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O Sossego da Herdade do Peso

Texto João Pedro de Carvalho

Situada no Baixo Alentejo, em plena Vidigueira, a Herdade do Peso acaba de colocar no mercado as últimas novidades, de nome Sossego, que se apresentam no formato branco, rosado e tinto. Surgem assim, na Herdade do Peso, os novos vinhos que se situam no patamar imediato ao Vinha do Monte, como vinhos indicados para um consumo mais casual e diário, com uma qualidade interessante para o objectivo pretendido. E é neste sossego por mim tão desejado e que me tem mantido nestes últimos dias bem afastado do reboliço da cidade, que me vou deixando deliciar pelos aromas e sabores dos vinhos que me vão passando pelo copo.

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Vinhas – Foto da Herdade do Peso | Todos os Direitos Reservados

Neste caso é a franqueza de aromas que os domina por inteiro, a frescura em conjunto sempre bem afinado, mostra-se ao lado da fruta (madura e fresca) de intensidade mediana tal como se mostram a nível de corpo. E mesmo neste sossego deseja-se e procura-se alguma irreverência ou mesmo aquele algo mais que faça despontar o interesse naquilo que temos pela frente. Apetecia pois um pouco mais, mas talvez isso fosse pedir o que não se pode dar, ou o que não faz parte da estratégia delineada. Resta-nos, pois, em sossego apreciar estas novas referências:

Sossego branco 2015: num lote tipicamente alentejano com 75% Antão Vaz, 20% Arinto e 5% Roupeiro, fruta fresca e madura de bom nível com exuberância de bom tom, ligeiro floral a fechar o conjunto, algo discreto com boa secura no fundo, mas pronto para a mesa.

Sossego Rosé 2015: feito exclusivamente de Touriga Nacional, bonito na cor e na candura dos aromas, frescos, ligeiros e apelativos, sendo direto na forma como se faz mostrar. Presença mediana no palato sendo a fruta novamente protagonista, calmo, sereno, ligeira secura de fundo num perfil que agrada.

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Vinhos – Foto de Herdade do Peso | Todos os Direitos Reservados

Sossego tinto 2014: criado a partir de um lote de 75% Aragonez, 15% Syrah, 10% Touriga Nacional, com direito a estágio de 6 meses em barrica usada. Muita fruta madura em tom silvestre (amora, framboesa) com o aconchego da barrica, elegância num todo harmonioso. Boca num misto de fruta e frescura, corpo mediano com boa presença.

Biodynamic Wine by Monty Waldin

Texto João Pedro de Carvalho

É a mais recente pérola a ser adicionada ao já vasto leque de livros dedicados ao mundo do vinho com a chancela da editora Infinite Ideias. Cada título da The Infinite Ideias Classic Wine Library cobre uma região, país ou tipo de vinho e se tivermos em linha de conta os outros livros que já aqui foram abordados então podemos dizer que a qualidade está uma vez mais colocada num patamar muito alto.

O livro cujo título é Biodynamic Wine, versa sobre um tema que será controverso e originário de grandes discussões tendo por um lado os seus admiradores e seguidores/praticantes, sendo que também podemos contar com uma grande quantidade de cépticos e não crentes. O autor é Monty Waldin, uma autoridade no que toca a vinho orgânico e biodinâmico, também crítico, consultor e viticultor. O livro é uma janela aberta para o vinho biodinâmico, uma verdadeira fonte de conhecimento onde o autor com uma escrita fluida e cativante nos explica passo a passo processos e filosofias desta maneira de estar no mundo dos vinhos.

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Biodynamic Wine by Monty Waldin

Ao longo de 222 páginas vamos sendo guiados pelo mundo do vinho Biodinâmico, não espere encontrar avaliação de vinhos ou de produtores porque simplesmente não vai encontrar. Feita a introdução necessária somos levados a conhecer as origens da Biodinâmica onde a figura de Rudolf Steiner ganha o esperado protagonismo. Nos capítulos que se seguem são abordados todos os preparados, onde ficamos a conhecer entre muitas outras coisas o porquê dos cornos de vaca serem cheios de estrume e enterrados a determinada altura do ano, isto e muito mais sempre guiados pelas mais variadas técnicas e tratamentos alterativos que vão sendo enumerados e explicados um a um. Qual a importância do vortex na altura de dinamizar os preparados? Ou qual a ligação dos organismos ao cosmos e como daí se trabalha seguindo o ritmo celestial? Por último um capítulo dedicado à certificação Demeter, o rigor é o mesmo de sempre tal como a vontade de continuar a ler e a entender este modo de estar que cada vez mais ganha adeptos entre os produtores de vinho por todo o mundo.

