Herdade das Servas – Tradição na criação de vinho Grão Vasco Prova Mestra 2013

Da cozinha para a vinha, os vinhos de Margarida Cabaço

Texto João Pedro de Carvalho

Por vezes as decisões acertadas que tomamos na vida abrem os caminhos do sucesso, esta como muitas outras é uma história de sucesso. Tudo começou quando a jovem Margarida chegou a Estremoz, quis o destino que fosse ali encontrar o seu amor, Joaquim Cabaço, descendente da família Cabaço. Joaquim desde cedo aprendeu as artes do campo e da vinha, foi ele o responsável por plantar as actuais vinhas com a sua mulher Margarida em 1992. Na altura sem produção ou adega própria, toda a produção de uva era vendida a produtores da região, por outro lado era a paixão pela cozinha que iria levar a que em 1994 Margarida Cabaço inaugurasse um dos templos da cozinha Alentejana, o Restaurante São Rosas.

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Margarida Cabaço à porta do seu restaurante, São Rosas

Apesar de toda a arte e mestria que Margarida coloca na sua cozinha, sentiu em determinado momento a necessidade de a complementar com algo mais, com algo que tivesse também o seu cunho, a sua mão. Nascia com a colheita de 2001 o projecto Monte dos Cabaços e as uvas que antes eram vendidas agora davam origem ao primeiro vinho do casal, curiosamente um Syrah produzido a partir de uma vinha com três anos. De um total de 130 hectares de vinha, entre uva branca e tinta, 55 ficaram para o projecto Monte dos Cabaços com os restantes a irem para o seu filho Tiago Cabaço. Hoje em dia a gama de vinhos cresceu e está mais composta, a enologia está a cargo da enóloga Susana Estéban mas cabe sempre a Margarida Cabaço a última palavra.

O processo de escolha começa na vinha tal como o faz aos produtos que coloca no São Rosas, critério de qualidade sempre presente. Os melhores lotes têm direito a passar por barrica e quando se mostram de patamar superior vão para o Monte dos Cabaços Reserva. Quanto à gama de vinhos especiais de nome Margarida, os quais não irei abordar por agora, são vinhos elaborados com a melhor casta de cada colheita, da qual uma parte ajuda a complementar os lotes dos restantes vinhos. O primeiro branco nasceu em 2005, agora temos o Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada branco 2013 em prova que junta as castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, apenas com passagem por inox. A mostrar-se com fruta (citrinos, maçã) vigorosa e muito madura, folha verde de limoeiro e flores brancas num conjunto directo e franco mas onde se nota algum nervo. Na boca mostra-se algo tenso, equilíbrio entre a fruta madura e suculenta e a secura, todo ele fresco e com bom final.

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Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada Branco 2013 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

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Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada Red 2009 and Monte dos Cabaços Reserva Red 2008 – Foto de João Pedro de Carvalho | Todos os Direitos Reservados

Nos tintos, o Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada 2009 mostra-se muito centrado na fruta madura, muita baga e frutos do bosque, alguma ameixa, notas de chocolate preto, tabaco, pimenta preta, tudo fresco e com boa intensidade. Conjunto bem estruturado, passagem saborosa com frescura em final longo. Para último fica o Monte dos Cabaços Reserva 2008 feito de Touriga Nacional e Alicante Bouschet, com estágio em barrica. Um vinho atractivo e sério, com fruta preta muito madura envolvida em frescura e alguma geleia, boa harmonia de conjunto com notas de especiarias e uma muito boa concentração onde a barrica aparece muito bem integrada. Muito envolvente ao mesmo tempo que mostra nervo e garra, até alguma austeridade que se faz sentir em pano de fundo. Na boca é um festival de sensações que nos agarra ao copo com a fruta muito limpa a explodir de sabor, muita garra e frescura com estrutura firme que lhe garante longevidade e uma fantástica prestação à mesa.

      Sobre João Pedro Carvalho
      Wine Writer Blend | All About Wine

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