade. Contudo, é passageira. Se alguma coisa está sempre na moda é porque não se trata de moda, mas de qualidade em abundância.

A moda é conjuntural e a qualidade estrutural. Por isso, quem está bafejado pelo reconhecimento só tem de insistir na procura da qualidade e na diferenciação. Desse modo irá ganhar valor.

É por isso que não gosto da sentença de que algo tem uma boa relação entre o preço e a qualidade. Não vejo que tal seja elogioso, embora a generalidade das pessoas considere que significa boa oportunidade ou justiça.

Pagar um hectolitro com dez cêntimos é uma boa relação entre a qualidade e o preço? É! É porque, independentemente da qualidade, quem conseguir aproveitar vai ganhar dinheiro. Mas isso não significa que o vinho tenha qualidade… claro que não, mas o postulado não é esse, mas o de um suposto equilíbrio entre uma coisa e outra.

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Wine in tasteportugal-london.com

Quero que o vinho português ganhe a reputação do francês ou do italiano – só para citar dois casos. Produzir bem está ao alcance de quem se empenhe e barato de quem consegue trabalhadores aflitos.

Obviamente que caro não significa qualidade. Acresce que ninguém gosta de se sentir estúpido, pelo que pagar 50 euros por 0,75 litro de zurrapa será episódio único. A justiça está no ponto em que um produto é vendido a preço idêntico ao de outro com qualidade comparável.

Ter uma «boa relação entre a qualidade e o preço» pode ajudar no início e aliviar a pressão sobre a tesouraria. A médio prazo torna-se injusta. Se ainda não convenci o leitor, penso ter o argumento derradeiro:

Portugal factura mais com hortofrutícolas do que com vinho. Isto significa que o valor-acrescentado não é pago com justiça. Generalizando e partindo do princípio que o custo da terra é comparável e que os factores de produção estão equiparáveis, mais vale fazer couves do que vinho. Não há encargos com enologia nem com armazenamento mais longo e empate de capital é muito menor.

Voltando ao início, o vinho português tem sido reconhecido e de modo variado. De todas as notícias, valorizo aquelas que não versam o factor preço. Reporto-me às avaliações da crítica, com pontuação qualitativa apenas, ou a vitórias em concursos de prestígio.

Dir-se-á que os grandes vinhos, aqueles que custam quase o mesmo que um pequeno automóvel citadino, não vão a concurso, pelo que as vitórias são relativas. Claro, quem tem a perder não vai a jogo. Compete a quem chega mostrar merecimento. Os jovens cavaleiros desafiam os grandes senhores.

Diz-se que «quem canta, seus males espanta», mas a música tem sido madrasta para os portugueses. Em 48 edições do Eurofestival da Canção, em que Portugal falhou apenas quatro edições, nunca músicos portugueses conseguiram ir além do sexto lugar – Lúcia Moniz, em 1996, com «O meu coração não tem cor».

A culpa foi da ditadura, mas a jovem democracia não foi premiada. Porque Portugal compra poucos programas de televisão, mas outros pequenos países compram o mesmo e venceram. Porque a língua portuguesa é difícil, mas o Brasil é uma superpotência musical… quase qualquer coisa serve para justificar os desaires.

Enquanto a música portuguesa não ganha o Eurofestival da Canção e a literatura lusófona não alcança o mais do que justo segundo Prémio Nobel, o vinho vai dando alento, consolando mágoas.

Que venha o reconhecimento duradoiro. E estou quase certo que, quando os vitivinicultores portugueses conseguirem solidificar a reputação, a gastronomia de comer (já vão surgindo sinais) vai tornar-se «obrigatória», o que levará os críticos do livro vermelho – não o do Maoísmo, mas o dos pneus – a afixar estrelas em casas que as merecem há muitos anos.

Até no vinho

Texto João Barbosa

Bom dia, nunca gostei de usar um espaço de escrita de assunto concreto para escrever acerca da profissão – tal como não gosto de poemas de teorização acerca da poesia e do «mundo» dos poetas. Faço-o agora, porque neste caso tem relevância para o leitor.

