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Três vinhos Tiago Cabaço

Text João Barbosa | Translation Bruno Ferreira

Regresso aos vinhos de Tiago Cabaço, depois da visita que lhe fiz no Verão passado. É um regresso também a Estremoz, onde além do património edificado se pode retemperar forças no restaurante da mãe do produtor, o acolhedor São Rosas.

Três vinhos para serem bebidos à mesa e sem pressas. Não sou dos que pensam que tintos pujantes têm de se guardar para os meses mais frios, quando o peso da carne exige alicerces anti-sismo. É verdade que aconchega de modo diferente, mas não passo o Verão a comer saladas e viandas de aves. Se digo do encarnado, o mesmo saliento nos amarelos.

Por partes, para que não se entornem as palavras confusamente. Dos brancos para o tinto. A enóloga Susana Esteban continua a pontuar bem.

O .Com Premium Branco 2015 é um lote das castas antão vaz, verdelho e viognier. A fermentação decorreu em cubas de inox e não foi feito estágio em madeira. É um branco para os apreciadores dos néctares alentejanos, nomeadamente os amantes da fruta antão vaz. É um vinho com nervo e não o tomaria sem comida, mas o marisco poderá levar uma traulitada. Que conheça algo mais substancial.

Blend-All-About-Wine-Tiago Cabaço-Com Premium White 2015 tiago cabaço Três vinhos Tiago Cabaço Blend All About Wine Tiago Caba  o Com Premium White 2015

.Com Premium Branco 2015 – Foto Cedida por Tiago Cabaço | Todos os Direitos Reservados

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Tiago Cabaço Vinhas Velhas Branco 2014 – Foto Cedida por Tiago Cabaço | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Tiago Cabaço-Alicante Bouschet 2012 tiago cabaço Três vinhos Tiago Cabaço Blend All About Wine Tiago Caba  o Alicante Bouschet 2012

Tiago Cabaço Alicante Bouschet 2012 – Foto Cedida por Tiago Cabaço | Todos os Direitos Reservados

Tiago Cabaço Vinhas Velhas Branco 2014 é filho de uvas de videiras com mais de 35 anos. É um lote de roupeiro, arinto e antão vaz. A ficha técnica dá conta de que viveu estágio em madeira, mas não dá especificações. Seja como for, a madeira não derruba as características naturais. Este é mais robusto do que o .Com Premium Branco 2015 e tem a mineralidade que caracteriza vários vinhos de Estremoz. Tem um balanço interessante entre o calor e a frescura.

Por fim, o «suspeito». Digo suspeito porque antes de o abrir já desconfiava do que viria da garrafa. Tiago Cabaço Alicante Bouschet 2012 tem uma sina ingrata. Não é demérito, mas culpa do ano precedente ter sido muito generoso para os vinhateiros portugueses.

As uvas foram pisadas em lagares de inox. O vinho estagiou um ano em barricas de carvalho francês. A madeira acrescenta e não tira. Aprecio a conjugação das cerejas maduras, notas terrosas e de madeira. É alentejano e moderno. Directo ao goto!

Digo também suspeito porque nos faz cair sem dar quase conta – é um elogio. Ora, e o suspeito é perigoso. É que a graduação alcoólica é de 14,5% e a acidez dá-lhe «disfarce». Tem igualmente o temperamento quente e fresco. Jantem-no tardiamente, sentem-se às 23h00 – preferencialmente em local arejado e onde se possam escutar grilos, cigarras e o piar das rapinas nocturnas. Deixem-se ficar à conversa até…

Como remate, alerto o leitor destas minhas apreciações mais favoráveis ao tinto reportam-se ao factor gosto. Não sou apreciador da casta antão vaz, pelo que, mesmo realçando a qualidade intrínseca do vinho, as palavras não me ocorrem tão alegres. Por outro lado, gosto bastante da alicante bouschet. Acresce que esta variedade tinta é particularmente feliz na propriedade de Tiago Cabaço.

Contactos
Fonte do Alqueive – Mártires
Apartado 123, 7100-148 Estremoz
Tel: (+351) 268 323 233
Email: geral@tiagocabacowine.com
Website: www.tiagocabacowines.com

Roquevale, uma vertical do Tinto da Talha Grande Escolha

Texto João Pedro de Carvalho

Desta vez rumo à vila de Redondo, mais propriamente à Roquevale que fica na estrada para Estremoz entre Redondo e a Serra D´Ossa. A empresa possui duas herdades num total de 185 hectares, a Herdade da Madeira Nova de Cima vocacionada para a produção de tintos onde despontam os solos de xisto e a Herdade do Monte Branco com solos de origem granítica mais vocacionada para a produção de brancos, onde está sediada a adega. A empresa que hoje se assume como a segunda maior empresa privada do Alentejo, a produção ronda os 3 milhões de litros por ano e é liderada pela enóloga Joana Roque do Vale.

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A adega e os vinhos – Foto Cedida por Roquevale | Todos os Direitos Reservados

O mundo do vinho e Joana Roque do Vale sempre andaram de mão dada, desde a infância em Torres Vedras onde os seus bisavôs eram produtores. Após a revolução de Abril o pai de Joana, Carlos Roque do Vale decide mudar-se para a vila de Redondo para tomar conta das duas herdades do sogro (que em 1970 já tinha iniciado a plantação de vinha na zona de Redondo). A Roquevale iria nascer em 1983 de uma sociedade entre Carlos Roque do Vale e o seu sogro. O caminho de Joana estava traçado, o mundo do vinho era a sua segunda casa, daí até fazer o seu estágio curricular na Herdade do Esporão foi um ápice. Aprendeu com os melhores, como coordenador de estágio teve o engenheiro Francisco Colaço do Rosário e o enólogo Luís Duarte que já na altura era também consultor da Roquevale. Terminado o curso começou a trabalhar na empresa da família onde iria assumir pouco tempo depois a enologia da empresa.

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Talhas – Foto Cedida por Roquevale | Todos os Direitos Reservados

Um produtor com marcas bem conhecidas dos consumidores onde se destacam nomes como Terras de Xisto, Tinto da Talha ou Redondo. O vinho agora em destaque foi durante largos anos considerado como o topo de gama da empresa, o Tinto da Talha Grande Escolha que nos mostra as duas melhores castas de cada colheita. A prova em formato vertical começou com o 2003 e foi até ao 2010, mostrando em todas as colheitas um vinho que encarou com naturalidade a passagem do tempo, sem sinais de desgaste ou velhice acentuada. Sempre com direito a passagem por barricas novas, durante as primeiras colheitas destaca-se a assídua presença da Touriga Nacional que ia intercalando com Aragones ou Syrah, daria lugar depois à Alicante Bouschet que combina com Syrah ou Aragones sendo 2009 o único que junta Touriga Nacional com Alicante Bouschet.