Um livro de referência e obrigatório para todos aqueles que de alguma maneira tenham ligação com o fantástico mundo do vinho, sejam profissionais do ramo ou wine lovers.

Aromas de Cidrô, as novidades da Real Companhia Velha

Texto João Pedro de Carvalho

O portefólio de vinhos da Real Companhia Velha produzidos na Quinta de Cidrô, assenta numa surpreendente colecção de castas nacionais e estrangeiras. Localizada perto de São João da Pesqueira com os mais de 150 hectares de vinha, as suas primeiras plantações datam dos finais do séc. XIX, altura que coincide com a construção do seu bonito e imponente Palácio. A Quinta de Cidrô viria a ser comprada pela Real Companhia Velha em 1972 e seria alvo de uma necessária reestruturação, tanto a nível das vinhas como do seu palácio, compra de novas parcelas e plantação de novas vinhas, tudo num sistema de vinha ao alto, como é possível observar na fotografia.

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As vinhas – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Num conceito que poderemos dizer de irreverência e inovação, castas brancas como Chardonnay, Boal, Alvarinho, Sauvignon Blanc ou Gewurztraminer ou tintas como a Pinot Noir, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Rufete, têm preenchido os nossos copos de aromas e sabores oriundos da Quinta de Cidrô. Em conversa ficamos a saber que falta no ramalhete das brancas a casta Riesling, que com toda a certeza por ali irá ser colocada. Certamente que a frescura das terras da Quinta de Cidrô vai acolher da melhor forma a nova inquilina, tal como tem feito com todas as restantes que tão bons resultados têm conseguido.

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Os vinhos em prova – Foto de Gonçalo VillaVerde | Todos os Direitos Reservados

Basta ter em memória o Quinta do Sidrô 1996 e comparar com o mais recente Quinta de Cidrô Chardonnay 2015, para entender o caminho de sucesso que tem vindo a ser percorrido nesta casa nos últimos anos. A prova teve uma mão cheia de brancos e um rosé, no total foram 6 vinhos e todos eles a mostrarem aromas espevitados e bem definidos, de perfil cada vez mais refinado e elegante mas com o Douro a marcar-lhes a alma. Uma evolução que se tem feito ao longo das colheitas onde cada vez mais os vinhos mostram os muitos encantos do local onde nasceram.

Quinta de Cidrô Alvarinho 2015: A mostrar frescura num conjunto bastante focado e coeso, estruturado e marcado pelo terroir do Douro com notas de fruto de pomar, citrinos e uma ligeira austeridade mineral em fundo. Passagem de boca com boa presença, saboroso e a fruta a marcar os sabores num final fresco e seco.

Quinta de Cidrô Sauvignon Blanc 2015: Ainda muito novo, expressivo num misto de fruta austera de caracter mais tropical e um toque de rebuçado de limão, vegetal fresco (espargo), conjunto coeso com o palato a médio tom no que a presença diz respeito. A fruta está menos presente que no nariz, terminando fresco e com boa persistência.

Quinta de Cidrô Boal 2014: A casta Semillon é conhecida no Douro como Boal, pelo que o vinho muda de nome, mas felizmente não mudou mais nada e por isso mantém todos os seus encantos. É claramente dos meus favoritos da prova, um vinho cheio e envolvente, que nos marca pela frescura e pelo tom mais morno que a madeira lhe confere. Cheio e opulento nos sabores e aromas, a acidez que tem domina-lhe por completo o espírito. Um daqueles para se ter, beber e se conseguir, guardar.

Quinta de Cidrô Chardonnay 2015: É já um clássico e dos mais bem conseguidos exemplares de Chardonnay feitos em Portugal vai para largos anos. O vinho surge mais elegante e refinado, nota-se a mão do enólogo, numa ligeira sensação de pão torrado, aconchego da madeira muito subtil com frescura e elegância da fruta de pomar, ananás mais dissimulado, coeso e ao mesmo tempo delicado, limpo e cativante.

Quinta de Cidrô Gewurztraminer 2015: Aroma cheio de líchias e pétalas de rosas, cheio de frescura num aroma muito directo que chega a saturar o nariz e mesmo o palato que quase sempre é um misto de frescura com água de rosas. O problema é meu certamente pois são casos raros os vinhos desta casta que me conquistaram, este não foge à regra e foi o que menos gostei da prova.

Quinta de Cidrô Rosé 2015: Um Rosé feito a partir de Touriga Nacional e Touriga Franca, mostra-se seco com toque fumado, misto de frutos vermelhos e flores (rosas de Santa Teresinha). Replica no palato o já descrito, marcado pela fruta bem saborosa e por uma boa secura no final.

