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100 Anos de Moscatel de Setúbal by José Maria da Fonseca

Texto João Pedro de Carvalho

É na Península de Setúbal que fica localizada uma das mais antigas denominações de origem controlada (D.O.C.) de Portugal – a região do Moscatel de Setúbal, cuja demarcação se iniciou em 1907 sendo confirmada e concluída em 1908. Geograficamente delimitada pelos concelhos de Setúbal, Palmela, Montijo e a freguesia do Castelo pertencente ao município de Sesimbra. O Moscatel de Setúbal é feito a partir da uva que lhe dá o nome, faz parte do quarteto fantástico de fortificados Portugueses ao qual se juntam o Vinho do Porto, Madeira e Carcavelos. Os seus encantos perdem-se no tempo, com o papel da empresa José Maria da Fonseca a ser fundamental uma vez que é produtor no activo desde 1834, tendo um património único no mundo de vinhos moscatéis. Apreciado por reis e pelo povo, este autêntico tesouro que segundo Léon Douarche é “ O Sol em garrafa”. Já no tempo do Rei Dinis I de Portugal (1261-1325) que o Moscatel de Setúbal tinha fama, sendo exportado em grande quantidade para Inglaterra ou para França onde Luís XIV não o dispensava nas festas que dava em Versailles.

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Barricas – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Feitas as devidas apresentações, a casa José Maria da Fonseca decidiu lançar em edição limitada uma caixa contendo quatro vinhos datados que no total perfazem 100 anos de Moscatel. Uma verdadeira tentação para todos os enófilos que podem assim provar e comparar quatro vinhos de excelente qualidade e de tão rara produção. Os Moscatel de Setúbal são colocados no mercado a partir de 2 anos de idade, podendo ostentar na rotulagem o ano de colheita, ou as indicações «10 anos de idade», «20 anos de idade», «30 anos de idade» e «Mais de 40 anos de idade», desde que o vinho em causa, ou cada uma das parcelas do lote que o originou, tenha no mínimo a idade indicada. Existe ainda o designativo Superior que não sendo este caso, é apenas atribuído a vinhos com um mínimo de cinco anos de idade e que tenham obtido na câmara de provadores a classificação de qualidade destacada. Neste caso o que temos no copo são quatro exemplares: 10 Anos, 20 Anos, 30 Anos e Mais de 40 Anos de idade.

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Barrica – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

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Moscatel de 10, 20, 30 e 40 Anos – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Moscatel de Setúbal 10 Anos: Dotado de uma grande frescura, muita fruta com laranja cristalizada em destaque, ligeira compota, flores, figo seco com algum fruto seco (nozes) a começar a mostrar-se. Amplo e ao mesmo tempo muito bem equilibrado, envolvente com uma bonita complexidade. Grande equilíbrio entre as notas da juventude com aquilo que já mostra de um vinho com mais idade.

Moscatel de Setúbal 20 Anos: O salto na qualidade e também na paleta de aromas e sabores é notável. Todo o bouquet é dotado de uma belíssima intensidade que o faz perfumar a mesa e mesmo a sala, as notas de laranja aparecem mais evoluídas e a tender para a compota, com toque melado, ligeiro vinagrinho que espevita e aquela untuosidade do fruto seco, ao fundo parece estar aquele aroma dos cascos centenários. Na boca é uma delícia, intenso, amplo, conquista o palato pela acutilante frescura e imponente forma de estar, um vinho fantástico.

Moscatel de Setúbal 30 Anos: Um perfil de grande complexidade que se mostra profundo, ao mesmo tempo intenso e cativador. Torna-se complicado não deixar de ter o nariz enfiado no copo. Muitas notas de fruta citrina (laranja) confitada, caramelo, nozes, ligeiro vinagrinho, folha de tabaco, passa de figo. Boca arrebatadora mas novamente dotada de um notável equilíbrio de forças onde a acidez parece dançar com a doçura.