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A vertical – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

O que mais gostei foi o 2010 Aragonês/Touriga Nacional que mostra uma dupla em perfeita harmonia num conjunto cheio de vida com muita fruta madura, algum vegetal presente, tudo em perfeita harmonia. Amplo, guloso, exuberante com ponta de rusticidade, num bom registo fiel à região e a pedir comida por perto. Muito bom está o Aragonês/Alicante Bouschet 2008 que mostra um conjunto cheio e guloso, cacau, fruta sumarenta com pingo de doçura, tudo balanceado e fresco, bálsamo de segundo plano com muito sabor no palato, equilibrado e com taninos a marcarem ligeiramente o final. Seguido bem de perto pelo 2003 junta Touriga Nacional/Aragonês que sendo a primeira colheita mostrou-se em muito boa forma a juntar a uma fruta vermelha ainda madura uma bonita frescura de conjunto com bálsamo fino, couro, especiarias, tudo em corpo médio ainda com energia e final longo. O Tinto da Talha Grande Escolha 2009 junta Touriga Nacional/Alicante Bouschet, inicio com vegetal fresco e fruta madura e de apontamento mais doce, de início algum químico, tudo muito novo cheio de garra e bastante sabor, boa frescura mas final um pouco mais curto do que se esperava.

O Aragonês/Syrah 2007 é de todos aquele que menos conversa, cerrado com aroma químico de início, cacau, pimenta, fruta envolta em geleia, frescura a envolver tudo com boca saborosa, rebuçado de morango em fundo com balsâmico num conjunto bem estruturado com bom suporte e persistência. Um vinho com muito ainda para dar e que certamente está em fase de arrumações. Da colheita 2004 Syrah com Touriga Nacional saiu um tinto com fruta vigorosa, muita pimenta com chocolate de leite, arredondado e coeso, ligeiro vegetal de fundo. Mostra a fruta bem limpa e saborosa, cereja ácida, amora, bom de se gostar. Para o fim ficaram as colheitas 2005 Touriga Nacional/Aragonês que se mostrou de todos o vinho mais aberto e espaçado, tímido mas a mostrar o cunho Roquevale bem patente. Muito melhor na prova de boca, que se fosse de igual gabarito no nariz, seria um caso muito sério. Por fim o que menos gostei, o Syrah/Touriga Nacional 2006 que despejou no copo aromas químicos com vegetal acentuado, num conjunto agreste, muita nota fumada, rusticidade a fazer-se sentir. Ligeira frescura na boca com alguma fruta em corpo mediano e sem ter a mesma prestação que os outros irmãos de armas.

Contactos
Roquevale, S.A.
Herdade do Monte Branco, Apartado 87
7170-999 Redondo
E-mail : geral@roquevale.pt
Website: www.roquevale.pt

Esporão Verdelho 2004, da cave para a mesa

Texto João Pedro de Carvalho

Desde cedo que enquanto enófilo ganhei o gosto de guardar vinhos por longo período na minha cave. O objectivo sempre foi e continuará a ser a curiosidade por ver como evoluem uns e a necessidade expressa dessa mesma guarda por outros tantos vinhos que ali ficam esquecidos durante largos anos. Quem gosta de vinhos e gosta de os apreciar é curioso por natureza, faz parte de condição humana o ser curioso. É essa mesma curiosidade que nos leva a querer saber algo mais sobre a maneira como se vão comportar com a passagem do tempo, até que forma o tempo os consegue educar ou não. Certo e sabido que o risco é quase sempre um factor também a ter em conta, mais ainda quando os vinhos que guardamos não têm qualquer historial que nos garanta o sucesso da nossa operação. A ressalva será sempre feita para todos aqueles que estando demasiado jovens e com os taninos em pontas necessitam de um bom repouso. E depois lá vão ficando algumas dezenas, depois centenas de garrafas acumuladas por tipo e região, garanto que o mais difícil é começar todo este processo. As surpresas até hoje têm sido quase sempre positivas, aprende-se sempre um bocadinho com estas comparações entre o vinho que foi em novo e o vinho adulto que é hoje, outros surgem já cansados e com as rugas da idade mais ou menos vincadas.

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Garrafeira – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Esporão Verdelho 2004 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Muito recentemente e por motivo de um jantar de amigos aqui em casa, decidi resgatar um desses vinhos que tenho na cave, um Esporão Verdelho 2004. Um branco com 11 anos de idade, um atrevimento ou até loucura dirão alguns, mas a verdade é que este Verdelho conseguiu a proeza de atingir aquele momento wow destinado apenas aos grandes vinhos. Esse momento é quando a generalidade dos convivas esboça um sorriso após provar o vinho que tem no copo e diz a dita palavrinha… wow. Um vinho que provei vezes sem conta na altura do seu lançamento no mercado, gostava tanto na altura que resolvi guardar umas garrafas. Esta terá sido a última resistente deste Verdelho 2004 que mostrou ainda uma invejável frescura de boca e de nariz, toda a fruta que antes era fresca agora está envolta em calda e ligeiramente adocicada, toques vegetais com tisana, ramalhete de flores, tudo muito bem composto num vinho sério e adulto, com as ideias muito bem delineadas. Na boca frescura, ponta de untuosidade a enrolar a fruta no palato, mostra-se com consistência e muito boa presença, muito prazer a beber e a voltar a beber, sem cansar.

É este um dos motivos que me leva a guardar vinho, acima de tudo a curiosidade mas também a satisfação de posteriormente os poder partilhar com gente que lhes sabe dar o respectivo valor. O único senão é quando a garrafa fica vazia e nos questionamos por que razões na altura não se guardaram mais umas garrafas.

Contactos
Herdade do Esporão
Apartado 31, 7200-999
Reguengos de Monsaraz
Tel: (+351) 266 509280
Fax: (+351) 266 519753
E-mail: reservas@esporao.com
Website: esporao.com

Engenharia de Precisão: Monte da Ravasqueira Vinha Das Romãs

Texto Sarah Ahmed | Tradução Bruno Ferreira

Fiquei boquiaberta com os últimos lançamentos do Monte da Ravasqueira, em especial com o Monte da Ravasqueira Premium White 2012, o Premium Rosé 2013 e o Vinha das Romãs 2012. À terceira foi de vez porque, embora invariavelmente bem feitos, os vinhos deste produtor alentejano não foram amor à primeira vista. Escapou-me alguma coisa? Bem, até os melhores provadores de vinhos acordam do lado errado da cama.

Uma prova vertical em Junho passado respondeu, de certa forma, à minha pergunta. Provar diferentes colheitas do mesmo vinho é a minha maneira preferida de avaliar, não só pela “mão de Deus” (variação da colheita) mas também pela mão humana – as alterações a nível da viticultura e da abordagem na produção do vinho são também postas a nú. O que é que retirei ao analisar as três colheitas do Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs (2012, 2011, 2010)?