Contactos
Quinta de Cidrô
5130-307 S. João da Pesqueira
Tel: (+351) 254 738 050
Fax: (+351) 254 730 851
E-mail: turismorealcompanhiavelha@gmail.com
Website: www.realcompanhiavelha.pt

Quinta de Pancas, o renascimento de um clássico

Texto João Pedro de Carvalho

Continuo no meu pequeno tour pelas belas Quintas que rodeia a cidade de Lisboa, desta vez fui visitar a prestigiada Quinta de Pancas que tanto e tão bom vinho tem colocado na mesa dos consumidores nas últimas décadas. A Quinta de Pancas, fundada em 1495, está localizada a 45 km a noroeste da cidade de Lisboa, na freguesia de Santo Estevão e Triana, no chamado “Alto Concelho de Alenquer” junto ao lugar de Pancas. Entre a Serra de Montejunto e a lezíria da margem direita do rio Tejo, por entre montanhas, montes, vales e planícies a Quinta de Pancas mostra-se altaneira com os seus 50 hectares de vinha. Por ali os solos predominantes são calcários, variando a sua origem conforme a altitude das respectivas parcelas e ao declive das mesmas. Dominam nas variedades tintas a Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah, Merlot, Castelão, Alicante Bouschet, Tinta Roriz, Touriga Franca, Petit Verdot e Malbec. Nas variedades brancas temos a Arinto, Chardonnay e Vital.

Durante anos os seus vinhos conquistaram os gostos dos consumidores mais exigentes, foram famosos e alvos de cobiça na década de 90 os Special Selection onde brilhava entre outros o Touriga Nacional e o Cabernet Sauvignon, o piscar de olhos a um perfil inspirado nos vinhos de Bordéus nunca foi escondido nesta casa. No final dessa mesma década foi colocado no mercado aquele que seria o topo de gama, um vinho que ainda hoje me trás muito boas recordações, um vinho de excelência que dava pelo nome de Quinta de Pancas Premium. Depois o tempo deu passadas bem largas e assistimos a uma renovação do que por ali era feito, perdeu-se algum encanto mas não se perdeu o “savoir faire” e exemplo disso foi o lançamento do Grande Escolha.

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Solar de Pancas – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Nos dias de hoje assistimos ao renascimento da Quinta de Pancas alicerçada numa nova estratégia que inclui juntamente com a Quinta do Cardo a separação da Companhia das Quintas, apresentando-se agora com imagem renovada, assinada por Rita Rivotti. Os vinhos, rótulos incluídos, também foram alvo dessa mesma renovação e foram apresentados recentemente. Como gama de entrada estão os Pancas na versão tinto e branco, ambos da colheita de 2015, num perfil simples e bastante directo, centrados na fruta madura bem fresca e convidativa, são a meu ver belíssimas compras para um consumo diário.

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Os novos vinhos – Foto Cedida por Quinta de Pancas | Todos os Direitos Reservados

Na gama Quinta de Pancas também em modo branco 2015 e tinto 2014, aqui melhor o branco na forma como se mostra, o tinto mais coeso e pouco falador ficando melhor na fotografia o Pancas 2015 pela jovialidade e forma desempoeirada como se mostrou. Já o branco mostra toda a candura da fruta madura, fresca e airosa, com ligeiro arredondamento. É um claro salto em frente na qualidade e no prazer que proporciona, para se terminar com os dois Reserva, também em formato branco com um 100% Arinto de 2014 e o tinto Reserva de 2013. O Reserva branco teve passagem por madeira durante 8 meses, o suficiente para lhe acalmar o espírito e conferir maior complexidade ao conjunto, dominado pela fruta madura com citrinos a fazer lembrar uma tarte de limão, ligeira baunilha e biscoito. Palato a condizer, bastante frescura suportada por uma bela estrutura. Também o Reserva tinto 2013 tem muito para mostrar, num perfil mais arredondado com nota de fruta vermelha bem rechonchuda, pleno de harmonia e sabor, madeira pouco presente e que dá lugar à fruta para que se destaque. Com vigor no palato, saboroso e com muito boa frescura a embalar a prova que pede comida por perto. Na passagem breve pelos vinhos ainda em estágio, direi que o futuro é uma vez mais prometedor para os lados da Quinta de Pancas.

Contactos
Quinta de Pancas
Porto da Luz, 2580-383 Alenquer
Tel: (+351) 263733219
Email: info@companhiadasquintas.pt
Website: www.companhiadasquintas.com

Quinta dos Plátanos, na rota dos clássicos

Texto João Pedro de Carvalho

A Quinta dos Plátanos insere-se na Região Vitivinícola da Estremadura, com Denominação de Origem de Alenquer. Uma das Quintas mais antigas do concelho de Alenquer, pertence, à freguesia de Aldeia Galega da Merceana.