Moscatel de Setúbal 40 Anos: É o apogeu desta prova e um deleite para os sentidos. Um vinho de compêndio tal a maneira desempoeirada com que se mostra, se alguma vez ouvimos falar de o que seria um Moscatel de Setúbal com muita idade aqui está o exemplo disso mesmo. As boas vindas são dadas pelo toque de vinagrinho, o suficiente para espevitar o nariz, de seguida a untuosidade esperada com aromas de mel e figos secos, laranja cristalizada com fruta passa (figo, tâmaras) e muita frescura a envolver todo o conjunto. Na boca novamente a frescura, a madeira velha onde estagiou, especiarias, folha de tabaco, fruto seco e a geleia de compota, todo ele concentrado mas nada pastoso e dotado de uma enorme energia e harmonia de conjunto. Inesquecível.

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Quinta da Bassaqueira – Estrada Nacional 10
2925-542 Vila Nogueira de Azeitão. Setúbal, Portugal
Tel: (+351) 212 197 500
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Alambre Moscatel Roxo 2010, I’m sexy and I know it

Texto João Pedro de Carvalho

A casta Moscatel Roxo de Setúbal é uma uva rara que chegou a correr riscos de extinção no século passado. A diferença para a sua homónima branca, a Moscatel de Setúbal, começa na sua tonalidade roxa mas também nas refinadas diferenças a nível de aroma e paladar que originam vinhos exclusivos e de fino recorte. E é quando falamos na sua salvação que entra em cena o nome do mais antigo produtor de Moscatel de Setúbal, a José Maria da Fonseca.

Foi pelas mãos de Fernando Soares Franco, quinta geração da família, que se salvou o último hectare de Moscatel Roxo da região, na altura localizado na Quinta de Camarate. Hoje em dia a casta espalha-se por cerca de 40 hectares em toda a região sendo 10 hectares pertencentes ao produtor José Maria da Fonseca. A casta hoje em dia mostra a sua versatilidade nas mãos da experiente equipa de enologia, podendo o consumidor variar entre os vinhos generosos até ao rosé e terminar num espumante.

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Alambre Moscatel Roxo 2010 in jmf.pt

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Alambre Moscatel Roxo 2010 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

A última novidade a ser lançada foi este Alambre Moscatel Roxo 2010, um Moscatel Roxo de entrada de gama a permitir o acesso a um público mais alargado uma vez que os generosos feitos a partir desta casa são por regra mais caros que os restantes. Assim resolveu-se apresentar um Moscatel Roxo mais jovem e moderno, fresco, directo e sem toda a complexidade e mesmo densidade que por exemplo um Roxo 20 Anos nos apresenta. É um vinho com a qualidade que o produtor em causa já nos acostumou, mas que se bebe de forma descontraída em fim de tarde no terraço com os amigos. E esta abordagem mais directa faz falta porque nem tudo na vida tem de ser encarado de fato e gravata, em tom formal porque o vinho que nos deitam no copo assim o exige. Por aqui e neste caso com o Alambre Moscatel Roxo 2010 vive-se um clima festivo, num conjunto que da maneira como se mostra convida a isso mesmo, fresco, apelativo, conjuga o trio doçura/acidez/concentração de tal forma que se torna um sucesso imediato à mesa.

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Vinhos José de Sousa, prestígio e história

Texto Bruno Mendes

Foi com o sonho de produzir vinho no Alentejo numa propriedade carregada de prestígio e história que a José Maria da Fonseca adquiriu, em 1986, a Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes, situada em pleno coração do Alentejo, Reguengos de Monsaraz. Uma casa que, no que toca à produção de vinho, já conheceu a viragem de três séculos, permitindo assim à José Maria da Fonseca produzir vinho utilizando técnicas tradicionais de vinificação.

Para informação mais detalhada em relação aos vinhos José de Sousa pode ler o artigo previamente escrito pelo João Pedro de Carvalho aqui

Se procura saber mais sobre os outros vinhos da José Maria da Fonseca também poderá consultar o artigo estrito pelo João Barbosa aqui.

