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Terra e Mar

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Mendes

Não é segredo que a maior parte das regiões vitivinícolas portuguesas ainda são desconhecidas para a maior parte das pessoas. Até para pessoas do meio. Portugal ganhou alguma fama nos últimos anos como um país de vinhos de vinhos de boa qualidade que não destrói a carteira. Com isto dito, Portugal tem todas as oportunidades de produzir vinhos dessa estatura que provavelmente iriam destruir a nossa carteira. Isso é tudo que sabemos. Ainda assim, como romântico incurável, estou um pouco assustado com a hipótese de o país vínico pelo qual me apaixonei um dia se tornar cada vez mais e mais mainstream. É o fardo de de um genuíno hipster vínico, acho.

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Copo de Vinho – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Chouriço – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Mas não me preciso de preocupar. Portugal, com as suas inúmeras castas irá manter afastadas do dia a dia do cidadão comum castas com nomes confusos como a Touriga Nacional e a Tinta Pinheira, para mencionar apenas algumas. Muitos dos meus amigos que viajaram para Portugal desconhecendo completamente os vinhos portugueses mas vieram embora como grandes fãs. Tal como eu.

Pessoalmente gosto de utilizar vinho quando cozinho. Não necessariamente na comida mas como fonte de inspiração. Quando comecei a fatiar o chouriço para a massa que estava a fazer fiquei, repentinamente, mas não surpreendentemente, com sede. Uma das mais valias de Portugal é definitivamente a boa relação qualidade/preço dos vinhos, o que por vezes pode ser tanto uma bênção como uma maldição. Vinhos fáceis de beber e acessíveis, de diferentes estilos, passam pelos copos com relativa facilidade.

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Massa “Terra e Mar” – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Enquanto preparava uma massa picante de camarão e chouriço “Terra e Mar” a minha mente voou até à Bairrada. Um pequeno e atrevido blend da Bagalândia era tudo o que precisava. Deitei mãos a um Torre de Coimbra 2012. Um blend de Baga, Touriga Nacional e Tinta Pinheira produzido pela LusoVini. De certeza, um vinho de exportação, porque, em todas as minhas viagens a Portugal nunca vi um vinho com uma rolha de rosca. De certeza que há alguns mas, não é comum num país que tem os sobreiros quase como sagrados. Nós, aqui no norte frio, não distinguiríamos um sobreiro de uma palmeira e é por isso que as rolhas de rosca são a escolha mais comum.

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Torre de Coimbra 2012 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O vinho em si apresentou-se.. humm.. qual é o termo científico…”razoável”. Bem, considerando que custou menos de €10 na loja de monopólio daqui, foi bem bom. Um vinho simples, frutado e com um toque de madeira. Podem achar uma surpresa mas, encontrar uma garrafa de vinho razoável na Finlândia por menos de €10, é mais fácil de dizer do que de fazer. Temos aqui bastantes vinhos trabalhados e tecnológicos, que são tudo menos interessantes. Este vinho da Bairrada aproxima-se de um vinho em condições portanto é um vinho em condições. Não é um vinho que me tire o sono mas é definitivamente um vinho que me vejo a beber novamente. Nem que seja para inspiração culinária.

Contactos
Lusovini Distribuição, SA
Avenida da Liberdade nº 15, Areal
3520-061 Nelas, Portugal
Tel: +351 232 942 153
Fax: +351 232 945 243
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Website: www.lusovini.com

Ferreira 10 anos Porto Branco

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Vivo numa cidade. Cresci no campo mas não me vejo a viver noutro sítio que não no meio do betão da minha cidade. Helsínquia tem o tamanho perfeito; não é nem muito grande, nem muito pequena. É a capital do país e apenas vive aqui meio milhão de pessoas. Bastante sossegada mas com movimento suficiente para a manter interessante. Ainda assim, sinto por vezes falta, em especial depois de uma semana de muito trabalho, da pacatez clássica do campo.

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Campo de Trigo – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Nada à nossa volta a não ser campos de trigo, florestas e lagos. A apenas uma hora de carro do norte de Helsínquia podemos encontrar todo o espaço e sossego que quisermos. Aquilo que costumo fazer é, pegar numa mão cheia de vinhos, boa comida e ir até lá para cozinhar e relaxar. Não estão a mentir quando dizem que cozinhar é bastante terapêutico. Não interessa se somos bons cozinheiros ou não, o facto de fazermos algo produtivo com as nossas próprias mãos é, em si, uma recompensa fantástica que nos faz ver as coisas de maneira diferente.