A razão do tema, que não versa directamente o vinho e a gastronomia, é para alertar ao bom-senso do leitor. Nem tudo o que está nos livros é verdade, tal como nos jornais ou nos blogues.

A internet não matou nem vai matar a imprensa em papel, que está a ser testada pela Lei de Darwin: o mundo não é dos mais fortes nem dos mais inteligentes, mas dos que melhor se adaptam às transformações da natureza. Não vejo nenhum mal em si mesmo, mas a relação entre jornalistas e bloguistas ou críticos de sites na internet não é pacífica: angústias, sentimento de traição, de perda de «privilégio» (perda ou diluição de influência). Do outro lado, angústia, sentimento de menorização, incorrecta procura de conquistar o que não é seu, pois jornalismo e bloguismo não são bem a mesma coisa.

Não vou tentar esmiuçar pontos de vista, apenas que reconheço vantagens em ambas e que são compatíveis. A internet deu voz ao cidadão, que anteriormente só se manifestava por carta ao director da publicação.

O universo todo por explorar, a liberdade da humanidade. Porém, nem sempre a responsabilidade acompanha, como deve sempre, a liberdade. Por isso, na troca de beijinhos entre jornalistas e bloguistas vem a questão da idoneidade, da equidistância, da competência, da natação em mares de perigosa proximidade com interesses privados.

Estou muito à vontade nisto, pois sou simultaneamente jornalistas (26 anos) e bloguista (10 anos) e escritor de vinho (um ano) – sendo este último filho dos anteriores. O que me faz escrever agora foi uma crítica no poderoso The Times acerca dos Açores, particularmente da transportadora aérea SATA. Fiquei feliz porque encontrei o substrato da base do debate e por não ser comida e bebida.

Os bloguistas são, em todo o mundo, frequentemente vistos com desconfiança: quem são? Respondem a quem? Quem os «policia» editorialmente? Que códigos de ética e deontologia seguem?

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Máquina de escrever

É verdade que X% não sabe do que escreve, tem horror a estudar, sabe tudo e, nem que seja involuntariamente, premeia os bens que lhe enviam para comentar… «digo bem, pois assim garanto que me vão continuar a mandar KYXZ para pedir opinião. Tenho do que gosto e grátis e ainda dou sentenças».

Mas também é verdade que o mesmo se passa com X% de jornalistas e críticos (de meios «convencionais»). Em 26 anos de jornalismo conheci críticos de gastronomia, automóveis, cinema… até de tourada. Nem todos sabiam/sabem do que estavam/estão a escrever. Um dia quis confirmar que Fulano era um bluff e todo o seu conhecimento tinha a consistência de claras batidas em castelo. Fiz-lhe duas perguntas muito básicas e às quais não soube responder – perguntas tão elementares que eu, que do assunto percebo quase nada, sabia, como mais gente o sabe e não exerce esse ofício.

Não se tratava de crítico de comida ou de vinho. Como conheço bloguistas de várias temáticas que abastecem o ego através dos seus blogues.

Onde entra o The Times? Não há vencedores absolutos, mas o The Times é um dos mais influentes e credíveis jornais do mundo, como o The New York Times, The Washington Post, Le Monde, The Financial Times, The Wall Street Journal, etc.

Num texto de crítica acerca de viagens, o crítico sentenciou que a SATA (Serviço Açoriano de Transporte Aéreo) é a pior companhia aérea do mundo. Dá-me igual, não tenho nacionalismo no transporte aéreo nem voei alguma vez nesta transportadora.

Perante esta afirmação, devo deduzir que o crítico (jornalista) já voou em todas as companhias aéreas e o faz com regularidade para sustentar a afirmação. Calma! Não é esse «saber absoluto», afirmação peremptória e inequívoca, um dos pontos em que os bloguistas são mais atacados?

Ainda antes de a internet estar generalizada, um jornalista espanhol, do insuspeito El País (Espanha), veio a Portugal fazer uma reportagem pelo país. O senhor descobriu que, em plena década de 90 (século XX), o transporte de tracção animal era muitíssimo comum, tal como viajar a cavalo, de burro ou de mula.