Se estivermos a falar da “mão de Deus”, todas as colheitas fizeram juz à expectativa. O 2012 apresentou-se elegante e com uma boa estrutura. O 2011, mais denso, mostrou uma fruta mais poderosa. Quanto ao 2010, estava relativamente aberto e acessível, com um toque de Alicante Bouschet, um toque rústico – significativamente o que menos melhorou com a idade (mesmo tendo em conta a sua relativa idade). Somando tudo, pareceu-me que o 2012 apresentou um toque extra de aprefeiçoamento – grande requinte. Com uma fruta mais brilhante e mais bem definida, mostrou-se mais equilibrado do que o 2011 que se inclinava mais para fruta demasiado madura. Para dizer a verdade, e contrariamente à informação que tinha em relação a estas colheitas, devo dizer que o 2012 irá superar confortavelmente o 2011 em tempo de vida.

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Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2012 – Foto de Sarah Ahmed | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-Wine-Monte da Ravasqueira-Chief Winemaker Pedro Pereira Gonçalves monte da ravasqueira Engenharia de Precisão: Monte da Ravasqueira Vinha Das Romãs Blend All About Wine Monte da Ravasqueira Chief Winemaker Pedro Pereira Gon  alves

Enólogo Chefe Pedro Pereira Gonçalves – Foto Cedida por Monte da Ravasqueira | Todos os Direitos Reservados

Porquê? O blend varietal (70% Syrah, 30% Touriga Franca) é o mesmo, tal como a vinificação. Não penso que a diferença de um ano de vinha importe muito  (como regra geral, os vinhos atingem melhor equilíbrio com os anos). Para mim, a resposta reside na adopção de uma viticultura de precisão, em 2012, por parte da Monte da Ravasqueira (e da entrada do dinâmico Enólogo Chefe que a implementou, Pedro Pereira Gonçalves).

Utilizando uma frase do “The Oxford Companion to Wine” (Jancis Robinson MW), viticultura de precisão significa que “a gestão da vinha é efectuada de uma forma individual e direccionada, em vez de implementada uniformemente em grandes áreas”. Significa utilizar tecnologias como imagens infra-vermelhos, sistemas de posicionamento global (GPS) e sistemas de informação geográfica (SIG), primeiro para avaliar e depois para gerir as variáveis da vinha (como o tipo de solo, profundiade e estrutura) que influenciam a qualidade, quantidade e estilo do vinho.

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Vista de foto aérea do Monte da Ravasqueira – Foto Cedida por Monte da Ravasqueira | Todos os Direitos Reservados

Para Pedro Gonçalves, a gestão das variáveis de cada um dos 29 blocos de vinha do Monte da Ravasqueira, e até da mesma casta, tem sido a chave para a “verdadeira interpretação do terroir”. Voltando ao puro equilíbrio do 2012, percebe-se que a vinha mostrou todo o seu potencial, tornando fácil agarrar a uma menor densidade antes dos açucares da uva dispararem e a acidez natural estava boa. De qulaquer modo, certamente que explica o porquê de a colheita de 2012 ter um grau e meio a menos de volume de álcool.

Quando posteriormente revelei a Pedro Gonçalves as minhas impressões relativamente ao 2012, reconhecendo que a “mão de Deus” fez o seu papel (“2012 foi um ano fantástico para a Syrah e a Touriga Franca”), concordou com entusiasmo. Agora pegando nas palavras de Jennifer Aniston (!), “aqui vem a parte científica, concentrem-se”. De acordo com o enólogo, “com a informação que obtemos através das técnicas de viticulura de precisão, foi possível identificar os locais da vinha que apresentavam maior equilíbrio e separá-los dos outros. Não quer dizer que os outros tivessem menos qualidade, mas não eram o que estava à procura para o vinho Vinha das Romãs que é um equilíbrio entre álcool, taninos e acidez, qualidade de taninos (níveis elevados de antocianinas e IPT’s (antocianinas+taninos)) e os tipos de sabores de fruta (sabores mais complexos, fruta preta e perfis especiados sem aquela fruta fácil que por vezes encontramos na Syrah)”.

Aqui estão as minhas notas relativamente ao Vinha das Romãs. Curiosamente, Romãs refere-se à anterior encarnação da vinha – foi um pomar de romãs até 2002, altura em que foi substituído por uma parcela de 5 hectares de Syrah e Touriga Franca. A parcela é vinificada e engarrafada em separado porque produz uvas particularmente maduras e concentradas.

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2010 (Vinho Regional Alentejano) – um blend maioritariamente composto por Syrah e Touriga Nacional, com uma pequena percentagem de Alicante Bouschet e Touriga Franca (apesar do nome, o conceito de single vineyard ainda não estava implementado porque a vinha “Vinha das Romãs” apenas tem plantação de Touriga Franca e Syrah). O 2010 foi envelhecido durante nove meses em barris de carvalho francês – menos de metade do tempo do 2011 e do 2012. Isto, juntamente com a colheita em si, pode explicar o porquê de ser significativamente mais pálido e menos estruturado que as outras colheitas. No nariz e no palato apresenta um mentol distinto, um perfil especiado e notas pronunciadas de iodo, das quais me recordei da primeira prova do 2012 no início deste ano. Os tons de caça do aberto 2010, doce e com ameixa fazem-me lembrar de Rhône Syrah. Os taninos são maduros com um toque rústico. Bebe-se bem agora, não é para guardar. 14.5%

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2011 (Vinho Regional Alentejano) – Este blend especiado de 70% Syrah/30% Touriga Franca foi envelhecido durante 20 meses em barris novos de carvalho francês. É o mais escuro e denso dos três. Amora concentrada e madura, e notas de azeitona preta ainda mais madura (discutivelmente demasiado maduras) estão bem enquadradas com taninos maduros mas presentes. Um impulso firme de acidez agarra na fruta para um final longo. Um vinho vigoroso. 14.5%

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs Single Vineyard 2012 (Vinho Regional Alentejano) – o mesmo blend e evolução do 2011, mas é um vinho mais animado e móvel. Apesar de a amora e a ameixa estarem bem equilibradas e bem definidas, tem uma qualidade espacial que permite as notas de alcaçuz picante, eucalipto e iodo brilhem. Continuo impressionada com o perfil fresco e os taninos firmes, tipo romã, deste intenso mas elegante vinho – qualidades que sugerem que irá envelhecer muito bem – pelo menos durante uma década. 13%

Contactos
Monte da Ravasqueira
7040-121 ARRAIOLOS
Tel: (+351) 266 490 200
Fax: (+351) 266 490 219
E-mail: ravasqueira@ravasqueira.com
Website: www.ravasqueira.com

Chili com vinho (Esporão)

Texto Ilkka Sirén

“O que é que se come na Finlândia?”, é uma pergunta que ouço com bastante frequência. As pessoas esperam todo o tipo de respostas estranhas, como por exemplo, que como carne de urso crua e que tenho o meu próprio alce no qual vou todos os dias para o trabalho. Não é bem assim. Temos bastantes pratos tradicionais na Finlândia, mas a maior parte só comemos uma vez por ano. Não temos nada do género do bacalhau, como em Portugal, que se come quase diariamente ou pelo menos uma vez por semana. Os finlandeses em geral não utilizam muitas espécies na alimentação e, para ser honesto, a comida aqui é por vezes bastante insípida. Por outro lado, aqui, apreciam-se os sabores naturais dos bons ingredientes. Vegetais, raízes, bagas e cogumelos são algumas das coisas mais preciosas aqui no Norte gelado. Mas, sendo eu um fã de, por exemplo, cozinha tailandesa e vietnamita, aprecio comidas com sabores fortes e picantes.

