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Justino’s Madeira Wine

Texto João Pedro de Carvalho

A tradição do vinho na Madeira é secular, tudo começou no século XV quando o Infante D. Henrique ali mandou plantar vinhas de Malvazia/Malmsey importada da Grécia. Passados mais de 500 anos o Vinho Madeira tornou-se um dos ícones do Mundo do Vinho, quer pela longevidade quer pela qualidade, marcando presença em acontecimentos tão marcantes como por exemplo a Declaração da Independência dos Estados Unidos a 4 de Julho de 1776.

Na recente viagem à Madeira uma das empresas visitados foi a “Justino´s, Madeira Wines, S.A.” criada em 1953 mas cujo fundador foi Justino Henrique Freitas em 1870 quando ainda era uma companhia familiar conhecida como Vinhos Justino Henriques (V.J.H.). Em 1981 Sigfredo da Costa Campos compra a empresa e amplia o seu valor com a compra do stock da Companhia Vinícola da Madeira. Associa-se em 1993 ao grupo Francês “La Martiniquaise” e em 1994 muda-se das instalações no centro do Funchal para o Parque Industrial de Cancela onde se encontra até hoje. Com a sua morte em 2008 a empresa, passou a ser detida na totalidade pelo grupo Francês.

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Alinhamento dos 10 Anos (Sercial, Verdelho, Boal, Malvazia*) © Blend All About Wine, Lda.

A prova, excelente por sinal, foi realizada nas atuais e modernas instalações onde me deixou alguma saudade aquela atmosfera tão característica das adegas mais antigas por onde a passagem do tempo deixou as suas marcas e histórias. Felizmente essa carga nostálgica passou de imediato com a excelência dos vinhos que me iam sendo servidos.

Antes do destaque daqueles que mais gostei, um pequeno apontamento sobre os Justino’s 10 Anos das castas mais conhecidas (Sercial, Verdelho, Boal, Malvazia), vinhos que nos oferecem uma intensidade e maturidade acima da média. E é muito provavelmente a partir de aqui que se começa a melhor entender o “Mundo Madeira” em vinhos cuja harmonia de conjunto se mistura num bouquet mais adulto e que já nos permite sonhar com os patamares mais altos.

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Justino’s Terrantez Old Reserve © Blend All About Wine, Lda.

Justino’s Terrantez Old Reserve
A Terrantez é uma casta rara e quase extinta, que envolve os vinhos a que dá origem com uma capa de mistério e fascínio. Estamos perante um vinho com mais de quarenta anos, alguns apontamentos tal como os toques esverdeados no rebordo indicam que pode ser bem mais velho que isso. Um vinho concentrado e profundo, notas de iodo, caril, laca, madeira de casco velho, frutos secos com bolo inglês, exótico e misterioso. Boca com entrada que envolve e forra o palato com travo untuoso de nozes e amêndoas, geleia de laranja, enorme elegância com aquela acidez que conquista num final muito longo e persistente.

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Justino’s Sercial 1940 © Blend All About Wine, Lda.

Justino’s Sercial 1940
Pela alta acidez que a casta transporta para os vinhos, é a que mais tempo necessita para se desenvolver e mostrar em garrafa. De todos o meu favorito com muitas notas de maresia, muita amêndoa salgada, laca, complexidade e elegância, mel com casca de laranja cristalizada ao mesmo tempo que debita uma frescura bem afiada a embalar toda a prova. Grande presença no palato com ligeira untuosidade de frutos secos salgados, iodo, raspas de citrinos, muita emoção e sabor, mais uma vez a acidez em destaque num vinho a todos os níveis inesquecível.

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Justino’s Verdelho 1954 © Blend All About Wine, Lda.

Justino’s Verdelho 1954
Um vinho que emana frescura e energia, complexidade a rodos num conjunto denso e até algo cerrado de início com aquele toque de limão muito maduro em geleia, chá verde, ramalhete de flores na companhia de nozes, muita vivacidade em conjunto pujante e seco. Boca em contraste com os aromas, cheio de sabor com notáveis apontamentos onde se destaca a secura que revitaliza o palato e convida a mais um trago, sempre com muito sabor e ligeiro toque de untuosidade num vinho que termina apimentado e com um enorme final.