Há sempre espaço para os amigos e a família. Se quisesse passar tempo sozinho mudava-me para a Sibéria e tornava-me um monge. Encontro conforto em ter a família e os amigos ao pé de mim, a fazerem aquilo que fazem. Quando a mesa está posta, a comida começa a chegar e os vinhos alinham-se. Mesmo sendo a Finlândia um país difícil de alcançar geograficamente, temos aqui bastantes vinhos. Mas há um tipo de vinho que esteve ausente durante demasiado tempo, vinho do Porto branco. Na Finlândia é frustrante ser um apreciador de vinhos fortificados quando a escolha é muito limitada. Mas agora chegou cá um “novo” vinho.

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A mesa está posta – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Ferreira 10 anos Porto branco – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

É bem capaz de ser a melhor novidade do ano na Finlândia. O Ferreira 10 anos Porto branco é o recém-chegado de que toda a gente está a falar. Não consigo entender porque é que o vinho do Porto branco tem uma ligeira má reputação. Em todo o caso, para os que acham digo “ACORDEM!”. Vinhos do Porto brancos envelhecidos são, na minha opinião, alguns dos vinhos mais deliciosos e gastronomicamente harmoniosos. Este Porto sedutor é um excelente exemplo de um vinho do Porto branco de qualidade. A fruta madura, juntamente com os equilibrados aromas de envelhecimento em barril, cria uma excelente combinação de sabores. É abelha-rainha numa tábua de queijos, bom com queijo azul ou Gouda por exemplo, ou então como digestivo depois de jantar. É só deixar a cor dourada cintilar à luz da vela. É um cliché mas funciona, acreditem. Estou muito feliz por agora poder encontrar, aqui na Finlândia, um Porto branco que faça jus ao nome. Devagar, mas certamente, as pessoas estão a começar a descobrir o fantástico mundo dos vinhos do Porto brancos.

Chili com vinho (Esporão)

Texto Ilkka Sirén

“O que é que se come na Finlândia?”, é uma pergunta que ouço com bastante frequência. As pessoas esperam todo o tipo de respostas estranhas, como por exemplo, que como carne de urso crua e que tenho o meu próprio alce no qual vou todos os dias para o trabalho. Não é bem assim. Temos bastantes pratos tradicionais na Finlândia, mas a maior parte só comemos uma vez por ano. Não temos nada do género do bacalhau, como em Portugal, que se come quase diariamente ou pelo menos uma vez por semana. Os finlandeses em geral não utilizam muitas espécies na alimentação e, para ser honesto, a comida aqui é por vezes bastante insípida. Por outro lado, aqui, apreciam-se os sabores naturais dos bons ingredientes. Vegetais, raízes, bagas e cogumelos são algumas das coisas mais preciosas aqui no Norte gelado. Mas, sendo eu um fã de, por exemplo, cozinha tailandesa e vietnamita, aprecio comidas com sabores fortes e picantes.

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Swirl – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Tortilha – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Agora, a caminho de mais um difícil Inverno, sentamo-nos e esperamos que as folhas caiam e cubram tudo com cores bonitas. Neste momento já as noites estão a ficar mais frias e, quem sabe, se não começará já a nevar no próximo mês. De facto, neste momento, o Verão já só é uma longínqua miragem. Isto tem imapacto directo na cozinha das pessoas, especialmente na minha. E não é só isso, começo a cozinhar pratos mais calorosos e faço pickles de, literalmente, tudo. O Outono também se reflecte na minha escolha de vinhos mas vamos voltar a esse ponto mais tarde.

Tortilhas, tacos, burritos e carnitas estão longe de ser comidas tradicionais finlandesas mas devo confessar que sou um fã. A tortilha em si, aquele pão fino, é apenas um veículo para todas as coisas deliciosas; neste caso um habanero picante e um chili naga jolokia de carne. Apesar do chili naga jolokia ser cerca de 400 vezes mais picante que o molho de tabasco, a ideia aqui não é destruir o palato. Gosto de criar molhos poderosos e equilibrados mas ao mesmo tempo saborosos. Nem sempre consigo.

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Esporão Reserva 2011 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A pergunta é: com que servir este tipo de prato? O meu impulso natural seria “cerveja ou nada”. Sim, cerveja seria sem dúvida a harmonização mais fácil, mas tinha que existir outra coisa. Muitos teriam optado por um branco semi-seco, talvez um Riesling. A doçura a equilibrar o picante do chili, etc. De certeza que funcionaria mas, neste caso em particular, seria demasiado elegante. As tortilhas são tudo menos elegantes. São desengonçadas, desconcertadas e deliciosas. Queria algo com cojones apropriados para a situação. Entre então o Esporão Reserva 2011. Um blend robusto de Alicante Bouschet, Aragonês, Cabarnet Sauvignon e Trincadeira. Negro e denso como a árvore do rótulo, o Esporão Reserva 2011 é uma dádiva de Deus para as nossas noites frias e escuras. É definitivamente um vinho que devemos deixar perdido na garrafeira durante 1-12 anos mas que, com o chili de carne picante, deu lugar a uma harmonização brilhante. A princípio achei que seria um assalto aos sentidos. E devo dizer que houve bastante acção quando este amplo alentejano colidiu com o chili. Mas pouco depois, quando a poeira baixou, houve um saboroso e ligeiramente surpreendente casamento de sabores. Caso não estejam habituados ao chili a combinação poderá ser um pouco forte demais mas, se adorarem chili como eu, podem descobrir aqui algo muito especial.