Na velha adega podemos encontrar as ânforas de barro, onde os vinhos passam parte da fermentação, uma técnica antiga de vinificação herdada dos romanos. A adega moderna está equipada com tecnologia de ponta, onde uma equipa exigente e talentosa dá vida a vinhos de personalidade vibrante, sofisticação e nobreza.

Os vinhos José de Sousa procuram combinar modernidade com o rigor da tradição, reflectindo assim o calor do sol e a luz do Alentejo.

Tudo isto mais pormenorizadamente no vídeo abaixo:

Quando (quase) não havia marcas de vinho em Portugal

Texto João Barbosa

Estou velho! É verdade! Por mais que diga que fulano é um chavalo, a verdade é que estou como o meu pai, que faleceu aos 90 anos, que se referia aos amigos como: «um rapaz da minha idade».

Esta afirmação de estar velho nem tem a ver com a idade, mas com um país que era outro. Não por ser adolescente, mas porque era outro. Em Portugal era raríssimo, até 1986, vestir roupa de marca… sapatilhas Adidas? Dizíamos: «Devem ser… Adidas da farmácia». Os discos desalinhados com o main stream vinham da Grã-Bretanha, por encomenda ou pedido a alguém que lá fosse. As estrelas da pop apareciam na Bravo, uma revista em alemão que quase ninguém sabia ler. Quem era a Nena?! Dois ou três anos depois soubemos, quando cá chegou o hit «ninety nine red ballons».

Ia-se a Espanha comprar sapatilhas, caramelos, torrão de Alicante. Lá, cheirava aos terríveis cigarros Ducados e o café era imbebível. Eles vinham cá na Páscoa, comer bacalhau, marisco ao Alentejo, mesmo que fosse de 150 quilómetros da costa do Atlântico, e comprar toalhas e colchas.

Nesse país a preto e branco, da década de 70, ou de cores esbatidas do decénio seguinte, o vinho não tinha marca. Em Lisboa ainda havia tabernas, com pipas imundas de sarros… vinho lá da «terrinha», «purinho do produtor»… Marcas? Uma ou duas; exceptuando as de Vinho do Porto e Vinho da Madeira.

Em 2014, havia 2.067 viticultores e 4.212 vitivinicultores. Portugal, como nos restantes países da União Europeia, urbanizou-se e o sector primário perdeu peso na economia. Há 30 anos haveria muitos mais produtores, mas muitíssimo menos vitivinicultores. As cooperativas tinham um peso importante no negócio.

Foi com duas ou três marcas que resolvi escrever este texto. Porém, reparei que essas «duas ou três» eram bastante mais. Ainda assim… O número acaba por ser irrelevante. O negócio e consumo de vinho de há 30 anos, ou 25 ou até 20 anos, para cá mudou muito. Fico-me com os resistentes e com os renascidos. Pensava que caberiam nas minhas duas mãos… precisei de mais três pessoas, se calhar ainda falho o algarismo certo.

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Publicidade do Periquita em autocarro – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

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Publicidade Vintage Periquita – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

O Alentejo era conhecido pelas searas de trigo e pelas florestas de sobreiros e azinheiras. No Douro fazia-se Vinho do Porto, ponto! Dão e Bairrada tinham um peso considerável. Porém, Portugal tem marcas antigas, que em alguns casos se podem comparar às reputadas de França.

O caso mais óbvio é o do Periquita, produzido na região da Península de Setúbal. A receita tem vindo a mudar, mas basicamente era feito com uvas da casta castelão – sucesso tão grande que se alastrou a toda a volta, tornando a marca em sinónimo de variedade de fruta. Hoje, é marca registada, após batalha legal vencida pela firma José Maria da Fonseca.

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Publicidade Periquita em 2000 para o 150º aniversário – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

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Publicidade Periquita em 2000 para o 150º aniversário – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

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Publicidade Periquita em 2000 para o 150º aniversário – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Quando se diz Periquita está a falar-se de 1880, embora se saiba que tenha sido transacionada uma garrafa da década anterior e indicações de 1850. Em 1886 ganhou um prémio internacional.