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Quinta dos Plátanos – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

A principal actividade ao longo dos anos, desde o século XVII, tem sido a vitivinicultura. Sempre mantida no seio da mesma família, seria já no século XX que se dá uma renovação, inicialmente pelas mãos de Artur de Menezes Corrêa de Sá, como posteriormente pelo seu filho mais velho, José de Menezes Corrêa de Sá. Surgem então as primeiras vinhas aramadas e com compassos que permitem a mecanização dos trabalhos, primeiro com alfaias de tracção animal, depois mecânica e utilizando mesmo meios aéreos nos tratamentos sendo então apontada como pioneira nalgumas práticas. Na década de 50 é feita a total renovação da adega que permitiu nos anos 60 o aparecimento dos vinhos com a marca Plátanos. Apenas mais tarde com a criação da Região Demarcada, passam a ser denominados Quinta dos Plátanos. Já nos últimos anos se tem procedido á reestruturação das vinhas, com 16 hectares onde se inclui Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Syrah e Cabernet Sauvignon. No total são 35 hectares de vinha entre castas brancas com destaque para o Arinto e o Fernão Pires e nas tintas para além das já referidas, Pinot Noir, Castelão e Alicante Bouschet.

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As vinhas – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Hoje em dia é Artur Corrêa de Sá e a sua filha Luísa que gerem os destinos da Quinta dos Plátanos. A enologia está a cargo de Jorge Páscoa embora na prova dos vinhos se note uma clara distinção entre as gamas apresentadas, uma linha que separa a gama Quinta dos Plátanos e a Plátanos. Essa distinção deve-se ao marido de Luísa, o produtor Joaquim Arnaud. Enquanto os primeiros vinhos mostram o lado mais clássico e digamos, mais rústico da região, os vinhos Plátanos mostram-se na faceta mais elegante como é apanágio da linhagem Arundel (Pavia). Um local que transpira história, cheio de recantos fantásticos, que quanto a mim continua à espera de vinhos à sua dimensão, o que pelo provado parecem estar no bom caminho mas ainda com alguma distância a percorrer.

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As vinhas – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Os vinhos – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Os dois Quinta dos Plátanos surgem com DOC Alenquer, o tinto de 2014 e o branco também de 2014. O tinto mostra-se com raça, muita fruta preta madura, frescura bem presente com um travo algo vegetal que lhe dá dureza e rusticidade. Na boca é focado na fruta, carnuda em corpo mediano, saboroso e com boa frescura. O branco vai buscar os encantos às castas Arinto e Fernão Pires, com grande frescura, aromas com alguma acutilância, muito citrino e alguma fruta de pomar, flores e rebuçado de limão no final. Boca a condizer, fresco, convidativo e apelativo para a mesa em tempo quente. Na gama Plátanos dois vinhos, Plátanos Arinto 2014, com a casta bem presente nos aromas de folha de limoeiro, lima e limão, grande frescura, tenso e com ligeiro floral algo tímido em segundo plano, num bom exemplar da casta embora lhe falte maior acutilância na prova de boca. O Plátanos Tou Noir 2010 é fruto das castas Touriga Nacional e Pinot Noir, mostra-se fresco e muito apelativo, com uma bonita capacidade de se ir alterando no copo e ajustando com o tempo. Torna-se guloso, fresco e terrivelmente gastronómico com aqueles nacos de vitela no carvão acompanhados com manteiga de alho. Muita fruta do bosque bem suculenta, madura e gulosa, carnudo e saboroso, cheio de especiarias, muita garra ao mesmo tempo que escorre guloso pelo palato, todo ele embalado por uma bela frescura que em momento algum o deixa esmorecer.