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Swirl – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

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Tortilha – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

Agora, a caminho de mais um difícil Inverno, sentamo-nos e esperamos que as folhas caiam e cubram tudo com cores bonitas. Neste momento já as noites estão a ficar mais frias e, quem sabe, se não começará já a nevar no próximo mês. De facto, neste momento, o Verão já só é uma longínqua miragem. Isto tem imapacto directo na cozinha das pessoas, especialmente na minha. E não é só isso, começo a cozinhar pratos mais calorosos e faço pickles de, literalmente, tudo. O Outono também se reflecte na minha escolha de vinhos mas vamos voltar a esse ponto mais tarde.

Tortilhas, tacos, burritos e carnitas estão longe de ser comidas tradicionais finlandesas mas devo confessar que sou um fã. A tortilha em si, aquele pão fino, é apenas um veículo para todas as coisas deliciosas; neste caso um habanero picante e um chili naga jolokia de carne. Apesar do chili naga jolokia ser cerca de 400 vezes mais picante que o molho de tabasco, a ideia aqui não é destruir o palato. Gosto de criar molhos poderosos e equilibrados mas ao mesmo tempo saborosos. Nem sempre consigo.

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Esporão Reserva 2011 – Foto de Ilkka Sirén | Todos os Direitos Reservados

A pergunta é: com que servir este tipo de prato? O meu impulso natural seria “cerveja ou nada”. Sim, cerveja seria sem dúvida a harmonização mais fácil, mas tinha que existir outra coisa. Muitos teriam optado por um branco semi-seco, talvez um Riesling. A doçura a equilibrar o picante do chili, etc. De certeza que funcionaria mas, neste caso em particular, seria demasiado elegante. As tortilhas são tudo menos elegantes. São desengonçadas, desconcertadas e deliciosas. Queria algo com cojones apropriados para a situação. Entre então o Esporão Reserva 2011. Um blend robusto de Alicante Bouschet, Aragonês, Cabarnet Sauvignon e Trincadeira. Negro e denso como a árvore do rótulo, o Esporão Reserva 2011 é uma dádiva de Deus para as nossas noites frias e escuras. É definitivamente um vinho que devemos deixar perdido na garrafeira durante 1-12 anos mas que, com o chili de carne picante, deu lugar a uma harmonização brilhante. A princípio achei que seria um assalto aos sentidos. E devo dizer que houve bastante acção quando este amplo alentejano colidiu com o chili. Mas pouco depois, quando a poeira baixou, houve um saboroso e ligeiramente surpreendente casamento de sabores. Caso não estejam habituados ao chili a combinação poderá ser um pouco forte demais mas, se adorarem chili como eu, podem descobrir aqui algo muito especial.

Herdade Paço do Conde, do Alentejo mais alentejano

Texto João Barbosa

Julgo que se chega a velho, não é a idoso, quando as memórias aparecem com frequência. Ai! Dizem-me as costas, o coração e os pulmões que já não tenho lugar no banco de suplentes duma equipa de futebol de escalão amador.

É a vida! Digo isto porque o produtor que apresento foi-me dado a conhecer num momento especial da minha vida. Isso não faz dum vinho, ou outra coisa, nem bom nem mau. No caso bom, mesmo. E porquê?

Porque os vinhos que mais me atraem têm um caracter diferenciador, que pode versar várias características. Como todos, com excepção quando a análise tem mesmo de ser às cegas e salas imaculadas, a afectividade ou a história pesa-me nas preferências. O que tem este?

A proveniência, até há pouco anos impensável. Baleizão fica no coração do Baixo Alentejo, que é quente, seco e ondulado. Pouco se sabe acerca desta aldeia e pouco se sabia… terra com vincado teor político, nomeadamente ao Partido Comunista. O resto da história não vem ao caso.

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As vinhas onduladas da Herdade Paço do Conde – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

O que vem aqui é a planura. O Alentejo levemente ondulado, verde na Primavera e loiro do trigo maduro e da palha deixada depois da ceifa. É o Alentejo onde o calor é mais calor. Vinho? Bem, a viticultura, até à crise da filoxera, no século XIX, era cultivada em «todo» o lado, muito embora fosse residual em vários locais. Veio o pulgão e as vides não regressaram.

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Herdade Paço do Conde – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

A Herdade Paço do Conde fica nesse campo quente. Pensar em calor é normal, mas deduzir que o vinho sai dali em forma de sopa ou de compota não é verdade. A sabedoria técnica e o empenho permitem belos resultados em locais «surpreendentes».

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O olival perto do Guadiana – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

Esta propriedade tem a vantagem da proximidade do Rio Guadiana, que lhe dá água e fornece frescura. Porém não se pode exigir que não transmitam a envolvência, o que até seria mau sinal, por contrariar a dádiva da natureza.

São 2.900 hectares, dos quais 150 têm vinha plantada. O olival ocupa 1.100 hectares, com as tradicionais cultivares da região e outras exóticas: arbequina, azeiteira, cobrançosa, frantoio, galega (é a Rainha em quase todo o país, com um carácter suave e doce) e picual.

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Equipa – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

À frente do trabalho enológico está Rui Reguinga, técnico que conhece muito bem o Alentejo e que tem capacidade imaginativa para fazer diferente de fórmulas. Ora, essas características fazem com que não sejam vinhos de enólogo, mas onde o «alquimista» assina ao deixar que o produtor e o seu vinho brilhem e falem por si.

Bebi vários vinhos deste produtor na apresentação que fez no restaurante Eleven, em Lisboa. Cartada certa! Ligação à comida para melhor se perceber o que está no copo. Para começar veio o Herdade Paço do Conde Branco 2014, acompanhado por carpaccio de polvo e vinagrete de laranja. Visto não comer pescados, não sei da ligação além do que me disseram. Se «resistiu» a uma vinagreta é porque tem fibra fresca. Como tenho uma «avaria» quando me põem antão vaz no copo, a opinião sai fora da norma. Não amei, mas a culpa é da minha antipatia. As restantes castas que fazem o lote são a arinto e a verdelho.

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Herdade Paço do Conde branco 2014 – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

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Herdade Paço do Conde Reserva tinto – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

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Herdade Paço do Conde Winemakers Selection tinto 2011 – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

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Azeite da Herdade Paço do Conde – Foto Cedida por Herdade Paço do Conde | Todos os Direitos Reservados

O Herdade Paço do Conde Reserva 2014 é um «tintão», excelente para escoltar a comida mais forte e temperada do Alentejo.