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Periquita 1880 – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

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Garrafa antiga de Periquita – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

Lilliput! Milhares, milhões de portugueses a fazerem o seu vinho. Poucas marcas. Duas casas se destacaram a de João Camillo Alves e de Abel Pereira da Fonseca. Colossos, à época. A diferença era tal que surgiu uma anedota, de gosto duvidoso: «No seu leito de morte, o senhor Fonseca terá dito aos seus descendentes que até de uvas se fazia vinho».

É piada (parva), porque Abel Pereira da Fonseca era homem honrado e já fora dos grandes negócios, como a firma José Maria da Fonseca, além de séria, só o fundador teve esse apelido. Seja como for, a anedota traduz a realidade.

Uma realidade que fica para a próxima crónica.

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Frescuras: Os novos vinhos 2014 da José Maria da Fonseca

Texto João Barbosa

Estou tão fartinho do calor e o Verão ainda agora começou. A rua, de onde escrevo, é fresca… bem, diria que é o frigorífico do Inferno. Mentalmente – porque alguém tem de ficar em Lisboa a tomar conta da cidade quando sai toda a gente – estendi a toalha na areia e já dei umas quantas cabeçadas no oceano, para refrescar ideias e congelar chatices.

Escrevo à luz ténue do fim da tarde. Como sempre, esta época e este momento põem-me num tempo que não volta. Oiço os GNR, e relembro que «aos 16 já falta pouco para sentir 86». Certezas e não nostalgias.

Algumas certezas dão conforto. Quando penso nos meus 16 lembro-me de várias praias, porque as férias de Verão eram mesmo grandes. Em Junho ia para Sesimbra e mentalmente faço a estrada e «o agora» pára o meu veículo invisível à passagem por Azeitão.

Blend-All-About-Wine-Jose-Maria-da-Fonseca-New-Wines-2014 José Maria da Fonseca Frescuras: Os novos vinhos 2014 da José Maria da Fonseca Blend All About Wine Jose Maria da Fonseca New Wines 2014

José Maria da Fonseca 2014 Wines – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

Porque é Verão. Porque dali chegaram-me os novíssimos 2014. Vinhos prontos para enfrentar o calor e desfrutar o estio. Frescos e escorregadios. Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2014, Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo 2014, Quinta da Camarate Branco Seco 2014, Quinta de Camarate Branco Doce 2014, Periquita Branco 2014 e Periquita Rosé 2014 – além do BSE, que já foi referenciado anteriormente.

A apresentação decorreu no By The Wine José Maria da Fonsecaum local que me lembra algumas antigas casas de pasto – não eram nem tabernas nem restaurantes – e que se situa na Rua das Flores, paralela à Rua de Alecrim, entre os turísticos largos do Cais do Sodré e do Camões. Cito o estabelecimento, pois nele se pode conhecer, através de imagens, algum do passado desta firma histórica.

O ano de 2014 ficará marcado, em Portugal, pela morte de Eusébio, craque do futebol da década de 60, e, no mundo, pelo «não» dos escoceses à independência. As pessoas do vinho guardarão um tempo de «ora bolas»! Estava tudo a ir tão bem até que chegou a chuva.

Porém, não foi uma catástrofe. Um dos aspectos positivos é a frescura dos vinhos cujas uvas foram vindimadas antes da chuva. É o caso destes apresentados pela firma de Azeitão. Como em tudo, há aspectos positivos e outros que nem tanto. Aqui, o menos aprovado é assunto subjectivo. Substantivos são a frescura e o acerto do tiro ao coração do Verão.

Quinta de Camarate Branco Seco 2014 uma junção de uvas alvarinho e verdelho, é sensual no nariz e mostra frescura, pede comida. Para as noites estivais.

Blend-All-About-Wine-Jose-Maria-da-Fonseca-Branco-Seco-2014 José Maria da Fonseca Frescuras: Os novos vinhos 2014 da José Maria da Fonseca Blend All About Wine Jose Maria da Fonseca Branco Seco 2014

Quinta de Camarate Seco white 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

Blend-All-About-Wine-Jose-Maria-da-Fonseca-Branco-Doce-2014 José Maria da Fonseca Frescuras: Os novos vinhos 2014 da José Maria da Fonseca Blend All About Wine Jose Maria da Fonseca Branco Doce 2014

Quinta de Camarate Doce white 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

Quinta de Camarate Branco Doce 2014 não me atrai. O problema é exactamente ser doce. Fez-se com uvas das castas alvarinho e loureiro. Porém, apresenta-se como uma alternativa, nos aperitivos, a brancos generosos ou a vermutes.