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Justino’s Malmsey 1933 © Blend All About Wine, Lda.

Justino’s Malmsey 1933

Um grande vinho que mostra a razão pela qual não há vinhos comparáveis com os grandes Madeira, aqui a longevidade coabita com uma complexidade/frescura difícil de encontrar noutro local. Este é dos grandes, daqueles que conquista no imediato, sente-se por natureza da casta que é mais doce e “pesado” que os provados anteriormente. Grande complexidade com notas de caramelo de leite, passas de figo, laca, frutos secos, elegância entre conjunto e aquela acidez necessária que lhe dá enorme vida, café moído, caixa de charutos, especiarias, tudo muito bem pronunciado numa perfeita harmonia entre nariz e boca. Palato com passagem untuosa e fresca, com aquela pontinha doce no final que o torna pecaminoso.

Contactos
Parque Industrial da Cancela
9125-042 Caniço
Madeira
Tel: (+351) 291 934 257
Fax: (+351) 291 934 049
E-mail: justinos@justinosmadeira.com
Site: www.justinosmadeira.com

Almoço no Chalet Vicente

Texto José Silva

Num dia temperado e cheio de sol no Funchal, a Olga e eu sentámo-nos a uma mesa da esplanada dum dos restaurantes mais acolhedores da cidade Madeirense para uma refeição tranquila. Chalet Vicente, uma casa solarenga com vários espaços e recantos, entre as salas interiores e a enorme esplanada.

E, logo à entrada da sala principal, pontifica um enorme grelhador, por onde passam peixes e carnes diversos. Mas a ementa é muito variada, entre petiscos e pratos principais, havendo mesmo ao almoço um interessante serviço de buffet.

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Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Tudo aquilo é dirigido por um grande senhor da gastronomia madeirense, um homem com enorme experiência e muito bom gosto, o Nélio Ferreira, que não só nos recebeu, como nos orientou por uma refeição deliciosa, uma viagem por petiscos muito bem preparados, um desfile dos sabores da Madeira na nossa mesa, que souberam tão bem.

O bolo de caco, aquele pão fofinho delicioso, torrado e barrado com manteiga e alho, esteve sempre presente, ao longo da refeição, que começou com umas pouco vulgares mas soberbas ovas de peixe-espada preto, muito bem temperadas, suculentas e crocantes, uma boa surpresa.

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Filetes de peixe-espada preto e bolo de caco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Logo seguidas dum polvo estufado com batata doce, molho espesso e envolvente, o polvo tenríssimo, excelente. Então o amigo Nélio já tinha aberto uma garrafa dum vinho branco de mesa madeirense, dum pequeno produtor, o “Vai de Cabeça”, da casta Verdelho. À temperatura certa, esteve muito bem, seguro, fresco, com óptima acidez e aquele toque mineral intenso que dá belíssimas ligações. Como foi o caso dos bifinhos de fígado de vitela, com cebola e muito louro, delicados e extremamente saborosos. Vieram depois uns deliciosos filetes de peixe-espada preto, fofinhos e apetitosos, cobertos por um molho de banana e maracujá, uma maravilha

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Vai de Cabeça branco – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Durante a refeição, chegou ao restaurante um atum pequeno, fresquíssimo, de que nos vieram mostrar à mesa algumas partes, já limpas e preparadas. E não resistimos à proposta do amigo Nélio, e apreciamos os bifinhos de atum com molho de vilão, na companhia dumas batatas doces tostadinhas, com mel de cana, algo muito especial, a carne do lombo de atum a desfazer-se em lascas generosa, o molho espesso e bem temperado, a batata doce com paladar exótico, mesmo muito bom.

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Bifinhos de atum com molho de vilão – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Mas não terminamos sem provar uma das especialidades da casa, as perninhas de rã panadas, bem fritas, com seu molho branco, deliciosas. E já não conseguimos ir à sobremesa… mas conseguimos deliciar-nos com um vinho da Madeira da casa Barbeito, um verdelho 10 anos que esteve muito bem. Intenso no nariz, cheio de frescura e notas de frutos secos, casca de tangerina e caramelo. Na boca é uma explosão de mineralidade, fresco e com acidez vibrante, envolvente, notas tostadas, seco, delicioso.