Vinhos dos Açores, Encontros Inesperados

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Gosto de viajar. Quem é que não gosta?! Mas não gosto de andar de avião e acho que perder tempo em aeroportos é desumano, porém, algo pelo qual todos passamos. Agora, chegar ao nosso destino, isso é mágico! Descobrir novas coisas é como combustível para mim. É o que torna interessante esta nossa estranha vida.

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À espera do meu voo no Aeroporto de Frankfurt – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Vinhas em Wagram, Áustria – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Viajei recentemente para a Áustria e descobri alguns dos melhores vinhos brancos do mundo; Riesling e Grüner Veltliner. O que não sabia é que também ia descobrir algo completamente diferente. Para minha surpresa, um amigo meu também estava na Áustria durante a minha estadia. O plano era visitar algumas regiões vitivinícolas austríacas, como Wagram que é conhecida pelos seus vinhos Grüner e Roter Veltiner mas também pelos seus solos de loess profundos.

Depois do primeiro dia encontramo-nos no hotel para desfrutar de alguns copos de vinho com o grupo. Foi aí que as coisas começaram a ficar interessantes. Apesar de uma, aliás, duas pizzas terríveis que pareciam feitas de urânio terem passado pela mesa, houve um vinho que transformou completamente a noite.

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Verdelho O Original by: António Maçanita 2014 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O meu amigo desencantou uma garrafa de vinho dos Açores, Verdelho O Original by: António Maçanita 2014. Denominado “Original” porque, aparentemente, as pessoas têm tendência a confundir Verdelho, Verdejo e Gouveio. E o Verdelho dos Açores é o original. O vinho? Muito fácil de beber. Acho que demorei 10s a terminar o primeiro copo. O Segundo copo foi ainda mais rápido. O vinho apresentava um estado de maturação particular mas com uma boa acidez a apoiar. Ligeiramente viscoso com toque salgado. Suspeito que tenha existido algum contacto com peles. De qualquer maneira tinha ombros. Fez-me ficar ainda mais interessado pelos Açores.

Este arquipélago está localizado a mais de 1000km a Oeste de Portugal Continental e, literalmente, no meio do nada. Um local tão isolado e ainda por descobrir pela maior parte das pessoas, que até o capitão Ahab diria “obrigado, obrigado mas não”. A verdade é que nem sequer sei a verdade. Infelizmente nunca fui aos Açores mas o rumor é que as ilhas deste arquipélago são fenomenais. Um paraíso raro. Não é <ainda> conhecido pelos seus vinhos ou qualquer palavra associada mas parece-me que se está ali a produzir algo que colocará os Açores no mapa vínico com um grande estrondo! Fico mesmo à espera e preciso de fazer da minha visita aos Açores, uma prioridade.

Um ávido desejo por lagostim

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Yep. Chegou outra vez aquela altura do ano. Todos os anos, a 21 de Julho, ao meio-dia, começa a época de apanha ao lagostim. E todos os anos fico tanto excitado como com um pouco de medo. Embora o lagostim seja delicioso traz com ele uma série de jantares associados em que a schnapps aquavit se bebe como se de água se tratasse, mas volto a este ponto mais a seguir.

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A caminho da apanha do lagostim com o meu filho – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A época do lagostim está aberta de 21 de Julho até ao final de Outubro. É único período do ano em que se pode legalmente apanhar lagostim. Podemos encontrar estas pequenas criaturas em alguns rios e lagos. Tal como com os cogumelos, os melhores locais para apanhar lagostins são geralmente segredos que as pessoas guardam para si próprias. Ainda sou um iniciado na apanha do lagostim mas já ando à procura dos melhores lugares no meu lago e se encontrar algum lugar espectacular não vou fazer grande alarido. Porquê? Penso que faz parte. Normalmente vou num pequeno barco a remos e coloco as armadilhas durante a tarde porque a actividade destes deliciosos crustáceos é, geralmente, à noite. Portanto, é uma boa prática verificar as armadilhas mesmo antes de nos deitarmos e de manhã cedo.