Os dois Periquita podem ir juntos para a mesma festa. O Periquita Branco 2014 junta alvarinho, viosinho e viognier e é para ser posto à mesa com as comidas leves do Verão. Antes, os amigos em calções e chinelos flik-flak divertiram-se com o Periquita Rosé 2014.

Blend-All-About-Wine-Jose-Maria-da-Fonseca-Periquita-Branco-2014 José Maria da Fonseca Frescuras: Os novos vinhos 2014 da José Maria da Fonseca Blend All About Wine Jose Maria da Fonseca Periquita Branco 2014

Periquita white 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

Blend-All-About-Wine-Jose-Maria-da-Fonseca-Periquita-Rosé-2014 José Maria da Fonseca Frescuras: Os novos vinhos 2014 da José Maria da Fonseca Blend All About Wine Jose Maria da Fonseca Periquita Ros   2014

Periquita Rosé 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

Quem deve estar na brincadeira no seu ofício e a firma José Maria da Fonseca não brinca, não há vinhos sério e vinhos de faz-de-conta. Isto, porque tenho de escrever que os dois vinhos restantes são «mais a sério». Ou seja, trata-se de retórica.

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Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

O Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2014 é um carro-de-assalto ao Verão…

– Xô, calor! Xô! Ide para longe!

O Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo Rosé 2014 vem, na sequência das edições anteriores, a pregar sustos à temperatura. Ainda assim, digo que não é «o meu vinho». Tenho de assinalar um aspecto: os vinhos Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo têm sido muito celebrados, quer pela crítica, quer pelo público. Perante isso, faço vénia e assumo que o problema só pode estar em mim, não acredito em conjuras siderais… e logo contra o paladar dum simples mortal.

Blend-All-About-Wine-José Maria da Fonseca-Domingo-Soares-Franco-Moscatel-Roxo-Rosé-2014 José Maria da Fonseca Frescuras: Os novos vinhos 2014 da José Maria da Fonseca Blend All About Wine Jose Maria da Fonseca Domingo Soares Franco Moscatel Roxo Ros   2014

Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel Roxo Rosé 2014 – Photo Provided by José Maria da Fonseca | All Rights Reserved

Um generoso também no Verão

Os vinhos Moscatel de Setúbal são, infelizmente, pouco conhecidos. A maioria é consumida na sua região de origem. É pena, pois distinguem-se dos mundialmente famosos Porto e Madeira.

A firma José Maria da Fonseca apresentou o Alambre 2010, que estagiou em madeira usada. É certeiro no agrado, seja para começar ou arrumar com a sobremesa. A empresa sugere que entre em cocktails; só com gelo; com ginger ale e casca de limão; com água com gás…

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O clássico BSE, edição 2014

Texto João Barbosa

Tenho ouvido a enólogos um debate interessante acerca das dificuldades de produzir em grandes quantidades e em pequenas quantidades. Os debates podem repetir-se e dificilmente os argumentos poderão mudar, porque no vinho – ou em quase tudo – as escalas implicam resultados diferentes.

Quanto maior for o universo, menor será a percentagem de excelência. Por isso, é que a excelência é rara. Basalto há aos pontapés e os diamantes rareiam. Este é um aspecto; outro, quase parecido, é o da qualidade, em traço largo.

Pode ter-se uvas excelentes e fabricar-se uma mistela. Pode-se ter uvas medíocres – no sentido de meio –, mas nunca se conseguirá um néctar de eleição. Em paralelo, a vertente da saúde do fruto, é transversal.

Nem todas as uvas nascem para fazerem grandes vinhos. A grande maioria do que se engarrafa não chega ao patamar da excelência, o que não significa que seja mau, resultado de mal feito.