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Perninhas de rã panadas – Foto de José Silva | Todos os Direitos Reservados

Com o café não resistimos a outro cálice deste néctar madeirense, servido fresco, como deve ser, um final perfeito desta refeição digna dum Chalet!!

Obrigado amigo Nélio.

Contactos
Restaurante Chalet Vicente
Estrada Monumental, 238
9000-100 Funchal
Madeira, Portugal
Portugal
Tel: (+351) 291 765 818
Tel: (+351) 967 793 903
E-mail: chaletvicente@sapo.pt
Website: chaletvicente.com

Justino’s – Prova de Vinhos Madeira

Texto José Silva

O vinho da Madeira ainda precisa de muita divulgação, ainda é um produto desconhecido para a maior parte dos apreciadores de bebidas alcoólicas, sobretudo de licorosos. E é pena, pois é um vinho de características únicas no mundo, um vinho com grande tradição, um vinho capaz de evoluir durante décadas, tornando-se mesmo num produto de colecção, uma peça rara e apetecível, só ao alcance de alguns.

Mas o vinho da Madeira também tem vindo a evoluir, a modernizar-se e os principais produtores tentam fazê-lo chegar aos mais jovens, que começam lentamente a descobrir este vinho de excelência, numa certa democratização dum produto que tem ajudado a dar a conhecer esta pequena ilha atlântica por esse mundo fora, principalmente em esferas da alta gastronomia e dos provadores de topo. Mas que pode ainda fazer muito mais por este minúsculo território onde o turismo de qualidade é cada vez mais uma realidade de todos os dias, todos os meses, todos os anos.

Uma visita à empresa Justino´s e à sua adega deu-nos uma pequena ideia dessa realidade vínica que é a produção de vinho da Madeira de qualidade. Visita que é sempre um prazer, são momentos de aprendizagem daquilo que se faz nos vinhos da Madeira de grande qualidade, com uma filosofia muito própria. E a prova disso são os vinhos que foram provados em óptimas condições, numa viagem guiada por 13 vinhos da Madeira da Justino´s que iriam ficar na memória.

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3 Years Fine Medium Dry & 5 Years Reserve Fine Dry © Blend All About Wine, Lda.

Começando num dos vinhos mais modernos e jovens, o 3 Years Fine Medium Dry, que se apresentou com nariz seco, intenso, muitos frutos secos, ligeiramente tostado mas ao mesmo tempo elegante. Na boca mostrou alguma doçura aliada, por contraste, a uma bela acidez, equilibrado, um vinho ainda jovem mas por isso mesmo fácil de beber, apreciar e entender.

Um Madeira para todos os dias, para ter sempre uma garrafa no frigorífico.

Seguiu-se o 5 Years Reserve Fine Dry, um vinho já com um toque clássico, apresentando uma bonita cor âmbar dourada, cristalino, muito fresco no nariz, aquele toque seco muito agradável, com boas notas de frutos secos, sobretudo nozes. Envolvente na boca, com grande acidez a dominar o conjunto, novamente notas de nozes e amêndoas, um vinho jovem mas já a atingir a adolescência, seguro e com final longo.

3 Years Fine Rich & 5 Years Reserve Fine Dry © Blend All About Wine, Lda. Justino’s - Prova de Vinhos Madeira Justino’s - Prova de Vinhos Madeira FOTO 2

3 Years Fine Rich & 5 Years Reserve Fine Dry © Blend All About Wine, Lda.

Voltamos depois aos 3 anos de idade, agora com o 3 Years Fine Rich, um vinho muito jovem ainda mas já muito agradável, para um público talvez mais feminino, com muitas notas de frutos secos no nariz, ligeiramente frutado, com um ligeiro toque seco. Na boca apresenta-se mais doce mas com muita elegância, alguns frutos secos e notas de caramelo, e uma excelente acidez a ligar este conjunto jovem e muito atraente.