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Endro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A parte difícil é apanhar os lagostins, cozinhá-los é bastante fácil. É só limpá-los, cozê-los em água quente com um pouco de sal, açúcar, endro e um pouco de cerveja. Na verdade o endro domina mesa, não é apenas utilizado no caldo, as pessoas também o utilizam para decorar a mesa nas festas/jantares de lagostim. E, se por acaso, tiveres dores de cabeça no dia a seguir, a culpa é do endro e nunca da schnapps. As festas de lagostim começam, normalmente, com uma sopa. Neste caso foi um sopa cremosa de cogumelos chaterelle com fatias finas de rena, cebolinha e pimento preta no topo feita pela minha mulher. Simplesmente delicioso.

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Sopa cremosa de cogumelos Chanterelle – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Para acompanhar a sopa bebemos o Dócil Riesling 2011 da Nieeport. Um vinho branco do Douro, tipo Mosel. Uma harmonização fabulosa, devo dizer! Apesar de o vinho ter mais corpo à volta da espinha do que os seus parentes germânicos, a qualidade de um Riesling do Douro fresco continua bastante elevada. Uma das razões para isto é a altitude das vinhas (800m). Produzir um vinho com tanta frescura e apenas 8% de teor alcoólico não é fácil mas a Nieeport conseguiu-o. Um vinho leve a acompanhar a sopa de entrada foi uma boa maneira de começar o jantar.

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Niepoort Dócil Riesling 2011 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Seguiu-se o lagostim. Uma bandeja de estes diabos vermelhos é uma consolo para os olhos. O preço do lagostim finlandês pode ser muito elevado e, por isso, apanhá-los nós próprios é, não só divertido, mas pode também prevenir a tua carteira de implodir. Comer estes espécimes exige arte, embora existam facas especiais para o lagostim a maior parte do trabalho é feito à mão. As pinças têm no interior um pouco do caldo delicioso e bem como alguma carne. Pode comer-se assim ou com pão e manteiga. Simples e saboroso.

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Bandeja de Lagostins – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois entra a schnapps. E pronto! O ditado popular diz “um schnapps por pinça”. Cada lagostim tem duas pinças e, em média, cada pessoa tem 10 lagostins à frente. Isso significa beber 20 shots de aquavit durante o jantar. O que vale é que nos dias de hoje isso não passa de um ditado. Ainda assim devo dizer que as pessoas bebem mesmo muito nos tradicionais jantares de lagostim. Também há muita cantoria, sendo Helan går! (“Tudo de uma vez”) a canção mais conhecida. A aquavit não tem a melhor das reputações na Finlândia mas não se enganem, existem muitas boas aquaviit por aí fora.

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Linie Double Cask Aquavit – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Uma das minhas favoritas é a Linie Double Cask Aquavit. Tal como os vinhos Madeira antigamente, esta aquavit norueguesa envelhece no mar. Faz duas viagens pelo Equador em cascos de xerez. Esta, em particular, viajou a bordo do M/V “Tamerlane”, de Oslo até Boston e, depois, até Sydney, Singapura, Yokohoma, Panamá e de volta a Oslo. Um aventura e tanto, eh? Depois, quando regressa à Noruega passa por um processo de envelhecimento extra em cascos de vinho do Porto. Tudo somado, 22 meses em casco. Definitivamente não é a maneira mais rentável de produção de bebidas alcoólicas. De qualquer forma é, não só uma das melhores aquavit no mercado, mas também uma das melhores bebidas brancas, ponto final.

Mais uma excelente festa de lagostim. Uma das alturas que anseio sempre todos os anos e que, por sua vez uma, desejo que acabe rapidamente. Aquele endro é letal!

Há Qualquer Coisa em Aveiro

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Já perdi a conta a quantas vezes visitei Portugal. Mas, uma vez que a maior parte das minhas viagens são direccionadas ao mundo do vinho tenho uma visão muito diferente do país. Acho que apenas fui uma vez à praia em Portugal, o que é um pouco estranho, especialmente para alguém que vem do frio do norte da Europa. As pessoas falavam-me das fabulosas praias de Portugal e eu apenas podia imaginar. Até ter visitado Aveiro.

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Palmeiras e Casas Bonitas – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Estava de visita à Bairrada, uma região vitivinícola famosa pela casta Baga e pelos seus spas termais. Foquei-me principalmente na primeira. Depois de me empanturrar com um delicioso leitão e de visitar um par de adegas, a enóloga local, Filipa Pato (veja aqui o artigo de Sarah Ahmed sobre Filipa Pato), sugeriu que eu visitasse Aveiro. Nunca tinha ouvido falar desta cidade mas fiquei curioso. Então saímos da Bairrada e fomos em direcção à praia.