Blend-All-About-Wine-BSE-2014-Arinto-Grape O clássico BSE, edição 2014 O clássico BSE, edição 2014 Blend All About Wine BSE 2014 Arinto Grape

Arinto in confira.info

A enologia é, como a arquitectura, uma disciplina técnica. Desenhar uma fábrica exige conhecimentos diferentes dos necessários para uma residência exclusiva, feita à medida de quem nela vai morar.

Quando estamos perante um vinho de milhões de litros, o esforço é o de ter a maior quantidade de boas uvas (qualidade), para que se possa fabricar um produto que agrade à generalidade das pessoas. O esmero não pode ser diferente, contudo os procedimentos – por via dos custos e de fluxo de caixa – são díspares, entre os vinhos de grande e pequena produção.

Com poucos quilogramas de belíssimas uvas é mais difícil fazer um grande vinho do que um que vai para milhões de garrafas? Ou é mais fácil? Os argumentos dum debate:

– Fazer um grande vinho é difícil, porque exige muitos cuidados na identificação dos melhores cachos, das mais indicadas técnicas, das barricas que realmente beneficiam, da duração precisa dos estágios… só se consegue em anos extraordinários… tem de se saber interpretar a natureza no seu todo…

– Fazer milhões de litros, com qualidade para consumo corrente, que crie negócio, capte e fidelize o consumidor, que seja regular, no aroma e no paladar, ano após ano é que é complicado.

Discussão bizantina. No caso deste produtor, o diferendo não de põe. A firma José Maria da Fonseca tanto produz vinhos de grande consumo, com sucesso – o êxito nunca é por acaso –, como edições de autor e obras que surgem quando a natureza permite.

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BSE 2014 © Blend All About Wine, Lda

O Branco Seco Especial é um dos melhores vinhos industriais portugueses – felizmente, Portugal tem cada vez mais destes produtos, quer em quantidade, quer na regularidade da qualidade.

A que sabe o BSE? Sabe a BSE. Um amigo telefonou-me para uma petiscada na sua casa. Vão estar amigos do liceu, uns colegas, música alta, as criancinhas e suas correrias…

– Sancha não puxe o cabelo à sua irmã.

– Rúben, partilha a playstation.

Há os fanáticos dos tremoços e das minis e quem gosta de vinho. Há mariscos, frango assado, presunto, uns enchidos, dois ou três queijos, pão bom…

É festa! E festa é festa! Como, no dia seguinte, não se quer acordar com um piano de cauda em cima da cabeça nem ouvir murmúrios como se fosse o carrilhão do Convento de Mafra a tocar finados, nem ter a boca como cartão canelado… o vinho da festa tem de ser bom.

O BSE é uma aposta segura. Como é se – por preguiça ou falta de comida em casa – for ao restaurante chinês do bairro ou a uma tasquinha familiar, onde a algibeira não grita. Precisão suíça.

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Aposto na Península de Setúbal

Texto João Barbosa

A Península de Setúbal é uma região «curiosa». Por um lado, está na Área Metropolitana de Lisboa, mas é também Alentejo. É decalcada do mapa dos distritos e se o desenho político já era abstruso, misturando realidades diversas, no vinho a patacoada é maior.

Não percebo que sentido faz uma vinha em Grândola estar no mesmo saco que uma em Palmela. Ah! A costa atlântica… então, por que é que Odemira é Alentejo? Além de que os concelhos alentejanos do distrito de Setúbal não estarem, de facto, numa península.

Burocracias e non-sense à parte, interessa o vinho duma região que considero muito interessante, do ponto de vista enófilo. Aliás, duas regiões que considero muito interessantes do ponto de vista enófilo.

Começo – e irei acabar – com a qualidade do vinho. É difícil encontrar um mau vinho da Península de Setúbal. Nas «duas regiões» há produtores de confiança. No entanto, são poucos os que têm uma dimensão para se mostrarem e com massa crítica. De acordo com informações da Comissão Vitivinícola Regional (CVR), há um «top 9», o que comprova o que quero dizer: o décimo é doutra realidade. São poucas as casas com, pelo menos, dimensão para delas se ouvir falar.