O chefe do Eleven, Joachim Koerper, resolveu saltar barreiras com as sapatilhas atadas. E conseguiu! Leitão confitado com chutney de tomate e maracujá juntou o óbvio ao exótico. Dois vinhos e dois casamentos de memorizar: Herdade Paço do Conde Reserva Tinto 2011 e Herdade Paço do Conde Winemakers Selection 2011 (tinto). Ácidos, doces e gordura… tão diferentes quanto recomendáveis, as ligações.

A sobremesa foi uma variação de «floresta negra», em que provou que um tinto pode bem chegar para os finais dos repastos. No caso, Herdade Paço do Conde Colheita Seleccionada 2013.

Contactos
Monte Paço do Conde,
Apartado 25, 7801-901 Baleizão – Beja – Portugal
Tel: (+351) 284 924 416
Fax: (+351) 284 924 417
Email: geral@encostadoguadiana.com
Website: www.pacodoconde.com

Vinhos Tiago Cabaço – tão jovem e já…

Texto João Barbosa

Entre as várias diferenças entre as mulheres e os homens, a estética dos corpos é das mais divertidas, porque opostas. As senhoras vivem aterrorizadas com a linha, podem ser magras, mas os espelhos dizem-lhe que estão mais volumosas. Os homens podem até estar balofos que o reflexo é sempre o Tarzan representado por John Weissmuller.

Uma outra diferença, ainda no mesmo âmbito, é a da idade: as senhoras tendem a ter a noção do passar dos anos, adoptam as suas estratégias para se sentirem confortáveis. Os cavalheiros, não fossem as «repentinas», «invulgares, «inexplicáveis» e «singulares» dores de burro, pensam terem sempre dez anos e aptos a jogar futebol – obviamente que Cristiano Ronaldo apenas dá uns toques quando comparado com o Homo Sapiens sapiens masculino.

Não sou excepção. Quando conheci Tiago Cabaço achei-o jovem. Até aí, tudo ok. O problema é que trouxe-me à memória uma refeição espantosa no restaurante da sua mãe, o São Rosas, em Estremoz. Agora a memória tem um lapso: estive lá no primeiro ou no segundo dia de aberto… em 1994!

– Meu Deus! Estou velho!

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Tiago Cabaço Wines © Blend All About Wine, Lda

O Tiago Cabaço tem 33 anos, portanto quando lá fui deveria estar a dar chutos numa bola de futebol, provavelmente sonhando em ser o Luís Figo – quanto a mim, o melhor jogador português de sempre, com o devido respeito ao Senhor Dom Eusébio da Silva Ferreira, o Pantera Negra.

Conta que os amigos mais próximos viviam a 3,5 quilómetros de distância, pelo que a infância viveu-a com os trabalhadores da casa que, muitas vezes, depois dum dia cansativo, jogavam futebol com ele. É claro, Tiago Cabaço tem hoje mais uns dez centímetros de altura do que eu… Bem, vamos ao vinho.

Começou a «trabalhar», a enfardar palha, com seis anos, ganhava 2.000 escudos por dia (dez euros, correspondentes a 27,5 euros, após actualização com base coeficiente de desvalorização de moeda, cálculo oficial fornecido pelo Ministério das Finanças). Aos 14 anos tornou-se piloto de motas, tendo ganho campeonatos, vindo a abandonar em 2003.

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Tonéis © Blend All About Wine, Lda

Entrou no negócio do vinho em 2000, distribuindo a produção da família, o Monte dos Cabaços, feitos na Herdade de Trocaleite. Por considerar que faltavam referências na oferta, decidiu avançar como vitivinicultor. A primeira obra em 2006, referente à vindima de 2004. Foram 50.000 garrafas, hoje são 500.000, devendo este ano alcançar as 600.000 – a capacidade máxima da adega.

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Barricas © Blend All About Wine, Lda

«Os vinhos fazem-se no campo» – defende Tiago Cabaço, que quer intervenções mínimas na adega. O objectivo é sempre o cume, uvas para fazer os Blog. Será depois Susana Estebán, a enóloga, decidido o que fazer com o quê. «Nunca foi usado ácido para corrigir um vinho» – garante.

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Vinhas © Blend All About Wine, Lda

Conta que cresceu numa propriedade sem electricidade, gás nem água canalizada, onde estava já plantada vinha. Dos primeiros três hectares de alicante bouschet, em 2006, passou para 82 hectares, de alvarinho, antão vaz, arinto, encruzado, gouveio, marsanne, roupeiro, sauvignon blanc, verdelho (da Madeira), verdejo (de Rueda) e viosinho, nas brancas e as tintas, alicante bouschet, aragonês, cabernet sauvignon, petit syrah, petit verdot, syrah touriga nacional e trincadeira. Faz 17 referências, incluindo uma marca branca para a cadeia de supermercados Pingo Doce. Em breve haverá uma novidade fora do vinho… pediu segredo! Mais tarde contarei.

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© Blend All About Wine, Lda

Os solos da propriedade são franco-argilosos e xistosos (30%). As uvas brancas vão sobretudo para o chão de xisto. A rega abrange 60% da plantação, mas não acontece mais do que duas vezes no ano. No tempo do pintor – quando as uvas passam de verdes a amarelas ou roxas – é fornecida alguma água, momento que se de faz uma monda de cachos, pois «se for mais cedo, o bago fica maior» – esclarece o produtor. Uma ligeira rega poderá ser realizada no final da mudança de coloração.

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Mesa de Prova © Blend All About Wine, Lda

As marcas mais emblemáticas ligam-se a designações da internet: blog, .Com e .Beb. Vamos então a eles.

O .Com Branco 2014 foi feito com as castas antão vaz, verdelho (da Madeira) e viognier. É um vinho descontraído. Por força de não ser apreciador da casta antão vaz – raramente tiro algum prazer de néctares em que faz parte – não lhe vejo grande interesse. Mas esse é um problema meu. A verdade é que a generalidade dos consumidores aprecia, ou não fosse tão plantada no Alentejo.

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Tiago Cabaço Wines © Blend All About Wine, Lda

Tiago Cabaço Encruzado 2013 foi a estreia da assinatura. O produtor disse ser muito reticente em dar o seu nome a um vinho, mas a pressão, criada com a notoriedade, levaram-no a ceder. Um vinho com esta casta branca do Dão é uma homenagem ao pai, que a plantou pela primeira vez no Alentejo – garante o vitivinicultor. É um vinho curioso, diferente dos que se fazem na sua região de origem, mas que mantém o carácter fresco e transmissão da mineralidade do solo.

Tiago Cabaço Vinhas Velhas 2013 é um lote de antão vaz, arinto e roupeiro. Muito fresco, em que o uso de estágio em madeira não danifica a natureza, nomeadamente a tangerina. É uma dança de doce e amargo bastante agradável, termina com secura suave.

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Tiago Cabaço Wines © Blend All About Wine, Lda

O .Com Premium Rosé 2014 é filho de uvas de touriga nacional e uma boa aposta para quem aprecia rosados. Mostra-se no olfacto frutado e floral: líchias (fruta de aroma floral), limão (casca), amoras pouco maduras e violetas – aroma típico da casta cultivada no Dão e que nem sempre manifesta noutras paragens). Na boca é mineral, seco e que pede comida delicada, mas pode ir só para participar nas conversas de amigos.