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Uma Praia Perto de Aveiro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Aveiro é conhecida por algumas coisas em particular. As praias estão definitavamente na lista de coisas a conhecer para quem visita este lugar. Aveiro é apelidada de “Veneza de Portugal” por causa dos seus canais e barcos tipo gôndola. Mas digo-vos já, não é Veneza e não são gôndolas. Para começar, os barcos, ou moliceiros, são muito coloridos e muito bonitos. Mas quando olhamos mais de perto e com mais atenção vemos que a decoração é hummm… digamos que bastante particular.

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Moliceiros – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Localizada à beira mar, o peixe e o marisco são espectaculares aqui. A abundância de peixe, caranguejo e todo o tipo de petiscos do mar é incrível. Nunca sei o que pedir e por isso peço sempre um pouco de tudo. Arroz de marisco, camarões, talvez algumas ameijoas e o peixe do dia, seja ele qual for. Não esqueçamos o vinho. Uma vez que estávamos em Aveiro a Bairrada seria uma boa escolha para começar, geograficamente falando.

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I <3 Aveiro – – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Bebi um Quinta das Bageiras Bruto natural Rosé 2011. Um vinho espumante fresco e apetitoso de um dos melhores produtores de vinho da Bairrada. 100% Baga, 100% espectacular. Uma inexplicável boa harmonização com todo o tipo de peixe e marisco. Claro que, estando em Aveiro, para sobremesa se tem que experimentar os Ovos Moles. Um doce local que é feito de gemas de ovos e açúcar. Se gostas de coisas muito doces,então esta é a sobremesa certa para ti.

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Almoço – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

As praias magníficas e a proximidade a algumas das mais entusiasmantes regiões vitivinícolas do mundo, fazem desta cidade um excelente destino para surfistas e apreciadores de comida. Se quiseres apanhar uma onda ou passar um fim de tarde a beber vinhos deliciosos e a comer marisco de classe mundial, então Aveiro é o lugar para ti.

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Pôr do Sol em Aveiro – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Destaques: Verão em Portugal

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Este ano, eu e a minha família decidimos passar as férias de Verão em Portugal. Normalmente é um período que prefiro passar na Finlândia, mas o tempo varia muito e tanto podemos ter sorte como azar. Então fizemos as malas e apanhamos o literalmente o primeiro voo a sair do Aeroporto de Helsínquia, que por acaso é único voo directo para Portugal.

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Voo matinal para Lisboa – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O nosso voo de Lisboa para o Porto foi cancelado, como de costume, e de repente tínhamos 6 horas para matar. Quanto a vocês não sei, mas eu nunca na vida iria passar 6 horas no aeroporto sozinho quanto mais com um miúdo de 3 anos. Em vez disso apanhamos um táxi e fomos até ao Oceanário de Lisboa. Pesquisei no Google Maps, vi que não era muito longe do aeroporto e pensei que seria algo que o meu filho iria gostar. BINGO! Chegamos de manhã, mesmo quando estava a abrir, evitando filas de espera. O meu filho estava tão entusiasmado quanto eu. Em Helsínquia não temos um oceanário em condições, por isso foi uma bela experiência.

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Oceanário de Lisboa – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quando finalmente chegamos ao Porto fizemos uma visita rápida à adega da Ramos Pinto. Nunca tinha visitado a adega deles em Vila Nova de Gaia, e como tal estava na minha lista. São uma casa com uma história interessante, especialmente no que toca a marca/marketing. Além disso os vinhos deles também são espectaculares.

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Adega da Ramos Pinto em Vila Nova de Gaia – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

E depois comida. E logo um prato must try no Porto, “Amêijoas à Bulhão Pato”. Fantásticas amêijoas em molho de alho e azeite. Apetece passar o dia a molhar o pão naquele molho. Junte um copo de Vinho Verde na mão e asseguro-lhe meu amigo, será uma pessoa feliz.

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Amêijoas à Bulhão Pato – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Uma das razões que pelas quais optamos por visitar Portugal em pleno Verão foi o São João no Porto. O festival do São João, particularmente na cidade do Porto, é conhecido em todo o mundo. Nunca o experienciei pessoalmente, mas digamos que tem a sua reputação. Pessoas a grelhar sardinhas em todas as esquinas, cerveja literalmetne a correr pelas ruas e todo o tipo de festas e concertos a acontecerem ao mesmo tempo. Tal como depois expliquei a um amigo finlandês, é como se combinássemos a véspera de passagem de ano, o 1º de Maio e a Finlândia tivesse ganho a medalha de ouro de hóquei no gelo. Sim, é louco. Mas, obviamente, igualmente divertido.