Por ordem alfabética – para não ferir susceptibilidades – Adega de Palmela, Adega de Pegões, Bacalhôa, Ermelinda Freitas, Horácio Simões, José Maria da Fonseca, SIVIPA, Venâncio da Costa Lima e Xavier Santana. Juntos fazem 98% do vinho. Entretanto, há um que ressurge Herdade de Rio Frio.

O sucesso dos vinhos pode avaliar-se pela dimensão da área agricultada, embora diminuindo: 9.450 hectares (2000) para 9.400 (2013). É a 6ª em produção, a 4ª na exportação e, garante a CVR, a evolução das vendas tem sido «excelente».

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Península de Setúbal in www.vinhosdapeninsuladesetubal.pt

Em 2000 fizeram-se 12.622 hectolitros de Moscatel de Setúbal, enquanto em 2013 chegou a 14.298. Os néctares com certificação Palmela passaram de 19.286 (2000), para 24.622 (2013). Os Regionais Península de Setúbal pularam de 110.818 (2000), para 245.558 (2013).

Em relação ao número de produtores, de 2000 para 2013: de 92 passaram a para 128. De Moscatel de Setúbal eram nove e hoje são 12. De Moscatel Roxo havia quatro e agora há seis.

Quanto a sucesso, penso que estamos conversados. Sendo as «9» responsáveis por 98%, isto quer dizer que servem de locomotiva para as pequenas firmas que exploram nichos. De todas elas, tenho uma especial afeição pela Herdade do Portocarro – com os fantásticos vinhos Cavalo Maluco e Anima – situada no Alentejo litoral.

Há uns anos, visitei, no âmbito dum programa para a RTP, um produtor da região e, apontando para uma vide de uvas tintas, perguntei ao repórter de imagem:

  • Sabes que casta é esta?

Respondeu-me que não.

  • É castelão.

Tinha, talvez, 95% de acertar… interveio o lavrador:

  • Por acaso, é syrah.

Durante mais de um século, os vinhos da região «significavam» castelão. Surgiram outras, mas esta variedade encontrou um patamar de estabilidade: 70% das tintas.

O que tem, então, esta região «2 em 1» de especial? Um misto de frescura e de calor, das areias e do bafo inerente ao Alentejo. Frescura advém-lhes, na Península de Setúbal, das localizações que podem estar mais altas e argilosas (Serra da Arrábida) e dos ventos que chegam dos estuários do Tejo e do Sado. No Alentejo Litoral, o Sado está mais próximo, os charcos dos arrozais convivem, o mar está perto e os pinhais dão-lhe subtilezas.

Quanto a mim – aqui junto o factor subjectivo do gosto – estas são duas regiões que valem bem a pena conhecer. E têm uma outra vantagem… os preços são habitualmente amigos da algibeira. Além de que há GRANDES vinhos, na península setubalense e no litoral alentejano.

Coleção Privada Domingos Soares Franco Moscatel de Setúbal (Armagnac)

Texto João Pedro Carvalho

Nasci e fui criado no Alentejo, mais propriamente em Vila Viçosa, quis a vida que aos meus 18 anos tivesse vindo estudar para Lisboa. Numa altura em que o vinho pouco me dizia a não ser por motivo de estar à mesa com os amigos lá se ia abrindo uma garrafa. E aqui novamente o destino colocou-me a morar paredes meias com um dos principais distribuidores de vinho da região de Lisboa. Não me lembro das vezes que lá entrei, na memória apenas retenho o muito que aprendi com as horas de conversa, os muitos vinhos que durante anos fui comprando e conhecendo, muitos deles acabadinhos de chegar dos produtores que na altura surgiam como cogumelos. O interesse pelo mundo do vinho foi crescendo e crescendo, fizeram-se as devidas formações e desta forma fui acompanhando já de forma mais consciente o evoluir de muitas dessas referências, o evoluir de muitos desses produtores.