O .Com Premium 2013 tem o aroma da casta no Alentejo; mais próximo de doce de amora ou groselha. É suave, fácil – muito fácil – de se gostar. Resulta da junção de uvas de alicante bouschet, aragonês, touriga nacional e trincadeira. Não o aconselho para o tempo do calor.

Tiago Cabaço Vinhas Velhas Tinto 2013 é muito alentejano. Como definir um vinho alentejano? Dizendo que é alentejano! Belo!

O Blog Alicante Bouschet + Syrah 2011 é macio e escorregadio, pela frescura. Não é delicado, é fidalgo. Podia mandar servi-lo num restaurante com finesse, quando fosse pedir a namorada em casamento. E promete vida longa, como se deseja no amor.

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Blog ’12 by Tigo Cabaço © Blend All About Wine, Lda

Já o Blog Alicante Bouschet + Syrah 2012 é mais complexo, necessita de mais tempo para ver a luz do dia (ou da noite). É duro, com fibra… Este oferecia-o ao médico que me operou durante 12 horas… Não fui operado.

De todos que provei, o Tiago Cabaço alicante bouschet 2011 foi o que me agarrou e não deixou fugir. É complicado defini-lo em termos aromáticos, tem fruta, chocolate, minério, vegetal e especiarias… não uma de cada… ficava aqui até amanhã a debitar descritores. A boca é igualmente complexa… Sou uma pessoa das artes e a imaginação leva-me, muitas vezes, para… levava-o para uma reunião secreta, numa sala em penumbra, chamando fantasmas. Um espaço feito de pedra, móveis pesados de excelentes madeiras das antigas colónias ultramarinas, pesadas tapeçarias renascentistas e quadros da Escola Framenga do século XVII. Não é pesado, é «simbólico e ritualístico». Viverá até usar bengala. É polido, seco… Uma grande descoberta!

Contactos
Tiago Cabaço Wines
Fonte do Alqueive, Mártires
Apartado 123
7100-148 Estremoz
Tel: (+351) 268 323 233
Email: geral@tiagocabacowines.com
Website: www.tiagocabacowines.com

Os tintos da Herdade da Farizoa

Texto João Barbosa

A Companhia das Quintas, não sendo um gigante do negócio em Portugal, tem um leque de propriedades espalhadas por diferentes regiões. De cima para baixo: Quinta da Fronteira (Douro), Quinta do Cardo (Beira Interior), Quinta de Pancas (Lisboa) e Herdade da Farizoa (Alentejo).

Possivelmente, o território no Alentejano seja o menos conhecido. A Quinta de Pancas tem já uma longa vida como referência no panorama português, a Quinta do Cardo é um caso raro de reconhecimento de vinhos da sua região, a Quinta de Fronteira está no mediático Douro e a Herdade da Farizoa, embora na região portuguesa de maior sucesso de vendas, tem mais competidores de dimensão.

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Heradade da Farizoa – Foto Cedida por Herdade da Farizoa | Todos os Direitos Reservados

A Herdade da Farizoa foi comprada em 2000 e a adega construída no ano seguinte. Uma característica não muito comum: não se fazem brancos. O pomar de videiras é composto por alicante bouschet (oito hectares), alfrocheiro (quatro hectares), aragonês (15 hectares), cabernet sauvignon (6,5 hectares), syrah (5,5 hectares), touriga franca (menos de um hectare), touriga nacional (6,5 hectares) e trincadeira (dez hectares). Havia dois hectares com tinta caiada, que foram arrancados. Encontram-se em pousio para virem a ser cultivados com alicante bouschet.

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Heradade da Farizoa – Foto Cedida por Herdade da Farizoa | Todos os Direitos Reservados

A vinha ocupa uma pequena parte da propriedade – pequena para o padrão alentejano, com 156 hectares. O espaço está arrendado e é dominado por montados, de sobro e azinho, e pastagens. Existem um olival de quatro hectares. O solo é uma mistura de argila, mármore e xisto. Situa-se no concelho de Elvas e dentro da demarcação de Borba.

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Heradade da Farizoa – Foto Cedida por Herdade da Farizoa | Todos os Direitos Reservados

A empresa tem vindo a realizar uma reestruturação, inicialmente apenas de actividades administrativas e comerciais. A saída dos enólogos Nuno do Ó, que abraçou negócio por sua conta, e de João Corrêa, por doença, levou à contratação de Frederico Vilar Gomes para dirigir as operações de campo e enologia. É jovem e já confirmado como um dos melhores técnicos do país.

Sangue novo que trouxe inovação, alguma com um certo risco. Há liberdade para experiências. Frederico Vilar Gomes atribui responsabilidade e liberdade aos enólogos residentes em cada propriedade, pois são eles, melhor do que ninguém, a conhecer o terreno, o ambiente e as uvas. Visitei uma outra propriedade e provei uma amostra… as opiniões dividiram-se, mas se o técnico da quinta acredita, então que se faça o ensaio.

Na Herdade da Farizoa é Joaquim Mendes quem manda. Ali fazem-se os Portas da Herdade, Herdade da Farizoa, Herdade da Farizoa Reserva e Herdade da Farizoa Grande Reserva (anteriormente designado por Grande Escolha).

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Portas da Herdade – Foto Cedida por Herdade da Farizoa | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-WineHerdade da Farizoa herdade da farizoa Os tintos da Herdade da Farizoa Blend All About WineHerdade da Farizoa

Heradade da Farizoa – Foto Cedida por Herdade da Farizoa | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-WineHerdade da Farizoa-Reserva herdade da farizoa Os tintos da Herdade da Farizoa Blend All About WineHerdade da Farizoa Reserva

Heradade da Farizoa Reserva – Foto Cedida por Herdade da Farizoa | Todos os Direitos Reservados

Blend-All-About-WineHerdade da Farizoa-Grande-Reserva herdade da farizoa Os tintos da Herdade da Farizoa Blend All About WineHerdade da Farizoa Grande Reserva

Heradade da Farizoa Grande Reserva – Foto Cedida por Herdade da Farizoa | Todos os Direitos Reservados

O Portas da Herdade 2014 é uma aposta segura para os dias ao ar livre, acompanhando bem carnes greladas. É macio e escorregadio. É um lote de alicante bouschet (5%), aragonês (40%) sirah (15%) e trincadeira (15%).

O Herdade da Farizoa também alinha pela juventude e fruta, mais guloso que o anterior. Aragonês (50%), syrah (30%) e touriga nacional (20%) mostram-se bem casadas. Vai bem com os grelhados, mas massas também resultam.

O Herdade da Farizoa Reserva 2010 é um alentejano feito com touriga nacional (67%) e syrah (33%). É mais uma prova da plasticidade da casta portuguesa e da boa adaptabilidade da francesa. Ponho-o na mesa no Outono, com comidas mais fortes, mas madrugadoras face ao Inverno.