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Costeleta – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois de um dia de excesso de sardinhas, fomos jantar ao restaurante Vinum no Graham’s lodge. Em parte pela comida mas claramente também pela vista. O restaurante tem um vista perfeita sobre a ponte Dom Luís I. Comemos sardinhas, claro, mas aquele bife… Uma costeleta espectacularmente cozinhada. Delicioso! Depois de nos termos empanturrado com boa comida era quase meia noite. Era assim que todos os jantares deviam acabar, com fogo de artifício sobre a ponte Dom Luís I. Depois voltamos para a Ribeira e fomos literalmente martelados. A tradição no S. João é as pessoas terem martelos barulhentos, de plástico, e martelarem na cabeça das outras pessoas que passam. E claro, as flores de alho. O raio das flores de alho. Enquanto nos dirigíamos  para a ponte, para atravessarmos para o Porto, reparamos que a ponte estava fechada. Esperamos à volta de 45min. no meio da multidão, excesso de cerveja e uma manada de “marteladores”, ao mesmo tempo que os nossos narizes eram confrontados com flores de alho. E deixem-me dizer que foram uns longos 45min. Foi um pouco assustador quando a polícia finalmente começou a deixar passar as pessoas. A ponte estava a abanar devido à quantidade de pessoas em cima da ponte. Por momentos pensei que a ponte fosse cair mas, felizmente, não.

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Fogo de artifício sobre a ponte Dom Luís I – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

No dia seguinte alugamos um carro e fomos em diecção ao Vinho Verde para algum descanso e recuperação na Quinta de Covela. Dias solarengos a ensinar o meu filho a nadar, passear nas vinhas e a desfrutar de um saboroso Avesso. Perfeito!

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Quinta da Covela – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Já que a minha família lá estava quis mostrar-lhes o Douro. Viajar pelas estradas estreitas foi um pouco assustador para a minha mãe, mas valeu bem a pena. Quem já tenha experienciado a beleza do Douro não se importa de passar um par de horas no carro a agarrar-se ao banco. Paramos para almoçar na Quinta de Nápoles da Nieeport e provamos alguns vinhos.

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Prova na Quinta de Nápoles – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O meu filho gosta especialmente de visitar as salas dos barris. Está realmente interessado nos grandes barris de vinho e chama-lhes gigantes. Deixamos o Douro em direcção ao Porto com um grande sorriso na cara. Estava muito feliz por a minha família ter gostado tanto de Portugal quanto eu gosto. Como poderiam não gostar? Boa comida, bons vinhos, pessoas afáveis e bom tempo. É tudo o que nós finlandeses precisamos.

Blend-All-About-Wine-Midsummer-in-Portugal-Percebes portugal Destaques: Verão em Portugal Blend All About Wine Midsummer in Portugal Percebes

Percebes – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Era o último dia da nossa viagem e tivemos que devolver o carro alugado. Mas não antes de fazermos uma paragem em Matosinhos para comermos uns deliciosos percebes. O último sabor de Portugal; o fresco mar salgado e o vinho mantinham-se na minha boca quando o nosso avião levantou. Que grande viagem!

Nasce o Cavaleiro do Porto

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Há alguns meses atrás, enquanto passava férias na Grécia, recebi uma carta. Uma carta assinada pelo Sr. George Sandeman. Uma carta um tanto ou quanto inesperada. Dizia que eu iria ser entronizado Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto. Ho…ly…sh*t!

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Pessoas a saltar da ponte Dom Luís I bridge – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Problema número um: Encontrar um bom smoking. E por bom smoking, quero dizer um smoking apropriado. Tipo James Bond. O evento estava agendado para Junho, no Porto, no dia anterior ao início do solstício de Verão. Tendo em conta que esta é a altura com mais movimento a nível de casamentos na Finlândia, um smoking assim tão bom para alugar é difícil de encontrar. Sim, um smoking para alugar. Quem é que compra um smoking?! Bem, voltando ao que interessa, já seria uma grande honra ser sequer considerado pela Confraria, agora imaginem ser aceite. Portanto, sem qualquer momento de hesitação marquei os voos para vir com a minha família a Portugal.

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A Família Sirén em frente ao Palácio da Bolsa – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Quando finalmente chegou o dia da cerimónia da entronização a temperatura no Porto estava bem acima dos 30°C. Temperatura incomum até no Porto. Os turistas inundaram a Ribeira, com jovens a saltar da ponte Dom Luís I e montes de bancas da Super-Bock estavam a ser construídas em preparação para o festival de São João. Como finlandês não me posso queixar do calor mas, ter um smoking vestido com um tempo tão quente quase me matou. Por sorte, a caminhada do sítio onde fiquei alojado até ao Palácio da Bolsa, onde a cerimónia iria acontecer, era a descer e curta.