Repetiu-se também a idade de 5 anos com o 5 Years Reserve Fine Rich, este com um nariz exuberante, complexo, com ligeira tosta, algum caramelo, frutado, muito envolvente. Na boca é doce mas tem bastante frescura, apresentando-se com óptima acidez, já com um volume de boca intenso e com final longo, um vinho Madeira ainda jovem mas já com as características dum clássico, com um preço ainda acessível, numa solução de compromisso muito interessante não só para os mais jovens e os principiantes, mas também para ter sempre à mão, para o dia a dia.

Depois entramos nos vinhos mais sérios, sérios no sentido clássico do termo, vinhos já dum outro patamar, ainda assim num nível de qualidade/preço muito interessante, os vinhos de dez anos, das castas mais conhecidas e apreciadas, e que apresentaram todos aquele tom âmbar que só variou na intensidade, entre um aloirado do Sercial, até ao castanho mais carregado do Malvasia.

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10 anos Malvasia, Boal, Verdelho e Sercial © Blend All About Wine, Lda.

O Sercial 10 anos foi talvez o mais equilibrado, muito elegante e fresco no nariz, ligeiramente seco e com notas de nozes muito suaves. Na boca é sedoso, envolvente, muito acessível e com bela acidez, muito fresco e mineral, revelando-se sedoso, a deixar um grande final.

O Verdelho 10 anos é muito elegante no nariz, ainda com aquele toque seco associado a alguns frutos secos e ligeiramente tostado. Na boca revela grande estrutura e envolvência, muito elegante e com uma acidez fantástica, intensa mas segura, mesmo dominante no conjunto, ainda alguns frutos secos e final longo, a deixar o palato completamente envolvido.

Veio então o Boal 10 anos, um clássico, talvez a casta mais equilibrada. Enorme elegância no nariz, exótico, complexo, extremamente agradável nos aromas. Na boca tem doçura evidente mas muito bem ligada com uma acidez intensa, que por vezes se sobrepõe à doçura e torna este vinho fascinante, com bom volume de boca, ligeiramente seco, um grande vinho!

Para terminar esta série de vinhos de 10 anos provou-se o Malvasia 10 anos, que se apresentou com um nariz suave e elegante, com notas de nozes, amêndoas e avelãs e alguma frescura. Apesar de ser o mais doce dos quatro, tem uma bela acidez, sendo a doçura elegante, com alguma complexidade, um vinho redondo, bem construído, um vinho mais acessível mas de muito belo efeito.

Chegou então a altura de passarmos a outro patamar, com três vinhos já com mais idade, ainda assim muito frescos e vivos, capazes de ser apreciados em ocasiões diversas e mesmo de fazer boas harmonizações com alguma comida, entre entradas e algumas sobremesas.

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Colheita 1995 e Colheita 1996 © Blend All About Wine, Lda.

 © Blend All About Wine, Lda.

O Colheita 1995 apresenta uma cor âmbar escura muito elegante, cristalino, límpido, muito apelativo. Nariz poderoso, intenso, muito envolvente, com a complexidade dos frutos secos bem presente, mas também ligeiras notas cítricas muito agradáveis. Redondo e intenso na boca, tem uma bela acidez, persistente, bem ligada com notas adocicadas, a dar ao conjunto vivacidade e estrutura, proporcionando um belo final.

Num registo semelhante esteve o Colheita 1996, com uma cor âmbar média muito elegante e agradável. Nariz bastante floral, intenso, os frutos secos bem evidentes a dar-lhe muita elegância. Na boca é ainda a elegância que sobressai, com notas doces envolventes, a acidez equilibrada mas sempre presente, ligeiramente tostado, um vinho muito agradável onde a nota predominante é mesmo a elegância.

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Terrantez Old Reserve © Blend All About Wine, Lda.

Nos grandes vinhos Madeira não pode faltar a casta Terrantez, muita rara e constantemente em perigo de desaparecer, apesar dos esforços louváveis dos principais produtores em tentar mantê-la, pois é um património da ilha sem igual. Provou-se o Terrantez Old Reserve, que apresentou uma cor âmbar clara, cristalina, muito limpo. Uma casta que produz os vinhos mais secos, aqui esteve no seu melhor, muito suave no nariz, limpo e exótico, mesmo inebriante. Excelente na boca, notável, seco, muito seco, com notas de nozes e amêndoa amarga, compota, muito suave, mas com óptima acidez e um grande final!