Espanha fica ao lado e milhões de espanhóis conheciam Portugal. O ridículo com que quis achincalhar o país e os portugueses tombou todo sobre ele – creio que perdeu o emprego devido a essa reportagem ao século XIX.

Repito o segundo parágrafo:

– A razão do tema, que não versa directamente o vinho e a gastronomia, é para alertar ao bom-senso do leitor. Nem tudo o que está nos livros é verdade, tal como nos jornais ou nos blogues.

Um dia circulou um vídeo no Facebook que mostrava uma cena curiosa, que deixou muita gente a acreditar ou na dúvida. Um amigo, montador de cinema, resumiu o assuntou genialmente:

– Também vi o dedo do ET acender uma luz.

Cuidado com as imitações e com as certezas. Esperem aí, deixem-se ficar, que já volto a escrever sobre vinho.

Nota final: Embora não tenha sido para ganhar ofertas (felizmente nunca precisei de esmolas ou presentes), escrevi e sentenciei acerca dum tema para o qual não estava preparado: comida, restaurantes. Tomei consciência e deixei-me disso. Todos os textos foram retirados. Escrevo quando a insistência no convite torna falta de educação não aceitar – e tudo preto no branco. Aconteceu/acontece no âmbito do meu blogue, onde assumo que toda a escrita é pessoal e baseada no gosto. Sou crítico amador no blogue e cronista fora dele. Não sou nem quero ser crítico profissional, quero contar estórias.

Destaques: Verão em Portugal

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Este ano, eu e a minha família decidimos passar as férias de Verão em Portugal. Normalmente é um período que prefiro passar na Finlândia, mas o tempo varia muito e tanto podemos ter sorte como azar. Então fizemos as malas e apanhamos o literalmente o primeiro voo a sair do Aeroporto de Helsínquia, que por acaso é único voo directo para Portugal.

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Voo matinal para Lisboa – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O nosso voo de Lisboa para o Porto foi cancelado, como de costume, e de repente tínhamos 6 horas para matar. Quanto a vocês não sei, mas eu nunca na vida iria passar 6 horas no aeroporto sozinho quanto mais com um miúdo de 3 anos. Em vez disso apanhamos um táxi e fomos até ao Oceanário de Lisboa. Pesquisei no Google Maps, vi que não era muito longe do aeroporto e pensei que seria algo que o meu filho iria gostar. BINGO! Chegamos de manhã, mesmo quando estava a abrir, evitando filas de espera. O meu filho estava tão entusiasmado quanto eu. Em Helsínquia não temos um oceanário em condições, por isso foi uma bela experiência.

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Oceanário de Lisboa – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quando finalmente chegamos ao Porto fizemos uma visita rápida à adega da Ramos Pinto. Nunca tinha visitado a adega deles em Vila Nova de Gaia, e como tal estava na minha lista. São uma casa com uma história interessante, especialmente no que toca a marca/marketing. Além disso os vinhos deles também são espectaculares.

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Adega da Ramos Pinto em Vila Nova de Gaia – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

E depois comida. E logo um prato must try no Porto, “Amêijoas à Bulhão Pato”. Fantásticas amêijoas em molho de alho e azeite. Apetece passar o dia a molhar o pão naquele molho. Junte um copo de Vinho Verde na mão e asseguro-lhe meu amigo, será uma pessoa feliz.

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Amêijoas à Bulhão Pato – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Uma das razões que pelas quais optamos por visitar Portugal em pleno Verão foi o São João no Porto. O festival do São João, particularmente na cidade do Porto, é conhecido em todo o mundo. Nunca o experienciei pessoalmente, mas digamos que tem a sua reputação. Pessoas a grelhar sardinhas em todas as esquinas, cerveja literalmetne a correr pelas ruas e todo o tipo de festas e concertos a acontecerem ao mesmo tempo. Tal como depois expliquei a um amigo finlandês, é como se combinássemos a véspera de passagem de ano, o 1º de Maio e a Finlândia tivesse ganho a medalha de ouro de hóquei no gelo. Sim, é louco. Mas, obviamente, igualmente divertido.