Vinhos Dona Berta, o perdurar de uma vontade

Texto João Pedro de Carvalho

Num pulo até ao Douro Superior, a Freixo do Numão, onde está sediada a adega dos vinhos Dona Berta. Durante anos a imagem de marca deste vinho foi o seu carismático produtor que recordo com saudade, o Engº Hernâni Verdelho. Foi com ele que conheci pela primeira vez a casta Rabigato, da qual era acérrimo defensor, e fiquei a conhecer os seus vinhos cheios de carácter, quer tintos quer brancos. As conversas duravam horas, sempre bem-disposto e com um carisma que conseguia transmitir como poucos para os seus vinhos. Era interessante notar que a raça e o toque por vezes até mais rústico que por vezes teimavam em mostrar de início, parecia que se vergava, qual vénia, aos pés do Engº Verdelho. Retomando as provas e o contacto com as novas colheitas, os vinhos sentem a falta do seu criador embora as linhas que os definem estejam presentes. Foram os herdeiros que deram continuidade ao projecto, fizeram perdurar o sonho de um homem, que de resto continua a ser alimentado pela fantástica mancha de vinhedo velho de onde nascem as variadas referências da adega. São vinhos que precisam de tempo em garrafa, cujo carácter bem vincado muda consoante o ano de colheita. É essa maneira de ser que procuro e gosto num vinho, que nos transmita a forma de estar durante um ano, que não seja igual ano após ano como se de um produto feito em série se tratasse. Estes que agora falo são vinhos com potencial de envelhecimento, que foram sabiamente educados e preparados para a vida pelo enólogo e professor Virgílio Loureiro. Desta forma não se estranhe que passados dez anos, quer tintos quer brancos, se mostrem com uma invejável saúde.

Uma prova com dois momentos, o primeiro com o vinho Dona Berta Vinhas Velhas Reserva branco 2015 a mostrar um 100% Rabigato cheio de frescura com a raça que lhe é conhecida. O vinho abandonou os aromas intensos e mais frutados que de certa maneira faziam adivinhar a casta no imediato, para agora mostrar-se mais tenso e mineral. Muito boa a frescura com a fruta bem coesa e presente, sem exageros que nunca aqui fizeram a festa. Tenso e com nervo na boca, boa secura no fundo de corpo bem estruturado, tem tudo para evoluir favoravelmente na passada do tempo. Por agora pede pratos de peixe/marisco com bom tempero até porque a estrutura que mostra ter, dá-lhe essa capacidade de embate. Peixe grelhado no carvão fará uma bela companhia.

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Dona Berta Vinhas Velhas Reserva branco 2015 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Dona Berta Reserva tinto 2012 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

O segundo momento coube ao Dona Berta Reserva tinto 2012, onde mais uma vez o tinto leva o seu tempo a entrar para o mercado. Muito carácter num vinho com raça e cheio de energia, muita fruta (bagas e frutos silvestres) mas também uma ligeira austeridade quer a nível de aroma como faz intensão de o confirmar no palato. Tudo muito compacto e bem coeso, apertado de tal forma que só com tempo é que se vão poder descortinar melhor os aromas. Por enquanto é um tinto cheio de vida e energia, capaz de fazer um brilharete com um bife de novilho no carvão com molho alioli.

Quinta da Gândara

Texto João Pedro de Carvalho

Da Sociedade Agrícola de Mortágua, sai este branco produzido na Quinta da Gândara, fundada em 1756. Dos solos graníticos por entre as serras do Caramulo e Bussaco nascem as uvas que dão origem aos dois vinhos agora provados, um branco a partir da casta Encruzado e um tinto de Touriga Nacional. À falta de informação mais detalhada e apurada, apenas de registar que ficam inseridos no “plantel” do produtor Caves da Montanha (Bairrada). Vinhos inseridos num perfil que não vira costas à região, notamos, porém, que tudo se faz notar com um cunho mais modernista e à imagem dos nossos dias.

Não que isso seja mau sinal, apenas sinais de que a região tem de sabido evoluir e recolocar-se face às exigências do mercado e nos novos consumidores. Sinal disto são os vinhos de cunho mais moderno, mais prontos a beber e de taninos mais afinados onde o estágio e a vida em garrafa é muitas vezes deixada de lado. Somos por isso mesmo confrontados com o prazer imediato e ficamos a perder aquele potencial de guarda que tanta fama deu a regiões como é o caso do Dão. Resta saber se este é o caminho a seguir ou se foi apenas um atalho que se escolheu na procura do sucesso precoce. Ora num registo mais actual e moderno, mas como já foi dito, onde a região se faz notar no perfil, ambos ostentam a designação Reserva, a passagem por madeira foi em madeira nova de carvalho Francês e teve a duração de sete meses para o Branco e dez meses para o Tinto.

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Quinta da Gândara Touriga Nacional Reserva 2011 & Quinta da Gândara Reserva Encruzado 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Enquanto o Quinta da Gândara Reserva Encruzado 2013 se mostra de aroma rico, amplo com clara presença da madeira embrenhada na fruta madura com algum fruto seco a apontar numa nota de evolução precoce. No restante conjunto mostra-se fresco, médio porte, com fundo de recorte mineral a lembrar pederneira, baunilha, num perfil de peso médio com boa dose de frescura. Na boca conjuga a fruta madura com notas de tarte de limão, amplo e com secura final.