O Herdade da Farizoa Grande Escolha 2009 é um vinho que me surpreendeu. Sendo o Alentejo uma região quente e embora esta propriedade empreste frescura, a vivacidade ultrapassou as minhas expectativas. Sem marca de oxidação, com aromas de menta, restolho de trigo, pimenta branca e rosas secas. Chega com doçura e finaliza seco.

O Herdade da Farizoa Grande Reserva 2012 traz feições do mano mais velho, como a menta e o restolho do trigo. Para quem tem sangue alentejano, como eu, o perfume da lenha de azinho dá grande conforto. Somem-se-lhe pitadas de noz-moscada e erva-doce. Na boca mostra amoras e mirtilos, terra seca, cacau. Tem estrutura e fibra, mas sem bruteza. Não vem tão doce quanto o anterior e termina seco. Este é um lote de syrah (75%) e touriga nacional (25%).

Contactos
Herdade da Farizoa
7350-491 Terrugem
Tel: (+351) 268 657 552 | (+351) 93 80 90 518
Fax: (+351) 268 107 190

Herdade do Sobroso, vinhos alentejanos com temperamento especial

Texto João Barbosa

A memória não é o que foi e ainda assim lembro-me, de há uns anos, ter visitado a Herdade do Sobroso, estava tudo muito no começo. O fundamental já lá estava: a vinha, o território florestal e a simpatia.

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Herdade do Sobroso – Foto Cedida por Herdade do Sobroso | Todos os Direitos Reservados

Agora, retornado com mais tempo, apercebi-me do empreendimento já constituído, na vertente vínica e no enoturismo – que alia o Alentejo, nas cores do seu calor, e à cidade pelo modo contemporâneo e sem a tão comum frieza. Um bom gosto a que não é alheio o traço do arquitecto Ginestal Machado, uma referência na reconhecida Escola do Porto, que já deu a Portugal dois prémios The Pritzker Architecture Prize – o «Nobel» da arquitectura.

Quando Ginestal Machado comprou estes 1.600 hectares, em 2000, estava tudo por fazer, resultado do pouco empenho de anteriores proprietários. Muito já se fez e a natureza não pára. Este domínio é também uma coutada de caça – o que não admira a variedade e quantidade de bicheza avistada, quando dei uma volta de todo-o-terreno com Filipe Teixeira Pinto, operacional da casa e enólogo residente.

Senti-me em reportagem para a National Geographic Magazine: veados, muflões, coelhos, lebres, perdizes, codornizes, javalis, patos bravos… Consta que os Sus scrofa (oink oink) costumam ser grandes e pesados e que um dia foi caçado um com mais do que o dobro do peso média registada na Herdade do Sobroso.

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Piscina – Foto Cedida por Herdade do Sobroso | Todos os Direitos Reservados

Vinho não é tudo, mas é o tema da crónica – e vou longo em muita coisa. O Alentejo é uma região, a maior portuguesa – cerca de um terço de Portugal continental, com mais de 31.551 quilómetros quadrados –, mas nela cabem realidades diferentes. A Herdade do Sobroso situa-se na Vidigueira, zona com Denominação de Origem Controlada, e famosa pelos seus vinhos brancos. Este domínio, pela orografia e pela margem do Rio Guadiana, consegue uma frescura que, muitas vezes, está ausente em néctares alentejanos. Filipe Teixeira Pinto tem o apoio, como consultor, de Luís Duarte.

Dos 1.600 hectares, apenas 52 estão ocupados com vinha. O encepamento é formado por castas locais, nacionais e internacionais. As brancas são todas portuguesas: alvarinho, antão vaz, arinto, perrum e verdelho. As tintas são mais «viajadas»: alicante bouschet, alfrocheiro, aragonês, cabernet sauvignon, syrah e tinta grossa.

O primeiro vinho foi posto à venda em 2008, referente à vindima de 2006. A linha condutora é a da frescura, que traz elegância. Penso que, sabiamente, estão a travar o caminho da pujança alcoólica, característica quase inevitável nas regiões quentes. O rosado tem 12,5% de álcool e os brancos 13%, o que nos tempos que correm é quase raro.

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Sobro Rosé 2014 – Foto Cedida por Herdade do Sobroso | Todos os Direitos Reservados

Pela graduação alcoólica já se percebeu que o rosado não é um subproduto dos tintos. As uvas são colhidas antes das brancas. O Sobro rosé 2014 consegue reunir dois desejos, pois vai bem (perigosamente) em conversas descontraídas e acompanha comidas delicadas. Foi todo feito com uvas de alicante bouschet.

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Anas branco 2014 – Foto Cedida por Herdade do Sobroso | Todos os Direitos Reservados

Os muitos patos bravios que ali vivem inspiraram a marca de entrada de gama, Anas – a família desta ave palmípede é a Anatidae. O Anas branco 2014 é um diálogo entre as castas antão vaz, quente alentejana, e a arinto, nacional e muito fresca. Esta parelha resulta bem (vários produtores estão a recorrer a este casamento), até porque se deu travão à autóctone, sob pena de pesar como chumbo, sendo colhida «precocemente» (no tempo correcto). É guloso e pede cadeira diante duma vista agradável.

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Sobro branco 2014 – Foto Cedida por Herdade do Sobroso | Todos os Direitos Reservados

O Sobro branco 2014 é mais indicado para acompanhar comida. Mais uma vez, a equipa técnica evitou que as uvas de antão vaz esborrachassem o vinho. A elas se somaram as de perrum e arinto.

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Sobro tinto 2014 – Foto Cedida por Herdade do Sobroso | Todos os Direitos Reservados

O Sobro tinto 2014 fez-se com uvas de aragonês, alicante bouschet, cabernet sauvignon e syrah. Aqui a minha nota vai para o belo cabernet sauvignon, que lhe confere virtudes. Infelizmente, em Portugal nem sempre se sabe trabalhar bem com esta casta – ou não será suposto por inadaptação. Aqui não se trata de pimentão.

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Herdade do Sobroso tinto 2013 – Foto Cedida por Herdade do Sobroso | Todos os Direitos Reservados

No Herdade do Sobroso tinto 2013 encontrei o Alentejo. Os outros têm-no, mas este «nasceu lá e vive lá». O lote tem o sotaque cantado, pelas uvas de aragonês, alicante bouschet e alfrocheiro. Cuidado, que os frutos vermelhos e o chocolate são como duendes que distraem a atenção… 14% de álcool. É para ir para a mesa e o que me ocorre é «carne do alguidar», uma iguaria típica alentejana, que consiste em entrecosto temperado com massa de pimentão e muito alho, acompanhado por migas.

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Herdade do Sobroso Cellar Selection tinto 2013 – Foto Cedida por Herdade do Sobroso | Todos os Direitos Reservados

O Herdade do Sobroso Cellar Selection 2013 (tinto) é uma coisa à parte, que representa o gosto dos proprietários, um vinho com assinatura. O casamento entre o alicante bouschet e o syrah é de estremecer e, novamente, a frescura torna-o perigoso, aqui são 14,5% de álcool. É um grande vinho. Em termos de gosto pessoal, é este que escolho.