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Costeleta – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois de um dia de excesso de sardinhas, fomos jantar ao restaurante Vinum no Graham’s lodge. Em parte pela comida mas claramente também pela vista. O restaurante tem um vista perfeita sobre a ponte Dom Luís I. Comemos sardinhas, claro, mas aquele bife… Uma costeleta espectacularmente cozinhada. Delicioso! Depois de nos termos empanturrado com boa comida era quase meia noite. Era assim que todos os jantares deviam acabar, com fogo de artifício sobre a ponte Dom Luís I. Depois voltamos para a Ribeira e fomos literalmente martelados. A tradição no S. João é as pessoas terem martelos barulhentos, de plástico, e martelarem na cabeça das outras pessoas que passam. E claro, as flores de alho. O raio das flores de alho. Enquanto nos dirigíamos  para a ponte, para atravessarmos para o Porto, reparamos que a ponte estava fechada. Esperamos à volta de 45min. no meio da multidão, excesso de cerveja e uma manada de “marteladores”, ao mesmo tempo que os nossos narizes eram confrontados com flores de alho. E deixem-me dizer que foram uns longos 45min. Foi um pouco assustador quando a polícia finalmente começou a deixar passar as pessoas. A ponte estava a abanar devido à quantidade de pessoas em cima da ponte. Por momentos pensei que a ponte fosse cair mas, felizmente, não.

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Fogo de artifício sobre a ponte Dom Luís I – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

No dia seguinte alugamos um carro e fomos em diecção ao Vinho Verde para algum descanso e recuperação na Quinta de Covela. Dias solarengos a ensinar o meu filho a nadar, passear nas vinhas e a desfrutar de um saboroso Avesso. Perfeito!

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Quinta da Covela – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Já que a minha família lá estava quis mostrar-lhes o Douro. Viajar pelas estradas estreitas foi um pouco assustador para a minha mãe, mas valeu bem a pena. Quem já tenha experienciado a beleza do Douro não se importa de passar um par de horas no carro a agarrar-se ao banco. Paramos para almoçar na Quinta de Nápoles da Nieeport e provamos alguns vinhos.

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Prova na Quinta de Nápoles – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O meu filho gosta especialmente de visitar as salas dos barris. Está realmente interessado nos grandes barris de vinho e chama-lhes gigantes. Deixamos o Douro em direcção ao Porto com um grande sorriso na cara. Estava muito feliz por a minha família ter gostado tanto de Portugal quanto eu gosto. Como poderiam não gostar? Boa comida, bons vinhos, pessoas afáveis e bom tempo. É tudo o que nós finlandeses precisamos.

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Percebes – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Era o último dia da nossa viagem e tivemos que devolver o carro alugado. Mas não antes de fazermos uma paragem em Matosinhos para comermos uns deliciosos percebes. O último sabor de Portugal; o fresco mar salgado e o vinho mantinham-se na minha boca quando o nosso avião levantou. Que grande viagem!

A grandiosidade do Alentejo

Texto João Pedro de Carvalho

Este texto não é mais do que uma opinião muito pessoal sobre a terra e a região que me viu nascer, o Alentejo. É por ali que gosto de andar, que gosto de matar a dita saudade dos cheiros e sabores que me marcaram a memória desde a minha tenra infância. É o chamamento da terra mãe, o chamamento da família que pelas tropelias da vida ficou lá longe e tão distante que não a posso abraçar sempre que quero.

O meu destino foi igual ao de tantas outras gerações nascidas no Alentejo, uma terra pobre que sempre viveu do suor do trabalho das suas gentes. O tal destino de ir para a cidade à procura de uma vida melhor, no meu caso vim estudar para Lisboa que fica a 200km da minha terra natal Vila Viçosa e por aqui fiquei. Como pano de fundo sempre procurei ter o campo, aquele campo que ora verde ora dourado foi e continua a ser chão que dá alimento e condimento a todas as suas gerações.