A prova chegava ao fim e entramos num patamar superior, com aqueles vinhos da Madeira a que um apreciador deseja sempre chegar, vinhos raros mas ainda cheios de força, ainda com muito para dar durante muitos anos.

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Sercial 1940 © Blend All About Wine, Lda.

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Malvasia 1933 © Blend All About Wine, Lda.

Primeiro veio o Sercial 1940 que apresentou uma cor âmbar escura, intensa, com laivos esverdeados, cristalino, muito elegante. Um nariz fantástico, cheio de requinte, mas ao mesmo tempo exuberante e ainda muito fresco. Na boca é soberbo, seco, com ligeiras notas de vinagrinho e uma acidez acutilante, intensa mas muito agradável, notas de nozes e toque citrino muito suave, um final muito longo, fantástico!

Terminamos esta prova de vinhos da casa Justino’s com o Malvasia 1933, já uma peça de colecção. Duma cor âmbar acastanhada, escuro, muito elegante. Grande nariz, cheio de frutos secos, complexo mas ainda fresco, cítrico, incrível. Enche a boca numa explosão de sensações, tostado, aveludado mas com uma acidez indescritível, poderosa, a liderar o conjunto, mas deixando que toda a diversidade de sabores esteja sempre presente, incluindo um delicioso e ligeiríssimo vinagrinho. Estrutura, corpo, intensidade, numa palavra…excelente!

Contactos
Justinos´s, Madeira Wines, S.A.
Parque Industrial da Cancela
9125-042 Caniço, MADEIRA
Tel: (+351) 291 934 257
Fax: (+351) 291 934 049
Email: justinos@justinosmadeira.com
Website www.justinosmadeira.com

Terras do Avô – Um Encanto no Norte da Ilha

Texto Olga Cardoso

Sou uma insaciável amante e uma incansável defensora da casta Verdelho. Verdelho da Madeira, note-se!

Embora para muitos esta designação possa parecer uma incoerência, pois só reconhecem legitimidade de uso do termo Verdelho a vinhos desta região Portuguesa, a verdade é que proliferam por aí muitos vinhos que se arrogam serem feitos a partir de casta com o mesmo nome.

No entanto, a maior parte deles são feitos a partir de castas distintas como o Gouveio ou o Verdejo Espanhol.

Verdelho da Madeira é outro campeonato. É acidez pungente, é delicadeza de aromas, é frescura e é também um enorme sentido de lugar. Sim, o Verdelho da Madeira faz jus àquela terra de mar, de sol e de solos escarpados.

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Redondezas – Foto Cedida por Terras do Avô | Todos os Direitos Reservados

Para quem, como eu, visitou recentemente aquela região e suas vinhas, perceberá certamente o quão estóico se torna produzir vinhos por ali. Vinhas pequenas, encostas ingremes e inúmeras dificuldades de tempo e lugar. Uma vez ultrapassadas resultam em vinhos muito minerais e com toques de maresia, vinhos que traduzem toda uma tipicidade e toda uma razão de ser.

Os vinhos da Terras do Avô contam uma história. Duarte Caldeira, o mentor deste projecto, decidiu avançar com vinhos de marca própria, os Terras do Avô, lançados a partir de 2008. Aproveitou o facto de já ter três hectares de vinha replantada para criar uma sociedade com os filhos com base nos terrenos herdados do avô. A marca Terras do Avô pertence à Sociedade Duarte Caldeira e Filhos – Seixal Wines, Lda, empresa que tem como sócios Duarte Caldeira e os seus três filhos Sofia, Filipa e Duarte.

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Terras do Avô – Foto Cedida por Terras do Avô | Todos os Direitos Reservados

Com enologia a cargo de Paulo Laureano e João Pedro Machado, a Terras do Avô, produz actualmente dois brancos e dois tintos. Dois Colheita ou entrada de gama, e dois Grande Escolha, sendo que estes são apenas engarrafados nos anos em que a qualidade da colheita o justifique. Os brancos são elaborados exclusivamente a partir da casta Verdelho, enquanto os tintos provêm de lotes com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Syrah.

Confesso terem sido os brancos aqueles que mais me seduziram. A tal casta Verdelho a fazer toda a diferença. Grande casta nós temos!