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Herdade do Sobroso Reserva tinto 2012 – Foto Cedida por Herdade do Sobroso | Todos os Direitos Reservados

Por fim, o cume. O Herdade do Sobroso Reserva 2012 (tinto) é também um vinho de excelência, com elegância, vontade de comida e conversa prolongada num serão sem horas para terminar. O lote fez-se com uvas de aragonês, alicante bouschet e cabernet sauvignon. Aqui, mais notória, a francesa dá-lhe «um piquinho», especiarias e verdura, a temperar o chocolate de cozinha, cerejas maduras e baunilha. Novamente, rédea curta, que são 14,5% de álcool.

Contactos
Pedrógão, Apartado 61
7960-909 Vidigueira, Portugal.
Tel: (+351) 284 456 116
Telemóvel: (+351) 961 732 958
E-mail: geral@herdadedosobroso.pt
Website: www.herdadedosobroso.pt

Herdade do Perdigão

Texto José Silva

A Herdade do Perdigão tem 70 hectares de terreno onde estão plantados 40 hectares de vinha, das castas Antão Vaz, Verdelho e Arinto, nas brancas e Trincadeira, Aragonês, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, nas tintas.

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As Castas © Blend All About Wine, Lda

Mas a vinha mais velha, com cerca de 30 anos de idade, tem várias castas misturadas. Destas uvas são produzidas 800.000 garrafas por ano, 85% das quais de vinho tinto. Mas já produzem 10.000 garrafas de espumante.

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Vinhas © Blend All About Wine, Lda

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Vinhas © Blend All About Wine, Lda

É um projecto familiar, que tem vindo a crescer, e onde foram feitos alguns investimentos importantes em tecnologia, sobretudo em cubas de inox, rede de frio e prensas modernas, no sentido de melhorar o produto final.

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Cubas Inox © Blend All About Wine, Lda

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Cubas Inox © Blend All About Wine, Lda

O que tem acontecido, com alguns vinhos já premiados em vários concursos, mesmo internacionais.

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A adega © Blend All About Wine, Lda

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Confortável sala de provas © Blend All About Wine, Lda

As vinhas estendem-se à volta das instalações onde se encontra a adega e uma confortável sala de provas que funciona também como loja de venda, para os muitos apreciadores que cada vez mais visitam os produtores, provam os vinhos e compram os que mais gostaram. É o enoturismo a funcionar bem e a evoluir.

Sentados nesta sala, provamos nove vinhos, que nos deram uma boa ideia do perfil do que ali se produz. Começamos pelo Terras de Monforte Branco 2014. Algo exótico no nariz, revelando logo uma boa acidez. Notas tropicais sem exagero, muito fresco. Bela acidez, muito mineral, seco, ligeiras notas salinas, fruta branca, muito elegante. Seguiu-se o Herdade do Perdigão Reserva Branco 2011, feito só com Antão Vaz. Fermentado em barricas , apresenta alguma austeridade no nariz, mas muito elegante, suave, com ligeiro toque cítrico. Notas de madeira bem casada, alguma baunilha, acidez bem presente, belo volume e alguma complexidade na boca.

Blend-All-About-Wine-Herdade do Perdigão-Reserva branco herdade do perdigão Herdade do Perdigão Blend All About Wine Herdade do Perdig  o Reserva branco

Herdade do Perdigão Reserva branco 2014 | 2011 | 2010 © Blend All About Wine, Lda

Veio então o Herdade do Perdigão Reserva Branco 2010, também só de Antão Vaz. Um vinho que revela logo na cor alguma evolução, que é evidente no nariz, com a madeira elegantemente presente. Na boca já não tem tanta frescura, mas mantém-se elegante e seguro, persistente e com imenso final, a provar que os vinhos brancos também envelhecem bem. Seguiu-se o Herdade do Perdigão Reserva Tinto 2012, produzido com uvas de vinhas velhas. Retinto na cor, quase opaco, brilhante. No nariz é intenso, cheio de fruta preta e algumas notas de baunilha, com madeira bem evidente. Bom volume de boca e uma acidez fantástica, intensa, a casar bem com a madeira. Muitas notas de frutos pretos, de chocolate, um vinho persistente dum ano muito bom, que ainda vai melhorar na garrafa. Recuando uns anos, provamos o Herdade do Perdigão Tinto Reserva 2005, já com laivos acastanhados, brilhante. Apresentou-se algo evoluído no nariz, com notas vegetais muito elegantes, madeira bem casada, ainda com alguma fruta, chocolate e algum fumo. Bela acidez, intenso, a madeira bem evidente mas taninos muito redondos. Um vinho austero, muito interessante.

O Herdade do Perdigão Tinto Reserva 2004 apresentou-se ligeiramente mais claro, também com laivos acastanhados a caracterizar a evolução, com a idade. No nariz nota-se a evolução mas também a elegância, austero mas ainda vivo. Na boca tem ainda alguma fruta muito madura, intenso, com uma acidez fantástica a dar-lhe equilíbrio, notas suaves de fumo, chocolate preto, final muito longo.

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Herdade do Perdigão Reserva tinto 2012 | 2005 | 2004 | 1999 & Herdade do Perdigão tinto 20 anos © Blend All About Wine, Lda

E recuamos ainda no tempo para provar o Herdade do Perdigão Tinto Reserva de 1999. Cor impressionante, muito escuro, acastanhado, muito elegante. Grande intensidade aromática, notas de torrefacção, fumado, exótico, vai abrindo no copo. Muito robusto, mesmo austero, apresenta notas de fumo com uma acidez incrível para um vinho desta idade. Ainda ligeiras fragrâncias de fruta, notas vegetais muito suaves, algum fumo, a precisar e abrir no copo, uma boa surpresa.

Veio então um vinho muito especial, o Herdade do Perdigão Tinto 20 Anos, da colheita de 2008, um vinho de celebração, uma edição especial limitada. Preparado a partir de uvas de vinhas velhas e de Alicante Bouschet, apresenta-se muito escuro, opaco. No nariz é elegância, mais elegância, intenso mas sedoso, algo fumado com ligeiras notas vegetais. Continua a persistência elegante na boca, com uma acidez soberba, intensa, ligeiras notas apimentadas, alguma fruta madura, toque sedoso de pimentos verdes, ainda fresco, com taninos maduros, madeira muito bem integrada para um delicioso final, muito longo. Grande vinho!

Terminamos a prova com o Espumante Herdade do Perdigão 2012, preparado a partir de uvas das castas Arinto e Antão Vaz. Apresenta uma cor amarela citrina, cristalino, com bolha muito fina persistente e cordão intenso. Suave no nariz, seco, tostado, com notas de palha. Muito fresco na boca, acidez intensa, seco, cremoso, notas de panificação, pão torrado, alguns frutos secos, complexo, a pedir comida, com final persistente. Um belo espumante alentejano.

Com as vinhas como pano de fundo, partimos pelo Alentejo fora.

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