Foi dessa mesma necessidade que nasceu uma gastronomia rica em aromas que sempre soube captar o melhor que cada uma das influências das várias civilizações que por lá foram passando. Essa mesma gastronomia que de tão rica e única faz as delícias de tantos nos dias de hoje, foi a mesma que nas difíceis horas servia de sustento aos que com poucos recursos faziam muito, aos que sem saber a foram criando, convivendo por vezes lado a lado com a luxuriosa Doçaria Conventual das várias ordens religiosas que se foram instalando nos muitos Conventos da região.

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Alentejo – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Mas será de vinho que interessa falar, de uma cultura que terá vindo com os Romanos, que trouxeram a técnica das talhas de barro que se soube manter até aos nossos tempos. Apesar da técnica de fabrico das mesmas tenha ficado esquecida no tempo, tal não impede que de norte a sul de Portugal a procura hoje em dia por parte dos produtores pelas ditas talhas seja uma realidade. Muito em breve desde os Vinhos Verdes passando pelo Douro até Bairrada e Lisboa vamos ver essa “novidade” que de novo não tem nada aparecer no mercado.

Sobre os tempos mais modernos, o vinho do Alentejo tem sabido subir a pulso a maneira como conseguiu conquistar o mercado nacional no que a vendas diz respeito. Foi apenas preciso uma década se tanto para passar de uma posição na altura desconfortável para não mais largar a liderança de vendas. A qualidade foi sempre algo que acompanhou os vinhos desde muito cedo e basta recuar umas décadas para poder confirmar isso mesmo junto de algumas das referências mais marcantes da enologia da região e porque não dizer até mesmo a nível nacional. Quem aponta o dedo acusando toda uma região de que aos seus vinhos lhes falta frescura/acidez e não têm a capacidade de envelhecer dignamente em garrafa, pura e simplesmente não sabe do que fala. Dos mais recentes artigos sobre produtores situados no Alentejo que foram visitados até aos exemplos mais clássicos de vinhos icónicos que perduram em grande forma até aos dias de hoje. E a lista tem tanto de extensa como os anos de colheita, sem entrar nos anos 90 onde a lista seria muito mais extensa deixo alguns exemplos anteriores como o José de Sousa Tinto Velho 1940 ou mesmo 1961 e 1986, o Mouchão 1954 ou 1963, Quinta do Carmo Garrafeira 1985 ou 1986, Tapada Chaves 1971 ou o 1986, Adega de Portalegre 1986 etc.

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Alentejo – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Depois veio a revolução enológica e deu-se uma rutura com o passado, nos anos que se seguiram parte do vinho do Alentejo ficou refém da experimentação e adaptação daqueles que naquela altura começavam pela primeira vez a criar vinho sem terem ainda garantias suficientes para definir aquilo que seria o novo perfil da região. Essa mesma revolução começa agora a dar os seus frutos, lado a lado com os outros que entretanto se foram afirmando ao longo do tempo como verdadeiros clássicos da região. Este quase renascer de toda uma região em conjunto com uma nova fornada de vinhos, frescos, muitas vezes a contrabalançar entre a elegância e o perfil mais austero garante de uma saudável longevidade mas sempre com o tão carismático toque do Alentejo. Tal como a proliferação de estilos e castas, de aromas e de sabores, também o mesmo se verifica a nível das variadas sub-regiões ou até mesmo dos solos onde a variedade permite encontrar desde os xistos, argilas, areias ou calcários. Somando a tudo isto a Gastronomia e o seu povo, este Alentejo que me apaixona tem tudo para continuar a ser uma das regiões de eleição em Portugal.

AS – Cork, O Fabrico Moderno de Rolhas

Texto José Silva

Portugal é o maior produtor de rolhas do mundo, sendo também um dos maiores produtores de cortiça.

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Portugal é um dos maiores produtores de cortiça – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A relação das rolhas com o vinho é óbvia e, apesar do ataque constante de outros tipos de cápsulas, a rolha tem-se mantido como a cápsula de referência, havendo mesmo um retorno de muitos produtores pelo mundo fora à utilização das rolhas. Também muito graças à evolução enorme da qualidade da matéria prima, a cortiça.

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Cortiça, a matéria prima – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Tecnologia de ponta – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Há algumas unidades de produção em Portugal que têm investido em tecnologia de ponta, o que se traduz em muito melhor qualidade das rolhas e uma grande redução dos custos de produção, ajudando também à rentabilidade das empresas.