Recebidos comme il fault por Duarte Caldeira e seus filhos, tivemos oportunidade de provar os brancos Terras do Avô 2013 e Terras do Avô Grande Escolha 2011 e 2012. No que diz respeito aos tintos, foram provados o Colheita 2010 e o Grande Escolha 2010. Que bem se recebe na Madeira e que qualidade e pontecial têm aquela ilha. Um orgulho para qualquer Português.

Mesa de Prova - Foto Cedida por Terras do Avô | Todos os Direitos Reservados Terras do Avô - Um Encanto no Norte da Ilha Terras do Avô - Um Encanto no Norte da Ilha Blend All About Wine Terras do Avo Tasting Table

Mesa de Prova – Foto Cedida por Terras do Avô | Todos os Direitos Reservados

Os brancos deixaram-me realmente bem impressionada. Muito jovem, o Terras do Avô 2013 mostrou-se um vinho bastante fresco, com evidentes notas de mineralidade e aromas tropicais bem doseados e nada enjoativos. Com enorme acidez, ou não fosse ele feito de Verdelho da Madeira, é um vinho equilibrado e de fácil empatia. O Terras do Avô Grande Escolha 2011 exibiu uma cor já mais dourada, com suaves notas tropicais, uma mineralidade bastante acentuada e ligeiros toques herbáceos. O Terras do Avô Grande Escolha 2012 mostrou um nariz muito sedutor, com notas de maracujá e ananás, evidente mineralidade e toques de salinidade. Já com alguma complexidade, revelou uma boca muito bem estruturada e com notável acidez.

Os rótulos destes vinhos, muito originais, foram desenhados pelo artista plástico madeirense Marco Fagundes Vasconcelos, que dedicou a cor verde aos vinhos brancos e a vermelha aos vinhos tintos.

Actualmente produzem cerca de 19 mil garrafas de branco e 9 mil garrafas de tinto. Se a Madeira tem motivos para se orgulhar dos seus nativos, o Sr. Duarte Caldeira dar-lhe-á razões acrescidas para o efeito. Homem de propósitos honestos, sem papas na língua, que se transforma facilmente num encanto para quem vêm de fora.

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Tapas – Foto Cedida por Terras do Avô | Todos os Direitos Reservados

Estando integrados no enoturismo existente na ilha, a família Caldeira recebe os seus visitantes com todo o cuidado que se impõe. Tapas, peticos e pratos para acompanhar os seus vinhos é coisa que não faltará ao visitante. Simpatia, disponibilidade e receptividade também não.
Localizados na freguesia do Seixal, na costa norte da Ilha da Madeira, com uma vista deslumbrante sobre o mar, acolhem presentemente inúmeros turistas nacionais e estrangeiros, estando inclusivamente a aumentar e a melhorar as suas instalações.

Estão à espera de quê para lhes fazer uma visita? Deixamos aqui todos os contactos que necessitam para efeito. Go!Go!Go!

Contactos
Sociedade Duarte Caldeira e Filhos – Seixal Wines, Lda.
Sede: Sitio do Lombinho – Seixal, 9 270 – 125 Porto Moniz
Tel: (+351) 965 013 168 (Duarte Caldeira) | (+351) 964 008 001 (Sofia Caldeira)
seixalwines@gmail.com
www.terrasdoavo.blogspot.com

Madeira – Relatos de uma prova apaixonante na Henriques & Henriques!

Texto Olga Cardoso

Estive recentemente na ilha da Madeira para participar na 5ª edição do evento Rota das Estrelas, um festival gastronómico internacional de enorme qualidade – veja aqui  (www.rotadasestrelas.com).

Como não poderia deixar de ser, a deslocação à Madeira incluiu também a visita a alguns produtores de vinho daquela ilha. Muitos foram os vinhos provados … e grande parte deles deixaram agradáveis memórias.

Um desses produtores foi a Henriques & Henriques, uma empresa cuja história remonta a 1850 e que, ao contrário do que é habitual na Madeira, possui considerável percentagem de vinhas próprias.