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A percorrer o tapete vermelho – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A cerimónia em si foi muito ilustre. Tapetes vermelhos, vestidos de gala, capas, bandeiras, grandes chapéus pretos com fitas penduradas e ceptros decorados de fazer inveja até ao próprio Gandalf. Quando todos os prestes a ser confrades se sentaram, eu estava no grupo dos primeiros a serem entronizados. Fui chamado ao palco pelo Fiel das Usancas onde o Sr. Sandeman, o chanceler da Confraria, colocou, à volta do meu pescoço, uma fita vermelha e verde com uma tambuladeira pendurada, uma típica taça de vinho do Porto do séc. XVII. Depois de a fotografia ter sido tirada assinei o Livro de Honra da Confraria e o chanceler entregou-me o diploma. Saí do palco feliz e extremamente desidratado. Houve discursos e o Palácio da Bolsa inteiro brindou aos novos confrades com um copo de vinho do Porto. Estava saboroso mas, para ser honesto, naquele momento trocaria o meu copo e a mão que o segurava por grande copo de água gelada.

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Cavaleiro da Confraria do Vinho do Porto – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois da cerimónia, os novos confrades juntaram-se aos antigos e marcharam pela Alfândega, escoltados pela cavalaria da GNR juntamente com uma banda musical. Havia muitas pessoas nas ruas a assistir à parada. Senti-me como se estivesse numa espécie de Jogos Olímpicos do vinho e tivesse acabado de ganhar o grande prémio. Depois fomos em direcção a um terraço perto do rio. O pôr do sol estava lindíssimo, assim como a minha companhia para o jantar e, posso dizer que, beber um copo de vinho do Porto branco, relaxado, nunca soube melhor.

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Vinho do Porto – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A noite continuou com boa comida, excelente companhia e vinhos fantásticos. Não sou grande fã de jantares formais, mas devo dizer que realmente me diverti. Depois de uma mão cheia de pratos e de demasiados copos de vinho foi altura de dar por terminada a noite. Foi um dia quente, longo e definitivamente um dos mais memoráveis da minha vida. O que o tornou ainda mais especial foi a oportunidade de o poder partilhar com a minha família, que sempre me apoiou em todas as minhas escapadelas a Portugal durante os anos.

Depois dei um último gole de Porto e desapareci na noite quente, como um verdadeiro Cavaleiro do Vinho do Porto, para tranquilizar a babysitter.

Os Faroleiros

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

Vamos pô-lo nestes termos e sem rodeios; o Inverno é uma chatice! Claro que a neve é boa, como são os deportos de Inverno, esquiar, o Natal, etc. Mas vamos ser honestos, o Verão foi a razão pela qual nós, seres humanos, fomos postos nesta Terra. Quem não concordar estará apenas a mentir a si próprio. Na Finlândia o Verão é muito curto, o que nos ensinou a apreciar o bom tempo. Se isso significar cerveja gelada, nadar e pessoas seminuas, que assim seja.

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Darko, o Pescador – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Às vezes é preciso jogar pelo seguro porque o Inverno finlandês pode ser muito “frio”, digamos. Com isto em mente, eu e a minha mulher decidimos fazer as malas e viajar para a Croácia durante uma semana. O azul do mar Adriático parecia o local ideal para relaxar por uns dias. A nossa estadia é que foi um pouco fora do normal, ficamos num farol. Sem staff de hotel, sem turistas, só nós e o mar.

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O Farol – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Um lugar realmente lindo e um alojamento como nunca tinha visto. A viagem de até à Ilha demorou cerca de 25 minutos de barco. É uma ilha muito pequena, e a própria casa é muito modesta, com uma cozinha e um par de quartos. Estava lá, claro, o faroleiro mas ficou no seu espaço. Fiz no entanto um novo amigo, de nome Sr. Alforreca. Havia muitos golfinhos à volta do farol mas eram um bocado rápidos para o meu gosto. Esta alforreca andava mais à minha velocidade.

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Sr. Alforreca – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Depois de um longo dia era bom ver o pôr-do-sol no farol. Testemunhamos alguns pôr-do-sol fenomenais. Os golfinhos a nadar ao pôr-do-sol foi um clichê tradicional mas lindo. Era o aniversário da minha mulher e a ocasião pedia vinho do Porto. Por coincidência eu tinha uma pequena garrafa de Churchill’s Reserve Port na minha bagagem. Qualquer que seja a situação e onde quer que estejamos no mundo, existe sempre tempo para vinho do Porto. O Reserve Port é perfeito para levar em viagem devido ao tamanho pequeno da garrafa. Nunca se sabe quando é preciso um copo de vinho do Porto. Para nós é necessário quase sempre.