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AS-Cork (Américo Sousa & Filhos, Lda) – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É o que acontece com a empresa AS – CORK (Américo Sousa & Filhos, Lda), sediada em Santa Maria de Lamas, que tem vindo a evoluir constantemente, com uma política de investimentos muito bem programada, seguindo um pouco as exigências do mercado. De tal maneira que investiram também no mercado marroquino, onde têm uma unidade de produção com bastante sucesso.

É uma família da região, desde há muito ligada à cortiça, em que dois dos irmãos se dedicam a tempo inteiro às suas três fábricas, localizadas muito perto umas das outras.

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A matéria prima é depois escolhida, cortada e armazenada – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na primeira recebem a matéria prima, que vai ser escolhida, cortada e armazenada, procedendo-se desde logo a uma escolha rigorosa da cortiça, separando aquela que possa não estar em condições.

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A cortiça é desinfectada em vários processos de estufagem – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

 

De seguida a cortiça é desinfectada em vários processos de estufagem em máquinas adequadas.

Depois de seca é encaminhada para uma primeira fase de fabrico de rolhas, que há-de continuar na segunda unidade fabril.

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Primeira fase de fabrico de rolhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Aparas de Cortiça – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Entretanto, num processo de controlo de qualidade constante, as aparas de cortiça e a cortiça com defeito, que não servem para rolhas, mas podem servir para outros fins, são retiradas e vendidas para fábricas que produzem outro tipo de artigos de cortiça – decorativos, isolamentos, granulado, etc. Ali, nada se desperdiça.

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Processo de controlo de qualidade constante – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Discos de Cortiça – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na segunda unidade fabril o controlo de qualidade continua, recorrendo a modernos equipamentos, que permitem também alguma inovação, seja no processo de fabrico, seja nos produtos finais, como é o caso dos discos de cortiça – de que são especialistas – que vão ser utilizados para fabrico das rolhas de espumante e champanhe, e que escoam na sua totalidade, sendo vendidos a outras unidades, uma vez que aqui não se fabrica, por enquanto, esse tipo de rolha.

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Unidade altamente automatizada, onde a limpeza é uma prioridade – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Máquinas cada vez mais sofisticadas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Numa unidade altamente automatizada, a limpeza das instalações assume uma importância primordial, para que não haja possibilidade de contaminação.

Máquinas cada vez mais sofisticadas, com o recurso a câmaras e mesmo aos raios laser, que fazem leituras a duas e a três dimensões, conseguem um alto rendimento e muita eficiência.

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Laboratório extremamente bem equipado – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

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Uma equipa especializada testa cada tipo de produto final – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

No laboratório, extremamente bem equipado (que inclui um cromatógrafo), uma equipa especializada vai fazendo os testes adequados a cada tipo de produto final, com padrões muito exigentes, em que não pode haver lugar ao engano, e que é uma das bandeiras da empresa.

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A terceira unidade fabril – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

A terceira unidade fabril compra todo o produto das outras duas, que depois vai vender aos inúmeros clientes, a esmagadora maioria estrangeiros.

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Acabamento das rolhas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

É aqui que se vai proceder ao acabamento das rolhas, seguindo os pedidos dos clientes, quer nacionais quer estrangeiros.

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Outro laboratório continua o processo de controle – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Outro laboratório continua o processo de controle, cumprindo todos os parâmetros de higiene e segurança estabelecidos, de acordo com a legislação internacional.

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Finalmente as rolhas acabadas e os discos de cortiça são expedidos – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Finalmente as rolhas acabadas e os discos de cortiça são expedidos, também aqui recorrendo a embalagens que mantêm o produto final em segurança, até chegar ao seu destino. Uns meses ou mesmo uns anos mais tarde vamos certamente encontrar muitas destas rolhas, quando abrirmos garrafas de vinho, das mais variadas origens, mesmo se for um dos grandes champanhes franceses. Um produto genuinamente português, ao nível do melhor que se faz no mundo…

Vintage Taylor’s no topo da bolsa de valores

Texto João Barbosa

O meu pai era artista plástico, pintor. Para ele, os investidores eram um híbrido de pessoas com síndrome de Diógenes e de agiotas. Contudo, esta sentença não aplicava a todos.