Já o Quinta da Gândara Reserva Touriga Nacional 2011 é o oposto do branco, um vinho cujos aromas remetem no imediato para o Dão. Num conjunto de boa frescura a mostrar uma Touriga Nacional fresca e madura, floral, casca de laranja com ligeira ponta de austeridade e exuberância. Tudo embalado num tom guloso com notas de cacau, especiarias, geleia de frutos do bosque, embrulhado em frescura com boca coesa, muita energia com austeridade de fundo, carnudo e cheio de sabor.

Ao sabor da história: Frasqueira Soares Franco

Texto João Pedro de Carvalho

Nas aventuras e desventuras de um enófilo há momentos que marcam de certa forma o nosso percurso, a origem é quase sempre um ou vários vinhos inesquecíveis. Não haverá nada mais empolgante que literalmente dar de caras com uma preciosidade e desbravar caminho até descobrir a sua história. Foi isso que aconteceu com dois exemplares raríssimos pertencentes à Frasqueira de António Porto Soares Franco, cujos vinhos fazem parte do espólio familiar da família Soares Franco localizado no quartel general da José Maria da Fonseca mais propriamente na Adega dos Teares Velhos. Recuamos ao tempo de António Porto Soares Franco, que era na altura sócio da Companhia de Aguardentes da Madeira, as ligações à ilha abriram muitas portas e oportunidades de negócio, é aqui que entra o nome Abudarham. Consultando o livro “Madeira: The islands and their wines by Richard Mayson”, ficamos a saber que José Abudarham tinha dupla nacionalidade, Inglês e Francês, e que chegou à Madeira na primeira metade do séc. XIX. Ali se estabeleceu no negócio do vinho, com acesso ao que de melhor se produzia na altura, mas também do empréstimo de dinheiro, que mais tarde iria dar origem à Companhia de Seguros Aliança Madeirense. O seu negócio do vinho era centrado em vinho engarrafado, vendido essencialmente para França e Alemanha, após a sua morte em 1869 a firma passou a chamar-se Viúva Abudarham & Filhos acabando por na passada do tempo ser vendida à Madeira Wine Association que é hoje a Madeira Wine Company. Sabendo a origem e o seu comerciante, restava apenas reparar nos detalhes que a pequena fita colada à garrafa tinha, a tinta permanente que já mal se vislumbrara no rótulo surgia ténue e a indicar 1795. Após alguma pesquisa e cruzamento de dados chega-se à conclusão que o vinho em causa é um Terrantez 1795 do qual há vários de garrafas que foram a leilão. A rolha saiu à força das lâminas, intacta e com a marca José Maria da Fonseca, sinal de que as rolhas são mudadas de x em x anos, o que foi confirmado pelo próprio produtor.

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Adega dos Teares Velhos – Foto Cedida por José Maria da Fonseca | Todos os Direitos Reservados

A segunda garrafa conta uma história diferente e que nos remete para o Vinho do Porto, também ostenta o nome Frasqueira Soares Franco cujo rótulo apenas mostra R.M 187X. Dada a idade das duas garrafas o tempo encarregou-se de comer grande parte dos rótulos e com eles a sua preciosa informação, no Madeira salvou-se a data numa fita de papel e neste Vinho do Porto ainda lhe resta algo de contra rótulo. Confirma-se posteriormente que as iniciais remetem para Ramiro Magalhães, um antigo comerciante de Vinho do Porto que morava no Bombarral. Ramiro Magalhães foi homem importante na sua terra, grande negociante de vinhos que para o seu tempo teria sido dos primeiros a ter automóvel e motorista. No contra rótulo consegue-se vislumbrar que o número que falta ficando o ano completo deste Vintage de 1878, o último ano pré filoxera. Neste caso não haverá muito mais a dizer, a informação restante apenas nos remete para o ano em causa que foi considerado ano clássico de Vintage.

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Um dos vinhos provados – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Frasqueira Soares Franco – Abudarham – Terrantez 1795: É impressionante a capacidade que este vinho tem em perfumar toda uma sala. Mal cai no copo ficamos hipnotizados pelas tonalidades que brilham no copo, um vinho com 221 anos a mostrar a razão pela qual mesmo depois de todos os vinhos servidos ao jantar, chega o Madeira e é o rei da festa. Neste caso o vinho é arrebatador e inesquecível, antes de tudo um ligeiro pico de volátil para depois ir conquistando com um tom morno e aconchegante de caramelo, baunilha, toffee, que nos preparam para o embate seguinte, uma enorme frescura. É essa mesma frescura que nos domina e deixa de mãos presas ao copo, um uau sai de imediato, é tipo aquelas montanhas russas que quando acaba queremos repetir. Aqui é igual, um vai e vem de sensações, aromas presos no tempo vão saltando do copo, fica a sensação de ligeira untuosidade carregado de frescura, no fundo algo que recorda o cheiro de cinzas de charuto. No palato é outra luta, uma conquista que nos prende com caramelo e açúcar queimado, arredonda ligeiramente num ponto que quase se trinca para depois disparar numa espiral louca de acidez com ligeiro amargo no final de boca. Inesquecível.