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Coleção Privada Domingos Soares Franco Moscatel de Setúbal (Armagnac) – Foto de João Pedro Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Um daqueles momentos marcantes foi a descoberta dos grandes exemplares de Moscatel de Setúbal da José Maria da Fonseca ou mesmo do Bastardinho. E durante largos anos, hoje ainda se mantém, sempre que havia um jantar mais especial de amigos lá surgiam aquelas garrafinhas de Alambre20 Anos ao final da refeição para satisfação de todos.

Numa dessas visitas tinha acabado de chegar um novo lançamento da José Maria da Fonseca, um Moscatel a que o seu enólogo Domingos Soares Franco, decidido em inovar, chamou Colecção Privada. Fruto de uma investigação que durou cinco anos de ensaios com quatro tipos distintos de aguardente: neutra, Cognac, Armagnac e 50/50 Cognac Armagnac. Resultado foi que prevaleceu a escolha no Armagnac pela subtileza, frescura, complexidade e harmonia que mostra durante a prova. O envelhecimento é feito em cascos de madeira usada, sem estágio posterior em garrafa pois não evolui após o engarrafamento.

Sem ter todo aquele porte mais denso e melado que os exemplares mais velhos e de categoria superior, este Coleção Privada Domingos Soares Franco 2004 banhado com Armagnac mostra-se fresco e delicado, ao mesmo tempo que desperta o lado mais guloso. Muita tangerina, caramelo, alperce, tília, muito bem composto com um palato forrado de sabor, elegante e suavidade da fruta com caramelo e calda de laranja, acidez muito presente até final. Despedida longa e persistente, numa belíssima harmonia entre as sensações tanto do aroma como do palato. Para mim que sou guloso é parceiro ideal com uma torta de laranja.

Contactos
Quinta da Bassaqueira – Estrada Nacional 10,
2925-542 Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, Portugal
Tel: (+351) 212 197 500
E-mail: info@jmf.pt
Website: www.jmf.pt

Alambre 20 Anos…A magia do Moscatel de Setúbal

Texto João Pedro de Carvalho

Portugal é o único país do Mundo capaz de colocar à mesma mesa três generosos de classe Mundial, provenientes de três regiões fantásticas e únicas. Estes vinhos são o Vinho do Porto, Vinho da Madeira e obviamente o Moscatel de Setúbal.

O Moscatel de Setúbal é um vinho generoso com Denominação de Origem Protegida (DOP) reconhecida desde 1907. No entanto, na  José Maria da Fonseca, a produção destes vinhos remonta a 1834 o que possibilita ter um património inédito de vinhos moscatéis em stock.

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Alambre 20 Anos Moscatel de Setúbal – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Photo by João Pedro Carvalho | All Rights Reserved

O Alambre 20 Anos é elaborado a partir da casta Moscatel plantada em solos argilo-calcários, que da produção anual vê uma parte ser destinada ao envelhecimento mais prolongado em cascos de madeira usada na mítica Adega dos Teares Velhos (Vila Nogueira de Azeitão).

O vinho em causa é uma referência obrigatória e um dos meus favoritos, tendo lugar indiscutível entre os melhores vinhos doces de Portugal, com um preço que a rondar os 24€ lhe dá uma invejável relação preço/satisfação. Fruto de um conjunto de grandes moscatéis, envelhecidos e lotados com mestria, resulta um blend de 19 colheitas em que a mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga perto de 80 anos.

Um vinho muito complexo e intenso. Elegante, com notas de frutos secos e fruta passa, laranja cristalizada, mel, ligeiro vinagrinho, envolto em frescura e harmonia. Boca com grande presença, gordo mas com bastante frescura, macio com travo melado e de fruta, num final maravilhoso. É o par perfeito para um bom chocolate negro com laranja ou simplesmente para terminar um jantar de amigos em grande classe.

Contactos
José Maria da Fonseca, S.A.
Quinta da Bassaqueira, Estrada Nacional 10
2925-542, Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, Portugal
Tel: (+351) 212 197 500
Email: info@jmf.pt
Site: www.jmf.pt