Ir com o meu pai a um museu tinha tanto de fascinante quanto de aborrecido. Cativante nas palavras, mostrava o que muitos não viam. Depois fixava-se unicamente na obra, para dela colher o máximo de informação e prazer, e tornava-se…

– Pai, ainda vai demorar muito? Não podemos passar à outra sala?

O meu pai tem obras em museus, galerias privadas e espólio de investidores. O que irritava o meu pai não era o dinheiro, mas a escuridão dos cofres e a especulação post mortem.

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Pablo Picasso in web.guggenheim.org

O meu amigo Manuel Jorge recontava que os descendentes de Pablo Picasso destruíram imensas obras depois de este andaluz falecer, para que se desse uma valorização. Chocava-o o cinismo, oportunismo, desrespeito pelo artista e, sobretudo, pelo homem.

Os investidores, dividia-os em dois grupos: os que mostravam publicamente as obras e os que se limitavam em pô-las em cofres. Eram, os segundos, que magoavam – é o termo.

Convenceu-me, em parte. Há uma certa velhacaria na compra e açambarcamento de produtos únicos, cujo valor ou interesse não respeitam, importando apenas a mais-valia. São os compradores de assinaturas.

Os maiores investidores são peritos e/ou têm especialistas que os aconselham. Ainda assim, sabe-se que há fraudes. Não contrafacções, é crime relativamente fácil de topar, mas falsificações, obras originais que convencem os olhos entusiasmados dos especialistas.

É assim com a arte como com o vinho. Não tenho qualquer complexo em relação ao negócio – tal como o meu pai – julgo que fui claro. O negócio existe, e ponto final.

Tenho um amigo que surfa no mundo dos vinhos. Não faz qualquer batota, apenas o que qualquer negociante quer: comprar cedo, para obter melhor preço, e vender quando há mais-valia.

Não é o único, o processo é simples e «só» exige capital inicial. Compra Bordéus e Borgonhas em primor e desfaz-se deles quando a cotação lhe dá ganhos. Guarda uma ou duas garrafas para si e com o restante ganho aplica na compra de futuras colheitas.

Este meu camarada é um «bom» investidor, usufrui do que compra e ganha dinheiro. A «malvadez» dos outros é uma a avaliação é subjectiva.

Sejam «bons» ou «maus», procuram bons negócios. É bom saber que há vinhos portugueses considerados como investimento seguro.

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Top 20 Performers in the Rest of the World Index in www.blog.liv-ex.com

índice Live-ex Fine Wine 1000, da revista The Drink Business, tem estado em baixa, mas os Taylor’s empurraram 3,2% o sub-índice Rest of the World 50. Os Bordéus valorizaram-se 1,1%.

Blend-All-About-Wine-Taylors-Vintage-Port-1994 Vintage Taylor’s no topo da bolsa de valores Vintage Taylor’s no topo da bolsa de valores Blend All About Wine Taylors Vintage Port 1994

Taylor’s Vintage Port 1994 in www.taylor.pt

O vinho mais caro do Rest of the World 50 é um Taylor’s, tal como o terceiro, quarto, sétimo e 13º. Infelizmente, no top 20 não há mais vinhos portugueses. O Vinho do Porto Vintage de 1994 da Taylor’s lidera os ganhos, com uma progressão de 41,4%, entre Julho e Fevereiro. O 13º da lista, de 2007 e também da mesma casa, valorizou-se 10,3%.

Contactos
PO Box 1311
EC Santa Marinha
4401-501 Vila Nova de Gaia
Portugal
Tel: (+351) 223 742 800
Fax: (+351) 223 742 899
Website: www.taylor.pt

Vinoteca – Um Espaço Novo do Vinho

Texto José Silva

Numa cidade como o Porto, que nos últimos anos tem vindo a assistir a um crescimento enorme do fluxo de turistas um pouco de todo o mundo, em grande parte por causa da sua zona antiga, que é património da humanidade, e, do outro lado do rio Douro, das caves de vinho do Porto, muitas lojas comerciais têm vindo a aparecer, sobretudo à volta da zona histórica e da baixa da cidade.