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Frasqueira Soares Franco – Abudarham – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Frasqueira Soares Franco – Ramiro Magalhães – Vintage 1878 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Frasqueira Soares Franco – Ramiro Magalhães – Vintage 1878: Um Vintage com 138 anos de vida, sim disse vida porque apesar de a tonalidade lembrar um tawny velho é notável a frescura e a definição aromática. Muito preciso e delicado, enorme elegância com aromas a fazer lembrar tabaco doce, especiarias finas, casca de laranja cristalizada, fruta em passa com tâmaras, conjunto acolhedor e ligeiramente untuoso. No palato entra guloso, untuoso e com bom volume de boca, ligeiro vinagrinho, é quase como um berlinde doce e fresco que se vai desfazendo no palato até que apenas resta um fino e prolongado final de boca. Majestoso.

Arundel, pelas terras de Pavia com Joaquim Arnaud

Texto João Pedro de Carvalho

Joaquim Arnaud, é um nome que existe desde 1883 e que tem vindo por tradição, a passar de geração em geração. É descendente de uma família Alentejana, de Pavia, ligada à Terra, e aí documentada desde 1515. A referida família, desde sempre se dedicou, ao montado, olival, vinha, cultivo de cereais e criação de gado (porcos, vacas, ovelhas e cavalar). As suas herdades situam-se nos concelhos de Mora e Arraiolos, distrito de Évora. Em 2010, como forma de potenciar estes recursos, Joaquim Arnaud, decide criar a sua marca personalizada, à qual atribui o seu próprio nome. O seu objectivo de negócio, assenta em apresentar ao mercado produtos seleccionados e de pequenas tiragens, em que se conjuga o artesanal com o sofisticado. É desta maneira que se apresenta o produtor Joaquim Arnaud, os vinhos que cria na sua adega falam por si, numa prova onde apenas me centrei nos exemplares oriundos do Alentejo, mais propriamente de Pavia.

Os seus vinhos exprimem uma vontade e um ideal, são ao seu gosto o que o levou a afastar-se do crivo da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana. Desta maneira não se sente apertado nem julgado, cria de forma livre os seus vinhos oriundos do terroir de Pavia. A sua gama de vinhos tem vindo a ser ampliada, nota-se que por ali não há pressa de lançar novidades nem novas colheitas, os vinhos apenas são dados a conhecer quando Joaquim Arnaud entende que é o momento. Por isso mesmo durante a prova oscilamos entre a força da juventude e os exemplares com os taninos já educados. Dos cinco vinhos apresentados decidi separar em três grupos:

Arundel Young 2013 e Arundel Petit 2012 são o exemplo da juventude e da força da fruta, ambos com aquela dose de austeridade a conferir muito boa energia ao conjunto. Ambos partilham o mesmo lote composto por Aragonez, Syrah, Trincadeira e Alicante Bouschet sendo que depois apenas varia o estágio em barrica, sendo de 6 meses para o Young e de 9 meses para o Petit. Vinho de perfil carnudo, denso, Alentejo bem presente com bouquet de qualidade a apresentar notas ameixa, amoras, especiarias, compota, boa frescura e pureza de aromas num conjunto que conquista e arrebata facilmente ao primeiro contacto. Vinhos que pedem comida por perto, carnes grelhadas são no momento o par ideal.

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Os Vinhos – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Mais recentes são as edições resultantes da parceria com a Trienal do Alentejo, a primeira edição é o Arundel 36 2009 que resulta de um vinho que ficou literalmente esquecido na adega, muito pouca quantidade da qual apenas resultaram cerca de 500 garrafas e cujo estágio total foi de 36 meses. Conjunto sério que mostra um misto de fruta doce com notas de mirtilo vermelho com morango e amoras, tudo fresco, perfume floral ligeiro com especiaria de fundo. Grande harmonia de conjunto, com uma boa passagem de boca, aqui num perfil mais aberto e menos concentrado mas a vincar todo o palato com sabores de fruta e especiarias. Termina amplo com ligeira secura na faceta gastronómica que é apanágio desta casa.

A segunda edição dá por nome de Arundel T&T 2012 de lote com base nas castas dos dois vinhos anteriores, apenas o estágio passa para 12 meses de barrica. O T&T para os mais curiosos são as iniciais da Trienal e da Terranagro (empresa produtora dos vinhos de Joaquim Arnaud). Mais um exemplar que conjuga finesse, frescura com a fruta neste caso menos presente dando lugar a um lado mais floral e especiado. A fruta vermelha e ácida, em tons de framboesas e mirtilos, surgem em segundo plano ao lado de um ligeiro terroso/grafite. Boca cheia de sabor, ligeira secura no fundo, muito cacau, folha de tabaco e fruta.