Nesta empresa, hoje pertencente maioritariamente à Porto Cruz, tudo transpira organização, limpeza e cuidado. Aquilo que me deixou mais impressionada, para além dos vinhos naturalmente, foi a sua encantadora tanoaria. Sim, na Madeira os produtores possuem tanoarias próprias tal a sua relevância no processo de vinificação e estágio dos seus vinhos licorosos.

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Tanoaria © Blend All About Wine, Lda.

A prova foi magistralmente dirigida por Humberto Jardim, C.E.O da empresa e grande conhecedor de vinhos Madeira. Por entre diferentes perfis, colheitas e castas, conduziu-nos naquela que foi uma “viagem” através do tempo, do conhecimento e das emoções.

O portefólio deste produtor é bastante grande e poderá ser conhecido através do seu site (www.henriquesehenriques.pt), do qual constam imagens e notas de prova dos diversos vinhos que o compõem.

Neste artigo irei falar apenas de cinco dos vinhos provados, aqueles que mais me impressionaram e emocionaram.

Pois é mesmo assim… os grandes exemplares do Madeira são vinhos que fascinam, que entusiamam e nos deixam perplexos.
São vinhos que passam por vicissitudes enormes ao longo do seu percurso, designadamente por uma maturação a temperaturas muito elevadas, vinhos que sofrem extraordinárias metamorfoses que os transformam em algo verdadeiramente excepcional.

Marcados por uma acidez pungente, resistem ao passar dos anos, décadas e séculos como nenhum outro..

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Vinhas © Blend All About Wine, Lda.

Sercial 1971
Marcado por alguma adstringência que se traduz em aromas e sabores a caules e engaço, este vinho mostra-se brilhante e cristalino. Com evidentes notas de frutos secos e especiarias, apresenta-se complexo, com a secura e a acidez viperina típica da casta. Profundo e vibrante, termina longo e persistente. Memorável Sercial.

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Sercial 1971 © Blend All About Wine, Lda.

Verdelho Solera 1898
Se há exemplos de perfeição, este Madeira será um desses casos! Embora suspeita, atenta a minha paixão por esta casta, a verdade é que este vinho me deixou completamente rendida e fascinada. Tudo é ouro neste vinho. Desde a sua cor de um ouro envelhecido até à sua nobre e brilhante complexidade, tudo reluz, impressiona e subjuga! O nariz liberta aromas a frutos secos, mel e delicadas notas de madeira velha. A boca é intensa, volumosa e tremendamente cremosa. Um vinho de antologia!

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Verdelho Solera 1898 © Blend All About Wine, Lda.

Boal 1957
Com um grau de doçura devidamente alicerçado numa acidez acutilante, este Madeira é outro exemplo de charme e pedigree. Aromas de caramelo, pralinés e metais ferrosos, revela uma enorme diversidade olfativa, num nariz que contudo se apresenta limpo e sedutor. A boca é cheia e redonda. Com um perfeito equilibrio e harmonia, deixa um final interminável de que tão cedo não me irei esquecer. Um dos melhores Boal que alguma vez provei!

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Boal 1957 © Blend All About Wine, Lda.

Terrantez 1954
Proveniente de uma casta muito difícil, que por essa razão corresponde apenas a uma percentagem ínfima dos encepamentos na Madeira, este vinho parece-me até um pouco louco e desmedido. Sendo difícil e rara, esta casta dá lugar a vinhos verdadeiramente únicos e arrebatadores. Este 1954 é talvez uma das suas mais puras manifestações. O nariz é uma bomba de aromas a frutos secos, mel e madeira velha muito suave. Com uma textura e uma estrutura notáveis, revela uma complexidade e um profundidade que fazem dele quase desumano. Se não fosse feito por homens, diria que se tratava de uma criação divina!

Founders Solera 1894
Feito essencialmente de Malvasia, a mais doce das castas nobres do vinho Madeira, este solera possui fortes aromas a passas, casca de laranja, sendo também um pouco especiado. Engrandecido pelo passar dos anos, apresenta hoje uma enorme concentração e complexidade. A cor é escura e intensa e a sua boca de um volume impressionante. Cheio e untuoso, com uma textura extremamente macia, termina bastante longo. Um vinho para se mastigar, um vinho que o tempo soube engrandecer!

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