Os turistas vêm visitar a cidade e apreciar localmente a sua história e os seus monumentos, provar a excelência da comida e visitar as caves de vinho do Porto, mas começam também a descobrir que há muitos e variados locais para beber um copo de vinho, apreciar alguns petiscos e recolher informações variadas sobre a cidade, pela boca da simpatia tradicional dos portugueses.

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Vinoteca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Muitos restaurantes e casas de petiscos, muitas lojas a vender produtos gastronómicos e vinhos, um pouco por todo o lado. Recentemente abriu uma nova loja, desta vez um projecto lançado por uma empresa de distribuição de vinhos, a Vinoteca.

O local escolhido foi a Rua Mouzinho da Silveira, que liga a baixa da cidade à sua zona ribeirinha e que é uma zona de passagem de muita gente, entre portugueses e estrangeiros.

É um local muito espaçoso, resultante da recuperação dum antigo edifício da zona, que tem a entrada principal pela referida rua, mas tem uma outra entrada que dá para a rua de S. João, nas traseiras.

Ali o vinho é, obviamente, o produto principal, exposto por todo o lado, nos vários níveis da enorme loja.
Na entrada principal há uma primeira sala, com algumas barricas de madeira transformadas em mesas e bancos e muitos vinhos e outros produtos nas prateleiras. Sobem-se alguns degraus e estamos numa sala mais ampla, com um enorme balcão do lado direito, muito bem equipado para um serviço de bar e petiscos.

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Vinoteca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Na parede, em fundo preto, está a oferta de vinho a copo e dos petiscos que os podem acompanhar: tremoços, azeitonas, vários tipos de conservas de peixe, presunto, chouriço e alheira, tábuas de enchidos e de queijos, pãezinhos de alheira, de bifana e de leitão, entre outras delícias.

Do outro lado da sala, além das prateleiras recheadas de vinhos, uma mesa comprida onde se pode relaxar na companhia de vinhos e petiscos. Sobem-se mais alguns degraus e estamos numa outra sala, esta mais pequena, com várias mesas e cadeiras e uma simpática lareira, um local recomendado para pequenos grupos fazerem provas de vinhos, alguma formação ou simplesmente estar a degustar os muitos vinhos deste local onde o culto do vinho está presente por todo o lado. Até em várias frases cheias de humor, como por exemplo: “Não podes comprar felicidade. Mas podes comprar vinho. É quase a mesma coisa!”

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Vinoteca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Há sempre vinhos em promoção e ali se fazem muitas provas de vinho com a presença dos respectivos produtores, aproveitando muitos deles este belo espaço para o lançamento de novos vinhos e novas colheitas. Também ali estão disponíveis para compra muitos acessórios e complementos do serviço de vinho, como copos de marca, decanters, drop-stops, saca-rolhas e por aí fora.

Descendo uma escadaria maior, para as traseiras, temos acesso a uma sala ampla, que dá para a entrada da rua de S. João. É um espaço exclusivo da Niepoort, resultante dum acordo entre as duas empresas, onde podemos encontrar – e comprar! – toda a gama desta conhecida e aguerrida marca de vinhos, entre tranquilos (vinhos de mesa) da própria Niepoort e das várias marcas que distribui e, claro, a grande variedade Niepoort de vinho do Porto.

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Vinoteca – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Esta loja traz alguma diferença quer no espaço, quer no conceito de loja de vinhos, sendo também um espaço de lazer em que o vinho é o tema dominante, está por todo o lado, podendo ser provado, apreciado e, no final, comprado para levar para casa.
Como diz a frase do poeta Fernando Pessoa, num dos painéis da loja: ” Boa é a vida, mas melhor é o vinho!”

Contactos:
Vinoteca – Bar Garrafeira
Rua Mouzinho da Silveira, 88
4150-415 Porto
Tel: (+351) 222 034 082
Email: copoealma@vinoteca.pt
Site: vinoteca.pt