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Churchill’s Reserve Port – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Sentámo-nos nas paredes do farol. O local parecia um pequeno forte e o cenário quase perfeito para saborear vinho do Porto. O sedoso e especiado Porto, com o seu final suave, permaneceu muito para além dos últimos raios de sol terem batido na calma superfície do mar Adriático.

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A Saborear um Copo de Vinho do Porto – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Toda a estadia no farol pareceu um pouco surreal, do género de um filme de baixo orçamento com o Kevin Costner como personagem principal. Mas é uma experiência que recomendo vivamente. Estar completamente isolado com os nossos próprios pensamentos, com o fascinante “grande azul” e um copo de vinho do Porto para tornar o cenário perfeito. Vou sentir falta deste sítio e realmente espero cá voltar um dia. Afinal de contas, situações como esta, em que nos desligamos completamente de tudo, são bastantes raras. Só precisam de se certificar que levam mantimentos suficientes, o que significa bom vinho do Porto.

Contactos
Churchill Graham Lda
Rua da Fonte Nova, 5
4400 -156 Vila Nova de Gaia
Portugal
Tel: (+351) 22 370 3641
Fax: (+351) 22 370 3642
Email: office@churchills-port.com
Website: www.churchills-port.com

Rosé de Verão

Texto Ilkka Sirén | Tradução Bruno Ferreira

O Verão aproxima-se a passos largos. Pelo menos é o que dizem. Aqui na Finlândia temos um início de Verão muito frio. Na verdade, da última vez que esteve assim tanto frio durante o mês de Junho o muro de Berlim ainda estava de pé. Não é que o mau tempo seja uma surpresa mas, depois de um Inverno tão longo, aqui na Finlândia já estamos mais do que prontos para algum calor. Com uma boa imaginação e um copo de rosé na mão, é fácil entrar no espírito de Verão. A única coisa que falta são os meus Speedos… e o protector solar factor 30… e as havaianas.

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Um Copo de Rosé – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O Verão impulsiona as vendas de rosé em todo o mundo. Na Finlândia, os vinhos rosé são virtualmente inexistentes durante o ano mas, durante o Verão as prateleiras ficam inundadas de rosés provenientes de todas as partes do globo, desde a China até à Califórnia. Bombas intensas de fruta de diferentes origens que voam das lojas a uma velocidade recorde. Para ser honesto, a maior parte dos rosés que nos chegam não são lá muito bons. Entendo o conceito easy-going, mas a maior parte assemelha-se a Sprite cor-de-rosa. Simplesmente desinteressante. O rosé pode não ser o vinho intelectualmente mais desafiante, mas um bom rosé consegue “levar-me às nuvens” tal como os outros vinhos. Para mim, um bom rosé tem de ser equilibrado, fresco e cheio de sabor. Nada daqueles líquidos insípidos, sem força, com sabores que quase parecem artificiais. Hoje em dia parece que toda a gente faz rosé simplesmente porque o pode fazer. Trabalhos sem esforço, para matar a sede ou para lavar barris. Mas quando um rosé é realmente bom, cuidado…

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Pão preto com Lagostim – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Cheguei a casa, vindo de viagem, e tinha que comer lagostim. Não sei porquê mas, por vezes, dá-me vontade de comer coisas muito específicas e, quando meto alguma coisa na cabeça, mais nada serve. Neste case foi lagostim com endro e limão barrado em pão preto. Mas não era um pão preto qualquer, era um pão preto ligeiramente mais doce, do arquipélago finlandês. Simples e delicioso, comida caseira no seu melhor. O lagostim gritava por vinho e, sinceramente, eu também. Como todos sabemos, um bom rosé é extremamente food-friendly (harmonizável com comida). Tem a acidez de dar água na boca e facilidade de beber dos vinhos brancos, mas é ligeiramente mais estruturado e tem um perfil mais vinoso. Por sorte tinha um JP Azeitão Rosé da Bacalhôa no frigorífico, que tenho justamente para estas emergências saborosas de lagostim.

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JP Azeitão Rosé – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

O JP Azeitão é um rosé simples, com notas sedutoras de framboesa e cereja. Tem alguma Syrah que lhe confere um toque especiado. Não é complexo de forma alguma, é simplesmente um delicioso pequeno vinho. Um preço acessível e uma harmonização fantástica com alguns snacks de marisco.

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Rolha de Rosca – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Enquanto continuo à espera do Verão, são estes pequenos mimos que fazem a espera valer a pena. E assim nem é preciso protector solar, podemos simplesmente fechar os olhos e sentir o sol português por entre o vinho.

Contactos
Bacalhôa Vinhos de Portugal
Estrada Nacional 10
Vila Nogueira de Azeitão
2925-901 Azeitão
Portugal
Tel: (+351) 21 219 80 60
Fax: (+351) 21 219 80 66
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Website: www.bacalhoa.com