O culminar é o Arundel Great 2008, 400 garrafas com direito a um estágio de 12 meses em barricas mais 24 meses em garrafas num lote 100% Alicante Bouschet. Um tinto arrebatador ao primeiro contacto tal a finesse e lascividade com que se mostra. Pura classe, muita harmonia num vinho adulto e pronto a dar prazer, muito perfumado com a fruta sumarenta e fresca, inserida num bouquet de enorme qualidade onde tudo se mostra bem definido, nada beliscado pelo tempo apenas a mostrar que tem sabido evoluir para o melhor dos lados. Tal como todos os vinhos do produtor mostra um carácter bem Alentejano, a pedir mesa por perto, brilhando muito alto com umas perdizes albardadas.

Lua Cheia em Vinhas Velhas no Douro

Texto João Pedro de Carvalho

Num mercado onde a oferta cada vez é maior e onde a qualidade é ponto assente nos vinhos de Portugal, torna-se cada vez mais complicado conseguir acompanhar o ritmo de todos os produtores, marcas ou projectos. Não se estranhe por isso que a surpresa e a novidade estejam cada vez mais ao virar de cada esquina, de cada prateleira ou copo servido por amigos. Há tanta coisa para se conhecer e ser conhecida que se torna impossível chegar a todo o lado ou conseguir ter um conhecimento tão abrangente que se diga de peito cheio, eu conheço tudo. No meu caso escrevo acerca deste projecto de cujo nome apenas tinha ouvido falar e mesmo apesar de já ter lido sobre ele, nunca tinha tido a oportunidade de ter os seus vinhos no meu copo.

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Quinta do Bronze in facebook.com/LuaCheiaEmVinhasVelhas

Encaro o mundo dos vinhos como quem olha para o céu estrelado, é impossível conhecer ou contar todas as estrelas do céu, nos vinhos é a mesma coisa. Neste caso o projecto tem um nome no mínimo curioso, mas também capaz de nos cativar a atenção, bate no ouvido quando ouvimos Lua Cheia em Vinhas Velhas. O projecto com o mesmo nome resulta da ligação apaixonada que os 3 fundadores – João Silva e Sousa, Francisco Baptista e Manuel Dias – mantêm com o Douro há mais de duas décadas. Depois de tantos anos a serem surpreendidos por esta região vitícola única, em 2009 chegou a altura de mostrar a forma como viam os vinhos do Douro. Das uvas compradas passaram a ter vinha própria, cerca de 10 hectares de vinha com a compra da Quinta do Bronze em Vale Mendiz. Apesar de já se ter expandido por outras regiões é aqui no Douro que nos vamos focar e nas novas colheitas acabadas de chegar ao mercado, onde curiosamente o uso de madeira foi deixado apenas para o tinto Reserva Especial e para o Reserva branco, de resto todos os vinhos apenas conhecem o frio do inox. De salientar a excelente relação preço/qualidade de todos os vinhos provados.

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The Wines in facebook.com/LuaCheiaEmVinhasVelhas

Lua Cheia em Vinhas Velhas Branco 2015: Elaborado a partir de vinhas velhas, muito perfumado e fresco com notas de frutos de pomar e flores, fundo mineral num conjunto muito harmonioso.

Lua Cheia em Vinhas Velhas Rosé 2015: Boa intensidade aromática a mostrar um vinho rosé centrado na fruta (morango, framboesa) bem fresca e madura. Complementa-se com ligeiríssimo floral e alguma especiaria, num conjunto jovem e equilibrado.

Lua Cheia em Vinhas Velhas Tinto 2014: Um tinto que respira Douro, fresco e bem perfumado é a fruta bem sumarenta e gulosa que se destaca em primeiro plano. Ligeiro aroma vegetal e invocar a esteva tão costumeira nos tintos da região. Corpo mediano com taninos a conferir boa secura final num vinho que tal como os restantes mostra um perfil bastante gastronómico.

Lua Cheia em Vinhas Velhas Reserva Especial 2014: Teve direito a 12 meses de estágio em barrica de carvalho Francês. Grande harmonia de conjunto com a fruta (groselha, morango, framboesa) a despontar, bem madura e com frescura a mostrar boa complexidade com notas florais, ligeiro cacau, tudo com muita elegância. Cativante e muito saboroso é daqueles vinhos que é difícil não se gostar dele.

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